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Princípios do Realismo nas Relações Internacionais

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REALISMO

● O medo e o prestígio explicam o comportamento dos Estados no SI.

Pensadores da antiguidade que influenciaram o realismo:


● Tucídides - primeiro a falar de guerra, insegurança é o motivo que leva os países a
engajarem na guerra, a anarquia existe devido a falta de uma autoridade legítima.
● Maquiavel - Estado é o principal ator, entende que na sobrevivência o poder é o
principal aliado.
● Hobbes - com o seu conceito de guerra de todos contra todos, devido a falta de um
governo soberano, influenciou o pensamento de anarquia internacional.

Premissas comuns aos realistas

● Estados como atores centrais que objetivam a sobrevivência advinda das relações
de poder seja sozinho (autoajuda) seja por aliança. Precisam sobreviver na anarquia.

● São pessimistas, enfatizam os ganhos relativos - um Estado ganhando em relação aos


demais.

● Estado:
○ ator central, responsável por manter a paz e a segurança contra as ameaças
externas;
○ na política interna os Estados se impõe pelo monopólio legítimo do uso da
força, mas no plano internacional isso não é possível;
○ são unidades racionais agindo para defender seus próprios interesses;
○ no campo externo os Estados não têm poder para legitimar suas decisões, sua
função é defender o interesse nacional, local no qual ele tem autoridade e
poder.

● Anarquia
○ conceito que define o SI;
○ não propriamente o caos, mas sim a ausência de autoridade suprema legítima
que possa ordenar e controlar os Estados;
○ devido a anarquia, surgem 3 consequências: a sobrevivência do Estado, o
conceito de poder e o de auto-ajuda.

● Sobrevivência:
○ o interesse nacional tem que ser a sobrevivência e a permanência do Estado
como ator;
○ a segurança do indivíduo só é mantida se a segurança do Estado é garantida →
segurança do indivíduo e do Estado está diretamente ligada;
○ 2 funções fundamentais do Estado: paz doméstica e segurança no plano
internacional.

● Poder:
○ elemento central das RI → soma das capacidades do Estado, bem como uma
comparação em relação aos outros Estados;
○ o conceito de poder gera a balança de equilíbrio de poder → nesse caso, ou os
Estado se juntam a favor do poder, aceitando o poderio da atual potência
hegemônica ou contra o que seria a união de atores menores contra a potência
dominante;
■ balança de poder não significa necessariamente que a distribuição de
poder seja equilibrada entre os Estados, pode ser definida também
como a busca por esse equilíbrio.

● Auto-ajuda:
○ não se pode confiar em ninguém, apenas em você mesmo;
○ alianças podem acontecer, mas sempre com atenção e vigilância;
○ Estados têm autocapacidade de se gerir.

Pensadores realistas

● Para os realistas o internacionalista estuda o comportamento dos Estados para


entender o SI, para os liberais entendem que o internacionalista precisa entender o
comportamento dos Estados e buscar a paz mundial, democracia e valores morais.

Carr

● Simpatiza com realismo e idealismo, mas é considerado realista, pois entende que os
princípios devem ser subordinados à política.
● Para ele, os realistas buscam interesses nacionais.

Morgenthau

● Para Morgenthau, as RI só vão chegar na paz quando reconhecerem a importância da


balança e do equilíbrio de poder. Mais do que contribuir para a paz, Morgenthau
sugere que haja melhorias na política externa.
● MG vai criticar as organizações internacionais, pois muitos países utilizam delas
como massa de manobra para atender seus interesses.
● Interesse nacional para MG pode ser traduzido em termos de poder, o único interesse
é a sobrevivência.
● Estados buscam demonstrar poder pela diplomacia e pela força.

Herz
● Criou o “Dilema de Segurança” decorrente da ausência de um poder superior que
garanta a paz.
● Entende o uso de poder como mecanismo para manter prestígio e sobrevivência.
● A ética é importante mesmo submetida ao pragmatismo do poder. Entender que a
anarquia é o que ocasiona a guerra.

Waltz

● Cria os níveis de análise. Imagem da guerra em 3 imagens: o homem, o Estado e SI.


● Waltz privilegia a 3° imagem. Pretende explicar a estrutura sistemática das RIs
condizente com o pensamento behaviorista.
● Os Estados são soberanos, exercem seu poder, influenciam uns aos outros, mas não
podem obrigar transformações em outros estados, se não a anarquia vira hierarquia.

David Singer

● Reduz as 3 imagens de Waltz para 2: Sistema e o subnível Estado. Cada nível tem
vantagens e desvantagens, juntar os dois traz riscos.

Raymond Aron

● Aron não compactua com os excessos cientificistas dos demais pensadores. Para ele, a
diferença entre sociedade nacional e internacional é o fato de que as sociedades
nacionais possuem valores e leis que podem ser centralizadas, já no plano
internacional não.
● Sociedade internacional e Estados são guiados por interesses e não por leis.
● Reconhece também que a guerra tem objetivos não materiais, como o prestígio, galgar
posições de poder, etc.

Martin Wright

● Ri deve ser elaborada ancorada no estudo da história e na evolução do pensamento


filosófico ocidental, pois quando as teorias se afastam da história correm risco de
refletir sobre assuntos que são distantes da realidade.
● Pensamento fundamentado em 3 tradições fundamentadas por: Maquiavel (realismo),
Grotius (racionalismo) e Kant (revolucionarismo).

Gilpin

● Para Gilpin, a estabilidade internacional depende de potências hegemônicas que


mantêm o sistema, enquanto potências desafiantes avaliam os custos de confrontá-las.

Hedley Bull
● Substitui o conceito de ordem mundial pelo de anarquia e distingue 3 níveis de
relações: sistema internacional, sociedade internacional e sociedade mundial, cada um
com diferentes graus de valores e objetivos compartilhados.

Realismo e RI

● A década de 90 foi marcada por fortes controvérsias no que diz respeito à teoria das
Relações Internacionais, revelando diversas críticas ao realismo.

● Novos assuntos, atores e o fim dos conflitos afastaram o realismo das margens da
história, criticando também as bases epistemológicas do realismo, onde não foi dada a
devida importância do pensamento realista das Relações Internacionais.

● Realismo neoclássico - tentativa de recuperar as raízes do realismo original sem


deixar de adaptá-lo aos dilemas contemporâneos.

● Waltz declarou a sua teoria como uma teoria de caráter internacional, utilizando o
estruturalismo como forma de explicar a redução das mudanças no que diz respeito à
política internacional.

● Para o contradizer, Buzar Little e Jones acreditam que o pensador não dá a devida
importância em distinguir o sistema, impedindo-o de produzir uma teoria
verdadeiramente estrutural.

● O neo realismo na teoria das relações internacionais é dividido em duas vertentes


principais: o neo realismo defensivo e o neo realismo ofensivo.

● O neo realismo defensivo, liderado por Kenneth Waltz, argumenta que as grandes
potências buscam manter o status quo. Segundo essa perspectiva, os Estados são
motivados principalmente pela necessidade de garantir sua segurança e estabilidade.
Assim, as ações dos Estados tendem a ser cautelosas, evitando confrontos
desnecessários e priorizando a preservação da ordem internacional existente.

● Por outro lado, o neo-realismo ofensivo, defendido por John Mearsheimer, sustenta
que as grandes potências estão constantemente em busca de aumentar seu poder e
expandir sua influência nas relações internacionais. Essa abordagem enfatiza que os
Estados são propensos a adotar posturas agressivas para maximizar suas vantagens,
acreditando que a segurança pode ser melhor alcançada através da hegemonia.

Realismo e OI

● Os Estados estão sempre agindo a partir de uma lógica de busca pelo poder e as
relações pautadas na proximidade podem variar conforme os interesses variam.
● A cooperação pode até evoluir no sistema internacional, mas é guiada pelo interesse
dos atores.

● Criticam a proposição de que instituições podem mudar aspectos importantes do SI e


não conferem relevância ao papel de atores não estatais como as ONG.

● O papel das organizações internacionais como atores de relevância no sistema


internacional e até como atores são constantemente questionados.

● A cooperação está sempre limitada pela anarquia.

● As organizações internacionais só existem enquanto servem aos interesses dos


Estados e quando os Estados mais fortes engajam nessas organizações.

● As organizações funcionam como instrumentos utilizados pelos Estados mais fortes


para atingir seus objetivos e deixam de existir quando esses objetivos já foram
cumpridos.

● Na medida em que a cooperação, embora presente no sistema internacional, seja


limitada pelas condições de anarquia, o papel das organizações internacionais como
atores e, por vezes, até como fóruns relevantes, é questionado. Elas são tratadas como
barcos vazios, existindo somente enquanto servem aos interesses dos Estados.

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