0% acharam este documento útil (0 voto)
18 visualizações24 páginas

Honorários Sucumbenciais e Recursos

Enviado por

loccoehpoco
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
18 visualizações24 páginas

Honorários Sucumbenciais e Recursos

Enviado por

loccoehpoco
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Número 795 Brasília, 21 de novembro de 2023.

Este periódico destaca teses jurisprudenciais e não consiste em repositório oficial de jurisprudência.

RECURSOS REPETITIVOS

PROCESSO REsp 1.864.633-RS, Rel. Ministro Paulo Sérgio


Domingues, Corte Especial, por maioria, julgado em
9/11/2023. (Tema 1059).
REsp 1.865.223-SC, Rel. Ministro Paulo Sérgio
Domingues, Corte Especial, por maioria, julgado em
9/11/2023 (Tema 1059).
REsp 1.865.553-PR, Rel. Ministro Paulo Sérgio
Domingues, Corte Especial, por maioria, julgado em
9/11/2023 (Tema 1059).

RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

TEMA Honorários advocatícios sucumbenciais. Art. 85, § 11, do


CPC. Provimento parcial ou total do recurso, ainda que
mínima a alteração do resultado do julgamento.
Majoração da verba honorária em grau recursal.
Impossibilidade. (Tema 1059).

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 1/24
DESTAQUE

A majoração dos honorários de sucumbência prevista no art. 85, § 11, do CPC pressupõe
que o recurso tenha sido integralmente desprovido ou não conhecido pelo tribunal,
monocraticamente ou pelo órgão colegiado competente. Não se aplica o art. 85, § 11, do CPC em caso
de provimento total ou parcial do recurso, ainda que mínima a alteração do resultado do julgamento
e limitada a consectários da condenação.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR

A controvérsia que se apresenta a julgamento diz respeito à possibilidade de se proceder,


em grau recursal, à majoração da verba honorária estabelecida na instância recorrida, notadamente
quando o recurso interposto venha a ser provido total ou parcialmente, ainda que o provimento
esteja limitado a capítulo secundário da decisão recorrida.

Nesse sentido, é pressuposto da majoração da verba honorária sucumbencial em grau


recursal, tal como estabelecida no art. 85, § 11, do CPC, a infrutuosidade do recurso interposto,
assim considerado aquele que em nada altera o resultado do julgamento tal como provindo da
instância de origem.

Daí que, se a regra legal do art. 85, § 11, do CPC existe para penalizar o recorrente que se
vale de impugnação infrutuosa, que amplia sem razão jurídica o tempo de duração do processo,
pode-se concluir que foge ao escopo da norma aplicar a penalidade em situação concreta na qual o
recurso tenha sido, em alguma medida, proveitoso à parte que dele se valeu. Configuraria evidente
contrassenso, enfim, aplicar o dispositivo legal em exame para punir o recorrente pelo êxito obtido
com o recurso, ainda que mínimo ou limitado a capítulo secundário da decisão recorrida, a exemplo
dos que estabelecem os consectários de uma condenação.

Respeitada essa premissa, surge sem maiores dificuldades uma primeira conclusão
inafastável: para os fins do art. 85, § 11, do CPC, não faz diferença alguma se o recurso foi declarado
incognoscível por lhe faltar qualquer requisito de admissibilidade; ou se o recurso foi examinado
pelo mérito e integralmente desprovido. Ambas as hipóteses equivalem-se juridicamente para efeito
de majoração da verba honorária prefixada, já que nenhuma dessas hipóteses possui aptidão para
alterar o resultado do julgamento, e o recurso interposto, ao fim e ao cabo, foi infrutuoso e em nada
beneficiou o recorrente.

Outra conclusão que se põe, desta vez diretamente relacionada à controvérsia em desate,
está em reconhecer que o êxito recursal, ainda quando mínimo, deslocará a causa para além do

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 2/24
campo de incidência do art. 85, § 11, do CPC, não se podendo cogitar, nessa hipótese, de majoração
pelo tribunal dos honorários previamente fixados. Não cabe, com efeito, penalizar o recorrente se a
alteração no resultado do julgamento - ainda que mínima - constitui decorrência direta da
interposição do recurso, e se dá em favor da posição jurídica do recorrente.

Pensar diferente, ademais, conduziria inevitavelmente os tribunais a um caminho de


perturbadora insegurança jurídica, fomentando-se infindáveis discussões acerca do ponto a partir
do qual a modificação do resultado do julgamento decorrente do provimento parcial do recurso
dispensaria o tribunal de majorar os honorários sucumbenciais previamente fixados.

Percebe-se, enfim, que não há razão jurídica para se sustentar a aplicação do art. 85, § 11,
do CPC nos casos de provimento parcial do recurso, ainda que mínima a alteração do resultado do
julgamento e diminuto o proveito obtido pelo recorrente com a impugnação aviada, mesmo quando
circunscrita à alteração do resultado ou o proveito obtido a mero consectário de um decreto
condenatório.

Esse entendimento, ademais, é o que se mostra assentado no âmbito do Superior Tribunal


de Justiça, que estabelece como um dos requisitos para a aplicação do art. 85, § 11, do CPC, que se
esteja a cuidar de recurso integralmente não conhecido ou desprovido, monocraticamente ou pelo
órgão colegiado competente.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

LEGISLAÇÃO

Código de Processo Civil (CPC/2015), art. 85, § 11

PRECEDENTES QUALIFICADOS

Tema n. 1059/STJ

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 3/24
CORTE ESPECIAL

PROCESSO EAREsp 1.854.589-PR, Rel. Ministro Raul Araújo, Corte


Especial, por unanimidade, julgado em 9/11/2023.

RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

TEMA Ônus da sucumbência na execução extinta por prescrição


intercorrente. Custas. Honorários advocatícios.
Reconhecimento da prescrição intercorrente, precedido
de resistência do exequente. Prevalência do princípio da
causalidade.

DESTAQUE

A resistência do exequente ao reconhecimento de prescrição intercorrente não é capaz de


afastar o princípio da causalidade na fixação dos ônus sucumbenciais, mesmo após a extinção da
execução pela prescrição.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR

Segundo farta jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, em caso de extinção da


execução, em razão do reconhecimento da prescrição intercorrente, mormente quando este se der
por ausência de localização do devedor ou de seus bens, é o princípio da causalidade que deve
nortear o julgador para fins de verificação da responsabilidade pelo pagamento das verbas
sucumbenciais.

Mesmo na hipótese de resistência do exequente - por meio de impugnação à exceção de


pré-executividade ou aos embargos do executado ou de interposição de recurso contra a decisão
que decreta a referida prescrição -, é indevido atribuir-se ao credor, além da frustração na pretensão
de resgate dos créditos executados, também os ônus sucumbenciais com fundamento no princípio
da sucumbência, sob pena de indevidamente beneficiar-se duplamente a parte devedora, que não

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 4/24
cumpriu oportunamente com a sua obrigação, nem cumprirá.

A causa determinante para a fixação dos ônus sucumbenciais, em caso de extinção da


execução pela prescrição intercorrente, não é a existência, ou não, de compreensível resistência do
exequente à aplicação da referida prescrição. É, sobretudo, o inadimplemento do devedor,
responsável pela instauração do feito executório e, na sequência, pela extinção do feito, diante da
não localização do executado ou de seus bens.

A resistência do exequente ao reconhecimento de prescrição intercorrente não infirma,


nem supera a causalidade decorrente da existência das premissas que autorizaram o ajuizamento da
execução, apoiadas na presunção de certeza, liquidez e exigibilidade do título executivo e no
inadimplemento do devedor.

Assim, em homenagem aos princípios da boa-fé processual e da cooperação, quando a


prescrição intercorrente ensejar a extinção da pretensão executiva, em razão das tentativas
infrutíferas de localização do devedor ou de bens penhoráveis, será incabível a fixação de
honorários advocatícios em favor do executado, sob pena de se beneficiar duplamente o devedor
pela sua recalcitrância. Deverá, mesmo na hipótese de resistência do credor, ser aplicado o princípio
da causalidade, no arbitramento dos ônus sucumbenciais.

SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 660

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 5/24
PRIMEIRA TURMA

PROCESSO REsp 1.952.610-RS, Rel. Ministra Regina Helena Costa,


Primeira Turma, por unanimidade, julgado em
7/11/2023, DJe 13/11/2023.

RAMO DO DIREITO DIREITO ADMINISTRATIVO

TEMA Lei Complementar n. 123/2006, art. 55. Procedimento de


dupla visita para autuação de microempresas e empresas
de pequeno porte. Compatibilidade com a fiscalização
realizada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural
e dos Biocombustíveis - ANP. Não caracterização de risco
imanente.

DESTAQUE

A Agência Nacional do Petróleo, do Gás Natural e dos Biocombustíveis adota, como regra
de suas atividades fiscalizatórias, a dupla visita, não elencando a conduta de armazenamento, no
mesmo ambiente, de recipientes de gás liquefeito de petróleo (GLP) cheios e vazios como situação
de risco.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR

O art. 179 da Constituição da República prevê como princípio geral da atividade


econômica o tratamento jurídico diferenciado às microempresas e empresas de pequeno porte,
visando a incentivá-las pela simplificação de suas obrigações administrativas, tributárias,
previdenciárias e creditícias, ou pela eliminação ou redução destas por meio de lei.

Dentre essas prerrogativas, consoante estabelecido no art. 55 da Lei Complementar n.


123/2006, está o caráter prioritariamente orientador da ação fiscalizatória de suas atividades,
impondo-se o critério da dupla visita para lavratura dos autos de infração, ressalvadas situações de
risco incompatível com o procedimento, reincidência, fraude, resistência ou embaraço à fiscalização,
cabendo aos órgãos administrativos, mediante ato infralegal, arrolar as atividades não sujeitas ao
procedimento geral.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 6/24
A Agência Nacional do Petróleo, do Gás Natural e dos Biocombustíveis - ANP adota, como
regra de suas atividades fiscalizatórias, a dupla visita, não elencando a conduta de armazenamento,
no mesmo ambiente, de recipientes de gás liquefeito de petróleo (GLP) cheios e vazios como
situação de risco.

Nesse contexto, a ANP regulamentou seus procedimentos de fiscalização das


microempresas e empresas de pequeno porte pela Resolução n. 759, arrolando as atividades
consideradas de risco, fraude, resistência ou embaraço à fiscalização. A referida resolução não
alterou o grau de risco da atividade, mas apenas regulamentou o art. 55 da Lei Complementar n.
123/2006, de forma a positivar a compatibilidade do procedimento de dupla visita com a atuação de
fiscalização da ANP.

Assim, pode-se concluir, em regra, pela compatibilidade das atividades supervisionadas


pela ANP com o tratamento prioritário conferido às microempresas e empresas de pequeno porte
na sobredita Lei Complementar.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

LEGISLAÇÃO

Constituição Federal (CF/1988), art. 179


Lei Complementar n. 123/2006, art. 55
Resolução n. 759 da Agência Nacional do Petróleo, do Gás Natural e dos Biocombustíveis - ANP

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 7/24
SEGUNDA TURMA

PROCESSO Processo em segredo de justiça, Rel. Ministra Assusete


Magalhães, Segunda Turma, por unanimidade, julgado
em 7/11/2023, DJe 13/11/2023.

RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

TEMA Agravo interno no agravo em recurso especial. Recurso


especial inadmitido. Falta de impunação específica dos
fundamentos da decisão agravada. Art. 932, III, do
CPC/2015 e Súmula n. 182/STJ. Agravo em recurso
especial. Não conhecimento. Insistência da parte
recorrente em não atacar os fundamentos da decisão
agravada. Reaplicação da Súmula n. 182/STJ. Art. 1.021, §
1º, do CPC/2015. Agravo interno não conhecido, com
aplicação de multa de 1% sobre o valor atualizado da
causa.

DESTAQUE

O recurso que insiste em não atacar especificamente os fundamentos da decisão recorrida


seguidamente é manifestamente inadmissível (dupla aplicação do art. 932, III, do CPC/2015),
devendo ser penalizado com a multa de 1%, sobre o valor atualizado da causa, prevista no art. 1.021,
§4º, do CPC/2015.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR

Inicialmente, ressalta-se que a parte agravante tem o ônus da impugnação específica dos
fundamentos da decisão agravada. Não basta repetir as razões já expendidas, no recurso anterior, ou
limitar-se a infirmar, genericamente, o decisum. É preciso que o Agravo interno impugne, dialogue,
combata, enfim, demonstre o desacerto do que restou decidido. Encampando tal compreensão, esta
Corte editou a Súmula 182, in verbis: "É inviável o agravo do art. 545 do CPC que deixa de atacar
especificamente os fundamentos da decisão agravada".

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 8/24
A nova sistemática processual, introduzida pelo CPC de 2015, ratificou tal compreensão, in
verbis: "Art. 1.021. Contra decisão proferida pelo relator caberá agravo interno para o respectivo
órgão colegiado, observadas, quanto ao processamento, as regras do regimento interno do tribunal.
[...] § 1º. Na petição de agravo interno, o recorrente impugnará especificadamente os fundamentos
da decisão agravada".

Assim, constata-se que o princípio da dialeticidade permanece vivo, nesse novo diploma
processual, uma vez que se revela indispensável que a parte recorrente faça a impugnação específica
dos fundamentos da decisão agravada, expondo os motivos pelos quais não teriam sido
devidamente apreciados os fatos e/ou as razões pelas quais não se teria aplicado corretamente o
direito, no caso concreto, enfrentando os fundamentos da decisão agravada, o que não ocorreu, na
hipótese dos autos.

Desse modo, interposto Agravo interno com razões deficientes, que não impugnam,
especificamente, os fundamentos da decisão agravada, devem ser aplicados, no particular, a Súmula
182 desta Corte e o art. 1.021, § 1º, do CPC/2015.

Por fim, deve ser imposta, no caso, a multa, prevista no art. 1.021, § 4º, do CPC/2015, no
patamar de 1% (um por cento) do valor atualizado da causa. Segundo entendimento firmado pela
Segunda Turma desta Corte, "o recurso que insiste em não atacar especificamente os fundamentos
da decisão recorrida seguidamente é manifestamente inadmissível (dupla aplicação do art. 932, III,
do CPC/2015), devendo ser penalizado com a multa de 1%, sobre o valor atualizado da causa,
prevista no art. 1.021, § 4º, do CPC/2015" (STJ, AgInt no AREsp n. 974.848/SP, Rel. Ministro Mauro
Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 13/3/2017).

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 9/24
INFORMAÇÕES ADICIONAIS

LEGISLAÇÃO

Código de Processo Civil, art. 932, III e 1.021, §4º

SÚMULAS

Súmula n. 182/STJ

SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 8 - Edição Especial

PROCESSO REsp 2.086.417-RN, Rel. Ministro Mauro Campbell


Marques, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em
7/11/2023, DJe 10/11/2023.

RAMO DO DIREITO DIREITO TRIBUTÁRIO

TEMA Imposto de Renda. Programa de Alimentação do


Trabalhador - PAT. Inclusão dos incisos I e II, no §1º, do
art. 645, do Decreto n. 9.580/2018 (RIR/2018). Dedução
dos valores pagos referente ao PAT. Alteração feita pelo
art. 186, do Decreto n. 10.854/2021. Ilegalidade.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 10/24
DESTAQUE

O art. 186, do Decreto n. 10.854, de 2021, ao restringir a dedução do PAT a valores pagos a
título de alimentação para os trabalhadores que recebam até cinco salários-mínimos, limitada a
dedução ao valor de, no máximo, um salário-mínimo, incorreu em ilegalidade.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR

O Decreto n. 9.580/2018 (RIR/2018) foi alterado pelo art. 186, do Decreto n. 10.854/2021
para nele fazer incluir os incisos I e II, do §1º, do art. 645, onde foi estabelecido que a dedução
referente ao Programa de Alimentação ao Trabalhador - PAT "será aplicável em relação aos valores
despendidos para os trabalhadores que recebam até cinco salários mínimos" e "deverá abranger
apenas a parcela do benefício que corresponder ao valor de, no máximo, um salário-mínimo".

À toda evidência, tais limitações para a dedução não constam expressamente nas leis
criadoras do Programa de Alimentação ao Trabalhador - PAT, não podendo ser estabelecidas via
decreto regulamentar, ainda que as leis regulamentadas tragam cláusula geral de regulamentação,
pois carecedor de autorização legal específica.

O estabelecimento de prioridade para o atendimento aos trabalhadores de baixa renda, na


forma do regulamento, não significa a autorização para a exclusão dos demais trabalhadores pelo
regulamento, tal a correta interpretação dos arts. 1º e 2º, da Lei n. 6.321/1976.

Em situação análoga, o tema já foi enfrentado por este Superior Tribunal de Justiça quando
da fixação de custos máximos para as refeições individuais oferecidas pelo mesmo Programa de
Alimentação ao Trabalhador - PAT pela Portaria Interministerial n. 326/1977 e pela a Instrução
Normativa da Secretaria da Receita Federal n. 267/2002, que estabeleceram limitações ilegais não
previstas na Lei n. 6.321/1976, no Decreto n. 78.676/1976 ou no Decreto n. 5/1991.

Mutatis mutandis, as mesmas razões aqui se aplicam. Com efeito, ato infralegal não pode
restringir, ampliar ou alterar direitos decorrentes de lei. A lei é que estabelece as diretrizes para a
atuação administrativa-normativa regulamentar. Se o poder público identificou a necessidade de
realizar correções no programa há que fazê-lo pelo caminho jurídico adequado e não improvisar via
comandos normativos de hierarquia inferior, conduta já rechaçada em abundância pela
jurisprudência.

Em conclusão, o art. 186, do Decreto n. 10.854/2021, ao restringir a dedução do PAT a

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 11/24
valores pagos a título de alimentação para os trabalhadores que recebam até cinco salários-
mínimos, limitada a dedução ao valor de, no máximo, um salário-mínimo, incorreu em ilegalidade.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

LEGISLAÇÃO

Decreto n. 5/1991
Decreto n.º 78.676/1976
Decreto n. 9.580/2018, incisos I e II, do §1º, do art. 645
Decreto nº 10.854/2021, art. 186
Lei n. 6.321/1976, arts. 1º e 2º

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 12/24
TERCEIRA TURMA

PROCESSO REsp 2.098.063-SP, Rel. Ministra Nancy Andrighi,


Terceira Turma, por unanimidade, julgado em
7/11/2023, DJe 13/11/2023.

RAMO DO DIREITO DIREITO AUTORAL

TEMA Execução de obras musicais protegidas em eventos


públicos. Cobrança de direitos autorais. Intuito de lucro.
Proveito econômico. Desnecessidade.

DESTAQUE

A cobrança de direitos autorais pela execução de obras musicais protegidas em eventos


públicos não está condicionada ao objetivo ou obtenção de lucro.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR

Cinge-se a controvérsia em determinar se pode haver a cobrança de direitos autorais pela


execução de músicas em eventos públicos promovido por Prefeitura sem o objetivo de lucro.

O sistema erigido para a tutela dos direitos autorais no Brasil, filiado ao chamado sistema
francês, tem por escopo incentivar a produção intelectual, transformando a proteção do autor em
instrumento para a promoção de uma sociedade culturalmente diversificada e rica. Nesse contexto,
se por um lado é fundamental incentivar a atividade criativa, por outro, é igualmente importante
garantir o acesso da sociedade às fontes de cultura.

Anteriormente, sob a égide da redação do art. 73 da Lei n. 5.988/1973, o STJ entendia que,
tratando-se de festejo de cunho social e cultural, sem a cobrança de ingresso e sem a contratação de
artistas, inexistente o proveito econômico, seria indevida a cobrança por direitos autorais.

Note-se que a gratuidade das apresentações públicas de obras musicais protegidas era
elemento relevante para determinar o que estaria sujeito ao pagamento de direitos autorais.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 13/24
Posteriormente, o sistema passou a ser regulado Lei n. 9.610/1998, que atualizou e
consolidou a legislação sobre direitos autorais, alterando, significativamente, a disciplina relativa à
cobrança por direitos autorais. Com efeito, observa-se que o art. 68 da nova lei, correspondente ao
art. 73 da legislação revogada, suprimiu, no novo texto, a expressão "que visem lucro direto ou
indireto".

Dessa forma, à luz da Lei n. 9.610/1998, a cobrança de direitos autorais em virtude da


execução de obras musicais protegidas em eventos públicos não está condicionada ao objetivo ou
obtenção de lucro.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

LEGISLAÇÃO

Lei n. 9.610/1998, art. 68

SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 597

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 14/24
QUARTA TURMA

PROCESSO REsp 1.497.574-SC, Rel. Ministro Raul Araújo, Quarta


Turma, por unanimidade, julgado em 24/10/2023, DJe
3/11/2023.

RAMO DO DIREITO DIREITO CIVIL

TEMA Empréstimo tomado por sociedade empresária.


Implementação ou incremento de atividades negociais.
Ausência de relação de consumo. Teoria Finalista.
Hipossuficiência técnica, jurídica ou econômica da pessoa
jurídica não configurada. Não incidência do Código de
Defesa do Consumidor.

DESTAQUE

Não se aplica o Código de Defesa do Consumidor aos contratos de empréstimo tomados


por sociedade empresária para implementar ou incrementar suas atividades negociais.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR

Nos termos da jurisprudência do STJ, em regra, com base na Teoria Finalista, não se aplica
o Código de Defesa do Consumidor aos contratos de empréstimo tomados por sociedade empresária
para implementar ou incrementar suas atividades negociais, uma vez que a contratante não é
considerada destinatária final do serviço e não pode ser considerada consumidora, somente sendo
possível a mitigação dessa regra na hipótese em que demonstrada a específica condição de
hipossuficiência técnica, jurídica ou econômica da pessoa jurídica.

Nesse sentido: "é inaplicável o diploma consumerista na contratação de negócios jurídicos


e empréstimos para fomento da atividade empresarial, uma vez que a contratante não é considerada
destinatária final do serviço. Precedentes. Não há que se falar, portanto, em aplicação do CDC ao
contrato bancário celebrado por pessoa jurídica para fins de obtenção de capital de giro" "Dessa
maneira, inexistindo relação de consumo entre as partes, mas sim, relação de insumo, afasta-se a
aplicação do Código de Defesa do Consumidor e seus regramentos protetivos decorrentes, como a

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 15/24
inversão do ônus da prova ope judicis (art. 6º, inc. VIII, do CDC)." (REsp 2.001.086/MT, Relatora
Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 27/9/2022, DJe de 30/9/2022).

PROCESSO Processo em segredo de justiça, Rel. Ministra Maria


Isabel Gallotti, Quarta Turma, por unanimidade, julgado
em 24/10/2023, DJe 3/11/2023.

RAMO DO DIREITO DIREITO CIVIL, DIREITO DA CRIANÇA E DO


ADOLESCENTE

TEMA Desistência de adoção de criança na fase do estágio de


convivência. Inexistência de prazo de estágio de
convivência à época dos fatos. Genitora biológica que
contestou a adoção e insistiu no direito de visitação do
menor. Doença neurológica constatada na criança. Pais
adotivos lavradores sem condições financeiras.
Desistência justificada. Abuso de direito não configurado.

DESTAQUE

A desistência de adoção de criança na fase do estágio de convivência, após significativo


lapso temporal, não configura abuso de direito, quando os candidatos a pais não possuam condições
financeiras, somado ao fato de a genitora biológica ter contestado o processo de adoção e ter
requerido, por sucessivas vezes, que a criança lhe fosse devolvida ou que lhe fosse deferido o direito
de visitação.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 16/24
INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR

A controvérsia cinge-se em verificar se a desistência de adoção de criança na fase do


estágio de convivência, após significativo lapso temporal, acarretaria a responsabilidade civil dos
candidatos a pais adotivos e, por consequência, dever de indenizar o infante.

A desistência da adoção durante o estágio de convivência não configura ato ilícito, não
impondo o Estatuto da Criança e do Adolescente nenhuma sanção aos pretendentes habilitados em
virtude disso.

O "estágio de convivência", está previsto no art. 46 da Lei n. 8.069/1990, que assim


dispunha, à época dos fatos: "A adoção será precedida de estágio de convivência com a criança ou
adolescente, pelo prazo que a autoridade judiciária fixar, observadas as peculiaridades do caso".

Atualmente, a Lei n. 13.509/2017 fixou o prazo máximo de 90 dias para o estágio de


convivência, mas, em 2008, quando se deram os fatos em análise, esse prazo não existia. À época, o
Estatuto da Criança e do Adolescente também não impunha nenhuma sanção aos pretendentes à
adoção, por eventual desistência no curso do processo.

Embora o fato de a criança ter recebido diagnóstico de doença grave e incurável possa ter
contribuído para a desistência da adoção, haja vista que os candidatos a pais eram pessoas
extremamente simples, sem condições financeiras, e moravam longe de centros urbanos, o fato de a
genitora biológica ter contestado o processo de adoção e ter requerido, sucessivamente, que a
criança lhe fosse devolvida ou que lhe fosse deferido o direito de visitação, não pode ser desprezado
nesse processo decisório.

A desistência da adoção, nesse contexto, está devidamente justificada, não havendo que se
falar em abuso de direito, especialmente, quando, durante todo o estágio de convivência, a criança
foi bem tratada, não existindo nada desabone a conduta daqueles que se candidataram no processo.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 17/24
INFORMAÇÕES ADICIONAIS

LEGISLAÇÃO

Lei n. 8.069/1990 (ECA), art. 46

SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 609

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 18/24
QUINTA TURMA

PROCESSO AREsp 2.346.755-SP, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta


Turma, por unanimidade, julgado em 7/11/2023, DJe
13/11/2023.

RAMO DO DIREITO DIREITO PENAL, DIREITO PROCESSUAL PENAL

TEMA Ingresso irregular de estrangeiro. Crimes de uso de


documento falso de falsificação de documento público.
Pedido de refúgio indeferido. Estrangeiro com visto
permanente. Rejeição da denúncia. Falta de justa causa.
Princípio da intervenção mínima e caráter fragmentário
do Direito Penal. Anistia legal. Interpretação do art. 10, §
1º, da Lei n. 9.474/1997. Analogia in bonam partem.

DESTAQUE

Ainda que indeferido o pedido de refúgio, a concessão de residência permanente ao


estrangeiro equivale a uma anistia legal para os crimes de uso de documento falso e falsificação de
documento público, conforme estabelecido no art. 10, parágrafo 1º, da Lei n. 9.474/1997 em relação
aos refugiados.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR

Conforme estabelecido no art. 8º da Lei n. 9.474/1997, a entrada irregular de estrangeiros


no território nacional não impede que eles solicitem refúgio às autoridades competentes. Em outras
palavras, salvo raras exceções previstas nos arts. 7º, §§ 2º, e 3º, III, da mesma lei, o fato de ter
ingressado de maneira irregular, seja de forma ilegal ou ilícita, não impede que alcancem a
qualidade jurídica de refugiado.

Quando uma pessoa qualificada como "refugiado" comete alguma conduta ilícita com o
propósito de ingressar no território nacional e essa conduta está diretamente relacionada a esse
intento, o procedimento, seja ele de natureza cível, administrativa ou criminal, deve ser arquivado,
com base no § 1º do artigo 10 da referida lei.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 19/24
No caso, embora o pedido de reconhecimento da condição de refugiado tenha sido
indeferido pelo Comitê Nacional para os Refugiados (CONARE) devido à falta de demonstração de
um fundado temor de perseguição compatível com os critérios de elegibilidade previstos no art. 10
da Lei n. 9.474/1997, é importante destacar que o estrangeiro encontra-se classificado como
residente no território nacional e recebeu um visto ou a permissão permanente, o que denota a
condição de residência legal no Brasil.

O art. 395, inciso III, do Código de Processo Penal prescreve a rejeição da denúncia quando
inexistir justa causa para o início do processo penal, isto é, quando não houver fundamentos sólidos
para a persecução penal. Essa medida, na situação em análise, é necessária, pois configura uma
aplicação pertinente do princípio da intervenção mínima e reforça a relevância do caráter
fragmentário do direito penal, já que a própria administração pública reconheceu o direito de
residência permanente no território nacional.

Nesse contexto, também, é apropriado evocar a analogia in bonam partem, uma vez que a
interpretação nos conduz à conclusão de que a concessão de residência permanente ao estrangeiro
equivale a uma anistia legal para os crimes de uso de documento falso e falsificação de documento
público, conforme estabelecido no art. 10, parágrafo 1º, da Lei n. 9.474/1997 em relação aos
refugiados. Logo, tal situação resulta na inexistência de justa causa para a ação penal, considerando
a correlação entre o uso de passaporte falso e sua entrada irregular no Brasil.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

LEGISLAÇÃO

Lei n. 9.474/1997, art. 10, parágrafo 1º


Lei n. 9.474/1997, arts. 7º, parágrafo 2º, e 3º, III
Lei n. 9.474/1997, art. 8º
Código de Processo Penal (CPP), art. 395, inciso III

SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 571

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 20/24
SEXTA TURMA

PROCESSO AgRg no HC 809.639-GO, Rel. Ministro Jesuíno Rissato


(Desembargador convocado do TJDFT), Sexta Turma, por
unanimidade, julgado em 17/10/2023, DJe 20/10/2023.

RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL PENAL

TEMA Acordo de não persecução penal. Descumprimento das


condições impostas. Intimação do investigado para
justificar o descumprimento das condições que ele
aceitou em audiência. Inexistência de previsão legal.
Revogação do benefício.

DESTAQUE

A revogação do acordo de não persecução penal não exige que o investigado seja intimado
para justificar o descumprimento das condições impostas na avença.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR

O investigado foi devidamente cientificado dos termos e condições do acordo de não


persecução penal e posteriormente foi feita tentativa de intimação no endereço fornecido, a fim de
que fosse dado início ao cumprimento da avença firmada, que restou infrutífera. Intimada a defesa
para apresentar o endereço, sob pena de rescisão do acordo, manifestou-se pela intimação editalícia.

Conforme consignado pelo Tribunal de origem, o investigado foi devidamente cientificado


a respeito não só da obrigação assumida e das consequências do seu descumprimento, mas também,
de que era seu dever informar ao juízo qualquer alteração no seu endereço/telefone.

Assim, configurou-se o descumprimento das condições impostas no acordo de não


persecução penal (ANPP), notadamente a obrigação de comunicar mudança de endereço ou
telefone.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 21/24
Prevê o §10 do art. 28-A do Código de Processo Penal que o descumprimento das
condições impostas no acordo de não persecução penal implica a revogação do benefício, devendo o
Ministério Público comunicar o fato ao juízo, para fins de sua rescisão e posterior oferecimento de
denúncia.

Ademais, não há previsão legal para que o investigado seja intimado, mesmo que por
edital, para justificar o descumprimento das condições pactuadas, tampouco sendo o caso de
aplicação analógica do art. 118, §2º, da Lei de Execuções Penais, visto que não se encontra em
situação de execução de pena privativa de liberdade.

Note-se que §9º do art. 28-A do Código de Processo Penal prevê apenas que a vítima será
intimada da homologação do acordo, bem como de seu descumprimento, sem a determinação de
que o investigado seja intimado para justificar o descumprimento das condições impostas pelo
Ministério Público.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

LEGISLAÇÃO

Código de Processo Penal, art. 28-A, § 9º e § 10


Lei de Execuções Penais, art. 118, § 2º

SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 766

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 22/24
RECURSOS REPETITIVOS - AFETAÇÃO

PROCESSO ProAfR no REsp 2.090.538-PR, Rel. Ministro Sérgio


Kukina, Primeira Seção, por unanimidade, julgado em
14/11/2023, DJe 17/11/2023. (Tema 1221).
ProAfR no REsp 2.094.611-PR, Rel. Ministro Sérgio
Kukina, Primeira Seção, por unanimidade, julgado em
14/11/2023, DJe 17/11/2023 (Tema 1221).

RAMO DO DIREITO DIREITO ADMINISTRATIVO

TEMA A Primeira Seção acolheu a proposta de afetação dos


REsps n. 2.090.538/PR e 2.094.611/PR ao rito dos
recursos repetitivos, a fim de uniformizar o
entendimento a respeito da seguinte controvérsia: "
definição do termo inicial dos juros moratórios no caso
de demanda em que se pleiteia reparação moral
decorrente de mau cheiro oriundo da atividade de
prestadora de serviço público no tratamento de esgoto".

PROCESSO ProAfR no REsp 2.072.978-MS, Rel. Ministro Jesuíno


Rissato (Desembargador convocado do TJDFT), Terceira
Seção, por unanimidade, julgado em 14/11/2023, DJe
20/11/2023. (Tema 1222).

RAMO DO DIREITO DIREITO PENAL

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 23/24
TEMA A Terceira Seção acolheu a proposta de afetação do REsp
n. 2.072.978/MS ao rito dos recursos repetitivos, a fim de
uniformizar o entendimento a respeito da seguinte
controvérsia: "verificar a possibilidade de agentes da
Polícia Federal criarem sites/fóruns de internet para
apuração de crimes, de identificação e de localização de
pessoas que compartilhem arquivos pedopornográficos".

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 24/24

Você também pode gostar