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Comemorações do Dia do Exército 2024

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n.

º 744 / mensal / outubro 2024 / € 2,00

Comemorações do
Dia do Exército
GUARDAmo-vos no coração!
SUMÁRIO

06 18 52

05 Editorial

06 Em Foco Órgão de divulgação e preservação da cultura


militar, nos termos da alínea a), do artigo 75.º, do
Dia do Exército na Guarda Decreto Regulamentar n.º 11/2015, de 31 de julho

18 Atualidades PROPRIEDADE DO ESTADO-MAIOR


DO EXÉRCITO
Capacidades Rua do Museu da Artilharia, 1149-065 Lisboa
Tel. civil: 218 842 300 | Tel. militar – 423 000
Aquisição Conjunta de Obuses CAESAR 18 Fax civil: 218 842 470 | Fax militar: 423 170
e-mail: eme@[Link]
Divulgação Sede da Direção, Redação, Edição e Administração:
Palácio dos Condes de Resende, Campo de Santa
A Presença Militar em Coimbra: Património, Memória, Presente e Clara, 34, 1100-469 Lisboa
Futuro 22 NIPC: 600021610
Tel. civil: 213 567 795 | Tel. militar: 414 026
Seminário de Guerra Irregular e Defesa Nacional 26 e-mails: JE@[Link] | site oficial: [Link]
Estatuto Editorial: [Link]
Conferência «O Exército e o Tratado de Limites entre Portugal e -somos/organizacao/ceme/gabeceme/je
Espanha – 160 anos a manter a Raia» 32
Coordenador:

Exercícios Coronel César Reis


Coordenador Adjunto:

Cross-Trainings na Missão Multidimensional Integrada das Nações Tenente-Coronel Araújo e Silva


Redatores/Revisores:
Unidas para a Estabilização na República Centro Africana 44 Alferes Frederica Cunha
Técnica Superior Ana Rita Carvalho
Assistente de Redação:
Imagem do Mês 50 Sargento-Ajudante Mónica Martins
Design/Paginação:
Alferes Vânia Fernandes

52 Cultura e Lazer Técnica Superior Tânia Espírito Santo


Assistente Técnico Nelson Pinho

Visão da História Secretaria e Distribuição:


Sargento-Chefe David Custódio
Tomada de Lisboa de 1147 52 Cabo-Adjunto Márcio Quintela
Cabo-Adjunto Ana Gavino
Grafismo:
Tradições Militares 58 Sargento-Ajudante Mónica Martins
Técnica Superior Tânia Espírito Santo
Livros e Revistas 62
Colaboração Fotográfica:

66 Desporto e Saúde Centro de Audiovisuais do Exército;


Divisão de Comunicação do Exército
Impressão Gráfica:

68 Acontecimentos
Greca – Artes Gráficas, Lda. – Rua José Maria
Baptista Valente, 194 Armazém – A
4465-260 S. Mamede de Infesta,
Tel: 229 069 660, e-mail: comercial@[Link]
Tiragem: 3000 exemplares
Depósito Legal n.º 1465/82 ISSN – 0871/8598
Preço de Capa: €2,00;
Assinatura anual: 11 números; via superfície –
Continente, Açores e Madeira (€20,00); via aérea –
países europeus (€45,00); restantes países: (€65,00)

Os artigos publicados com indicação de autor


são da inteira responsabilidade dos mes­­mos, não
Capa: refletindo, necessariamente, o pensamento do
Comemorações do Dia do Exército de 2024 Comando do Exército Português.

3
EDITORIAL

Caros leitores,

C
elebrou-se, em 24 de outubro, o Dia do Exér- Na secção do Jornal dedicada à Cultura e Lazer, con-
cito, data a que naturalmente damos destaque cretamente na Visão da História, na senda da evocação
nesta edição do Jornal do Exército, através da dos feitos de armas de D. Afonso Henriques, lembramos,
reportagem realizada na cidade da Guarda, palco este ano no artigo “A Tomada de Lisboa de 1147”, a data histórica
das comemorações oficiais, a par da cidade de Coimbra, que se consagrou como Dia do Exército.
onde, entre outros eventos, teve lugar uma evocação his- Igualmente na Visão da História, na subsecção Tra-
tórica ao Patrono do Exército e a tradicional Celebração dições Militares, o Sargento-Chefe de Administração
Eucarística em Homenagem a D. Afonso Henriques. Militar José Santos recorda-nos a origem das “Salvas de
A Artilharia de Campanha desempenha um papel Artilharia”, com uma longa tradição no cerimonial das
central no âmbito do Apoio de Fogos, em cenários de continências e honras militares, desde o século XVI.
alta intensidade como o que carateriza o atual conflito da O Jornal do Exército agradece o valioso contributo da-
Ucrânia. O obus autopropulsionado CAESAR surge em dos pelos seus colaboradores, que em muito vem enrique-
resposta a esta necessidade, destacando-se pela sua mo- cer esta publicação.
bilidade, alcance e simplicidade operacional. Na rubrica
Atualidades, no artigo “Aquisição Conjunta de Obuses Boas leituras
CAESAR”, o Major de Artilharia Aires Carqueijo descre-
ve-nos as caraterísticas desta nova arma, bem como o seu Jornal do Exército
processo de aquisição conjunta, decorrente de uma ini-
ciativa de cooperação europeia liderada pelo Ministério
da Defesa Francês.
Na mesma rubrica, o Coronel Tirocinado de Infanta-
ria António José Oliveira, autor da obra A Presença Mili-
tar em Coimbra, em conjunto com a Major Ana Rita Mar-
ques, descreve-nos o Centro Interpretativo da Presença
Militar em Coimbra, um núcleo museológico integrado
no Aquartelamento de Sant’ Ana, sede da Brigada de In-
tervenção, um espaço também ele ligado à História e à
memória da cidade e do Exército.
Ainda na rubrica Atualidades, divulgamos o “Seminá-
rio de Guerra Irregular e Defesa Nacional”, realizado na
Academia Militar, o qual teve por objetivo dar a conhecer
as capacidades e o conhecimento do Exército no emprego
de operações irregulares em contexto de defesa nacional,
tendo em conta o capital de conhecimento detido pelo
Exército Português nesta área e, bem assim, o atual con-
texto de segurança na Europa.
Assinalou-se, em 29 de setembro, uma data históri-
ca no âmbito das relações bilaterais entre Portugal e Es-
panha, a assinatura há 160 anos do Tratado de Limites
entre os dois Estados, o qual definiu uma linha de fron-
teira assente em critérios científicos. A data e a história
da secular relação entre os dois países foram relembradas
na conferência realizada no Palácio da Ajuda, local da as-
sinatura do Tratado em 1864, de que aqui recuperamos
algumas notas.
No plano operacional, o artigo “Cross Trainings na
Missão Multidimensional integrada das Nações Unidas
na República Centro Africana”, da autoria do Tenente de
Infantaria João Dias, fala-nos nos exercícios realizados
pela Força nacional naquele Teatro de Operações, con-
juntamente com forças de outros países, tendo em vista
Capa do Jornal do Exército, "Conjunto de uniformes militares de tropas de
reforçar a interoperabilidade e a eficácia das operações e infantaria portuguesa nos séc. XVIII e XIX", agosto de 1978,
melhorar a cooperação entre as forças. aguarelas de Coronel Ribeiro Artur.

5
Frederica Alvarenga da Cunha

Alferes
Redatora do Jornal do Exército

Dia do Exército na Guarda:


Celebrações Vibrantes
De 22 a 27 de outubro, as ruas da Guarda foram palco de uma
onda de entusiasmo, com a população a abraçar as comemorações
do Dia do Exército. Uma verdadeira maré humana que preencheu
a cidade, transformando cada momento num retrato de união e
fervor patriótico

O
Dia do Exército comemora-se a 24 de outubro, as Unidades, Estabelecimentos e Órgãos do Exército pro-
data que celebra a tomada de Lisboa aos Mou- moveram a “abertura de portas à comunidade”, visando o
ros, em 1147, pelas tropas de D. Afonso Hen- reforço da relação de proximidade e ligação à população
riques, Patrono do Exército Português. Este ano, as ativi- da região onde estão inseridas, assim como a apresentação
dades comemorativas do Dia do Exército centraram-se na de meios e capacidades.
cidade da Guarda, de 22 a 27 de outubro, e em Coimbra, A magnífica cidade da Guarda, a mais alta de Portugal,
no dia 24 de outubro. Na semana de 21 a 27 de outubro, insere-se numa região marcada pelo granito, pelo clima

6
EM FOCO

de montanha contrastante e pelo ar


puro, ideal para a cura e manufatura
de fumeiro e queijaria de alta quali-
dade. Aqui nascem os cursos de água
que alimentam as maiores bacias
hidrográficas que abastecem as três
maiores cidades de Portugal: a bacia
do Tejo, que abastece Lisboa, a bacia
do Mondego, que abastece Coimbra,
e a bacia do Douro, que abastece o
Porto. A qualidade do ar, historica-
mente reconhecido pela salubrida-
de e pureza, levou a que a Guarda
recebesse, em 2002, pela Federação
Europeia de Bioclimatismo, o títu-
lo de primeira "Cidade Bioclimática
Ibérica". A cidade é também conhe-
cida como "A cidade dos 5 F's", que
significam Forte, Farta, Fria, Fiel e
Formosa. 1
Durante cerca de uma semana, a
cidade foi o cenário perfeito para o
conjunto diversificado de eventos de
natureza militar, histórica, cultural
e recreativa que o Exército levou a
efeito, procurando evidenciar à po-
pulação da região e ao País que é uma
Instituição que respeita o seu Legado
Histórico, valoriza o Potencial Hu-
mano, promove uma forte Lideran-
ça, fomenta a Cooperação Nacional,
aposta na Inovação e Modernização e
assegura um produto operacional de
elevada Prontidão.
Importa destacar que várias insti-
tuições e coletividades do município
da Guarda responderam com grande
afluência ao desafio de participar nos
eventos, nomeadamente nos momen-
tos musicais, nas atividades desporti-
vas e nas exposições de cariz históri-
co e tecnológico, contribuindo deste
modo para o sucesso das celebrações capacidade operacional, ampliando de Apoio, Proteção e Evacuação, que
e para o fortalecimento do vínculo a sua disponibilidade para apoiar na marcarão o início da edificação da ca-
entre a cidade, a região e o Exército. segurança global e no bem-estar dos pacidade de meios de asa rotativa no
O ponto alto das comemorações Portugueses. Terminou agradecendo Exército. O Ministro da Defesa Na-
foi a Cerimónia Militar, que decor- a forma pronta, profissional e muito cional frisou que esta capacidade adi-
reu no Parque Urbano do Rio Diz, no digna como a Câmara Municipal da cional e diferenciada “permitirá mo-
dia 27 de outubro, sendo presidida Guarda, o seu Presidente e as Insti- vimentar pessoas e materiais perante
pelo Ministro da Defesa Nacional, tuições da região apoiaram a realiza- a condução de operações terrestres
Dr. Nuno Melo, acompanhado pelo ção do Dia do Exército, estendendo em todo o espetro das operações mi-
Chefe do Estado-Maior do Exército o reconhecimento a “toda população litares: ofensiva, defensiva, estabiliza-
(CEME), General Eduardo Mendes guardense que, calorosamente, aco- ção e apoio civil numa perspetiva de
Ferrão, entre outras entidades civis e lheu e abraçou o seu Exército”. duplo uso." No seu discurso, o Minis-
militares. Nas palavras que dirigiu aos Por sua vez, na sua alocução, o tro da Defesa destacou ainda as mis-
presentes, o Comandante do Exército Ministro da Defesa Nacional afirmou sões em Portugal e no estrangeiro,
enalteceu a importância da moderni- que o Exército Português irá, pela bem como o investimento do Gover-
zação do Exército para o reforço da primeira vez, adquirir helicópteros no no recrutamento, não esquecendo

JE 744 > outubro 2024 >>> 7


“Reconhecendo
o muito que já
fez, continuamos
a contar com a
determinação
e resiliência
de V. Exa. para
uma efetiva
modernização
do Exército,
que permita
assegurar aos
nossos militares
as melhores
os antigos combatentes e o reequi- de abril - 50 anos”, narrada através
pamento das Forças Armadas. Para da lente do renomado fotojornalista condições para
encerrar o evento, o céu da Guarda
foi sobrevoado por quatro “Falcões
Alfredo Cunha e pelo Coronel Paulo
Lourenço, Diretor do Museu Militar
o cumprimento
Negros”, pertencentes à Equipa de do Porto; e “25 de abril na perspetiva das mais
Paraquedismo do Exército, seguido dos Jovens”, com a exposição de tra-
de um desfile de forças apeadas, en- balhos dos alunos do Colégio Militar, exigentes missões,
cerrando em si a força e a promessa do Instituto dos Pupilos do Exército ombreando com os
de um Exército pronto para servir e e de estabelecimentos de ensino da
preparado para combater, desde sem- Guarda. Teve lugar, igualmente, a nossos aliados.”
pre a honrar Portugal. inauguração da exposição “D. San- Discurso do General Chefe do Estado-
No contexto das referidas Come- cho I”, de Alexandra Anjos, focada -Maior do Exército
morações, sobressaiu a Expo Exército
2024, que se desenrolou ao longo de
uma semana repleta de atividades in-
tensas, incluindo a exibição de uma
vasta gama de meios militares atual-
mente em uso no Exército, acompa-
nhados de demonstrações de capaci-
dades e de outras iniciativas.
No primeiro dia, aquando da Ce-
rimónia de Inauguração das Come-
morações, na Praça Luís de Camões,
cerca de quatrocentos jovens assisti-
ram com entusiasmo ao momento do
hastear das Bandeiras Nacional, do
Município da Guarda e do Exército
Português, cantando bem alto e em
uníssono o Hino Nacional no mo-
mento em que a Bandeira Nacional
foi içada. Seguiu-se a inauguração
de diversas exposições, centradas na
temática do cinquentenário do 25 de
abril: “Viaturas Militares Antigas”,
a cargo da Associação Portuguesa
de Veículos Militares Antigos; “25

8
EM FOCO

A sexta-feira centrou-se no Se-


minário de Inovação, intitulado “O
Exército Português: Um Mundo de
Oportunidades para a Indústria de
Defesa”, que evidenciou o papel da
Defesa como fator de dinamização da
economia nacional, contando para o
efeito com três painéis, subordina-
dos aos seguintes temas: “O Papel da
Indústria de Defesa no Desenvolvi-
mento de Capacidades Militares Ter-
restres”; “Sinergias entre os Exércitos
Europeus e as Indústrias de Defesa”; e
“O Exército Português como Parcei-
ro Tecnológico”. Concomitantemen-
te, foi inaugurada a Exposição Tec-
nológica, onde foram apresentados
equipamentos, soluções e dispositi-
vos que concorrem para a resolução
de problemas e para a satisfação de
necessidades identificadas do Exér-
cito Português. Ainda no âmbito da
num dos monarcas mais significati- apresentado o livro “D. Sancho II”, Exposição Tecnológica, salientamos
vos do processo de conquista militar, no Colégio da Trindade. De volta à a presença na Expo Exército de al-
durante a primeira Dinastia. Guarda, a noite foi animada com a guns meios dos Sistemas de Armas
Na quinta-feira desta semana, em realização do Concerto Jovem, pelo representativos de capacidades que
Coimbra, ocorreu a Cerimónia de Padre Guilherme, acompanhado pela o Exército pretende modernizar. O
Evocação Histórica ao Patrono do Banda Sinfónica do Exército e com dia terminou com mais um momento
Exército e a Celebração Eucarística a participação de Mafalda Santos. musical, interpretado pela Orquestra
de Homenagem a D. Afonso Henri- Para encerrar a noite de quinta-feira, Ligeira do Exército, com a participa-
ques, na Igreja de Santa Cruz, onde quatro “Falcões Negros” rasgaram os ção da guardense Vanda Rodrigues.
o General CEME colocou a réplica céus da cidade, em mais uma extraor- O fim de semana iniciou-se com
da espada que lhe pertencia sobre o dinária demonstração de coragem e o “Radical Adventure” Exército 2024,
seu túmulo. No mesmo dia, foi inau- excelência, seguindo-se um espetá- nos Passadiços do Mondego, ativi-
gurado o Centro Interpretativo da culo de fogo de artifício, que coloriu dade desportiva que contou com a
Brigada de Intervenção, no Quartel- o Parque Urbano do Rio Diz com as participação do Instituto Politécni-
-General desta Grande Unidade, e cores da Bandeira Nacional. co e do Clube de Montanhismo da

JE 744 > outubro 2024 >>> 9


Guarda. Seguiu-se a Cerimónia de
Homenagem ao Exército Português,
“Reequipar o Exército com os
que recebeu o honroso título de En- equipamentos mais modernos não é um
tidade Benemérita da Guarda, sendo
agraciado com a Medalha de Honra capricho do Comandante do Exército,
do Município - Grau Ouro, em reco- nem dos militares! É a expressão
nhecimento pelo seu relevante papel
no crescimento e valorização da Ci- do dever de tutela do Comandante
dade e do Concelho. A distinção foi
entregue pelo Presidente da Câmara
do Exército, que visa assegurar que
Municipal da Guarda, Eng.º Sérgio os seus subordinados dispõem dos
Costa, que destacou a importância
crucial do Exército Português na meios necessários e adequados ao
construção e afirmação da naciona- cumprimento das exigentes missões
lidade, assim como o seu papel pre-
ponderante na restauração da liber- que lhes atribui, num quadro geopolítico
dade e da democracia para o Povo
Português. Dirigindo-se aos presen-
de grande conflitualidade e um
tes, o Comandante do Exército ma- ambiente operacional caraterizado pela
nifestou a sua profunda honra pela
homenagem da Cidade da Guarda, volatilidade, incerteza e letalidade. Em
enfatizando a receção calorosa, soli- síntese, é assegurar que os cidadãos que
dária e amiga com que os Guardenses
acolheram e apoiaram as Comemo- servem no Exército estão bem equipados
rações, reafirmando o compromisso
do Exército em zelar pela segurança
e protegidos para cumprir as missões ao
e bem-estar da população. serviço da Pátria.”
O dia prosseguiu com os seguin-
tes eventos: a oferta do Exército à Discurso do General Chefe do Estado-
Guarda - “Cristal de Gelo” -, uma -Maior do Exército

10
EM FOCO

"(...) Termino citando


Chesterton: O
verdadeiro Soldado
não combate
porque tem diante
de si algo que
odeia; ele combate
porque tem atrás
de si algo que ele
ama. Honremos a
nossa Pátria.
Viva o Exército!
Viva Portugal!”
Discurso do General Chefe do Estado-
-Maior do Exército

obra do Professor Luís Miguel Mo- Francesa, General Diaz de Tuesta, e da Guarda, e, como referido anterior-
rais, docente do Instituto dos Pupilos do Diretor-Geral de Recursos de De- mente, o ponto alto das comemora-
do Exército, que homenageia a ci- fesa Nacional, Dr. Vasco Hilário; e ções - a Cerimónia Militar, no Parque
dade e o seu legado, recriando o seu um Concerto da Banda Sinfónica do Urbano Rio Diz. A finalizar as cele-
símbolo icónico, o "Cristal de Gelo", Exército, com a participação da Tuna brações do Dia do Exército, decor-
elaborado com metais ferrosos, ferro Copituna d´Oppidana e de Rita Mo- reu a Cerimónia de Encerramento,
e aço; o Desfile Militar pelas ruas da rais, que alegraram o final da noite. na Praça Luís de Camões, momento
cidade, com uma coluna de viaturas O último dia teve início com as em que o Comandante do Exército
representativas das várias capacida- Cerimónias de Homenagem ao Regi- entregou a Bandeira Nacional, que
des do Exército, combinando veícu- mento de Infantaria 12 e aos Mortos esteve hasteada durante os seis dias,
los modernos e relíquias históricas; em Campanha, seguindo-se a Missa ao Presidente da Câmara Municipal
um Sarau Gímnico e Musical, que de Ação de Graças e Sufrágio, na Sé da Guarda. JE
contou com apresentações de dança,
ginástica e música, interpretadas por
jovens talentos da Academia Militar,
do Colégio Militar e do Instituto dos
Pupilos do Exército, reunindo, igual-
mente, jovens de estabelecimentos
de ensino da região; a Cerimónia
de Assinatura do Framework Arran-
gement, referente à aquisição de um
novo sistema de armas de artilharia,
o Obus Caesar, a qual foi presidida
pelo Ministro da Defesa Nacional,
Dr. Nuno Melo, e contou com a pre-
sença da Embaixadora da República
Francesa, Dr.ª Hélène Farnaud-De-
fromont, do Diretor do Desenvol-
vimento Internacional da Direção-
-Geral do Armamento da República

1
Forte: A força da cidade é demonstrada pela torre do castelo, as muralhas e a sua posição geográfica. Farta: Pela riqueza do vale do Rio Mondego. Fria:
Devido à proximidade da Serra da Estrela e à sua elevada altitude. Fiel: Porque Álvaro Gil Cabral, Alcaide-Mor do Castelo da Guarda e trisavô de Pedro
Álvares Cabral recusou entregar as chaves da cidade ao Rei João I de Castela durante a Crise Dinástica de 1383–1385. Ele também lutou na Batalha de Al-
jubarrota e participou nas Cortes de Coimbra de 1385, onde elegeu o Mestre de Avis como Rei Dom João I de Portugal. Formosa: Pela sua beleza natural.

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EM FOCO

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EM FOCO

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16
EM FOCO

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Aires Almeida Carqueijo

Major de Artilharia
Coordenador de Área, da Repartição de Capacidades, da Divisão de Planeamento Militar Terrestre, do Estado-Maior do Exército

Aquisição Conjunta de Obuses CAESAR


Decorreu, de uma iniciativa de cooperação europeia, liderada
pela Direction Générale de l'Armement do Ministro da Defesa
Francês, a aquisição conjunta de obuses CAESAR 155mm

N
o campo da defesa e em particular ao nível das A crescente necessidade de equilibrar fogos de precisão
Forças Terrestres, a modernização das capaci- com fogos de massa tornou-se não apenas desejável, mas
dades de Apoio de Fogos (AF) é essencial para essencial, exigindo forças de AC versáteis, interoperáveis
enfrentar os desafios das operações contemporâneas. Nes- e prontas para responder a múltiplas ameaças, reforçando
te âmbito, a Artilharia de Campanha (AC) desempenha a urgência em dotar o Exército com sistemas modernos e
um papel central, destacando-se como elemento decisivo fiáveis. Neste contexto, o obus CAESAR 1 surge como uma
em cenários de alta intensidade, como se verifica no con- solução robusta e comprovada, destacando-se pela sua
flito em curso na Ucrânia. mobilidade, alcance e simplicidade operacional.

18
CAPACIDADES >>> ATUALIDADES

A proposta da República France- Obus CAESAR 8X8


sa para aquisição conjunta de obuses Fonte: KNDS
CAESAR, representa uma oportuni-
dade estratégica para o Exército, na
medida em que este modelo alia coo-
peração internacional e economias
de escala, permitindo concomitan-
temente suprir lacunas operacionais
existentes e promover a interopera-
bilidade com forças aliadas. Mais do
que um simples processo de reequi-
pamento, esta aquisição reflete um
compromisso com a modernização
das capacidades de defesa nacionais e
com o cumprimento dos compromis-
sos internacionais.

O Obus CAESAR
O obus CAESAR é um sistema
autopropulsado, comercializado pela
KNDS 2, equipado com um tubo ca-
nhão de 155mm e 52 calibres de
comprimento. Destaca-se pela com-
binação de mobilidade tática, capaci-
dade de resposta rápida e baixo cus- tiro computadorizado, permitindo bilidade e flexibilidade tática. Monta-
to de operação em comparação com elevada precisão e rapidez na execu- do sobre um chassis de uma platafor-
sistemas de AC mais pesados. Além ção de missões de tiro. A capacidade ma com tração 6x6, destaca-se pela
disso, o vasto portefólio de munições de efetuar "shoot-and-scoot" 4 mini- sua capacidade de operar em terre-
compatíveis e a facilidade de opera- miza o tempo de exposição após os nos variados, incluindo zonas urba-
ção/manutenção tornam-no a esco- disparos. nas e áreas de difícil acesso. Com um
lha ideal para forças que necessitam Este obus está disponível em três peso de 18 toneladas, comprimento
de soluções flexíveis e eficazes. versões principais, cada uma com total de 9,86 metros e altura de 2,64
Permite disparar até seis projéteis características distintas, mas man- metros, é ideal para projeção rápida,
por minuto e possui um alcance má- tendo a base comum de eficiência e podendo ser transportado por aero-
ximo que ronda os 40 km (munições robustez: naves como o C-130. O CAESAR 6x6
base bleed), podendo chegar aos 50 CAESAR 6x6 - O obus CAESAR 6x6 é especialmente valorizado por forças
com munições Excalibur 3. Está equi- é a versão mais compacta e ligeira, que priorizam agilidade logística e a
pado com um sistema de controlo de concebido para oferecer elevada mo- simplicidade operacional.
CAESAR 8x8 - O obus CAESAR 8x8
é a versão mais longa e pesada, tendo
sido projetado para oferecer maior
capacidade de carga. Montado sobre
um chassis de uma plataforma com
tração 8x8, com um comprimento
de 12,3 metros, permite o transpor-
te de até 30 munições prontas para
uso (quase o dobro da versão 6x6). É
particularmente útil em missões de
apoio prolongado e para forças com
maiores recursos logísticos, sendo
necessário considerar o acréscimo de
recursos necessários para a sua proje-
ção, bem como a dificuldade acresci-
da de ocultação no campo de batalha.
CAESAR 6x6 MK II - A versão CAE-
SAR 6x6 MK II introduz melhorias
Obus CAESAR 6X6 significativas em relação às versões
Fonte: KNDS anteriores, com foco na proteção, re-

JE 744 > outubro 2024 >>> 19


siliência e interoperabilidade. O ha-
bitáculo da tripulação foi reforçado
– foi assinado em junho de 2024 pe-
los Ministérios da Defesa de França,
“A aquisição de
contra ameaças balísticas e explosivos Croácia e Estónia, sendo permitida a obuses CAESAR 6x6
improvisados, enquanto o sistema de
suspensão e motor foram atualizados
adesão de novos participantes através
da assinatura de Amendments 6 ao FA. MK II representa
para garantir maior durabilidade e Considerando que este modelo de um marco
desempenho em terrenos adversos. aquisição conjunta visa otimizar cus-
Além disso, foram integradas melho- tos, acelerar prazos e reforçar a inte- indelével para
rias ao nível do sistema de navegação
por satélite (Global Navigation Sat-
roperabilidade entre os países signa-
tários, Portugal assinou o primeiro
a modernização
ellite System – GNSS), do sistema de Amendment ao FA, em 26 de outubro da AC nacional,
navegação inercial e dos sistemas de
comando e controlo, com o intuito
de 2024, na Guarda, por ocasião das
Comemorações do Dia do Exército. reforçando as
de tornar o MK II um sistema de AC A assinatura foi materializada pelo capacidades
ideal para as necessidades modernas, Diretor do Desenvolvimento Inter-
designadamente em cenários de alta nacional da DGA e pelo Diretor-Ge- operacionais do
intensidade.
O obus CAESAR tem sido utiliza-
ral de Recursos de Defesa Nacional,
em cerimónia presidida pelo Minis-
Exército e a sua
do em diversos teatros de operações, tro da Defesa Nacional (MDN) e com interoperabilidade
acumulando uma experiência signi-
ficativa que reforça a sua reputação
a presença a Embaixadora da Repú-
blica Francesa, sinónimo do impor- no âmbito da OTAN.”
como um sistema “combat proven” tante marco para a cooperação entre
(testado em combate). O Exército os países signatários e para a moder- e técnicos, bem como a celebração de
Francês foi o primeiro a integrar o nização da AC nacional. contratos de sustentação (Integrated
CAESAR 6x6, com as primeiras uni- Para além da aquisição dos siste- Logistics Support – ILS), que cobrem
dades entregues em 2003. Desde en- mas de armas, o FA também permite diferentes níveis de manutenção e o
tão, tem sido utilizado em várias ope- a aquisição de munições, sistemas de fornecimento de sobressalentes.
rações, demonstrando a sua eficácia e simulação e formação de operadores Em paralelo, é permitida a parti-
confiabilidade em cenários variados.
Entre 2009 e 2012, no Afeganistão,
destacou-se pela precisão e resiliên-
cia em ambientes montanhosos. No
Líbano (2011-2012), integrou ope-
rações da Organização das Nações
Unidas (ONU), apoiando com eficá-
cia missões de estabilização. No Sah-
el (2013-2014), demonstrou mobili-
dade e capacidade de resposta rápida
em operações contra insurgentes em
terrenos adversos. Durante o conflito
no Iraque (2016-2019), foi elogiado
pela precisão em ambientes urbanos
densamente povoados. Mais recen-
temente, tanto a versão 6x6 quanto
a 8x8 foram cedidas à Ucrânia, onde
a sua capacidade de "shoot-and-
scoot" e o alcance superior têm sido
fundamentais em operações de alta
intensidade.

O Processo Aquisitivo
A aquisição conjunta de obuses
CAESAR 155mm decorre de uma
iniciativa de cooperação europeia
liderada pela Direction Générale de
l’Armement (DGA) do Ministério
da Defesa Francês. O acordo origi- Obus CAESAR MK II
nal – Framework Arrangement 5 (FA) Fonte: KNDS

20
CAPACIDADES >>> ATUALIDADES

cipação no "CAESAR Club", um fó-


rum exclusivo para os utilizadores do
sistema. Este espaço permite a troca
de lições aprendidas, melhores prá-
ticas operacionais e discussões sobre
evoluções tecnológicas e táticas, com
o intuito de reforçar a interoperabili-
dade e a melhoria contínua das capa-
cidades dos países participantes.
Assim, para que se cumpra o ob-
jetivo de começar a receber obuses
CAESAR 6x6 MK II após 2028, a
primeira AO deverá ser efetuada em
2026, importando até lá efetuar não
só o planeamento financeiro, como de
todos os Vetores de Desenvolvimento
(VD) da capacidade – Doutrina, Li-
derança, Organização, Treino, Mate-
rial, Pessoal, Formação, Infraestrutu-
ras e Interoperabilidade.
No que concerne ao planeamen-
to dos VD, este é fundamental para
garantir que a aquisição de novos
sistemas se traduza numa capacidade
operacional efetiva e sustentável. A A aquisição de obuses CAESAR Este alinhamento é essencial para
modernização da AC não se limita à 6x6 MK II representa um marco in- que a aquisição dos novos sistemas
substituição de equipamentos; requer delével para a modernização da AC resulte numa capacidade operacional
o alinhamento de todos os VD, des- nacional, reforçando as capacidades efetiva e sustentável, assegurando a
de a definição de uma doutrina clara operacionais do Exército e a sua inte- modernização da AC como um todo.
que integre as novas capacidades no roperabilidade no âmbito da OTAN. A assinatura do Amendment ao
contexto operacional, até à formação Este projeto é mais do que um sim- FA abriu uma porta importante,
de pessoal qualificado e à adequação ples processo de reequipamento: permitindo a integração de Portugal
das infraestruturas, não descurando simboliza o compromisso de Por- numa iniciativa que contribui para a
as dedicadas a manutenção e treino. tugal com a adaptação às exigências modernização da AC. No entanto, o
Adicionalmente, a interoperabilidade das operações modernas, através da sucesso exige ações concretas e coor-
deve ser considerada um pilar estra- integração de um sistema Commer- denadas, sobretudo no planeamento
tégico, assegurando que os sistemas cial Off-the-Shelf 7 (COTS) e "combat meticuloso e integrado dos VD, alia-
de comando e controlo sejam com- proven", amplamente reconhecido do a um compromisso contínuo com
patíveis no seio do Exército e das pela sua eficácia no equilíbrio entre a inovação e a eficiência operacional.
Forças Armadas e alinhados aos pa- precisão, mobilidade e versatilidade Quando plenamente implementado,
drões da Organização do Tratado do operacional. este projeto consolidará a posição de
Atlântico Norte (OTAN). Este pla- Contudo, o sucesso desta inicia- Portugal como um parceiro credível
neamento holístico garante que a ca- tiva dependerá de fatores críticos, e preparado no domínio da defesa,
pacidade adquirida esteja totalmente como a disponibilidade de financia- dotando o Exército com uma capaci-
integrada, operável e preparada para mento adequado, a execução rigo- dade robusta e adaptada aos desafios
responder aos desafios dos teatros de rosa do planeamento financeiro e o dos teatros de operações modernos.
operações modernos. alinhamento dos VD da capacidade. JE

1
CAmion Équipé d'un Système d'ARtillerie.
2
Holding europeia da indústria de defesa, criada em 2015 como resultado da fusão entre a Krauss Maffei Wegmann (empresa alemã) e a Nexter Systems
(empresa francesa), que comercializa o obus CAESAR.
3
Munição de precisão que possui um foguete propulsor integrado.
4
Técnica que consiste em mudar de posição imediatamente após os disparos, antes que o adversário possa localizar e atacar a unidade. Diminui o risco de
ataques de contrabateria e confunde o adversário.
5
“Acordo-Quadro” que estabelece as condições gerais para cooperação entre as partes.
6
Emenda ou alteração formal efetuada a um documento, que permite adicionar participantes, atualizar ou modificar termos e especificar detalhes opera-
cionais, mantendo a base jurídica do acordo inicial.
7
Termo que descreve equipamentos ou sistemas comercialmente disponíveis no mercado e que podem ser adquiridos "como estão" (ou com ajustes mí-
nimos) para atender às necessidades.

JE 744 > outubro 2024 >>> 21


António Oliveira

Coronel Tirocinado de Infantaria


Chefe da Divisão de Planeamento Militar Terrestre / EME

A Presença Militar em Coimbra:


Património, Memória, Presente e Futuro
Em 24 de outubro, Dia do Exército, foi inaugurado em Coimbra,
no Quartel de Sant’Ana, Comando da Brigada de Intervenção,
o Centro Interpretativo da Presença Militar em Coimbra, um
espaço museológico que recobre a história da cidade, desde a
Idade Média à atualidade, sempre ligada à história militar. Na
mesma ocasião, foi lançado o livro A presença Militar em Coimbra,
que complementa a narrativa da exposição

C
oimbra, a cidade dos estudantes, reconhecida A sua localização estratégica tornou-a palco de impor-
como símbolo do conhecimento e da cultura, tantes eventos históricos e centro de operações militares.
tem também uma longa e profunda ligação à Sendo escolha de Dom Afonso Henriques para sua base
história militar portuguesa. Desde as suas origens como de operações na expansão do novo reino, constituindo-
um bastião defensivo no centro de Portugal, desempe- -se como sua última morada, a cidade viu-se no centro
nhou um papel fundamental na expansão, consolidação e dos acontecimentos militares e políticos na Guerra Civil
defesa do território nacional. de 1245-1247. Teve posteriormente um papel muito ati-

22
DIVULGAÇÃO >>> ATUALIDADES

à imersão pelos tempos em que a ci-


dade testemunhou o treino, prepara-
ção e mobilização de tropas para as
diversas frentes, na Grande Guerra
e Campanhas Ultramarinas. Neste
espaço podem encontrar uma recria-
ção de uma trincheira.
O terceiro espaço temático é dedi-
cado à Brigada de Intervenção. Nele
são apresentadas as suas Unidades
regimentais, os seus Elementos do
Sistema de Forças, mas também os
principais meios que atualmente os
equipam.
O espaço central da fortaleza, cen-
tro de gravidade do Centro Interpre-
tativo, constitui-se no quarto espaço
temático e é dedicado à participação
das forças da Brigada nas Forças Na-
vo aquando das Invasões Francesas, menagem à relação de Coimbra cionais Destacadas. Aqui estão fisica-
e, a partir do século XIX, acolheu com o Exército, que convida todos mente todos os estandartes nacionais
um vasto e diversificado conjunto de os visitantes a uma reflexão sobre a destas forças, sendo ladeados por
unidades militares que participaram importância da história militar para áreas temáticas que caracterizam e
em diferentes campanhas militares, a construção da nossa identidade representam os diferentes Teatros de
destacando-se a presença na Grande nacional. Através de painéis infor- Operações (TO) e territórios onde as
Guerra, nas campanhas ultramarinas mativos, objetos históricos, cenários forças foram empenhadas, com des-
e, mais recentemente, nas missões de e fotografias, os visitantes podem ex- taque para o Kosovo, Timor-Leste, o
estabilização e apoio à paz. plorar a evolução da presença militar Afeganistão e a Roménia, com refe-
O Centro Interpretativo da pre- em Coimbra.
sença militar em Coimbra, instala- Adotando a configuração da “for-
do no histórico Quartel de Sant’Ana, taleza” - atual símbolo da Brigada de
convida-nos a uma viagem fascinante Intervenção - o Centro Interpretativo
pela História através dos séculos, re- da Presença Militar em Coimbra está
velando a estreita ligação entre a ci- organizado em áreas temáticas que
dade e o Exército Português. conduzem os visitantes ao longo das
Neste texto, exploraremos a histó- ameias da fortaleza - a fita do tempo
ria deste Centro, o livro que agrega - fazendo-nos passar pelos diferentes
o seu conteúdo e a importância desta espaços expositivos. Assim, a fita do
iniciativa para consolidar a ligação tempo faz-nos percorrer a História
entre Coimbra e o Exército. numa dupla dimensão: os episódios
que ocorreram em Coimbra e aqueles
O Centro Interpretativo da que ocorreram em termos nacionais
Presença Militar em Coimbra e internacionais e que impactaram os
– um Espaço Museológico primeiros.
Inaugurado em 24 de outubro de No primeiro espaço temático
2024, pelo General Chefe do Estado percorre-se o período da Idade Mé-
Maior do Exército, numa atividade dia, com especial atenção às figuras
integrada nas comemorações do Dia de Dom Afonso Henriques, do Infan-
do Exército, o Centro Interpretativo te Dom Pedro e aos batalhões acadé-
surge como um marco contempo- micos que, a partir da Universidade
râneo para preservar e celebrar essa coimbrã, combateram nas Invasões
ligação histórica, divulgando o pa- Francesas e participaram nos eventos
trimónio histórico e oferecendo aos da revolta da Maria da Fonte.
visitantes uma experiência imersiva e O segundo espaço temático, que
enriquecedora. começa cronologicamente em 1851,
Este espaço é mais do que um evoca as diferentes unidades e órgãos
repositório de memórias. É um es- militares que estiveram sediados
paço único, de interatividade e ho- Coimbra. Este espaço é um convite

JE 744 > outubro 2024 >>> 23


académicos em operações, nomea-
damente nas Invasões Francesas e na
revolta da Maria da Fonte.
O terceiro capítulo começa com
a criação do Batalhão Provisório de
Caçadores de Coimbra, em 1851,
marcando o início da presença per-
manente na cidade. Continua com
a caracterização das diferentes reor-
ganizações militares com impacto
em Coimbra, a descrição e análise
da participação das forças milita-
res coimbrãs na Grande Guerra, nas
campanhas ultramarinas e no 25 de
Abril de 1974.
O quarto capítulo começa com a
criação da Brigada Ligeira de Inter-
venção, na reorganização do Exérci-
rência a outros TO como o Líbano, do um enquadramento dos mesmos
a República Centro Africana ou a com os principais acontecimentos
Bósnia-Herzegovina. nacionais e internacionais nos quais
O Centro Interpretativo dispõe se inseriram. Através de uma narra-
ainda de três outros espaços: um tiva envolvente e ricamente ilustrada
primeiro dedicado a Coimbra, um com mais de cem fotografias e docu-
segundo a exposições temporárias, mentos históricos, o livro aprofunda
e um espaço multimédia, que per- os temas abordados no Centro In-
mite a integração com o Gabine- terpretativo, permitindo aos leitores
te de Apoio ao Público (GAP) de uma compreensão mais completa e
Coimbra. abrangente da relação entre Coimbra
Com entrada direta pela via pú- e o Exército Português.
blica, está colocalizado com este Assim, após o primeiro capítulo -
GAP. Desta forma, o seu impacto es- a introdução -, no segundo cobre-se
tende-se para além da preservação da o período da Idade Média até à pre-
memória histórica. É um espaço que sença militar permanente, abordan-
promove a sensibilização dos jovens do grandes temas como a expansão
para a importância do Exército e do do reino a partir de Coimbra, o papel
serviço militar, funcionando como da cidade e das suas gentes na Guerra
uma ferramenta para o recrutamento Civil de 1245-1247, o Infante Dom
e ligação à comunidade, inspirando Pedro e a participação dos batalhões
um sentimento de pertença e orgulho
nas novas gerações.

O Livro A Presença Militar


em Coimbra
Para complementar a visita ao
Centro Interpretativo, foi, em simul-
tâneo apresentado o livro A Presença
Militar em Coimbra. A obra, da au-
toria do Coronel Tirocinado António
José Oliveira e da Major Ana Rita
Marques, complementa a narrativa
expositiva do espaço museológico.
A obra, dividida em cinco capí-
tulos, aborda de forma detalhada a
história da presença militar na cida-
de, percorrendo os principais marcos
históricos desta presença, desde a
Idade Média até à atualidade, fazen-

24
DIVULGAÇÃO >>> ATUALIDADES

A Presença Militar em Coimbra


é uma leitura essencial para todos
aqueles que se interessam pela Histó-
ria de Portugal e, em particular, pela
história de Coimbra. A obra, escri-
ta de forma clara e acessível, é uma
excelente fonte de informação para
historiadores, militares, estudantes e
para todos os curiosos que desejam
conhecer melhor e enriquecer os seus
conhecimentos sobre a história mili-
tar de Coimbra e apreciar ainda mais
a riqueza do património exposto no
espaço museológico concebido pro-
positadamente para o efeito.
O Centro Interpretativo e o livro
A Presença Militar em Coimbra são
um tributo à história, identidade e
memória cultural de Coimbra. Mais
do que preservar o passado, ambos
valorizam o presente e promovem
uma ligação entre o Exército e a so-
ciedade civil, inspirando futuras ge-
rações a reconhecerem a importância
deste legado, e convidam a uma visita
ao Quartel de Sant’Ana.
O convite está lançado: visite o
Centro Interpretativo da presença
militar em Coimbra, descubra a ri-
queza da história militar desta cidade
emblemática e leve consigo uma nova
perspetiva sobre o papel das forças
militares na construção da cidade e
do país. A entrada é gratuita e o espa-
ço está preparado para acolher todos
os que queiram embarcar nesta via-
gem através do tempo. JE

to de 1991, abordando a sua poste-


rior transferência para Coimbra, em
1993, com a extinção da Região Mi-
litar Centro. Aborda-se de seguida a
história recente desta Brigada, com a
sua participação no aprontamento de
Forças e Elementos Nacionais Desta-
cados, num longo caminho que, ten-
do como ponto de ancoragem Coim-
bra, passou por quatro continentes.
Por fim, no quinto e último capí-
tulo, faz-se um resumo dos Coman-
dos, Unidades, Estruturas e Órgãos
do Exército que tiveram aquarte-
lamento permanente em Coimbra.
Neste capítulo sintetiza-se, para cada
um, a sua história, a sua heráldica e
as suas principais atividades e, quan-
do é o caso, as operações em que esti-
veram envolvidos.

JE 744 > outubro 2024 >>> 25


Frederica Alvarenga da Cunha

Alferes
Redatora do Jornal do Exército

Seminário de Guerra Irregular e


Defesa Nacional
No atual contexto de segurança da Europa, é crucial repensar
o modelo de Defesa dos Estados, numa perspetiva integrada
da NATO, tendo em vista o incremento de capacidades
não convencionais, para fazer face a potenciais conflitos
assimétricos. Neste domínio, o Exército Português possui um
valioso capital de conhecimento, que vem partilhando com os
seus aliados, como sucedeu neste Seminário, que contou com a
intervenção de oradores de diferentes países

N
o passado dia 10 de setembro, o Auditório O seminário visou afirmar, tanto a nível nacional como
Marquês de Sá da Bandeira, da Academia Mi- internacional, a competência e domínio do Exército Por-
litar, na Amadora, foi palco do «Seminário tuguês na execução de Operações Irregulares. A invasão
de Guerra Irregular e Defesa Nacional». Este evento teve da Ucrânia pela Rússia, iniciada em fevereiro de 2022, de-
como objetivo destacar as capacidades e o conhecimento sencadeou uma crise de segurança que afeta toda a Euro-
do Exército Português no emprego de Operações Irregu- pa, sublinhando a importância das atividades irregulares
lares em contexto de Defesa Nacional. como forma de defesa territorial. Neste contexto, as For-

26
DOUTRINA >>> ATUALIDADES

ças Armadas devem garantir capaci-


dades não convencionais, como ope-
“The importance of mastering irregular
rações especiais, que são cruciais em warfare in the context of national
conflitos de subversão e assimétricos.
O Exército Português, com uma vasta defence cannot be overstated. It
experiência e conhecimento consoli- requires not only an understanding of
dado em Doutrina e Formação no
âmbito das Operações Não Conven- unconventional tactics but also a deep
cionais, destacou-se neste seminário.
O evento contou com a presença
appreciation of the cultural, economic,
de oradores internacionais, que par- political, and social dimensions that
tilharam as suas experiências e co-
nhecimentos, promovendo a troca de influence such conflicts. Our Army,
ideias entre aliados. O seminário foi the Portuguese Army, has long been
dividido em dois painéis: «Perspeti-
vas Históricas» e «Perspetivas de De- at the forefront of developing and
fesa Nacional», com foco na Guerra
Irregular. Cada painel proporcionou
implementing effective irregular warfare
um espaço de debate enriquecedor strategies. This seminar serves as a
sobre os temas abordados.
Na intervenção de abertura, o platform to reinforce our authority in
Chefe do Estado-Maior do Exército, this domain and to engage in meaningful
General Eduardo Mendes Ferrão,
sublinhou a importância da Guerra discussions with our allies who bring
Irregular como elemento crucial da
Defesa Nacional, bem como a rele-
their own unique experiences and
vância deste evento como espaço de perspectives to the table.” – Afirmou o
intercâmbio de conhecimento, expe-
riências e perspetivas entre as nações Chefe do Estado-Maior do Exército, na
aliadas. sua alocução em inglês.

JE 744 > outubro 2024 >>> 27


A importância de dominar a guer- Irregular na perspetiva da NATO. za do conflito, descrevendo a guerra
ra irregular no contexto da defesa O Coronel Paulo Roxo, Coman- como “longa e dura”. Detalhou tam-
nacional não pode ser sobrestimada. dante do Centro de Tropas de Ope- bém os procedimentos e táticas que
Requer não só uma compreensão das rações Especiais (CTOE) do Exérci- evoluíram ao longo do tempo, sem-
táticas não convencionais, mas tam- to Português, foi o primeiro orador. pre com a população no centro da es-
bém uma apreciação profunda das Abordou a Guerra Irregular sob as tratégia, numa guerra “travada pelo
dimensões culturais, económicas, po- perspetivas histórica, doutrinária e povo e para o povo”. Com manobras
líticas e sociais que influenciam esses legal do Exército Português. O Coro- caracterizadas pela mobilidade e in-
conflitos. O nosso Exército, o Exército nel Paulo Roxo apresentou também teligência, as FALINTIL utilizavam
Português, há muito que está na van- o Curso de Operações Irregulares regularmente táticas de “diversão e
guarda do desenvolvimento e imple- (COIR) como uma estratégia chave, flagelação” para contrariar o invasor.
mentação de estratégias eficazes de detalhando o seu conteúdo, resulta- A “grande vantagem” era o estudo
guerra irregular. Este seminário serve dos e evolução. Concluiu a sua apre- cuidadoso da situação do inimigo,
como plataforma para reforçar a nos- sentação identificando áreas de me- conhecendo os seus pontos fortes e
sa autoridade neste domínio e para lhoria no contexto nacional. fracos, e mantendo segredo sobre as
participar em discussões significativas De seguida o Coronel Mário Bap- suas próprias ações. Também desta-
com os nossos aliados que trazem para tista, Adido de Defesa de Timor-Les- cou a importância de conhecer bem
a mesa as suas próprias experiências te, transmitiu a visão do Tenente- os combatentes e de educar e sensi-
e perspetivas únicas. (General CEME) -General Domingos Raúl, Chefe do bilizar a população, considerando
***** Estado-Maior-General das Forças de essencial o seu apoio, participação e
No primeiro painel do evento, in- Defesa de Timor-Leste. Como teste- confiança. Afirmando assim, que o
titulado “A Guerra Irregular: Perspe- munha viva da resistência armada “sucesso da luta de libertação de Ti-
tivas Históricas”, moderado pelo Dr. das FALINTIL (Forças Armadas de mor-Leste foi a vontade do povo em
Nuno Rogeiro, foram apresentadas Libertação Nacional de Timor-Les- afirmar a sua própria identidade”.
quatro reflexões distintas. A sessão te), destacou a experiência dos guer- Na terceira apresentação do pri-
começou com uma análise da Guer- rilheiros na luta contra a ocupação meiro painel, o Tenente-Coronel
ra Irregular e da Defesa Nacional em indonésia. A apresentação focou-se Leonid Polovynskyi, das Forças Ar-
Portugal, seguida de exemplos práti- na resistência armada a partir das madas Ucranianas, abordou “O Re-
cos, de Timor-Leste e da Ucrânia, na montanhas, com ênfase nas Opera- curso à Guerra Irregular na Defesa da
utilização da Guerra Irregular para ções Irregulares e na interação entre Ucrânia”. Iniciou a conversa descre-
defender os seus territórios. O painel as Forças Armadas e a população vendo as tarefas das Forças de Ope-
encerrou com uma discussão sobre a civil. Sublinhou a importância da rações Especiais, a componente mais
Defesa Abrangente e o uso da Guerra adaptação às mudanças na nature- jovem e moderna das Forças Arma-

28
DOUTRINA >>> ATUALIDADES

das da Ucrânia. O Tenente-Coronel sentantes do Comando de Operações restres, as suas capacidades e o modo
destacou a Resistência como um pi- Especiais do Reino de Espanha, do de implantação em rede, concluindo
lar da resiliência nacional, afirmando Comando de Operações Especiais com a valorização das Forças de Ope-
que o Movimento de Resistência é “o da Finlândia, das Forças Armadas rações Especiais Terrestres na Guerra
povo da Ucrânia”, organizado pelas de França e das Forças Armadas dos Irregular.
Forças de Operações Especiais nos Estados Unidos da América. O pai- Na apresentação seguinte, o Co-
territórios ocupados. Para o sucesso nel integrou cinco reflexões distintas ronel Carlos Reina, segundo Co-
da resistência nacional, enfatizou a sobre a visão da Guerra Irregular e a mandante do Comando das Opera-
importância da formação ideológica Defesa Nacional, abrangendo as pers- ções Especiais do Exército Espanhol,
de toda a população, desde os mais petivas do Reino Unido, dos Estados abordou o tema “Guerra Irregular e
jovens aos mais velhos, além da for- Unidos, da Finlândia e da França. a Defesa Nacional em Espanha”. Du-
mação militar. Sobre as ações das O Brigadeiro-General Neil Grant, rante a sua apresentação, o Coronel
Forças de Segurança da Federação Assistant Chief of Staff das Forças de Reina destacou a crescente comple-
Russa nos territórios ucranianos ocu- Operações Especiais do Exército do xidade dos conflitos modernos, onde
pados, o Tenente-Coronel descreveu Reino Unido, apresentou a sua visão os conceitos de Guerra Irregular
os métodos usados para identificar e sobre “O Recurso à Guerra Irregular refletem novas dinâmicas entre Go-
neutralizar os centros do Movimento na Defesa do Reino Unido”. Destacou vernos, Populações e Exércitos. Enfa-
de Resistência, incluindo interroga- a importância da Guerra Irregular e tizou que as Forças de Operações Es-
tórios com tortura. detalhou a relevância da participação peciais terão um papel cada vez mais
O terceiro tema do painel foi apre- das Forças de Operações Especiais, crucial nesses cenários. O Coronel
sentado pelo Tenente-Coronel Paweł utilizando os princípios das “Soft Reina utilizou exemplos históricos da
Ludwin, do Comando das Operações Truths”. O Brigadeiro-General enfati- experiência espanhola em ambientes
Especiais da NATO – SOFCOM, zou a primazia do ser humano sobre de guerra irregular para ilustrar pa-
que discutiu “A Defesa Abrangen- o equipamento e a qualidade das pes- ralelismos com os conflitos atuais.
te e Recurso à Guerra Irregular”. soas sobre a quantidade, sublinhando Também identificou as principais
Destacou a Comprehensive Defense, que o treino das Unidades de Ope- ameaças contemporâneas, delinean-
descrevendo seu contexto histórico, rações Especiais é um processo de- do como as Operações Especiais do
através do exemplo do Exército Po- morado que não pode ser acelerado, Exército Espanhol estão a contribuir
laco durante a ocupação pelo Reich sendo essencial que estas unidades para a Guerra Irregular, tanto no pre-
Alemão e a União Soviética. Mesmo estejam prontas em tempos de paz. sente quanto no futuro.
com o Governo e a liderança da Re- Também ofereceu uma descrição his- Ao abordar o futuro dos conflitos
sistência no exterior, conseguiram tórica das Operações Especiais Ter- militares, o Coronel Reina obser-
unificar suas atividades. Apesar das
inúmeras perdas de pessoal, material
e infraestruturas, o Movimento de
Resistência polaco foi reconstruído
com ações heroicas de cidadãos des-
conhecidos e a formação de diversas
organizações, realizando operações
de sucesso contra os dois inimigos.
A evolução e integração das diver-
sas estruturas permitiram uma luta
coordenada e abrangente. Ludwin
destacou a importância da manuten-
ção das estruturas civis do Estado e
o reconhecimento do Governo no
exílio como autoridade política e mi-
litar. Em termos de estrutura militar,
foram apresentados detalhes táticos,
destacando a importância da prepa-
ração da sociedade para contribuir
para a luta de libertação.
No segundo painel do evento,
intitulado “A Guerra Irregular: Pers-
petivas de Defesa Nacional”, o Tenen-
te-General António Martins Pereira
assumiu a moderação. Este painel
contou com a participação de repre-

JE 744 > outubro 2024 >>> 29


vou que a distinção entre conflitos mentou que o conhecimento da His- o prémio” na contrainsurreição. Em
convencionais e não convencionais, tória e das ações passadas exerce uma suma, enfatizou que o apoio popu-
guerra regular e irregular, e as zo- forte influência nas operações milita- lar é crucial, mas também enigmáti-
nas de combate e de retaguarda, bem res dos EUA. O Coronel demonstrou, co, sugerindo três pontos essenciais:
como entre combatentes e não com- através de dois manuais de referência “tentar” obter esse apoio, “selecionar
batentes, pode tornar-se cada vez — o Small Wars Manual, de 1940, e os líderes certos” e “preparar-se antes
mais difusa. Para enfrentar esses de- o Counterinsurgency Field Manual, de chegar ao local”.
safios, as Forças de Operações Espe- de 2007 — que, apesar da distância O Major Esa Määttänen, das
ciais estão a preparar-se para apoiar temporal, o manual de 1940 oferece Forças de Operações Especiais fin-
o processo de tomada de decisão e conselhos básicos ainda úteis hoje, landesas e Chefe do Counter Hybrid
a recolha de informações, mesmo muitas vezes esquecidos ou igno- Warfare Center, destacou, na sua
antes do início de um conflito total. rados. Isso evidencia que o passado apresentação, a atuação das Forças
Atualmente, estas forças estão a es- pode fornecer sugestões valiosas para de Operações Especiais da Finlândia
tudar, treinar e adaptar-se às trans- o presente. O manual de 2007, am- no apoio à Defesa Nacional e à inte-
formações do campo de batalha, vi- plamente conhecido, foi criado para gridade do país no combate à Guerra
sando estar prontas para os combates recuperar e renovar lições, desta- Híbrida. Expôs o modelo por trás da
futuros. cando a ideia de que “a população é ameaça híbrida, onde um Estado ou
Na apresentação seguinte, intitu-
lada “O Recurso à Guerra Irregular
na Defesa dos Estados Unidos da
América”, o Coronel Barret Brads-
treet, do United States Marine Corps,
abordou a forma como as Forças
Militares Americanas preveem as in-
terações com a população civil que
se encontra entre elas e uma força
adversária. Segundo o Coronel, a
tendência dominante entre os ame-
ricanos é considerar a hospitalidade
como normal e a hostilidade como
anormal. Deu como exemplo à sua
análise a série “Glória”, da Netflix,
destacando que até mesmo pessoas
notáveis têm pontos cegos e argu-

30
DOUTRINA >>> ATUALIDADES

outro ator procura influenciar atra- No final deste seminário ainda do Estado-Maior do Exército, entre
vés de diversos métodos, de forma houve espaço para a apresentação dos outras entidades militares e civis.
a negar o seu envolvimento direto. livros O Exército Português na Guerra Este evento ajudou a sublinhar a
No entanto, o planeamento militar Subversiva - Volumes III, IV e V, cuja importância da cooperação e da pre-
finlandês adota a “influência alarga- responsabilidade de elaboração cou- paração estratégica na defesa nacio-
da”, que combina a influência híbrida be ao Major-General Jorge Nunes dos nal, frente às complexas ameaças da
com o uso aberto da força militar. No Reis. Esta obra procurou documen- guerra híbrida. JE
contexto da “comprehensive security”, tar e perpetuar o vasto conhecimen-
na Finlândia, o Comité de Seguran- to e as experiências adquiridas pelo
ça define as tarefas estratégicas para Exército nos Teatros de Operações
salvaguardar as funções vitais da de África entre 1961 e 1974. Os três
sociedade, sendo esta a base para a volumes finais da coleção focam-se
resiliência nacional. Este conceito, na "Ação Psicológica", no "Apoio às
centrado no cidadão, integra diversos Autoridades Civis" e na "Administra-
setores da sociedade num modelo de ção e Logística", e são parte de uma
cooperação. As Forças de Operações edição revista e bilingue (português e
Especiais têm tarefas específicas de inglês) do manual de 1966, enrique-
Assistência Militar, colaborando com cida com comentários, citações, fo-
diversos atores dos setores público e tografias e outros elementos visuais.
privado. O Counter Hybrid Warfare Nas notas de abertura, o Coman-
Center desempenha um papel crucial dante do Exército, General Eduardo
na preparação desses atores. Mendes Ferrão, destacou a excelência
Na última apresentação sobre «O das obras, chamando-as de “legado
Recurso à Guerra Irregular na De- valioso” para aprender com o passa-
fesa da França», o Tenente-Coronel do e preparar o futuro.
Stanislas Letondot, do Comando A apresentação ficou a cargo do
das Operações Especiais do Exército Tenente-General Campos Serafino,
Francês, traçou uma evolução histó- com participação especial de John
rica da Guerra Irregular na França. P. Cann, por videoconferência. Esta
Letondot descreveu o atual modelo apresentação dos livros foi presidida
de organização do Comando de For- pelo Ministro da Defesa Nacional,
ças de Operações Especiais francês, Dr. Nuno Melo, e contou com a pre-
destacando a importância integra- sença do Chefe do Estado-Maior-Ge-
dora dos augmentees, que combinam neral das Forças Armadas, General
todos os efetores híbridos. José Nunes da Fonseca, e do Chefe

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Ana Rita Carvalho

Técnica Superior
Redatora do Jornal do Exército

Conferência «O Exército e o Tratado


de Limites entre Portugal e Espanha –
160 anos a manter a Raia»
O Tratado de Limites entre Portugal e Espanha, assinado em 29
de setembro de 1864, foi um documento pioneiro, no quadro
das relações bilaterais entre Portugal e Espanha, ao definir,
mediante critérios científicos, uma linha de fronteira cujo
traçado assinala o entendimento entre duas nações em secular
convivência, outrora marcada pelo conflito, hoje pela estabilidade
e interesses estratégicos convergentes

D
ecorreu em 2 de outubro, no Palácio da Aju- de 1864, naquele mesmo lugar, entre o Rei D. Luís, pelo
da, em Lisboa, a Conferência «O Exército e o lado português, e a Rainha Isabel II de Espanha, o qual
Tratado de Limites entre Portugal e Espanha estabelecia os limites entre os dois reinos desde a foz do
– 160 anos a manter a Raia», organizada pelo Centro de Rio Minho até à confluência do Rio Caia com o Guadiana.
Informação Geográfica do Exército. Segundo os seus próprios termos, o Tratado de Limites
Como o próprio título indicia, tratou-se de evocar o foi celebrado “tendo em consideração o estado de desas-
Tratado celebrado entre as duas Nações ibéricas, no ano sossego em que se encontram muitos povos situados nos

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DIVULGAÇÃO >>> ATUALIDADES

confins de ambos os reinos”, conflitos as fronteiras entre os dois países, “é em estabilidade. Portugal e Espa-
esses motivados por disputas territo- muito mais do que uma simples linha nha, mercê dessa mesma estabilida-
riais, tendo sido um tratado pioneiro, traçada no mapa. Representa o com- de duradoura, partilham “desígnios
numa Europa marcada por constan- promisso entre duas nações vizinhas comuns”, tendo vindo a reforçar a
tes e convulsionadas mudanças po- em coexistir pacificamente, respei- cooperação em áreas essenciais como
líticas que se prolongariam pelo séc. tando-se mutuamente, garantindo a segurança e defesa, o desenvolvi-
XX. a estabilidade e o desenvolvimento mento económico e a valorização do
O encontro, organizado em dois próspero de ambos os países.” património cultural partilhado.
painéis, reuniu diplomatas e milita- Revisitando um passado comum, Um desses desígnios comuns
res de ambos os países, tendo-se o referia o Comandante do Exército materializa-se através do trabalho
primeiro painel subordinado ao títu- que “ao longo dos séculos, Portugal contínuo e rigoroso do Centro de
lo «Representações da Fronteira Lu- e Espanha enfrentaram inúmeros de- Informação Geoespacial do Exército
so-Espanhola» e o segundo ao título safios, tanto internos como externos. e do Centro Geográfico del Ejército
«Perspetivas diferenciadas da Fron- A relação entre os nossos países pas- cujos esforços conjuntos têm sido es-
teira Luso-Espanhola». sou por rivalidades e ofensas estraté- senciais para a atualização da deli-
A sessão de abertura esteve a cargo gicas, conflitos territoriais e dinâmi- mitação das nossas fronteiras. O seu
do Chefe do Estado-Maior do Exérci- cas políticas divergentes, reflexos das trabalho representa “um exemplo no-
to, General Eduardo Mendes Ferrão, conjunturas históricas.” tável de colaboração técnica e cientí-
que saudou a iniciativa, enaltecendo Já na História recente, o Tratado fica entre os dois exércitos”, traduzido
a celebração do Tratado, assinado tem permanecido como “um símbo- na partilha de conhecimento e tecno-
naquele mesmo Palácio da Ajuda, lo resiliente de união e cooperação” logia, assegurando que “continuemos
no seu dizer, “um marco histórico na entre dois países que detêm uma das a honrar o espírito do Tratado, adap-
relação entre Portugal e Espanha”. O fronteiras mais antigas da Europa e tando-o às necessidades e realidades
Tratado de Limites, que regularizou do mundo, e que vivem há décadas modernas e sobretudo preparando o

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caminho para a sua continuidade no
futuro.”
Conforme salientou o General
CEME, “a parceria entre Portugal e
Espanha tem provado que, através da
cooperação, podemos alcançar mais.
Mais pelos nossos cidadãos. Mais
para os nossos países. Mas também
mais para o Mundo.”
Na sua intervenção intitulada
“Uma linha nos mapas: a represen-
tação cartográfica da Raia Luso-Es-
panhola entre os seculos XVI-XX”,
o Professor Doutor Luís Moreira, da
Universidade do Minho, ressaltou o
facto de este ser um tema que, embo-
ra remeta para esse período históri-
co, tem atualidade. “Uma linha nos
mapas” remete para a fronteira que é
“mais que uma linha, muitas vezes até
apoiada pelo traçado de alguns rios”. de poder, enquanto marcadores de vazio imenso que é Espanha”, sendo
Citando o Professor Amorim Girão, soberania, funcionavam como verda- os símbolos portugueses nele repre-
que nos anos 40 escreveu na sua Geo- deira linha a separar o Reino de Por- sentados substancialmente maiores
grafia de Portugal que “os rios não tugal do restante território ibérico.” do que os espanhóis, o que já nos
dividem, os rios são elementos físi- A primeira representação dos oferece uma outra perspetiva políti-
cos de aproximação entre os povos”, castelos de fronteira, a primeira re- ca. Assim sendo, e como destacava o
afirmava o orador que ao longo dessa presentação da raia, foi estabelecida orador, “este mapa já tem uma linha.
linha de fronteira “temos uma apro- em 1509-1510 por Duarte D’Armas, É a primeira representação da linha”.
ximação e um convívio secular entre a mando do Rei D. Manuel I, o qual A leitura do mapa é parecida com a
os dois Estados que são dois Estados percorreu a raia portuguesa de sul leitura do mapa medieval, existin-
importantes da nossa Europa.” para norte, representando-a atra- do marcadores naturais da fronteira,
Através do título “Uma linha nos vés de vários desenhos e em várias como os rios e as montanhas, como
mapas”, o orador propôs-se discutir perspetivas. Um exemplo o Castelo se a natureza tivesse criado uma
de que forma é que a linha represen- de Piconha, na raia de Trás-os-Mon- fronteira natural que se acomoda à
tada nos mapas tem relação com o tes, que “serve para nos mostrar que, fronteira política. Esta representação
terreno, evocando a ideia de fronteira fronteiro ao castelo português, que contrasta ainda com uma outra, sur-
e a sua representação, desde a Idade identificamos pelo pendão real, está gida em Antuérpia, na qual o mesmo
Média, com o Tratado de Alcanizes, um povoado fortificado galego. Não mapa já não tem fronteira, muito em-
assinado entre Portugal e os reinos existe raia, não existe linha, mas ela bora os limites de Portugal sejam per-
de Castela e de Aragão, em 1297, no passará algures entre a área de in- cetíveis através da informação nele
reinado de D. Dinis. Nesse documen- fluência do castelo português e a área representada.
to não é, porém, ainda estabelecida de influência do castelo galego.” Des- De uma perspetiva histórica tra-
uma fronteira, mas antes uma linha se modo, torna-se visível no mapa zida a público na sua intervenção, o
de separação, no âmbito de um acor- a sequência dos castelos e o modo autor demonstra como a demarcação
do de trocas de terras entre os reinos como “baliza a linha de fronteira da linha de fronteira corresponde a
ibéricos. do território nacional”, sendo “uma um claro desígnio político, ou seja,
No período medieval, a linha de fronteira militarizada e fortificada.” “marcar a linha, mais do que delimi-
fronteira no terreno baseava-se em O orador estabeleceu depois o tar, para isolar o País e diferenciá-lo
representações definidas por alguns contraponto com outro mapa, no do demais território, parece ser uma
marcos visuais importantes, nomea- ano 1561, da autoria de Álvaro Seco, opção que as autoridades portugue-
damente elementos físicos da pai- o qual surge em Roma, num contexto sas tinham tomado.”
sagem, como rios, ribeiras, serras e diferente, o de uma oferta diplomáti- O Professor Luís Moreira falou-
montes, procurando fazer-se corres- ca e no qual “o que conseguimos ver é -nos depois sobre o “momento es-
ponder a linha de fronteira aos limi- um reino ibérico, que não está isola- pacial da nossa História comum”,
tes naturais da paisagem. Na Idade do, mas está destacado relativamente iniciado em finais do séc. XVII com
Média, os marcos fronteiriços fre- ao restante território.” Neste mapa, a dinastia Filipina e a União Ibérica,
quentemente correspondem aos cas- “a densidade de informação sobre o em que Portugal passa a estar inte-
telos – “os castelos enquanto símbolo território nacional contrasta com o grado numa monarquia composta

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DIVULGAÇÃO >>> ATUALIDADES

por vários reinos e em que a fronteira “não foi só a guerra da restauração tações cartográficas de dois irmãos
será também redefinida ao longo da da independência, mas foi também a que laboraram em perspetivas diver-
linha de costa, pois nesse período a restauração da linha de fronteira que gentes, um ao serviço de Portugal e
fronteira da Península Ibérica vai ser deixou de existir durante 60 anos.” o outro de Espanha. O primeiro foi
empurrada pelos seus limites exte- Assim, partir de 1640 a linha de fron- João Teixeira Albernaz, um cartó-
riores. Com efeito, durante o período teira torna-se o centro das atenções. grafo português que permaneceu em
filipino houve uma preocupação, por O orador revisitou alguma da car- Lisboa depois de 1640, e que aqui
parte dos Filipes, de fortificar esta li- tografia elaborada no período pós- continuou a trabalhar para D. João
nha de fronteira litoral, ligando-se a -Restauração, demonstrando como VI, o Restaurador, e o seu irmão, o
fronteira à linha de fortificações. as preocupações dos cartógrafos re- cartógrafo Pedro Teixeira, que foi
Associando as representações fletem as preocupações políticas de para Madrid no início do séc. XVII
cartográficas a opções políticas, o restabelecimento da raia, designada- e por lá permaneceu fiel à monarquia
autor apresentou os exemplos de mente através da recuperação da sua Habsburga. No primeiro caso, o foco
imagens diferentes representadas em vertente defensiva. Trouxe então à da atenção centra-se na raia: “Em-
mapas contemporâneos, nomeada- liça um mapa da autoria de Vaz Pe- bora esteja em más condições, ainda
mente num mapa elaborado aquan- reira de Miranda, de 1642, o qual vai é visível uma linha de fronteira que
do da visita de Filipe II a Portugal em recuperar dois mapas antigos de Por- retoma a perspetiva portuguesa de li-
1622, em que o território de Portugal tugal – o primeiro mapa de Portugal, mite político e natural.” Em oposição,
“parece isolado, delimitado, cujos de Álvaro Seco, em que os limites po- no mapa de Pedro Teixeira, “não há
limites políticos coincidem com os líticos correspondem aos limites na- diferença de densidade de informa-
limites naturais”, ao passo que, num turais, e o mapa com a representação ção. É um Portugal integrado na Es-
outro mapa, Portugal aparece per- das fortificações, de Duarte D’Armas. panha.” Na perspetiva deste último,
feitamente integrado no território Como refere, “ali estão os castelos, a é também curioso estar o Ocidente
ibérico. Ambos representam então linha fortificada que assegura a defe- marcado no topo do mapa, centran-
duas perspetivas que neste período sa da linha política, materializada no do-se então, na perspetiva de Madrid,
se confrontam. território.” o objetivo na costa e não na raia.
O período da União ibérica ter- Ainda no contexto da Guerra da Porém, seja qual for a perspetiva
mina com a Guerra da Restauração Restauração, o orador convocou o da análise, regional ou local, “o que
que, conforme sublinhou o orador, curioso exemplo de duas represen- vamos encontrar é uma linha política

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traçada no mapa, não sendo coinci- namos “comissões mistas” que iam de um mapa geológico o que, como
dente, de acordo com as perspetivas”. ao terreno marcar a linha do mapa. destacou o orador, poderá parecer
Esta linha, outrora demarcada por É já no séc. XIX que, aproveitan- paradoxal, sendo a Geologia “um fe-
castelos, será, a partir do séc. XVII do essa experiência, Portugal e Espa- nómeno que não conhece fronteiras.”
demarcada por fortalezas abaluarta- nha decidem estabelecer uma linha O Professor Luís Moreira ter-
das, muitas vezes construídas reuti- única no seu território continental, minou a sua intervenção reiteran-
lizando o remanescente dos castelos. para que as linhas nos mapas não do que “até há 160 anos não existia
O orador chamou a atenção tam- fossem enganadoras. E assim surgiu uma linha”, mas sim muitas linhas de
bém para o facto de passarem a exis- o Tratado de Limites. fronteira até à assinatura do Tratado
tir, não uma mas várias linhas, por O Acordo foi assinado em 1864, de Limites - “o que faltava era fixar a
ex. no território de Trás-os-Montes, numa altura em que Portugal esta- linha”, o que foi feito ao longo do séc.
para concluir que “a linha, afinal, não va a fazer trabalhos de cartografia XIX até se chegar àquela todos nós
tem muito significado.” topográfica apoiada em medições conhecemos.
A partir da segunda metade do geodésicas, mas a linha ainda não A intervenção do Professor Dou-
séc. XVIII, os dois reinos ibéricos vão estava definida e os primeiros traba- tor António Jacobo Garcia Alvarez,
centrar-se nos seus territórios ultra- lhos ainda não têm linha demarcada. da Universidade Complutense de
marinos na América do Sul, aí procu- Em finais do séc. XIX é que os mapas Madrid, foi subordinada ao tema «El
rando estabelecer uma linha de fron- começam a indicar a linha de fron- Tratado Hispano-Portugués de Limi-
teira que definisse os limites entre a teira. No primeiro mapa científico, tes de 1864. Una perspetiva geográ-
América portuguesa e a América es- a primeira carta topográfica, produ- fica y cartográfica» e centrou-se nas
panhola. Esse trabalho foi feito com zida em 1865, a fronteira ainda não vertentes histórica, geográfica e car-
muito esforço ao longo do séc. XVIII, estava demarcada, o que ainda de- tográfica, que descreveram o contex-
com diversas variáveis incluindo li- morará algumas décadas a aconte- to do Tratado de Limites. Estruturou-
nhas de fronteira, e a partir de então cer. Estará finalmente demarcada no -se em três momentos fundamentais
estabeleceram-se as alfândegas, que terreno por cerca de 800 marcos, que - a génese do Tratado de 1864; a sua
começavam a adquirir outro signifi- são hoje mais de 5000. A partir daqui elaboração; o labor geográfico carto-
cado para além da linha militarizada. foi possível mudarmos a configura- gráfico das comissões de limites.
Criaram-se igualmente as “partidas” ção do mapa de Portugal. Esta linha No início do séc. XIX, criaram-
correspondentes ao que hoje desig- de fronteira será demarcada a partir -se várias comissões de limites para
tentar solucionar alguns conflitos
que existiam em torno da raia. Ne-
les intervinham os guardas fiscais
portugueses e espanhóis, tendo em
vista que proliferava o fenómeno do
contrabando, de ambos os lados da
fronteira. Existiam dois tipos de aglo-
merados populacionais com especifi-
cidades próprias – o “coto misto” e os
“povos promíscuos”.
O “coto misto” era um território
obtido por uma sentença do séc. XVI
como território em muitos aspetos
independente da Espanha e de Por-
tugal. Os seus habitantes podiam
exercer livremente as suas atividades,
ter a nacionalidade que quisessem,
espanhola ou portuguesa, podendo
trocá-la se entendessem. Apenas pa-
gavam impostos e estavam isentos de
contribuir com homens para o Exér-
cito. Podiam negociar os seus produ-
tos e beneficiavam do direito de asilo,
exceto se os seus delitos fossem de
sangue, e podiam circular livremente
num caminho privilegiado, em Por-
tugal, ao longo de 6Km de longitude.
Os “povos promíscuos” estavam
situados geograficamente na metade

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DIVULGAÇÃO >>> ATUALIDADES

da raia fronteiriça, tendo os seus nú-


cleos, incluindo algumas casas, situa-
dos em terreno de um lado espanhol
e do outro português.
A elaboração e execução do Tra-
tado de Limites durou aproxima-
damente meio século, desde que se
criou a Comissão mista em 1855 até
que se aprovou a linha de demarcação
em 1906. Um processo que teve as
suas interrupções, não tendo a linha
sido definida na sua totalidade, pois
não cobre toda a fronteira terrestre
entre Espanha e Portugal, mas apenas
desde o rio Minho até à embocadura
dos rios Caia e Guadiana. Há assim
uma parcela de fronteira que não foi
delimitada, nem pelo Tratado de Li-
mites de 1864, nem pelo Convénio
de 1896, que é o setor de Olivença,
com cerca de 70Km de longitude, o
qual nunca foi incluído em nenhum
dos tratados.
Quanto à solução trazida pelo subdividir-se em três tipos – a elabo- escalas – uma de 1/10 000, a escala
Tratado de Limites para os conflitos ração de informes, memórias e rela- 1/50 000 (sobre a qual labora a co-
que existiam, a solução criada foi a tórios; a elaboração de cartografia; e missão internacional de limites) e a
partição em partes iguais, com exce- o estabelecimento das linhas geomé- escala 1/100 000, que em conjunto se
ção de alguns títulos de propriedade. tricas de fronteira. completam na cartografia.
No caso dos territórios do coto misto A definição da fronteira hispa- Existe uma cartografia científica
e dos povos promíscuos, teve de ser no-portuguesa surge nos mapas em (que utiliza uma escala de 1/250 000)
tratado à parte como um problema três contextos: as comissões mistas que se aplica a alguns casos comple-
internacional. A solução encontrada recompilam a informação geográfi- xos, como é o do Rio Minho que,
foi a quase totalidade do coto mis- ca disponível, em geral pouco pre- sendo uma fronteira natural, é con-
to ser cedida a Espanha, enquanto cisa, pouco científica, e utilizam-na troversa por diferentes motivos, não
os povos promíscuos passaram na para defender as suas posições; uma só pela existência de ilhas, mas tam-
sua totalidade para Portugal, tendo segunda função era a elaboração de bém por questões que têm a ver com
em vista que tinham uma dimensão croquis e mapas durante a marcação a navegabilidade e com a presença de
semelhante. de fronteira. A finalidade desta carto- obras humanas que alteraram o curso
Relativamente ao labor geográfico grafia era levantar planos desta zona natural. No Tratado de 1864, tomou-
e cartográfico das comissões mistas, de conflito, definindo as pretensões -se a decisão de definir como linha
estas eram formadas pelos diploma- portuguesas e espanholas; uma ter- de fronteira a linha mediana entre as
tas e por técnicos, onde se incluíam ceira utilização desta cartografia será duas margens do rio. Para essa zona
os militares, designadamente os en- na fase de demarcação. Nesta fase, viria a ser elaborado um atlas, o Atlas
genheiros militares, espanhóis e por- que decorre de 1866 a 1906, com al- do Rio Minho.
tugueses. O seu trabalho no terreno guns períodos de interrupção, elabo- Para a concretização do Tratado
será fundamental, incluindo através ram-se cartas parciais e completas da foram de primacial relevância os tra-
dos levantamentos e planos elabo- linha fronteiriça, de maneira muito balhos efetuados no terreno, sobre-
rados e apresentados aos diploma- detalhada. tudo no âmbito da cartografia, uma
tas que irão negociar a fase final do Na elaboração do Tratado é feita cartografia de base científica, com
tratado, em Lisboa. Com efeito, os uma síntese das cartas parciais, indi- recurso aos meios disponíveis à épo-
engenheiros militares vão participar, cando-se geometricamente a linha, ca e que consistiu no essencial da in-
durante 40 anos, no trabalho de de- através do cálculo da distância entre formação veiculada pelos diplomatas
marcação, elaborando igualmente os marcos de fronteira, e também o em sede de negociações, contribuin-
cartografia e compilando informação azimute. Incluem-se, igualmente, do inequivocamente para o bom en-
de base para a cartografia científica. detalhes qualitativos da paisagem, tendimento entre as nações de ambos
Segundo o Professor Garcia Al- os quais permitem reconhecer facil- os lados da fronteira.
varez, a produção geográfica e carto- mente a localização de cada um dos A encerrar o primeiro painel desta
gráfica destas comissões mistas pode marcos fronteiriços. Utilizam-se três Conferência, o Major José Costa, do

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Centro de Informação Geoespacial em 1906, com a assinatura da Ata Ge- ternacional de Limites, que hoje co-
do Exército, proferiu uma comuni- ral de Delimitação de Fronteira entre nhecemos e está no Ministério dos
cação cujo título foi “O Exército Por- Portugal e Espanha. A fronteira não Negócios Estrangeiros (MNE), e em
tuguês na manutenção da fronteira ficou delimitada na sua totalidade, e 1952 tem lugar a primeira sessão ple-
Luso-Espanhola”, na qual descreveu a em 29 de julho de 1926 foi assinado o nária desta Comissão Internacional
missão e tarefas desempenhadas pelo Convénio de Limites entre Portugal e de Limites.
Exército, através do seu Centro de Espanha, a demarcar algo que ainda Em 2012 é publicada uma por-
Interpretação Geoespacial, na manu- faltava no sul. taria conjunta entre vários ministé-
tenção da fronteira. O Tratado de Limites de 1864 de- rios, a qual define a composição da
O Major Costa começou por falar terminava igualmente que os marcos, comissão interministerial de limites
sobre o Tratado de Limites de 1864, depois de colocados, fossem entre- e bacias hidrográficas luso-espa-
assinado no Palácio da Ajuda, no dia gues às municipalidades raianas, o nholas, no MNE, onde se integra a
29 de setembro de 1864, e ratificado que aconteceu no início do séc. XX. atual Comissão Internacional de Li-
a 19 de maio de 1866. Decorreram 42 Já a Ata Geral e a Ata do Convénio mites. Uma das competências desta
após a assinatura do Tratado até que dispunham que os municípios raia- Comissão é zelar pelo cumprimen-
se assinasse a Ata Geral de Delimita- nos deveriam, no mês de agosto, efe- to do Tratado de Limites de 1864
ção, em 1 de dezembro de 1906, e a tuar o reconhecimento dos marcos e e do Convénio de Limites de 1926,
razão de ser deste lapso de tempo está lavrar uma ata na qual dariam conhe- incluindo a manutenção dos mar-
no Art.º24 do Tratado de Limites de cimento às autoridades envolvidas, o cos de fronteira, fiscalização do seu
1864, que dispunha que se tinham de que acontece até hoje. E assim, todos posicionamento correto e disponibi-
constituir comissões mistas de limites os anos os municípios raianos elabo- lização do acesso público à informa-
para colocação dos marcos de fron- ram estas atas e enviam-nas para o ção recolhida, entre outras compe-
teira e fazer os trabalhos de levanta- Ministério dos Negócios Estrangei- tências. Estas atribuições do MNE,
mento topográfico para que surgisse ros e depois para o Centro de Infor- neste momento, são realizadas pelo
a verdadeira linha de delimitação de mação Geoespacial do Exército. Exército através do Centro de In-
fronteira. Este trabalho concluiu-se Em 1904 é criada a Comissão In- formação Geoespacial (CIGeoE),

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DIVULGAÇÃO >>> ATUALIDADES

designadamente a manutenção dos nha que têm constituído as equipas tivas diferenciadas da fronteira Lu-
marcos, a fiscalização e a disponibi- técnicas mistas.” so-Espanhola”. O professor Doutor
lização de informação. Relativamente ao Sistema de In- Pedro Julião, da Universidade Nova
Cabe, assim, ao CIGeoE a respon- formação Geográfica de Apoio à de Lisboa, proferiu uma alocução
sabilidade de apoiar tecnicamente a Fronteira, uma das competências do subordinada ao tema “A Dinâmica
delegação portuguesa à Comissão In- Ministério é disponibilizar à popu- demográfica da raia”. Numa pers-
ternacional de Limites (CIL) e é neste lação toda a informação recolhida petiva complementar das anteriores,
âmbito que vão ser criadas as equipas e informatizada através de bases de o professor caraterizou a evolução
técnicas mistas, que fazem trabalhos dados. E assim, em 2007, depois de populacional ao longo da linha de
de campo na fronteira. concluído o trabalho de georrefe- fronteira, do lado português, uma
A fronteira é atualmente delimita- renciação, foi considerada a possibi- zona caraterizada por um acentuado
da por cerca de 5000 marcos (5279), lidade de existência de uma base de envelhecimento populacional e de-
de vários tipos. Um marco de fron- dados comum, o que foi concretiza- sertificação. A assimetria que carate-
teira é uma pedra, em granito ou em do, procedendo-se anualmente à sua riza a distribuição populacional, com
mármore, com a letra “P” ou a letra atualização. o desequilíbrio demográfico entre o
“E”, existindo três tipos de marcos de O SIGAF permite, assim, através litoral e o interior e a questão da “di-
fronteira, entre os quais: os designa- de uma plataforma open source, o namização do interior”, por forma a
dos “marcos principais”, que são 965; Google Earth, visualizar, analisar e torna-lo atrativo para a população re-
os auxiliares, colocados no terreno explorar dados para o planeamento sidente foram algumas das questões
devido à necessidade de adensar a li- de trabalhos de fronteira e o apoio ao analisadas.
nha de fronteira; e ainda os marcos desenvolvimento de projetos relacio- O orador circunscreveu a sua
de fronteira de referência, que são nados com a segurança/controlo de apresentação à faixa raiana, “porque
colocados nas passagens a vau, um de fronteiras e coordenação de outras se há uma fronteira ela tem de estar
cada lado da linha de água. atividades transfronteiriças. povoada para ter esse significado”,
A equipa técnica mista sempre foi Conforme destacava o orador, em definindo como faixa raiana “todos
composta por militares de ambos os conclusão: os municípios que confinam com
países. Nos anos 90, tendo em vista A cooperação internacional entre a Espanha”, ou seja, 39 municípios,
a necessidade de proceder ao levan- o Exército de Portugal e o Exército do desde Caminha a Vila Real de San-
tamento da linha de todos os marcos Reino de Espanha visa preservar em to António e tomando por base os
de fronteira, era composta por 12 bom estado de conservação os pon- dados do Instituto Nacional de Es-
elementos. A partir do ano 2007, en- tos físicos de soberania que unem as tatística, relativos aos últimos recen-
contrando-se todos os marcos geor- duas nações, assim como o bom rela- seamentos da população. Com efeito,
referenciados, as equipas tornaram- cionamento das populações raianas, desde 1991 até ao último censo, em
-se mais pequenas, sendo de realçar mantendo viva a raia. 2021, “se ao nível do número de lu-
o “espírito de camaradagem existente O segundo painel desta conferên- gares, a diminuição não é muito sig-
entre os militares de Portugal e Espa- cia foi subordinado ao tema “Perspe- nificativa, em termos de população
residente nesses lugares temos uma
linha de decréscimo contínuo nestes
últimos anos.” Uma quebra que se
salda em 20% de decréscimo entre os
anos 2011 e 2021.
Esta dinâmica de decréscimo
populacional é, segundo o orador,
“um pouco alarmante”, se conside-
rado o nível de município, pois nos
dois últimos censos todos os muni-
cípios portugueses ao longo da faixa
raiana registaram um decréscimo
populacional. Por outro lado, o fac-
to de haver esta perda não quer dizer
que o fenómeno seja generalizado
dentro dos municípios, dado existi-
rem municípios “com uma dinâmica
própria”, capazes de “absorverem al-
guma população, inclusive oriunda
das aldeias em redor que, mercê da
oferta de um conjunto de serviços
diversificados, conseguem reter algu-

JE 744 > outubro 2024 >>> 39


ma população, constituindo-se como do Interior e da faixa raiana”, “pen- político-diplomáticos, procurando,
verdadeiras âncoras desse território sar que temos um grave problema de como o próprio descreveu, “ir um
ao longo da fronteira.” envelhecimento da população, pen- pouco mais além” do que são os tex-
Numa perspetiva futura, prevê-se sar que temos um grave problema de tos técnicos do Tratado de Limite de
que, em termos de evolução popu- despovoamento do nosso território e Fronteiras, enriquecendo-o com tex-
lacional, “no espaço de uma geração que consequências é que poderá ter, tos que foram sendo produzidos des-
vamos perder mais de 600 lugares” e que está a ter, em territórios com de então e que se inserem, “tanto no
registando-se um decréscimo de mais maior ocupação florestal do territó- âmbito das relações bilaterais como
de 20% da população, ao passo que, rio”, porque, em suma, “um território no âmbito da integração nas comuni-
projetando-se ainda outra geração, raiano é sempre um território impor- dades europeias.”
cerca de meados do século, “teremos tante, o nosso primeiro território.” O orador elegeu seis grandes te-
uma redução significativa dos lugares”. Seguidamente teve lugar a inter- mas que, segundo ele, “permitiram
Em síntese, através da análise venção do Embaixador Juan Francis- integrar as principais caraterísticas
das dinâmicas populacionais da li- co Montalbán Carrasco, do Minis- dos nossos convénios internacionais,
nha raiana, o professor Pedro Julião terio de Asuntos Exteriores, Unión no âmbito político bilateral”, a saber:
pretendeu “deixar um alerta”, “tornar Europea y Cooperación, de Espanha. as fronteiras, as águas, a amizade e
evidente o problema dos territórios A complementar os temas tratados, cooperação, a cooperação transfron-
de baixa densidade, dos territórios o Embaixador introduziu aspetos teiriça, as interconexões, e a União
Europeia.
No âmbito do Tratado de Fron-
teira, ponto de partida da presente
conferência, “vale a pena” segundo
o orador, “acrescentar ao Tratado de
Fronteiras que remonta ao séc. XIII,
o labor das fronteiras marítimas es-
tabelecidas entre os dois impérios
marítimos”, mencionando “os acon-
tecimentos históricos, políticos e ju-
rídicos, que foram insólitos na vida
da Humanidade que foram a Bula
Papal de Alexandre VI, de 1493 e o
Tratado de Tordesilhas”, tendo-se es-
tabelecido a partir de então o traçado
dos Impérios Ultramarinos, “na ori-
gem do mundo contemporâneo”.
Porém, foi sobretudo a partir do
séc. XIX que a construção do Estado
liberal requereu um enorme esforço,
nos planos político e diplomático,
tendo em vista a desconstrução da
“antiga ordem monárquica, absolu-
tista e, em parte, ainda senhorial” que
enfrentou múltiplas resistências.
O Tratado de Limites de 1864
recupera, pois, “os mecanismos de
interlocução bilateral que se plas-
mam finalmente na Comissão In-
ternacional de Limites, que tem ses-
sões periódicas, e que nos permite ir
avançando na fixação e na revisão da
fronteira. Uma fronteira “que já está
suficientemente acordada”, centran-
do-se agora no diálogo e na resolução
de problemas, sendo um deles o do
despovoamento.
O orador referiu alguns dos con-
vénios, assinados por Portugal e Es-
Primeira página da Acta Geral de delimitação panha, no âmbito das relações bila-

40
DIVULGAÇÃO >>> ATUALIDADES

“Meio século depois


da assinatura do
Tratado (…) foi
criada a Convenção
de Limites entre
Portugal e Espanha.
A atual Comissão
Interministerial de
Limites e Bacias
Hidrográficas entre
Portugal e Espanha,
integrada no MNE,
tem acompanhado
o trabalho das
equipas mistas
do Centro de
terais fronteiriças, designadamente de uma série de operações de geome- Informação
Geoespacial do
os tratados de caça e pesca do troço tria e geopolítica do território.”
internacional do Rio Minho, dois tra- Sendo a nossa fronteira cerca de
tados de navegação e de pesca da sec- 1250 Km, parte dela é fluvial, através Exército e do
ção internacional do Rio Guadiana e dos rios que partilhamos – o Minho,
um convénio de navegação interna- o Lima, o Douro, o Tejo e o Guadiana Centro Geografico
cional do Rio Minho, cuja assinatura
está para breve.
– que moldam “o espaço geográfico
da Península ibérica”. A responsabi-
del Ejercito de
O Embaixador enalteceu o “traba- lidade compartilhada de gerir a água Tierra.”
lho imenso” dos Governos de ambos conduziu a um processo de negocia-
os países, levado a cabo pelos enge- ção sobre os domínios fluviais e hí-
nheiros, geógrafos e diplomatas que dricos que começou no séc. XIX, ao de grande relevância, no âmbito das
têm acompanhado a delimitação da falar-se da navegação internacional interconexões bilaterais”.
fronteira desde o séc. XIX, um labor nos nossos cursos de água, e se pro- Quanto ao futuro, é encarado com
essencial do ponto de vista da sobera- longou pelo séc. XX, introduzindo já otimismo, crendo-se que “num prazo
nia. Conforme referia o Professor Ja- a questão do “imenso aproveitamen- razoável, vamos conseguir completar
cobo Garcia, a conceção de soberania to hidroelétrico das nossas bacias este marco formal das interconexões,
própria das monarquias absolutistas fluviais.” Questão que se traduziu em tanto as ferroviárias, como as autoes-
difere da soberania dos estados libe- diversos acordos, culminando com tradas e as pontes, pendentes e sobre-
rais. A primeira, própria das monar- a assinatura do Acordo de Albufeira tudo as grandes infraestruturas ener-
quias de tipo dinástico, patrimonial e em 1998 e já mais recentemente na géticas”, não deixando de sublinhar
jurisdicional, baseia-se nas relações Diretiva Comunitária da Água, “uma que a pertença à União Europeia é
de lealdade e vassalagem entre sobe- diretiva muito ambiciosa para cobrir “um marco” que levou ambos os paí-
ranos e súbditos, ao passo que os es- todo o ciclo da água.” ses a “reconsiderar toda a questão das
tados liberais consagram uma sobe- O Embaixador falou ainda sobre fronteiras.”
rania de caráter nacional e territorial, os Acordos de Cooperação e Amiza- A concluir o segundo painel, teve
articulada na jurisdição e controlo de, e sua importância, no quadro da lugar a intervenção do Embaixador
exclusivo e indivisível do seu territó- evolução democrática de ambos os Carlos de Sousa Amaro, do Minis-
rio. A carta legal internacional “des- países, a partir dos anos 70, desta- tério dos Negócios Estrangeiros, que
creve, de forma completa, a delimi- cando que “a cooperação transfron- começou por afirmar que “o Tratado
tação do território estatal de maneira teiriça, no plano bilateral, foi uma es- de Limites é uma demonstração in-
precisa, contínua e compacta através tratégia comum de desenvolvimento contestável dos princípios de amiza-

JE 744 > outubro 2024 >>> 41


Primeira página do Tratado de Limites proteção e aproveitamento sustentá-
vel das águas das bacias hidrográficas
luso-espanholas.
Meio século depois da assinatura
do Tratado, porque subsistiam algu-
mas dúvidas no terreno, foi criada a
Convenção de Limites entre Portugal
e Espanha. A atual Comissão Inter-
ministerial de Limites e Bacias Hi-
drográficas entre Portugal e Espanha
(CILBH), integrada no MNE, tem
acompanhado o trabalho das equi-
pas mistas do Centro de Informação
Geoespacial do Exército e do Centro
Geografico del Ejercito de Tierra, que
têm vindo a desenvolver “um tra-
balho meritório, constituindo uma
peça importante no relacionamento
político-diplomático entre Portugal
e Espanha.”
O canal de comunicação constan-
te entre Portugal e Espanha, criado
graças ao trabalho da Comissão de
Limites, permitiu um diálogo con-
tínuo, facilitador de outras áreas de
cooperação, como a construção e
manutenção de infraestruturas que
cruzam a fronteira – pontes, estra-
das e ferrovias - garantindo que es-
ses projetos fossem desenvolvidos de
forma harmoniosa e eficaz e, princi-
palmente, ajudando, a fazer crescer o
bem-estar das populações.
Este diálogo permanente bene-
ficia igualmente de outros mecanis-
mos institucionais como a realização
anual de cimeiras luso-espanholas ao
de e respeito em que assenta o rela- fronteiriças” e “em termos económi- nível de chefes de Governo, institu-
cionamento bilateral entre Portugal cos, é o reconhecimento de um mer- cionalizadas em 1987. Esta coopera-
e Espanha.” Sendo a nossa fronteira cado que assegura aos dois Estados o ção estruturada foi possível “graças
comum uma das mais longas e es- controlo das trocas comerciais, asse- à situação que trouxe os dois países
táveis da Europa e do mundo, foi gurando a prosperidade de ambos.” à Democracia, em 1974 em Portugal
marcada por períodos de coopera- Do ponto de vista da sua elabo- e em 1975 em Espanha, mais tarde
ção mas também de conflito entre ração, o Tratado é “preparado com a adesão simultânea à Comunidade
um lado e o outro da fronteira, uma grande rigor” e “mantém, ao fim de Económica Europeia, em 1986. Des-
“paisagem histórica de separação e 160 anos, toda a sua atualidade”, sen- de então temos participado lado a
desconfiança”. No terreno, as fortifi- do mesmo “um Tratado visionário na lado e de forma ativa e empenhada na
cações e outras construções militares sua cuidada conceção e inspirador a evolução e transformação do Espaço
dão testemunho desse passado de nível político”. Efetivamente, o Tra- Europeu, desde a criação do grande
conflitualidade. tado de 1864 é acompanhado do Re- mercado interno à área Schengen, ao
O Tratado de Limites surge preci- gulamento sobre os Rios Limítrofes, Euro, entre outros.” Com a entrada
samente para por termo a essa tensão, o que demonstra “uma preocupação de ambos os Países na União Euro-
considerada inaceitável pelos Gover- com a gestão partilhada da água e peia e a criação do Espaço Schengen
nos dos dois Países. Tem, pois, impli- dos recursos naturais”, antecipando o as fronteiras físicas perderam grande
cações políticas e económicas, pois que mais de um século depois seria parte da sua rigidez. No entanto, “a
como referiu, “em termos políticos, “outro acordo igualmente inovador”, sua importância para a definição de
é uma construção de uma identidade a já referida Convenção de Albufeira jurisdições e para a gestão territorial
nacional que não se esgota nas visões de 1998, sobre a cooperação para a associada a novas tecnologias na car-

42
DIVULGAÇÃO >>> ATUALIDADES

tografia nunca poderá ser posta em que esteja com ele. está no limbo do futuro do Exército - o
causa e a sua simbologia permanece (…) que é que todos nós temos de trabalhar
basilar”. O Dia do Exército vai ser na Guar- a nível tecnológico – não é só bases de
Como conclusão, o Embaixador da. Se estivermos em Almeida, se esti- dados: há geolocalização, há satélites,
Sousa Amaro sublinhou o seu “orgu- vermos no Buçaco e em muitos outros há coisas que podemos no terreno por
lho”, ao afirmar que “Portugal e Es- sítios, estaremos com Portugueses e em prática e que materializam aqui-
panha são exemplo de uma História Espanhóis, lado a lado, a afirmarem lo que é o desiderato nacional e da
de proximidade, com uma fronteira a História e a afirmarem o caminho Comissão de Limites entre Portugal e
que nos une, que é respeitada e que para a frente. Espanha, de afirmar que a fronteira é
é fruto de um relacionamento inten- Desta conferência ressalta aquilo uma linha, mas é uma linha de conti-
so, estável, duradouro e claramente que foi a pergunta do meu Chefe e que nuidade entre duas vontades. JE
positivo.”
O encerramento da sessão esteve
a cargo do Vice-CEME, General Maia
Pereira, que declarou:
A presente sessão vai muito além
do marco que delimita as fronteiras.
O que estamos a fazer aqui hoje é a
comemorar 160 anos de um instru-
mento diplomático que materializa a
vontade de dois povos e que ao longo
do tempo vai sendo mantido como
exemplo da cooperação, solidarieda-
de e, por que não dizê-lo, irmandade,
amizade profunda de dois povos que
estão condenados a entender-se mui-
to bem e a aprender da História o que
têm de aprender e olhar para o futuro,
evoluindo num quadro em que temos
de cooperar.
Queria dizer aos senhores Embai-
xadores da Comissão de Limites que
o Exército se sente muito honrado em
poder colaborar com o Exército irmão,
com o qual temos relações de coopera-
ção imensas, em todas as organizações
de que fazemos parte, com o qual es-
tamos na Eslováquia, na Roménia, na
República Centro-Africana, coopera-
mos em Moçambique, em Angola, na
Colômbia, pelo mundo fora…
(…)
Contem com o Exército Português
como parte integrante do esforço de
ambos os países para materializar
aquilo que nos une. O que nos separou
é o mote daquilo que nos une. E o ca-
minho que nós fazemos todos os dias
é um caminho que olha para o futuro,
é um caminho de trabalho de muitos
militares em condições às vezes com-
plicadas. Mas a matriz militar é essa.
(…)
O Exército Português tem uma
pegada crescente de afirmação junto
dos municípios raianos. Não há um só
município que não tenha uma Unida-
de militar (mais longe ou mais perto) Mapa da fronteira de Portugal e Espanha

JE 744 > outubro 2024 >>> 43


João Dias *

Tenente de Infantaria
15.ª Quick Reaction Force / MINUSCA

Cross-Trainings na Missão
Multidimensional Integrada das
Nações Unidas para a Estabilização na
República Centro Africana
Os exercícios de cross-training constituem uma oportunidade
de treino, ao nível das técnicas, táticas e procedimentos
conduzidos no âmbito de forças multinacionais, tendo em vista
fomentar a interoperabilidade e a eficácia em operações, e
melhorar o nível de entendimento e cooperação entre as forças

O
cenário das Operações de Paz, particular- cooperação entre diferentes forças militares interna-
mente no âmbito da Missão Multidimen- cionais para alcançar os seus objetivos. Nesse contex-
sional Integrada das Nações Unidas para a to, os exercícios de cross-training entre contingentes
Estabilização na República Centro Africana, requer a de diferentes nações são fundamentais para garantir

44
EXERCÍCIOS >>> ATUALIDADES

a interoperabilidade e a eficácia das tares e treinos específicos com forças contingentes do Bangladesh, Ban-
operações. de outros países, nomeadamente, o gladesh Special Force e Camboja,
Esses momentos não são apenas Bangladesh e o Camboja. Esses exer- Explosive Ordenance Disposal Unit
oportunidades de treino, mas são, cícios têm como principais objetivos 98-2, durante a 15.ª Quick Reaction
também, oportunidades para me- promover a partilha de experiências, Force verteram-se nas seguintes áreas
lhorar habilidades técnicas e cultivar táticas, técnicas e procedimentos en- principais:
a verdadeira camaradagem entre os tre forças com diferentes culturas mi- – Close-Quarters Battle
militares. A experiência comparti- litares, superar barreiras linguísticas, O combate em áreas urbanas,
lhada durante os treinos/exercícios bem como a familiarização com dife- definido pelas suas características
reforça a noção de que o sucesso em rentes equipamentos e meios, contri- de reduzida duração, mas de alta in-
operações complexas é alcançado buindo para o sucesso das missões e a tensidade e violência súbita a curtas
através do apoio mútuo, um princí- segurança de todos os envolvidos em distâncias, exige treino contínuo,
pio que ressoa fortemente entre os futuras missões ou cooperações. mecanização de procedimentos e téc-
Paraquedistas. Afinal, é somente com nicas altamente especializadas, que
a ajuda dos camaradas que se conse- A importância do Cross-Training combinam precisão e coordenação
gue vencer os desafios impostos pelo em Operações Multinacionais entre unidades de vários escalões,
ambiente operacional, garantindo a As realidades operacionais, geo- desde a Esquadra à Companhia. O
segurança e a sobrevivência de todos gráficas e sociais na República Cen- Close-Quarters Battle exige sintonia
os envolvidos. Através dessa colabo- tro Africana são extremamente volá- entre as Unidades no terreno para
ração, os contingentes não apenas se teis. Os militares são frequentemente garantir a neutralização de ameaças,
preparam para as exigências das mis- confrontados com diferentes variá- minimizando os danos colaterais e o
sões, como também criam e solidifi- veis, assumindo-se como essenciais fratricídio.
cam relações, essenciais para enfren- ferramentas tais como Close-Quar- O treino com o Bangladesh Special
tar as adversidades juntos, sempre ters Battle, Tatical Combat Casualty Force permitiu aos militares portu-
com a consciência de que a vitória é Care e a neutralização de ameaças gueses percecionarem as suas táticas,
um esforço coletivo. explosivas. técnicas e procedimentos, adquirin-
No âmbito da 15.ª Quick Reaction do novas perspetivas na abordagem,
Force composta por Paraquedistas Componentes do Cross-Training na assalto e limpeza de objetivos, mas
provenientes do 1.º Batalhão de In- Missão Multidimensional Integrada permitindo uma simbiose esclareci-
fantaria Paraquedista e que inclui das Nações Unidas para a Estabiliza- da e segura em caso de uma operação
também elementos de outras Uni- ção na República Centro Africana conjunta, por ambas as partes. Além
dades, Órgãos e Estabelecimentos, Os exercícios de cross-training disso, a utilização de procedimentos,
como os módulos Explosive Orde- realizados pelos Paraquedistas da armamento e equipamentos diferen-
nance Disposal, Route Clearance e Sa- Unidade de Manobra do 1.º Batalhão tes dos que os militares utilizam no
nitário, realizaram-se exercícios mili- de Infantaria Paraquedista com os Exército Português permite diversifi-

JE 744 > outubro 2024 >>> 45


comum para lidar com as ameaças
explosivas, especialmente em áreas
de alta densidade populacional. Ao
trabalhar em conjunto, as equipas
Explosive Ordenance Disposal ad-
quirem conhecimento das diferentes
técnicas e equipamentos usados pelo
Camboja, facilitando a coordenação
em futuras operações.

Cooperação Internacional e
Integração de Procedimentos
Uma das principais metas do
cross-training é a partilha de táticas,
técnicas e procedimentos, facilitando
a cooperação entre as forças interna-
cionais. A participação dos paraque-
distas do 1.º Batalhão de Infantaria
Paraquedista nos exercícios com os
contingentes do Bangladesh e do
Camboja, na Missão Multidimensio-
nal Integrada das Nações Unidas para
a Estabilização na República Centro
Africana (MINUSCA), promove a
capacidade das Forças de operar em
car conhecimentos e é essencial para conjunto com militares do Camboja, conjunto, mesmo com formação e
o sucesso destas operações. realizaram treinos com o objetivo de doutrina distinta. Isso reflete-se em
– Tatical Combat Casualty Care identificar, neutralizar e destruir de várias áreas:
Os procedimentos de emergên- forma segura estas ameaças. Estes – Troca de Experiências e Boas
cia médica são cruciais para salvar exercícios foram cruciais para o de- Práticas
vidas no campo de batalha, manter senvolvimento de uma abordagem Durante os exercícios, os milita-
a capacidade de combate e o moral.
Durante os treinos com as forças do
Bangladesh e do Camboja, os mi-
litares dos diferentes contingentes
simularam cenários de combate, em
que a capacidade de prestar cuidados
médicos imediatos foi testada sob
pressão, incluindo as diferentes fases
do protocolo de Tatical Combat Ca-
sualty Care, o Care Under Fire, Tati-
cal Field Care e o Tatical Evacuation
Care. A cooperação entre os contin-
gentes permite tomar conhecimento
dos protocolos de primeiros socorros
usados por outras forças, possibili-
tando que as equipas de apoio sanitá-
rio colaborem em uníssono, aumen-
tando a sua eficácia no combate.
– Explosive Ordenance Disposal
O Teatro de Operações da Repú-
blica Centro Africana inclui a presen-
ça de minas terrestres, dispositivos
explosivos improvisados e munições
não detonadas, que representam uma
ameaça constante às forças de paz e
à população. As equipas de desati-
vação de explosivos da 15.ª QRF, em

46
EXERCÍCIOS >>> ATUALIDADES

res das diferentes nações partilharam


experiências adquiridas noutros tea-
tros de operações. As forças do Ban-
gladesh e do Camboja trazem táticas
específicas que usaram nas suas mis-
sões, assim como os Paraquedistas
portugueses partilham as suas abor-
dagens com experiência histórica em
teatros africanos e em operações da
Organização do Tratado do Atlântico
Norte.
– Superação de Barreiras Cultu-
rais e Linguísticas
Um dos principais desafios em
operações multinacionais é a barrei-
ra da comunicação. Os exercícios de
cross-training ajudam a superar essas
dificuldades, estabelecendo canais de
comunicação e métodos que sejam
compreendidos por todos, indepen- as forças. A troca de conhecimen- blica Centro Africana, de grande es-
dentemente das diferenças linguísti- to e experiências com camaradas de cala. Decorreu no dia 5 de outubro de
cas. A língua inglesa é predominante diferentes nacionalidades potencia o 2024 e reuniu participantes de várias
na comunidade internacional. A uti- aumento da sensação de segurança nacionalidades, incluindo equipas do
lização do Inglês em ambientes mul- e consolida a coesão e o reconheci- Camboja, Tunísia e Bangladesh. Ao
ticulturais facilita a comunicação en- mento entre diferentes exércitos. Este longo de 11 estações e desafiados de
tre as partes e permite que as ordens tipo de procedimentos conjuntos forma intensiva os militares supera-
e informações sejam compreendidas permite aos militares desenvolverem ram dificuldades do foro físico e psi-
de forma clara. Sendo que, em alguns laços de camaradagem e confiança cológico. Uma vez mais, a realização
casos, a primeira e única barreira, é o entre si, fortalecer as relações inter- desta prova trouxe inúmeros benefí-
desconhecimento mútuo, o que resul- nacionais e promover um espírito de cios, não só para o desenvolvimento
ta em preconceitos inviabilizadores da cooperação entre Forças Armadas, individual dos participantes, mas
prática conjunta, mas que se desmo- um aspeto crucial para a construção também para a colaboração entre di-
ronam nos primeiros momentos dos de parcerias e alianças globais. ferentes nações.
treinos, revelando-se infundados. O HÉRCULES RACE foi uma Esta prova incentivou à competi-
– Fortalecimento da Coesão en- competição organizada pela 15.ª ção saudável entre equipas, sob uma
tre as Forças (Hércules Race) Quick Reaction Force - Missão Mul- atmosfera de respeito e disciplina, es-
A convivência e o treino conjunto tidimensional Integrada das Nações timulando o desenvolvimento de re-
fortalecem a confiança mútua entre Unidas para a Estabilização na Repú- siliência e promovendo um ambiente
de fair play e honra entre as forças,
apesar das diferenças culturais e
religiosas.
Reunindo militares de várias par-
tes do mundo, o sucesso da prova é
testemunho da dedicação e do espí-
rito de sacrifício de todos os partici-
pantes, sendo um verdadeiro fórum
de união e cooperação. Esta prova
internacional deixa um exemplo ins-
pirador e reforça a importância de
iniciativas que promovam a colabo-
ração entre nações, através do desen-
volvimento das suas Forças, de forma
saudável e competitiva.

O Impacto dos Exercícios na


MINUSCA
Os exercícios de cross-training
têm um impacto significativo na efi-

JE 744 > outubro 2024 >>> 47


cácia das operações de paz da Missão
Multidimensional Integrada das Na-
ções Unidas para a Estabilização na
República Centro Africana. Os seus
principais fatores incluem:
– Resposta Ágil e Coordenada:
A cooperação entre as forças
permite uma reação mais rá-
pida e eficiente em operações,
essencial para o sucesso das
mesmas. Quando os contin-
gentes estão familiarizados
com os procedimentos e capa-
cidades uns dos outros, a inte-
gração durante as operações
torna-se mais fluida, reduzin-
do o tempo de resposta e au-
mentando a eficácia das ações.
– Ambiente de Entendimento e
Respeito: Os treinos conjun-
tos promovem um ambiente
de compreensão e respeito
mútuo, fortalecendo as liga-
ções entre as nações parti-
cipantes. Esta camaradagem criando maior coesão. Combat Casualty Care e Ex-
não só melhora o moral das – Melhoria Contínua de Ca- plosive Ordenance Disposal,
tropas, mas também facilita a pacidades: Os exercícios de garantem que essas capaci-
comunicação e a colaboração cross-training, com foco em dades sejam constantemente
em situações de alta pressão, Close-Quarters Battle, Tatical melhoradas e adaptadas às

“Além de preparar
tecnicamente as
forças para os
desafios do campo
de batalha, esses
treinos permitem
o entendimento
entre os diferentes
contingentes,
facilitando a
cooperação
num ambiente
operacional
complexo e
multicultural.”

48
EXERCÍCIOS >>> ATUALIDADES

necessidades do terreno e das práticas permitem que os milita- eficiência operacional, mas também
operações conjuntas. A práti- res de diferentes nações adquiram prepara os contingentes para res-
ca regular não apenas reforça conhecimentos mutuamente, ali- ponder de forma coordenada a cri-
as competências existentes, nhando táticas, técnicas e proce- ses, garantindo a segurança de todos
mas também permite que as dimentos em áreas críticas como os envolvidos.
tropas se atualizem em novas Close-Quarters Battle, Tactical Em suma, os exercícios de
técnicas e tecnologias, garan- Combat Casualty Care e Explosive cross-training não são apenas uma
tindo que estejam sempre à Ordenance Disposal. Além de pre- questão de táticas, técnicas e proce-
frente das ameaças e desafios parar tecnicamente as forças para dimentos. Representam uma opor-
emergentes. os desafios do campo de batalha, tunidade valiosa para a construção
Estes fatores combinados re- esses treinos permitem o entendi- de relações duradouras e um enten-
sultam num impacto positivo nas mento entre os diferentes contin- dimento entre as forças que atuam
capacidades operacionais da mis- gentes, facilitando a cooperação em diferentes cenários operacionais.
são, aumentando as probabilidades num ambiente operacional comple- A importância destes cross-train-
de sucesso nas diversas situações xo e multicultural. ings é intemporal, uma vez que são
enfrentadas. Estes exercícios contribuem para essenciais para as operações con-
Os exercícios de cross-training a criação de um ambiente de traba- juntas entre os diferentes países. À
entre os militares portugueses e lho mais harmonioso e integrado, medida que o mundo enfrenta de-
outros contingentes no âmbito da onde as forças podem apoiar-se mu- safios cada vez mais complexos e
MINUSCA são essenciais para a tuamente em situações de risco. A multifacetados, a cooperação entre
promoção da interoperabilidade familiarização com diferentes equi- forças torna-se um fator crucial e
e do sucesso das operações. Essas pamentos e táticas não só aumenta a diferenciador. JE

* Coautores:
Tenente de Infantaria João Pereira, 15.ª Quick Reaction Force / MINUSCA
Tenente de Infantaria Tymur Hozhda, 15.ª Quick Reaction Force / MINUSCA

JE 744 > outubro 2024 >>> 49


7.ª Força Nacional Destacada/Roménia
de Operações Especiais em treino combinado com forças congéneres.
(Divisão de Comunicação do Exército)
s.
Frederica Alvarenga da Cunha

Alferes
Redatora do Jornal do Exército

Tomada de Lisboa de 1147


No início do mês de julho de 1147, iniciou-se o cerco de Lisboa,
liderado por D. Afonso Henriques, com o auxílio de Cruzados a
caminho da Terra Santa. Após três meses de intensos combates,
a cidade foi conquistada aos mouros em 25 de outubro de
1147, marcando um momento crucial na Reconquista da Península
Ibérica. Esta vitória não só consolidou o poder de D. Afonso
Henriques, mas também representou um dos poucos sucessos da
Segunda Cruzada

Castelo de São Jorge, visto da torre da couraça

L
isboa, uma cidade de grande importância estra- Desde a sua instalação em Coimbra, Dom Afonso Hen-
tégica na Península Ibérica muçulmana, foi um riques estabeleceu como objetivo estratégico avançar as
objetivo crucial para o rei português Dom Afon- fronteiras do Condado Portucalense até à linha do Tejo, al-
so Henriques. Este monarca não governava um reino em mejando conquistar os bastiões de Santarém e Lisboa. Lis-
paz, mas sim um reino em expansão, empenhado na Re- boa, além de ser um porto significativo, dominava a linha
conquista Cristã. do rio Tejo, tornando-se essencial para o avanço cristão.

52
VISÃO DA HISTÓRIA >>> CULTURA E LAZER

Mapa da Lisboa muçulmana, com a implantação dos três acampamentos de cerco. Representa-se também, aproximadamente, o
esteiro do Tejo, que entrava terra adentro

Os mouros haviam tomado in- no contexto da Segunda Cruzada. Para Dom Afonso Henriques, sem
justamente as terras cristãs durante No início de junho de 1147, um gru- esta ajuda a esperança de conquistar
a invasão muçulmana da Península po de cruzados, incluindo ingleses, Lisboa a curto prazo seria nula, pois
Ibérica no século VIII. Em 1142, uma escoceses, normandos, flamengos e havia testemunhado a impossibilida-
primeira tentativa de cerco a Lisboa alemães, chegou à foz do rio Douro, de de tomar a cidade cinco anos an-
falhou. Contudo, em 1147, após fir- desembarcando na cidade do Porto, tes, mesmo com um contingente de
mar um acordo com os Cruzados, no norte de Portugal. auxílio menor. A presença dos Cru-
Afonso Henriques decidiu atacar no-
vamente a cidade. O cerco, iniciado
em julho e prolongado por cerca de Resposta do Ancião Mouro
três meses, culminou na rendição de
Lisboa, a 25 de outubro, marcando "Vejo que tendes bom domínio da palavra; nem vos arrebata o uso dela nem ela vai mais
um capítulo decisivo na Reconquista longe do que planeastes. Uma única orientação teve em vista o vosso discurso: tomar
Cristã. a nossa cidade. Há, no entanto, uma coisa que não consigo reconhecer em vós: uma só
A conquista de Santarém no mes- floresta ou região dá para muitos elefantes ou leões viverem; para vós, porém, não basta
mo ano foi crucial para o sucesso do nem o mar nem a terra. Efectivamente, não é a necessidade das coisas que vos força,
cerco a Lisboa, fornecendo o apoio mas a ambição do espírito. Relativamente ao que anteriormente propusestes sobre a
necessário. Sem a tomada de Santa- sorte reservada a cada um, vós estais inquietos pela nossa sorte; designando a vossa
rém, o cerco a Lisboa teria sido im- ambição por zelo de justiça, trocais o nome de vícios pelo de virtudes; efectivamente,
possível, sublinhando a importância a vossa cupidez, veio tanto a terreiro que as torpezas não apenas vos agradam como
desta vitória na campanha de Dom também vos comprazem e já quase deixou de haver lugar de cura, pois, ao consumar-se,
Afonso Henriques. a infelicidade da cupidez quase já ultrapassou os limites naturais (...)"
A conquista de Lisboa contou
com o apoio vital da frota dos Cru- (tradução de Aires A. Nascimento)
zados, que se dirigia à Terra Santa

JE 744 > outubro 2024 >>> 53


zados proporcionava mais homens e expressar as suas intenções. Dom boa começou em 16 de outubro, com
recursos, tornando imperativo con- João Peculiar apelou aos mouros para os ingleses e normandos atacando
vencê-los a colaborar. O rei instruiu que se rendessem, argumentando que pelo oeste e os flamengos e escoce-
o bispo do Porto, Dom Pedro Pitões, as tropas cristãs não desejavam der- ses pelo leste. Apesar de diversos de-
a tratar esses homens "com solicitu- ramar sangue, mas estavam dispostas safios, as forças cristãs conseguiram
de, benignidade e mansidão". O bis- a atacar se necessário. Ele explicou causar danos significativos às defesas
po apelou então aos Cruzados para que, embora todos compartilhassem da cidade, utilizando engenhos como
que permanecessem, argumentando uma origem comum, os muçulma- fundas baleares e torres móveis. Fi-
que combater os infiéis na Península nos haviam tomado as terras cristãs nalmente, a determinação dos Cru-
Ibérica era tão significativo e benéfi- injustamente durante a invasão do zados levou à queda de uma parte
co para suas almas quanto as batalhas século VIII. da muralha, abrindo caminho para a
na Terra Santa. Dom João Peculiar assegurou conquista de Lisboa.
No final de junho, a Armada dos que, caso se rendessem pacificamen- Após destruírem parte da mura-
Cruzados deixou o Porto e desceu te, os mouros poderiam manter as lha, os Cruzados tentaram invadir,
a costa rumo a Lisboa, pronta para suas liberdades ou até mesmo aderir mas a topografia do local, os escom-
apoiar o cerco e contribuir para a ao Cristianismo, em conformidade bros e as defesas dos mouros torna-
crucial vitória sobre os mouros. com o IV Concílio de Toledo, que ram a tarefa impossível. Cansados e
As forças portuguesas avançaram proibia as conversões forçadas. No feridos, os flamengos recuaram para
por terra enquanto os Cruzados che- entanto, os mouros recusaram a ofer- o acampamento, permitindo que os
garam por mar, penetrando na foz ta dos cristãos. normandos tentassem assumir o seu
do rio Tejo e avançando em direção Os líderes cruzados reuniram-se lugar. No entanto, a rivalidade entre
a Lisboa. Entre os representantes do com o rei para planear então o cerco os Cruzados veio à tona quando os
Exército luso-cruzado, encontravam- da cidade. Os primeiros confrontos ingleses foram impedidos de atacar,
-se o arcebispo de Braga, Dom João ocorreram no bairro dos moçárabes, pois os chefes flamengos alegavam
Peculiar, e o bispo do Porto, Dom Pe- onde se situa a atual Mouraria. As que a conquista da brecha era mérito
dro Pitões. defesas da cidade mostraram-se ro- deles.
Ao chegar às muralhas da cidade, bustas, e o cerco prolongou-se, com Depois de dias de ataque sem su-
foi estabelecido um período de tré- constantes ataques e contra-ataques. cesso, os ingleses finalizaram a cons-
guas para que os cristãos pudessem O ataque final às muralhas de Lis- trução da sua torre, protegida com

Descrição de Lisboa pelo cruzado Raúl de Glanville

"É o Tejo um rio remansoso que desce da região de Toledo; nas suas margens no tempo da Primavera, quando se recolhe ao leito, encontra-
-se ouro e é também tão grande a abundância de peixes que os habitantes acreditam que dois terços do rio é de água e um terço de peixes.
(...) A norte do rio, no topo de um monte redondo, fica a cidade de Lisboa, cujas muralhas descem em socalcos até à margem do rio Tejo,
dele ficando separadas apenas por um pano de muralhas que assentam no chão. No momento da nossa chegada era a mais rica e opulenta
em provisões de toda a África e de grande parte da Europa. (...)
Os seus territórios, no perímetro em redor, se forem comparados com os melhores não ficam atrás de nenhum, pela fartura dos produtos
do solo, se atendermos à produtividade quer das árvores quer das vinhas. É rica em qualquer mercadoria seja de artigos de luxo seja de
uso corrente. Tem ouro e prata e nunca faltam produtos de ferro. Predomina a oliveira. (...)
Por outro lado, ao tempo da nossa chegada, a cidade, incluindo os subúrbios em volta, contava com 60 000 famílias que pagavam tributo,
a que se somavam os homens livres isentos de impostos. O cimo do monte é cingido por uma muralha em redondo e tanto da esquerda
como da direita as muralhas da cidade descem em declive até à margem do Tejo. Os arrabaldes ficam albergados sob as muralhas, a modo
de bairros recortados nas rochas, de tal forma que cada bairro se toma por castelo bem fortificado, tais são os obstáculos de que está
rodeado. Tem mais população de que se poderia imaginar, pois, como depois de tomarmos a cidade pudemos saber do alcaide, ou seja,
do governador, chegou esta cidade a ter 154 000 homens, sem contar crianças e mulheres, se bem que incluindo nesse número as pessoas
do castelo de Santarém que neste ano foram expulsas desse castelo e ali moravam como recém-chegados e bem assim todos os nobres de
Sintra, Almada e Palmela, além de muitos mercadores vindos de todas as regiões de Espanha e de África. Embora sendo tantos, apenas
tinham 15 000 de armas, com lanças e escudos e com elas saíam a combater ora uns ora outros, segundo plano estabelecido pelo alcaide.
Os edifícios formam aglomeração tão apertada que dificilmente se conseguirá encontrar ruas com mais de oito pés de largura a não ser
nas dos mercadores. Razão de tamanha aglomeração era que não havia entre eles nenhuma forma de entrave, pelo que cada um se dava a
lei que queria, de tal modo de todas as partes do mundo, os maiores viciados para aí convergiam como para uma sentina, viveiro de toda
a licenciosidade e imundície."

(tradução de Aires A. Nascimento)

54
VISÃO DA HISTÓRIA >>> CULTURA E LAZER

Pormenor do quadro de Roque Gameiro, sobre a torre de assalto inglesa existente prometeram respeitar as regras.
no Museu Militar de Lisboa No dia 25 de outubro de 1147, o
Rei Dom Afonso Henriques entrou
na cidade com os seus homens, mar-
cando a conquista de Lisboa.
O cerco de Lisboa destaca-se na
História Militar da Idade Média por
diversos motivos. A longa duração do
assédio, a participação de contingentes
de várias nacionalidades - nem sempre
de forma harmoniosa -, o uso de di-
ferentes armas de cerco, a disposição
das tropas e os movimentos estratégi-
cos para alvos periféricos fazem desta
conquista um exemplo notável da po-
liorcética e do combate medievais.
Em Portugal, algumas datas per-
manecem eternamente marcadas
na nossa História, como o dia 25 de
outubro de 1147. Nesta data, Dom
Afonso Henriques conquistou Lis-
boa, um feito que o consolidou como
uma das figuras mais emblemáticas
do país. É importante salientar que,
após a queda de Lisboa, as localida-
des vizinhas de Sintra e Palmela en-
tregaram os seus castelos aos portu-
gueses, reforçando e consolidando
a linha do Tejo. Este fortalecimento
permitiu um avanço mais rápido
e progressivo para o sul, tanto por
Dom Afonso Henriques quanto pelos
reis que o sucederam. JE

Discurso de Dom João Pecuiar


aos mouros de Lisboa
peles de boi húmidas para evitar in- pelos Cruzados. Nos dias seguintes, os
cêndios, e prepararam-se para atacar mouros tentaram sem sucesso atingir "(...) Nós, pela nossa parte, não vimos
o lado ocidental. No dia 19 de outu- os Cruzados com tiros de balista. A a esta cidade para vos lançar fora
bro, os Cruzados assistiram à missa e sorte começou a favorecer os ingleses, daqui nem para vos espoliar. Uma
ouviram as exortações finais antes do que no dia 21 de outubro aproxima- coisa tem, efetivamente, sempre
assalto definitivo. ram a torre móvel da muralha para consigo a inata benignidade dos
A torre de assalto foi inicialmente lançar a ponte e invadir as defesas. cristãos, é que, embora reivindique
movida para junto da Torre da Escri- Os mouros, percebendo a derrota o que é seu, não rouba o alheio. O
vaninha, mas, devido à forte defesa, iminente, pediram tréguas, que foram território desta cidade reivindicamo-
foi reposicionada perto de uma das concedidas pelos negociadores de am- lo como sendo nosso por direito: e, por
portas que dava acesso ao Tejo, hoje bos os lados. No entanto, a entrada certo, se em vós alguma vez tivesses
conhecida como Arco Escuro. Ar- pacífica na cidade foi interrompida medrado a justiça natural, sem vos
queiros e besteiros ingleses dispara- quando os flamengos e escoceses, de fazerdes rogados, com as vossas
ram contra os defensores, obrigando- forma traiçoeira, começaram a sa- bagagens, com haveres e pecúlios, com
-os a recuar. quear, matar e violar, desrespeitando o as mulheres e crianças, vos poríeis a
Apesar dos desesperados esforços compromisso assumido. Os líderes fla- caminho da terra dos mouros de onde
dos mouros para destruir a torre, esta mengos, envergonhados, conseguiram viestes, deixando a nossa para nós.
resistiu e os atacantes foram repelidos finalmente controlar os seus homens e (...)"

(tradução de Aires A. Nascimento)


Fonte: Conquista de Lisboa 1147; Barbosa, Pedro Gomes da editora Tribuna da História

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56
CULTURA E LAZER

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José Santos

Sargento-Chefe de Administração Militar


Colaborador do Jornal do Exército

Salvas de Artilharia

O
atual Regulamento de Continências e Honras Art.º 89.º As entidades a quem são prestadas estas hon-
Militares, no que diz respeito às salvas de arti- ras recebem-nas de pé, em continência, ou descobertas,
lharia, estabelece: quando trajando civilmente.
Art.º. 87.º - 1 - As salvas de artilharia atribuídas às en- Art.º 90.º As fortificações marítimas ou baterias encar-
tidades a quem se presta essa honra, quando superiormente regadas de prestar as honras do porto correspondem, tiro
tal for determinado, são as que constam do quadro B do por tiro, às salvas dos navios de guerra.
presente capítulo. Art.º 91.º As fortificações marítimas ou baterias salvam
2 - Em terra, só se efetuam à chegada das entidades. com vinte e um tiros quando passar ou fundear navio con-
Arº 88.º A bordo dos navios de guerra, as salvas que duzindo o Presidente da República, trazendo içado o res-
competem às diferentes categorias e as condições em que se petivo distintivo ou quando, fundeado, içar esse distintivo.
efetuam são as indicadas na Ordenança do Serviço Naval. *****

58
NA SENDA DAS TRADIÇÕES MILITARES >>> CULTURA E LAZER

A maior parte dos historiado- Galego ao portaló, disse-lhe, que o seu números ímpares foram escolhidos
res parece concordar que os tiros de General desejava saber a razão, por- porque, na época, os números pares
peça de artilharia terão surgido como que entrando naquele Porto, não aba- indicavam a morte 2.
uma tradição naval no final do século tera a Bandeira, nem salvara a Esqua- Com o aumento da qualidade
XVI. Os vasos de guerra que se deslo- dra de Sua Majestade? da pólvora naval, através da utiliza-
cavam a um porto estrangeiro dispa- ção de nitrato de potássio, as honras
*****
ravam todas as suas armas para mos- prestadas no mar foram aumentadas
trar que estas ficavam vazias. Dado Por Alvará de 10 de junho de para corresponder às de terra. Vinte
que o navio não teria tempo suficien- 1618, foi regulada a etiqueta das Ar- e um disparos tornaram-se a sauda-
te para recarregar antes de se encon- madas Reais do reino, já sob jurisdi- ção honorífica de maior valor, embo-
trar ao alcance das baterias em terra, ção Filipina, determinando para os ra durante algum tempo as monar-
ficava demonstrando claramente as navios da Armada de Portugal: quias recebessem mais salvas do que
suas intenções amigáveis. Num texto (…) devendo as de Portugal, quan- repúblicas.
referente a 1546, pode ler-se 1: do encontrarem esta (Armada de Alto Com a restauração da indepen-
De Sagres partiu para o Mediter- Mar), ou a Almirante, na sua ausên- dência, Portugal estabeleceu acordos
râneo, e nos mares de Levante se de- cia, abater o Estandarte, e salvar com com as principais potências navais.
morou três anos, em que deu muitos quatro peças, a que aquela correspon- Assim em 10 de julho de 1670, Por-
combates a Turcos, e Mouros, e fez derá com duas, tornando só depois a tugal e França acordaram as salvas e
muitas, e boas presas; e voltando rico levantar o seu estandarte. cortesias que reciprocamente os na-
para Portugal, entrou em Cádis a fa- vios de Guerra destes países deviam
*****
zer água, em ocasião que estava surto executar nos respetivos portos:
naquela Bahia, o Conde Pedro Navar- De referir que esta numeração par (...) que SM Portuguesa mandas-
ro com uma Esquadra de Galés. Pedro passará a ímpar sendo, provavelmen- se dar ordem aos Governadores das
Galego, ignorando as cortesias navais te, uma adaptação ao sistema de nu- torres e fortes de seus Reinos para que
usadas naquela época, não abateu meração de salvas atribuído a Samuel entrando neles o Almirante de França
a Bandeira nem salvou a Capitânia Pepys (1633-1703), secretário da Ma- respondessem tiro por tiro á cortesia
de Espanha, de que sentido o Conde, rinha britânica, como uma maneira que a armada francesa lhes fizesse, do
mandou hum Oficial a reconhecer o de economizar no uso de pólvora. mesmo modo por que se respondera a
navio. Este, chegando á fala, pergun- A regra até então era de que fossem ela e ao Almirante Inglês em Cádis, na
tou pelo Comandante, e vindo Pedro disparados todos os canhões. Os certeza de que nos portos d’El-rei Cris-
tianíssimo os Almirantes de Portugal e
de Castela receberiam o mesmo trata-
mento (...) 3.
*****
Curiosamente, estes acordos vo-
gavam ao sabor das boas relações
existentes entre as nações. Assim, na
Ordenança da Marinha de 1689 do
rei francês Luiz XIV, onde são deter-
minadas as salvas a utilizar nas diver-
sas situações, determina:
2.° As naus do Rei, levando ban-
deira, e encontrando as dos outros
Reis, levando bandeiras iguais às suas,
exigirão a salva destas, em quaisquer
mares e costas que se faça o encontro;
o que se praticará também no encon-
tro de nau a nau, ao que os estrangei-
ros serão constrangidos pela força, se
recusarem fazê-lo 4.
*****
Esta terá sido a razão que levaria
o nosso rei D. João V a ordenar, em
31 de março de 1722, aos seus capi-
tães que:
Se encontrardes navios France-
ses, vós saudareis o navio Almirante

JE 744 > outubro 2024 >>> 59


que todas as que levarem Galhardetes
serem recebidas as salvas com quatro
tiros menos, como presentemente se
pratica.
*****

Em terra, a Ordem de 23 de no-


vembro de 1763 estabelece que quan-
do “El Rei passar pela linha dará três
descargas a artilharia, assim no Par-
que como nas Baterias”. Curiosamen-
te, no nosso Regimento Provisional
para serviço e disciplina da Armada,
de 1796, é mencionada a realização
de salvas de 21 tiros em homenagem
às datas de aniversário da família
real.
Aquando da visita a bordo da mo-
narquia, contempla continência com
com sete tiros, e quando algum Co- ponder as Naus da minha Armada armas, gritos e colocação de mari-
mandante Francês vos quiser obrigar Real, para cessar por uma vez todo nheiros sobre as vergas. Alguns anos
a salvá-lo, se vós o não deveis fazer, o embaraço que poderia acontecer a mais tarde, em 1807, aquando da
responder-lhe-eis imediatamente com este respeito: Sou servido estabelecer o partida da Família Real para o Brasil,
uma banda d’artilharia e de mosque- seguinte: encontramos a seguinte referência:
tearia, por ser certo que o Comandan- Que quando passar pelas ditas Eles passaram pela Esquadra Bri-
te Francês depois de ter exigido a sal- Fortalezas Nau, que leve a Insígnia de tânica e os navios de S. M. salvaram
va não cederá a nenhuma razão sem que nela vai Capitão General d’Arma- com 21 peças, o que foi respondido
combate, e que toma este pretexto para da, se lhe faça a salva com quinze tiros com igual número 8.
romper convosco 5. de canhão antes da mesma Nau salvar, *****
***** a qual deve receber a salva com outro
igual numero de tiros: Que todas as Em 1846 é publicado o “Regula-
Nas honras prestadas à realeza mais Naus devem salvar primeiro as mento para as salvas de artilharia nas
nacional, em 1727, encontramos al- Fortalezas com declaração que as que praças de guerra, em outras fortifica-
guns dados sobre o número de salvas tiverem Bandeira quadrada no topo ções, e nas grandes paradas”, que de-
que lhes eram devidas: do mastro de Proa, ou de Mezena, se fine três tipos de salvas:
Viram depois as duas quintas de lhe deve receber a salva com número – De regozijo
António Kremer, em uma das quais de peças iguais as com que as mesmas – De honra ou continência
recebeu a Rainha, e mais pessoas Naus salvarem: Que as que tiverem – De funeral
reais, com uma salva de nove peças de cornetas se lhe receberá a Salva com No caso das salvas de honra são
artilharia 6. dois tiros menos aos que salvarem; E determinadas salvas de 21 tiros a
*****

E aquando do casamento da in-


fanta Maria Bárbara com o Príncipe
das Astúrias D. Fernando, em 11 de
janeiro de 1728:
…e disparou toda a Artilharia do
Castelo e fortificações da Cidade e
Torres, como também de todos os na-
vios três vezes 7.
*****

É assim que, por Decreto de 2 de


abril de 1762 é determinado:
Sendo-me presente a confusão e
falta de Ordens que há nas Fortalezas
das barras destes Reinos, respetivas
às Salvas que devem receber e corres-

60
NA SENDA DAS TRADIÇÕES MILITARES >>> CULTURA E LAZER

executar para saudar os reis, prínci-


pes e infantes, o cardeal patriarca, aos
arcebispos e bispos, sendo que estes
últimos só eram saudados quando
passassem pela primeira vez junto às
praças ou fortalezas das suas dioce-
ses. Ao ministro da guerra era conce-
dida uma salva de 19 tiros, aos outros
ministros uma salva de 17 tiros. Aos
marechais do Exército, ao entrarem
em praças de guerra, uma salva de 15
tiros. Para os oficiais generais, temos:
Art.º. 7.º §1.º Comandando exér-
cito = entrando em praças de
guerra, ou em grande parada,
dar-se-á uma salva de 13 tiros.
§2.º Comandantes das divisões mi-
litares = Entrando em alguma
praça de guerra da sua respecti-
va divisão militar, dar-se-á uma
salva de 13 tiros.
§3.º Comandante geral do corpo
de engenheiros, de artilharia,
e inspetores de outras armas =
entrando em praça de guerra Posteriormente, em 1866, é *****
para exercer atos do seu coman- determinado: Acrescentando ainda, mais à
do, ou inspeção, ou em revista “Quando o rei, rainha ou regen- frente:
onde concorra artilharia de te passar pelo mar à vista dos navios Enquanto o rei, rainha ou regen-
campanha, dar-se-á uma salva da esquadra, em todos eles subirão as te estiver a bordo de qualquer na-
de 13 tiros. guarnições às vergas, embandeirarão vio, este não correspondera a salva
§4.º Governadores de praça = a nos topes, e salvarão com vinte e um alguma 9.
primeira vez que entrarem na tiros, apenas se distinguir o estandarte
praça do seu governo, dar-se-á *****
real.”
uma salva de 11 tiros. A implantação da República man-
Art.º 8.º Quando o sagrado Viático *****
teve estas tradições e o seu primeiro
sair processionalmente, e passar E ainda: Regulamento de Honras e Continên-
por alguma bateria artilhada, Se o rei, rainha ou regente subir a cias determinava:
dar-se-á uma salva de 7 tiros algum dos navios, o comandante irá Quando o Presidente da Repúbli-
como é costume. recebê-lo ao último patim da escada, ca visitar uma localidade onde haja
Art.º 9.º Nas fortificações maríti- içando-se o estandarte real no tope guarnição militar ou um campo de
mas corresponder-se-á aos na- grande; e ao retirar-se arriar-se-á o es- instrução, as tropas da guarnição ou
vios de guerra com uma salva tandarte real; as cornetas ou tambores ali estacionadas formarão à sua pas-
de igual número de tiros com tocarão a marcha; as guarnições repeti- sagem, na sua máxima força. Haven-
que os mesmos navios salvarem. rão os sete vivos, dando todos os navios do artilharia, esta dará uma salva de
***** uma segunda salva de vinte e um tiros. 21 tiros 10. JE

1
QUINTELLA, Ignacio da Costa - Annaes da marinha portugueza, Volume 1, Typ. da Academia das Ciências de Lisboa, 1839, pp. 437-38.
2
TPERRIN, W. G. – Boteler’s Dialogues, vol. 65, Navy Recordos Society, Londres, 1929, pp. 267-268.
3
Academia Real das Sciencias. Quadro elementar das relações políticas e diplomaticas de Portugal: com as diversas potencias do mundo, desde o principio da
monarchia portugueza até aos nossos dias. Volume 4, Parte 2, J. P. Aillaud, 1844, p.640.
4
SOARES, Joaquim Pedro Celestino - Quadros navaes: t. 1. Folhetins.- pts. 2, t. 2-3. Epopéia.- t. 4 Additamentos aos Quadros navaes, Volume 1, Edição 2,
Impr. Nacional, 1861, pp. 202-03.
5
Academia Real das Sciencias. Quadro elementar das relações políticas e diplomaticas de Portugal: com as diversas potencias do mundo, desde o principio da
monarchia portugueza até aos nossos dias. Volume 7, J. P. Aillaud, 1865, p. 306.
6
CONCEIÇÃO, Cláudio da - Gabinete historico: Tomo VII. Na Impressão regia, 1820, p. 279.
7
CONCEIÇÃO, Cláudio da - Gabinete historico: Tomo I, Na Impressão regia, 1818, p. 313.
8
HIPOLITO, José da Costa - Correio braziliense, ou Armazém literário, Volume 1, Correio Braziliense, 1808, p. 28.
9
Ordenança Geral da Armada portuguesa de 1866.
10
Ordem do Exército nº17, 1ª Série, 15 de julho de 1914, p. 1020.

JE 744 > outubro 2024 >>> 61


Revista Militar

A Revista Militar é lançada periodica- que surgem com os seguintes títulos:


mente desde 1848, sendo especializa- “Luis Vaz, um homem de contradições”,
da em temáticas militares, tais como “Camões e a Instituição Militar”, “Ca-
ciência, técnica e participação militar mões Soldado”, “Os Lusíadas, poema de
nacional, incluindo Exército, Marinha Guerra e de Amor”, “A Guerra em Os
e Força Aérea, bem como a sua apli- Lusíadas”, “Memórias de um esforço”,
cação à sociedade portuguesa. Nesta entre outros.
revista vemos tratados diversos temas,

Revista Militar, n.º 2671/2672, agosto e setembro de 2024

Ejército

A revista EJÉRCITO tem como objeti- temas como: “Dez anos de Serviço,
vo abordar temas militares facilitando Compromisso e Dever – uma década
de maneira bastante coerente a liga- de desafios”, “A Força Terrestre e a sua
ção entre o Exército e a sociedade para contribuição ao Exército 35” e “O Ini-
uma maior participação na cultura de migo que não vemos: o Governo Talibã
Defesa. Nesta revista bimestral vemos 2001-2021”.

Ejército, n.º 991, julho a agosto de 2024

Mais Alto

A revista Mais Alto é a revista bimes- tugal, de Camões e das Comunidades


tral oficial da Força Aérea Portuguesa. Portuguesas”, Exercício Real Thaw e
Aborda atividades, eventos e outros Hot Blade 2024”, “A génese da asa ro-
assuntos de interesse aeronáutico rela- tativa na Força Aérea” e outros artigos
cionados com a Força Aérea. Esta re- de divulgação.
vista inclui temas como: “Dia de Por-

Mais Alto, n.º 469, junho de 2024

62
LIVROS E REVISTAS >>> CULTURA E LAZER

Défense et Sécurité Internationale (DSI)

A revista Défense et Sécurité Interna- Europa”, “O desafio de uma escalada


tionale aborda conteúdos relacionados em força”, “Uma NATO sem Estados-
com a defesa e segurança a nível inter- -Unidos”, “O nuclear omnipresente”
nacional. Nesta revista bimestral vemos “Os orçamentos sob signo de incerteza”,
tratados diversos temas, que surgem entre outros.
com os seguintes títulos: “Defender a

Défense et Sécurité Internationale (DSI), n.º 97, agosto a setembro 2024

“Timor autópsia de uma tragédia” - de Luís


Filipe F. R. Thomaz

O Livro Timor autópsia de uma tragédia livro faz referência a temas como a re-
é uma obra que analisa detalhadamen- sistência local, a intervenção estrangei-
te os acontecimentos em Timor-Leste ra e as consequências políticas e sociais
desde a Revolução dos Cravos em 25 de da transição para a independência.
Abril de 1974 até ao final de 1976. Este

ALuís Filipe F. R. Thomaz, Timor autópsia de uma tragédia, janeiro de 1977

“Povô Flogá - O povo brinca - Folclore de São


Tomé e Príncipe” de Fernando Reis

O Livro Povô Flogá - O povo brinca - Tomé e Príncipe. É uma coletânea de


Folclore de São Tomé e Príncipe é uma histórias, lendas danças e músicas que
obra que analisa detalhadamente o refletem a rica herança cultural de São
folclore e as tradições culturais de São Tomé.

Fernando Reis, Povô Flogá - O povo brinca, Câmara Municipal de São Tomé, 1969

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64
CULTURA E LAZER

JE 744 > outubro 2024 >>> 65


Exército Português participou no I Triatlo de
Serpa. A Equipa de Triatlo do Exército participou no I Triatlo
de Serpa, no qual foi disputada a 5.ª etapa da Taça de Portugal
de Triatlo, no formato Sprint. Esta prova teve início na Barra-
gem da Lage, com o segmento de natação realizado numa volta,
seguindo-se o ciclismo, num percurso em linha até à cidade de
Serpa, onde os triatletas fizeram a transição para a corrida que
se desenrolou em duas voltas pelas ruas da cidade. Na prova, as
duas atletas femininas do Exército subiram ao 3.º lugar do pódio.

Militares do Exército participam na maior marcha do Mundo. Quatro militares do Exército mar-
caram presença na 106.ª edição da Marcha dos Quatro Dias, em Nijmegen, nos Países Baixos, evento que contou com a
participação de 44.626 pessoas, oriundas de mais de 70 países. A prova consistiu na realização de quatro percursos pe-
destres de 40 km, no tempo limite de 12 horas e trinta minutos por dia, totalizando 160 km, os quais foram percorridos
transportando um peso mínimo de 10 kg. O evento foi criado em 1909, com o objetivo de promover a robustez física dos
militares do Exército Holandês, através de marchas de longas distâncias, durante quatro dias consecutivos. Rapidamente,
a iniciativa transcendeu o seio militar, tornando-se na marcha com o maior número de participantes do planeta.

Encerramento dos Jogos Olímpicos 2024. Chegou


ao fim a 33.ª Edição dos Jogos Olímpicos, evento marcado pela
melhor participação portuguesa olímpica de sempre, alicerçada
no esforço de 73 atletas nacionais, os quais, com a sua dedica-
ção e resiliência, entusiasmaram e comoveram toda uma Nação,
materializando o verdadeiro espírito olímpico. Com esta par-
ticipação, a delegação portuguesa conquistou quatro medalhas
e 14 diplomas olímpicos, superando o resultado alcançado em
Tóquio 2021. É com um sentimento de enorme orgulho e de
grande satisfação que o Exército felicita todos os atletas olímpi-
cos portugueses, pela participação e pelos resultados alcançados,
os quais contribuíram para elevar o nome de Portugal no maior
palco desportivo do mundo.

66
O EXÉRCITO E O DESPORTO >>> DESPORTO E SAÚDE

Exército apadrinha Prémio 'Espírito de Sacrifí-


cio' na 85.ª Volta a Portugal em Bicicleta. O 2.º Co-
mandante do Regimento de Paraquedistas, Tenente-Coronel Pais
dos Santos, entregou o prémio “Espírito de Sacrifício” ao ciclista
Henrique Casimiro, durante a cerimónia de encerramento da 85.ª
Volta a Portugal em Bicicleta. Criado em 2005, o prémio “Espíri-
to de Sacrifício” é concedido ao ciclista que se destacou, pelo seu
percurso de carreira ou por atos de superação na atual edição da
prova, pelo seu empenho, capacidade de combatividade, abnega-
ção e coragem, valores intrínsecos às Tropas Paraquedistas, ma-
terializados na sua divisa "QUE NUNCA POw R VENCIDOS
SE CONHEÇAM". O Exército felicita o Henrique Casimiro pela
sua carreira, ele que será lembrado como uma das grandes figu-
ras do ciclismo nacional e um dos ciclistas mais considerados do
pelotão português.

Pedala Portugal - Bike Tour Lisboa - Oeiras. Pelo


oitavo ano consecutivo, o Bike Tour, este ano designado “Pedala
Portugal – Bike Tour Lisboa – Oeiras”, juntou milhares de pes-
soas de todas as idades para um passeio de 12 km, com o objetivo
de promover o uso da bicicleta como meio de transporte urbano
e como um estilo de vida saudável. O Exército marcou presen-
ça neste evento, dedicado ao universo das bicicletas, com a sua
Equipa de Ciclismo e com uma recriação histórica das Unidades
de Ciclistas, homenageando a memória e os feitos dos homens
que integraram o Corpo Expedicionário Português, durante a
Primeira Grande Guerra. À tarde decorreu a primeira etapa da
Volta à Espanha em Bicicleta, evento mundialmente conhecido
por "La Vuelta", o qual foi abrilhantado pela Equipa “Falcões Ne-
gros” do Exército, através de um momento sempre marcado pela
espetacularidade de quem assiste e pela bravura dos militares
que rasgam os céus, em nome de Portugal e dos Portugueses.

Militar do Exército sagra-se Campeão Mun-


dial de Taekwondo Songahm. O Capitão de Infanta-
ria Pedro Sousa, a prestar serviço no Comando Conjunto para
as Operações Militares, representou Portugal no Campeonato
Mundial de Taekwondo, sagrando-se Campeão Mundial nas
categorias de Traditional Forms e Traditional Weapons. O
Exército Português felicita o atleta pelos títulos conquistados,
tendo o seu empenho, compromisso e profissionalismo sido
essenciais para uma performance excecional, que tanto orgu-
lha o nosso País.

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Comemorações do 214.º
Aniversário do Cerco de Almeida
O Exército participou nas Comemorações do 214.º
Aniversário do Cerco de Almeida, que tiveram lugar em 1
de setembro. A cerimónia, presidida pelo Vice-Chefe do
Estado Maior do Exército, Tenente-General Maia Pereira,
contou com a presença do Presidente da Câmara Municipal
de Almeida, Engenheiro António Machado, e do presiden-
te da Associação Napoleónica Portuguesa, Engenheiro José
Silva, entre outras entidades civis e militares. O programa
comemorativo incluiu a Cerimónia de Homenagem aos
Mortos, no Memorial às vítimas das explosões dos paióis em
26 de agosto de 1810, e a deposição de uma coroa de flores
no túmulo do sobrinho do Marechal Beresford. As come-
morações integraram ainda uma Missa, momentos musicais
e exposições, entre outras atividades.
O Cerco de Almeida ocorreu entre 15 e 28 de agosto de
1810, no início da Terceira Invasão Francesa. A praça-
-forte de Almeida, localizada na fronteira entre Portugal e
Espanha, era uma posição estratégica essencial para a defesa
do território português e estava sob o comando do Coronel
William Cox. As forças sitiantes francesas constituíam o VI
Corpo de Exército, liderado pelo Marechal Michel Ney. A 26
de agosto, uma forte explosão no paiol deixou a praça sem
meios de defesa, obrigando Cox a aceitar a capitulação e a
entregar a praça aos franceses no dia 28 de agosto.

50.º Aniversário do Estado-Maior-General das Forças Armadas


Comemorou-se, em 3 de setembro, o 50.º Aniversário do Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA). A ce-
lebração do dia festivo do EMGFA e do seu patrono, o Condestável Nuno Álvares Pereira, São Nuno de Santa Maria,
decorreu posteriormente, nos dias 9 e 10 de novembro, em Vila Viçosa, e incluiu, entre outros eventos, um Concerto
da Banda de Música da Força Aérea, acompanhada pelo “Grupo de Vozes do Alentejo”, uma Celebração Eucarística, no
Santuário de Nossa Senhora da Conceição, e uma Cerimónia Militar.
Enquanto órgão superior militar, o EMGFA tem por missão garantir a defesa militar da República, contribuir para a
segurança nacional e internacional e apoiar o desenvolvimento e o bem-estar das populações, tendo como divisa "QUE
QUEM QUIS SEMPRE PÔDE".

68
ACONTECIMENTOS

Regimento de Artilharia n.º 4 recebe


utentes de Centro Social Paroquial
O Regimento de Artilharia n.º 4, em Leiria, recebeu nas suas ins-
talações 11 utentes do Centro Social Paroquial dos Pousos, acom-
panhados dos seus cuidadores, tendo os militares do RA4 pro-
porcionado aos idosos um conjunto de atividades de cariz militar,
marcadas pela alegria e boa disposição. Para além de participarem
em diversas atividades lúdicas, os visitantes tiveram a oportunidade
de realizar um circuito de orientação pedestre e de contactar com
as viaturas e equipamentos do encargo operacional do Regimento,
terminando o dia com uma demostração de luzes e sons. O even-
to proporcionou aos participantes uma experiência enriquecedora,
promovendo a valorização da condição sénior e fortalecendo os la-
ços entre a comunidade Leiriense e o Regimento, sublinhando o
compromisso do Exército no apoio aos cidadãos e às Instituições
mais carenciadas.

Contingente Português no 80.º


Aniversário da Revolta Nacional
Eslovaca
A 1.ª Força Nacional Destacada na Eslováquia, representada pelos
militares do Pelotão de Carros de Combate, integrados no NATO
Multinational Battlegroup in Slovakia, marcou presença na ceri-
mónia do 80.º Aniversário do Slovak National Uprising.
A Revolta Nacional Eslovaca foi uma insurreição armada, lançada
em 29 de agosto de 1944, na cidade de Banská Bystrica, organizada
pelo Movimento de Resistência Eslovaco, contra o governo apoiado
pelo Regime Nazi, durante a Segunda Guerra Mundial.

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Arganil distingue Comandante do
Exército
No dia 7 de setembro, o Chefe do Estado-Maior do Exército,
General Eduardo Mendes Ferrão, foi agraciado com a
Medalha de Ouro do Concelho de Arganil, a mais alta dis-
tinção concedida pelo Município, no âmbito das celebrações
dos seus 910 anos de história, numa sessão solene presidida
pelo Ministro da Presidência, Doutor António Leitão Amaro.
A distinção reconhece o contributo do General Eduardo
Mendes Ferrão para o prestígio e desenvolvimento do
Concelho de Arganil. Dirigindo-se aos presentes e à popula-
ção arganilense, o General Eduardo Mendes Ferrão manifes-
tou a mais sentida honra pela distinção atribuída, enaltecendo
a influência exercida pelas suas raízes familiares, intimamente
ligadas a esta região. “Nunca esquecerei as minhas raízes, e
sempre servirei o meu país, tal como fizeram todos aqueles
cidadãos anónimos, cuja coragem, patriotismo, espírito de
sacrifício, generosidade e sentido de bem servir nos forjaram
como Nação!”

Homenagem aos 25 militares mortos


no incêndio na Serra de Sintra
No dia 7 de setembro, o Regimento de Artilharia Antiaérea n.º 1
prestou homenagem aos 25 militares do Regimento de Artilharia
Antiaérea Fixa que em 1966 faleceram, durante o combate ao vio-
lento incêndio que devastou a Serra de Sintra.
O Alto do Pico do Monge foi palco de uma cerimónia contida mas
sentida, presidida pelo Diretor Honorário da Arma de Artilharia,
Tenente-General Morgado Baptista, e presenciada por diversas en-
tidades, civis e militares, na qual os 25 homens foram lembrados
pelo derradeiro sacrifício cometido no cumprimento da sua mis-
são, na defesa da População e do Património Nacional.
Ali perto, no local assolado pela tragédia, há 58 anos, foram de-
positadas flores junto a 25 ciprestes, cada um deles plantado em
memória de cada uma das vidas perdidas.
"A serra vos deu a morte, que ela vos dê a imortalidade merecida."

70
ACONTECIMENTOS

Exército na Conferência Nacional


de Observação da Terra
Decorreu nos dias 12 e 13 de setembro, na Universidade do
Minho, a Conferência Nacional de Observação da Terra, or-
ganizada pela Agência Espacial Portuguesa e pela Escola de
Engenharia da Universidade do Minho. O evento, que reu-
niu mais de 200 participantes, promoveu debates sobre temas
como monitorização atmosférica, vigilância dos oceanos, no-
vas tecnologias e satélites.
O Exército teve uma participação significativa nesta confe-
rência, com a presença de três militares, dois como orado-
res, nas palestras "Deteção de Alterações para Atualização da
Cartografia" e "Geospatial Intelligence - GEOINT". As suas in-
tervenções sublinharam a importância da observação terrestre
para a produção de cartografia e a obtenção de inteligência
geoespacial, ferramentas cruciais para as operações militares
no contexto atual, assim como a crescente importância da co-
laboração entre as áreas militar e científica, destacando o pa-
pel estratégico da observação da Terra na Segurança e Defesa
do País. O Diretor do Centro de Informação Geoespacial do
Exército, Coronel Teodoro, participou num painel de discus-
são, abordando a aplicação das tecnologias espaciais na Defesa
Nacional e na monitorização territorial.
A presença do Exército no evento evidenciou a crescente in-
tegração das capacidades de observação da Terra nas ativida-
des de Defesa, reforçando a colaboração entre as áreas militar,
científica e industrial para responder a desafios de Segurança e
Desenvolvimento Tecnológico.

Exército aponta o caminho das


estrelas
O Centro de Informação Geoespacial do Exército
(CIGeoE) participou em mais uma edição do Programa
Ciência Viva no Verão em Rede, uma iniciativa do
Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. Esta
iniciativa, em que o CIGeoE é participante assíduo desde
1999, contribuindo com a partilha de experiência e co-
nhecimento, tem como objetivo a promoção da cultura
científica e tecnológica, em especial nas gerações mais
jovens.
No ano em que se assinalam os 25 anos do seu observató-
rio astronómico, o CIGeoE organizou um conjunto alar-
gado de atividades, atraindo mais de uma centena de par-
ticipantes, através de sessões de observação astronómica
para crianças, que tiveram oportunidade de aprender os
conceitos básicos de astronomia e de observar imagens
únicas, captadas pelo nosso telescópio. Estas atividades
contaram com o apoio de especialistas em astronomia,
que contribuíram para abrilhantar os eventos, com todo o
seu saber e experiência, permitindo aos jovens participan-
tes mergulhar no vasto oceano cósmico, rumo às estrelas.

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Dia do Comando da Logística
Assinalou-se, em 14 de setembro, o Dia do
Comando da Logística, cuja missão está
centrada nos domínios da Administração
dos Recursos Materiais, de Movimentos e
Transporte e Infraestruturas.
Para assinalar a efeméride, o Comando da
Logística, em parceria com a Câmara Municipal
de Oeiras, realizou o 3.º Encontro de Artes, um
evento para todas as idades, que incluiu uma
exposição de quadros pintados por artistas
convidados e uma feira de produtos regionais
do Concelho de Oeiras, finalizando o dia com
um momento musical, proporcionado pela
Orquestra Ligeira do Exército.

317.º Aniversário dos Dragões


de Olivença
O Regimento de Cavalaria n.º 3 comemorou, em 15 de se-
tembro, o seu 317.º aniversário, tendo a efeméride sido assi-
nalada através de um conjunto de atividades que tiveram iní-
cio no Museu Militar de Elvas, com a 20.ª edição da Marcha
a Cavalo, entre Elvas e Estremoz, percorrendo uma distância
total de 55 km. As celebrações incluíram, ainda, o 6.º Passeio
de Automóveis Clássicos e o 2.º Passeio de Motorizadas
Clássicas, com a participação de 74 entusiastas, e um pas-
seio de BTT, com uma extensão de 25 km, na região da Serra
D'Ossa.
No dia 13, sexta-feira, as comemorações atingiram o seu
ponto alto, com uma cerimónia militar no Rossio Marquês
de Pombal, presidida pelo Ministro da Defesa Nacional,
Dr. Nuno Melo, a qual contou com a presença do Chefe do
Estado-Maior do Exército, General Eduardo Mendes Ferrão,
entre outras entidades, civis e militares, em homenagem à
Unidade mais antiga do Exército Português e às pessoas que
dela fazem ou fizeram parte, honrando a divisa “Conduta
Brilhante na Guerra”.

72
ACONTECIMENTOS

Exército no apoio ao combate


aos incêndios florestais
No âmbito do Plano de Apoio Militar de Emergência,
e em resposta às solicitações da Autoridade Nacional de
Emergência e Proteção Civil, o Exército mobilizou, a par-
tir de 15 de setembro, um conjunto alargado de meios, em
reforço do dispositivo já existente, no âmbito da vigilân-
cia, deteção e apoio ao combate a incêndios rurais, tendo
projetado um Destacamento de Engenharia para a região
de Cinfães e um Pelotão de Rescaldo e Vigilância para a
Região do Fundão, assegurando também o apoio em aloja-
mento e alimentação a equipas de bombeiros.
O Regimento de Engenharia n.º 3, sediado em Espinho,
projetou o Destacamento de Engenharia, que teve como
principal missão a criação de faixas de contenção, que im-
pediram a progressão das chamas, proporcionando a me-
lhoria das condições dos itinerários, em apoio às forças de
combate no terreno. O Pelotão de Rescaldo e Vigilância
Ativa Pós-Incêndio, na área de intervenção que lhe foi atri-
buída, tinha a missão de eliminar toda a combustão viva e
isolar o material que permanecesse em combustão lenta,
permitindo a consolidação do trabalho de extinção execu-
tado pelos bombeiros.
Os apoios prestados pelo Exército contribuíram direta-
mente para o aumento da eficiência do trabalho desen-
volvido pelos bombeiros, proporcionando o seu descanso,
após longas horas de combate, ou a sua relocalização para
outros teatros de operações, onde a sua ação era necessária.

«Falcões Negros» na XXV Taça de Portugal da Federação


Portuguesa de Paraquedismo
A Equipa de Paraquedismo do Exército conhecida como "Falcões Negros" marcou presença na 4.ª Prova da XXV Taça
de Portugal da Federação Portuguesa de Paraquedismo, na modalidade de Precisão de Aterragem, que decorreu no
Aeródromo Municipal de Braga.
A competição avalia a precisão de aterragem sobre um sensor, até um limite máximo de 16 cm, na sequência de um salto
de abertura manual, a uma altitude de aproximadamente 1200 metros. A perícia e dedicação demonstradas pelos nossos
militares nestas competições refletem a sua exigência e profissionalismo, contribuindo, não só para a promoção da ima-
gem de competência das Tropas Paraquedistas, mas também para o reforço da prontidão da Componente Operacional
do Exército.

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19.º Aniversário da Brigada de
Reação Rápida
Decorreu, em 27 de setembro, a Cerimónia Comemorativa do
Dia da Brigada de Reação Rápida, evento presidido pelo Chefe do
Estado-Maior do Exército, General Eduardo Mendes Ferrão. Este
ano, Vila Nova da Barquinha recebeu a cerimónia militar, à qual se
juntou a população, em comunhão com os militares das diferentes
Unidades da Brigada, numa demonstração de respeito pelo legado
histórico e pelas tradições específicas das suas Tropas Especiais.
Durante a Cerimónia, o Comandante do Exército condecorou o
Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha, Dr.
Fernando Freire, com a Medalha D. Afonso Henriques - Mérito
do Exército – 1.ª Classe, aludindo à estreita colaboração entre a
Autarquia e as Unidades sediadas no Polígono Militar de Tancos,
onde se encontra o Comando da Brigada.
As comemorações culminaram com uma demonstração protago-
nizada por militares do Batalhão Operacional Aeroterrestre, atra-
vés de um salto de abertura manual sobre o local da cerimónia,
captando a atenção de todos, em mais um momento de grande
espetacularidade, representativa da capacidade operacional das
Tropas Paraquedistas. Nas palavras que dirigiu aos presentes, o
Comandante do Exército exprimiu honra e orgulho em associar-se
às celebrações deste dia festivo, enaltecendo o elevado espírito de
missão, indiscutível dedicação e extremo profissionalismo de todos
quantos servem na Brigada de Reação Rápida, honrando a divisa
“Se Fizeram por Armas tão Svbidos”.

Festival das Dunas de São Jacinto


O Regimento de Infantaria n.º 10 recebeu, entre 23 e 25 de agos-
to, mais uma edição do Festival das Dunas de São Jacinto, um
evento organizado pela Câmara Municipal de Aveiro, que incluiu
o AVEIRO AIR SHOW e o encontro da Associação Portuguesa
de Aviação Ultraleve, eventos que contaram com a participação
78 aeronaves.
Durante este evento, o Regimento foi visitado por mais de 2000
pessoas, as quais tiveram a oportunidade de conhecer o seu
Espaço de Memória, bem como algumas das capacidades do 2.º
Batalhão de Infantaria Paraquedista, possibilitando um contacto
próximo entre os militares e a população.

74
ACONTECIMENTOS

RI 14 recebe crianças do Lar


Escola de Santo António
O Regimento de Infantaria n.º 14 – ou Quartel dos Viriatos
– recebeu, em setembro, a visita especial de crianças do Lar
Escola de Santo António, sediado em Viseu, proporcionan-
do uma manhã de partilha e de experiências enriquecedoras
para todos.
Durante a visita, os jovens aceitaram o desafio de percorrer
a pista de obstáculos do Regimento, que foram corajosamen-
te superados com sucesso e com muita diversão à mistura,
nesta que foi mais uma oportunidade de interação e de es-
treitamento de laços entre os militares e a comunidade que
os envolve.
O Lar Escola de Santo António destina-se a acolher crian-
ças e jovens em situação de perigo, garantindo os cuidados
adequados às suas necessidades e proporcionando condições
que promovam os direitos das crianças, nomeadamente o di-
reito à educação, bem-estar e desenvolvimento integral.

Exército ministra Curso de Operações Especiais


a militares da GNR
Foi assinado, em 30 de setembro, no Estado-Maior do Exército, o protocolo que estabelece os termos da colaboração
entre o Exército e a Guarda Nacional Republicana (GNR), no âmbito da formação e frequência, por militares da GNR,
dos Cursos de Operações Especiais do Exército Português.
O protocolo, ratificado pelo Chefe do Estado-Maior do Exército, General Eduardo Mendes Ferrão, e pelo Comandante-
Geral da GNR, Tenente-General Ribeiro Veloso, formalizou uma colaboração já existente, na qual o Exército, detentor
de conhecimentos e competências únicas e exclusivas em Portugal, apoia na formação e treino dos militares da GNR, na
especialidade de Operações Especiais.

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