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— "Que será isto, Deus do céu?" — exclamou ela. — "Estarei
sonhando?"
Levantou-se precipitadamente e correu ao quarto... e viu
os três meninos nas suas caminhas, exatamente como outrora.
Certa de que era sonho, esfregou os olhos com toda a força.
Olhou outra vez. Lá continuavam eles. Não era sonho não, Os
seus três filhinhos em carne e osso ali estavam novamente...
Ninguém pode descrever a felicidade da boa mãe.
Abraçava um, beijava outro chorava, ria. Uma perfeita doida.
Levou tempo assim e só sossegou quando Wendy pôs-se a
contar tudo quanto havia acontecido na maravilhosa Terra do
Nunca, e a feiúra; a ruindade do Capitão Gancho, e a valentia de
Peter Pais, e o amor que os meninos perdidos tinham por ela.
— "E onde estão esses meninos?" — perguntou a Senhora
Darling.
— "Aí na rua, perto da janela."
A boa senhora os fez entrar e sabendo que• não tinham
mãe declarou que dali por diante ela seria a mãe de todos. A
casa não era muito espaçosa, mas havia de dar jeito de
acomodá-los muito bem.
A única dificuldade foi com Peter Pan. Embora tivesse
gostado muito da Senhora Darling, o estranho menino de
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modo nenhum se resignou à idéia de ficar morando num
mundo onde as crianças crescem e viram desenxabidíssimas
gentes grandes.
— "Não posso ficar" — disse ele. — "Não acho graça em
crescer. Vou voltar para minha querida Terra do Nunca, onde
viverei sozinho com as fadas."
E depois:
— "Mas ficarei muito contente se Wendy e os meninos
forem todos os anos passar comigo uma semana da primavera.
A senhora consente?"
A Senhora Darling vacilou; mas como a meninada batesse
palmas e fizesse uma enorme gritaria, exigindo o seu sim, ela
não teve remédio — consentiu.
— "Muito bem" — disse. — "Fica. assentado isso. Todos os
anos, pela primavera, Wendy e os meninos irão passar uma
semana inteira na Terra dó Nunca. Está satisfeito?"
Começaram as despedidas. Peter Pan fez uma
recomendação a cada qual dos seus antigos companheiros e
beijou Wendy na testa. Depois, prrrr!... lá se foi pelos ares. Ia
triste e alegre. ao mesmo tempo. Triste, por ter perdido a
companhia de Wendy, e alegre por ter resistido à tentação de
virar um menino como qualquer outro — dos que crescem,
criam buço e depois bigode, e acabam "adultos", ou gente
grande. Não, não e não. Havia de conservar-se menino sempre.
— E que aconteceu depois? — quis saber Narizinho.
— A Senhora Darling a primeira coisa que fez foi vestir
decentemente os meninos perdidos. Estavam todos enfiados
em roupas dos piratas e ainda com cheiro da Hiena dos Mares.
Lavou-os, penteou-os, mandou cortar-lhes o cabelo e por fim os
pôs na escola.
— Eles se acostumaram com a nova vida?