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uma hora; outra, um ano. Não me lembro de nenhuma
Sininho..."
— Era prosa dele — observou tia Nastácia. — Lembrava,
sim, mas estava fingindo, para atrapalhar Dona Wendy. Esses
meninos mágicos são levadinhos da carepa.
— E depois, vovó?
— Wendy, muito desapontada, chegou à casinha e lá
dormiu. No dia seguinte, porém, Peter Pan não apareceu, nem
durante a semana inteira.
— Tinha esquecido dela, com certeza. É o cúmulo! —
murmurou Narizinho, danada com a má memória de Peter Pan.
E depois?
— Wendy ficou sem saber o que pensar.
— "Quem sabe se ele está doente?" — advertiu Miguel.
— "Não pode ser" — disse a menina. — "Peter Pan nunca
fica doente."
Miguel refletiu e disse:
— "Quem sabe se ele não existe, Wendy? Quem sabe se não
é sonho nosso?"
Wendy quase chorou a essa idéia; por fim voltou para casa,
muito triste.
Mais um ano se passou e ao chegar de novo a primavera,
nada de Peter Pan aparecer. E assim durante vários anos.
— Por que seria que ele abandonou Wendy?
— Porque ela estava crescendo. Peter Pan só queria saber
de gentinha da sua idade e tamanho, mas como as crianças
crescem, ele vivia mudando de amigos — e esquecia
completamente os velhos.
— E depois?
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— Passaram-se anos. Wendy cresceu, ficou uma jovem
encantadora e casou-se.
— Com quem? — berrou Emília.
— Não importa com quem. Casou-se com um homem e
teve uma linda filhinha que recebeu o nome de Lillian.
Certo dia de primavera, quando tinha seis anos de idade
estava Lillian em sua nursery quando Peter Pan apareceu do
mesmo jeitinho que muitos anos atrás havia aparecido para
Wendy e do mesmo tamanhinho.
Foi um acontecimento. Lillian já sabia a história dele
porque a senhora Wendy todas as noites lhe contava um
pedaço. Por isso não se assustou. Ao contrário, ergueu-se da
cama com muita naturalidade e teve com ele a mesma conversa
que já contei no começo desta história. Por fim Peter Pan
convidou Lillian para voar, e Lillian voou e foi parar na Terra do
Nunca — e se eu fosse contar tudo o que aconteceu daria outra
história ainda maior do que esta.
— E depois?
— Depois Lillian voltou e cresceu e casou-se e nunca mais
soube de Peter Pari, até que teve unia filhinha que recebeu o
nome de Jane. E um belo dia de primavera Jane viu Peter Pan
aparecer em sua nursery, tudo igualzinho como havia
acontecido com sua mãe e sua avó. Peter Pan levou-a para a
Terra do Nunca e também lá tudo se repetiu como dantes.
Depois...
— Já sei — berrou Emília. — Depois Jane cresceu e casou
com um homem e teve uma filha de nome Margaret, que,
etcetera e tal. Mas que significa isso, afinal de contas?
— Significa — disse Dona Benta — que Peter Pan é eterno,
mas só existe num momento da vida de cada criatura.
— Em que momento?