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segundo pirata, porém, tomou-se de tanto medo que em vez de
obedecer lançou-se ao mar e foi nadando para terra.
— "Covardes!" — berrou o Capitão Gancho. — "Têm medo?
Pois vou eu mesmo, para mostrar o que é coragem", e tomando
uma lanterna dirigiu-se para a misteriosa cabina.
Entrou, mas incontinenti voltou atrás, dum salto.
— "Uma coisa assoprou e apagou a minha lanterna! Deve
ser uma abantesma, ou qualquer monstro dessa laia. O melhor
é lançarmos contra ela os prisioneiros. Serão devorados e nós
economizaremos as nossas pedras de afogar. Vamos!
Empurrem a meninada para a cabina da abantesma!"
Era justamente o que os meninos queriam; mas não deram
sinal disso, bem ao contrário — resistiram, fingindo grande
medo, e só entraram na cabina à força.
Os piratas são em regra muito supersticiosos. Acreditam
em quanta bobagem há. Uma das suas crendices
é que mulher trás desgraça para navio. Por isso juntaram - se
em conferência para resolver o que fariam de Wendy. Enquanto
conferenciavam na popa, Peter Pan saiu da cabina sem ser
visto, foi ao mastro, soltou a menina e colocou-se em seu lugar,
bem disfarçado com o xalinho ao pescoço.
Depois de muito discutirem, os piratas resolveram lançar
ao mar a mulherzinha que estava atrapalhando a vida de bordo.
— "Muito bem!" — exclamou o Capitão Gancho, fechando a
discussão. — "Assim seja. Lancem-na ao mar! Acabem logo com
a vida dessa criatura que nos está trazendo desgraças."
Vários piratas dirigiram-se para o mastro a fim de cumprir
a ordem do chefe. E parando diante daquele
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vultinho meio embuçado no xale, disseram, com voz de
escárnio
— "Chegou sua hora, menina. Nada no mundo poderá
salvá-la."
— "É o que parece!" — gritou Peter Pan, arrancando o xale e
espetando a espada no peito do pirata mais próximo. Depois
soltou um grito de guerra: — "Por Wendy e pelo Rei! Avança,
meninada!"
Foi uma coisa espantosa. Os meninos saíram da cabina
armados com as melhores armas existentes no navio, e caíram
em cima dos piratas como um bando de vespas coléricas. Os
pobres piratas não sabiam o que pensar, pois estavam certos
de que a abantesma já os havia devorado a todos. Foram
tomados de pânico. Uns jogavam-se ao mar, outros tapavam os
olhos com a mão; outros, mais corajosos, resistiam.
— "Ninguém ataque o Capitão Gancho!" — berrava Peter
Pan. — "Esse é meu só."
Travou-se medonha luta. Embora fossem mais fortes que
os meninos, os piratas eram vencidos pela agilidade deles — e
um a um foram sendo postos fora de combate, ou forçados a se
jogarem ao mar. Ao cabo de alguns minutos só ficou em campo
o Capitão Gancho, sempre atracado com Peter Pan.
Foi a luta mais bonita que ainda se viu no mundo. Peter
Pan parecia um demônio. Saltava como gato selvagem e
dançava na frente do pirata, fazendo-o errar todos os botes da
sua mão de gancho. E enquanto isso, tome lá um pontapé na
barriga, tome lá uma cutucada no nariz, tome lá mais um galo
na testa!
A agilidade de Peter Pan fazia que ele não perdesse um só
golpe e evitasse todos os golpes arremessados pelo pirata. O
Capitão Gancho estava já de língua de fora, como