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Confronto entre Peter Pan e Capitão Gancho

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Rafael
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segundo pirata, porém, tomou-se de tanto medo que em vez de


obedecer lançou-se ao mar e foi nadando para terra.

— "Covardes!" — berrou o Capitão Gancho. — "Têm medo?


Pois vou eu mesmo, para mostrar o que é coragem", e tomando
uma lanterna dirigiu-se para a misteriosa cabina.

Entrou, mas incontinenti voltou atrás, dum salto.

— "Uma coisa assoprou e apagou a minha lanterna! Deve


ser uma abantesma, ou qualquer monstro dessa laia. O melhor
é lançarmos contra ela os prisioneiros. Serão devorados e nós
economizaremos as nossas pedras de afogar. Vamos!
Empurrem a meninada para a cabina da abantesma!"

Era justamente o que os meninos queriam; mas não deram


sinal disso, bem ao contrário — resistiram, fingindo grande
medo, e só entraram na cabina à força.

Os piratas são em regra muito supersticiosos. Acreditam


em quanta bobagem há. Uma das suas crendices
é que mulher trás desgraça para navio. Por isso juntaram - se
em conferência para resolver o que fariam de Wendy. Enquanto
conferenciavam na popa, Peter Pan saiu da cabina sem ser
visto, foi ao mastro, soltou a menina e colocou-se em seu lugar,
bem disfarçado com o xalinho ao pescoço.

Depois de muito discutirem, os piratas resolveram lançar


ao mar a mulherzinha que estava atrapalhando a vida de bordo.

— "Muito bem!" — exclamou o Capitão Gancho, fechando a


discussão. — "Assim seja. Lancem-na ao mar! Acabem logo com
a vida dessa criatura que nos está trazendo desgraças."

Vários piratas dirigiram-se para o mastro a fim de cumprir


a ordem do chefe. E parando diante daquele
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vultinho meio embuçado no xale, disseram, com voz de


escárnio

— "Chegou sua hora, menina. Nada no mundo poderá


salvá-la."

— "É o que parece!" — gritou Peter Pan, arrancando o xale e


espetando a espada no peito do pirata mais próximo. Depois
soltou um grito de guerra: — "Por Wendy e pelo Rei! Avança,
meninada!"

Foi uma coisa espantosa. Os meninos saíram da cabina


armados com as melhores armas existentes no navio, e caíram
em cima dos piratas como um bando de vespas coléricas. Os
pobres piratas não sabiam o que pensar, pois estavam certos
de que a abantesma já os havia devorado a todos. Foram
tomados de pânico. Uns jogavam-se ao mar, outros tapavam os
olhos com a mão; outros, mais corajosos, resistiam.

— "Ninguém ataque o Capitão Gancho!" — berrava Peter


Pan. — "Esse é meu só."

Travou-se medonha luta. Embora fossem mais fortes que


os meninos, os piratas eram vencidos pela agilidade deles — e
um a um foram sendo postos fora de combate, ou forçados a se
jogarem ao mar. Ao cabo de alguns minutos só ficou em campo
o Capitão Gancho, sempre atracado com Peter Pan.

Foi a luta mais bonita que ainda se viu no mundo. Peter


Pan parecia um demônio. Saltava como gato selvagem e
dançava na frente do pirata, fazendo-o errar todos os botes da
sua mão de gancho. E enquanto isso, tome lá um pontapé na
barriga, tome lá uma cutucada no nariz, tome lá mais um galo
na testa!

A agilidade de Peter Pan fazia que ele não perdesse um só


golpe e evitasse todos os golpes arremessados pelo pirata. O
Capitão Gancho estava já de língua de fora, como

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