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Captura de Peter Pan e a Vingança de Gancho

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Rafael
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Pantera Branca venceu e saem pelos ocos — e eu os apanho


todos um por um. Ótimo!

O Capitão Gancho, assim pensou e assim fez. Tocou o


tantã — tantã, tantã...

Assim que aquele amado som chegou aos ouvidos dos


meninos, a alegria foi imensa. Puseram-se a pular e a dançar,
porque era a primeira vez que os seus aliados índios venciam
os terríveis piratas.

— "Hurra!" — gritaram todos. — "Os índios venceram,


afinal! Podemos sair sem perigo nenhum" — e cada qual tomou
o caminho do seu oco e foi marinhando por ele acima.

O Capitão Gancho havia postado três piratas na boca de


cada oco, de modo que os meninos eram caçados um por um,
logo que punham a cabeça de fora. Agarravam-nos e
amordaçavam-nos, para que os gritos não avisassem os outros.
Tão bem feito saiu aquele servicinho que Peter Pan,
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lá dentro, de nada desconfiou. Ficou certo de que a meninada


já ia a caminho de Londres, muito em paz, conduzida pela bola
de fogo.

Peter Pan estava profundamente triste. Súbito, lançou-se à


cama, com a cara escondida nas mãos. Dizem que chorou, mas
não há certeza disso.

— Ele então não chorava? — perguntou Narizinho.

— Não, nunca chorou, salvo, talvez, nesse dia — mas não


há certeza. Peter Pan considerava o choro como coisa própria
de mulher.

— Eu queria esfregar cebola nos olhos dele para ver se


chorava ou não — disse Emília. Já notei que cebola "comove"
mais as gentes do que a história mais triste que possa haver. E
depois?

— Depois deixou-se ficar na cama, com a cara escondida


no travesseiro. Enquanto isso o Capitão Gancho, lá em cima,
impacientava-se com a demora dele. Havia apanhado todos os
meninos, menos justamente o principal.

— "Querem ver que ainda desta vez o raio do tal menino


me escapa?" — mu, • murou consigo.

Por fim, vendo que Peter Pan não saía mesmo, o chefe dos
piratas pensou, pensou, para ver se lhe ocorria uma idéia que
valesse a pena. Estudou a situação. Entrar pelo oco, impossível.
As aberturas eram muito estreitas para um cavalão da sua
marca. Porta para ser arrombada não existia. Que fazer? O
Capitão Gancho coçava a cabeça, indeciso.

Lembrou-se de espiar pela chaminé. Dava jeito. Viu o


menino estirado na cama e num caixão à sua cabeceira o vidro
de remédio que Wendy pusera ali.

— "Já sei!" — exclamou o bandido, iluminado por uma idéia


infernal. — "Derramo umas gotas de veneno naquele vidro e
pronto! Ótima lembrança."

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