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nojentos do que há estrelas no céu. Enquanto os coitadinhos
tremiam de pavor no porão escuro, o chefe dos piratas
passeava pelo tombadilho, muito satisfeito consigo mesmo por
haver derrotado os índios e aprisionado os garotos. De repente
parou para perguntar a Capacete:
— "Estão os prisioneiros bem acorrentados, de modo que
não possam fugir?"
— "Sim, Capitão."
— "Nesse caso, traga-os cá para cima" — ordenou ele,
tomando assento numa velha cadeira de braços que lhe servia
de trono.
Os meninos foram conduzidos à sua presença,
acorrentados dois a dois. O Capitão Gancho encarou-os com ar
feroz e declarou que seis deles iam ser lançados ao mar com
uma pedra ao pescoço, e que dois ficariam no navio como
grumetes, a fim de virarem piratas.
— "Você aí do centro!" — disse referindo-se a João
Napoleão. — "Você tem bom peito para grumete. Que tal a idéia
de ficar comigo neste navio?"
João, que havia lido muitas histórias de pirataria e gostava
de aventuras no mar, ficou logo seduzido pela idéia Adiantou-
se e disse:
— "Se eu ficar você me dá o nome de Jack o Mão Peluda?"
O Capitão Gancho riu-se da lembrança e respondeu que
sim.
— "Nesse caso, fico!" — declarou João Napoleão, com os
olhos a faiscarem de entusiasmo.
O chefe dos piratas fez a mesma pergunta a Miguel, o qual,
em vez de responder, aproximou-se dele e, sem medo nenhum,
bateu-lhe no ombro, dizendo:
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— "Depende do nome que você me der."
— "Joe o Barbanegra! Gosta?"
Miguel gostou e declarou que ficava. Mas quando Miguel e
João Napoleão souberam que para ser pirata a primeira coisa
que tinham a fazer seria jurar guerra e ódio ao rei, gritando: —
"Abaixo o rei da Inglaterra!" — ambos desistiram de tudo. Como
bons inglesinhos, conservavam-se leais ao seu soberano.
O Capitão Gancho ficou furioso e declarou que nesse caso
teriam de morrer como os demais, afogados com pedras ao
pescoço. Em seguida ordenou que trouxessem à sua presença a
mãe daqueles meninos.
Wendy foi trazida de rastos e deixada sozinha em frente
do terrível chefe de piratas. Apesar do terror que esse monstro
lhe inspirava, a menina soube dominar-se e não fazer má
figura. O Capitão Gancho perguntou-lhe se tinha alguma
recomendação a fazer aos filhos, dos quais ia separar-se para
sempre. Wendy voltou-se para os meninos e falou deste modo:
— "Já que vocês têm de morrer nas mãos destes bandidos, que
morram como verdadeiros heróis. É isto que as suas
verdadeiras mães diriam se estivessem no meu lugar. Viva o rei
da Inglaterra!"
— "Viva! Viva!" — gritaram todos os meninos, como se
fossem um só.
Dar vivas ao rei da Inglaterra nas fuças do Capitão Gancho
era o maior atrevimento do século. O chefe dos piratas
espumou de cólera, e ordenou que amarrassem Wendy ao
mastro grande, de onde teria de assistir à morte de todos os
meninos, um por um. Assim foi feito e a corajosa menina lá
ficou, que nem uma Joana d'Arc, no seu vestidinho cor de ouro
velho e de xale ao pescoço.
Ia começar a matança. Os piratas trouxeram as pedras de
afogar prisioneiros. O Capitão Gancho sorria