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— "Depende do nome que você me der."
— "Joe o Barbanegra! Gosta?"
Miguel gostou e declarou que ficava. Mas quando Miguel e
João Napoleão souberam que para ser pirata a primeira coisa
que tinham a fazer seria jurar guerra e ódio ao rei, gritando: —
"Abaixo o rei da Inglaterra!" — ambos desistiram de tudo. Como
bons inglesinhos, conservavam-se leais ao seu soberano.
O Capitão Gancho ficou furioso e declarou que nesse caso
teriam de morrer como os demais, afogados com pedras ao
pescoço. Em seguida ordenou que trouxessem à sua presença a
mãe daqueles meninos.
Wendy foi trazida de rastos e deixada sozinha em frente
do terrível chefe de piratas. Apesar do terror que esse monstro
lhe inspirava, a menina soube dominar-se e não fazer má
figura. O Capitão Gancho perguntou-lhe se tinha alguma
recomendação a fazer aos filhos, dos quais ia separar-se para
sempre. Wendy voltou-se para os meninos e falou deste modo:
— "Já que vocês têm de morrer nas mãos destes bandidos, que
morram como verdadeiros heróis. É isto que as suas
verdadeiras mães diriam se estivessem no meu lugar. Viva o rei
da Inglaterra!"
— "Viva! Viva!" — gritaram todos os meninos, como se
fossem um só.
Dar vivas ao rei da Inglaterra nas fuças do Capitão Gancho
era o maior atrevimento do século. O chefe dos piratas
espumou de cólera, e ordenou que amarrassem Wendy ao
mastro grande, de onde teria de assistir à morte de todos os
meninos, um por um. Assim foi feito e a corajosa menina lá
ficou, que nem uma Joana d'Arc, no seu vestidinho cor de ouro
velho e de xale ao pescoço.
Ia começar a matança. Os piratas trouxeram as pedras de
afogar prisioneiros. O Capitão Gancho sorria
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deliciadamente. Para aquele monstro, o maior prazer da vida
era ver afogar prisioneiros.
Súbito, o seu sorriso diabólico transformou-se em careta
de terror. Um famoso tique-taque, muito seu conhecido, soara
perto.
— "O crocodilo!" — exclamou ele, dando um pulo e indo
esconder-se no fim do navio, atrás duma pilha de cordas. Os
demais piratas para lá também correram, cercando o chefe com
uma muralha de corpos. Os meninos, de respiração suspensa,
ficaram à espera de ver o crocodilo surgir.
Mas não surgiu crocodilo nenhum. Em vez da fera
apareceu na beira do navio a carinha de Peter Pan. Fez aos
meninos sinal de bico calado e entrou à moda dos índios,
agachado, de jeito que os piratas nada vissem. Trazia
atravessado na boca o seu terrível punhal e na mão direita, um
despertador. O tique-taque que tanto apavorava o Capitão
Gancho não era do crocodilo...
Peter Pan esgueirou-se pelo chão, feito cobra, e penetrou
numa cabina, trancando-se lá dentro.
Tendo cessado de ouvir o tique-taque o Capitão Gancho
virou valente outra vez. Voltou ao trono e deu ordem para a
matança dos prisioneiros.
— "Vamos, comecem!" — gritou.
A resposta foi um coricocó de galo dentro da cabina. O
chefe dos piratas empalideceu. Não podia compreender o que
fosse aquilo, pois nunca existira galo nenhum a bordo da Hiena
dos Mares.
— "Capacete, vá ver o que há na cabina" — ordenou.
Capacete foi. Entrou na cabina e não saiu mais. Vendo que
Capacete não reaparecia, o Capitão Gancho, muito pálido,
ordenou que outro pirata fosse ver o que era. Esse