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— "Viva! Viva Wendy!" — gritaram.
Só Peter Pan resistiu à tentação. Sentia imensamente
perder Wendy e seus irmãozinhos, mas não podia admitir a
idéia de voltar ao mundo de onde fugira logo ao nascer — o
horrível mundo onde os meninos crescem e viram
homenzarrões bigodudos e feios. Jamais faria isso. Jamais
desertaria a Terra do Nunca — a terra onde os meninos não
crescem. Os outros que fossem. Ele ficaria sozinho.
Combinado assim, começaram todos a aprontar-se, na
maior balbúrdia e gritaria. Cada qual fez a sua trouxinha,
pondo nela os brinquedos e as lembranças mais queridas.
Bicudo levou um morcego seco, que desejava mostrar para a
Senhora Darling.
— Credo! — exclamou tia Nastácia, fazendo cara de horror.
— Essa idéia só mesmo dum Bicudo. Morcego seco, vejam só...
— Antes morcego seco do que morcego vivo — disse
Emília. — Eu tenho medo das coisas vivas porque mordem; mas
das secas, não. E Levemente-Estragado, que é que levou, Dona
Benta?
— Não sei. O livro não diz. Mas com certeza levou uma
bobagem do mesmo naipe — um rato seco, por exemplo. Todas
as crianças se impressionam muito com bichos secos. Pedrinho,
quando contava apenas quatro anos de idade, apareceu-me um
dia na sala de jantar com um horrendo gato seco, que empestou
a casa inteira. Lembra-se, Pedrinho?
Tia Nastácia lembrava-se muito bem mas o menino não.
— Continue, vovó — pediu Narizinho.
— Depois de arranjados os presentes para a Senhora
Darling, Wendy despediu-se de Peter Pan. Abraçou-o e disse,
com os olhos úmidos de lágrimas:
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— "Minha última recomendação é que você não deixe de
tomar o seu remédio na hora certa. Veja lá, hein?"
Referia-se a um remédio que Peter Pan estava tomando
para curar-se das terríveis ganchadas do Capitão Gancho.
Iam partir. Nisto lhes chegou aos ouvidos um barulho lá
fora, bem em cima da caverna subterrânea. Que seria? Os
meninos ficaram imóveis, à escuta. Barulho de guerra. Ouviam-
se distintamente o choque das armas, o assobio das flechas, o
rumor dos tombos, os gritos dos machucados. Peter Pan
compreendeu logo que os piratas haviam assaltado os índios de
surpresa.
— "Se os Peles-Vermelhas saírem vencedores, não deixarão
de tocar o tantã" — disse ele — e ficaram todos atentos, à
espera do toque do tantã, sinal de vitória entre os índios.
A batalha não durou muito tempo. Como de costume, os
Peles-Vermelhas foram completamente derrotados e fugiram
como lebres. Mas dentro do subterrâneo os meninos não
podiam saber disso, de modo que continuaram muito atentos, à
espera do tantã.
Afugentados os índios, o Capitão Gancho resolveu
aproveitar-se da oportunidade para dar cabo dos meninos
naquele mesmo dia. Ele tinha estado uma porção de tempo
a escutar pelo chapéu-de-sapo que servia de chaminé (Peter Pan
havia construído outro para substituir o que fora destruído
pelo pontapé do pirata), e pôde ouvir uma boa parte da
conversa dos meninos, inclusive o pedaço em que Peter Pan
falou do tantã.
— "Muito bem — disse consigo o chefe dos piratas. Eles
estão à espera do toque do tantã, que é o sinal de triunfo dos
índios. Ora, estes fugiram e deixaram o tantã aqui. Que faço
eu? Toco o tantã. Os bobinhos lá dentro pensam que