0% acharam este documento útil (0 voto)
3 visualizações2 páginas

A Aventura de Peter Pan e Wendy

Enviado por

Rafael
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
3 visualizações2 páginas

A Aventura de Peter Pan e Wendy

Enviado por

Rafael
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

 

63

— "Viva! Viva Wendy!" — gritaram.

Só Peter Pan resistiu à tentação. Sentia imensamente


perder Wendy e seus irmãozinhos, mas não podia admitir a
idéia de voltar ao mundo de onde fugira logo ao nascer — o
horrível mundo onde os meninos crescem e viram
homenzarrões bigodudos e feios. Jamais faria isso. Jamais
desertaria a Terra do Nunca — a terra onde os meninos não
crescem. Os outros que fossem. Ele ficaria sozinho.

Combinado assim, começaram todos a aprontar-se, na


maior balbúrdia e gritaria. Cada qual fez a sua trouxinha,
pondo nela os brinquedos e as lembranças mais queridas.
Bicudo levou um morcego seco, que desejava mostrar para a
Senhora Darling.

— Credo! — exclamou tia Nastácia, fazendo cara de horror.


— Essa idéia só mesmo dum Bicudo. Morcego seco, vejam só...

— Antes morcego seco do que morcego vivo — disse


Emília. — Eu tenho medo das coisas vivas porque mordem; mas
das secas, não. E Levemente-Estragado, que é que levou, Dona
Benta?

— Não sei. O livro não diz. Mas com certeza levou uma
bobagem do mesmo naipe — um rato seco, por exemplo. Todas
as crianças se impressionam muito com bichos secos. Pedrinho,
quando contava apenas quatro anos de idade, apareceu-me um
dia na sala de jantar com um horrendo gato seco, que empestou
a casa inteira. Lembra-se, Pedrinho?

Tia Nastácia lembrava-se muito bem mas o menino não.

— Continue, vovó — pediu Narizinho.

— Depois de arranjados os presentes para a Senhora


Darling, Wendy despediu-se de Peter Pan. Abraçou-o e disse,
com os olhos úmidos de lágrimas:
 
64

— "Minha última recomendação é que você não deixe de


tomar o seu remédio na hora certa. Veja lá, hein?"

Referia-se a um remédio que Peter Pan estava tomando


para curar-se das terríveis ganchadas do Capitão Gancho.

Iam partir. Nisto lhes chegou aos ouvidos um barulho lá


fora, bem em cima da caverna subterrânea. Que seria? Os
meninos ficaram imóveis, à escuta. Barulho de guerra. Ouviam-
se distintamente o choque das armas, o assobio das flechas, o
rumor dos tombos, os gritos dos machucados. Peter Pan
compreendeu logo que os piratas haviam assaltado os índios de
surpresa.

— "Se os Peles-Vermelhas saírem vencedores, não deixarão


de tocar o tantã" — disse ele — e ficaram todos atentos, à
espera do toque do tantã, sinal de vitória entre os índios.

A batalha não durou muito tempo. Como de costume, os


Peles-Vermelhas foram completamente derrotados e fugiram
como lebres. Mas dentro do subterrâneo os meninos não
podiam saber disso, de modo que continuaram muito atentos, à
espera do tantã.

Afugentados os índios, o Capitão Gancho resolveu


aproveitar-se da oportunidade para dar cabo dos meninos
naquele mesmo dia. Ele tinha estado uma porção de tempo
a escutar pelo chapéu-de-sapo que servia de chaminé (Peter Pan
havia construído outro para substituir o que fora destruído
pelo pontapé do pirata), e pôde ouvir uma boa parte da
conversa dos meninos, inclusive o pedaço em que Peter Pan
falou do tantã.

— "Muito bem — disse consigo o chefe dos piratas. Eles


estão à espera do toque do tantã, que é o sinal de triunfo dos
índios. Ora, estes fugiram e deixaram o tantã aqui. Que faço
eu? Toco o tantã. Os bobinhos lá dentro pensam que

Você também pode gostar