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Mapeamento de Barragens no RN: Potencial e Análise

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NOME DO LOCAL DO CURSO


CURSO

NOME DO DISCENTE

IDENTIFICAÇÃO DE ÁREAS POTENCIAIS PARA INSTALAÇÃO DE


BARRAGENS NO RIO GRANDE DO NORTE: SENSORIAMENTO
REMOTO E TÉCNICAS AVANÇADAS DE CARTOGRAFIA

NATAL/RN
2024
1 INTRODUÇÃO
Durante décadas, a principal estratégia para acumulação de água no semiárido
nordestino foi a construção de açudes destinados a armazenar água durante o período
chuvoso, garantindo seu uso durante a estação seca, porém essa estratégia possui
limitações devido a baixa pluviometria da região juntamente com a grande taxa de
evapotranspiração, ocasionando em um balanço hídrico negativo. Esse desequilíbrio
hídrico resulta em déficit nos reservatórios durante os períodos de estiagem,
evidenciando a necessidade de tecnologias alternativas, como as barragens. Essa técnica
permite o armazenamento de grandes volumes de água.

A adoção de barragens tem desempenhado um papel essencial na agricultura de


vazantes, praticada por pequenos agricultores da região. Essa tecnologia possibilita
melhores condições para convivência com o semiárido, já que aumenta a segurança
hídrica da população. De acordo com Garcia (1997), as condições ecológicas adversas,
como secas e estiagens prolongadas, geram impactos significativos na região semiárida,
afetando especialmente trabalhadores sem-terra e pequenos agricultores voltados ao
autoconsumo. Esses problemas intensificam as desigualdades socioeconômicas, levando
à migração de uma parcela considerável da população para outras regiões do estado ou
do país.

Além de permitir o armazenamento de água, as barragens promovem a utilização


de energias renováveis, geração de empregos e alta turísticas, portanto, as construções
de barragens no semiárido norte riograndense podem acarretar em aumento tanto na
soberania alimentar quanto hídrica além de movimentar a economia.

O objetivo geral deste trabalho é mapear e identificar o melhor potencial local


para instalação de barragem no estado do Rio Grande do Norte, afim de realizar um
utilizando sensoriamento remoto e técnicas modernas de cartografia. Quanto aos
objetivos específicos, têm-se: 1) mapear melhor local para instalação da barragem, em
escala de síntese (>=1:500.000) 2) Efetuar o mapeamento usando técnicas de
classificação em nível de estado da arte; 3) Caracterizar a potencial região e identificar
possíveis conflitos de utilização e impactos socioambientais.

2 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
O presente trabalho visa utilizando mapear e identificar o melhor potencial local para
instalação de barragem no estado do Rio Grande do Norte, utilizando metodologia de
natureza básica. A delimitação da barragem foi realizada com base na análise de dados
topográfico, pedológicos e geomorfológicos, com suporte nas contribuições de Oliveira
(2016) e Cestaro et al. (2007). Os mapas temáticos, que permitiram a espacialização das
unidades e a análise dos padrões ambientais, foram elaborados no software QGIS,
utilizando dados do Banco de dados e informações ambientais (BDIA), Topodata e o
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

3 ANÁLISE DOS PARÂMETROS


3.1 Solo

Os Neossolos (Mapa 1) são solos jovens e com pouco desenvolvimento


pedogenético, encontrados em áreas de relevo instável ou recente. As camadas
superficiais são pouco espessas, apresentando uma grande variedade de texturas e
permeabilidade, dependendo da origem. Os Flúvicos, que ocorrem em planícies
aluviais, são mais profundos e podem ser estáveis. Esses solos são particularmente
propícios para barragens em áreas de baixa ocupação humana, mas a instabilidade
geotécnica e a permeabilidade de alguns tipos, como os Quartzarênicos, podem ser
problemas relevantes, exigindo intervenções de impermeabilização (Oliveira, 1979). Os
Luvissolos apresentam uma evolução significativa, com destaque para o horizonte B
textural (Oliveira,1979), que apresenta um acúmulo de argila devido à transferência do
perfil superior. São cultivados naturalmente em áreas de relevo plano ou suavemente
ondulado, o que facilita a construção de barragens e a integração com atividades
agrícolas, como a irrigação. Apesar dessas vantagens, o horizonte argiloso pode
compactar-se com facilidade, o que pode gerar fissuras, além de serem solos mais
suscetíveis à erosão superficial, especialmente em áreas desmatadas ou mal manejadas.
A escolha entre Neossolos e Luvissolos para a construção de uma barragem requer
estudo aprofundado sobre a estabilidade do solo, a retenção de água e o risco de
assoreamento. Enquanto os Neossolos podem ser úteis em terrenos com menor
ocupação e custo inicial de obras, os Luvissolos apresentam maior capacidade de
suporte estrutural e integração com a agricultura. Em ambos os casos, é crucial levar em
conta o manejo sustentável da bacia hidrográfica e estratégias de conservação ambiental
para assegurar a eficiência da barragem e minimizar os impactos ambientais.
Mapa 1 – Pedologia do estado do Rio Grande do Norte

Fonte: Autor

3.2 Geomorfologia

A Depressão Sertaneja, uma região geomorfológica típica do semiárido


brasileiro, é uma área estratégica para a construção de barragens, devido às suas
características de relevo e dinâmica hídrica. É uma área de baixa altitude, caracterizada
pela predominância de superfícies planas ou onduladas, intercaladas por formações
isoladas, como os inselbergs. Esta configuração geomorfológica favorece a captação e a
retenção de água, o que proporciona as condições ideais para a implantação de
reservatórios.

O relevo plano da Depressão Sertaneja (Mapa 2) favorece a formação de bacias


naturais, que são pontos de encontro para os fluxos hídricos provenientes das áreas
próximas de maior altitude. Essa dinâmica torna menos necessárias grandes
intervenções topográficas, o que diminui os custos de construção. Além disso, o solo
argiloso em algumas áreas da depressão aumenta a capacidade de retenção de água, o
que reduz as perdas por infiltração, A depressão sertaneja é caracterizada como uma
região natural (Cestaro, et al, 2007), onde é compreendida como semiárida interiorana e
subúmida oriental, sendo subdivido em quatro geofácies, onde para a possível
implementação da barragem é a depressão semiárida plana (Oliveira, 2016). Apesar dos
seus benefícios, a Depressão Sertaneja apresenta desafios específicos relacionados ao
clima semiárido. O alto índice de evapotranspiração pode prejudicar a eficiência dos
reservatórios se não forem adotadas estratégias de manejo sustentável. Outro aspecto
relevante é o risco de assoreamento, causado pela erosão acelerada em áreas desmatadas
ou com baixa cobertura vegetal. Contudo, as características geomorfológicas da
Depressão Sertaneja tornam essa região extremamente propícia para projetos de
barragens, especialmente quando integrados a programas de manejo da bacia
hidrográfica.

Mapa 2 – Geomorfologia do estado do Rio Grande do Norte

Fonte: Autor

3.3 Hipsometria e declividade

A altitude e a declividade (Mapa 3) são fatores determinantes na análise de


viabilidade para a construção de barragens onde influencia diretamente as características
do relevo, a capacidade de armazenamento hídrico e custo. Regiões localizadas em
altitudes mais baixas geralmente apresentam maior adequação para esses
empreendimentos devido à topografia mais plana e à proximidade de áreas aluviais, que
favorecem a retenção de água e a eficiência do reservatório.

Em áreas de baixa altitude, a suavidade do relevo reduz a necessidade de


intervenções significativas, como escavações extensas ou reforços estruturais, o que
resulta em redução significativa dos custos de construção. Essas áreas, em geral, estão
localizadas em bacias hidrográficas extensas, que são capazes de captar e armazenar
grandes volumes de água, o que as torna mais eficientes para a implantação de
barragens.

Por outro lado, terrenos em altitudes mais elevadas, como áreas montanhosas,
apresentam desafios significativos. A topografia acidentada requer maior esforço
logístico e custos elevados para transporte de materiais e obras de terraplenagem. Além
disso, a menor área de captação hídrica em regiões de maior altitude reduz o volume
acumulável, comprometendo a funcionalidade do reservatório. Esses fatores tornam as
áreas de baixa altitude preferíveis para a construção de barragens, não apenas do ponto
de vista técnico e econômico, mas também por minimizarem os impactos ambientais em
comparação com as áreas de ecossistemas mais sensíveis, como os de maior altitude.

Em contrapartida, terrenos em altitudes mais elevadas, como áreas montanhosas,


apresentam desafios significativos. A topografia acidentada requer um maior esforço
logístico e custos elevados para transportar materiais e obras de terraplenagem. Além
disso, a redução da área de captação de água em regiões de maior altitude reduz o
volume acumulável, comprometendo a funcionalidade do reservatório. Esses fatores
tornam as áreas de baixa altitude particularmente propícias para a construção de
barragens, não somente sob o ponto de vista técnico e econômico, mas também porque
minimizam os impactos ambientais em comparação com as áreas de ecossistemas mais
sensíveis, como as de maior altitude.
Mapa 3 – Hipsometria do estado do Rio Grande do Norte

Fonte: Autor

4 RESULTADO
A análise da carta topográfica, juntamente com os mapas geomorfológicos e
pedológicos, demonstrou que a localização ideal para a construção de uma barragem
deve atender a critérios como proximidade de corpos hídricos, relevo
predominantemente plano e solos com maior estabilidade. Dessa forma, identificou-se
que a unidade geomorfológica da Depressão Sertaneja tem o maior potencial para a
instalação de barragens. Após uma análise em escala de semidetalhe (paisagem), foi
possível determinar a área mais adequada, localizada entre Afonso Bezerra e Pedro
Avelino (Mapa 4)
Mapa 4 – Local ideal para possível barragem

Fonte: Autor

O local em questão se justifica por estar situado em uma região de baixa altitude,
sob a influência direta do Rio Cabugi. As condições geomorfológicas e pedológicas da
área são favoráveis à construção da barragem. Em uma análise preliminar, constatou-se
que os custos de escavação seriam menores em comparação com outras regiões.

Na região do rio, potencialmente sujeita ao barramento, está a comunidade de


Boqueirão. A execução da obra traria benefícios significativos, tais como o incremento
da atividade agrícola e o reforço da segurança hídrica. Contudo, é relevante salientar
que uma parte dos moradores que residem em áreas próximas ao futuro reservatório
poderá ser reassentada em áreas que não estejam sujeitas à inundação. Apesar disso,
considera-se que as características técnicas e socioeconômicas do local tornam-no
adequado para a implantação da barragem.

5 CONCLUSÃO

A análise revelou que a topografia predominantemente plana e a estabilidade dos


solos na região escolhida favorecem a viabilidade do empreendimento, enquanto os
custos de escavação e as intervenções necessárias seriam reduzidos. Apesar de
considerar possíveis reassentamentos, os resultados demonstram a adequação técnica e
socioeconômica do local, reforçando a importância de um planejamento integrado para
minimizar os danos ambientais e sociais, também, faz-se necessário um estudo técnico
no local, onde, mesmo que os estudos de gabinete tenham impactos fortes no
planejamento, somente um estudo técnico no local, utilizando dados e amostras mais
precisas responderão se a área realmente poderá abrigar uma barragem.

Conclui-se, então, que a aplicação de ferramentas modernas de análise espacial


oferece subsídios técnicos consistentes para a tomada de decisão, contribuindo de forma
significativa para o desenvolvimento de infraestrutura hídrica no estado do Rio Grande
do Norte.

5 REFERENCIAS

CESTARO. Luiz Antonio et al. PROPOSTA DE UM SISTEMA DE UNIDADES


GEOAMBIENTAIS PARA O RIO GRANDE DO NORTE. Universidade Federal do
Rio Grande do Norte (UFRN). Fundação de Apoio a Pesquisa do Rio Grande do Norte
(FAPERN), Instituto de Defesa do Meio Ambiente (IDEMA), 2007

COSTA, W. D. Manual de Barragens subterrâneas: Conceitos Básicos, Aspectos


Locacionais e Construtivos. Secretária de Ciência, Tecnologia e Meio ambiente de
Pernambuco – PE, 1997.

CRISTOFOLETTI, A. (1980). Geomorfologia. [Link]. Edgard Blücher Ltda: São Paulo,


1980. FITZ, P. R. (2008). Geoprocessamento sem complicação. Oficina de Textos: São
Paulo, 160 p. FLORENZANO, T. G. (2011). Iniciação em Sensoriamento Remoto. [Link].
Oficina de Textos: São Paulo, 128p

MANTELLI, L. SENSORIAMENTO REMOTO APLICADO COMO FERRAMENTA


PARA GESTÃO DE RECURSOS HÍDRICOS: MODELAGEM ESPAÇO-TEMPORAL
DOS RISCOS ECOLÓGICOS EM BACIAS HIDROGRÁFICAS

OLIVEIRA, L. B. de (Coord.). Manual de métodos de análise de solo. Rio de Janeiro:


EMBRAPA-SNLCS, 1979.

OLIVEIRA, F. M . Diagnostico da Qualidade de Água Superficial e Subterrânea na


Microbacia do Riacho Angico, Região do Médio Rio Paraíba. Campina Grande, UFCG,
2005, 92p.(Tese de Mestrado)

OLIVEIRA, M.L et al. Sensoriamento Remoto e planejamento urbano: a identificação


de setores residenciais obrigatórios para localização de equipamentos de uso coletivo,
Brasília, 1982.

VIEIRA, L. S. Manual da Ciência do Solo: com Ênfase aos Solos Tropicais. São Paulo,
Ed. Agronômica Ceres, 1988, 464p. 2a Edição

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