Histórico de Alterações da Lei n.º 2/2014
Histórico de Alterações da Lei n.º 2/2014
º
2/2014, de 16 de janeiro
Artigo 6.º
Transparência fiscal
1 - É imputada aos sócios, integrando-se, nos termos da legislação
que for aplicável, no seu rendimento tributável para efeitos de IRS
ou IRC, consoante o caso, a matéria coletável, determinada nos
termos deste Código, das sociedades a seguir indicadas, com sede
ou direção efetiva em território português, ainda que não tenha
havido distribuição de lucros:
a) Sociedades civis não constituídas sob forma comercial;
b) Sociedades de profissionais;
c) Sociedades de simples administração de bens, cuja maioria do
capital social pertença, direta ou indiretamente, durante mais de 183
dias do exercício social, a um grupo familiar, ou cujo capital social
pertença, em qualquer dia do exercício social, a um número de
sócios não superior a cinco e nenhum deles seja pessoa coletiva de
direito público.
2 - Os lucros ou prejuízos do exercício, apurados nos termos deste
Código, dos agrupamentos complementares de empresas e dos
agrupamentos europeus de interesse económico, com sede ou
direção efetiva em território português, que se constituam e
funcionem nos termos legais, são também imputáveis diretamente
aos respetivos membros, integrando-se no seu rendimento
tributável.
3 - A imputação a que se referem os números anteriores é feita aos
sócios ou membros nos termos que resultarem do ato constitutivo
das entidades aí mencionadas ou, na falta de elementos, em partes
iguais.
4 - Para efeitos do disposto no n.º 1, considera-se:
a) Sociedade de profissionais:
1) A sociedade constituída para o exercício de uma atividade
profissional especificamente prevista na lista de atividades a que se
refere o artigo 151.º do Código do IRS, na qual todos os sócios
pessoas singulares sejam profissionais dessa atividade; ou,
2) A sociedade cujos rendimentos provenham, em mais de 75 %, do
exercício conjunto ou isolado de atividades profissionais
especificamente previstas na lista a que se refere o artigo 151.º do
Código do IRS, desde que, cumulativamente, durante mais de 183
dias do período de tributação, o número de sócios não seja superior
a cinco, nenhum deles seja pessoa coletiva de direito público e, pelo
menos, 75 % do capital social seja detido por profissionais que
exercem as referidas atividades, total ou parcialmente, através da
sociedade; (Redação da Lei n.º 82-C/2014, de 31 de dezembro, aplicável aos períodos
de tributação que se iniciem em ou após 1 de janeiro de 2015)
b) Sociedade de simples administração de bens - a sociedade que
limita a sua atividade à administração de bens ou valores mantidos
como reserva ou para fruição ou à compra de prédios para a
habitação dos seus sócios, bem como aquela que conjuntamente
exerça outras atividades e cujos rendimentos relativos a esses bens,
valores ou prédios atinjam, na média dos últimos três anos, mais de
50 % da média, durante o mesmo período, da totalidade dos seus
rendimentos;
c) Grupo familiar - o grupo constituído por pessoas unidas por
vínculo conjugal ou de adoção e bem assim de parentesco ou
afinidade na linha reta ou colateral até ao 4.º grau, inclusive.
5 - Para efeitos da alínea c) do n.º 1, não se consideram sociedades
de simples administração de bens as que exerçam a atividade de
gestão de participações sociais de outras sociedades e que
detenham participações sociais que cumpram os requisitos previstos
no n.º 1 do artigo 51.º
Artigo 7.º
Rendimentos não sujeitos
Não estão sujeitos a IRC os rendimentos diretamente resultantes do
exercício de atividade sujeita ao imposto especial de jogo.
Artigo 8.º
Período de tributação
1 - O IRC, salvo o disposto no n.º 10, é devido por cada período de
tributação, que coincide com o ano civil, sem prejuízo das exceções
previstas neste artigo.
2 - As pessoas coletivas com sede ou direção efetiva em território
português, bem como as pessoas coletivas ou outras entidades
sujeitas a IRC que não tenham sede nem direção efetiva neste
território e nele disponham de estabelecimento estável, podem
adotar um período anual de imposto diferente do estabelecido no
número anterior, o qual deve coincidir com o período social de
prestação de contas, devendo ser mantido durante, pelo menos, os
cinco períodos de tributação imediatos. (Redação da Lei n.º 42/2016, de 28
de dezembro, aplicando-se aos períodos de tributação que se iniciem em ou após 1 de
janeiro de 2017, de acordo com o n.º 5 do artigo 198.º da mesma Lei)
3 - A limitação prevista na parte final do número anterior não se
aplica quando o sujeito passivo passe a integrar um grupo de
sociedades obrigado a elaborar demonstrações financeiras
consolidadas, em que a empresa mãe adote um período de
tributação diferente daquele adotado pelo sujeito passivo.
4 - O período de tributação pode, no entanto, ser inferior a um ano:
a) No ano do início de tributação, em que é constituído pelo período
decorrido entre a data em que se inicia a atividade, a sede ou
direção efetiva passa a situar-se em território português ou se
começam a obter rendimentos que dão origem a sujeição a imposto,
consoante o caso, e o fim do período de tributação;
b) No ano da cessação da atividade, em que é constituído pelo
período decorrido entre o início do período de tributação e a data da
cessação da atividade;
c) Quando as condições de sujeição a imposto ocorram e deixem de
verificar-se no mesmo período de tributação, em que é constituído
pelo período efetivamente decorrido;
d) No ano em que, de acordo com o n.º 3, seja adotado um período
de tributação diferente do que vinha sendo seguido nos termos
gerais, em que é constituído pelo período decorrido entre o início do
ano civil e o dia imediatamente anterior ao do início do novo
período.
5 - Para efeitos deste Código, a cessação da atividade ocorre:
a) Relativamente às entidades com sede ou direção efetiva em
território português, na data do encerramento da liquidação, ou na
data da fusão ou cisão, quanto às sociedades extintas em
consequência destas, ou na data em que a sede e a direção efetiva
deixem de se situar em território português, ou na data em que se
verificar a aceitação da herança jacente ou em que tiver lugar a
declaração de que esta se encontra vaga a favor do Estado, ou
ainda na data em que deixarem de verificar-se as condições de
sujeição a imposto;
b) Relativamente às entidades que não tenham sede nem direção
efetiva em território português, na data em que cessarem totalmente
o exercício da sua atividade através de estabelecimento estável ou
deixarem de obter rendimentos em território português.
6 - Independentemente dos factos previstos no número anterior,
pode ainda a administração fiscal declarar oficiosamente a cessação
de atividade quando for manifesto que esta não está a ser exercida
nem há intenção de a continuar a exercer, ou sempre que o sujeito
passivo tenha declarado o exercício de uma atividade sem que
possua uma adequada estrutura empresarial em condições de a
exercer.
7 - A cessação oficiosa a que se refere o n.º 6 não desobriga o
sujeito passivo do cumprimento das obrigações tributárias.
8 - O período de tributação pode ser superior a um ano
relativamente a sociedades e outras entidades em liquidação, em
que tem a duração correspondente à desta, nos termos
estabelecidos neste Código.
9 - O facto gerador do imposto considera-se verificado no último dia
do período de tributação.
10 - Excetuam-se do disposto no número anterior os seguintes
rendimentos, obtidos por entidades não residentes, que não sejam
imputáveis a estabelecimento estável situado em território
português:
a) Ganhos resultantes da transmissão onerosa de imóveis, em que
o facto gerador se considera verificado na data da transmissão;
b) Rendimentos objeto de retenção na fonte a título definitivo, em
que o facto gerador se considera verificado na data em que ocorra a
obrigação de efetuar aquela;
c) Incrementos patrimoniais referidos na alínea e) do n.º 3 do artigo
4.º, em que o facto gerador se considera verificado na data da
aquisição.
11 - Sempre que, no projeto de fusão ou cisão, seja fixada uma data
a partir da qual as operações das sociedades a fundir ou a cindir
são consideradas, do ponto de vista contabilístico, como efetuadas
por conta da sociedade beneficiária, a mesma data é considerada
relevante para efeitos fiscais desde que se situe num período de
tributação coincidente com aquele em que ocorra a produção dos
efeitos jurídicos da operação em causa.
12 - Quando seja aplicável o disposto no número anterior, os
resultados realizados pelas sociedades a fundir ou a cindir, durante
o período decorrido entre a data fixada no projeto e a data da
produção dos efeitos jurídicos da operação, são transferidos para
efeitos de serem incluídos no lucro tributável da sociedade.
Nota: (segundo o nº 2 do art.º 264.º da Lei n.º 71/2018, de 31/12):
“Norma transitória no âmbito do Código do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas
Coletivas
2- É devido, durante o mês de julho de 2019 ou, nos casos dos [Link] 2 e 3 do artigo 8.º do
Código do IRC, no sétimo mês do primeiro período de tributação que se inicie após 1 de
janeiro de 2019, um pagamento por conta autónomo, em valor correspondente à aplicação
da taxa prevista no n.º 1 do artigo 87.º do Código do IRC sobre o valor dos resultados
internos incluídos no lucro tributável do grupo nos termos do número anterior, o qual é
dedutível ao imposto a pagar na liquidação do IRC relativa ao primeiro período de
tributação que se inicie em ou após 1 de janeiro de 2019.”
(Cfr. norma transitória no final do diploma, de acordo com a Lei n.º 114/2017, de 29 de
dezembro)
CAPÍTULO II
Isenções
Artigo 9.º
Estado, regiões autónomas, autarquias
locais, suas associações de direito público e
federações e instituições de segurança
social
1 - Estão isentos de IRC:
a) O Estado, as regiões autónomas e as autarquias locais, bem
como qualquer dos seus serviços, estabelecimentos e organismos,
ainda que personalizados, compreendidos os institutos públicos,
com exceção das entidades públicas com natureza empresarial;
b) As associações e federações de municípios e as associações de
freguesia que não exerçam atividades comerciais, industriais ou
agrícolas;
c) As instituições de segurança social e previdência a que se
referem os artigos 94.º e 106.º da Lei n.º 4/2007, de 16 de janeiro;
(Redação do Decreto-Lei n.º 163/2019, de 25 de outubro)
d) Os fundos de capitalização e os rendimentos de capitais
administrados pelas instituições de segurança social e de
previdência a que se referem os artigos 94.º e 106.º da Lei n.º
4/2007, de 16 de janeiro, incluindo os juros decorrentes da
remuneração de dívida pública pagos a estas entidades. (Redação da
Lei n.º 82/2023, de 29 de dezembro)
2 - Sem prejuízo do disposto no n.º 4 do presente artigo, a isenção
prevista nas alíneas a) a c) do número anterior não compreende os
rendimentos de capitais tal como são definidos para efeitos de IRS.
3 - Não são abrangidos pela isenção prevista no n.º 1 os
rendimentos dos estabelecimentos fabris das Forças Armadas
provenientes de atividades não relacionadas com a defesa e
segurança nacionais.
4 - O Estado, atuando através da Agência de Gestão da Tesouraria
e da Dívida Pública - IGCP, E. P. E., está isento de IRC no que
respeita a rendimentos de capitais decorrentes de operações de
swap, operações cambiais a prazo e operações de reporte de
valores mobiliários, tal como são definidos para efeitos de IRS.
(Redação da Lei n.º 7-A/2016, de 30 de março)
Artigo 10.º
Pessoas coletivas com estatuto de utilidade pública e de
solidariedade social
(Epígrafe alterada pela Lei n.º 36/2021 de 14/06)
1 - Estão isentas de IRC:
a) (Revogada.) (Redação da Lei n.º 36/2021 de 14/06)
b) As instituições particulares de solidariedade social, bem como as
pessoas coletivas àquelas legalmente equiparadas;
c) As pessoas coletivas com estatuto de utilidade pública que
prossigam, exclusiva ou predominantemente, fins científicos ou
culturais, de caridade, assistência, beneficência, solidariedade
social, defesa do meio ambiente e interprofissionalismo
agroalimentar. (Redação da Lei n.º 36/2021 de 14/06)
2 - A isenção prevista na alínea c) do número anterior carece de
reconhecimento pelo membro do Governo responsável pela área
das finanças, a requerimento dos interessados, mediante despacho
publicado no Diário da República, que define a respetiva amplitude,
de harmonia com os fins prosseguidos e as atividades
desenvolvidas para a sua realização, pelas entidades em causa e as
informações dos serviços competentes da Autoridade Tributária e
Aduaneira e outras julgadas necessárias.
3 - A isenção prevista no n.º 1 não abrange os rendimentos
empresariais derivados do exercício das atividades comerciais ou
industriais desenvolvidas fora do âmbito dos fins estatutários, bem
como os rendimentos de títulos ao portador, não registados nem
depositados, nos termos da legislação em vigor, e é condicionada à
observância continuada dos seguintes requisitos:
a) Exercício efetivo, a título exclusivo ou predominante, de
atividades dirigidas à prossecução dos fins que justificaram a
isenção; (Redação da Lei n.º 36/2021 de 14/06)
b) Afetação aos fins referidos na alínea anterior de, pelo menos, 50
% do rendimento global líquido que seria sujeito a tributação nos
termos gerais, até ao fim do 4.º período de tributação posterior
àquele em que tenha sido obtido, salvo em caso de justo
impedimento no cumprimento do prazo de afetação, notificado ao da
Autoridade Tributária e Aduaneira, acompanhado da respetiva
fundamentação escrita, até ao último dia útil do 1.º mês
subsequente ao termo do referido prazo;
c) Inexistência de qualquer interesse direto ou indireto dos membros
dos órgãos estatutários, por si mesmos ou por interposta pessoa,
nos resultados da exploração das atividades económicas por elas
prosseguidas.
4 - O não cumprimento dos requisitos referidos nas alíneas a) e c)
do número anterior determina a perda da isenção, a partir do
correspondente período de tributação, inclusive.
5 - Em caso de incumprimento do requisito referido na alínea b) do
n.º 3, fica sujeita a tributação, no 4.º período de tributação posterior
ao da obtenção do rendimento global líquido, a parte desse
rendimento que deveria ter sido afeta aos respetivos fins.
Artigo 11.º
Atividades culturais, recreativas e
desportivas
1 - Estão isentos de IRC os rendimentos diretamente derivados do
exercício de atividades culturais, recreativas e desportivas.
2 - A isenção prevista no número anterior só pode beneficiar
associações legalmente constituídas para o exercício dessas
atividades e desde que se verifiquem cumulativamente as seguintes
condições:
a) Em caso algum distribuam resultados e os membros dos seus
órgãos sociais não tenham, por si ou interposta pessoa, algum
interesse direto ou indireto nos resultados de exploração das
atividades prosseguidas;
b) Disponham de contabilidade ou escrituração que abranja todas as
suas atividades e a ponham à disposição dos serviços fiscais,
designadamente para comprovação do referido na alínea anterior.
3 - Não se consideram rendimentos diretamente derivados do
exercício das atividades indicadas no n.º 1, para efeitos da isenção
aí prevista, os provenientes de qualquer atividade comercial,
industrial ou agrícola exercida, ainda que a título acessório, em
ligação com essas atividades e, nomeadamente, os provenientes de
publicidade, direitos respeitantes a qualquer forma de transmissão,
bens imóveis, aplicações financeiras e jogo do bingo.
Artigo 12.º
Sociedades e outras entidades abrangidas
pelo regime de transparência fiscal
As sociedades e outras entidades a que, nos termos do artigo 6.º,
seja aplicável o regime de transparência fiscal não são tributadas
em IRC, salvo quanto às tributações autónomas.
Artigo 13.º
Isenção de pessoas coletivas e outras
entidades de navegação marítima ou aérea
São isentos de IRC os lucros realizados pelas pessoas coletivas e
outras entidades de navegação marítima e aérea não residentes
provenientes da exploração de navios ou aeronaves, desde que
isenção recíproca e equivalente seja concedida às empresas
residentes da mesma natureza e essa reciprocidade seja
reconhecida pelo membro do Governo responsável pela área das
finanças, em despacho publicado no Diário da República.
Artigo 14.º
Outras isenções
1 - As isenções resultantes de acordo celebrado pelo Estado
mantêm-se no IRC, nos termos da legislação ao abrigo da qual
foram concedidas, com as necessárias adaptações.
2 - Estão ainda isentos de IRC os empreiteiros ou arrematantes,
nacionais ou estrangeiros, relativamente aos lucros derivados de
obras e trabalhos das infraestruturas comuns NATO a realizar em
território português, de harmonia com o Decreto-Lei n.º 41 561, de
17 de março de 1958.
3 - Estão isentos os lucros e reservas que uma entidade residente
em território português, sujeita e não isenta de IRC ou do imposto
referido no artigo 7.º e não abrangida pelo regime previsto no artigo
6.º, coloque à disposição de uma entidade que:
a) Seja residente:
1) Noutro Estado membro da União Europeia;
2) Num Estado membro do Espaço Económico Europeu que esteja
vinculado a cooperação administrativa no domínio da fiscalidade
equivalente à estabelecida no âmbito da União Europeia;
3) Num Estado com o qual tenha sido celebrada e se encontre em
vigor convenção para evitar a dupla tributação que preveja a troca
de informações; (Redação da Lei n.º 82-C/2014, de de 31 de dezembro)
b) Esteja sujeita e não isenta de um imposto referido no artigo 2.º da
Diretiva n.º 2011/96/UE, do Conselho, de 30 de novembro, ou de um
imposto de natureza idêntica ou similar ao IRC desde que, nas
situações previstas na subalínea 3) da alínea anterior, a taxa legal
aplicável à entidade não seja inferior a 60 % da taxa do IRC prevista
no n.º 1 do artigo 87.º;
c) Detenha direta ou direta e indiretamente, nos termos do n.º 6 do
artigo 69.º, uma participação não inferior a 10 % do capital social ou
dos direitos de voto da entidade que distribui os lucros ou reservas;
(Redação da Lei n.º 7-A/2016, de 30 de março)
d) Detenha a participação referida na alínea anterior de modo
ininterrupto, durante o ano anterior à colocação à disposição.
(Redação da Lei n.º 7-A/2016, de 30 de março)
4 - Para efeitos da aplicação do regime previsto no número anterior,
deve ser feita prova do cumprimento das respetivas condições,
perante a entidade que se encontra obrigada a efetuar a retenção
na fonte, em momento anterior à data da colocação à disposição
dos lucros e reservas distribuídos, devendo a prova relativa aos
requisitos estabelecidos nas alíneas a) e b) do número anterior ser
efetuada através de declaração confirmada e autenticada pelas
autoridades fiscais competentes do Estado de que é residente esta
entidade, sendo ainda de observar o previsto no artigo 119.º do
Código do IRS.
5 - Para efeitos do disposto no n.º 3, considera-se como entidade
residente a que, como tal, seja qualificada pela legislação fiscal do
respetivo Estado e que, ao abrigo das convenções destinadas a
evitar a dupla tributação celebradas por este Estado, não seja
considerada, para efeitos fiscais, residente noutro Estado.
6 - O disposto nos [Link] 3 e 4 é igualmente aplicável aos lucros e
reservas distribuídos que uma entidade residente em território
português coloque à disposição de um estabelecimento estável
situado noutro Estado membro da União Europeia ou do Espaço
Económico Europeu de uma entidade que cumpra os requisitos
estabelecidos nas alíneas a) a d) do n.º 3. (Redação da Lei n.º 82-C/2014, de
de 31 de dezembro)
7 - Para efeitos do disposto no número anterior, entende-se por
estabelecimento estável qualquer instalação fixa através da qual
uma sociedade exerce, no todo ou em parte, a sua atividade e
esteja sujeita a imposto, ao abrigo da convenção para evitar a dupla
tributação ou, na sua ausência, ao abrigo do direito nacional.
8 - Sem prejuízo do disposto nos [Link] 3, 4 e 5, estão ainda isentos
de IRC os lucros que uma entidade residente em território português
coloque à disposição de uma sociedade residente na Confederação
Suíça, nos termos e condições referidos no artigo 15.º do Acordo
entre a Comunidade Europeia e a Confederação Suíça, que prevê
medidas equivalentes às previstas na Diretiva n.º 2003/48/CE, do
Conselho, de 3 de junho, relativa à tributação dos rendimentos da
poupança sob a forma de juros, sempre que:
a) A sociedade beneficiária dos lucros tenha uma participação
mínima direta de 25 % no capital da sociedade que distribui os
lucros desde há pelo menos dois anos; e
b) Nos termos das convenções destinadas a evitar a dupla
tributação celebradas por Portugal e pela Suíça com quaisquer
Estados terceiros, nenhuma das entidades tenha residência fiscal
nesse Estado terceiro; e
c) Ambas as entidades estejam sujeitas a imposto sobre o
rendimento das sociedades sem beneficiarem de uma qualquer
isenção e ambas revistam a forma de sociedade limitada.
9 - A prova da verificação das condições e requisitos de que
depende a aplicação do disposto no número anterior é efetuada nos
termos previstos na parte final do n.º 4, com as necessárias
adaptações.
10 - (Revogado.)
11 - (Revogado.)
12 - Estão isentos de IRC os juros e royalties, cujo beneficiário
efetivo seja uma sociedade de outro Estado membro da União
Europeia ou um estabelecimento estável situado noutro Estado
membro de uma sociedade de um Estado membro, devidos ou
pagos por sociedades comerciais ou civis sob forma comercial,
cooperativas e empresas públicas residentes em território português
ou por um estabelecimento estável aí situado de uma sociedade de
outro Estado membro, desde que verificados os termos, requisitos e
condições estabelecidos na Diretiva n.º 2003/49/CE, do Conselho,
de 3 de junho.
13 - A isenção prevista no número anterior depende da verificação
dos requisitos e condições seguintes:
a) As sociedades beneficiárias dos juros ou royalties:
i) Estejam sujeitas a um dos impostos sobre os lucros enumerados
na subalínea iii) da alínea a) do artigo 3.º da Diretiva n.º
2003/49/CE, do Conselho, de 3 de junho, sem beneficiar de
qualquer isenção;
ii) Assumam uma das formas jurídicas enunciadas na lista do anexo
à Diretiva n.º 2003/49/CE, do Conselho, de 3 de junho;
iii) Sejam consideradas residentes de um Estado membro da União
Europeia e que, ao abrigo das convenções destinadas a evitar a
dupla tributação, não sejam consideradas, para efeitos fiscais, como
residentes fora da União Europeia;
b) A entidade residente em território português ou a sociedade de
outro Estado membro com estabelecimento estável aí situado seja
uma sociedade associada à sociedade que é o beneficiário efetivo
ou cujo estabelecimento estável é considerado como beneficiário
efetivo dos juros ou royalties, o que se verifica quando uma
sociedade:
i) Detém uma participação direta de, pelo menos, 25 % no capital de
outra sociedade; ou
ii) A outra sociedade detém uma participação direta de, pelo menos,
25 % no seu capital; ou
iii) Quando uma terceira sociedade detém uma participação direta
de, pelo menos, 25 % tanto no seu capital como no capital da outra
sociedade e, em qualquer dos casos, a participação seja detida de
modo ininterrupto durante um período mínimo de dois anos;
c) Quando o pagamento seja efetuado por um estabelecimento
estável, os juros ou os royalties constituam encargos relativos à
atividade exercida por seu intermédio e sejam dedutíveis para
efeitos da determinação do lucro tributável que lhe for imputável;
d) A sociedade a quem são efetuados os pagamentos dos juros ou
royalties seja o beneficiário efetivo desses rendimentos,
considerando-se verificado esse requisito quando aufira os
rendimentos por conta própria e não na qualidade de intermediária,
seja como representante, gestor fiduciário ou signatário autorizado
de terceiros e no caso de um estabelecimento estável ser
considerado o beneficiário efetivo, o crédito, o direito ou a utilização
de informações de que resultam os rendimentos estejam
efetivamente relacionados com a atividade desenvolvida por seu
intermédio e constituam rendimento tributável para efeitos da
determinação do lucro que lhe for imputável no Estado membro em
que esteja situado.
14 - Para efeitos de aplicação do disposto no n.º 12, entende-se por:
a) «Juros», os rendimentos de créditos de qualquer natureza, com
ou sem garantia hipotecária e com direito ou não a participar nos
lucros do devedor, e em particular os rendimentos de títulos e de
obrigações que gozem ou não de garantia especial, incluindo os
prémios associados a esses títulos e obrigações, com exceção das
penalizações por mora no pagamento;
b) «Royalties», as remunerações de qualquer natureza recebidas
em contrapartida da utilização, ou concessão do direito de
utilização, de direitos de autor sobre obras literárias, artísticas ou
científicas, incluindo filmes cinematográficos e suportes lógicos,
patentes, marcas registadas, desenhos ou modelos, planos,
fórmulas ou processos secretos, ou em contrapartida de
informações relativas à experiência adquirida no domínio industrial,
comercial ou científico e, bem assim, em contrapartida da utilização
ou da concessão do direito de utilização de equipamento industrial,
comercial ou científico;
c) «Estabelecimento estável», uma instalação fixa situada em
território português ou noutro Estado membro através da qual uma
sociedade de um Estado membro sujeita a um dos impostos sobre
os lucros enumerados na subalínea iii) da alínea a) do artigo 3.º da
Diretiva n.º 2003/49/CE, do Conselho, de 3 de junho, sem beneficiar
de qualquer isenção e que cumpre os demais requisitos e condições
referidos no número anterior exerce no todo ou em parte uma
atividade de natureza comercial, industrial ou agrícola.
15 - A isenção prevista no n.º 12 não é aplicável:
a) Aos juros e royalties obtidos em território português por uma
sociedade de outro Estado membro ou por um estabelecimento
estável situado noutro Estado membro de uma sociedade de um
Estado membro, quando a maioria do capital ou a maioria dos
direitos de voto dessa sociedade são detidos, direta ou
indiretamente, por um ou vários residentes de países terceiros,
exceto quando seja feita prova de que a cadeia de participações não
tem como objetivo principal ou como um dos objetivos principais
beneficiar da redução da taxa de retenção na fonte;
b) Em caso de existência de relações especiais, nos termos do
disposto no n.º 4 do artigo 63.º, entre o pagador ou o devedor e o
beneficiário efetivo dos juros ou royalties, ou entre ambos e um
terceiro, ao excesso sobre o montante dos juros ou royalties que, na
ausência de tais relações, teria sido acordado entre o pagador e o
beneficiário efetivo.
16 - Estão ainda isentos de IRC os pagamentos de juros e royalties
entre uma sociedade residente em território português, ou um
estabelecimento estável aí localizado, e uma sociedade residente na
Confederação Suíça, ou um estabelecimento estável aí localizado,
nos termos e condições referidos no artigo 15.º do Acordo entre a
Comunidade Europeia e a Confederação Suíça, que prevê medidas
equivalentes às previstas na Diretiva n.º 2003/48/CE, do Conselho,
de 3 de junho, relativa à tributação dos rendimentos da poupança
sob a forma de juros, sempre que estejam verificados os requisitos e
condições previstos nos [Link] 13 a 15, com as necessárias
adaptações.
17 - O disposto nos [Link] 3, 6 e 8 não é aplicável aos lucros e
reservas distribuídos quando exista uma construção ou série de
construções que, tendo sido realizada com a finalidade principal ou
uma das finalidades principais de obter uma vantagem fiscal que
frustre o objeto e finalidade de eliminar a dupla tributação sobre tais
rendimentos, não seja considerada genuína, tendo em conta todos
os factos e circunstâncias relevantes. (Redação do artigo 2º da Lei n.º 5/2016 -
de 29 de fevereiro, com retificação da Declaração de Retificação n.º 4/2016 - de 19 de
abril)
18 - Para efeitos do número anterior, considera-se que uma
construção ou série de construções não é genuína na medida em
que não seja realizada por razões económicas válidas e não reflita
substância económica. (Redação do artigo 2º da Lei n.º 5/2016 - de 29 de
fevereiro)
19 - O disposto nos n.º 3, 6 e 8 não é aplicável quando a entidade
residente em território português que coloca os lucros e reservas à
disposição não tenha cumprido as obrigações declarativas previstas
no Regime Jurídico do Registo Central do Beneficiário Efetivo e,
bem assim, nas situações em que o beneficiário efetivo declarado,
ou algum dos beneficiários efetivos declarados nos termos daquele
regime, tenham residência ou domicílio em país, território ou região
sujeito a um regime fiscal claramente mais favorável constante de
lista aprovada por portaria do membro do Governo responsável pela
área das finanças, salvo quando, sem prejuízo dos demais
requisitos previstos neste artigo, o sujeito passivo comprove que a
sociedade beneficiária de tais rendimentos não integra uma
construção ou série de construções abrangida pelo disposto nos [Link]
17 e 18. (Redação da Lei n.º 89/2017 - de 21 de agostol)
CAPÍTULO III
Determinação da matéria coletável
SECÇÃO I
Disposições gerais
Artigo 15.º
Definição da matéria coletável
1 - Para efeitos deste Código:
a) Relativamente às pessoas coletivas e entidades referidas na
alínea a) do n.º 1 do artigo 3.º, a matéria coletável obtém-se pela
dedução ao lucro tributável, determinado nos termos dos artigos
17.º e seguintes, dos montantes correspondentes a:
1) Prejuízos fiscais, nos termos do artigo 52.º;
2) Benefícios fiscais eventualmente existentes que consistam em
deduções naquele lucro;
b) Relativamente às pessoas coletivas e entidades referidas na
alínea b) do n.º 1 do artigo 3.º, a matéria coletável obtém-se pela
dedução ao rendimento global, incluindo os incrementos
patrimoniais obtidos a título gratuito, determinados nos termos do
artigo 53.º, dos seguintes montantes:
1) Gastos comuns e outros imputáveis aos rendimentos sujeitos a
imposto e não isentos, nos termos do artigo 54.º;
2) Benefícios fiscais eventualmente existentes que consistam em
deduções naquele rendimento;
c) Relativamente às entidades não residentes com estabelecimento
estável em território português, a matéria coletável obtém-se pela
dedução ao lucro tributável imputável a esse estabelecimento,
determinado nos termos do artigo 55.º, dos montantes
correspondentes a:
1) Prejuízos fiscais imputáveis a esse estabelecimento estável, nos
termos do artigo 52.º, com as necessárias adaptações, bem como
os anteriores à cessação de atividade por virtude de deixarem de
situar-se em território português a sede e a direção efetiva, na
proporção do valor de mercado dos elementos patrimoniais afetos a
esse estabelecimento estável;
2) Benefícios fiscais eventualmente existentes que consistam em
deduções naquele lucro;
d) Relativamente às entidades não residentes que obtenham em
território português rendimentos não imputáveis a estabelecimento
estável aí situado, a matéria coletável é constituída pelos
rendimentos das várias categorias e, bem assim, pelos incrementos
patrimoniais obtidos a título gratuito, determinados nos termos do
artigo 56.º
2 - Quando haja lugar à determinação do lucro tributável por
métodos indiretos, nos termos dos artigos 57.º e seguintes, o
disposto nas alíneas a), b) e c) do número anterior é aplicável, com
as necessárias adaptações.
3 - O disposto nos artigos 63.º e seguintes é aplicável, quando for
caso disso, na determinação da matéria coletável das pessoas
coletivas e outras entidades referidas nas alíneas a), b) e c) do n.º 1.
Artigo 16.º
Métodos e competência para a determinação
da matéria coletável
1 - A matéria coletável é, em regra, determinada com base em
declaração do sujeito passivo, sem prejuízo do seu controlo pela
administração fiscal.
2 - Na falta de declaração, compete à Autoridade Tributária e
Aduaneira, quando for caso disso, a determinação da matéria
coletável.
3 - A determinação da matéria coletável no âmbito da avaliação
direta, quando seja efetuada ou objeto de correção pelos serviços
da Autoridade Tributária e Aduaneira, é da competência do diretor
de finanças da área da sede, direção efetiva ou estabelecimento
estável do sujeito passivo, ou do diretor da Unidade dos Grandes
Contribuintes nos casos que sejam objeto de correções efetuadas
por esta no exercício das suas atribuições, ou por funcionário em
que por qualquer deles seja delegada competência.
4 - A determinação do lucro tributável por métodos indiretos só pode
efetuar-se nos termos e condições referidos na secção v.
SECÇÃO II
Pessoas coletivas e outras entidades
residentes que exerçam, a título principal,
atividade comercial, industrial ou agrícola
SUBSECÇÃO I
Regras gerais
Artigo 17.º
Determinação do lucro tributável
1 - O lucro tributável das pessoas coletivas e outras entidades
mencionadas na alínea a) do n.º 1 do artigo 3.º é constituído pela
soma algébrica do resultado líquido do período e das variações
patrimoniais positivas e negativas verificadas no mesmo período e
não refletidas naquele resultado, determinados com base na
contabilidade e eventualmente corrigidos nos termos deste Código.
2 - Para efeitos do disposto no número anterior, os excedentes
líquidos das cooperativas consideram-se como resultado líquido do
período.
3 - De modo a permitir o apuramento referido no n.º 1, a
contabilidade deve:
a) Estar organizada de acordo com a normalização contabilística e
outras disposições legais em vigor para o respetivo setor de
atividade, sem prejuízo da observância das disposições previstas
neste Código;
b) Refletir todas as operações realizadas pelo sujeito passivo e ser
organizada de modo que os resultados das operações e variações
patrimoniais sujeitas ao regime geral do IRC possam claramente
distinguir-se dos das restantes.
c) Estar organizada com recurso a meios informáticos. (Aditada pela Lei
n.º 114/2017, de 29 de dezembro)
Artigo 18.º
Periodização do lucro tributável
1 - Os rendimentos e os gastos, assim como as outras componentes
positivas ou negativas do lucro tributável, são imputáveis ao período
de tributação em que sejam obtidos ou suportados,
independentemente do seu recebimento ou pagamento, de acordo
com o regime de periodização económica.
2 - As componentes positivas ou negativas consideradas como
respeitando a períodos anteriores só são imputáveis ao período de
tributação quando na data de encerramento das contas daquele a
que deviam ser imputadas eram imprevisíveis ou manifestamente
desconhecidas.
3 - Para efeitos de aplicação do disposto no n.º 1:
a) Os réditos relativos a vendas consideram-se em geral realizados,
e os correspondentes gastos suportados, na data da entrega ou
expedição dos bens correspondentes ou, se anterior, na data em
que se opera a transferência de propriedade;
b) Os réditos relativos a prestações de serviços consideram-se em
geral realizados, e os correspondentes gastos suportados, na data
em que o serviço é concluído, exceto tratando-se de serviços que
consistam na prestação de mais de um ato ou numa prestação
continuada ou sucessiva, que são imputáveis proporcionalmente à
sua execução;
c) Os réditos e os gastos de contratos de construção devem ser
periodizados tendo em consideração o disposto no artigo 19.º
4 - Para efeitos do disposto na alínea a) do número anterior, não se
tomam em consideração eventuais cláusulas de reserva de
propriedade, sendo assimilada a venda com reserva de propriedade
a locação em que exista uma cláusula de transferência de
propriedade vinculativa para ambas as partes.
5 - Os réditos relativos a vendas e a prestações de serviços, bem
como os gastos referentes a inventários e a fornecimentos e
serviços externos, são imputáveis ao período de tributação a que
respeitam pela quantia nominal da contraprestação.
6 - A determinação de resultados nas obras efetuadas por conta
própria vendidas fracionadamente é efetuada à medida que forem
sendo concluídas e entregues aos adquirentes, ainda que não
sejam conhecidos exatamente os custos totais das mesmas.
7 - Os gastos das explorações silvícolas plurianuais podem ser
imputados ao lucro tributável tendo em consideração o ciclo de
produção, caso em que a quota parte desses gastos, equivalente à
percentagem que a extração efetuada no período de tributação
represente na produção total do mesmo produto, e ainda não
considerada em período de tributação anterior, é atualizada pela
aplicação dos coeficientes constantes da portaria a que se refere o
artigo 47.º
8 - Os rendimentos e gastos, assim como quaisquer outras
variações patrimoniais, relevados em consequência da utilização do
método da equivalência patrimonial ou, no caso de
empreendimentos conjuntos que sejam sujeitos passivos de IRC, do
método de consolidação proporcional, não concorrem para a
determinação do lucro tributável, devendo os rendimentos
provenientes dos lucros distribuídos ser imputados ao período de
tributação em que se adquire o direito aos mesmos.
9 - Os ajustamentos decorrentes da aplicação do justo valor não
concorrem para a formação do lucro tributável, sendo imputados
como rendimentos ou gastos no período de tributação em que os
elementos ou direitos que lhes deram origem sejam alienados,
exercidos, extintos ou liquidados, exceto quando:
a) Respeitem a instrumentos financeiros reconhecidos pelo justo
valor através de resultados, desde que, quando se trate de
instrumentos de capital próprio, tenham um preço formado num
mercado regulamentado e o sujeito passivo não detenha, direta ou
indiretamente, uma participação no capital igual ou superior a 5% do
respetivo capital social; ou (Redação da Declaração de Retificação n.º 18/2014 –
de 13 de março)
b) Tal se encontre expressamente previsto neste Código.
10 - Para efeitos do cálculo do nível percentual de participação
indireta no capital a que se refere o número anterior são aplicáveis
os critérios previstos no n.º 2 do artigo 483.º do Código das
Sociedades Comerciais.
11 - Os pagamentos com base em ações, efetuados aos
trabalhadores e membros dos órgãos estatutários, em razão da
prestação de trabalho ou de exercício de cargo ou função,
concorrem para a formação do lucro tributável do período de
tributação em que os respetivos direitos ou opções sejam exercidos,
pelas quantias liquidadas ou, se aplicável, pela diferença entre o
valor dos instrumentos de capital próprio atribuídos e o respetivo
preço de exercício pago.
12 - Exceto quando estejam abrangidos pelo disposto no artigo 43.º,
os gastos relativos a benefícios de cessação de emprego,
benefícios de reforma e outros benefícios pós emprego ou a longo
prazo dos empregados que não sejam considerados rendimentos de
trabalho dependente, nos termos da primeira parte do n.º 3) da
alínea b) do n.º 3 do artigo 2.º do Código do IRS, são imputáveis ao
período de tributação em que as importâncias sejam pagas ou
colocadas à disposição dos respetivos beneficiários.
Artigo 19.º
Contratos de construção
1 - A determinação dos resultados de contratos de construção é
efetuada segundo o critério da percentagem de acabamento.
2 - Para efeitos do disposto no número anterior, a percentagem de
acabamento no final de cada período de tributação corresponde à
proporção entre os gastos suportados até essa data e a soma
desses gastos com os estimados para a conclusão do contrato.
3 - Quando, de acordo com a normalização contabilística, o
desfecho de um contrato de construção não possa ser estimado de
forma fiável, considera-se que o rédito do contrato corresponde aos
gastos totais do contrato.
4 - Não são dedutíveis as perdas esperadas relativas a contratos de
construção correspondentes a gastos ainda não suportados.
5 - (Revogado.)
6 - (Revogado.)
Artigo 20.º
Rendimentos e ganhos
1 - Consideram-se rendimentos e ganhos os resultantes de
operações de qualquer natureza, em consequência de uma ação
normal ou ocasional, básica ou meramente acessória,
nomeadamente:
a) Os relativos a vendas ou prestações de serviços, descontos,
bónus e abatimentos, comissões e corretagens;
b) Rendimentos de imóveis;
c) De natureza financeira, tais como juros, dividendos, descontos,
ágios, transferências, diferenças de câmbio, prémios de emissão de
obrigações e os resultantes da aplicação do método do juro efetivo
aos instrumentos financeiros valorizados pelo custo amortizado;
d) Rendimentos da propriedade industrial ou outros análogos;
e) Prestações de serviços de caráter científico ou técnico;
f) Ganhos por aumentos de justo valor em instrumentos financeiros;
(Redação da Declaração de Retificação n.º 18/2014 – de 13 de março)
g) Ganhos por aumentos de justo valor em ativos biológicos
consumíveis que não sejam explorações silvícolas plurianuais;
(Redação da Declaração de Retificação n.º 18/2014 – de 13 de março)
h) Mais-valias realizadas;
i) Indemnizações auferidas, seja a que título for;
j) Subsídios à exploração.
2 - É ainda considerado como rendimento o valor correspondente
aos produtos entregues a título de pagamento do imposto sobre a
produção do petróleo que for devido nos termos da legislação
aplicável.
3 - Não concorre para a formação do lucro tributável do associante,
na associação à quota, o rendimento auferido da sua participação
social correspondente ao valor da prestação por si devida ao
associado.
4 - É ainda considerada como rendimento a diferença positiva entre
o montante entregue aos sócios em resultado da redução do capital
social e o valor de aquisição das respetivas partes de capital.
5 - É ainda considerado como rendimento o montante da redução,
total ou parcial, irrevogável do valor do capital em dívida de
obrigações subordinadas ou outros títulos subordinados em que se
verifiquem os requisitos previstos no n.º 2 do artigo 24.º. (Aditado pela
Lei n.º 119/2019, de 18 de setembro)
Artigo 21.º
Variações patrimoniais positivas
1 - Concorrem ainda para a formação do lucro tributável as
variações patrimoniais positivas não refletidas no resultado líquido
do período de tributação, exceto:
a) As entradas de capital, incluindo os prémios de emissão de ações
ou quotas, as coberturas de prejuízos, a qualquer título, feitas pelos
titulares do capital, bem como outras variações patrimoniais
positivas que decorram de operações sobre ações, quotas e outros
instrumentos de capital próprio da entidade emitente, incluindo as
que resultem da atribuição de instrumentos financeiros derivados
que devam ser reconhecidos como instrumentos de capital próprio;
b) As mais-valias potenciais ou latentes, ainda que expressas na
contabilidade, incluindo as reservas de reavaliação ao abrigo de
legislação de caráter fiscal;
c) As contribuições, incluindo a participação nas perdas do
associado ao associante, no âmbito da associação em participação
e da associação à quota;
d) As relativas a impostos sobre o rendimento;
e) O aumento do capital próprio da sociedade beneficiária
decorrente de operações de fusão, cisão, entrada de ativos ou
permuta de partes sociais, com exclusão da componente que
corresponder à anulação das partes de capital detidas por esta nas
sociedades fundidas ou cindidas.
2 - Para efeitos da determinação do lucro tributável, considera-se
como valor de aquisição dos incrementos patrimoniais obtidos a
título gratuito o seu valor de mercado, não podendo ser inferior ao
que resultar da aplicação das regras de determinação do valor
tributável previstas no Código do Imposto do Selo.
Artigo 22.º
Subsídios relacionados com ativos não
correntes
1 - A inclusão no lucro tributável dos subsídios relacionados com
ativos não correntes obedece às seguintes regras:
a) Quando os subsídios respeitem a ativos depreciáveis ou
amortizáveis, deve ser incluída no lucro tributável uma parte do
subsídio atribuído, independentemente do recebimento, na mesma
proporção da depreciação ou amortização calculada sobre o custo
de aquisição ou de produção, sem prejuízo do disposto no n.º 2;
b) Quando os subsídios respeitem a ativos intangíveis sem vida útil
definida, deve ser incluída no lucro tributável uma parte do subsídio
atribuído, independentemente do recebimento, na proporção
prevista no artigo 45.º-A;
c) Quando os subsídios respeitem a propriedades de investimento e
a ativos biológicos não consumíveis, mensurados pelo modelo do
justo valor, deve ser incluída no lucro tributável uma parte do
subsídio atribuído, independentemente do recebimento, na
proporção prevista no artigo 45.º-A;
d) Quando os subsídios não respeitem aos ativos referidos nas
alíneas anteriores, devem ser incluídos no lucro tributável, em
frações iguais, durante os períodos de tributação em que os
elementos a que respeitam sejam inalienáveis, nos termos da lei ou
do contrato ao abrigo dos quais os mesmos foram concedidos, ou,
nos restantes casos, durante 10 anos, sendo o primeiro o do
recebimento do subsídio.
2 - Nos casos em que a inclusão no lucro tributável dos subsídios se
efetue, nos termos da alínea a) do número anterior, na proporção da
depreciação ou amortização calculada sobre o custo de aquisição,
tem como limite mínimo a que proporcionalmente corresponder à
quota mínima de depreciação ou amortização nos termos do n.º 4
do artigo 31.º-A.
Artigo 23.º
Gastos e perdas
1 - Para a determinação do lucro tributável, são dedutíveis todos os
gastos e perdas incorridos ou suportados pelo sujeito passivo para
obter ou garantir os rendimentos sujeitos a IRC.
2 - Consideram-se abrangidos pelo número anterior,
nomeadamente, os seguintes gastos e perdas:
a) Os relativos à produção ou aquisição de quaisquer bens ou
serviços, tais como matérias utilizadas, mão-de-obra, energia e
outros gastos gerais de produção, conservação e reparação;
b) Os relativos à distribuição e venda, abrangendo os de
transportes, publicidade e colocação de mercadorias e produtos;
c) De natureza financeira, tais como juros de capitais alheios
aplicados na exploração, descontos, ágios, transferências,
diferenças de câmbio, gastos com operações de crédito, cobrança
de dívidas e emissão de obrigações e outros títulos, prémios de
reembolso e os resultantes da aplicação do método do juro efetivo
aos instrumentos financeiros valorizados pelo custo amortizado;
d) De natureza administrativa, tais como remunerações, incluindo as
atribuídas a título de participação nos lucros, ajudas de custo,
material de consumo corrente, transportes e comunicações, rendas,
contencioso, seguros, incluindo os de vida, doença ou saúde, e
operações do ramo «Vida», contribuições para fundos de poupança-
reforma, contribuições para fundos de pensões e para quaisquer
regimes complementares da segurança social, bem como gastos
com benefícios de cessação de emprego e outros benefícios pós-
emprego ou a longo prazo dos empregados;
e) Os relativos a análises, racionalização, investigação, consulta e
projetos de desenvolvimento;
f) De natureza fiscal e parafiscal;
g) Depreciações e amortizações;
h) Perdas por imparidade;
i) Provisões;
j) Perdas por reduções de justo valor em instrumentos financeiros;
k) Perdas por reduções de justo valor em ativos biológicos
consumíveis que não sejam explorações silvícolas plurianuais;
l) Menos-valias realizadas;
m) Indemnizações resultantes de eventos cujo risco não seja
segurável.
3 - Os gastos dedutíveis nos termos dos números anteriores devem
estar comprovados documentalmente, independentemente da
natureza ou suporte dos documentos utilizados para esse efeito.
4 - No caso de gastos incorridos ou suportados pelo sujeito passivo
com a aquisição de bens ou serviços, o documento comprovativo a
que se refere o número anterior deve conter, pelo menos, os
seguintes elementos:
a) Nome ou denominação social do fornecedor dos bens ou
prestador dos serviços e do adquirente ou destinatário;
b) Números de identificação fiscal do fornecedor dos bens ou
prestador dos serviços e do adquirente ou destinatário, sempre que
se tratem de entidades com residência ou estabelecimento estável
no território nacional;
c) Quantidade e denominação usual dos bens adquiridos ou dos
serviços prestados;
d) Valor da contraprestação, designadamente o preço;
e) Data em que os bens foram adquiridos ou em que os serviços
foram realizados.
5 - (Revogado.)
6 - Quando o fornecedor dos bens ou prestador dos serviços esteja
obrigado à emissão de fatura ou documento legalmente equiparado
nos termos do Código do IVA, o documento comprovativo das
aquisições de bens ou serviços previsto no n.º 4 deve
obrigatoriamente assumir essa forma.
7 - Os gastos respeitantes a ações preferenciais sem voto
classificadas como passivo financeiro de acordo com a
normalização contabilística em vigor, incluindo os gastos com a
emissão destes títulos, são dedutíveis para efeitos da determinação
do lucro tributável da entidade emitente. (Redação da Lei n.º 82-C/2014, de
31 de dezembro)
Artigo 23.º-A
Encargos não dedutíveis para efeitos fiscais
1 - Não são dedutíveis para efeitos da determinação do lucro
tributável os seguintes encargos, mesmo quando contabilizados
como gastos do período de tributação:
a) O IRC, incluindo as tributações autónomas, e quaisquer outros
impostos que direta ou indiretamente incidam sobre os lucros;
b) As despesas não documentadas;
c) Os encargos cuja documentação não cumpra o disposto nos [Link]
3 e 4 do artigo 23.º, bem como os encargos evidenciados em
documentos emitidos por sujeitos passivos com número de
identificação fiscal inexistente ou inválido, por sujeitos passivos cuja
cessação de atividade tenha sido declarada oficiosamente nos
termos do n.º 6 do artigo 8.º ou por sujeitos passivos que não
tenham entregue a declaração de inscrição, prevista na alínea a) do
n.º 1 do artigo 117.º; (Redação da Lei n.º 12/2022, de 27 de junho)
d) As despesas ilícitas, designadamente as que decorram de
comportamentos que fundadamente indiciem a violação da
legislação penal portuguesa, mesmo que ocorridos fora do alcance
territorial da sua aplicação;
e) As multas, coimas e demais encargos, incluindo os juros
compensatórios e moratórios, pela prática de infrações de qualquer
natureza que não tenham origem contratual, bem como por
comportamentos contrários a qualquer regulamentação sobre o
exercício da atividade;
f) Os impostos, taxas e outros tributos que incidam sobre terceiros
que o sujeito passivo não esteja legalmente obrigado a suportar;
g) As indemnizações pela verificação de eventos cujo risco seja
segurável;
h) As ajudas de custo e os encargos com compensação pela
deslocação em viatura própria do trabalhador, ao serviço da
entidade patronal, não faturados a clientes, escriturados a qualquer
título, sempre que a entidade patronal não possua, por cada
pagamento efetuado, um mapa através do qual seja possível efetuar
o controlo das deslocações a que se referem aqueles encargos,
designadamente os respetivos locais, tempo de permanência,
objetivo e, no caso de deslocação em viatura própria do trabalhador,
identificação da viatura e do respetivo proprietário, bem como o
número de quilómetros percorridos, exceto na parte em que haja
lugar a tributação em sede de IRS na esfera do respetivo
beneficiário;
i) Os encargos com o aluguer sem condutor de viaturas ligeiras de
passageiros ou mistas, na parte correspondente ao valor das
depreciações dessas viaturas que, nos termos das alíneas c) e e) do
n.º 1 do artigo 34.º, não sejam aceites como gastos;
j) Os encargos com combustíveis na parte em que o sujeito passivo
não faça prova de que os mesmos respeitam a bens pertencentes
ao seu ativo ou por ele utilizados em regime de locação e de que
não são ultrapassados os consumos normais;
k) Os encargos relativos a barcos de recreio e aeronaves de
passageiros que não estejam afetos à exploração do serviço público
de transportes nem se destinem a ser alugados no exercício da
atividade normal do sujeito passivo;
l) As menos-valias realizadas relativas a barcos de recreio, aviões
de turismo e viaturas ligeiras de passageiros ou mistas, que não
estejam afetos à exploração de serviço público de transportes nem
se destinem a ser alugados no exercício da atividade normal do
sujeito passivo, exceto na parte em que correspondam ao valor
fiscalmente depreciável nos termos da alínea e) do n.º 1 do artigo
34.º ainda não aceite como gasto;
m) Os juros e outras formas de remuneração de suprimentos e
empréstimos feitos pelos sócios à sociedade, na parte em que
excedam a taxa definida por portaria do membro do Governo
responsável pela área das finanças, salvo no caso de se aplicar o
regime estabelecido no artigo 63.º;
n) Os gastos relativos à participação nos lucros por membros de
órgãos sociais e trabalhadores da empresa, quando as respetivas
importâncias não sejam pagas ou colocadas à disposição dos
beneficiários até ao fim do período de tributação seguinte;
o) Sem prejuízo do disposto na alínea anterior, os gastos relativos à
participação nos lucros por membros de órgãos sociais, quando os
beneficiários sejam titulares, direta ou indiretamente, de partes
representativas de, pelo menos, 1 % do capital social, na parte em
que exceda o dobro da remuneração mensal auferida no período de
tributação a que respeita o resultado em que participam;
p) A contribuição sobre o setor bancário;
q) A contribuição extraordinária sobre o setor energético;
r) As importâncias pagas ou devidas, a qualquer título, a pessoas
singulares ou coletivas residentes fora do território português e aí
submetidas a um regime fiscal a que se referem os [Link] 1 ou 5 do
artigo 63.º-D da Lei Geral Tributária, ou cujo pagamento seja
efetuado em contas abertas em instituições financeiras aí residentes
ou domiciliadas, salvo se o sujeito passivo provar que tais encargos
correspondem a operações efetivamente realizadas e não têm um
caráter anormal ou um montante exagerado. (Redação da Lei n.º 42/2016,
de 28 de dezembro)
s) A contribuição extraordinária sobre a indústria farmacêutica.
(Aditada pela Lei n.º 114/2017, de 29 de dezembro)
2 - Não concorrem para a formação do lucro tributável as menos-
valias e outras perdas relativas a instrumentos de capital próprio, na
parte do valor que corresponda aos lucros ou reservas distribuídos
ou às mais-valias realizadas com a transmissão onerosa de partes
sociais da mesma entidade que tenham beneficiado, no próprio
período de tributação ou nos quatro períodos anteriores, da dedução
prevista no artigo 51.º, do crédito por dupla tributação económica
internacional prevista no artigo 91.º-A ou da dedução prevista no
artigo 51.º-C.
3 - Não são aceites como gastos do período de tributação os
suportados com a transmissão onerosa de instrumentos de capital
próprio, qualquer que seja o título por que se opere, de entidades
com residência ou domicílio em país, território ou região sujeito a um
regime fiscal claramente mais favorável constante de lista aprovada
por portaria do membro do Governo responsável pela área das
finanças.
4 - A Autoridade Tributária e Aduaneira deve disponibilizar a
informação relativa à situação cadastral dos sujeitos passivos, que
seja considerada relevante para efeitos do disposto na segunda
parte da alínea c) do n.º 1.
5 - No caso de não se verificar o requisito enunciado na alínea n) do
n.º 1, ao valor do IRC liquidado relativamente ao período de
tributação seguinte adiciona-se o IRC que deixou de ser liquidado
em resultado da dedução das importâncias que não tenham sido
pagas ou colocadas à disposição dos interessados no prazo
indicado, acrescido dos juros compensatórios correspondentes.
6 - Para efeitos da verificação da percentagem fixada na alínea o)
do n.º 1, considera-se que o beneficiário detém indiretamente as
partes do capital da sociedade quando as mesmas sejam da
titularidade do cônjuge, respetivos ascendentes ou descendentes
até ao 2.º grau, sendo igualmente aplicáveis, com as necessárias
adaptações, as regras sobre a equiparação da titularidade
estabelecidas no Código das Sociedades Comerciais.
7 - O disposto na alínea r) do n.º 1 aplica-se igualmente às
importâncias indiretamente pagas ou devidas, a qualquer título, às
pessoas singulares ou coletivas residentes fora do território
português e aí submetidas a um regime fiscal claramente mais
favorável a que se referem os [Link] 1 ou 5 do artigo 63.º-D da Lei
Geral Tributária, quando o sujeito passivo tenha ou devesse ter
conhecimento do seu destino, presumindo-se esse conhecimento
quando existam relações especiais, nos termos do n.º 4 do artigo
63.º, entre o sujeito passivo e as referidas pessoas singulares ou
coletivas, ou entre o sujeito passivo e o mandatário, fiduciário ou
interposta pessoa que procede ao pagamento às pessoas
singulares ou coletivas. (Redação da Lei n.º 42/2016, de 28 de dezembro)
8 - A Autoridade Tributária e Aduaneira notifica o sujeito passivo para
produção da prova referida na alínea r) do n.º 1, devendo, para o
efeito, ser fixado um prazo não inferior a 30 dias.
9 - Tratando-se de sociedades de profissionais sujeitas ao regime de
transparência fiscal, pode ser fixado por portaria do membro do
Governo responsável pela área das finanças o número máximo de
veículos e o respetivo valor para efeitos de dedução dos
correspondentes encargos.
Artigo 24.º
Variações patrimoniais negativas
1 - Nas mesmas condições referidas para os gastos e perdas,
concorrem ainda para a formação do lucro tributável as variações
patrimoniais negativas não refletidas no resultado líquido do período
de tributação, exceto: (Redação da Lei n.º 42/2016, de 28 de dezembro; anterior
corpo do artigo)
a) As que consistam em liberalidades ou não estejam relacionadas
com a atividade do contribuinte sujeita a IRC;
b) As menos-valias potenciais ou latentes, ainda que expressas na
contabilidade;
c) As saídas, em dinheiro ou em espécie, em favor dos titulares do
capital, a título de remuneração ou de redução do mesmo, ou de
partilha do património, bem como outras variações patrimoniais
negativas que decorram de operações sobre ações, quotas e outros
instrumentos de capital próprio da entidade emitente ou da sua
reclassificação;
d) As prestações do associante ao associado, no âmbito da
associação em participação;
e) As relativas a impostos sobre o rendimento;
f) A diminuição do capital próprio da sociedade beneficiária
decorrente de operações de fusão, cisão ou entrada de ativos, com
exclusão da componente que corresponder à anulação das partes
de capital detidas por esta nas sociedades fundidas ou cindidas.
2 - Não obstante o disposto na alínea c) do número anterior,
concorrem, ainda, para a determinação do lucro tributável, nas
mesmas condições referidas para os gastos e perdas, as variações
patrimoniais negativas não refletidas no resultado líquido do período
de tributação relativas à distribuição de rendimentos de obrigações
subordinadas ou outros títulos subordinados, desde que não
atribuam ao respetivo titular o direito a receber dividendos nem
direito de voto em assembleia geral de acionistas e não sejam
convertíveis em partes sociais. (Redação da Lei n.º 119/2019, de 18 de
setembro)
Artigo 25.º
Relocação financeira e venda com locação
de retoma
1 - No caso de entrega de um bem objeto de locação financeira ao
locador seguida de relocação desse bem ao mesmo locatário, não
há lugar ao apuramento de qualquer resultado para efeitos fiscais
em consequência dessa entrega, continuando o bem a ser
depreciado ou amortizado para efeitos fiscais pelo locatário, de
acordo com o regime que vinha sendo seguido até então.
2 - No caso de venda de bens seguida de locação financeira, pelo
vendedor, desses mesmos bens, observa-se o seguinte:
a) Se os bens integravam os inventários do vendedor, não há lugar
ao apuramento de qualquer resultado fiscal em consequência dessa
venda e os mesmos são valorizados para efeitos fiscais ao custo
inicial de aquisição ou de produção, sendo este o valor a considerar
para efeitos da respetiva depreciação;
b) Nos restantes casos, é aplicável o disposto no n.º 1, com as
necessárias adaptações.
SUBSECÇÃO II
Mensuração e perdas por imparidades em
ativos correntes
Artigo 26.º
Inventários
1 - Para efeitos da determinação do lucro tributável, os rendimentos
e gastos dos inventários são os que resultam da aplicação dos
critérios de mensuração previstos na normalização contabilística em
vigor que utilizem:
a) Custos de aquisição ou de produção;
b) Custos padrões apurados de acordo com técnicas contabilísticas
adequadas;
c) Preços de venda deduzidos da margem normal de lucro;
d) Preços de venda dos produtos colhidos de ativos biológicos no
momento da colheita, deduzidos dos custos estimados no ponto de
venda, excluindo os de transporte e outros necessários para colocar
os produtos no mercado;
e) (Revogada.)
2 - Podem ser incluídos no custo de aquisição ou de produção os
custos de empréstimos obtidos, bem como outros gastos que lhes
sejam diretamente atribuíveis de acordo com a normalização
contabilística especificamente aplicável.
3 - Sempre que a utilização de custos padrões conduza a desvios
significativos, a Autoridade Tributária e Aduaneira pode efetuar as
correções adequadas, tendo em conta o campo de aplicação dos
mesmos, o montante das vendas e dos inventários finais e o grau de
rotação dos inventários.
4 - Consideram-se preços de venda os constantes de elementos
oficiais ou os últimos que em condições normais tenham sido
praticados pelo sujeito passivo ou ainda os que, no termo do
período de tributação, forem correntes no mercado, desde que
sejam considerados idóneos ou de controlo inequívoco.
5 - O método referido na alínea c) do n.º 1 só é aceite nos setores
de atividade em que o cálculo do custo de aquisição ou de produção
se torne excessivamente oneroso ou não possa ser apurado com
razoável rigor, podendo a margem normal de lucro, nos casos de
não ser facilmente determinável, ser substituída por uma dedução
não superior a 20 % do preço de venda.
6 - A utilização de critérios de mensuração diferentes dos previstos
no n.º 1 depende de autorização da Autoridade Tributária e
Aduaneira, a qual deve ser solicitada até ao termo do período de
tributação, através de requerimento em que se indiquem os critérios
a adotar e as razões que os justificam.
Artigo 27.º
Mudança de critérios de mensuração
1 - Os critérios adotados para a mensuração dos inventários devem
ser uniformemente seguidos nos sucessivos períodos de tributação.
2 - Podem, no entanto, verificar-se mudanças dos referidos critérios
sempre que as mesmas se justifiquem por razões de natureza
económica ou técnica e sejam aceites pela Autoridade Tributária e
Aduaneira.
Artigo 28.º
Perdas por imparidade em inventários
1 - São dedutíveis no apuramento do lucro tributável as perdas por
imparidade em inventários, reconhecidas no mesmo período de
tributação ou em períodos de tributação anteriores, até ao limite da
diferença entre o custo de aquisição ou de produção dos inventários
e o respetivo valor realizável líquido referido à data do balanço,
quando este for inferior àquele.
2 - Para efeitos do disposto no número anterior, entende-se por
valor realizável líquido o preço de venda estimado no decurso
normal da atividade do sujeito passivo nos termos do n.º 4 do artigo
26.º, deduzido dos custos necessários de acabamento e venda.
3 - A reversão, parcial ou total, das perdas por imparidade previstas
no n.º 1 concorre para a formação do lucro tributável.
4 - Para os sujeitos passivos que exerçam a atividade editorial, o
montante anual acumulado das perdas por imparidade corresponde
à perda de valor dos fundos editoriais constituídos por obras e
elementos complementares, desde que tenham decorrido dois anos
após a data da respetiva publicação, que para este efeito se
considera coincidente com a data do depósito legal de cada edição.
5 - A desvalorização dos fundos editoriais deve ser avaliada com
base nos elementos constantes dos registos que evidenciem o
movimento das obras incluídas nos fundos.
Artigo 28.º-A
Perdas por imparidade em dívidas a receber
1 - Podem ser deduzidas para efeitos fiscais as seguintes perdas
por imparidade, quando contabilizadas no mesmo período de
tributação ou em períodos de tributação anteriores:
a) As relacionadas com créditos resultantes da atividade normal,
incluindo os juros pelo atraso no cumprimento de obrigação, que, no
fim do período de tributação, possam ser considerados de cobrança
duvidosa e sejam evidenciados como tal na contabilidade;
b) As relativas a recibos por cobrar reconhecidas pelas empresas de
seguros.
2 - Podem também ser deduzidas, para efeitos de determinação do
lucro tributável, as perdas por imparidade para risco de crédito, em
títulos e em outras aplicações, contabilizadas de acordo com as
normas contabilísticas e regulamentares aplicáveis, no mesmo
período de tributação ou em períodos de tributação anteriores, pelas
entidades sujeitas à supervisão do Banco de Portugal e pelas
sucursais em Portugal de instituições de crédito e outras instituições
financeiras com sede noutro Estado-Membro da União Europeia ou
do Espaço Económico Europeu, nos termos e com os limites
previstos no artigo 28.º-C. (Redação da Lei n.º 98/2019, de 4 de setembro;
relativamente às perdas por imparidade e outras correções de valor para risco especifico
de crédito registadas em períodos de tributação anteriores ao período iniciado em ou após
1 de janeiro de 2019 deverá ser consultado o artigo 3.º da Lei n.º 98/2019, de 4 de
setembro)
3 - As perdas por imparidade e outras correções de valor referidas
nos números anteriores que não devam subsistir, por deixarem de
se verificar as condições objetivas que as determinaram,
consideram-se componentes positivas do lucro tributável do
respetivo período de tributação.
Artigo 28.º-B
Perdas por imparidade em créditos
1 - Para efeitos da determinação das perdas por imparidade
previstas na alínea a) do n.º 1 do artigo anterior, consideram-se
créditos de cobrança duvidosa aqueles em que o risco de
incobrabilidade esteja devidamente justificado, o que se verifica nos
seguintes casos:
a) O devedor tenha pendente processo de execução, processo de
insolvência, processo especial de revitalização ou procedimento de
recuperação de empresas por via extrajudicial ao abrigo do Sistema
de Recuperação de Empresas por Via Extrajudicial (SIREVE),
aprovado pelo Decreto-Lei n.º 178/2012, de 3 de agosto;
b) Os créditos tenham sido reclamados judicialmente ou em tribunal
arbitral;
c) Os créditos estejam em mora há mais de seis meses desde a
data do respetivo vencimento e existam provas objetivas de
imparidade e de terem sido efetuadas diligências para o seu
recebimento.
2 - O montante anual acumulado da perda por imparidade de
créditos referidos na alínea c) do número anterior não pode ser
superior às seguintes percentagens dos créditos em mora:
a) 25 % para créditos em mora há mais de 6 meses e até 12 meses;
b) 50 % para créditos em mora há mais de 12 meses e até 18
meses;
c) 75 % para créditos em mora há mais de 18 meses e até 24
meses;
d) 100 % para créditos em mora há mais de 24 meses.
3 - Não são considerados de cobrança duvidosa:
a) Os créditos sobre o Estado, regiões autónomas e autarquias
locais ou aqueles em que estas entidades tenham prestado aval;
b) Os créditos cobertos por seguro, com exceção da importância
correspondente à percentagem de descoberto obrigatório, ou por
qualquer espécie de garantia real;
c) Os créditos sobre pessoas singulares ou coletivas que detenham,
direta ou indiretamente, nos termos do n.º 6 do artigo 69.º, mais de
10 % do capital da empresa ou sobre membros dos seus órgãos
sociais, salvo nos casos previstos nas alíneas a) e b) do n.º 1;
d) Os créditos sobre empresas participadas, direta ou indiretamente,
nos termos do n.º 6 do artigo 69.º, em mais de 10 % do capital,
salvo nos casos previstos nas alíneas a) e b) do n.º 1.
e) Os créditos entre empresas detidas, direta ou indiretamente, nos
termos do n.º 6 do artigo 69.º, em mais de 10 % do capital pela
mesma pessoa singular ou coletiva, salvo nos casos previstos nas
alíneas a) e b) do n.º 1. (Aditado pela Lei n.º71/2018, de 31 de dezembro)
4 - As percentagens previstas no n.º 2 aplicam-se, igualmente, aos
juros pelo atraso no cumprimento das obrigações, em função da
mora dos créditos a que correspondam.
Artigo 28.º-C
Empresas do setor bancário
1 - São dedutíveis, para efeitos de determinação do lucro tributável,
as perdas por imparidade para risco de crédito a que se refere o n.º
2 do artigo 28.º-A relativas a exposições analisadas em base
individual ou em base coletiva, reconhecidas nos termos das
normas contabilísticas e regulamentares aplicáveis. (Redação da Lei n.º
98/2019, de 4 de setembro - Ver Nota no final do artigo)
Nota: de acordo com o n.º 1 do artigo 4.º da Lei n.º 98/2019, de 4 de setembro, nos
períodos de tributação de 2019 a 2023, inclusive, os sujeitos passivos de IRC abrangidos
pelo artigo 28.º-C aplicam o regime vigente anterior à entrada em vigor desta lei, salvo se
optarem pelo novo regime. Esta opção obriga a efetuar uma comunicação ao Diretor-Geral
da Autoridade Tributária e Aduaneira a apresentar até ao final do 10.º mês do período de
tributação em curso.
SUBSECÇÃO III
Depreciações, amortizações e perdas por
imparidades em ativos não correntes
Artigo 29.º
Elementos depreciáveis ou amortizáveis
1 - São aceites como gastos as depreciações e amortizações de
elementos do ativo sujeitos a deperecimento, considerando-se como
tais:
a) Os ativos fixos tangíveis e os ativos intangíveis;
b) Os ativos biológicos não consumíveis e as propriedades de
investimento contabilizados ao custo de aquisição. (Redação da
Declaração de Retificação n.º 18/2014 – de 13 de março)
2 - Para efeitos do disposto no número anterior consideram-se
sujeitos a deperecimento os ativos que, com caráter sistemático,
sofram perdas de valor resultantes da sua utilização ou do decurso
do tempo.
3 - As meras flutuações que afetem os valores patrimoniais não
relevam para a qualificação dos respetivos elementos como sujeitos
a deperecimento.
4 - Salvo razões devidamente justificadas e aceites pela Autoridade
Tributária e Aduaneira, os elementos do ativo só se consideram
sujeitos a deperecimento depois de entrarem em funcionamento ou
utilização.
5 - São igualmente depreciáveis, nos termos dos números
anteriores, os componentes, as grandes reparações e beneficiações
e as benfeitorias reconhecidos como elementos do ativo sujeitos a
deperecimento nos termos do n.º 1.
Artigo 30.º
Métodos de cálculo das depreciações e
amortizações
1 - O cálculo das depreciações e amortizações dos ativos referidos
no artigo anterior faz-se, em regra, pelo método da linha reta,
atendendo ao seu período de vida útil.
2 - Os sujeitos passivos podem, no entanto, optar pelo método das
quotas decrescentes relativamente aos ativos fixos tangíveis que:
a) Não tenham sido adquiridos em estado de uso;
b) Não sejam edifícios, viaturas ligeiras de passageiros ou mistas,
exceto quando afetas à exploração de serviço público de transportes
ou destinadas a ser alugadas no exercício da atividade normal do
sujeito passivo, mobiliário e equipamentos sociais.
3 - A adoção pelo sujeito passivo de métodos de depreciação e
amortização diferentes dos referidos nos números anteriores, de
que resulte a aplicação de quotas de depreciação ou amortização
superiores às previstas no artigo seguinte depende de autorização
da Autoridade Tributária e Aduaneira, a qual deve ser solicitada até
ao termo do período de tributação, através de requerimento em que
se indiquem os métodos a adotar e as razões que os justificam.
4 - (Revogado.)
5 - (Revogado.)
6 - (Revogado.)
7 - (Revogado.)
Artigo 31.º
Quotas de depreciação ou amortização
1 - No método da linha reta, a quota anual de depreciação ou
amortização que pode ser aceite como gasto do período de
tributação determina-se aplicando as taxas de depreciação ou
amortização definidas no decreto regulamentar que estabelece o
respetivo regime aos seguintes valores:
a) Custo de aquisição ou de produção;
b) Valor resultante de reavaliação ao abrigo de legislação de caráter
fiscal;
c) Valor de mercado, à data do reconhecimento inicial, para os bens
objeto de avaliação para esse efeito, quando não seja conhecido o
custo de aquisição ou de produção.
2 - Para efeitos da determinação do valor depreciável ou
amortizável, previsto no número anterior:
a) Não são consideradas as despesas de desmantelamento; e
b) Deduz-se o valor residual.
3 - Relativamente aos elementos para que não se encontrem
fixadas taxas de depreciação ou amortização, são aceites as que
pela Autoridade Tributária e Aduaneira sejam consideradas
razoáveis, tendo em conta o período de vida útil esperada daqueles
elementos.
4 - Quando se aplique o método das quotas decrescentes, a quota
anual de depreciação que pode ser aceite como gasto do período de
tributação determina-se multiplicando os valores mencionados no
n.º 1, que ainda não tenham sido depreciados, pelas taxas de
depreciação referidas nos [Link] 1 e 2, corrigidas pelos seguintes
coeficientes máximos:
a) 1,5, se o período de vida útil do elemento é inferior a cinco anos;
b) 2, se o período de vida útil do elemento é de cinco ou seis anos;
c) 2,5, se o período de vida útil do elemento é superior a seis anos.
5 - O período de vida útil do elemento do ativo é o que se deduz das
taxas de depreciação ou amortização referidas nos [Link] 1 e 2.
6 - As taxas de depreciação de bens adquiridos em estado de uso,
de componentes, de grandes reparações e beneficiações ou de
benfeitorias de elementos dos ativos sujeitos a deperecimento são
calculadas com base no respetivo período de vida útil esperada.
7 - Os sujeitos passivos podem optar no ano de início de
funcionamento ou utilização dos elementos por uma taxa de
depreciação ou amortização deduzida da taxa anual, em
conformidade com os números anteriores, e correspondente ao
número de meses contados desde o mês de entrada em
funcionamento ou utilização dos elementos.
8 - No caso referido no número anterior, no ano em que se verificar
a transmissão, a inutilização ou o termo de vida útil dos mesmos
elementos só são aceites depreciações e amortizações
correspondentes ao número de meses decorridos até ao mês
anterior ao da verificação desses eventos.
Artigo 31.º-A
Mudança de métodos de depreciação e
amortização e alterações na vida útil dos
ativos não correntes
1 - Os métodos de depreciação e amortização devem ser
uniformemente seguidos nos sucessivos períodos de tributação.
2 - Podem, no entanto, verificar-se mudanças dos referidos métodos
e na vida útil dos ativos sempre que as mesmas se justifiquem por
razões de natureza económica ou técnica e sejam aceites pela
Autoridade Tributária e Aduaneira.
3 - O disposto nos números anteriores não prejudica a variação das
quotas de depreciação ou amortização de acordo com o regime
mais ou menos intensivo ou com outras condições de utilização dos
elementos a que respeitam não podendo, no entanto, as quotas
mínimas imputáveis ao período de tributação ser deduzidas para
efeitos de determinação do lucro de outros períodos de tributação.
4 - Para efeitos do número anterior, as quotas mínimas de
depreciação ou amortização são calculadas com base em taxas
iguais a metade das fixadas segundo o método da linha reta, sem
prejuízo do disposto no número seguinte.
5 - A utilização de quotas de depreciação ou amortização inferiores
às mencionadas no número anterior depende de comunicação à
Autoridade Tributária e Aduaneira, efetuada até ao termo do período
de tributação, na qual se identifiquem as quotas a praticar e as
razões que justificam a respetiva utilização.
6 - O disposto na parte final do n.º 3 e no n.º 5 não é aplicável aos
elementos do ativo que sejam reclassificados como ativos não
correntes detidos para venda.
Artigo 31.º-B
Perdas por imparidade em ativos não
correntes
1 - Podem ser aceites como gastos fiscais as perdas por imparidade
em ativos não correntes provenientes de causas anormais
comprovadas, designadamente desastres, fenómenos naturais,
inovações técnicas excecionalmente rápidas ou alterações
significativas, com efeito adverso, no contexto legal.
2 - Para efeitos do disposto no número anterior, o sujeito passivo
deve obter a aceitação da Autoridade Tributária e Aduaneira,
mediante exposição devidamente fundamentada, a apresentar até
ao fim do 1.º mês do período de tributação seguinte ao da
ocorrência dos factos que determinaram as desvalorizações
excecionais, acompanhada de documentação comprovativa dos
mesmos, designadamente da decisão do competente órgão de
gestão que confirme aqueles factos, de justificação do respetivo
montante, bem como da indicação do destino a dar aos ativos,
quando o abate físico, o desmantelamento, o abandono ou a
inutilização destes não ocorram no mesmo período de tributação.
3 - Quando os factos que determinaram as desvalorizações
excecionais dos ativos e o abate físico, o desmantelamento, o
abandono ou a inutilização ocorram no mesmo período de
tributação, o valor líquido fiscal dos ativos, corrigido de eventuais
valores recuperáveis, pode ser aceite como gasto do período, desde
que:
a) Seja comprovado o abate físico, desmantelamento, abandono ou
inutilização dos ativos, através do respetivo auto, assinado por duas
testemunhas, e identificados e comprovados os factos que
originaram as desvalorizações excecionais; (Redação da Declaração de
Retificação n.º 18/2014 – de 13 de março)
b) O auto seja acompanhado de relação discriminativa dos
elementos em causa, contendo, relativamente a cada ativo, a
descrição, o ano e o custo de aquisição, bem como o valor líquido
contabilístico e o valor líquido fiscal;
c) Seja comunicado ao serviço de finanças da área do local onde
aqueles ativos se encontrem, com a antecedência mínima de 15
dias, o local, a data e a hora do abate físico, o desmantelamento, o
abandono ou a inutilização e o total do valor líquido fiscal dos
mesmos; (Redação da Declaração de Retificação n.º 18/2014 – de 13 de março)
4 - O disposto nas alíneas a) a c) do número anterior deve
igualmente observar-se nas situações previstas no n.º 2, no período
de tributação em que venha a efetuar-se o abate físico, o
desmantelamento, o abandono ou a inutilização dos ativos.
5 - A aceitação referida no n.º 2 é da competência do diretor de
finanças da área da sede, direção efetiva ou estabelecimento
estável do sujeito passivo ou do diretor da Unidade dos Grandes
Contribuintes, tratando-se de empresas incluídas no âmbito das
suas atribuições.
6 - A documentação a que se refere o n.º 3 deve integrar o processo
de documentação fiscal, nos termos do artigo 130.º
7 - As perdas por imparidade de ativos depreciáveis ou amortizáveis
que não sejam aceites fiscalmente nos termos dos números
anteriores são consideradas como gastos, em partes iguais, durante
o período de vida útil restante desse ativo ou, sem prejuízo do
disposto no artigo 46.º, até ao período anterior àquele em que se
verificar o abate físico, o desmantelamento, o abandono, a
inutilização ou a transmissão do mesmo.
Artigo 32.º
Projetos de desenvolvimento
1 - As despesas com projetos de desenvolvimento podem ser
consideradas como gasto fiscal no período de tributação em que
sejam suportadas, ainda que os elementos deles resultantes
venham a ser reconhecidos como ativos intangíveis nas
demonstrações financeiras dos sujeitos passivos.
2 - Para efeitos do disposto no número anterior, consideram-se
despesas com projetos de desenvolvimento as realizadas pelo
sujeito passivo através da exploração de resultados de trabalhos da
investigação ou de outros conhecimentos científicos ou técnicos
com vista à descoberta ou à melhoria substancial de matérias-
primas, produtos, serviços ou processos de produção.
3 - O preceituado no n.º 1 não é aplicável aos projetos de
desenvolvimento efetuados para outrem mediante contrato.
Artigo 33.º
Elementos de reduzido valor
Nos casos em que o custo unitário de aquisição ou produção de
elementos do ativo sujeitos a deperecimento não ultrapasse €1000 é
aceite a sua dedução integral no período de tributação em que seja
reconhecido, exceto quando tais elementos façam parte integrante
de um conjunto que deva ser depreciado ou amortizado como um
todo.
Artigo 34.º
Depreciações e amortizações não dedutíveis
para efeitos fiscais
1 - Não são aceites como gastos:
a) As depreciações e amortizações de elementos do ativo não
sujeitos a deperecimento;
b) As depreciações de imóveis na parte correspondente ao valor dos
terrenos ou não sujeita a deperecimento;
c) As depreciações e amortizações que excedam os limites
estabelecidos nos artigos anteriores;
d) As depreciações e amortizações praticadas para além do período
máximo de vida útil, ressalvando-se os casos especiais
devidamente justificados e aceites pela Autoridade Tributária e
Aduaneira;
e) As depreciações das viaturas ligeiras de passageiros ou mistas,
incluindo os veículos elétricos, na parte correspondente ao custo de
aquisição ou ao valor revalorizado excedente ao montante a definir
por portaria do membro do Governo responsável pela área das
finanças, bem como dos barcos de recreio e aviões de turismo,
desde que tais bens não estejam afetos ao serviço público de
transportes nem se destinem a ser alugados no exercício da
atividade normal do sujeito passivo.
2 - Para efeitos do disposto na alínea d) do número anterior, o
período máximo de vida útil é o que se deduz das quotas mínimas
de depreciação ou amortização, nos termos do n.º 4 do artigo 31.º-
A, contado a partir do ano de entrada em funcionamento ou
utilização dos elementos a que respeitem.
SUBSECÇÃO IV
Imparidades
Artigo 35.º
Perdas por imparidade fiscalmente
dedutíveis
(Revogado.)
Artigo 36.º
Perdas por imparidade em créditos
(Revogado.)
Artigo 37.º
Empresas do setor bancário
(Revogado.)
Artigo 38.º
Desvalorizações excecionais
(Revogado.)
SUBSECÇÃO IV-A
Provisões
Artigo 39.º
Provisões fiscalmente dedutíveis
1 - Podem ser deduzidas para efeitos fiscais as seguintes provisões:
a) As que se destinem a fazer face a obrigações e encargos
derivados de processos judiciais em curso por factos que
determinariam a inclusão daqueles entre os gastos do período de
tributação;
b) As que se destinem a fazer face a encargos com garantias a
clientes previstas em contratos de venda e de prestação de
serviços;
c) (Revogada pela Lei n.º 82-A/2023, de 29 de dezembro)
d) As constituídas com o objetivo de fazer face aos encargos com a
reparação dos danos de caráter ambiental dos locais afetos à
exploração, sempre que tal seja obrigatório nos termos da legislação
aplicável e após a cessação desta. (Redação da Lei n.º 82-D/2014, de 31 de
dezembro)
2 - A determinação das provisões referidas no número anterior deve
ter por base as condições existentes no final do período de
tributação.
3 - Quando a provisão for reconhecida pelo valor presente, os
gastos resultantes do respetivo desconto ficam igualmente sujeitos a
este regime.
4 - As provisões a que se referem as alíneas a) e b) do n.º 1 que
não devam subsistir por não se terem verificado os eventos a que se
reportam e as que forem utilizadas para fins diversos dos
expressamente previstos no presente artigo consideram-se
rendimentos do respetivo período de tributação. (Redação da Lei n.º 82-
A/2023, de 29 de dezembro)
5 - O montante anual da provisão para garantias a clientes a que
refere a alínea b) do n.º 1 é determinado pela aplicação às vendas e
prestações de serviços sujeitas a garantia efetuadas no período de
tributação de uma percentagem que não pode ser superior à que
resulta da proporção entre a soma dos encargos derivados de
garantias a clientes efetivamente suportados nos últimos três
períodos de tributação e a soma das vendas e prestações de
serviços sujeitas a garantia efetuadas nos mesmos períodos.
6 - (Revogado pela Lei n.º 82-A/2023, de 29 de dezembro)
Artigo 40.º
Provisão para a reparação de danos de
caráter ambiental
1 - A dotação anual da provisão a que se refere a alínea d) do n.º 1
do artigo 39.º corresponde ao valor que resulta da divisão dos
encargos estimados com a reparação de danos de caráter ambiental
dos locais afetos à exploração, nos termos da alínea a) do n.º 3,
pelo número de anos de exploração previsto em relação aos
mesmos.
2 - Quando se preveja um nível de exploração irregular ao longo do
tempo, pode deduzir-se um montante anual diferente do referido no
número anterior, devendo, nesse caso, o sujeito passivo comunicar
à Autoridade Tributária e Aduaneira um plano de constituição da
provisão que tenha em conta aquele nível de exploração, até ao
termo do 1.º período de tributação em que sejam reconhecidos
gastos com a sua constituição ou reforço.
3 - A constituição da provisão fica subordinada à observância das
seguintes condições:
a) Apresentação de um plano previsional de encerramento da
exploração, com indicação detalhada dos trabalhos a realizar com a
reparação dos danos de caráter ambiental e a estimativa dos
encargos inerentes, e a referência ao número de anos de
exploração previsto e eventual irregularidade ao longo do tempo do
nível previsto de atividade, sujeito a aprovação pelos organismos
competentes;
b) Constituição de um fundo, representado por investimentos
financeiros, cuja gestão pode caber ao próprio sujeito passivo, de
montante equivalente ao do saldo acumulado da provisão no final de
cada período de tributação.
4 - Sempre que da revisão do plano previsional referido na alínea a)
do número anterior resultar uma alteração da estimativa dos
encargos inerentes à recuperação ambiental dos locais afetos à
exploração, ou se verificar uma alteração no número de anos de
exploração previsto, deve proceder-se do seguinte modo:
a) Tratando-se de acréscimo dos encargos estimados ou de redução
do número de anos de exploração, passa a efetuar-se o cálculo da
dotação anual considerando o total dos encargos ainda não
provisionado e o número de anos de atividade que ainda restem à
exploração, incluindo o do próprio período de tributação da revisão;
b) Tratando-se de diminuição dos encargos estimados ou de
aumento do número de anos de exploração, a parte da provisão em
excesso correspondente ao número de anos já decorridos deve ser
objeto de reposição no período de tributação da revisão.
5 - A constituição do fundo a que se refere a alínea b) do n.º 3 é
dispensada quando seja exigida a prestação de caução a favor da
entidade que aprova o Plano Ambiental e de Recuperação
Paisagística, de acordo com o regime jurídico de exploração da
respetiva atividade.
6 - A provisão deve ser aplicada na cobertura dos encargos a que se
destina até ao fim do terceiro período de tributação seguinte ao do
encerramento da exploração, podendo este período ser prorrogado,
até ao máximo de cinco períodos de tributação, mediante
comunicação prévia à Autoridade Tributária e Aduaneira, devendo
as razões que o justificam integrar o processo de documentação
fiscal a que se refere o artigo 130.º (Redação da Lei n.º 71/2018, de 31 de
dezembro)
7 - A parte da provisão não aplicada nos fins para que a provisão foi
constituída é considerada como rendimento do terceiro período de
tributação seguinte ao do encerramento da exploração ou do último
período de tributação em que seja autorizada a utilização da
provisão nos termos do número anterior. (Redação da Lei n.º 71/2018, de 31
de dezembro)
SUBSECÇÃO V
Regime de outros encargos
Artigo 41.º
Créditos incobráveis
1 - Os créditos incobráveis podem ser diretamente considerados
gastos ou perdas do período de tributação, ainda que o respetivo
reconhecimento contabilístico já tenha ocorrido em períodos de
tributação anteriores, em qualquer das seguintes situações, desde
que não tenha sido admitida perda por imparidade ou esta se
mostre insuficiente: (Redação da Lei n.º 114/2017, de 29 de dezembro)
a) Em processo de execução, após o registo a que se refere a
alínea b) do n.º 2 do artigo 717.º do Código de Processo Civil;
b) Em processo de insolvência, quando a mesma for decretada de
caráter limitado ou quando for determinado o encerramento do
processo por insuficiência de bens, ao abrigo da alínea d) do n.º 1
do artigo 230.º e do artigo 232.º, ambos do Código da Insolvência e
da Recuperação de Empresas, ou após a realização do rateio final,
do qual resulte o não pagamento definitivo do crédito; (Redação da Lei
n.º 114/2017, de 29 de dezembro)
c) Em processo de insolvência ou em processo especial de
revitalização, quando seja proferida sentença de homologação do
plano de insolvência ou do plano de recuperação que preveja o não
pagamento definitivo do crédito; (Redação da Lei n.º 114/2017, de 29 de
dezembro)
d) (Revogada pela Lei n.º 8/2018, de 2 de março)
e) No âmbito de litígios emergentes da prestação de serviços
públicos essenciais, após decisão arbitral;
f) Nos termos do regime jurídico da prestação de serviços públicos
essenciais, os créditos se encontrem prescritos e o seu valor não
ultrapasse o montante de €750.
g) Quando for celebrado e depositado na Conservatória do Registo
Comercial acordo sujeito ao Regime Extrajudicial de Recuperação
de Empresas (RERE) que cumpra com o disposto no n.º 3 do artigo
27.º do RERE e do qual resulte o não pagamento definitivo do
crédito. (Redação da Lei n.º 8/2018, de 2 de março)
2 - (Revogado.)
Artigo 42.º
Reconstituição de jazidas
1 - Os sujeitos passivos que exerçam a indústria extrativa de
petróleo podem deduzir, para efeitos da determinação do lucro
tributável, o menor dos seguintes valores, desde que seja investido
em prospeção ou pesquisa de petróleo em território português
dentro dos três períodos de tributação seguintes:
a) 30 % do valor bruto das vendas do petróleo produzido nas áreas
de concessão efetuadas no período de tributação a que respeita a
dedução;
b) 45 % da matéria coletável que se apuraria sem consideração
desta dedução.
2 - No caso de não se terem verificado os requisitos enunciados no
n.º 1, deve efetuar-se a correção fiscal ao resultado líquido do
período de tributação em que se verificou o incumprimento.
3 - A dedução referida no n.º 1 fica condicionada à não distribuição
de lucros por um montante equivalente ao valor ainda não investido
nos termos aí previstos.
Artigo 43.º
Realizações de utilidade social
1 - São também dedutíveis os gastos do período de tributação,
incluindo depreciações ou amortizações e rendas de imóveis,
relativos à manutenção facultativa de creches, latários, jardins-de-
infância, cantinas, bibliotecas e escolas, bem como outras
realizações de utilidade social como tal reconhecidas pela
Autoridade Tributária e Aduaneira, feitas em benefício do pessoal ou
dos reformados da empresa e respetivos familiares, desde que
tenham caráter geral e não revistam a natureza de rendimentos do
trabalho dependente ou, revestindo-o, sejam de difícil ou complexa
individualização relativamente a cada um dos beneficiários.
2 - São igualmente considerados gastos do período de tributação,
até ao limite de 15 % das despesas com o pessoal contabilizadas a
título de remunerações, ordenados ou salários respeitantes ao
período de tributação, os suportados com:
a) Contratos de seguros de acidentes pessoais, bem como com
contratos de seguros de vida, de doença ou saúde, contribuições
para fundos de pensões e equiparáveis ou para quaisquer regimes
complementares de segurança social, que garantam,
exclusivamente, o benefício de reforma, pré-reforma, complemento
de reforma, benefícios de saúde pós emprego, invalidez ou
sobrevivência a favor dos trabalhadores da empresa;
b) Contratos de seguros de doença ou saúde em benefício dos
trabalhadores, reformados ou respetivos familiares.
3 - O limite estabelecido no número anterior é elevado para 25 %, se
os trabalhadores não tiverem direito a pensões da segurança social.
4 - Aplica-se o disposto nos [Link] 2 e 3 desde que se verifiquem,
cumulativamente, as seguintes condições, à exceção das alíneas d)
e e), quando se trate de seguros de doença ou saúde, de acidentes
pessoais ou de seguros de vida que garantam exclusivamente os
riscos de morte ou invalidez:
a) Os benefícios devem ser estabelecidos para a generalidade dos
trabalhadores permanentes da empresa ou no âmbito de
instrumento de regulamentação coletiva de trabalho para as classes
profissionais onde os trabalhadores se inserem;
b) Os benefícios devem ser estabelecidos segundo um critério
objetivo e idêntico para todos os trabalhadores ainda que não
pertencentes à mesma classe profissional, salvo em cumprimento
de instrumentos de regulamentação coletiva de trabalho;
c) Sem prejuízo do disposto no n.º 6, a totalidade dos prémios e
contribuições previstos nos [Link] 2 e 3 deste artigo em conjunto com
os rendimentos da categoria A isentos nos termos do n.º 1 do artigo
18.º do Estatuto dos Benefícios Fiscais não devem exceder,
anualmente, os limites naqueles estabelecidos ao caso aplicáveis,
não sendo o excedente considerado gasto do período de tributação;
d) Sejam efetivamente pagos sob a forma de prestação pecuniária
mensal vitalícia pelo menos dois terços dos benefícios em caso de
reforma, invalidez ou sobrevivência, sem prejuízo da remição de
rendas vitalícias em pagamento que não tenham sido fixadas
judicialmente, nos termos e condições estabelecidos em norma
regulamentar emitida pela respetiva entidade de supervisão, e
desde que seja apresentada prova dos respetivos pressupostos pelo
sujeito passivo;
e) As disposições de regime legal da pré-reforma e do regime geral
de segurança social sejam acompanhadas, no que se refere à idade
e aos titulares do direito às correspondentes prestações, sem
prejuízo de regime especial de segurança social, de regime previsto
em instrumento de regulamentação coletiva de trabalho ou de outro
regime legal especial, ao caso aplicáveis;
f) A gestão e disposição das importâncias despendidas não
pertençam à própria empresa, os contratos de seguros sejam
celebrados com empresas de seguros que possuam sede, direção
efetiva ou estabelecimento estável em território português, ou com
empresas de seguros que estejam autorizadas a operar neste
território em livre prestação de serviços, e os fundos de pensões ou
equiparáveis sejam constituídos de acordo com a legislação
nacional ou geridos por instituições de realização de planos de
pensões profissionais às quais seja aplicável a Diretiva n.º
2003/41/CE, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 3 de junho,
que estejam autorizadas a aceitar contribuições para planos de
pensões de empresas situadas em território português;
g) Não sejam considerados rendimentos do trabalho dependente,
nos termos da primeira parte do n.º 3) da alínea b) do n.º 3 do artigo
2.º do Código do IRS.
5 - Para os efeitos dos limites estabelecidos nos [Link] 2 e 3, não são
considerados os valores atuais dos encargos com pensionistas já
existentes na empresa à data da celebração do contrato de seguro
ou da integração em esquemas complementares de prestações de
segurança social previstos na respetiva legislação, devendo esse
valor, calculado atuarialmente, ser certificado pelas seguradoras ou
outras entidades competentes.
6 - As contribuições destinadas à cobertura de responsabilidades
com os benefícios previstos no n.º 2 do pessoal no ativo em 31 de
dezembro do ano anterior ao da celebração dos contratos de seguro
ou das entradas para fundos de pensões correspondentes aos
benefícios por tempo de serviço anterior a essa data, são
igualmente aceites como gastos nos termos e condições
estabelecidos nos [Link] 2, 3 e 4, podendo, no caso de aquelas
responsabilidades ultrapassarem os limites estabelecidos naqueles
dois primeiros números, mas não o dobro dos mesmos, o montante
do excesso ser também aceite como gasto, anualmente, por uma
importância correspondente, no máximo, a um sétimo daquele
excesso, sem prejuízo da consideração deste naqueles limites,
devendo o valor atual daquelas responsabilidades ser certificado por
seguradoras, sociedades gestoras de fundos de pensões ou outras
entidades competentes.
7 - As contribuições suplementares destinadas à cobertura de
responsabilidades por encargos com benefícios previstos no n.º 2,
quando efetuadas em consequência de alteração dos pressupostos
atuariais em que se basearam os cálculos iniciais daquelas
responsabilidades, reportados à data da celebração do contrato de
seguro ou da constituição do fundo de pensões ou à data em que as
responsabilidades foram transferidas, e desde que devidamente
certificadas pelas entidades competentes, podem também ser
aceites como gastos nos seguintes termos:
a) No período de tributação em que sejam efetuadas, num prazo
máximo de cinco, contado daquele em que se verificou a alteração
dos pressupostos atuariais ou a transferência de responsabilidades;
b) Na parte em que não excedam o montante acumulado das
diferenças entre os valores dos limites previstos nos [Link] 2 ou 3
relativos ao período constituído pelos 10 períodos de tributação
imediatamente anteriores ou, se inferior, ao período contado desde
o período de tributação da transferência das responsabilidades ou
da última alteração dos pressupostos atuariais e os valores das
contribuições efetuadas e aceites como gastos em cada um desses
períodos de tributação.
8 - Para efeitos do disposto na alínea b) do número anterior, não são
consideradas as contribuições suplementares destinadas à
cobertura de responsabilidades com pensionistas, não devendo
igualmente ser tidas em conta para o cálculo daquelas diferenças as
eventuais contribuições efetuadas para a cobertura de
responsabilidades passadas nos termos do n.º 6.
9 - Os gastos referidos no n.º 1, quando respeitem a creches,
latários e jardins-de-infância em benefício do pessoal da empresa,
seus familiares ou outros, são considerados, para efeitos da
determinação do lucro tributável, em valor correspondente a 140 %.
10 - No caso de incumprimento das condições estabelecidas nos
[Link] 2, 3 e 4, à exceção das referidas nas alíneas c) e g) deste
último número, ao valor do IRC liquidado relativamente a esse
período de tributação deve ser adicionado o IRC correspondente
aos prémios e contribuições considerados como gasto em cada um
dos períodos de tributação anteriores, nos termos deste artigo,
agravado de uma importância que resulta da aplicação ao IRC
correspondente a cada um daqueles períodos de tributação do
produto de 10 % pelo número de anos decorridos desde a data em
que cada um daqueles prémios e contribuições foram considerados
como gastos, não sendo, em caso de resgate em benefício da
entidade patronal, considerado como rendimento do período de
tributação a parte do valor do resgate correspondente ao capital
aplicado.
11 - No caso de resgate em benefício da entidade patronal, não se
aplica o disposto no número anterior se, para a transferência de
responsabilidades, forem celebrados contratos de seguro de vida
com outros seguradores, que possuam sede, direção efetiva ou
estabelecimento estável em território português, ou com empresas
de seguros que estejam autorizadas a operar neste território em
livre prestação de serviços, ou se forem efetuadas contribuições
para fundos de pensões constituídos de acordo com a legislação
nacional, ou geridos por instituições de realização de planos de
pensões profissionais às quais seja aplicável a Diretiva n.º
2003/41/CE, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 3 de junho,
que estejam autorizadas a aceitar contribuições para planos de
pensões de empresas situadas em território português, em que,
simultaneamente, seja aplicada a totalidade do valor do resgate e se
continuem a observar as condições estabelecidas neste artigo.
12 - No caso de resgate em benefício da entidade patronal, o
disposto no n.º 10 pode igualmente não se aplicar, se for
demonstrada a existência de excesso de fundos originada por
cessação de contratos de trabalho.
13 - Não concorrem para os limites estabelecidos nos [Link] 2 e 3 as
contribuições suplementares para fundos de pensões e equiparáveis
destinadas à cobertura de responsabilidades com benefícios de
reforma que resultem da aplicação:
a) Das normas internacionais de contabilidade por determinação do
Banco de Portugal às entidades sujeitas à sua supervisão, sendo
consideradas como gastos durante o período transitório fixado por
esta instituição;
b) Do Plano de Contas para as Empresas de Seguros em vigor,
aprovado pelo Instituto de Seguros de Portugal, sendo consideradas
como gastos, de acordo com um plano de amortização de
prestações uniformes anuais, por um período transitório de cinco
anos contado a partir do exercício de 2008;
c) Das normas internacionais de contabilidade adotadas pela União
Europeia ou do SNC, consoante os casos, sendo consideradas
como gastos, em partes iguais, no período de tributação em que se
aplique pela primeira vez um destes novos referenciais
contabilísticos e nos quatro períodos de tributação subsequentes.
14 - A condição a que se refere a alínea b) do n.º 4 pode deixar de
se verificar desde que seja demonstrado que a diferenciação
introduzida tem por base critérios objetivos, designadamente em
caso de entidades sujeitas a processos de reestruturação
empresarial, devendo esta alteração ser comunicada à Autoridade
Tributária e Aduaneira até ao termo do período de tributação em que
ocorra.
15 - Consideram-se incluídos no n.º 1 os gastos suportados com a
aquisição de passes sociais em benefício do pessoal do sujeito
passivo, verificados os requisitos aí exigidos, os quais são
considerados, para efeitos da determinação do lucro tributável, em
valor correspondente a 150 %. (Redação da Lei n.º 24-D/2022, de 30 de
dezembro)
Artigo 44.º
Quotizações a favor de associações
empresariais
1 - É considerado gasto do período de tributação, para efeitos da
determinação do lucro tributável, o valor correspondente a 150 % do
total das quotizações pagas pelos associados a favor das
associações empresariais em conformidade com os estatutos.
2 - O montante referido no número anterior não pode, contudo,
exceder o equivalente a 2(por mil) do volume de negócios respetivo.
Artigo 45.º
Encargos não dedutíveis para efeitos fiscais
(Revogado.)
Artigo 45.º-A
Ativos intangíveis, propriedades de
investimento e ativos biológicos não
consumíveis
1 - O custo de aquisição dos seguintes ativos intangíveis quando
reconhecidos autonomamente, nos termos da normalização
contabilística, nas contas individuais do sujeito passivo, é aceite
como gasto fiscal: (Redação da Lei n.º 82/2023, de 29 de dezembro)
a) Em partes iguais, durante os primeiros 20 períodos de tributação
após o reconhecimento inicial, os elementos da propriedade
industrial tais como marcas, alvarás, processos de produção,
modelos ou outros direitos assimilados, adquiridos a título oneroso e
que não tenham vigência temporal limitada; (Redação da Lei n.º 82/2023, de
29 de dezembro)
SUBSECÇÃO VI
Regime das mais-valias e menos-valias
realizadas
Artigo 46.º
Conceito de mais-valias e de menos-valias
1 - Consideram-se mais-valias ou menos-valias realizadas os
ganhos obtidos ou as perdas sofridas mediante transmissão
onerosa, qualquer que seja o título por que se opere, e, bem assim,
os decorrentes de sinistros ou os resultantes da afetação
permanente a fins alheios à atividade exercida, respeitantes a:
a) Ativos fixos tangíveis, ativos intangíveis, ativos biológicos não
consumíveis e propriedades de investimento, ainda que qualquer
destes ativos tenha sido reclassificado como ativo não corrente
detido para venda; (Redação da Declaração de Retificação n.º 18/2014, de 13 de
março)
b) Instrumentos financeiros, com exceção dos reconhecidos pelo
justo valor nos termos das alíneas a) e b) do n.º 9 do artigo 18.º
2 - As mais-valias e as menos-valias são dadas pela diferença entre
o valor de realização, líquido dos encargos que lhe sejam inerentes,
e o valor de aquisição, deduzido das depreciações e amortizações
aceites fiscalmente, das perdas por imparidade e outras correções
de valor previstas nos artigos 28.º-A e 31.º-B e ainda dos valores
reconhecidos como gasto fiscal nos termos do artigo 45.º-A, sem
prejuízo do disposto na parte final do n.º 3 do artigo 31.º-A.
3 - Considera-se valor de realização:
a) No caso de troca, o valor de mercado dos bens ou direitos
recebidos, acrescido ou diminuído, consoante o caso, da
importância em dinheiro conjuntamente recebida ou paga;
b) No caso de expropriações ou de bens sinistrados, o valor da
correspondente indemnização;
c) No caso de bens afetos permanentemente a fins alheios à
atividade exercida, o seu valor de mercado;
d) Nos casos de fusão, cisão, entrada de ativos ou permuta de
partes sociais, o valor de mercado dos elementos transmitidos em
consequência daquelas operações;
e) No caso de alienação de títulos de dívida, o valor da transação,
líquido dos juros contáveis desde a data do último vencimento ou da
emissão, primeira colocação ou endosso, se ainda não houver
ocorrido qualquer vencimento, até à data da transmissão, bem como
da diferença pela parte correspondente àqueles períodos, entre o
valor de reembolso e o preço da emissão, nos casos de títulos cuja
remuneração seja constituída, total ou parcialmente, por aquela
diferença;
f) No caso de afetação dos elementos patrimoniais referidos no n.º 1
a um estabelecimento estável situado fora do território português
relativamente ao qual tenha sido exercida a opção pelo regime
previsto no n.º 1 do artigo 54.º-A, o valor de mercado à data da
afetação; (Redação da Lei n.º 82-C/2014, de 31 de dezembro)
g) Nos demais casos, o valor da respetiva contraprestação. (Redação
da Lei n.º 82-C/2014, de 31 de dezembro) [Anterior alínea f).]
4 - No caso de troca por bens futuros, o valor de mercado destes é o
que lhes corresponderia à data da troca.
5 - Consideram-se transmissões onerosas, designadamente:
a) A promessa de compra e venda ou de troca, logo que verificada a
tradição dos bens;
b) As mudanças no modelo de valorização relevantes para efeitos
fiscais, nos termos do n.º 9 do artigo 18.º, que decorram,
designadamente, de reclassificação contabilística ou de alterações
nos pressupostos referidos na alínea a) do n.º 9 deste mesmo
artigo;
c) A transferência de elementos patrimoniais no âmbito de
operações de fusão, cisão ou entrada de ativos, realizadas pelas
sociedades fundidas, cindidas ou contribuidoras;
d) A extinção ou entrega pelos sócios das partes representativas do
capital social das sociedades fundidas, cindidas ou adquiridas no
âmbito de operações de fusão, cisão ou permuta de partes sociais;
e) A anulação das partes de capital detidas pela sociedade
beneficiária nas sociedades fundidas ou cindidas em consequência
de operações de fusão ou cisão;
f) A remição e amortização de participações sociais com redução de
capital;
g) A anulação das partes de capital por redução de capital social
destinada à cobertura de prejuízos de uma sociedade quando o
respetivo sócio, em consequência da anulação, deixe de nela deter
qualquer participação.
h) A afetação dos elementos patrimoniais previstos no n.º 1 de uma
entidade residente a um seu estabelecimento estável situado fora do
território português relativamente ao qual tenha sido exercida a
opção pelo regime previsto no n.º 1 do artigo 54.º-A. (Aditada pela Lei n.º
82-C/2014, de 31 de dezembro)
6 - Não se consideram mais-valias ou menos-valias:
a) Os resultados obtidos em consequência da entrega pelo locatário
ao locador dos bens objeto de locação financeira;
b) Os resultados obtidos na transmissão onerosa, ou na afetação
permanente nos termos referidos no n.º 1, de títulos de dívida cuja
remuneração seja constituída, total ou parcialmente, pela diferença
entre o valor de reembolso ou de amortização e o preço de emissão,
primeira colocação ou endosso.
7 - No caso de transmissões onerosas no âmbito de operações de
cisão consideram-se mais-valias ou menos-valias de partes sociais
a diferença positiva ou negativa, respetivamente, entre o valor de
mercado das partes de capital da sociedade beneficiária atribuídas
aos sócios da sociedade cindida, ou dos elementos patrimoniais
destacados, e a parte do valor de aquisição das partes de capital
detidas pelos sócios da sociedade cindida correspondente aos
elementos patrimoniais destacados, determinada nos termos dos
[Link] 3, 5 ou 6 do artigo 76.º consoante os casos.
8 - Para efeitos do presente Código, no valor de aquisição das
partes de capital devem considerar-se, consoante os casos, positiva
ou negativamente:
a) O montante das entregas dos sócios para cobertura de prejuízos,
o qual é imputado proporcionalmente a cada uma das partes de
capital detidas; e (Redação da Lei n.º 82-C/2014, de 31 de dezembro)
b) O montante entregue aos sócios por redução do capital social até
ao montante do valor de aquisição, o qual é imputado
proporcionalmente a cada uma das partes de capital detidas.
9 - Em caso de mudança do regime de determinação da matéria
coletável durante o período em que os ativos sejam depreciáveis ou
amortizáveis, devem considerar-se no cálculo das mais-valias ou
menos-valias, relativamente ao período em que seja aplicado o
regime simplificado de determinação da matéria coletável, as quotas
mínimas de depreciação ou amortização.
10 - Na equivalência dos valores de realização ou de aquisição de
operações efetuadas em moeda sem curso legal em Portugal,
aplica-se a taxa de câmbio da data da realização ou aquisição ou,
não existindo, a da última cotação anterior.
11 - Na transmissão onerosa de partes de capital da mesma
natureza e que confiram idênticos direitos, considera-se que as
partes de capital transmitidas são as adquiridas há mais tempo.
12 - O sujeito passivo pode optar pela aplicação do custo médio
ponderado na determinação do custo de aquisição de partes de
capital da mesma natureza e que confiram idênticos direitos, caso
em que:
a) Não é aplicável a correção monetária prevista no artigo seguinte;
b) A opção deve ser aplicada a todas as partes de capital que
pertençam à mesma carteira e ser mantida por um período mínimo
de três anos.
13 - No caso de transmissões onerosas realizadas no âmbito de
operações de fusão, quando não sejam atribuídas partes sociais ao
sócio da sociedade fundida, considera-se mais-valia ou menos-valia
de partes sociais a diferença positiva ou negativa, respetivamente,
entre o valor de mercado das partes de capital da sociedade fundida
na data da operação e o valor de aquisição das partes de capital
detidas pelos sócios da sociedade fundida. (Aditado pela Lei n.º 82-C/2014,
de 31 de dezembro)
14 - Verificando-se a desafetação de elementos do ativo de um
estabelecimento estável situado fora do território português,
considera-se como custo de aquisição, para efeitos fiscais, o
respetivo valor líquido contabilístico, desde que este não exceda o
valor de mercado nessa data. (Aditado pela Lei n.º 32/2019, de 3 de maio)
15- No caso de entidades que transfiram a respetiva sede ou
direção efetiva para território português, considera-se que o custo
de aquisição, para efeitos fiscais, dos elementos do ativo detidos
pela entidade à data dessa transferência, e que não se
encontrassem nessa data afetos a estabelecimento estável situado
em território português, corresponde ao respetivo valor líquido
contabilístico, desde que, no caso de elementos do ativo, este não
exceda o valor de mercado à data da transferência.(Aditado pela Lei n.º
32/2019, de 3 de maio)
16 - O disposto no número anterior não é aplicável às entidades
que: (Aditado pela Lei n.º 32/2019, de 3 de maio)
a)Anteriormente à transferência da sede ou direção efetiva já
tinham sede ou direção efetiva em território português e não
fossem consideradas como residentes noutro Estado, nos
termos de convenção para evitar a dupla tributação; ou (Aditado
pela Lei n.º 32/2019, de 3 de maio)
b)Nos termos de convenção para evitar a dupla tributação sejam
consideradas como:(Aditado pela Lei n.º 32/2019, de 3 de maio)
i) Residentes em território português anteriormente à transferência
da sua sede ou direção efetiva; ou (Aditado pela Lei n.º 32/2019, de 3 de maio)
ii) Residentes noutro Estado após a transferência da sede ou
direção efetiva. (Aditado pela Lei n.º 32/2019, de 3 de maio)
17 - O disposto nos [Link] 14 a 16 é aplicável aos ativos correntes e
não correntes, bem como aos passivos correntes e não correntes:
(Aditado pela Lei n.º 32/2019, de 3 de maio)
Artigo 47.º
Correção monetária das mais-valias e das
menos-valias
1 - O valor de aquisição corrigido nos termos do n.º 2 do artigo
anterior é atualizado mediante aplicação dos coeficientes de
desvalorização da moeda para o efeito publicados em portaria do
membro do Governo responsável pela área das finanças, sempre
que, à data da realização, tenham decorrido pelo menos dois anos
desde a data da aquisição, sendo o valor dessa atualização
deduzido para efeitos da determinação do lucro tributável.
2 - A correção monetária a que se refere o número anterior não é
aplicável aos instrumentos financeiros, salvo quanto às partes de
capital.
3 - Quando, nos termos do regime especial previsto nos artigos 76.º
a 78.º, haja lugar à valorização das participações sociais recebidas
pelo mesmo valor pelo qual as antigas se encontravam registadas,
considera-se, para efeitos do disposto no n.º 1, data de aquisição
das primeiras a que corresponder à das últimas.
Artigo 47.º-A
Data de aquisição das partes de capital
Para efeitos do presente Código, considera-se que:
a) A data de aquisição das partes de capital adquiridas ou atribuídas
ao sujeito passivo por incorporação de reservas ou substituição,
designadamente por alteração do respetivo valor nominal ou
transformação da sociedade emitente, é a data de aquisição das
partes de capital que lhes deram origem;
b) A data de aquisição das partes de capital adquiridas ou atribuídas
ao sujeito passivo no âmbito de operações de fusão, cisão ou
permuta de partes sociais quando se aplique o regime especial
previsto no artigo 74.º ou no artigo 77.º, consoante os casos, e
sejam valorizadas, para efeitos fiscais, pelo valor que tinham as
partes de capital entregues pelos sócios, é a data de aquisição
destas últimas;
c) A data de aquisição das partes de capital adquiridas pela
sociedade beneficiária no âmbito de operações de fusão, cisão ou
entrada de ativos quando se aplique o regime especial previsto no
artigo 74.º, e sejam valorizadas, para efeitos fiscais, pelo valor que
tinham as partes de capital na sociedade fundida, cindida ou
contribuidora, é a data de aquisição das partes de capital nestas
últimas sociedades. (Redação da Lei n.º 82-C/2014, de 31 de dezembro)
Artigo 48.º
Reinvestimento dos valores de realização
1 - Para efeitos da determinação do lucro tributável, a diferença
positiva entre as mais-valias e as menos-valias, calculadas nos
termos dos artigos anteriores, realizadas mediante a transmissão
onerosa de ativos fixos tangíveis, ativos intangíveis e ativos
biológicos não consumíveis, detidos por um período não inferior a
um ano, ainda que qualquer destes ativos tenha sido reclassificado
como ativo não corrente detido para venda, ou em consequência de
indemnizações por sinistros ocorridos nestes elementos, é
considerada em metade do seu valor, quando: (Redação da Declaração de
Retificação n.º 18/2014, de 13 de março)
a) O valor de realização correspondente à totalidade dos referidos
ativos seja reinvestido na aquisição, produção ou construção de
ativos fixos tangíveis, de ativos intangíveis ou, de ativos biológicos
não consumíveis, no período de tributação anterior ao da realização,
no próprio período de tributação ou até ao fim do 2.º período de
tributação seguinte; (*)
(*) - Nos termos da Lei n.º 21/2021, de 20 de abril, fica suspenso o prazo de reinvestimento
previsto na alínea a) do n.º 1 do artigo 48.º do Código do IRC, sendo que, os efeitos desta
medida extraordinária retroagem a 1 de janeiro de 2020.)
b) Os bens em que seja reinvestido o valor de realização:
1) Não sejam bens adquiridos em estado de uso a sujeito passivo
de IRS ou IRC com o qual existam relações especiais nos termos
definidos no n.º 4 do artigo 63.º;
2) Sejam detidos por um período não inferior a um ano contado do
final do período de tributação em que ocorra o reinvestimento ou, se
posterior, a realização.
2 - No caso de se verificar apenas o reinvestimento parcial do valor
de realização, o disposto no número anterior é aplicado à parte
proporcional da diferença entre as mais-valias e as menos-valias a
que o mesmo se refere.
3 - Não é suscetível de beneficiar do regime previsto nos números
anteriores o investimento em que tiverem sido deduzidos os valores
referidos nos artigos 40.º e 42.º
4 - (Revogado.)
5 - Para efeitos do disposto nos [Link] 1 e 2, os sujeitos passivos
devem mencionar a intenção de efetuar o reinvestimento na
declaração a que se refere a alínea c) do n.º 1 do artigo 117.º do
período de tributação em que a realização ocorre, comprovando na
mesma e nas declarações dos dois períodos de tributação seguintes
os reinvestimentos efetuados.
6 - Não sendo concretizado, total ou parcialmente, o reinvestimento
até ao fim do 2.º período de tributação seguinte ao da realização,
considera-se como rendimento desse período de tributação,
respetivamente, a diferença ou a parte proporcional da diferença
prevista no n.º 1 não incluída no lucro tributável, majorada em 15 %.
7 - (Revogado.)
8 - O disposto nos [Link] 1 e 2 não é aplicável aos ativos intangíveis
adquiridos ou alienados a entidades com as quais existam relações
especiais nos termos do n.º 4 do artigo 63.º
9 - O disposto nos [Link] 1 e 2 não é aplicável às mais e menos-valias
realizadas pelas sociedades fundidas, cindidas ou contribuidoras no
âmbito de operações de fusão, cisão ou entrada de ativos, bem
como às mais e menos-valias realizadas na afetação permanente de
bens a fins alheios à atividade exercida pelo sujeito passivo ou
realizadas pelas sociedades em liquidação.
10 - Não são suscetíveis de beneficiar deste regime as propriedades
de investimento, ainda que reconhecidas na contabilidade como
ativo fixo tangível. (Aditado pela Lei n.º 42/2016, de 28 de dezembro)
SUBSECÇÃO VII
Instrumentos financeiros derivados
Artigo 49.º
Instrumentos financeiros derivados
1 - Concorrem para a formação do lucro tributável, salvo os
previstos no n.º 3, os rendimentos ou gastos resultantes da
aplicação do justo valor a instrumentos financeiros derivados, ou a
qualquer outro ativo ou passivo financeiro utilizado como
instrumento de cobertura restrito à cobertura do risco cambial.
2 - Relativamente às operações cujo objetivo exclusivo seja o de
cobertura de justo valor, quando o elemento coberto esteja
subordinado a outros modelos de valorização, são aceites
fiscalmente os rendimentos ou gastos do elemento coberto
reconhecidos em resultados, ainda que não realizados, na exata
medida da quantia igualmente refletida em resultados, de sinal
contrário, gerada pelo instrumento de cobertura.
3 - Relativamente às operações cujo objetivo exclusivo seja o de
cobertura de fluxos de caixa ou de cobertura do investimento líquido
numa unidade operacional estrangeira, são diferidos os rendimentos
ou gastos gerados pelo instrumento de cobertura, na parte
considerada eficaz, até ao momento em que os gastos ou
rendimentos do elemento coberto concorram para a formação do
lucro tributável.
4 - Sem prejuízo do disposto no n.º 6, e desde que se verifique uma
relação económica incontestável entre o elemento coberto e o
instrumento de cobertura, por forma a que da operação de cobertura
se deva esperar, pela elevada eficácia da cobertura do risco em
causa, a neutralização dos eventuais rendimentos ou gastos no
elemento coberto com uma posição simétrica dos gastos ou
rendimentos no instrumento de cobertura, são consideradas
operações de cobertura as que justificadamente contribuam para a
eliminação ou redução de um risco real de:
a) Um ativo, passivo, compromisso firme, transação prevista com
uma elevada probabilidade ou investimento líquido numa unidade
operacional estrangeira; ou
b) Um grupo de ativos, passivos, compromissos firmes, transações
previstas com uma elevada probabilidade ou investimentos líquidos
numa unidade operacional estrangeira com caraterísticas de risco
semelhantes; ou
c) Taxa de juro da totalidade ou parte de uma carteira de ativos ou
passivos financeiros que partilhem o risco que esteja a ser coberto.
5 - Para efeitos do disposto no número anterior, só é considerada de
cobertura a operação na qual o instrumento de cobertura utilizado
seja um derivado ou, no caso de cobertura de risco cambial, um
qualquer ativo ou passivo financeiro.
6 - Não são consideradas como operações de cobertura:
a) As operações efetuadas com vista à cobertura de riscos a incorrer
por outras entidades, ou por estabelecimentos da entidade que
realiza as operações cujos rendimentos não sejam tributados pelo
regime geral de tributação;
b) As operações que não sejam devidamente identificadas e
documentalmente suportadas no processo de documentação fiscal
previsto no artigo 130.º, no que se refere ao relacionamento da
cobertura, ao objetivo e à estratégia da gestão de risco da entidade
para levar a efeito a referida cobertura.
7 - A não verificação dos requisitos referidos no n.º 4 determina, a
partir dessa data, a desqualificação da operação como operação de
cobertura.
8 - Não sendo efetuada a operação coberta, ao valor do imposto
relativo ao período de tributação em que a mesma se efetuaria deve
adicionar-se o imposto que deixou de ser liquidado por virtude do
disposto nos [Link] 2 e 3, ou, não havendo lugar à liquidação do
imposto, deve corrigir-se em conformidade o prejuízo fiscal
declarado.
9 - À correção do imposto referida no número anterior são
acrescidos juros compensatórios, exceto quando, tratando-se de
uma cobertura prevista no n.º 3, a operação coberta seja efetuada
em, pelo menos, 80 % do respetivo montante.
10 - Se a substância de uma operação ou conjunto de operações
diferir da sua forma, o momento, a fonte e a natureza dos
pagamentos e recebimentos, rendimentos e gastos, decorrentes
dessa operação, podem ser requalificados pela administração
tributária de modo a ter em conta essa substância.
SUBSECÇÃO VIII
Empresas de seguros
Artigo 50.º
Empresas de seguros
1 - Concorrem para a formação do lucro tributável as variações de
justo valor, refletidas em resultados ou em outro rendimento integral,
decorrentes da aplicação do justo valor aos ativos que estejam
afetos a passivos de contratos de seguros de vida com participação
nos resultados, ou afetos a passivos de contratos de seguro do
ramo vida em que o risco de investimento é suportado pelo tomador
de seguro. (Redação da Lei n.º 82-A/2023, de 29 de dezembro)
Nota: (segundo o art.º 5.º da Lei n.º 82-A/2024, de 29/12):
“Norma interpretativa -
O disposto no n.º 1 do artigo 50.º do Código do IRC, na redação dada pela presente lei,
referente à concorrência para a formação do lucro tributável das variações de justo valor,
refletidas em resultados ou em outro rendimento integral, tem caráter interpretativo.”
2 - As transferências dos ativos referidos no número anterior de, ou
para, outras carteiras de investimento são assimiladas a
transmissões onerosas efetuadas ao preço de mercado da data da
operação.
3 - Os gastos decorrentes de contratos de seguro onerosos
concorrem para a formação do lucro tributável do período de
tributação em que, nos termos das normas regulamentares
aprovadas pela Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de
Pensões, sejam reconhecidos pelas empresas de seguros. (Aditado
pela Lei n.º 82-A/2023, de 29 de dezembro)
Artigo 51.º-D
Estabelecimento estável
1 - O disposto na presente subsecção é aplicável aos lucros e
reservas distribuídos, bem como às mais-valias e às menos-valias
realizadas nos termos do artigo 51.º-C, que sejam imputáveis a um
estabelecimento estável situado em território português de uma
entidade residente num Estado membro da União Europeia, desde
que esta preencha os requisitos e condições estabelecidos no artigo
2.º da Diretiva n.º 2011/96/UE, do Conselho, de 30 de novembro.
2 - O disposto na presente subsecção é ainda aplicável aos lucros e
reservas distribuídos, bem como às mais-valias e às menos-valias
realizadas nos termos do artigo 51.º-C, que sejam imputáveis a um
estabelecimento estável situado em território português de uma
entidade residente num Estado membro do Espaço Económico
Europeu sujeita a obrigações de cooperação administrativa no
domínio da fiscalidade equivalentes às estabelecidas no âmbito da
União Europeia, desde que esta entidade preencha os requisitos e
condições equiparáveis aos estabelecidos no artigo 2.º da Diretiva
n.º 2011/96/UE, do Conselho, de 30 de novembro.
3 - O disposto na presente subsecção é ainda aplicável aos lucros e
reservas distribuídos, bem como às mais-valias e menos-valias
realizadas nos termos do artigo 51.º-C, que sejam imputáveis a um
estabelecimento estável situado em território português de uma
entidade residente num Estado, que não conste da lista de países,
territórios ou regiões sujeitos a um regime fiscal claramente mais
favorável, aprovada por portaria do membro do Governo
responsável pela área das finanças, com o qual tenha sido
celebrada e se encontre em vigor convenção para evitar a dupla
tributação que preveja a troca das informações e que nesse Estado
esteja sujeita e não isenta de um imposto de natureza idêntica ou
similar ao IRC. (Redação da Lei n.º 82-C/2014, de 31 de dezembro)
4 - Para efeitos da prova do cumprimento dos requisitos previstos no
presente artigo, é aplicável, com as necessárias adaptações, o
disposto no artigo 51.º-B. (Aditado pela Lei n.º 82-C/2014, de 31 de dezembro)
SUBSECÇÃO X
Dedução de prejuízos
Artigo 52.º
Dedução de prejuízos fiscais
1 - Sem prejuízo do disposto no número seguinte, os prejuízos
fiscais apurados em determinado período de tributação, nos termos
das disposições anteriores, são deduzidos aos lucros tributáveis,
havendo-os, de um ou mais dos períodos de tributação posteriores.
(Redação da Lei n.º 24-D/2022, de 30 de dezembro. Não prejudica a aplicação do n.º 2 do
artigo 11.º da Lei n.º 27-A/2020, de 24 de julho, e é aplicável à dedução aos lucros
tributáveis dos períodos de tributação que se iniciem em ou após 1 de janeiro de 2023,
bem como aos prejuízos fiscais apurados em períodos de tributação anteriores a 1 de
janeiro de 2023, cujo período de dedução ainda se encontre em curso na data da entrada
em vigor da presente lei. Não se aplica aos prejuízos fiscais apurados em períodos de
tributação anteriores a 1 de janeiro de 2023 em que se tenha verificado uma das situações
previstas no n.º 1 do artigo 6.º do regime especial aplicável aos ativos por impostos
diferidos (REAID), aprovado em anexo à Lei n.º 61/2014, de 26 de agosto, aplicando-se
aos prejuízos fiscais apurados nestes períodos de tributação o prazo de dedução em vigor
em 31 de dezembro de 2022. Aplica-se aos prejuízos fiscais apurados nos termos do artigo
70.º do Código do IRC, sempre que o grupo integre um sujeito passivo em que se tenha
verificado uma das situações previstas no n.º 1 do artigo 6.º do REAID.)
SECÇÃO III-A
Estabelecimentos estáveis de entidades
residentes
Artigo 54.º-A
Lucros e prejuízos de estabelecimento
estável situado fora do território português
1 - O sujeito passivo com sede ou direção efetiva em território
português pode optar pela não concorrência para a determinação do
seu lucro tributável dos lucros e dos prejuízos imputáveis a
estabelecimento estável situado fora do território português, desde
que se verifiquem cumulativamente os seguintes requisitos:
a) Os lucros imputáveis a esse estabelecimento estável estejam
sujeitos e não isentos de um imposto referido no artigo 2.º da
Diretiva n.º 2011/96/UE, do Conselho, de 30 de novembro, ou de um
imposto de natureza idêntica ou similar ao IRC cuja taxa legal
aplicável a esses lucros não seja inferior a 60 % da taxa do IRC
prevista no n.º 1 do artigo 87.º;
b) Esse estabelecimento estável não esteja localizado em país,
território ou região sujeito a um regime fiscal claramente mais
favorável constante de lista aprovada por portaria do membro do
Governo responsável pela área das finanças.
c) O imposto sobre os lucros efetivamente pago não seja inferior a
50 % do imposto que seria devido nos termos deste Código, exceto
quando se verifique a condição prevista no n.º 7 do artigo 66.º(Aditado
pela Lei n.º 32/2019, de 3 de maio)
2 - Para efeitos do disposto no presente artigo, o conceito de
estabelecimento estável é o que resulta da aplicação de convenção
para evitar a dupla tributação celebrada por Portugal ou, na sua
ausência, da aplicação do disposto no artigo 5.º
3 - No caso do exercício da opção prevista no n.º 1, o lucro
tributável do sujeito passivo deve refletir as operações com os
respetivos estabelecimentos estáveis situados fora do território
português e ser corrigido dos gastos correspondentes aos
rendimentos imputáveis a esses estabelecimentos estáveis ou aos
ativos a estes afetos, por forma a corresponder ao que seria obtido
caso estes fossem empresas separadas e independentes.
4 - O disposto no n.º 1 não é aplicável aos lucros imputáveis ao
estabelecimento estável, incluindo os derivados da alienação ou da
afetação a outros fins dos ativos afetos a esse estabelecimento, até
ao montante dos prejuízos imputáveis ao estabelecimento estável
que concorreram para a determinação do lucro tributável do sujeito
passivo nos 12 períodos de tributação anteriores. (Redação da Lei n.º 24-
D/2022, de 30 de dezembro)
Artigo 56.º
Rendimentos não imputáveis a
estabelecimento estável
1 - Os rendimentos não imputáveis a estabelecimento estável
situado em território português, obtidos por sociedades e outras
entidades não residentes, são determinados de acordo com as
regras estabelecidas para as categorias correspondentes para
efeitos de IRS.
2 - No caso de prédios urbanos não arrendados ou não afetos a
uma atividade económica que sejam detidos por entidades com
domicílio em país, território ou região sujeito a um regime fiscal
claramente mais favorável constante de lista aprovada por portaria
do membro do Governo responsável pela área das finanças,
considera-se como rendimento predial bruto relativamente ao
respetivo período de tributação, para efeitos do número anterior, o
montante correspondente a 1/15 do respetivo valor patrimonial.
3 - O disposto no número anterior não é aplicável quando a entidade
não residente detentora do prédio demonstre que este não é fruído
por entidade com domicílio em território português e que o prédio se
encontra devoluto.
4 - Para efeitos da determinação da matéria coletável, nos termos
da alínea d) do n.º 1 do artigo 15.º, o valor dos incrementos
patrimoniais obtidos a título gratuito é calculado de acordo com as
regras constantes do n.º 2 do artigo 21.º
SECÇÃO V
Determinação do lucro tributável por
métodos indiretos
Artigo 57.º
Aplicação de métodos indiretos
1 - A aplicação de métodos indiretos efetua-se nos casos e
condições previstos nos artigos 87.º a 89.º da Lei Geral Tributária.
2 - O atraso na execução dos livros e registos contabilísticos, bem
como a sua não exibição imediata, a que se refere o artigo 88.º da
Lei Geral Tributária, só dá lugar à aplicação de métodos indiretos
após o decurso do prazo fixado para a sua regularização ou
apresentação sem que se mostre cumprida a obrigação.
3 - O prazo a que se refere o número anterior não deve ser inferior a
5 nem superior a 30 dias e não prejudica a aplicação da sanção que
corresponder à infração eventualmente praticada.
Artigo 58.º
Regime simplificado de determinação do
lucro tributável
(Revogado.)
Artigo 59.º
Métodos indiretos
A determinação do lucro tributável por métodos indiretos é efetuada
pelo diretor de finanças da área da sede, direção efetiva ou
estabelecimento estável do sujeito passivo ou por funcionário em
que este delegue e baseia-se em todos os elementos de que a
administração tributária disponha, de acordo com o artigo 90.º da
Lei Geral Tributária e demais normas legais aplicáveis.
Artigo 60.º
Notificação do sujeito passivo
1 - Os sujeitos passivos são notificados do lucro tributável fixado por
métodos indiretos, com indicação dos factos que lhe estiveram na
origem e, bem assim, dos critérios e cálculos que lhe estão
subjacentes.
2 - (Revogado pela Lei n.º 24-D/2022, de 30 de dezembro)
Artigo 61.º
Pedido de revisão do lucro tributável
Os sujeitos passivos podem solicitar a revisão do lucro tributável
fixado por métodos indiretos nos termos previstos nos artigos 91.º e
seguintes da Lei Geral Tributária.
Artigo 62.º
Revisão excecional do lucro tributável
1 - O lucro tributável determinado por métodos indiretos pode ser
revisto nos três anos posteriores ao do correspondente ato
tributário, quando, em face de elementos concretos conhecidos
posteriormente, se verifique ter havido injustiça grave ou notória em
prejuízo do Estado ou do sujeito passivo e a revisão seja autorizada
pelo diretor-geral da Autoridade Tributária e Aduaneira.
2 - São aplicáveis no caso previsto no número anterior as
disposições dos artigos 60.º e 61.º
SECÇÃO VI
Disposições comuns e diversas
SUBSECÇÃO I
Correções para efeitos da determinação da
matéria coletável
Artigo 63.º
Preços de transferência
1 - Nas operações efetuadas entre um sujeito passivo e qualquer
outra entidade, sujeita ou não a IRC, com a qual esteja em situação
de relações especiais, devem ser contratados, aceites e praticados
termos ou condições substancialmente idênticos aos que
normalmente seriam contratados, aceites e praticados entre
entidades independentes em operações comparáveis.
(Redação da Lei n.º 119/2019, de 18 de setembro)
Artigo 64.º
Correções ao valor de transmissão de
direitos reais sobre bens imóveis
1 - Os alienantes e adquirentes de direitos reais sobre bens imóveis
devem adotar, para efeitos da determinação do lucro tributável nos
termos do presente Código, valores normais de mercado que não
podem ser inferiores aos valores patrimoniais tributários definitivos
que serviram de base à liquidação do imposto municipal sobre as
transmissões onerosas de imóveis (IMT) ou que serviriam no caso
de não haver lugar à liquidação deste imposto.
2 - Sempre que, nas transmissões onerosas previstas no número
anterior, o valor constante do contrato seja inferior ao valor
patrimonial tributário definitivo do imóvel, é este o valor a considerar
pelo alienante e adquirente, para determinação do lucro tributável.
3 - Para aplicação do disposto no número anterior:
a) O sujeito passivo alienante deve efetuar uma correção, na
declaração de rendimentos do período de tributação a que é
imputável o rendimento obtido com a operação de transmissão,
correspondente à diferença positiva entre o valor patrimonial
tributário definitivo do imóvel e o valor constante do contrato;
b) O sujeito passivo adquirente adota o valor patrimonial tributário
definitivo para a determinação de qualquer resultado tributável em
IRC relativamente ao imóvel.
4 - Se o valor patrimonial tributário definitivo do imóvel não estiver
determinado até ao final do prazo estabelecido para a entrega da
declaração do período de tributação a que respeita a transmissão,
os sujeitos passivos devem entregar a declaração de substituição
durante o mês de janeiro do ano seguinte àquele em que os valores
patrimoniais tributários se tornaram definitivos.
5 - No caso de existir uma diferença positiva entre o valor
patrimonial tributário definitivo e o custo de aquisição ou de
construção, o sujeito passivo adquirente deve comprovar no
processo de documentação fiscal previsto no artigo 130.º, para
efeitos do disposto na alínea b) do n.º 3, o tratamento contabilístico
e fiscal dado ao imóvel.
6 - O disposto no presente artigo não afasta a possibilidade de a
Autoridade Tributária e Aduaneira proceder, nos termos previstos na
lei, a correções ao lucro tributável sempre que disponha de
elementos que comprovem que o preço efetivamente praticado na
transmissão foi superior ao valor considerado.
Artigo 65.º
Pagamentos a entidades não residentes
sujeitas a um regime fiscal privilegiado
(Revogado.)
Artigo 66.º
Imputação de rendimentos de entidades não
residentes sujeitas a um regime fiscal
privilegiado
1 - Os lucros ou rendimentos obtidos por entidades não residentes
em território português e submetidos a um regime fiscal claramente
mais favorável são imputados aos sujeitos passivos de IRC
residentes em território português que detenham, direta ou
indiretamente, mesmo que através de mandatário, fiduciário ou
interposta pessoa, pelo menos 25 % das partes de capital, dos
direitos de voto ou dos direitos sobre os rendimentos ou os
elementos patrimoniais dessas entidades.
2 - (Revogado.) (Redação da Lei n.º 32/2019, de 3 de maio)
3 - A imputação a que se refere o n.º 1 é feita na base tributável
relativa ao período de tributação do sujeito passivo que integrar o
termo do período de tributação da entidade, pelo montante do lucro
ou rendimentos por esta obtidos, consoante o caso, determinados
nos termos deste Código, e de acordo com a proporção do capital,
ou dos direitos sobre os rendimentos ou os elementos patrimoniais
detidos, direta ou indiretamente, mesmo que através de mandatário,
fiduciário ou interposta pessoa, por esse sujeito passivo.(Redação da
Lei n.º 32/2019, de 3 de maio).
4 - Os prejuízos fiscais, apurados pela entidade nos termos deste
Código, são dedutíveis, na parte em que corresponderem à
proporção do capital, ou dos direitos sobre os rendimentos ou os
elementos patrimoniais detidos, direta ou indiretamente, pelo sujeito
passivo, aos rendimentos imputáveis nos termos do número
anterior, até à respetiva concorrência, em um ou mais dos cinco
períodos de tributação seguintes. (Redação da Lei n.º 32/2019, de 3 de maio)
5 - Para efeitos do n.º 3, aos lucros ou aos rendimentos sujeitos a
imputação é deduzido o imposto sobre o rendimento incidente sobre
esses lucros ou rendimentos, a que houver lugar de acordo com o
regime fiscal aplicável no Estado de residência dessa entidade.
(Redação da Lei n.º 32/2019, de 3 de maio)
6 - Para efeitos do disposto no n.º 1, considera-se que uma entidade
está submetida a um regime fiscal claramente mais favorável
quando:(Redação da Lei n.º 32/2019, de 3 de maio)
a) O território da mesma constar da lista aprovada por portaria do
membro do Governo responsável pela área das finanças; ou (Redação
da Lei n.º 32/2019, de 3 de maio)
b) O imposto sobre os lucros efetivamente pago seja inferior a 50 %
do imposto que seria devido nos termos deste Código. (Redação da Lei
n.º 32/2019, de 3 de maio)
7 - Excluem-se do disposto no n.º 1 as entidades não residentes em
território português desde que a soma dos rendimentos que sejam
provenientes de uma ou mais das seguintes categorias não exceda
25 % do total dos seus rendimentos: (Redação da Lei n.º 32/2019, de 3 de
maio)
Artigo 67.º
Limitação à dedutibilidade de gastos de
financiamento
1 - Os gastos de financiamento líquidos concorrem para a
determinação do lucro tributável até ao maior dos seguintes limites:
a) €1 000 000; ou
b) 30 % do resultado antes de depreciações, amortizações, gastos
de financiamento líquidos e impostos.
2 - Os gastos de financiamento líquidos não dedutíveis nos termos
do número anterior podem ainda ser considerados na determinação
do lucro tributável de um ou mais dos cinco períodos de tributação
posteriores, após os gastos de financiamento líquidos desse mesmo
período, observando-se as limitações previstas no número anterior.
3 - Sempre que o montante dos gastos de financiamento deduzidos
seja inferior a 30 % do resultado antes de depreciações,
amortizações, gastos de financiamento líquidos e impostos, a parte
não utilizada deste limite acresce ao montante máximo dedutível,
nos termos da alínea b) do n.º 1, até ao quinto período de tributação
posterior.
4 - Para efeito do disposto nos [Link] 2 e 3, consideram-se em 1.º
lugar os gastos de financiamento líquidos não dedutíveis e a parte
não utilizada do limite referido no número anterior que tenham sido
apurados há mais tempo.
5 - Nos casos em que exista um grupo de sociedades sujeito ao
regime especial previsto no artigo 69.º, a sociedade dominante pode
optar, para efeitos da determinação do lucro tributável do grupo,
pela aplicação do disposto no presente artigo aos gastos de
financiamento líquidos do grupo nos seguintes termos:
a) O limite para a dedutibilidade ao lucro tributável do grupo
corresponde ao valor previsto na alínea a) do n.º 1,
independentemente do número de sociedades pertencentes ao
grupo ou, quando superior, ao previsto na alínea b) do mesmo
número, calculado com base na soma algébrica dos resultados
antes de depreciações, amortizações, gastos de financiamento
líquidos e impostos apurados nos termos deste artigo pelas
sociedades que o compõem; (Redação da Lei n.º 82-C/2014, de de 31 de
dezembro)
Artigo 68.º
Correções nos casos de crédito de imposto
e retenção na fonte
1 - Na determinação da matéria coletável sujeita a imposto, quando
houver rendimentos obtidos no estrangeiro que deem lugar a crédito
de imposto por dupla tributação jurídica internacional, nos termos do
artigo 91.º, esses rendimentos devem ser considerados, para efeitos
de tributação, pelas respetivas importâncias ilíquidas dos impostos
sobre o rendimento pagos no estrangeiro.
2 - Sempre que tenha havido lugar a retenção na fonte de IRC
relativamente a rendimentos englobados para efeitos de tributação,
o montante a considerar na determinação da matéria coletável é a
respetiva importância ilíquida do imposto retido na fonte.
3 - Quando seja exercida a opção prevista no artigo 91.º-A, devem
ser acrescidos à matéria coletável do sujeito passivo os impostos
sobre os lucros pagos pelas entidades por este detidas direta ou
indiretamente, nos Estados em que sejam residentes,
correspondentes aos lucros e reservas que lhe tenham sido
distribuídos.
SUBSECÇÃO I-A
Regras destinadas a neutralizar os efeitos de
assimetrias híbridas», que compreende os
artigos 68.º-A, 68.º-B, 68.º-C e 68.º-D.
Artigo 68.º-A
Definições
(Artigo aditado pela Lei n.º 24/2020, de 6 de julho)
1 - Para efeitos da presente subsecção, considera-se:
a) 'Acordo estruturado':
i) Um acordo que envolva uma assimetria híbrida em que o
resultado de assimetria seja considerado no preço fixado nos termos
do mesmo;
ii) ou um acordo que foi concebido para produzir um resultado de
assimetria híbrida, salvo quando não possa ser razoavelmente
expectável que o sujeito passivo ou uma empresa sua associada
tivesse conhecimento da mesma e não tenham beneficiado de parte
do valor da vantagem fiscal dela resultante;
b) 'Assimetria híbrida' qualquer situação que envolva um sujeito
passivo ou, no caso da alínea d) do n.º 1 do artigo seguinte, uma
entidade quando:
i) Um pagamento efetuado ao abrigo de um instrumento financeiro
dê origem a um resultado de dedução sem inclusão, esse
pagamento não seja incluído dentro de um prazo razoável e o
resultado dessa assimetria seja imputável a diferenças na
qualificação do instrumento ou do pagamento efetuado ao abrigo do
mesmo;
ii) Um pagamento efetuado a uma entidade híbrida dê origem a uma
dedução sem inclusão e o resultado dessa assimetria decorra de
diferenças na imputação de pagamentos efetuados à entidade
híbrida ao abrigo da legislação da jurisdição na qual a mesma está
estabelecida ou registada e da jurisdição de qualquer pessoa com
uma participação nessa entidade híbrida;
iii) Um pagamento efetuado a uma entidade com um ou mais
estabelecimentos estáveis dê origem a uma dedução sem inclusão
e o resultado dessa assimetria decorra de diferenças na imputação
de pagamentos entre a sede e o estabelecimento estável ou entre
dois ou mais estabelecimentos estáveis da mesma entidade ao
abrigo da legislação das jurisdições nas quais a entidade opera;
iv) Um pagamento dê origem a uma dedução sem inclusão em
resultado de um pagamento efetuado a um estabelecimento estável
não considerado;
v) Um pagamento efetuado por uma entidade híbrida dê origem a
uma dedução sem inclusão e essa assimetria resulte do facto de o
pagamento não ser tido em conta ao abrigo da legislação da
jurisdição do beneficiário, salvo se, e na medida em que, na
jurisdição do ordenante essa dedução seja compensada com um
montante que seja um rendimento de dupla inclusão;
vi) Um pagamento ficcionado efetuado entre a sede e um
estabelecimento estável ou entre dois ou mais estabelecimentos
estáveis dê origem a uma dedução sem inclusão e essa assimetria
resulte do facto de o pagamento não ser tido em conta ao abrigo da
legislação da jurisdição do beneficiário, salvo se, e na medida em
que, na jurisdição do ordenante essa dedução seja compensada
com um montante que seja um rendimento de dupla inclusão; ou
vii) Ocorra um resultado de dupla dedução, salvo se, e na medida
em que, na jurisdição do ordenante essa dedução seja compensada
com um montante que seja um rendimento de dupla inclusão;
c) 'Dedução' o montante que seja dedutível ao rendimento tributável
ao abrigo da legislação da jurisdição do ordenante ou do investidor,
devendo o termo 'dedutível' ser interpretado em conformidade;
d) 'Desagravamento fiscal' uma isenção fiscal, redução da taxa de
imposto ou qualquer crédito ou reembolso de imposto, com exceção
dos créditos de impostos retidos na fonte;
e) 'Dupla dedução' a dedução do mesmo pagamento, despesas ou
perdas na jurisdição onde o pagamento tem origem, onde as
despesas são incorridas ou as perdas são sofridas (jurisdição do
ordenante) e noutra jurisdição (jurisdição do investidor),
considerando-se, no caso de um pagamento efetuado por uma
entidade híbrida ou um estabelecimento estável, como jurisdição do
ordenante aquela onde a entidade híbrida ou o estabelecimento
estável estão estabelecidos ou situados;
f) 'Dedução sem inclusão' a dedução de um pagamento ou de um
pagamento ficcionado entre a sede e o estabelecimento estável ou
entre dois ou mais estabelecimentos estáveis, em qualquer
jurisdição em que esse pagamento ou pagamento ficcionado seja
considerado como efetuado (jurisdição do ordenante) sem que
ocorra a correspondente inclusão, para efeitos fiscais, desse
pagamento ou pagamento ficcionado na jurisdição do beneficiário,
considerando-se como jurisdição do beneficiário aquela onde esse
pagamento ou pagamento ficcionado seja recebido, ou tratado como
tendo sido recebido, ao abrigo da legislação de qualquer outra
jurisdição;
g) 'Empresa associada':
i) Uma entidade na qual o sujeito passivo detenha, direta ou
indiretamente, pelo menos 25 % das partes de capital, dos direitos
de voto ou dos direitos sobre os rendimentos dessa entidade;
ii) Uma pessoa ou entidade que detenha, direta ou indiretamente,
pelo menos 25 % das partes de capital, dos direitos de voto ou dos
direitos sobre os rendimentos dessa entidade;
iii) Entidades que façam parte de um mesmo grupo de entidades
integralmente incluídas nas demonstrações financeiras
consolidadas, elaboradas de acordo com as normas internacionais
de relato financeiro ou com o sistema de normalização
contabilística;
iv) Entidades que tenham uma influência significativa na gestão do
sujeito passivo ou em cuja gestão o sujeito passivo tenha uma
influência significativa;
h) 'Entidade híbrida' qualquer entidade ou mecanismo que seja
considerado como entidade tributável ao abrigo da legislação de
uma jurisdição e cujos rendimentos ou gastos sejam tratados como
rendimentos ou gastos de uma ou várias outras pessoas ao abrigo
da legislação de outra jurisdição;
i) 'Estabelecimento estável não considerado' qualquer mecanismo
que seja tratado como dando origem a um estabelecimento estável
ao abrigo da legislação da jurisdição da sede e que não seja tratado
como dando origem a um estabelecimento estável ao abrigo da
legislação da outra jurisdição;
j) 'Grupo consolidado' um grupo constituído por todas as entidades
que estão integralmente incluídas nas demonstrações financeiras
consolidadas, elaboradas de acordo com as normas internacionais
de relato financeiro ou com as normas de contabilidade nacionais;
k) 'Inclusão' o montante que seja considerado como rendimento
tributável ao abrigo da legislação da jurisdição do beneficiário,
desde que não decorra de um pagamento efetuado ao abrigo de um
instrumento financeiro elegível para qualquer desagravamento fiscal
ao abrigo da legislação da jurisdição do beneficiário, devendo o
termo 'incluído' ser interpretado em conformidade;
l) 'Instrumento financeiro' qualquer instrumento, na medida em que
dê origem a um rendimento de financiamento ou de capital próprio
que seja tributado segundo as regras de tributação de dívida, de
capital ou de derivados ao abrigo da legislação da jurisdição do
beneficiário ou da jurisdição do ordenante e que inclua uma
transferência híbrida;
m) 'Instrumento de investimento coletivo' um fundo ou veículo de
investimento com múltiplos detentores, que detenha uma carteira
diversificada de títulos e esteja sujeito à regulamentação de
proteção dos investidores no país em que está estabelecido;
n) 'Operador financeiro' qualquer pessoa ou entidade que exerça
regularmente a atividade de compra e venda de instrumentos
financeiros por conta própria com caráter empresarial;
o) 'Rendimento de dupla inclusão' qualquer rendimento que seja
incluído ao abrigo da legislação de ambas as jurisdições em que
sobrevenha o resultado de assimetria;
p) 'Resultado de assimetria' uma dupla dedução ou uma dedução
sem inclusão;
q) 'Transferência híbrida' qualquer acordo para transferir um
instrumento financeiro em que o retorno subjacente ao instrumento
financeiro transferido seja considerado, para efeitos fiscais, como
obtido simultaneamente por mais do que uma das partes nesse
mecanismo;
r) 'Transferência híbrida no mercado' qualquer transferência híbrida
efetuada por um operador financeiro no decurso de operações
comerciais normais e não como parte de um acordo estruturado.
2 - Para efeitos da alínea b) do número anterior:
a) Um resultado de assimetria apenas é tratado como assimetria
híbrida quando sobrevenha entre empresas associadas, entre um
sujeito passivo e uma empresa associada, entre a sede e o
estabelecimento estável, entre dois ou mais estabelecimentos
estáveis da mesma entidade ou no âmbito de um acordo
estruturado;
b) Um pagamento efetuado ao abrigo de um instrumento financeiro
é considerado como incluído no rendimento dentro de um prazo
razoável, quando:
i) O pagamento seja incluído na base tributável do beneficiário num
período de tributação que tenha início no prazo de 12 meses a
contar do termo do período de tributação do ordenante; ou
ii) Seja razoável esperar que esse pagamento venha a ser incluído
na base tributável do beneficiário num período de tributação futuro e
as condições de pagamento sejam as que seriam normalmente
acordadas entre entidades independentes;
c) Um pagamento que represente o retorno subjacente a um
instrumento financeiro transferido não dá origem a uma assimetria
híbrida, caso esse pagamento seja efetuado por um operador
financeiro ao abrigo de uma transferência híbrida no mercado,
desde que a jurisdição do ordenante exija, nos termos da sua
legislação, que o operador financeiro inclua como seu rendimento
todos os montantes recebidos em relação ao instrumento financeiro
transferido.
3 - Para efeitos da alínea g) do n.º 1:
a) Quando uma pessoa ou entidade detenha, direta ou
indiretamente, pelo menos 25 % das partes de capital, dos direitos
de voto do sujeito passivo e de outra ou outras entidades, todas as
entidades em causa, incluindo o sujeito passivo, são consideradas
empresas associadas entre si;
b) Quando o resultado da assimetria sobrevenha nos termos das
subalíneas ii), iii), iv) ou vii) da alínea b) do n.º 1, bem como nas
situações em que seja exigido um ajustamento nos termos da alínea
b) do n.º 3 do artigo seguinte ou do artigo 68.º-C, a percentagem
referida na alínea anterior e na alínea g) do n.º 1 é de 50 %;
c) Uma pessoa que atue em conjunto com outra pessoa no que
respeita aos direitos de voto ou ao capital social de uma entidade é
considerada como detendo uma participação correspondente à
totalidade dos direitos de voto ou do capital social dessa entidade
que sejam detidos por si e por essa outra pessoa.
Artigo 68.º-B
Assimetrias híbridas
(Artigo aditado pela Lei n.º 24/2020, de 6 de julho)
1 - Não concorrem para a determinação do lucro tributável os gastos
incorridos ou suportados, na medida em que:
a) Correspondam a pagamentos, ainda que ficcionados, despesas
ou perdas com origem, incorridas ou sofridas em outra jurisdição,
relativos a uma assimetria híbrida que dê origem a uma dupla
dedução;
b) Correspondam a pagamentos, ainda que ficcionados, despesas
ou perdas com origem, incorridas ou sofridas em território
português, relativos a uma assimetria híbrida que dê origem a uma
dupla dedução, exceto quando essa dedução seja recusada na
jurisdição do investidor;
c) Correspondam a pagamentos, ainda que ficcionados, despesas
ou perdas com origem, incorridas ou sofridas em território
português, relativos a uma assimetria híbrida que dê origem a uma
dedução sem inclusão que não corresponda a rendimentos
tributáveis ao abrigo da legislação da jurisdição do investidor;
d) Se destinem a financiar, direta ou indiretamente, despesas
dedutíveis que deem origem a uma assimetria híbrida através de
uma operação ou série de operações entre empresas associadas ou
realizadas como parte de um acordo estruturado, exceto na parte
em que outra jurisdição envolvida nas operações ou série de
operações tenha efetuado um ajustamento equivalente relativo a
essa assimetria híbrida.
2 - Os gastos não dedutíveis nos termos da alínea a) ou b) do
número anterior são considerados na determinação do lucro
tributável, do mesmo período de tributação ou de qualquer período
de tributação subsequente, até ao montante dos rendimentos de
dupla inclusão.
3 - Concorrem para o lucro tributável os seguintes rendimentos:
a) Correspondentes a pagamentos efetuados, ou considerados
como efetuados noutra jurisdição, relativos a uma assimetria híbrida
que dê origem a uma dedução sem inclusão, exceto nos casos das
subalíneas ii), iii), iv) ou vi) da alínea b) do n.º 1 do artigo anterior ou
quando esta dedução seja recusada pela jurisdição do ordenante;
b) Imputáveis a um estabelecimento estável não considerado
quando envolvido numa assimetria híbrida, exceto quando estes
rendimentos devam ser isentos ao abrigo de convenção para evitar
a dupla tributação celebrada com um país terceiro.
4 - Na medida em que uma transferência híbrida vise a obtenção de
uma redução do imposto retido na fonte sobre um pagamento
proveniente de um instrumento financeiro transferido para mais do
que uma das partes envolvidas, a dedução a que se refere a alínea
a) do n.º 2 do artigo 90.º do presente Código é aplicada na
proporção do rendimento líquido tributável correspondente a esse
pagamento.
5 - Nas situações de assimetrias híbridas que resultem numa
dedução sem inclusão ou numa dupla dedução, quando a outra
jurisdição permita que o ordenante difira a dedução para um período
de tributação subsequente, os ajustamentos previstos neste artigo
podem ser efetuados no período de tributação em que essa
dedução seja efetivamente compensada com um rendimento que
não seja de dupla inclusão na jurisdição do ordenante.
6 - O disposto nas alíneas a) a c) do n.º 1, no n.º 2 e na alínea a) do
n.º 3 não é aplicável nos casos em que seja efetuado um
ajustamento nos termos da alínea b) do n.º 3 ou do artigo seguinte,
ou em consequência de disposição equivalente que seja aplicável
nos termos do direito de outra jurisdição, relativamente a essa
assimetria híbrida.
Artigo 68.º-C
Assimetrias híbridas inversas
(Artigo aditado pela Lei n.º 24/2020, de 6 de julho)
1 - Caso uma ou mais entidades associadas não residentes em
território português detenham, de forma agregada, um interesse
direto ou indireto em 50 % ou mais dos direitos de voto, participação
no capital ou direitos a uma parte dos lucros de uma entidade
híbrida constituída ou estabelecida em território português e estejam
situadas ou domiciliadas numa jurisdição ou jurisdições que tratem a
entidade híbrida como sujeito passivo, essa entidade híbrida é
considerada residente em território português e tributada nos termos
do presente Código.
2 - O disposto no número anterior não é aplicável se e na estrita
medida em que o rendimento da entidade híbrida seja tributável em
sede do imposto sobre o rendimento das pessoas singulares, do
imposto sobre o rendimento das pessoas coletivas, diretamente na
titularidade de pessoas singulares ou coletivas, ou ao abrigo da
legislação de outra jurisdição.
3 - O disposto no presente artigo não é aplicável a um instrumento
de investimento coletivo.
Artigo 68.º-D
Assimetrias de residência fiscal
(Artigo aditado pela Lei n.º 24/2020, de 6 de julho)
1 - Não concorrem para a determinação do lucro tributável os gastos
ou perdas incorridos ou suportados por um sujeito passivo com sede
ou direção efetiva em território português, quando este seja
considerado como residente para efeitos fiscais em outra jurisdição
e esses gastos sejam dedutíveis ao abrigo da legislação de ambas
as jurisdições, na medida em que, nos termos da legislação da outra
jurisdição, essa dupla dedução possa ser compensada com
rendimento que não seja rendimento de dupla inclusão.
2 - Quando a outra jurisdição referida no número anterior for outro
Estado-Membro, o disposto nesse número apenas é aplicável
quando o sujeito passivo seja considerado como residente para
efeitos fiscais nesse outro Estado-Membro, nos termos de
convenção para evitar a dupla tributação em vigor.»
Nota: (segundo o n.º 2 e 3 do art.º 5º da Lei n.º 24/2020, de 6/07)
2 - Sem prejuízo do disposto no número seguinte, os artigos 68.º-A, 68.º-B
e 68.º-D do Código do IRC, com a redação introduzida pela presente lei,
são aplicáveis aos períodos de tributação com início em, ou após, 1 de
janeiro de 2020 e o artigo 68.º-C do Código do IRC, com a redação
introduzida pela presente lei, aos períodos de tributação com início em, ou
após, 1 de janeiro de 2022.
3 - O disposto na alínea c) do n.º 1 e na alínea a) do n.º 3 do artigo 68.º-B
do Código do IRC, com a redação introduzida pela presente lei, apenas é
aplicável aos períodos de tributação que se iniciem após 31 de dezembro de
2022, relativamente a assimetrias híbridas resultantes de um pagamento de
juros efetuado ao abrigo de um instrumento financeiro a uma empresa
associada, quando se verifiquem cumulativamente as seguintes condições:
a) O instrumento financeiro tenha características de conversão,
recapitalização interna ou redução;
b) O instrumento financeiro tenha sido emitido com o único objetivo de
satisfazer os requisitos relativos à capacidade de absorção de perdas
aplicáveis ao setor bancário e seja reconhecido como tal nos requisitos
relativos à capacidade de absorção de perdas do sujeito passivo;
c) A emissão do instrumento financeiro:
i) Esteja relacionada com instrumentos financeiros com características de
conversão, recapitalização interna ou redução a nível da empresa-mãe;
ii) O nível necessário para satisfazer os requisitos aplicáveis relativos à
capacidade de absorção de perdas; e
iii) Não faça parte de um acordo estruturado;
d) A dedução líquida global do grupo consolidado ao abrigo do mecanismo
não exceda o montante que teria sido obtido caso o sujeito passivo tivesse
emitido tal instrumento financeiro diretamente no mercado.
SUBSECÇÃO II
Regime especial de tributação dos grupos
de sociedades
Artigo 69.º
Âmbito e condições de aplicação
1 - Existindo um grupo de sociedades, a sociedade dominante pode
optar pela aplicação do regime especial de determinação da matéria
coletável em relação a todas as sociedades do grupo.
2 - Existe um grupo de sociedades quando uma sociedade, dita
dominante, detém, direta ou indiretamente, pelo menos, 75 % do
capital de outra ou outras sociedades ditas dominadas, desde que
tal participação lhe confira mais de 50 % dos direitos de voto.
3 - A opção pela aplicação do regime especial de tributação dos
grupos de sociedades só pode ser formulada quando se verifiquem
cumulativamente os seguintes requisitos:
a) As sociedades pertencentes ao grupo têm todas sede e direção
efetiva em território português e a totalidade dos seus rendimentos
está sujeita ao regime geral de tributação em IRC, à taxa normal
mais elevada;
b) A sociedade dominante detém a participação na sociedade
dominada há mais de um ano, com referência à data em que se
inicia a aplicação do regime;
c) A sociedade dominante não é considerada dominada de nenhuma
outra sociedade residente em território português que reúna os
requisitos para ser qualificada como dominante;
d) A sociedade dominante não tenha renunciado à aplicação do
regime nos três anos anteriores, com referência à data em que se
inicia a aplicação do regime.
4 - Não podem fazer parte do grupo as sociedades que, no início ou
durante a aplicação do regime, se encontrem nas situações
seguintes:
a) Estejam inativas há mais de um ano ou tenham sido dissolvidas;
b) Tenha sido contra elas instaurado processo especial de
recuperação ou de falência em que haja sido proferido despacho de
prosseguimento da ação;
c) Registem prejuízos fiscais nos três exercícios anteriores ao do
início da aplicação do regime, salvo, no caso das sociedades
dominadas, se a participação já for detida pela sociedade dominante
há mais de dois anos;
d) Estejam sujeitas a uma taxa de IRC inferior à taxa normal mais
elevada e não renunciem à sua aplicação;
e) Adotem um período de tributação não coincidente com o da
sociedade dominante;
f) (Revogada.)
g) Não assumam a forma jurídica de sociedade por quotas,
sociedade anónima ou sociedade em comandita por ações, salvo o
disposto no n.º 11. (Redação da Declaração de Retificação n.º 18/2014 – de 13 de
março)
5 - Para a determinação do nível de participação exigido de, pelo
menos, 75 %, consideram-se as participações detidas diretamente
ou indiretamente através de:
a) Sociedades residentes em território português que reúnam os
requisitos legalmente exigidos para fazer parte do grupo;
b) Sociedades residentes noutro Estado membro da União Europeia
ou do Espaço Económico Europeu, neste caso desde que exista
obrigação de cooperação administrativa no domínio da fiscalidade
equivalente à estabelecida no âmbito da União Europeia, que sejam
detidas, direta ou indiretamente, em, pelo menos, 75 % pela
sociedade dominante através de sociedades referidas na alínea
anterior ou na primeira parte desta alínea.
6 - Quando a participação ou os direitos de voto são detidos de
forma indireta, a percentagem efetiva da participação ou de direitos
de voto é obtida pelo processo da multiplicação sucessiva das
percentagens de participação e dos direitos de voto em cada um
dos níveis e, havendo participações ou direitos de voto numa
sociedade detidos de forma direta e indireta, a percentagem efetiva
de participação ou de direitos de voto resulta da soma das
percentagens das participações ou dos direitos de voto. (Redação da
Declaração de Retificação n.º 18/2014 – de 13 de março)
7 - A opção mencionada no n.º 1, as alterações na composição do
grupo e a renúncia ou a cessação da aplicação no presente regime
devem ser comunicadas à Autoridade Tributária e Aduaneira pela
sociedade dominante através do envio, por transmissão eletrónica
de dados, da competente declaração prevista no artigo 118.º, nos
seguintes prazos:
a) No caso de opção pela aplicação no presente regime, até ao fim
do 3.º mês do período de tributação em que se pretende iniciar a
aplicação;
b) No caso de alterações na composição do grupo:
1) Até ao fim do 3.º mês do período de tributação em que deva ser
efetuada a inclusão de novas sociedades que satisfaçam os
requisitos legalmente exigidos;
2) Até ao fim do 3.º mês do período de tributação seguinte àquele
em que ocorra a saída de sociedades do grupo por alienação da
participação ou por incumprimento das demais condições, ou outras
alterações na composição do grupo motivadas nomeadamente por
fusões ou cisões, exceto se a alteração ocorrer por cessação da
atividade de sociedade do grupo, caso em que a comunicação só
tem lugar se não se verificar a dispensa prevista no n.º 7 do artigo
118.º, devendo ser feita no prazo previsto no n.º 6 do mesmo artigo;
(Redação da Lei n.º 82-C/2014, de 31 de dezembro)
c) No caso de renúncia, até ao fim do 3.º mês do período de
tributação em que se pretende renunciar à aplicação do regime;
d) No caso de cessação, até ao fim do 3.º mês do período de
tributação seguinte àquele em que deixem de se verificar as
condições de aplicação do regime a que se referem as alíneas a) e
b) do número seguinte.
8 - O regime especial de tributação dos grupos de sociedades cessa
a sua aplicação nos seguintes casos:
a) Deixe de se verificar algum dos requisitos referidos no n.º 3
relativamente à sociedade dominante, sem prejuízo dos casos em
que seja exercida a opção prevista no n.º 10; (Redação da Lei n.º 82-
C/2014, de 31 de dezembro)
b) Se verifique alguma das situações referidas nas alíneas a), b), d)
ou g) do n.º 4 relativamente à sociedade dominante;
c) O lucro tributável de qualquer das sociedades do grupo seja
determinado com recurso à aplicação de métodos indiretos;
d) (Revogada.)
e) (Revogada.)
9 - Os efeitos da renúncia ou da cessação no presente regime
reportam-se:
a) Ao final do período de tributação anterior àquele em que foi
comunicada a renúncia à aplicação no presente regime nos termos
e prazo previstos no n.º 7;
b) (Revogada.)
c) Ao final do período de tributação anterior ao da verificação de
qualquer dos factos previstos no n.º 8.
10 - Nos casos em que a sociedade dominante passe a ser
considerada dominada de uma outra sociedade residente em
território português que reúna os requisitos, com exceção do
previsto na alínea c) do n.º 4, para ser qualificada como dominante,
esta última pode optar pela continuidade da aplicação do regime
especial de tributação dos grupos de sociedades através de
comunicação à Autoridade Tributária e Aduaneira, efetuada até ao
fim do 3.º mês do período de tributação seguinte à data em que se
verifique esse facto, passando aquele grupo a incluir a nova
sociedade dominante. (Redação da Lei n.º 82-C/2014, de 31 de dezembro)
11 - As entidades públicas empresariais, que satisfaçam os
requisitos relativos à qualidade de sociedade dominante exigidos
pelo presente artigo, podem optar pela aplicação deste regime ao
respetivo grupo.
12 - Compete à sociedade dominante fazer a prova do
preenchimento das condições de aplicação do regime especial de
tributação de grupos de sociedades.
13 - O requisito temporal referido na alínea b) do n.º 3 não é
aplicável quando se trate de sociedades constituídas há menos de
um ano pela sociedade dominante ou por outra sociedade que
integre o grupo, desde que o nível de participação exigido nos
termos do n.º 2 seja detido desde a data da constituição. (Redação da
Lei n.º 82-C/2014, de de 31 de dezembro)
14 - Para efeitos da contagem dos prazos previstos na alínea b) do
n.º 3, bem como do previsto na alínea c) do n.º 4, nos casos em que
a participação tiver sido adquirida no âmbito de processo de fusão,
cisão ou entrada de ativos, considera-se o período durante o qual a
participação tiver permanecido na titularidade das sociedades
fundidas, cindidas ou da sociedade contribuidora, respetivamente.
15 - A renúncia à taxa referida na alínea d) do n.º 4 deve ser
mantida por um período mínimo de três anos. (Redação da Lei n.º 7-A/2016,
de 30 de março)
SUBSECÇÃO III
Transformação de sociedades
Artigo 72.º
Regime aplicável
1 - A transformação de sociedades, mesmo quando ocorra
dissolução da anterior, não implica alteração do regime fiscal que
vinha sendo aplicado nem determina, por si só, quaisquer
consequências em matéria de IRC, salvo o disposto nos números
seguintes.
2 - No caso de transformação de sociedade civil não constituída sob
forma comercial em sociedade sob qualquer dos tipos previstos no
Código das Sociedades Comerciais, ao lucro tributável
correspondente ao período decorrido desde o início do período de
tributação em que se verificou a transformação até à data desta é
aplicável o regime previsto no n.º 1 do artigo 6.º. (Redação da Declaração
de Retificação n.º 18/2014 – de 13 de março)
3 - Para efeitos do disposto no número anterior, no exercício em que
ocorre a transformação deve determinar-se separadamente o lucro
correspondente aos períodos anterior e posterior a esta, podendo os
prejuízos anteriores à transformação, apurados nos termos deste
Código, ser deduzidos nos lucros tributáveis da sociedade resultante
da transformação. (Redação da Lei n.º 24-D/2022, de 30 de dezembro)
4 - A data de aquisição das partes sociais resultantes da
transformação de sociedade em sociedade de outro tipo é a data de
aquisição das partes sociais que lhes deram origem.
SUBSECÇÃO IV
Regime especial aplicável às fusões, cisões,
entradas de ativos e permutas de partes
sociais
Artigo 73.º
Definições e âmbito de aplicação
1 - Considera-se fusão a operação pela qual se realiza:
a) A transferência global do património de uma ou mais sociedades
(sociedades fundidas) para outra sociedade já existente (sociedade
beneficiária) e a atribuição aos sócios daquelas de partes
representativas do capital social da beneficiária e, eventualmente,
de quantias em dinheiro que não excedam 10 % do valor nominal
ou, na falta de valor nominal, do valor contabilístico equivalente ao
nominal das participações que lhes forem atribuídas;
b) A constituição de uma nova sociedade (sociedade beneficiária),
para a qual se transferem globalmente os patrimónios de duas ou
mais sociedades (sociedades fundidas), sendo aos sócios destas
atribuídas partes representativas do capital social da nova
sociedade e, eventualmente, de quantias em dinheiro que não
excedam 10 % do valor nominal ou, na falta de valor nominal, do
valor contabilístico equivalente ao nominal das participações que
lhes forem atribuídas;
c) A transferência global do património de uma sociedade
(sociedade fundida) para a sociedade detentora da totalidade das
partes representativas do seu capital social (sociedade beneficiária);
d) A transferência global do património de uma sociedade
(sociedade fundida) para outra sociedade já existente (sociedade
beneficiária), quando a totalidade das partes representativas do
capital social de ambas seja detida pelo mesmo sócio;
e) A transferência global do património de uma sociedade
(sociedade fundida) para outra sociedade (sociedade beneficiária),
quando a totalidade das partes representativas do capital social
desta seja detida pela sociedade fundida.
2 - Considera-se cisão a operação pela qual:
a) Uma sociedade (sociedade cindida) destaca um ou mais ramos
da sua atividade, mantendo pelo menos um dos ramos de atividade,
para com eles constituir outras sociedades (sociedades
beneficiárias) ou para os fundir com sociedades já existentes,
mediante a atribuição aos seus sócios de partes representativas do
capital social destas últimas sociedades e, eventualmente, de uma
quantia em dinheiro que não exceda 10 % do valor nominal ou, na
falta de valor nominal, do valor contabilístico equivalente ao nominal
das participações que lhes sejam atribuídas;
b) Uma sociedade (sociedade cindida) é dissolvida e dividido o seu
património em duas ou mais partes, sendo cada uma delas
destinada a constituir uma nova sociedade (sociedade beneficiária)
ou a ser fundida com sociedades já existentes ou com partes do
património de outras sociedades, separadas por idênticos processos
e com igual finalidade, mediante a atribuição aos seus sócios de
partes representativas do capital social destas últimas sociedades e,
eventualmente, de uma quantia em dinheiro que não exceda 10 %
do valor nominal ou, na falta de valor nominal, do valor contabilístico
equivalente ao nominal das participações que lhes forem atribuídas;
c) Uma sociedade (sociedade cindida) destaca um ou mais ramos
da sua atividade, mantendo pelo menos um dos ramos de atividade,
para os fundir com a sociedade (sociedade beneficiária) detentora
da totalidade das partes representativas do seu capital social;
d) Uma sociedade (sociedade cindida) destaca um ou mais ramos
da sua atividade, mantendo pelo menos um dos ramos de atividade,
para os fundir com outra sociedade já existente (sociedade
beneficiária), quando a totalidade das partes representativas do
capital social de ambas seja detida pelo mesmo sócio;
e) Uma sociedade (sociedade cindida) destaca um ou mais ramos
da sua atividade, mantendo pelo menos um dos ramos de atividade,
para os fundir com outra sociedade já existente (sociedade
beneficiária), quando a totalidade das partes representativas do
capital social desta seja detida pela sociedade cindida.
3 - Considera-se entrada de ativos a operação pela qual uma
sociedade (sociedade contribuidora) transfere, sem que seja
dissolvida, o conjunto ou um ou mais ramos da sua atividade para
outra sociedade (sociedade beneficiária), tendo como contrapartida
partes do capital social da sociedade beneficiária.
4 - Para efeitos do número anterior e das alíneas a), c), d) e e) do
n.º 2, considera-se ramo de atividade o conjunto de elementos que
constituem, do ponto de vista organizacional, uma unidade
económica autónoma, ou seja, um conjunto capaz de funcionar
pelos seus próprios meios, o qual pode compreender as dívidas
contraídas para a sua organização ou funcionamento.
5 - Considera-se permuta de partes sociais a operação pela qual
uma sociedade (sociedade adquirente) adquire uma participação no
capital social de outra (sociedade adquirida), que tem por efeito
conferir-lhe a maioria dos direitos de voto desta última, ou pela qual
uma sociedade, já detentora de tal participação maioritária, adquire
nova participação na sociedade adquirida, mediante a atribuição aos
sócios desta, em troca dos seus títulos, de partes representativas do
capital social da primeira sociedade e, eventualmente, de uma
quantia em dinheiro não superior a 10 % do valor nominal ou, na
falta de valor nominal, do valor contabilístico equivalente ao nominal
dos títulos entregues em troca.
6 - Para efeitos da aplicação dos artigos 74.º e 76.º, na parte
respeitante às fusões e cisões de sociedades de diferentes Estados
membros da União Europeia, o termo «sociedade» tem o significado
que resulta do anexo à Diretiva n.º 2009/133/CE, do Conselho, de
19 de outubro.
7 - O regime especial estatuído na presente subsecção aplica-se às
operações de fusão e cisão de sociedades e de entrada de ativos,
tal como são definidas nos [Link] 1 a 3, em que intervenham:
a) Sociedades com sede ou direção efetiva em território português
sujeitas e não isentas de IRC;
b) Sociedade ou sociedades de outros Estados membros da União
Europeia, desde que todas as sociedades se encontrem nas
condições estabelecidas no artigo 3.º da Diretiva n.º 2009/133/CE,
do Conselho, de 19 de outubro.
8 - O regime especial não se aplica sempre que, por virtude das
operações referidas no número anterior, sejam transmitidos navios
ou aeronaves, ou bens móveis afetos à sua exploração, para uma
entidade de navegação marítima ou aérea internacional não
residente em território português.
9 - Às fusões e cisões, efetuadas nos termos legais, de sujeitos
passivos do IRC residentes em território português que não sejam
sociedades e aos respetivos membros, bem como às entradas de
ativos e permutas de partes sociais em que intervenha pessoa
coletiva que não seja sociedade, é aplicável, com as necessárias
adaptações, o regime da presente subsecção, na parte respetiva.
10 - O regime especial estabelecido na presente subsecção não se
aplica, total ou parcialmente, quando se conclua que as operações
abrangidas pelo mesmo tiveram como principal objetivo ou como um
dos principais objetivos a evasão fiscal, o que pode considerar-se
verificado, nomeadamente, nos casos em que as sociedades
intervenientes não tenham a totalidade dos seus rendimentos
sujeitos ao mesmo regime de tributação em IRC ou quando as
operações não tenham sido realizadas por razões económicas
válidas, tais como a reestruturação ou a racionalização das
atividades das sociedades que nelas participam, procedendo-se
então, se for caso disso, às correspondentes liquidações adicionais
de imposto.
Artigo 74.º
Regime especial aplicável às fusões, cisões
e entradas de ativos
1 - Na determinação do lucro tributável das sociedades fundidas ou
cindidas ou da sociedade contribuidora, no caso de entrada de
ativos, não é considerado qualquer resultado derivado da
transferência dos elementos patrimoniais em consequência da
fusão, cisão ou entrada de ativos, nem são considerados como
rendimentos, nos termos do n.º 3 do artigo 28.º e do n.º 3 do artigo
28.º-A, os ajustamentos em inventários e as perdas por imparidade
e outras correções de valor que respeitem a créditos, inventários e,
bem assim, nos termos do n.º 4 do artigo 39.º, as provisões relativas
a obrigações e encargos objeto de transferência, aceites para
efeitos fiscais, com exceção dos que respeitem a estabelecimentos
estáveis situados fora do território português quando estes são
objeto de transferência para entidades não residentes, desde que se
trate de:
a) Transferência efetuada por sociedade residente em território
português e a sociedade beneficiária seja igualmente residente
nesse território ou, sendo residente de um Estado membro da União
Europeia, esses elementos sejam efetivamente afetos a um
estabelecimento estável situado em território português dessa
mesma sociedade e concorram para a determinação do lucro
tributável imputável a esse estabelecimento estável;
b) Transferência para uma sociedade residente em território
português de estabelecimento estável situado neste território de
uma sociedade residente noutro Estado membro da União Europeia,
verificando-se, em consequência dessa operação, a extinção do
estabelecimento estável;
c) Transferência de estabelecimento estável situado em território
português de uma sociedade residente noutro Estado membro da
União Europeia para sociedade residente do mesmo ou noutro
Estado membro, desde que os elementos patrimoniais afetos a esse
estabelecimento continuem afetos a estabelecimento estável situado
naquele território e concorram para a determinação do lucro que lhe
seja imputável;
d) Transferência de estabelecimentos estáveis situados no território
de outros Estados membros da União Europeia realizada por
sociedades residentes em território português em favor de
sociedades residentes neste território.
2 - Sempre que, por motivo de fusão, cisão ou entrada de ativos,
nas condições referidas nos números anteriores, seja transferido
para uma sociedade residente de outro Estado membro um
estabelecimento estável situado fora do território português de uma
sociedade aqui residente, não se aplica em relação a esse
estabelecimento estável o regime especial previsto no presente
artigo, mas a sociedade residente pode deduzir o imposto que, na
falta das disposições da Diretiva n.º 2009/133/CE, do Conselho, de
19 de outubro, seria aplicável no Estado em que está situado esse
estabelecimento estável, sendo essa dedução feita do mesmo modo
e pelo mesmo montante a que haveria lugar se aquele imposto
tivesse sido efetivamente liquidado e pago.
3 - A aplicação do regime especial determina que a sociedade
beneficiária mantenha, para efeitos fiscais, os elementos
patrimoniais objeto de transferência pelos mesmos valores que
tinham nas sociedades fundidas, cindidas ou na sociedade
contribuidora antes da realização das operações, considerando-se
que tais valores são os que resultam da aplicação das disposições
deste Código ou de reavaliações efetuadas ao abrigo de legislação
de caráter fiscal.
4 - Na determinação do lucro tributável da sociedade beneficiária
deve ter-se em conta o seguinte:
a) O apuramento dos resultados respeitantes aos elementos
patrimoniais transferidos é feito como se não tivesse havido fusão,
cisão ou entrada de ativos;
b) As depreciações ou amortizações sobre os elementos do ativo
fixo tangível, do ativo intangível e das propriedades de investimento
contabilizadas ao custo histórico transferidos são efetuadas de
acordo com o regime que vinha sendo seguido nas sociedades
fundidas, cindidas ou na sociedade contribuidora;
c) Os ajustamentos em inventários, as perdas por imparidade e as
provisões que foram transferidos têm, para efeitos fiscais, o regime
que lhes era aplicável nas sociedades fundidas, cindidas ou na
sociedade contribuidora.
5 - Para efeitos da determinação do lucro tributável da sociedade
contribuidora, as mais-valias ou menos-valias realizadas
respeitantes às partes de capital social recebidas em contrapartida
da entrada de ativos são calculadas considerando como valor de
aquisição destas partes de capital o valor líquido contabilístico
aceite para efeitos fiscais que os elementos do ativo e do passivo
transferidos tinham nessa sociedade antes da realização da
operação.
6 - Quando a sociedade beneficiária detém uma participação no
capital das sociedades fundidas ou cindidas, não concorre para a
formação do lucro tributável a mais-valia ou a menos-valia
eventualmente resultante da anulação das partes de capital detidas
naquelas sociedades em consequência da fusão ou cisão.
7 - Quando a sociedade fundida detém uma participação no capital
da sociedade beneficiária, não concorre para a formação do lucro
tributável a mais-valia ou a menos-valia eventualmente resultante da
anulação das partes de capital detidas nesta sociedade em
consequência da fusão ou da atribuição aos sócios da sociedade
fundida das partes sociais da sociedade beneficiária.
8 - (Revogado.)
Artigo 75.º
Transmissibilidade dos prejuízos fiscais
1 - Os prejuízos fiscais das sociedades fundidas podem ser
deduzidos aos lucros tributáveis da nova sociedade ou da sociedade
incorporante, nos termos e condições estabelecidos no artigo 52.º
(Redação da Lei n.º 24-D/2022, de 30 de dezembro)
2 - (Revogado.)
3 - O disposto no n.º 1 pode igualmente aplicar-se, com as
necessárias adaptações, às seguintes operações:
a) Na cisão em que se verifique a extinção da sociedade cindida,
sendo os prejuízos fiscais transmitidos para as sociedades
beneficiárias na proporção do valor de mercado dos patrimónios
destacados para cada uma destas sociedades;
b) Na fusão, cisão ou entrada de ativos, em que é transferido para
uma sociedade residente em território português um
estabelecimento estável nele situado de uma sociedade residente
num Estado membro da União Europeia, que preencha as
condições estabelecidas no artigo 3.º da Diretiva n.º 2009/133/CE,
do Conselho, de 19 de outubro, verificando-se, em consequência
dessa operação, a extinção do estabelecimento estável;
c) Na transferência de estabelecimentos estáveis situados em
território português de sociedades residentes em Estados membros
da União Europeia que estejam nas condições da Diretiva n.º
2009/133/CE, do Conselho, de 19 de outubro, em favor de
sociedades também residentes noutros Estados membros e em
idênticas condições, no âmbito de operação de fusão, cisão ou
entrada de ativos, desde que os elementos patrimoniais transferidos
continuem afetos a estabelecimento estável aqui situado e
concorram para a determinação do lucro tributável que lhe seja
imputável;
d) (Revogada.) (Revogada pela Lei n.º 82-C/2014, de 31 de dezembro)
4 - A dedução dos prejuízos fiscais transmitidos nos termos do n.º 1
e da alínea b) do número anterior tem como limite, em cada período
de tributação, o valor correspondente à proporção entre o valor
positivo do património líquido da sociedade fundida, ou dos
estabelecimentos estáveis da sociedade fundida ou da sociedade
contribuidora, e o valor do património líquido de todas as sociedades
ou estabelecimentos estáveis envolvidos na operação de fusão ou
entrada de ativos, determinados com base no último balanço
anterior à operação. (Redação da Lei n.º 82-C/2014, de 31 de dezembro)
5 - Relativamente às operações referidas nas alíneas a) e c) do n.º 1
do artigo 74.º, a dedução dos prejuízos é efetuada no lucro
tributável do estabelecimento estável situado em território português
e respeita apenas aos prejuízos que lhe sejam imputáveis.
6 - Sempre que, durante o período de aplicação do regime especial
de tributação dos grupos de sociedades previsto no artigo 69.º ou
imediatamente após o seu termo, e em resultado de uma operação
de fusão envolvendo a totalidade das sociedades abrangidas por
aquele regime, uma das sociedades pertencentes ao grupo
incorpore as restantes ou haja lugar à constituição de uma nova
sociedade, pode o membro do Governo responsável pela área das
finanças, a requerimento da sociedade dominante apresentado no
prazo de 90 dias após o pedido do registo da fusão na conservatória
do registo comercial, autorizar que os prejuízos fiscais do grupo
ainda por deduzir possam ser deduzidos do lucro tributável da
sociedade incorporante ou da nova sociedade resultante da fusão.
Artigo 75.º-A
Transmissão dos benefícios fiscais e da
dedutibilidade de gastos de financiamento
1 - Os benefícios fiscais das sociedades fundidas são transmitidos
para a sociedade beneficiária, desde que nesta se verifiquem os
respetivos pressupostos e seja aplicado o regime especial
estabelecido no artigo 74.º
2 - Os gastos de financiamento líquidos das sociedades fundidas
por estas não deduzidos, bem como a parte não utilizada do limite a
que se refere o n.º 3 do artigo 67.º, podem ser considerados na
determinação do lucro tributável da sociedade beneficiária numa
operação de fusão a que seja aplicado o regime especial
estabelecido no artigo 74.º, até ao termo do prazo de que
dispunham as sociedades fundidas, de acordo com o disposto nos
[Link] 2 e 3 do referido artigo 67.º
3 - O disposto nos números anteriores é igualmente aplicável, nos
termos de portaria do membro do Governo responsável pela área
das finanças que defina os critérios e os procedimentos de controlo
a adotar, nos casos de operações de cisão ou de entrada de ativos
a que seja aplicado o regime especial estabelecido no artigo 74.º,
desde que seja obtida autorização do membro do Governo
responsável pela área das finanças, mediante requerimento a
apresentar na Autoridade Tributária e Aduaneira no prazo de 30 dias
a contar do pedido de registo daquelas operações na Conservatória
do Registo Comercial.
Artigo 76.º
Regime aplicável aos sócios das sociedades
fundidas ou cindidas
1 - Nos casos em que seja aplicado o regime especial estabelecido
no artigo 74.º às operações de fusão previstas nas alíneas a) e b)
do n.º 1 do artigo 73.º, bem como às operações de fusão em que,
nos termos das alíneas d) e e) do mesmo número, sejam atribuídas
partes de capital aos sócios das sociedades fundidas, não são
considerados para efeitos de tributação os ganhos ou perdas
eventualmente apurados, desde que as partes de capital recebidas
pelos sócios das sociedades fundidas sejam valorizadas, para
efeitos fiscais, pelo valor que tinham as partes de capital entregues
ou extintas, determinado de acordo com o estabelecido no presente
Código.
2 - O disposto no número anterior não obsta à tributação dos sócios
das sociedades fundidas relativamente às importâncias em dinheiro
que eventualmente lhes sejam atribuídas em resultado da fusão.
3 - O preceituado nos números anteriores é aplicável aos sócios de
sociedades objeto das cisões, a que se aplique o regime especial
estabelecido no artigo 74.º, previstas nas alíneas a) e b) do n.º 2 do
artigo 73.º, e ainda nas alíneas c), d) e e) do mesmo número
quando sejam atribuídas partes de capital aos sócios das
sociedades cindidas, devendo, nestes casos, o valor para efeitos
fiscais da participação detida ser repartido pelas partes de capital
recebidas e pelas que continuem a ser detidas na sociedade
cindida, com base na proporção entre o valor de mercado dos
patrimónios destacados para cada uma das sociedades
beneficiárias e o valor de mercado do património da sociedade
cindida.
4 - Nos casos em que se aplique o regime especial estabelecido no
artigo 74.º às operações mencionadas na alínea d) do n.º 1 do artigo
73.º, quando não sejam atribuídas partes de capital ao sócio da
sociedade fundida, o valor para efeitos fiscais da participação que
este detenha na sociedade fundida acresce ao valor para efeitos
fiscais da participação que o sócio detenha na sociedade
beneficiária.
5 - Nos casos em que se aplique o regime especial estabelecido no
artigo 74.º às operações mencionadas nas alíneas c) e d) do n.º 2
do artigo 73.º quando não sejam atribuídas partes de capital ao
sócio da sociedade cindida, o valor para efeitos fiscais da
participação que detenha na sociedade cindida é reduzido na
proporção do valor de mercado dos patrimónios destacados,
acrescendo ainda, no caso da alínea d) do n.º 2 do artigo 73.º, o
montante daquela redução ao valor para efeitos fiscais da
participação que detenha na sociedade beneficiária.
6 - Nos casos em que se aplique o regime especial estabelecido no
artigo 74.º às operações mencionadas na alínea e) do n.º 2 do artigo
73.º, quando não sejam atribuídas partes de capital à sociedade
cindida, o valor para efeitos fiscais da participação que esta detenha
na sociedade beneficiária é acrescido do valor para efeitos fiscais
dos patrimónios destacados.
7 - O disposto nos números anteriores é igualmente aplicável aos
sócios de sociedades que sejam objeto das demais operações de
fusão ou cisão abrangidas pela Diretiva n.º 2009/133/CE, do
Conselho, de 19 de outubro.
Artigo 77.º
Regime especial aplicável à permuta de
partes sociais
1 - A atribuição, em resultado de uma permuta de partes sociais, tal
como esta operação é definida no artigo 73.º, dos títulos
representativos do capital social da sociedade adquirente, aos
sócios da sociedade adquirida, não dá lugar a qualquer tributação
destes últimos se os mesmos continuarem a valorizar, para efeitos
fiscais, as novas partes sociais pelo valor atribuído às antigas,
determinado de acordo com o estabelecido neste Código.
2 - O disposto no número anterior apenas é aplicável desde que se
verifiquem cumulativamente as seguintes condições:
a) A sociedade adquirente e a sociedade adquirida sejam residentes
em território português ou noutro Estado membro da União Europeia
e preencham as condições estabelecidas na Diretiva n.º
2009/133/CE, do Conselho, de 19 de outubro;
b) Os sócios da sociedade adquirida sejam pessoas ou entidades
residentes nos Estados membros da União Europeia ou em
terceiros Estados, quando os títulos recebidos sejam
representativos do capital social de uma entidade residente em
território português.
3 - O disposto no n.º 1 não obsta à tributação dos sócios
relativamente às quantias em dinheiro que lhes sejam
eventualmente atribuídas nos termos do n.º 5 do artigo 73.º
Artigo 78.º
Obrigações acessórias
1 - A opção pela aplicação do regime especial estabelecido na
presente subsecção deve ser comunicada à Autoridade Tributária e
Aduaneira na declaração anual de informação contabilística e fiscal,
a que se refere o artigo 121.º, relativa ao período de tributação em
que a operação é realizada:
a) Pela sociedade ou sociedades beneficiárias, no caso de fusão ou
cisão, exceto quando estas sociedades e, bem assim, a sociedade
ou sociedades transmitentes não sejam residentes em território
português nem disponham de estabelecimento estável aí situado,
casos em que a obrigação de comunicação deve ser cumprida pelos
sócios residentes;
b) Pela sociedade beneficiária, no caso de entrada de ativos, exceto
quando não seja residente em território português nem disponha de
estabelecimento estável aí situado, caso em que a obrigação deve
ser cumprida pela sociedade contribuidora;
c) Pela sociedade adquirida quando seja residente em território
português e pelos respetivos sócios residentes, nas operações de
permuta de partes sociais.
2 - Para efeitos do disposto no n.º 1 do artigo 74.º, a sociedade
fundida, cindida ou contribuidora deve integrar no processo de
documentação fiscal a que se refere o artigo 130.º os seguintes
elementos:
a) Declaração da sociedade beneficiária de que obedece ao
disposto no n.º 3 do artigo 74.º;
b) Declarações comprovativas, confirmadas e autenticadas pelas
autoridades fiscais do outro Estado membro da União Europeia de
que são residentes as outras sociedades intervenientes na
operação, de que estas se encontram nas condições estabelecidas
no artigo 3.º da Diretiva n.º 2009/133/CE, do Conselho, de 19 de
outubro, sempre que nas operações não participem apenas
sociedades residentes em território português.
3 - No caso referido no n.º 2 do artigo 74.º, além das declarações
mencionadas na alínea b) do número anterior, deve a sociedade
residente integrar no processo de documentação fiscal a que se
refere o artigo 130.º documento passado pelas autoridades fiscais
do Estado membro da União Europeia onde se situa o
estabelecimento estável em que se declare o imposto que aí seria
devido na falta das disposições da Diretiva n.º 2009/133/CE, do
Conselho, de 19 de outubro.
4 - A sociedade beneficiária deve integrar, no processo de
documentação fiscal previsto no artigo 130.º:
a) As demonstrações financeiras da sociedade fundida, cindida ou
contribuidora, antes da operação;
b) A relação dos elementos patrimoniais adquiridos que tenham sido
incorporados na contabilidade por valores diferentes dos aceites
para efeitos fiscais na sociedade fundida, cindida ou contribuidora,
evidenciando ambos os valores, bem como as depreciações e
amortizações, provisões, perdas por imparidade e outras correções
de valor registados antes da realização das operações, fazendo
ainda o respetivo acompanhamento enquanto não forem alienados,
transferidos ou extintos, e ainda os benefícios fiscais ou gastos de
financiamento líquidos cuja transmissão ocorra nos termos do artigo
75.º-A.
5 - Para efeitos do artigo 76.º, os sócios das sociedades fundidas ou
cindidas devem integrar, no processo de documentação fiscal a que
se refere o artigo 130.º, uma declaração que contenha a data e
identificação da operação realizada, a identificação das entidades
intervenientes, o número e valor nominal das partes sociais
entregues e recebidas, o valor fiscal das partes sociais entregues e
respetivas datas de aquisição, a quantia em dinheiro eventualmente
recebida, o nível percentual da participação detida antes e após a
operação de fusão ou cisão e, ainda, as correções a que se refere o
n.º 4 do artigo 76.º
6 - Para efeitos do disposto no artigo 77.º, os sócios da sociedade
adquirida devem integrar, no processo de documentação fiscal a
que se refere o artigo 130.º, os seguintes elementos:
a) Declaração que contenha a descrição da operação de permuta de
partes sociais, data em que se realizou, identificação das
sociedades intervenientes, número e valor nominal das partes
sociais entregues e das partes sociais recebidas, valor fiscal das
partes sociais entregues e respetivas datas de aquisição, quantia
em dinheiro eventualmente recebida, resultado que seria integrado
na base tributável se não fosse aplicado o regime previsto no artigo
77.º e demonstração do seu cálculo;
b) Declaração da sociedade adquirente de que já detinha, ou ficou a
deter em resultado da operação de permuta de partes sociais, a
maioria dos direitos de voto da sociedade adquirida;
c) Nos casos em que a sociedade adquirida ou adquirente seja
residente noutros Estados membros da União Europeia, declaração
comprovativa, confirmada e autenticada pelas respetivas
autoridades fiscais de que se encontram verificados os requisitos
para a aplicação da Diretiva n.º 2009/133/CE, do Conselho, de 19
de outubro.
SUBSECÇÃO V
Liquidação de sociedades e outras
entidades
Artigo 79.º
Sociedades em liquidação
1 - Relativamente às sociedades em liquidação, o lucro tributável é
determinado com referência a todo o período de liquidação.
2 - Para efeitos do disposto no número anterior, deve observar-se o
seguinte:
a) As sociedades que se dissolvam devem encerrar as suas contas
com referência à data da dissolução, com vista à determinação do
lucro tributável correspondente ao período decorrido desde o início
do período de tributação em que se verificou a dissolução até à data
desta;
b) Durante o período em que decorre a liquidação e até ao fim do
período de tributação imediatamente anterior ao encerramento
desta, há lugar, anualmente, à determinação do lucro tributável
respetivo, que tem natureza provisória e é corrigido face à
determinação do lucro tributável correspondente a todo o período de
liquidação;
c) No período de tributação em que ocorre a dissolução deve
determinar-se separadamente o lucro referido na alínea a) e o lucro
mencionado na primeira parte da alínea b).
3 - Quando o período de liquidação ultrapasse dois anos, o lucro
tributável determinado anualmente, nos termos da alínea b) do
número anterior, deixa de ter natureza provisória.
4 - Os prejuízos anteriores à dissolução que na data desta ainda
sejam dedutíveis nos termos do artigo 52.º podem ser deduzidos ao
lucro tributável correspondente a todo o período de liquidação, se
este não ultrapassar dois anos.
5 - À liquidação de sociedades decorrente da declaração de
nulidade ou da anulação do respetivo contrato é aplicável, com as
necessárias adaptações, o disposto nos números anteriores.
Artigo 80.º
Resultado de liquidação
Na determinação do resultado de liquidação, havendo partilha dos
bens patrimoniais pelos sócios, considera-se como valor de
realização daqueles o respetivo valor de mercado.
Artigo 81.º
Resultado da partilha
1 - É englobado para efeitos de tributação dos sócios, no período de
tributação em que for posto à sua disposição, o valor que for
atribuído a cada um deles em resultado da partilha, abatido do valor
de aquisição das correspondentes partes sociais e de outros
instrumentos de capital próprio.
2 - No englobamento, para efeitos de tributação da diferença
referida no número anterior, deve observar-se o seguinte:
a) Essa diferença, quando positiva, é considerada como mais-valia;
b) Essa diferença, quando negativa, é considerada como menos-
valia dedutível pelo montante que exceder a soma dos prejuízos
fiscais deduzidos no âmbito da aplicação do regime especial de
tributação dos grupos de sociedades e dos lucros e reservas
distribuídos pela sociedade liquidada que tenham beneficiado do
disposto no artigo 51.º
3 - À diferença a que se refere a alínea a) do número anterior é
aplicável o disposto no n.º 1 do artigo 51.º-C, desde que verificados
os requisitos aí referidos.
4 - A menos-valia referida na alínea b) do n.º 2 não é dedutível nos
casos em que a entidade liquidada seja residente em país, território
ou região com regime fiscal claramente mais favorável que conste
de lista aprovada por portaria do membro do Governo responsável
pela área das finanças ou quando as partes sociais tenham
permanecido na titularidade do sujeito passivo por período inferior a
quatro anos.
5 - Relativamente aos sócios de sociedades abrangidas pelo regime
de transparência fiscal, nos termos do artigo 6.º, ao valor que lhes
for atribuído em virtude da partilha é ainda abatida a parte do
resultado de liquidação que, para efeitos de tributação, lhes tenha
sido já imputada, assim como a parte que lhes corresponder nos
lucros retidos na sociedade nos períodos de tributação em que esta
tenha estado sujeita àquele regime.
6 - Sempre que, num dos quatro períodos de tributação posteriores
à liquidação de uma sociedade, a atividade prosseguida por esta
passe a ser exercida por qualquer sócio da sociedade liquidada, ou
por pessoa ou entidade que com aquele ou com esta se encontre
numa situação de relações especiais, nos termos previstos no n.º 4
do artigo 63.º, deve ser adicionado ao lucro tributável do referido
sócio, nesse período de tributação, o valor da menos-valia que tiver
sido deduzida nos termos da alínea b) do n.º 2, majorado em 15 %.
Artigo 82.º
Liquidação de pessoas coletivas que não
sejam sociedades
O disposto nos artigos anteriores é aplicável, com as necessárias
adaptações, à liquidação de pessoas coletivas que não sejam
sociedades.
SUBSECÇÃO VI
Transferência de residência de uma
sociedade para o estrangeiro e cessação de
atividade de entidades não residentes
Artigo 83.º
Transferência de residência
1 - Para a determinação do lucro tributável do período de tributação
em que ocorra a cessação de atividade de entidade com sede ou
direção efetiva em território português, incluindo a Sociedade
Europeia e a Sociedade Cooperativa Europeia, em resultado da
transferência da respetiva residência para fora desse território,
constituem componentes positivas ou negativas as diferenças, à
data da cessação, entre os valores de mercado e os valores
fiscalmente relevantes dos elementos patrimoniais dessa entidade,
ainda que não expressos na contabilidade.
2 - No caso de transferência da residência de uma sociedade com
sede ou direção efetiva em território português para outro Estado
membro da União Europeia ou para um país terceiro que seja parte
do Acordo sobre o Espaço Económico Europeu com o qual esteja
em vigor um acordo sobre assistência mútua em matéria de
cobrança de créditos fiscais, equivalente à assistência mútua
prevista na Diretiva 2010/24/UE, do Conselho, de 16 de março de
2010, o imposto, na parte correspondente ao saldo positivo das
componentes positivas e negativas referidas no número anterior,
pode ser pago de acordo com uma das seguintes modalidades:
(Redação da Lei n.º 32/2019, de 3 de maio)
a) Imediatamente, pela totalidade do imposto apurado na declaração
de rendimentos apresentada nos termos e prazo estabelecidos no
n.º 3 do artigo 120.º; ou
b) (Revogado.) (Redação da Lei n.º 32/2019, de 3 de maio)
c) Em frações anuais de igual montante, correspondentes a um
quinto do montante do imposto apurado com início no período de
tributação em que ocorre a transferência da residência.
3 - O exercício da opção pela modalidade de pagamento do imposto
prevista na alínea c) do número anterior determina que sejam
devidos juros, à mesma taxa prevista para os juros de mora,
contados desde o dia seguinte à data prevista na alínea b) do n.º 1
do artigo 104.º até à data do pagamento efetivo. (Redação da Lei n.º
32/2019, de 3 de maio)
Artigo 85.º
Regime aplicável aos sócios
(Revogado.)
SUBSECÇÃO VII
Realização de capital de sociedades por
entrada de património de pessoa singular
Artigo 86.º
Regime especial de neutralidade fiscal
1 - Quando seja aplicável o regime estabelecido no n.º 1 do artigo
38.º do Código do IRS, os bens que constituem o ativo e o passivo
do património objeto de transmissão devem continuar, para efeitos
fiscais, a ser valorizados pela sociedade para a qual se transmitem
pelos valores mencionados na alínea c) do referido n.º 1 e na
determinação do lucro tributável desta sociedade deve atender-se
ao seguinte:
a) O apuramento dos resultados respeitantes aos bens que
constituem o património transmitido é calculado como se não tivesse
havido essa transmissão;
b) As depreciações ou amortizações sobre os elementos do ativo
depreciáveis ou amortizáveis são efetuadas de acordo com o regime
que vinha a ser seguido para efeito de determinação do lucro
tributável da pessoa singular;
c) Os ajustamentos em inventários, as perdas por imparidade e as
provisões que tiverem sido transferidos têm, para efeitos fiscais, o
regime que lhes era aplicável para efeito de determinação do lucro
tributável da pessoa singular.
2 - Quando seja aplicável o regime estabelecido no n.º 1 do artigo
38.º do Código do IRS, os prejuízos fiscais relativos ao exercício
pela pessoa singular de atividade empresarial ou profissional e
ainda não deduzidos ao lucro tributável podem ser deduzidos aos
lucros tributáveis da nova sociedade até à concorrência de 50 % de
cada um desses lucros tributáveis. (Redação da Lei n.º 24-D/2022, de 30 de
dezembro)
SECÇÃO VII
Regime simplificado de determinação da
matéria coletável
Artigo 86.º-A
Âmbito de aplicação
1 - Podem optar pelo regime simplificado de determinação da
matéria coletável, os sujeitos passivos residentes, não isentos nem
sujeitos a um regime especial de tributação, que exerçam a título
principal uma atividade de natureza comercial, industrial ou agrícola
e que verifiquem, cumulativamente, as seguintes condições:
a) Tenham obtido, no período de tributação imediatamente anterior,
um montante anual ilíquido de rendimentos não superior a €200
000;
b) O total do seu balanço relativo ao período de tributação
imediatamente anterior não exceda €500 000;
c) Não estejam legalmente obrigados à revisão legal das contas;
(Redação da Declaração de Retificação n.º 18/2014, de 13 de março)
d) O respetivo capital social não seja detido em mais de 20 %, direta
ou indiretamente, nos termos do n.º 6 do artigo 69.º, por entidades
que não preencham alguma das condições previstas nas alíneas
anteriores, exceto quando sejam sociedades de capital de risco ou
investidores de capital de risco;
e) Adotem o regime de normalização contabilística para
microentidades aprovado pelo Decreto-Lei n.º 36-A/2011, de 9 de
março;
f) Não tenham renunciado à aplicação do regime nos três anos
anteriores, com referência à data em que se inicia a aplicação do
regime.
2 - No período do início de atividade, o enquadramento no regime
simplificado de determinação da matéria coletável faz-se, verificados
os demais requisitos, em conformidade com o valor anualizado dos
rendimentos estimado, constante da declaração de início de
atividade.
3 - A opção pela aplicação do regime simplificado de determinação
da matéria coletável deve ser formalizada pelos sujeitos passivos:
a) Na declaração de início de atividade;
b) Na declaração de alterações a que se refere o artigo 118.º, a
apresentar até ao fim do 2.º mês do período de tributação no qual
pretendam iniciar a aplicação do regime simplificado de
determinação da matéria coletável.
4 - O regime simplificado de determinação da matéria coletável
cessa quando deixem de se verificar os respetivos requisitos ou o
sujeito passivo renuncie à sua aplicação.
5 - O regime simplificado de determinação da matéria coletável
cessa ainda quando o sujeito passivo não cumpra as obrigações de
emissão e comunicação das faturas previstas, respetivamente, no
Código do IVA e no n.º 1 do artigo 3.º do Decreto-Lei n.º 198/2012,
de 24 de agosto, sem prejuízo das demais sanções aplicáveis.
6 - Os efeitos da cessação ou da renúncia do regime simplificado de
determinação da matéria coletável reportam-se ao 1.º dia do período
de tributação em que:
a) Deixe de se verificar algum dos requisitos referidos nas alíneas a)
a e) do n.º 1 ou se verifique a causa de cessação prevista no
número anterior;
b) Seja comunicada a renúncia à aplicação do regime simplificado
de determinação da matéria coletável, nos termos e prazos
previstos na alínea b) do n.º 3.
Artigo 86.º-B
Determinação da matéria coletável
1 - A matéria coletável relevante para efeitos da aplicação do
presente regime simplificado obtém-se através da aplicação dos
seguintes coeficientes:
a) 0,04 das vendas de mercadorias e produtos, bem como das
prestações de serviços efetuadas no âmbito de atividades de
restauração e bebidas e de atividades hoteleiras e similares, com
exceção daquelas que se desenvolvam no âmbito da atividade de
exploração de estabelecimentos de alojamento local na modalidade
de moradia ou apartamento; (Redação da Lei n.º 42/2016, de 28 de dezembro)
b) 0,75 dos rendimentos das atividades profissionais
especificamente previstas na tabela a que se refere o artigo 151.º do
Código do IRS; (Redação da Lei n.º 82-C/2014, de 31 de dezembro)
c) 0,10 dos restantes rendimentos de prestações de serviços e
subsídios destinados à exploração;
d) 0,30 dos subsídios não destinados à exploração;
e) 0,95 dos rendimentos provenientes da mineração de criptoativos,
de contratos que tenham por objeto a cessão ou utilização
temporária da propriedade intelectual ou industrial ou a prestação de
informações respeitantes a uma experiência adquirida no setor
industrial, comercial ou científico, dos outros rendimentos de
capitais, do resultado positivo de rendimentos prediais, do saldo
positivo das mais e menos-valias e dos restantes incrementos
patrimoniais; (Redação da Lei n.º 24-D/2022, de 30 de dezembro)
f) 1,00 do valor de aquisição dos incrementos patrimoniais obtidos a
título gratuito determinado nos termos do n.º 2 do artigo 21.º
g) 0,35 dos rendimentos da exploração de estabelecimentos de
alojamento local na modalidade de moradia ou apartamento. (Aditada
pela Lei n.º 42/2016, de 28 de dezembro)
g) 0,50 dos rendimentos da exploração de estabelecimentos de
alojamento local na modalidade de moradia ou apartamento,
localizados em área de contenção; (Redação da Lei n.º 2/2020, de 31 de
março)
h) 0,35 dos rendimentos da exploração de estabelecimentos de
alojamento local na modalidade de moradia ou apartamento não
previstos na alínea anterior; (Aditada pela Lei n.º 2/2020, de 31 de março)
i) 0,15 dos rendimentos relativos a criptoativos, excluindo os
decorrentes da mineração, que não sejam considerados
rendimentos de capitais, nem resultem do saldo positivo das mais e
menos-valias e dos restantes incrementos patrimoniais. (Aditada pela
Lei n.º 24-D/2022, de 30 de dezembro)
Artigo 87.º-A
Derrama estadual
1 - Sobre a parte do lucro tributável superior a €1 500 000 sujeito e
não isento de imposto sobre o rendimento das pessoas coletivas
apurado por sujeitos passivos residentes em território português que
exerçam, a título principal, uma atividade de natureza comercial,
industrial ou agrícola e por não residentes com estabelecimento
estável em território português, incidem as taxas adicionais
constantes da tabela seguinte:
(Redação da Lei n.º 114/2017, de 29 de dezembro)
2 - O quantitativo da parte do lucro tributável que exceda €1 500
000:
a) Quando superior a €7 500 000 e até €35 000 000, é dividido em
duas partes: uma, igual a €6 000 000, à qual se aplica a taxa de 3
%; outra, igual ao lucro tributável que exceda €7 500 000, à qual se
aplica a taxa de 5 %;
b) Quando superior a € 35 000 000, é dividido em três partes: uma,
igual a € 6 000 000, à qual se aplica a taxa de 3 %; outra, igual a €
27 500 000, à qual se aplica a taxa de 5 %, e outra igual ao lucro
tributável que exceda € 35 000 000, à qual se aplica a taxa de 9 %.
(Redação da Lei n.º 114/2017, de 29 de dezembro)
3 - Quando seja aplicável o regime especial de tributação dos
grupos de sociedades, as taxas a que se refere o n.º 1 incidem
sobre o lucro tributável apurado na declaração periódica individual
de cada uma das sociedades do grupo, incluindo a da sociedade
dominante.
4 - Os sujeitos passivos referidos nos números anteriores devem
proceder à liquidação da derrama adicional na declaração periódica
de rendimentos a que se refere o artigo 120.º
Artigo 88.º
Taxas de tributação autónoma
1 - As despesas não documentadas são tributadas autonomamente,
à taxa de 50 %, sem prejuízo da sua não consideração como gastos
nos termos da alínea b) do n.º 1 do artigo 23.º-A.
2 - A taxa referida no número anterior é elevada para 70 % nos
casos em que tais despesas sejam efetuadas por sujeitos passivos
total ou parcialmente isentos, ou que não exerçam, a título principal,
atividades de natureza comercial, industrial ou agrícola e ainda por
sujeitos passivos que aufiram rendimentos enquadráveis no artigo
7.º
3 - São tributados autonomamente os encargos efetuados ou
suportados por sujeitos passivos que não beneficiem de isenções
subjetivas e que exerçam, a título principal, atividade de natureza
comercial, industrial ou agrícola, relacionados com viaturas ligeiras
de passageiros, viaturas ligeiras de mercadorias referidas na alínea
b) do n.º 1 do artigo 7.º do Código do Imposto sobre Veículos, motos
ou motociclos, às seguintes taxas: (Redação da Lei n.º 24-D/2022, de 30 de
dezembro)
a) 8,5 % no caso de viaturas com um custo de aquisição inferior a
27 500 €; (Redação da Lei n.º 82/2023, de 29 de dezembro)
b) 25,5 % no caso de viaturas com um custo de aquisição igual ou
superior a 27 500 € e inferior a 35 000 €; (Redação da Lei n.º 82/2023, de 29
de dezembro)
Notas:
Segundo o art.º 375.º da Lei n.º 75-B/2020, de 31 de dezembro):
“Disposição transitória no âmbito do imposto sobre o rendimento das pessoas
coletivas
1 - O disposto no n.º 14 do artigo 88.º do Código do IRC não é aplicável, nos períodos de
tributação de 2020 e 2021, quando o sujeito passivo tenha obtido lucro tributável em um
dos três períodos de tributação anteriores e as obrigações declarativas previstas nos
artigos 120.º e 121.º do mesmo Código, relativas aos dois períodos de tributação
anteriores, tenham sido cumpridas nos termos neles previstos.
2 - O disposto no n.º 14 do artigo 88.º do Código do IRC não é igualmente aplicável, nos
períodos de tributação de 2020 e 2021, quando estes correspondam ao período de
tributação de início de atividade ou a um dos dois períodos seguintes.
3 - O disposto nos números anteriores apenas é aplicável às cooperativas e às micro,
pequenas e médias empresas, de acordo com os critérios definidos no artigo 2.º do anexo
ao Decreto-Lei n.º 372/2007, de 6 de novembro.”
Segundo o art.º 284.º da Lei n.º 12/2022, de 27 de junho):
“Disposição transitória quanto a imposto sobre o rendimento das pessoas coletivas
no âmbito da pandemia da doença COVID-19
1 - No quadro do período de recuperação dos efeitos económicos decorrentes da
pandemia da doença COVID-19, o disposto no n.º 14 do artigo do artigo 88.º do Código do
IRC não é aplicável, nos períodos de tributação de 2022, quando o sujeito passivo tenha
obtido lucro tributável em um dos três períodos de tributação anteriores e as obrigações
declarativas previstas nos artigos 120.º e 121.º do mesmo Código, relativas aos dois
períodos de tributação anteriores, tenham sido cumpridas nos termos neles previstos.
2 - O disposto no n.º 14 do artigo do artigo 88.º do Código do IRC não é igualmente
aplicável, nos períodos de tributação de 2022, quando esteja em causa o período de
tributação de início de atividade ou um dos dois períodos seguintes.
3 - O disposto nos números anteriores apenas é aplicável às cooperativas e às micro,
pequenas e médias empresas, de acordo com os critérios definidos no artigo 2.º do anexo
ao Decreto-Lei n.º 372/2007, de 6 de novembro.
CAPÍTULO V
Liquidação
Artigo 89.º
Competência para a liquidação
A liquidação do IRC é efetuada:
a) Pelo próprio sujeito passivo, nas declarações a que se referem os
artigos 120.º e 122.º;
b) Pela Autoridade Tributária e Aduaneira, nos restantes casos.
Artigo 90.º
Procedimento e forma de liquidação
1 - A liquidação do IRC processa-se nos termos seguintes:
a) Quando a liquidação deva ser feita pelo sujeito passivo nas
declarações a que se referem os artigos 120.º e 122.º, tem por base
a matéria coletável que delas conste;
b) Na falta de apresentação da declaração a que se refere o artigo
120.º, a liquidação é efetuada até 30 de novembro do ano seguinte
àquele a que respeita ou, no caso previsto no n.º 2 do referido
artigo, até ao fim do 6.º mês seguinte ao do termo do prazo para
apresentação da declaração aí mencionada e incide sobre a matéria
coletável apurada com base nos elementos de que a Autoridade
Tributária e Aduaneira disponha, de acordo com as regras do regime
simplificado, com aplicação do coeficiente de 0,35 ou, na sua falta,
sobre o maior dos seguintes valores: (Redação da Lei n.º 12/2022, de 27 de
junho)
1) (Revogado.) (Revogação pela Lei n.º 12/2022, de 27 de junho; de acordo com o n.º
2 do art.º 329.º desta Lei, a revogação é aplicável a partir, inclusive, dos períodos de
tributação que se iniciem em ou após 1 de janeiro de 2022, sendo que a disposição
revogada se mantém em vigor até à cessação da produção dos respetivos efeitos.)
2) A totalidade da matéria coletável do período de tributação mais
próximo que se encontre determinada; (Aditado pela Lei n.º 114/2017, de 29
de dezembro)
3) O valor anual da retribuição mínima mensal. (Aditado pela Lei n.º
114/2017, de 29 de dezembro)
c) (Revogada). (Revogada pela Lei n.º 114/2017, de 29 de dezembro)
2 - Ao montante apurado nos termos do número anterior são
efetuadas as seguintes deduções, pela ordem indicada:
a) A correspondente à dupla tributação jurídica internacional;
b) A correspondente à dupla tributação económica internacional;
c) A relativa a benefícios fiscais;
d) (Revogada.) (Revogação pela Lei n.º 12/2022, de 27 de junho; de acordo com o n.º
2 do art.º 329.º desta Lei, a revogação é aplicável a partir, inclusive, dos períodos de
tributação que se iniciem em ou após 1 de janeiro de 2022, sendo que a disposição
revogada se mantém em vigor até à cessação da produção dos respetivos efeitos.)
e) A relativa a retenções na fonte não suscetíveis de compensação
ou reembolso nos termos da legislação aplicável.
3 - (Revogado.)
4 - Ao montante apurado nos termos do n.º 1, relativamente às
entidades mencionadas no n.º 4 do artigo 120.º, apenas é de efetuar
a dedução relativa às retenções na fonte quando estas tenham a
natureza de imposto por conta do IRC.
5 - As deduções referidas no n.º 2 respeitantes a entidades a que
seja aplicável o regime de transparência fiscal estabelecido no artigo
6.º são imputadas aos respetivos sócios ou membros nos termos
estabelecidos no n.º 3 desse artigo e deduzidas ao montante
apurado com base na matéria coletável que tenha tido em
consideração a imputação prevista no mesmo artigo.
6 - Quando seja aplicável o regime especial de tributação dos
grupos de sociedades, as deduções referidas no n.º 2 relativas a
cada uma das sociedades são efetuadas no montante apurado
relativamente ao grupo, nos termos do n.º 1.
7 - (Revogado.) (Revogado pela Lei n.º 82-C/2014, de 31 de dezembro)
8 - Relativamente aos sujeitos passivos abrangidos pelo regime
simplificado de determinação da matéria coletável, ao montante
apurado nos termos do n.º 1 apenas são de efetuar as deduções
previstas nas alíneas a) e e) do n.º 2.
9 - Das deduções efetuadas nos termos das alíneas a) a d) do n.º 2
não pode resultar valor negativo.
10 - Ao montante apurado nos termos das alíneas b) e c) do n.º 1
apenas são feitas as deduções de que a administração fiscal tenha
conhecimento e que possam ser efetuadas nos termos dos [Link] 2 a
4.
11 - Nos casos em que seja aplicável o disposto na alínea b) do n.º
2 do artigo 79.º, são efetuadas anualmente liquidações com base na
matéria coletável determinada com caráter provisório, devendo, face
à liquidação correspondente à matéria coletável respeitante a todo o
período de liquidação, cobrar-se ou anular-se a diferença apurada.
12 - A liquidação prevista no n.º 1 pode ser corrigida, se for caso
disso, dentro do prazo a que se refere o artigo 101.º, cobrando-se
ou anulando-se então as diferenças apuradas.
Artigo 91.º
Crédito de imposto por dupla tributação
jurídica internacional
1 - A dedução a que se refere a alínea a) do n.º 2 do artigo 90.º é
apenas aplicável quando na matéria coletável tenham sido incluídos
rendimentos obtidos no estrangeiro e corresponde à menor das
seguintes importâncias:
a) Imposto sobre o rendimento pago no estrangeiro;
b) Fração do IRC, calculado antes da dedução, correspondente aos
rendimentos que no país em causa possam ser tributados,
acrescidos da correção prevista no n.º 1 do artigo 68.º, líquidos dos
gastos direta ou indiretamente suportados para a sua obtenção.
2 - Quando existir convenção para eliminar a dupla tributação
celebrada por Portugal, a dedução a efetuar nos termos do número
anterior não pode ultrapassar o imposto pago no estrangeiro nos
termos previstos pela convenção.
3 - A dedução prevista no n.º 1 determina-se por país considerando
a totalidade dos rendimentos provenientes de cada país, com
exceção dos rendimentos imputáveis a estabelecimento estável de
entidades residentes situados fora do território português cuja
dedução é calculada isoladamente.
4 - Sem prejuízo da limitação prevista no número anterior, sempre
que não seja possível efetuar a dedução a que se refere o n.º 1, por
insuficiência de coleta no período de tributação em que os
rendimentos obtidos no estrangeiro foram incluídos na matéria
coletável, o remanescente pode ser deduzido à coleta dos cinco
períodos de tributação seguintes, com o limite previsto na alínea b)
do n.º 1 que corresponder aos rendimentos obtidos no país em
causa incluídos na matéria coletável e depois da dedução prevista
nos números anteriores.
Artigo 91.º-A
Crédito de imposto por dupla tributação
económica internacional
1 - A dedução a que se refere a alínea b) do n.º 2 do artigo 90.º é
aplicável, por opção do sujeito passivo, quando na matéria coletável
deste tenham sido incluídos lucros e reservas, distribuídos por
entidade residente fora do território português, que preencham os
requisitos previstos no presente artigo e aos quais não seja aplicável
o disposto no artigo 51.º
2 - A dedução prevista no número anterior corresponde à menor das
seguintes importâncias:
a) Fração do imposto sobre o rendimento pago no estrangeiro pela
entidade residente fora do território português e por entidades por
esta detidas direta e indiretamente, correspondente aos lucros e
reservas distribuídos ao sujeito passivo, nos termos previstos nos
[Link] 3 e 4;
b) Fração do IRC, calculado antes da dedução prevista no presente
artigo, correspondente aos lucros e reservas distribuídos, acrescidos
das correções previstas nos [Link] 1 e 3 do artigo 68.º, líquidos dos
gastos direta ou indiretamente suportados para a sua obtenção, e
deduzida do crédito previsto no artigo 91.º
3 - A dedução prevista no n.º 1 é apenas aplicável ao imposto sobre
o rendimento pago no estrangeiro por entidades nas quais o sujeito
passivo de IRC com sede ou direção efetiva em território português:
a) Detenha direta ou indiretamente, nos termos do n.º 6 do artigo
69.º, uma participação não inferior a 10 % do capital social ou dos
direitos de voto; e (Redação da Lei n.º 7-A/2016, de 30 de março)
b) Desde que essa participação tenha permanecido na sua
titularidade, de modo ininterrupto, durante o ano anterior à
distribuição ou seja mantida durante o tempo necessário para
completar aquele período. (Redação da Lei n.º 7-A/2016, de 30 de março)
4 - A dedução prevista no presente artigo não é aplicável ao imposto
sobre o rendimento pago no estrangeiro por entidades com
residência ou domicílio em país, território ou região sujeito a um
regime fiscal claramente mais favorável constante de lista aprovada
por portaria do membro do Governo responsável pela área das
finanças, ou por entidades detidas indiretamente pelo sujeito
passivo de IRC com sede ou direção efetiva em território português
através daquelas.
5 - A prova do cumprimento dos requisitos previstos nos números
anteriores e do montante de imposto efetivamente pago sobre os
lucros e reservas incluídos na matéria coletável deve ser efetuada
pelo sujeito passivo através de declarações ou documentos
confirmados e autenticados pelas autoridades públicas competentes
do Estado, país ou território onde a entidade que distribui os lucros
ou reservas, e as entidades detidas por esta nos termos do número
anterior, tenham a sua sede ou direção efetiva.
6 - As declarações e documentos referidos no número anterior
devem integrar o processo de documentação fiscal a que se refere o
artigo 130.º
7 - A opção mencionada no n.º 1 é exercida na declaração periódica
de rendimentos.
Artigo 92.º
Resultado da liquidação
1 - Para as entidades que exerçam, a título principal, uma atividade
de natureza comercial, industrial ou agrícola, bem como as não
residentes com estabelecimento estável em território português, o
imposto liquidado nos termos do n.º 1 do artigo 90.º, líquido das
deduções previstas nas alíneas a) a c) do n.º 2 do mesmo artigo,
não pode ser inferior a 90 % do montante que seria apurado se o
sujeito passivo não usufruísse de benefícios fiscais e do regime
previsto no n.º 13 do artigo 43.º
2 - Excluem-se do disposto no número anterior os seguintes
benefícios fiscais:
a) Os que revistam caráter contratual;
b) O sistema de incentivos fiscais em investigação e
desenvolvimento empresarial II (SIFIDE II), previsto no Código
Fiscal do Investimento;
c) Os benefícios fiscais às zonas francas previstos nos artigos 33.º e
seguintes do Estatuto dos Benefícios Fiscais e os que operem por
redução de taxa;
d) Os previstos nos artigos 19.º e 32.º-A do Estatuto dos Benefícios
Fiscais.
e) O regime fiscal de apoio ao investimento (RFAI), previsto no
Código Fiscal do Investimento.
f) (Revogada pela Lei n.º 20/2023, de 17 de maio que produz efeitos a 1 de julho de 2023)
g) O regime de remuneração convencional do capital social previsto
no artigo 41.º-A do Estatuto dos Benefícios Fiscais; (Aditada pelo Decreto-
Lei n.º 162/2014, de 31 de outubro)
h) O incentivo à produção cinematográfica e audiovisual previsto no
artigo 59.º-F do Estatuto dos Benefícios Fiscais; (Redação da Lei n.º
114/2017, de 29 de dezembro)
Artigo 93.º
Pagamento especial por conta
(Revogado.)
(Revogação pela Lei n.º 12/2022, de 27 de junho; de acordo com o n.º 2 do art.º 329.º
desta Lei, a revogação é aplicável a partir, inclusive, dos períodos de tributação que se
iniciem em ou após 1 de janeiro de 2022, sendo que a disposição revogada se mantém em
vigor até à cessação da produção dos respetivos efeitos.)
Artigo 94.º
Retenção na fonte
1 - O IRC é objeto de retenção na fonte relativamente aos seguintes
rendimentos obtidos em território português:
a) Rendimentos provenientes da propriedade intelectual ou industrial
e bem assim da prestação de informações respeitantes a uma
experiência adquirida no setor industrial, comercial ou científico;
b) Rendimentos derivados do uso ou da concessão do uso de
equipamento agrícola, industrial, comercial ou científico;
c) Rendimentos de aplicação de capitais não abrangidos nas alíneas
anteriores e rendimentos prediais, tal como são definidos para
efeitos de IRS, quando o seu devedor seja sujeito passivo de IRC ou
quando os mesmos constituam encargo relativo à atividade
empresarial ou profissional de sujeitos passivos de IRS que
possuam ou devam possuir contabilidade;
d) Remunerações auferidas na qualidade de membro de órgãos
estatutários de pessoas coletivas e outras entidades;
e) Prémios de jogo, lotarias, rifas e apostas mútuas, bem como
importâncias ou prémios atribuídos em quaisquer sorteios ou
concursos;
f) Rendimentos referidos na alínea d) do n.º 3 do artigo 4.º obtidos
por entidades não residentes em território português, quando o
devedor dos mesmos seja sujeito passivo de IRC ou quando os
mesmos constituam encargo relativo à atividade empresarial ou
profissional de sujeitos passivos de IRS que possuam ou devam
possuir contabilidade;
g) Rendimentos provenientes da intermediação na celebração de
quaisquer contratos e rendimentos de outras prestações de serviços
realizados ou utilizados em território português, com exceção dos
relativos a transportes, comunicações e atividades financeiras.
2 - Para efeitos do disposto no número anterior, consideram-se
obtidos em território português os rendimentos mencionados no n.º
3 do artigo 4.º, excetuados os referidos no n.º 4 do mesmo artigo.
3 - As retenções na fonte têm a natureza de imposto por conta,
exceto nos seguintes casos em que têm caráter definitivo:
a) Quando, nos termos dos artigos 9.º e 10.º, ou nas situações
previstas no Estatuto dos Benefícios Fiscais, se excluam da isenção
de IRC todos ou parte dos rendimentos de capitais;
b) Quando, não se tratando de rendimentos prediais, o titular dos
rendimentos seja entidade não residente que não tenha
estabelecimento estável em território português ou que, tendo-o,
esses rendimentos não lhe sejam imputáveis;
c) Quando se trate de rendimentos de capitais que sejam pagos ou
colocados à disposição em contas abertas em nome de um ou mais
titulares mas por conta de terceiros não identificados, exceto quando
seja identificado o beneficiário efetivo, termos em que se aplicam as
regras gerais.
4 - As retenções na fonte de IRC são efetuadas à taxa de 25 %,
aplicando-se aos rendimentos referidos na alínea d) do n.º 1 a taxa
de 21,5 %.
5 - Excetuam-se do disposto no número anterior as retenções que,
nos termos do n.º 3, tenham caráter definitivo, em que são
aplicáveis as correspondentes taxas previstas no artigo 87.º
6 - A obrigação de efetuar a retenção na fonte de IRC ocorre na data
que estiver estabelecida para obrigação idêntica no Código do IRS
ou, na sua falta, na data da colocação à disposição dos
rendimentos, devendo as importâncias retidas ser entregues ao
Estado até ao dia 20 do mês seguinte àquele em que foram
deduzidas e essa entrega ser feita nos termos estabelecidos no
Código do IRS ou em legislação complementar.
7 - Salvo o disposto no n.º 9, tratando-se de rendimentos de valores
mobiliários sujeitos a registo ou depósito, emitidos por entidades
residentes em território português, a obrigação de efetuar a retenção
na fonte é da responsabilidade das entidades registadoras ou
depositárias.
8 - É aplicável, com as devidas adaptações, o disposto nos [Link] 8, 9,
10 e 11 do artigo 71.º do Código do IRS.
9 - Tratando-se de rendimentos pagos ou colocados à disposição
por sociedades gestoras de património residentes em território
português com conta aberta nos termos do n.º 1 do artigo 5.º do
Decreto-Lei n.º 163/94, de 4 de junho, junto de entidades
registadoras ou depositárias, a obrigação de efetuar a retenção na
fonte é da sua responsabilidade.
10 - No caso de rendimentos em espécie, a retenção na fonte incide
sobre o montante correspondente à soma do valor de mercado dos
bens ou direitos na data a que respeita essa obrigação e do
montante da retenção devida.
Artigo 95.º
Retenção na fonte - Direito comunitário
1 - Sempre que, relativamente aos lucros referidos nos [Link] 3, 6 e 8
do artigo 14.º, tenha sido efetuada a retenção na fonte por não se
verificar o requisito temporal de detenção da participação mínima
neles previsto, pode haver lugar à devolução do imposto que tenha
sido retido na fonte até à data em que se complete o período de um
ano de detenção ininterrupta da participação, por solicitação da
entidade beneficiária dos rendimentos, dirigida aos serviços
competentes da Autoridade Tributária e Aduaneira, a apresentar no
prazo de dois anos contados daquela data, devendo ser feita a
prova exigida nos [Link] 4 ou 9 do mesmo artigo, consoante o caso.
(Redação da Lei n.º 7-A/2016, de 30 de março)
2 - No caso dos lucros que uma sociedade residente em território
português e sujeita e não isenta de IRC, ou sujeita ao imposto
referido no artigo 7.º, pague ou coloque à disposição de entidades
residentes noutro Estado membro da União Europeia ou do Espaço
Económico Europeu, neste último caso desde que exista obrigação
de cooperação administrativa em matéria fiscal equivalente à
estabelecida na União Europeia, pode haver lugar à devolução do
imposto retido e pago na parte em que seja superior ao que
resultaria da aplicação das taxas previstas no n.º 1 do artigo 87.º e
no n.º 1 do artigo 87.º-A.
3 - A aplicação do disposto no número anterior tem em consideração
todos os rendimentos, incluindo os obtidos em território português, e
depende de requerimento da entidade beneficiária dos rendimentos,
dirigido aos serviços competentes da Autoridade Tributária e
Aduaneira, a apresentar no prazo de dois anos contados do final do
ano civil seguinte àquele em que se verificou o facto tributário,
devendo ser feita prova de que a entidade beneficiária preenche as
condições estabelecidas no artigo 2.º da Diretiva n.º 2011/96/CE, do
Conselho, de 30 de novembro.
4 - Nas situações previstas nos números anteriores, a restituição
deve ser efetuada até ao fim do terceiro mês seguinte ao da
apresentação dos elementos e informações indispensáveis à
comprovação das condições e requisitos legalmente exigidos.
5 - Em caso de incumprimento do prazo referido no número anterior,
acrescem à quantia a restituir juros indemnizatórios a taxa idêntica à
aplicável aos juros compensatórios a favor do Estado.
Artigo 96.º
Retenção na fonte - Diretiva n.º 2003/49/CE,
do Conselho, de 3 de junho
1 - (Revogado.)
2 - (Revogado.)
3 - A isenção prevista nos [Link] 12 e 16 do artigo 14.º não é aplicável
sempre que, mesmo estando verificadas as condições e requisitos
enunciados no n.º 13 do mesmo artigo, a participação mínima aí
mencionada não tenha sido detida, de modo ininterrupto, durante os
dois anos anteriores à data em que se verifica a obrigação de
retenção na fonte.
4 - Sempre que relativamente aos juros e royalties referidos nos [Link]
12 e 16 do artigo 14.º tenha sido efetuada retenção na fonte por não
se verificar o requisito temporal de detenção da participação mínima
nele previsto, pode haver lugar à restituição do imposto retido na
fonte até à data em que se complete o período de dois anos de
detenção ininterrupta da participação, por solicitação da entidade
beneficiária, dirigida aos serviços competentes da Autoridade
Tributária e Aduaneira, apresentada no prazo de dois anos contados
da data da verificação dos pressupostos, desde que seja feita prova
da observância das condições e requisitos estabelecidos para o
efeito.
5 - A restituição deve ser efetuada no prazo de um ano contado da
data da apresentação do pedido e do certificado com as
informações indispensáveis à comprovação das condições e
requisitos legalmente exigidos e, em caso de incumprimento desse
prazo, acrescem à quantia a restituir juros indemnizatórios
calculados a taxa idêntica à aplicável aos juros compensatórios a
favor do Estado.
6 - Para efeitos da contagem do prazo referido no número anterior,
considera-se que o mesmo se suspende sempre que o
procedimento estiver parado por motivo imputável ao requerente.
Artigo 97.º
Dispensa de retenção na fonte sobre
rendimentos auferidos por residentes
1 - Não existe obrigação de efetuar a retenção na fonte de IRC,
quando este tenha a natureza de imposto por conta, nos seguintes
casos:
a) Juros e quaisquer outros rendimentos de capitais, com exceção
de lucros e reservas distribuídos, de que sejam titulares instituições
financeiras sujeitas, em relação aos mesmos, a IRC, embora dele
isentas;
b) Juros ou quaisquer acréscimos de crédito pecuniário, resultantes
da dilação do respetivo vencimento ou de mora no seu pagamento,
quando aqueles créditos sejam consequência de vendas ou
prestações de serviços de pessoas coletivas ou outras entidades
sujeitas, em relação aos mesmos, a IRC, embora dele isentas;
c) Lucros e reservas distribuídos a que seja aplicável o regime
estabelecido no n.º 1 do artigo 51.º, desde que a participação no
capital tenha permanecido na titularidade da mesma entidade, de
modo ininterrupto, durante o ano anterior à data da sua colocação à
disposição; (Redação da Lei n.º 7-A/2016, de 30 de março)
d) Rendimentos referidos nas alíneas b) e g) do n.º 1 do artigo 94.º,
quando obtidos por pessoas coletivas ou outras entidades sujeitas,
relativamente aos mesmos, a IRC, embora dele isentas;
e) Rendimentos obtidos por sociedades tributadas segundo o
regime definido no artigo 69.º, de que seja devedora sociedade do
mesmo grupo abrangida por esse regime, desde que esses
rendimentos respeitem a períodos a que o mesmo seja aplicado e,
quando se trate de lucros distribuídos, estes sejam referentes a
resultados obtidos em períodos em que tenha sido aplicado aquele
regime;
f) Remunerações referidas na alínea d) do n.º 1 do artigo 94.º,
quando auferidas por sociedades de revisores oficiais de contas que
participem nos órgãos aí indicados;
g) Rendimentos prediais referidos na alínea c) do n.º 1 do artigo
94.º, quando obtidos por sociedades que tenham por objeto a
gestão de imóveis próprios e não se encontrem sujeitas ao regime
de transparência fiscal, nos termos da alínea c) do n.º 1 do artigo
6.º, e, bem assim, quando obtidos por fundos de investimento
imobiliários;
h) Juros e outros rendimentos resultantes de contratos de
suprimento, de papel comercial ou obrigações, de que seja
devedora sociedade cujo capital social com direito de voto seja
detido pelo sujeito passivo em mais de 10 %, diretamente, ou
indiretamente através de outras sociedades em que o sujeito
passivo seja dominante, desde que a participação no capital social
tenha permanecido na sua titularidade, de modo ininterrupto,
durante o ano anterior à data da sua colocação à disposição;
i) Rendimentos provenientes da propriedade intelectual referidos na
alínea a) do n.º 1 do artigo 94.º, quando obtidos por sociedades que
tenham por objeto a criação, edição, produção, promoção,
licenciamento, gestão ou distribuição de obras ou prestações ou
outros conteúdos protegidos por direitos de autor e conexos,
incluindo publicações de imprensa. (Aditada pela Lei n.º 24-D/2022, de 30 de
dezembro)
2 - Não existe ainda obrigação de efetuar a retenção na fonte de
IRC, no todo ou em parte, consoante os casos, quando os sujeitos
passivos beneficiem de isenção, total ou parcial, relativa a
rendimentos que seriam sujeitos a essa retenção na fonte, feita que
seja a prova, perante a entidade pagadora, da isenção de que
aproveitam, até ao termo do prazo estabelecido para a entrega do
imposto que deveria ter sido deduzido.
3 - Quando não seja efetuada a prova a que se refere o número
anterior, fica o substituto tributário obrigado a entregar a totalidade
do imposto que deveria ter sido deduzido nos termos da lei.
4 - Sem prejuízo da responsabilidade contraordenacional, a
responsabilidade estabelecida no número anterior pode ser afastada
sempre que o substituto tributário comprove a verificação dos
pressupostos para a dispensa total ou parcial de retenção.
Artigo 98.º
Dispensa total ou parcial de retenção na
fonte sobre rendimentos auferidos por
entidades não residentes
1 - Não existe obrigação de efetuar a retenção na fonte de IRC, no
todo ou em parte, consoante os casos, relativamente aos
rendimentos referidos no n.º 1 do artigo 94.º do Código do IRC
quando, por força de uma convenção destinada a eliminar a dupla
tributação ou de um outro acordo de direito internacional que vincule
o Estado Português ou de legislação interna, a competência para a
tributação dos rendimentos auferidos por uma entidade que não
tenha a sede nem direção efetiva em território português e aí não
possua estabelecimento estável ao qual os mesmos sejam
imputáveis não seja atribuída ao Estado da fonte ou o seja apenas
de forma limitada.
2 - Nas situações referidas no número anterior, bem como nos [Link]
12 e 16 do artigo 14.º, os beneficiários dos rendimentos devem fazer
prova perante a entidade que se encontra obrigada a efetuar a
retenção na fonte, até ao termo do prazo estabelecido para a
entrega do imposto que deveria ter sido deduzido nos termos das
normas legais aplicáveis: (Redação da Lei n.º 119/2019, de 18 de setembro)
a) Da verificação dos pressupostos que resultem de convenção para
evitar a dupla tributação ou de um outro acordo de direito
internacional ou ainda da legislação interna aplicável, através da
apresentação de formulário de modelo a aprovar por despacho do
membro do Governo responsável pela área das finanças,
acompanhado de documento emitido pelas autoridades
competentes do respetivo Estado de residência que ateste a sua
residência para efeitos fiscais no período em causa e a sujeição a
imposto sobre o rendimento nesse Estado; (Redação da Lei n.º 119/2019, de
18 de setembro)
b) Da verificação das condições e do cumprimento dos requisitos
estabelecidos no n.º 13 do artigo 14.º, através de formulário de
modelo a aprovar pelo membro do Governo responsável pela área
das finanças que contenha os seguintes elementos:
1) Residência fiscal da sociedade beneficiária dos rendimentos e,
quando for o caso, da existência do estabelecimento estável,
certificada pelas autoridades fiscais competentes do Estado membro
da União Europeia de que a sociedade beneficiária é residente ou
em que se situa o estabelecimento estável;
2) Cumprimento pela entidade beneficiária dos requisitos referidos
nas subalíneas i) e ii) da alínea a) do n.º 13 do artigo 14.º;
3) Qualidade de beneficiário efetivo, nos termos da alínea d) do n.º
13 do artigo 14.º, a fornecer pela sociedade beneficiária dos juros ou
royalties;
4) Quando um estabelecimento estável for considerado como
beneficiário dos juros ou royalties, além dos elementos referidos na
subalínea anterior, deve ainda fazer prova de que a sociedade a que
pertence preenche os requisitos referidos nas alíneas a) e b) do n.º
13 do artigo 14.º;
5) Verificação da percentagem de participação e do período de
detenção da participação, nos termos referidos na alínea b) do n.º
13 do artigo 14.º;
6) Justificação dos pagamentos de juros ou royalties.
3 - Os formulários a que se refere o número anterior, devidamente
certificados, são válidos por um período máximo de:
a) Dois anos, na situação prevista na alínea b) do n.º 2 e no
respeitante a cada contrato relativo a pagamentos de juros ou
royalties, devendo a sociedade ou o estabelecimento estável
beneficiários dos juros ou royalties informar imediatamente a
entidade ou o estabelecimento estável considerado como devedor
ou pagador quando deixarem de ser verificadas as condições ou
preenchidos os requisitos estabelecidos no n.º 13 do artigo 14.º;
b) Um ano, nas demais situações, devendo a entidade beneficiária
dos rendimentos informar imediatamente a entidade devedora ou
pagadora das alterações verificadas nos pressupostos de que
depende a dispensa total ou parcial de retenção na fonte.
4 - Não obstante o disposto no número anterior, quando a entidade
beneficiária dos rendimentos seja um banco central ou uma agência
de natureza governamental domiciliado em país com o qual Portugal
tenha celebrado convenção para evitar a dupla tributação
internacional, a prova a que se refere o n.º 2 é feita uma única vez,
sendo dispensada a sua renovação periódica, devendo a entidade
beneficiária dos rendimentos informar imediatamente a entidade
devedora ou pagadora das alterações verificadas nos pressupostos
de que depende a dispensa total ou parcial de retenção na fonte.
5 - Sem prejuízo do disposto no número seguinte, quando não seja
efetuada a prova até ao termo do prazo estabelecido para a entrega
do imposto, e, bem assim, nos casos previstos nos [Link] 3 e
seguintes do artigo 14.º, fica o substituto tributário obrigado a
entregar a totalidade do imposto que deveria ter sido deduzido nos
termos da lei.
6 - Sem prejuízo da responsabilidade contraordenacional, a
responsabilidade estabelecida no número anterior pode ser afastada
sempre que o substituto tributário comprove com o documento a que
se refere o n.º 2 do presente artigo e os [Link] 3 e seguintes do artigo
14.º, consoante o caso, a verificação dos pressupostos para a
dispensa total ou parcial de retenção.
7 - As entidades beneficiárias dos rendimentos que verifiquem as
condições referidas nos [Link] 1 e 2 do presente artigo e nos [Link] 3 e
seguintes do artigo 14.º, quando não tenha sido efetuada a prova
nos prazos e nas condições estabelecidas, podem solicitar o
reembolso total ou parcial do imposto que tenha sido retido na fonte,
no prazo de dois anos contados a partir do termo do ano em que se
verificou o facto gerador do imposto, mediante a apresentação de
um formulário de modelo a aprovar por despacho do membro do
Governo responsável pela área das finanças, que seja
acompanhado de documento emitido pelas autoridades
competentes do respetivo Estado de residência, que ateste a sua
residência para efeitos fiscais no período em causa e a sujeição a
imposto sobre o rendimento nesse Estado. (Redação da Lei n.º 119/2019, de
18 de setembro)
8 - O formulário previsto no número anterior deve, quando
necessário, ser acompanhado de outros elementos que permitam
aferir da legitimidade do reembolso.
9 - O reembolso do excesso do imposto retido na fonte deve ser
efetuado no prazo de um ano contado da data da apresentação do
pedido e dos elementos que constituem a prova da verificação dos
pressupostos de que depende a concessão do benefício e, em caso
de incumprimento desse prazo, acrescem à quantia a reembolsar
juros indemnizatórios calculados a taxa idêntica à aplicável aos juros
compensatórios a favor do Estado.
10 - Para efeitos da contagem do prazo referido no número anterior,
considera-se que o mesmo se suspende sempre que o
procedimento estiver parado por motivo imputável ao requerente.
11 - O disposto nos [Link] 2 a 9 é aplicável aos casos previstos no n.º
16 do artigo 14.º, com as necessárias adaptações.
Artigo 99.º
Liquidação adicional
1 - A Autoridade Tributária e Aduaneira procede à liquidação
adicional quando, depois de liquidado o imposto, seja de exigir, em
virtude de correção efetuada nos termos do n.º 10 do artigo 90.º ou
de fixação do lucro tributável por métodos indiretos, imposto
superior ao liquidado.
2 - A Autoridade Tributária e Aduaneira procede ainda à liquidação
adicional, sendo caso disso, em consequência de:
a) Revisão do lucro tributável nos termos do artigo 62.º;
b) Exame à contabilidade efetuado posteriormente à liquidação
corretiva referida no n.º 1;
c) Erros de facto ou de direito ou omissões verificados em qualquer
liquidação.
Artigo 100.º
Liquidações corretivas no regime de
transparência fiscal
Sempre que, relativamente às entidades a que se aplique o regime
de transparência fiscal definido no artigo 6.º, haja lugar a correções
que determinem alteração dos montantes imputados aos respetivos
sócios ou membros, a Autoridade Tributária e Aduaneira promove as
correspondentes modificações na liquidação efetuada àqueles,
cobrando-se ou anulando-se em consequência as diferenças
apuradas.
Artigo 101.º
Caducidade do direito à liquidação
A liquidação de IRC, ainda que adicional, só pode efetuar-se nos
prazos e nos termos previstos nos artigos 45.º e 46.º da Lei Geral
Tributária.
Artigo 102.º
Juros compensatórios
1 - Sempre que, por facto imputável ao sujeito passivo, for retardada
a liquidação de parte ou da totalidade do imposto devido ou a
entrega do imposto a pagar antecipadamente ou a reter no âmbito
da substituição tributária ou obtido reembolso indevido, acrescem ao
montante do imposto juros compensatórios à taxa e nos termos
previstos no artigo 35.º da Lei Geral Tributária.
2 - (Revogado.) (Revogação pela Lei n.º 12/2022, de 27 de junho; de acordo com o
n.º 2 do art.º 329.º desta Lei, a revogação é aplicável a partir, inclusive, dos períodos de
tributação que se iniciem em ou após 1 de janeiro de 2022, sendo que a disposição
revogada se mantém em vigor até à cessação da produção dos respetivos efeitos.)
3 - Os juros compensatórios contam-se dia a dia nos seguintes
termos:
a) Desde o termo do prazo para a apresentação da declaração até
ao suprimento, correção ou deteção da falta que motivou o
retardamento da liquidação;
b) (Revogada.) (Revogação pela Lei n.º 12/2022, de 27 de junho; de acordo com o n.º
2 do art.º 329.º desta Lei, a revogação é aplicável a partir, inclusive, dos períodos de
tributação que se iniciem em ou após 1 de janeiro de 2022, sendo que a disposição
revogada se mantém em vigor até à cessação da produção dos respetivos efeitos.);
c) (Revogada.) (Revogação pela Lei n.º 12/2022, de 27 de junho; de acordo com o n.º
2 do art.º 329.º desta Lei, a revogação é aplicável a partir, inclusive, dos períodos de
tributação que se iniciem em ou após 1 de janeiro de 2022, sendo que a disposição
revogada se mantém em vigor até à cessação da produção dos respetivos efeitos.)
d) Desde o recebimento do reembolso indevido até à data do
suprimento ou correção da falta que o motivou.
4 - Entende-se haver retardamento da liquidação sempre que a
declaração periódica de rendimentos a que se refere a alínea b) do
n.º 1 do artigo 117.º seja apresentada ou enviada fora do prazo
estabelecido sem que o imposto devido se encontre totalmente pago
no prazo legal.
Artigo 103.º
Anulações
1 - A Autoridade Tributária e Aduaneira procede oficiosamente à
anulação, total ou parcial, do imposto que tenha sido liquidado,
sempre que este se mostre superior ao devido, nos seguintes casos:
a) Em consequência de correção da liquidação nos termos dos [Link]
9 e 10 do artigo 90.º ou do artigo 100.º;
b) Em resultado de exame à contabilidade;
c) Devido à determinação da matéria coletável por métodos
indiretos;
d) Por motivos imputáveis aos serviços;
e) Por duplicação de coleta.
2 - Não se procede à anulação quando o seu quantitativo seja
inferior a €25 ou, no caso de o imposto já ter sido pago, tenha
decorrido o prazo de revisão oficiosa do ato tributário previsto no
artigo 78.º da Lei Geral Tributária.
CAPÍTULO VI
Pagamento
SECÇÃO I
Entidades que exerçam, a título principal,
atividade comercial, industrial ou agrícola
Artigo 104.º
Regras de pagamento
1 - As entidades que exerçam, a título principal, atividade de
natureza comercial, industrial ou agrícola, bem como as não
residentes com estabelecimento estável em território português,
devem proceder ao pagamento do imposto nos termos seguintes:
a) Em três pagamentos por conta, com vencimento em julho,
setembro e 15 de dezembro do próprio ano a que respeita o lucro
tributável ou, nos casos dos [Link] 2 e 3 do artigo 8.º, no 7.º mês, no
9.º mês e no dia 15 do 12.º mês do respetivo período de tributação;
b) Até ao último dia do prazo fixado para o envio da declaração
periódica de rendimentos, pela diferença que existir entre o imposto
total aí calculado e as importâncias entregues por conta;
c) Até ao dia do envio da declaração de substituição a que se refere
o artigo 122.º, pela diferença que existir entre o imposto total aí
calculado e as importâncias já pagas.
2 - Há lugar a reembolso ao sujeito passivo quando:
a) O valor apurado na declaração, líquido das deduções a que se
referem os [Link] 2 e 4 do artigo 90.º, for negativo, pela importância
resultante da soma do correspondente valor absoluto com o
montante dos pagamentos por conta;
b) O valor apurado na declaração, líquido das deduções a que se
referem os [Link] 2 e 4 do artigo 90.º, não sendo negativo, for inferior
ao valor dos pagamentos por conta, pela respetiva diferença.
3 - O reembolso é efetuado, quando a declaração periódica de
rendimentos for enviada no prazo legal e desde que a mesma não
contenha erros de preenchimento, até ao fim do 3.º mês seguinte ao
do seu envio.
4 - Os sujeitos passivos são dispensados de efetuar pagamentos
por conta quando o imposto do período de tributação de referência
para o respetivo cálculo for inferior a €200.
5 - Se o pagamento a que se refere a alínea a) do n.º 1 não for
efetuado nos prazos aí mencionados, começam a correr
imediatamente juros compensatórios, que são contados até ao
termo do prazo para envio da declaração ou até à data do
pagamento da autoliquidação, se anterior, ou, em caso de mero
atraso, até à data da entrega por conta, devendo, neste caso, ser
pagos simultaneamente.
6 - Não sendo efetuado o reembolso no prazo referido no n.º 3,
acrescem à quantia a restituir juros indemnizatórios a taxa idêntica à
aplicável aos juros compensatórios a favor do Estado.
7 - Não há lugar ao pagamento a que se referem as alíneas b) e c)
do n.º 1 nem ao reembolso a que se refere o n.º 2 quando o seu
montante for inferior a €25.
Artigo 104.º-A
Pagamento da derrama estadual
1 - As entidades que exerçam, a título principal, uma atividade de
natureza comercial, industrial ou agrícola e os não residentes com
estabelecimento estável devem proceder ao pagamento da derrama
estadual nos termos seguintes:
a) Em três pagamentos adicionais por conta, de acordo com as
regras estabelecidas na alínea a) do n.º 1 do artigo 104.º;
b) Até ao último dia do prazo fixado para o envio da declaração
periódica de rendimentos a que se refere o artigo 120.º, pela
diferença que existir entre o valor total da derrama estadual aí
calculado e as importâncias entregues por conta nos termos do
artigo 105.º-A;
c) Até ao dia do envio da declaração de substituição a que se refere
o artigo 122.º, pela diferença que existir entre o valor total da
derrama estadual aí calculado e as importâncias já pagas.
2 - Há lugar a reembolso ao sujeito passivo, pela respetiva
diferença, quando o valor da derrama estadual apurado na
declaração for inferior ao valor dos pagamentos adicionais por
conta.
3 - São aplicáveis às regras de pagamento da derrama estadual não
referidas no presente artigo as regras de pagamento de imposto
sobre o rendimento das pessoas coletivas, com as necessárias
adaptações.
Artigo 105.º
Cálculo dos pagamentos por conta
1 - Os pagamentos por conta são calculados com base no imposto
liquidado nos termos do n.º 1 do artigo 90.º relativamente ao período
de tributação imediatamente anterior àquele em que se devam
efetuar esses pagamentos, líquidos da dedução a que se refere a
alínea e) do n.º 2 desse artigo.
2 - Os pagamentos por conta dos sujeitos passivos cujo volume de
negócios do período de tributação imediatamente anterior àquele
em que se devam efetuar esses pagamentos seja igual ou inferior a
€500 000 correspondem a 80 % do montante do imposto referido no
número anterior, repartido por três montantes iguais, arredondados,
por excesso, para euros.
3 - Os pagamentos por conta dos sujeitos passivos cujo volume de
negócios do período de tributação imediatamente anterior àquele
em que se devam efetuar esses pagamentos seja superior a €500
000 correspondem a 95 % do montante do imposto referido no n.º 1,
repartido por três montantes iguais, arredondados, por excesso,
para euros.
4 - No caso referido na alínea d) do n.º 4 do artigo 8.º, o imposto a
ter em conta para efeitos do disposto no n.º 1 é o que
corresponderia a um período de 12 meses, calculado
proporcionalmente ao imposto relativo ao período aí mencionado.
5 - Tratando-se de sociedades de um grupo a que seja aplicável
pela primeira vez o regime especial de tributação dos grupos de
sociedades, os pagamentos por conta relativos ao primeiro período
de tributação são efetuados por cada uma dessas sociedades e
calculados nos termos do n.º 1, sendo o total das importâncias por
elas entregue tomado em consideração para efeito do cálculo da
diferença a pagar pela sociedade dominante ou a reembolsar-lhe,
nos termos do artigo 104.º
6 - No período de tributação seguinte àquele em que terminar a
aplicação do regime previsto no artigo 69.º, os pagamentos por
conta a efetuar por cada uma das sociedades do grupo são
calculados nos termos do n.º 1 com base no imposto que lhes teria
sido liquidado relativamente ao período de tributação anterior se não
estivessem abrangidas pelo regime.
7 - No período de tributação em que deixe de haver tributação pelo
regime especial de tributação dos grupos de sociedades, observa-se
o seguinte:
a) Os pagamentos por conta a efetuar após a ocorrência do facto
determinante da cessação do regime são efetuados por cada uma
das sociedades do grupo e calculados da forma indicada no número
anterior;
b) Os pagamentos por conta já efetuados pela sociedade dominante
à data da ocorrência da cessação do regime são tomados em
consideração para efeito do cálculo da diferença que tiver a pagar
ou que deva ser-lhe reembolsada nos termos do artigo 104.º
8 - No caso em que uma sociedade (nova sociedade dominante)
adquira o domínio de uma sociedade dominante de um grupo de
sociedades (anterior sociedade dominante), os pagamentos por
conta relativos ao primeiro período de tributação em que as
sociedades do grupo da anterior sociedade dominante sejam
incluídas no grupo da nova sociedade dominante são calculados
nos termos do n.º 1 com base na soma do imposto liquidado à nova
sociedade dominante, ou ao respetivo grupo, e ao grupo da anterior
sociedade dominante, relativamente ao período de tributação
imediatamente anterior. (Aditado pela Lei n.º 82-C/2014, de 31 de dezembro)
Artigo 105.º-A
Cálculo do pagamento adicional por conta
1 - As entidades obrigadas a efetuar pagamentos por conta e
pagamentos especiais por conta devem efetuar o pagamento
adicional por conta nos casos em que no período de tributação
anterior fosse devida derrama estadual nos termos referidos no
artigo 87.º-A.
2 - O valor dos pagamentos adicionais por conta devidos nos termos
da alínea a) do n.º 1 do artigo 104.º-A é igual ao montante resultante
da aplicação das taxas previstas na tabela seguinte sobre a parte do
lucro tributável superior a €1 500 000 relativo ao período de
tributação anterior:
(Revogação pela Lei n.º 12/2022, de 27 de junho; de acordo com o n.º 2 do art.º 329.º
desta Lei, a revogação é aplicável a partir, inclusive, dos períodos de tributação que se
iniciem em ou após 1 de janeiro de 2022)
Artigo 107.º
Limitações aos pagamentos por conta
1 - Se o sujeito passivo verificar, pelos elementos de que disponha,
que o montante do pagamento por conta já efetuado é igual ou
superior ao imposto que será devido com base na matéria coletável
do período de tributação, pode deixar de efetuar o terceiro
pagamento por conta.
2 - Verificando-se, face à declaração periódica de rendimentos do
exercício a que respeita o imposto, que, em consequência da
suspensão da terceira entrega por conta prevista no número
anterior, deixou de ser paga uma importância superior a 20 % da
que, em condições normais, teria sido entregue, há lugar a juros
compensatórios desde o termo do prazo em que a entrega deveria
ter sido efetuada até ao termo do prazo para o envio da declaração
ou até à data do pagamento da autoliquidação, se anterior.
3 - Se a terceira entrega por conta a efetuar for superior à diferença
entre o imposto total que o sujeito passivo julgar devido e as
entregas já efetuadas, pode aquele limitar o terceiro pagamento a
essa diferença, sendo de aplicar o disposto nos números anteriores,
com as necessárias adaptações.
SECÇÃO II
Entidades que não exerçam, a título
principal, atividade comercial, industrial ou
agrícola
Artigo 108.º
Pagamento do imposto
1 - O imposto devido pelas entidades não referidas no n.º 1 do artigo
104.º e que sejam obrigadas a enviar a declaração periódica de
rendimentos é pago até ao último dia do prazo estabelecido para o
envio daquela ou, em caso de declaração de substituição, até ao dia
do seu envio.
2 - Havendo lugar a reembolso de imposto, o mesmo efetua-se nos
termos dos [Link] 3 e 6 do artigo 104.º
SECÇÃO III
Disposições comuns
Artigo 109.º
Falta de pagamento de imposto
autoliquidado
Havendo lugar a autoliquidação de imposto e não sendo efetuado o
pagamento deste até ao termo do respetivo prazo, começam a
correr imediatamente juros de mora e a cobrança da dívida é
promovida pela Autoridade Tributária e Aduaneira nos termos
previstos no artigo seguinte.
Artigo 110.º
Pagamento do imposto liquidado pelos
serviços
1 - Nos casos de liquidação efetuada pela Autoridade Tributária e
Aduaneira, o sujeito passivo é notificado para pagar o imposto e
juros que se mostrem devidos, no prazo de 30 dias a contar da
notificação.
2 - A notificação a que se refere o número anterior é feita nos termos
do Código de Procedimento e de Processo Tributário.
3 - Não sendo pago o imposto no prazo estabelecido no n.º 1,
começam a correr imediatamente juros de mora sobre o valor da
dívida.
4 - Decorrido o prazo no n.º 1 sem que se mostre efetuado o
respetivo pagamento, há lugar a procedimento executivo.
5 - Se a liquidação referida no n.º 1 der lugar a reembolso de
imposto, o mesmo é efetuado nos termos dos [Link] 3 e 6 do artigo
104.º
Artigo 111.º
Limite mínimo
Não há lugar a cobrança quando, em virtude de liquidação efetuada,
a importância liquidada for inferior a €25.
Artigo 112.º
Modalidades de pagamento
1 - O pagamento de IRC é efetuado nos termos previstos no n.º 1 do
artigo 40.º da Lei Geral Tributária.
2 - Se o pagamento for efetuado por meio de cheque, a extinção da
obrigação de imposto só se verifica com o recebimento efetivo da
respetiva importância, não sendo, porém, devidos juros de mora
pelo tempo que mediar entre a entrega ou expedição do cheque e
aquele recebimento, salvo se não for possível fazer a cobrança
integral da dívida por falta de provisão.
3 - Tratando-se de vale postal, a obrigação do imposto considera-se
extinta com a sua entrega ou expedição.
Artigo 113.º
Local de pagamento
1 - O pagamento do IRC, quando efetuado no prazo de cobrança
voluntária, pode ser feito nos bancos, correios e tesourarias de
finanças.
2 - No caso de cobrança coerciva, o pagamento é efetuado nas
tesourarias de finanças que funcionem junto dos serviços de
finanças ou do tribunal tributário onde correr a execução.
Artigo 114.º
Juros e responsabilidade pelo pagamento
nos casos de retenção na fonte
1 - Quando a retenção na fonte tenha a natureza de imposto por
conta e a entidade que a deva efetuar a não tenha feito, total ou
parcialmente, ou, tendo-a feito, não tenha entregue o imposto ou o
tenha entregue fora do prazo, são por ela devidos juros
compensatórios sobre as respetivas importâncias, contados, no
último caso, desde o dia imediato àquele em que deviam ter sido
entregues até à data do pagamento ou da liquidação e, no primeiro
caso, desde aquela mesma data até ao termo do prazo para entrega
da declaração periódica de rendimentos pelo sujeito passivo, sem
prejuízo da responsabilidade que ao caso couber.
2 - Sempre que a retenção na fonte tenha caráter definitivo, são
devidos juros compensatórios pela entidade a quem incumbe
efetuá-la, sobre as importâncias não retidas, ou retidas mas não
entregues dentro do prazo legal, contados desde o dia imediato
àquele em que deviam ter sido entregues até à data do pagamento
ou da liquidação.
3 - Aos juros compensatórios referidos nos números anteriores
aplica-se o disposto no artigo 35.º da Lei Geral Tributária.
4 - No caso das retenções na fonte contempladas no n.º 1, a
entidade devedora dos rendimentos é subsidiariamente responsável
pelo pagamento do imposto que vier a revelar-se devido pelo sujeito
passivo titular dos rendimentos, até à concorrência da diferença
entre o imposto que tenha sido deduzido e o que deveria tê-lo sido.
5 - Quando a retenção na fonte tenha caráter definitivo, os titulares
dos rendimentos são subsidiariamente responsáveis pelo
pagamento do imposto, pela diferença mencionada no número
anterior.
6 - Os juros compensatórios devem ser pagos:
a) Conjuntamente com as importâncias retidas, quando estas sejam
entregues fora do prazo legalmente estabelecido;
b) Autonomamente, no prazo de 30 dias a contar do termo do
período em que são devidos, quando, tratando-se de retenção com
a natureza de imposto por conta, esta não tenha sido efetuada.
Artigo 115.º
Responsabilidade pelo pagamento no
regime especial de tributação dos grupos de
sociedades
Quando seja aplicável o disposto no artigo 69.º, o pagamento do
IRC incumbe à sociedade dominante, sendo qualquer das outras
sociedades do grupo solidariamente responsável pelo pagamento
daquele imposto, sem prejuízo do direito de regresso pela parte do
imposto que a cada uma delas efetivamente respeite.
Artigo 116.º
Privilégios creditórios
Para pagamento do IRC relativo aos três últimos anos, a Fazenda
Pública goza de privilégio mobiliário geral e privilégio imobiliário
sobre os bens existentes no património do sujeito passivo à data da
penhora ou outro ato equivalente.
CAPÍTULO VII
Obrigações acessórias e fiscalização
SECÇÃO I
Obrigações acessórias dos sujeitos
passivos
Artigo 117.º
Obrigações declarativas
1 - Os sujeitos passivos de IRC, ou os seus representantes, são
obrigados a apresentar:
a) Declaração de inscrição, de alterações ou de cessação, nos
termos dos artigos 118.º e 119.º;
b) Declaração periódica de rendimentos, nos termos do artigo 120.º;
c) Declaração anual de informação contabilística e fiscal, nos termos
do artigo 121.º
d) Declaração financeira e fiscal por país, nos termos do artigo
121.º-A. (Aditada pela Lei n.º 98/2017, de 24 de agosto)
2 - As declarações a que se refere o número anterior são de modelo
oficial, aprovado por despacho do membro do Governo responsável
pela área das finanças, devendo ser-lhes juntos, fazendo delas
parte integrante, os documentos e os anexos que para o efeito
sejam mencionados no referido modelo oficial.
3 - São regulamentados por portaria do membro do Governo
responsável pela área das finanças o âmbito de obrigatoriedade, os
suportes, o início de vigência e os procedimentos do regime de
envio de declarações por transmissão eletrónica de dados.
4 - São recusadas as declarações apresentadas que não se
mostrem completas, devidamente preenchidas e assinadas, bem
como as que sendo enviadas por via eletrónica de dados se
mostrem desconformes com a regulamentação estabelecida na
portaria referida no número anterior, sem prejuízo das sanções
estabelecidas para a falta da sua apresentação ou envio.
5 - Quando as declarações não forem consideradas suficientemente
claras, a Autoridade Tributária e Aduaneira notifica os sujeitos
passivos para prestarem por escrito, no prazo que lhes for fixado,
nunca inferior a cinco dias, os esclarecimentos indispensáveis.
6 - A obrigação a que se refere a alínea b) do n.º 1 não abrange.
(Redação da Lei n.º 114/2017, de 29 de dezembro)
a) As entidades isentas ao abrigo do artigo 9.º, exceto quando
estejam sujeitas a uma qualquer tributação autónoma ou quando
obtenham rendimentos de capitais que não tenham sido objeto de
retenção na fonte com caráter definitivo; (Redação da Lei n.º 114/2017, de 29
de dezembro)
b) As entidades que apenas aufiram rendimentos não sujeitos a IRC,
exceto quando estejam sujeitas a uma qualquer tributação
autónoma. (Redação da Lei n.º 114/2017, de 29 de dezembro)
7 - (Revogado.)
8 - A obrigação referida na alínea b) do n.º 1 também não abrange
as entidades não residentes sem estabelecimento estável em
território português e que neste território apenas aufiram
rendimentos isentos ou sujeitos a retenção na fonte a título
definitivo. (Redação da Lei n.º 7-A/2016, de 30 de março) (A redação dada pela Lei n.º
7-A/2016, de 30 de março, tem natureza interpretativa)
9 - A não tributação em IRC das entidades abrangidas pelo regime
de transparência fiscal nos termos do artigo 6.º não as desobriga de
apresentação ou envio das declarações referidas no n.º 1.
10 - Relativamente às sociedades ou outras entidades em
liquidação, as obrigações declarativas que ocorram posteriormente
à dissolução são da responsabilidade dos respetivos liquidatários ou
do administrador da falência.
Artigo 118.º
Declaração de inscrição, de alterações ou de
cessação
1 - A declaração de inscrição no registo a que se refere a alínea a)
do n.º 1 do artigo anterior deve ser apresentada pelos sujeitos
passivos, em qualquer serviço de finanças ou noutro local
legalmente autorizado, no prazo de 90 dias a partir da data de
inscrição no Registo Nacional de Pessoas Coletivas, sempre que
esta seja legalmente exigida, ou, caso o sujeito passivo esteja
sujeito a registo comercial, no prazo de 15 dias a partir da data de
apresentação a registo na Conservatória do Registo Comercial.
2 - Sempre que a declaração de início de atividade a que se refere o
artigo 31.º do Código do IVA deva ser apresentada até ao termo do
prazo previsto no número anterior, esta declaração considera-se,
para todos os efeitos, como a declaração de inscrição no registo.
3 - Os sujeitos passivos não residentes e que obtenham
rendimentos não imputáveis a estabelecimento estável situado em
território português relativamente aos quais haja lugar à obrigação
de apresentar a declaração a que se refere o artigo 120.º são
igualmente obrigados a apresentar a declaração de inscrição no
registo, em qualquer serviço de finanças ou noutro local legalmente
autorizado, até ao termo do prazo para entrega da declaração
periódica de rendimentos prevista no artigo 120.º
4 - Da declaração de inscrição no registo deve constar,
relativamente às pessoas coletivas e outras entidades mencionadas
nos [Link] 2 e 3 do artigo 8.º, o período anual de imposto que desejam
adotar.
5 - Sempre que se verifiquem alterações de qualquer dos elementos
constantes da declaração de inscrição no registo, deve o sujeito
passivo entregar a respetiva declaração de alterações, salvo se
outro prazo estiver expressamente previsto, no prazo de:
a) 15 dias, a contar da data de alteração, quando o sujeito passivo
exerça uma atividade sujeita a imposto sobre o valor acrescentado;
b) 30 dias a contar da data da alteração, nos restantes casos.
6 - Os sujeitos passivos de IRC devem apresentar a declaração de
cessação no prazo de 30 dias a contar da data da cessação da
atividade.
7 - Os sujeitos passivos ficam dispensados da entrega da
declaração mencionada no n.º 5 sempre que as alterações em
causa respeitem a factos sujeitos a registo na Conservatória do
Registo Comercial ou a entidades inscritas no Ficheiro Central de
Pessoas Coletivas que não estejam sujeitas a registo comercial.
(Redação da Lei n.º 82-C/2014, de 31 de dezembro)
8 - Os sujeitos passivos registados na Conservatória do Registo
Comercial ou inscritos no Ficheiro Central das Pessoas Coletivas
ficam dispensados da apresentação da declaração de cessação.
(Aditado pela Lei n.º 82-C/2014, de 31 de dezembro)
Artigo 119.º
Declaração verbal de inscrição, de
alterações ou de cessação
1 - Quando o serviço de finanças ou outro local legalmente
autorizado a receber as declarações referidas na alínea a) do n.º 1
do artigo 117.º disponha de meios informáticos adequados, essas
declarações são substituídas pela declaração verbal, efetuada pelo
sujeito passivo, de todos os elementos necessários à inscrição no
registo, à alteração dos dados constantes daquele registo e ao seu
cancelamento, sendo estes imediatamente introduzidos no sistema
informático e confirmados pelo declarante, após a sua impressão
em documento tipificado.
2 - O documento tipificado nas condições referidas no número
anterior substitui, para todos os efeitos legais, as declarações a que
se refere a alínea a) do n.º 1 do artigo 117.º
3 - O documento comprovativo da inscrição das alterações ou do
cancelamento no registo de sujeitos passivos de IRC é o documento
tipificado, consoante os casos, processado após a confirmação dos
dados pelo declarante, autenticado com a assinatura do funcionário
recetor e com aposição da vinheta do técnico oficial de contas que
assume a responsabilidade fiscal do sujeito passivo a que respeitam
as declarações.
Artigo 120.º
Declaração periódica de rendimentos
1 - A declaração periódica de rendimentos a que se refere a alínea
b) do n.º 1 do artigo 117.º deve ser enviada, anualmente, por
transmissão eletrónica de dados, até ao último dia do mês de maio,
independentemente de esse dia ser útil ou não útil.
2 - Relativamente aos sujeitos passivos que, nos termos dos [Link] 2 e
3 do artigo 8.º, adotem um período de tributação diferente do ano
civil, a declaração deve ser enviada até ao último dia do 5.º mês
seguinte à data do termo desse período, independentemente de
esse dia ser útil ou não útil, prazo que é igualmente aplicável
relativamente ao período mencionado na alínea d) do n.º 4 do artigo
8.º
3 - No caso de cessação de atividade nos termos do n.º 5 do artigo
8.º, a declaração de rendimentos relativa ao período de tributação
em que a mesma se verificou deve ser enviada até ao último dia do
terceiro mês seguinte ao da data da cessação, independentemente
de esse dia ser útil ou não útil, aplicando-se igualmente este prazo
ao envio da declaração relativa ao período de tributação
imediatamente anterior, quando ainda não tenham decorrido os
prazos mencionados nos [Link] 1 e 2. (Redação da Lei n.º 71/2018, de 31 de
dezembro)
4 - As entidades que não tenham sede nem direção efetiva em
território português, e que neste obtenham rendimentos não
imputáveis a estabelecimento estável aí situado, são igualmente
obrigadas a enviar a declaração mencionada no n.º 1, desde que
relativamente aos mesmos não haja lugar a retenção na fonte a
título definitivo.
5 - Nos casos previstos no número anterior, a declaração deve ser
enviada:
a) Relativamente a rendimentos derivados de imóveis, excetuados
os ganhos resultantes da sua transmissão onerosa, a ganhos
mencionados nas alíneas b) e f) do n.º 3 do artigo 4.º e a
rendimentos mencionados nos [Link] 3) e 8) da alínea c) do n.º 3 do
artigo 4.º, até ao último dia do mês de maio do ano seguinte àquele
a que os mesmos respeitam; (Redação da Lei n.º 114/2017, de 29 de dezembro)
b) Relativamente a ganhos resultantes da transmissão onerosa de
imóveis, até ao 30.º dia posterior à data da transmissão,
independentemente de esse dia ser útil ou não útil;
c) Relativamente a incrementos patrimoniais derivados de
aquisições a título gratuito, até ao 30.º dia posterior à data da
aquisição, independentemente de esse dia ser útil ou não útil.
6 - Quando for aplicável o regime especial de tributação dos grupos
de sociedades:
a) A sociedade dominante deve enviar a declaração periódica de
rendimentos relativa ao lucro tributável do grupo apurado nos
termos do artigo 70.º;
b) Cada uma das sociedades do grupo, incluindo a sociedade
dominante, deve enviar a sua declaração periódica de rendimentos
na qual seja determinado o imposto como se aquele regime não
fosse aplicável.
7 - (Revogado.)
8 - A correção a que se refere o n.º 2 do artigo 51.º-A deve ser
efetuada através do envio de declaração de substituição, no prazo
de 60 dias a contar da data de verificação do facto que a
determinou, independentemente de esse dia ser útil ou não útil,
relativa a cada um dos períodos de tributação em que já tenha
decorrido o prazo de envio da declaração periódica de rendimentos.
9 - Sempre que não se verifique o requisito temporal estabelecido
na parte final do n.º 11 do artigo 88.º, para efeitos da tributação
autónoma aí prevista, o sujeito passivo deve enviar a declaração de
rendimentos no prazo de 60 dias a contar da data da verificação do
facto que a determinou, independentemente de esse dia ser útil ou
não útil.
10 - Os elementos constantes das declarações periódicas devem,
sempre que for caso disso, concordar exatamente com os obtidos
na contabilidade ou nos registos de escrituração, consoante o caso.
11 - Sem prejuízo do disposto no n.º 3, para efeitos do disposto na
alínea c) do n.º 2 do artigo 79.º, no período de tributação em que
ocorre a dissolução devem ser enviadas: (Aditado pela Lei n.º 114/2017, de
29 de dezembro)
a) Até ao último dia do 5.º mês seguinte ao da dissolução,
independentemente de esse dia ser útil ou não útil, a declaração
relativa ao período decorrido desde o início do período de tributação
em que se verificou a dissolução até à data desta; (Aditada pela Lei n.º
114/2017, de 29 de dezembro)
b) Até ao último dia do 5.º mês seguinte à data do termo do período
de tributação, independentemente de esse dia ser útil ou não útil, a
declaração relativa ao período decorrido entre o dia seguinte ao da
dissolução e o termo do período de tributação em que esta se
verificou. (Aditada pela Lei n.º 114/2017, de 29 de dezembro)
Artigo 121.º
Declaração anual de informação
contabilística e fiscal
1 - A declaração anual de informação contabilística e fiscal a que se
refere a alínea c) do n.º 1 do artigo 117.º deve ser enviada nos
termos e com os anexos que para o efeito sejam mencionados no
respetivo modelo.
2 - A declaração deve ser enviada, por transmissão eletrónica de
dados, até ao dia 15 de julho, independentemente de esse dia ser
útil ou não útil.
3 - Relativamente aos sujeitos passivos que, nos termos dos [Link] 2 e
3 do artigo 8.º, adotem um período de tributação diferente do ano
civil, a declaração deve ser enviada até ao 15.º dia do 7.º mês
posterior à data do termo desse período, independentemente de
esse dia ser útil ou não útil, reportando-se a informação, consoante
o caso, ao período de tributação ou ao ano civil cujo termo naquele
se inclua.
4 - No caso de cessação de atividade, nos termos do n.º 5 do artigo
8.º, a declaração relativa ao período de tributação em que a mesma
se verificou deve ser enviada no prazo referido no n.º 3 do artigo
120.º, aplicando-se igualmente esse prazo para o envio da
declaração relativa ao período de tributação imediatamente anterior,
quando ainda não tenham decorrido os prazos mencionados nos
[Link] 2 e 3.
5 - Os elementos constantes das declarações devem, sempre que
se justificar, concordar exatamente com os obtidos na contabilidade
ou registos de escrituração, consoante o caso.
Artigo 121.º-A
Declaração financeira e fiscal por país
(Epígrafe alterada pela Lei n.º 98/2017, de 24 de agosto)
1 - A entidade-mãe final, ou a entidade-mãe de substituição, de um
grupo de empresas multinacionais cujo total de rendimentos
consolidados, tal como refletido nas suas demonstrações financeiras
consolidadas, seja, no período imediatamente anterior, igual ou
superior a € 750 000 000 deve apresentar uma declaração de
informação financeira e fiscal por país ou jurisdição fiscal relativa às
entidades constituintes desse grupo. (Redação da Lei n.º 98/2017, de 24 de
agosto)
2 - É igualmente obrigada à apresentação de uma declaração por
país ou jurisdição fiscal, relativamente a cada período de tributação,
a entidade constituinte residente em território português, que não
seja a entidade-mãe final de um grupo de empresas multinacionais,
caso se verifique uma das seguintes condições: (Redação da Lei n.º
98/2017, de 24 de agosto)
a) Sejam detidas ou controladas, direta ou indiretamente, por
entidades não residentes que não estejam obrigadas à
apresentação de idêntica declaração; (Redação da Lei n.º 98/2017, de 24 de
agosto)
b) Vigore na jurisdição em que a entidade-mãe final é residente um
acordo internacional com Portugal, mas na data prevista no n.º 8,
para apresentação da declaração por país correspondente ao
período de relato, não esteja em vigor um acordo qualificado entre
as autoridades competentes; (Redação da Lei n.º 98/2017, de 24 de agosto)
c) Verifique-se a existência de uma falha sistémica da jurisdição de
residência fiscal da entidade-mãe final que foi notificada pela
Autoridade Tributária e Aduaneira à entidade constituinte. (Redação da
Lei n.º 98/2017, de 24 de agosto)
3 - A entidade-mãe final de um grupo de empresas multinacionais
que seja residente em território português, ou qualquer outra
entidade declarante, nos termos do presente artigo, deve apresentar
uma declaração por país no que diz respeito ao seu período
contabilístico anual no prazo de 12 meses a contar do último dia do
período de relato do grupo multinacional de empresas. (Redação da Lei
n.º 98/2017, de 24 de agosto)
4 - Qualquer entidade, residente ou com estabelecimento estável,
em território português, que integre um grupo no qual alguma das
entidades esteja sujeita à apresentação de uma declaração de
informação financeira e fiscal por país ou por jurisdição fiscal, nos
termos dos números anteriores, deve comunicar eletronicamente,
até ao final do prazo estabelecido nos [Link] 1 e 2 do artigo 120.º,
informando se é ela a entidade declarante ou, caso não seja, a
identificação da entidade declarante do grupo e o país ou jurisdição
em que esta é residente para efeitos fiscais. (Redação da Lei n.º 98/2017,
de 24 de agosto)
5 - A declaração de informação financeira e fiscal inclui de forma
agregada, por cada país ou jurisdição fiscal, os seguintes
elementos: (Redação da Lei n.º 98/2017, de 24 de agosto)
a) Rendimentos brutos, distinguindo entre os obtidos nas operações
realizadas com entidades relacionadas e com entidades
independentes;
b) Resultados antes do IRC e de impostos sobre os lucros, de
natureza idêntica ou análoga ao IRC;
c) Montante devido em IRC ou impostos sobre os lucros, de
natureza idêntica ou análoga ao IRC, incluindo as retenções na
fonte;
d) Montante pago em IRC ou impostos sobre os lucros, de natureza
idêntica ou análoga ao IRC, incluindo as retenções na fonte;
e) Capital social, resultados transitados e outras rubricas do capital
próprio, à data do final do período de tributação; (Redação da Lei n.º
98/2017, de 24 de agosto)
f) (Revogada pela Lei n.º 98/2017, de 24 de agosto)
g) Número de trabalhadores a tempo inteiro, ou equivalente, no final
do período de tributação;
h) Valor líquido dos ativos tangíveis, exceto valores de caixa ou seus
equivalentes;
i) A identificação de cada entidade constituinte do grupo de
empresas multinacionais, indicando a jurisdição da residência fiscal
dessa entidade constituinte e, caso seja diferente da jurisdição da
residência para efeitos fiscais, a jurisdição por cujo ordenamento
jurídico se rege a organização dessa entidade constituinte, bem
como a natureza da atividade empresarial principal ou atividades
empresariais principais dessa entidade constituinte; (Redação da Lei n.º
98/2017, de 24 de agosto)
j) Outros elementos considerados relevantes e, se for o caso, uma
explicação dos dados incluídos nas informações.
6 - (Revogado pela Lei n.º 98/2017, de 24 de agosto)
7 - (Revogado pela Lei n.º 98/2017, de 24 de agosto)
8 - Caso exista mais do que uma entidade constituinte do mesmo
grupo de empresas multinacionais que sejam residentes para efeitos
fiscais na União Europeia e sejam aplicáveis uma ou mais das
condições previstas no n.º 2, o grupo de empresas multinacionais
pode designar uma dessas entidades constituintes para apresentar
a declaração por país, em relação a qualquer período de relato no
prazo previsto no n.º 4, e comunica a Autoridade Tributária e
Aduaneira que essa apresentação se destina a satisfazer o requisito
de apresentação de todas as entidades constituintes desse grupo de
empresas multinacionais que sejam residentes para efeitos fiscais
na União Europeia. (Aditado pela Lei n.º 98/2017, de 24 de agosto)
9 - Quando seja aplicável pelo menos uma das condições previstas
no n.º 2, a entidade constituinte é dispensada da obrigação de
apresentar uma declaração por país quando o grupo de empresas
multinacionais tiver apresentado, no prazo referido no n.º 3, uma
declaração por país, em relação a esse período de tributação,
através de uma entidade-mãe de substituição junto da
administração tributária do país ou jurisdição em que esta seja
residente para efeitos fiscais, desde que, no caso da entidade-mãe
de substituição ser residente fiscal fora da União Europeia, se
verifiquem as seguintes condições: (Aditado pela Lei n.º 98/2017, de 24 de
agosto)
Artigo 123.º
Obrigações contabilísticas das empresas
1 - As sociedades comerciais ou civis sob forma comercial, as
cooperativas, as empresas públicas e as demais entidades que
exerçam, a título principal, uma atividade comercial, industrial ou
agrícola, com sede ou direção efetiva em território português, bem
como as entidades que, embora não tendo sede nem direção efetiva
naquele território, aí possuam estabelecimento estável, são
obrigadas a dispor de contabilidade organizada nos termos da lei
que, além dos requisitos indicados no n.º 3 do artigo 17.º, permita o
controlo do lucro tributável.
2 - Na execução da contabilidade deve observar-se em especial o
seguinte:
a) Todos os lançamentos devem estar apoiados em documentos
justificativos, datados e suscetíveis de serem apresentados sempre
que necessário;
b) As operações devem ser registadas cronologicamente, sem
emendas ou rasuras, devendo quaisquer erros ser objeto de
regularização contabilística logo que descobertos.
3 - Não são permitidos atrasos na execução da contabilidade
superiores a 90 dias, contados do último dia do mês a que as
operações respeitam.
4 - (Revogado.) (Redação dada pelo Decreto-Lei n.º 28/2019, de 15 de fevereiro)
5 - (Revogado.) (Redação dada pelo Decreto-Lei n.º 28/2019, de 15 de fevereiro)
6 - (Revogado.) (Redação dada pelo Decreto-Lei n.º 28/2019, de 15 de fevereiro)
7 - (Revogado.) (Redação dada pelo Decreto-Lei n.º 28/2019, de 15 de fevereiro)
8 - As entidades referidas no n.º 1 devem dispor de capacidade de
exportação de ficheiros nos termos e formatos a definir por portaria
do Ministro das Finanças. (Redação da Lei n.º 42/2016, de 28 de dezembro)
9 - (Revogado.) (Redação dada pelo Decreto-Lei n.º 28/2019, de 15 de fevereiro).
Artigo 124.º
Regime simplificado de escrituração
1 - As entidades com sede ou direção efetiva em território português
que não exerçam, a título principal, uma atividade comercial,
industrial ou agrícola devem possuir obrigatoriamente os seguintes
registos:
a) Registo de rendimentos, organizado segundo as várias categorias
de rendimentos considerados para efeitos de IRS;
b) Registo de encargos, organizado de modo a distinguirem-se os
encargos específicos de cada categoria de rendimentos sujeitos a
imposto e os demais encargos a deduzir, no todo ou em parte, ao
rendimento global;
c) Registo de inventário, em 31 de dezembro, dos bens suscetíveis
de gerarem ganhos tributáveis na categoria de mais-valias.
2 - Os registos referidos no número anterior não abrangem os
rendimentos das atividades comerciais, industriais ou agrícolas
eventualmente exercidas a título acessório, pelas entidades aí
mencionadas, devendo, caso existam esses rendimentos, ser
também organizada uma contabilidade que, nos termos do artigo
anterior, permita o controlo do lucro apurado nessas atividades.
3 - O disposto no número anterior não se aplica quando os
rendimentos totais obtidos em cada um dos dois exercícios
anteriores não excedam €150 000, e o sujeito passivo não opte por
organizar uma contabilidade que, nos termos do artigo anterior,
permita o controlo do lucro apurado nessas atividades.
4 - (Revogado.)
5 - É aplicável à escrituração referida no n.º 1 e, bem assim, à
contabilidade organizada nos termos do n.º 2 o disposto nos [Link] 2 e
3 do artigo anterior e no Decreto-Lei n.º 28/2019, de 15 de fevereiro.
(Redação do Decreto-Lei n.º 28/2019, de 15 de fevereiro).
Artigo 125.º
Faturação e arquivo
1 - Os sujeitos passivos com sede ou direção efetiva em território
nacional, bem como aqueles que aí possuam estabelecimento
estável, estão sujeitos às obrigações de faturação e de conservação
de livros, registos e respetivos documentos de suporte nos termos
previstos no Código do IVA e no Decreto-Lei n.º 28/2019, de 15 de
fevereiro. (Redação do Decreto-Lei n.º 28/2019, de 15 de fevereiro).
2 - (Revogado.) (Redação do Decreto-Lei n.º 28/2019, de 15 de fevereiro).
Artigo 126.º
Representação de entidades não residentes
1 - As entidades que, não tendo sede nem direção efetiva em
território português, não possuam estabelecimento estável aí
situado mas nele obtenham rendimentos, assim como os sócios ou
membros referidos no n.º 11 do artigo 5.º, são obrigadas a designar
uma pessoa singular ou coletiva com residência, sede ou direção
efetiva naquele território para as representar perante a
administração fiscal quanto às suas obrigações referentes a IRC.
(Redação da Lei n.º 75-B/2020, de 31 de dezembro)
2 - O disposto no número anterior não é aplicável, sendo a
designação de representante meramente facultativa, em relação às
entidades que sejam consideradas, para efeitos fiscais, como
residentes noutro Estado membro da União Europeia ou do Espaço
Económico Europeu, neste último caso desde que esse Estado
membro esteja vinculado a cooperação administrativa no domínio da
fiscalidade equivalente à estabelecida no âmbito da União Europeia.
3 - A designação a que se referem os números anteriores é feita na
declaração de início de atividade ou de alterações, devendo dela
constar expressamente a sua aceitação pelo representante.
4 - Na falta de cumprimento do disposto no n.º 1, e
independentemente da penalidade que ao caso couber, não há lugar
às notificações previstas neste Código, sem prejuízo de os sujeitos
passivos poderem tomar conhecimento das matérias a que as
mesmas respeitariam junto da Autoridade Tributária e Aduaneira.
SECÇÃO II
Outras obrigações acessórias de entidades
públicas e privadas
Artigo 127.º
Deveres de cooperação dos organismos
oficiais e de outras entidades
1 - Os serviços, estabelecimentos e organismos do Estado, das
regiões autónomas e das autarquias locais, incluindo os dotados de
autonomia administrativa ou financeira e ainda que personalizados,
as associações e federações de municípios, bem como outras
pessoas coletivas de direito público, as pessoas coletivas de
utilidade pública, as instituições particulares de solidariedade social
e as empresas públicas devem, por força do dever público de
cooperação com a administração fiscal, apresentar anualmente o
mapa recapitulativo previsto na alínea f) do n.º 1 do artigo 29.º do
Código do IVA.
2 - As entidades que paguem subsídios ou subvenções não
reembolsáveis a sujeitos passivos de IRC devem entregar à AT, até
ao final do mês de fevereiro de cada ano, uma declaração de
modelo oficial, referente aos rendimentos atribuídos no ano anterior.
Artigo 128.º
Obrigações das entidades que devam
efetuar retenções na fonte
O disposto nos artigos 119.º e 120.º do Código do IRS é aplicável
com as necessárias adaptações às entidades que sejam obrigadas
a efetuar retenções na fonte de IRC.
Artigo 129.º
Obrigações acessórias relativas a valores
mobiliários
O disposto nos artigos 125.º e 138.º do Código do IRS é aplicável
com as necessárias adaptações às entidades intervenientes no
mercado de valores mobiliários quando se trate de titulares que
sejam sujeitos passivos de IRC.
Artigo 130.º
Processo de documentação fiscal
1 - Os sujeitos passivos de IRC, com exceção dos isentos nos
termos do artigo 9.º, são obrigados a manter em boa ordem, durante
o prazo de 10 anos, um processo de documentação fiscal relativo a
cada período de tributação, que deve estar constituído até ao termo
do prazo para entrega da declaração a que se refere a alínea c) do
n.º 1 do artigo 117.º, com os elementos contabilísticos e fiscais a
definir por portaria do membro do Governo responsável pela área
das finanças. (Redação da Lei n.º 7-A/2016, de 30 de março)
(Cfr. norma transitória no final do diploma, de acordo com a Lei n.º 114/2017, de 29 de
dezembro)
2 - O referido processo deve estar centralizado em estabelecimento
ou instalação situada em território português nos termos do artigo
125.º ou nas instalações do representante fiscal, quando o sujeito
passivo não tenha a sede ou direção efetiva em território português
e não possua estabelecimento estável aí situado.
3 - Os sujeitos passivos cuja situação tributária deve ser
acompanhada pela Unidade dos Grandes Contribuintes, de acordo
com os critérios fixados na portaria do membro do Governo
responsável pela área das finanças prevista no n.º 3 do artigo 68.º-B
da Lei Geral Tributária, são obrigados a proceder à entrega do
processo de documentação fiscal e do processo de documentação
respeitante à política adotada em matéria de preços de
transferência, no prazo previsto para a entrega da declaração anual
referida na alínea c) do n.º 1 do artigo 117.º. (Redação da Lei n.º 119/2019,
de 18 de setembro)
4 - As entidades a que seja aplicado o regime especial de tributação
dos grupos de sociedades são obrigadas a proceder à entrega do
processo de documentação fiscal no prazo previsto para a entrega
da declaração anual referida na alínea c) do n.º 1 do artigo 117.º.
(Redação da Lei n.º 119/2019, de 18 de setembro)
Artigo 135.º
Registo de sujeitos passivos
1 - Com base nas declarações para inscrição no registo e de outros
elementos de que disponha, a Autoridade Tributária e Aduaneira
organiza um registo dos sujeitos passivos de IRC.
2 - O registo a que se refere o número anterior é atualizado tendo
em conta as alterações verificadas em relação aos elementos
anteriormente declarados, as quais devem ser mencionadas na
declaração de alterações no registo.
3 - O cancelamento da inscrição no registo verifica-se face à
respetiva declaração de cessação ou em consequência de outros
elementos de que a Autoridade Tributária e Aduaneira disponha.
Artigo 136.º
Processo individual
1 - O serviço fiscal competente deve organizar em relação a cada
sujeito passivo um processo, com caráter sigiloso, em que se
incorporem as declarações e outros elementos que se relacionem
com o mesmo.
2 - Os sujeitos passivos, através de representante devidamente
credenciado, podem examinar no respetivo serviço fiscal o seu
processo individual.
CAPÍTULO VIII
Garantias dos contribuintes
Artigo 137.º
Reclamações e impugnações
1 - Os sujeitos passivos de IRC, os seus representantes e as
pessoas solidária ou subsidiariamente responsáveis pelo
pagamento do imposto podem reclamar ou impugnar a respetiva
liquidação, efetuada pelos serviços da administração fiscal, com os
fundamentos e nos termos estabelecidos no Código de
Procedimento e de Processo Tributário.
2 - A faculdade referida no número anterior é igualmente conferida
relativamente à autoliquidação, à retenção na fonte e aos
pagamentos por conta, nos termos e prazos previstos nos artigos
131.º a 133.º do Código de Procedimento e de Processo Tributário,
sem prejuízo do disposto nos números seguintes.
3 - A reclamação, pelo titular dos rendimentos ou seu representante,
da retenção na fonte de importâncias total ou parcialmente
indevidas só tem lugar quando essa retenção tenha caráter
definitivo e deve ser apresentada no prazo de dois anos a contar do
termo do prazo de entrega, pelo substituto, do imposto retido na
fonte ou da data do pagamento ou colocação à disposição dos
rendimentos, se posterior.
4 - A impugnação dos atos mencionados no n.º 2 é obrigatoriamente
precedida de reclamação para o diretor de finanças competente, nos
casos previstos no Código de Procedimento e de Processo
Tributário.
5 - As entidades referidas no n.º 1 podem ainda reclamar e
impugnar a matéria coletável que for determinada e que não dê
origem a liquidação de IRC, com os fundamentos e nos termos
estabelecidos no Código de Procedimento e de Processo Tributário
para a reclamação e impugnação dos atos tributários.
6 - Sempre que, estando pago o imposto, se determine, em
processo gracioso ou judicial, que na liquidação houve erro
imputável aos serviços, são liquidados juros indemnizatórios nos
termos do artigo 43.º da Lei Geral Tributária.
7 - A faculdade referida no n.º 1 é igualmente aplicável ao
pagamento especial por conta previsto no artigo 106.º, nos termos e
com os fundamentos estabelecidos no artigo 133.º do Código de
Procedimento e de Processo Tributário.
Artigo 138.º
Acordos prévios sobre preços de
transferência
1 - Os sujeitos passivos podem solicitar à Autoridade Tributária e
Aduaneira, para efeitos do disposto no artigo 63.º do Código do IRC,
a celebração de um acordo que tenha por objeto estabelecer, com
caráter prévio, o método ou métodos suscetíveis de assegurar a
determinação dos termos e condições que seriam normalmente
acordados, aceites ou praticados entre entidades independentes
nas operações comerciais e financeiras, incluindo as prestações de
serviços intragrupo e os acordos de partilha de custos, efetuadas
com entidades com as quais estejam em situação de relações
especiais ou em operações realizadas entre a sede e os
estabelecimentos estáveis.
2 - Sempre que o sujeito passivo pretenda incluir no âmbito do
acordo operações com entidades com as quais existam relações
especiais residentes em país com o qual tenha sido celebrada uma
convenção para evitar a dupla tributação, e pretenda que o acordo
tenha caráter bilateral ou multilateral, deve solicitar que o pedido, a
que se refere o número anterior, seja submetido às respetivas
autoridades competentes no quadro do procedimento amigável a
instaurar para o efeito.
3 - O pedido é dirigido ao diretor-geral da Autoridade Tributária e
Aduaneira e deve:
a) Apresentar uma proposta sobre os métodos de determinação dos
preços de transferência devidamente fundamentada e instruída com
a documentação relevante;
b) Identificar as operações abrangidas e o período de duração;
c) Ser subscrito por todas as entidades intervenientes nas
operações que se pretende incluir no acordo;
d) Conter uma declaração do sujeito passivo sobre o cumprimento
do dever de colaboração com a administração tributária na
prestação de informações e o fornecimento da documentação
necessária sem que possa ser oposta qualquer regra de sigilo
profissional ou comercial.
e) Fornecer os elementos necessários, nos termos do disposto no
n.º 12 do artigo 6.º do Decreto-Lei n.º 61/2013, de 10 maio, na sua
redação atual, para, sendo esse o caso, a Autoridade Tributária e
Aduaneira assegurar a troca obrigatória e automática de
informações ao abrigo da cooperação administrativa entre
autoridades competentes dos Estados-Membros da União Europeia
ou com outras jurisdições. (Aditado pela Lei n.º 98/2017, de 24 de agosto)
4 - O acordo alcançado entre a Autoridade Tributária e Aduaneira e
as autoridades competentes de outros países, quando for o caso, é
reduzido a escrito e os respetivos termos são comunicados ao
sujeito passivo, para efeito de manifestar, por escrito, a sua
aceitação. (Redação da Lei n.º 119/2019, de 18 de setembro)
5 - O acordo é confidencial e as informações transmitidas pelo
sujeito passivo no processo de negociação estão protegidas pelo
dever de sigilo fiscal, sem prejuízo das obrigações em matéria de
troca de informação para efeitos fiscais a que o Estado português se
encontre vinculado. (Redação da Lei n.º 119/2019, de 18 de setembro)
6 - O acordo deve conter, designadamente, o método ou os métodos
adotados, as operações abrangidas, os pressupostos de base, as
condições de revisão, revogação e de prorrogação e o prazo de
vigência, que não pode ultrapassar quatro anos. (Redação da Lei n.º
119/2019, de 18 de setembro)
7 - Não havendo alterações na legislação aplicável nem variações
significativas das circunstâncias económicas e operacionais e
demais pressupostos de base que fundamentam os métodos, a
Autoridade Tributária e Aduaneira fica vinculada a atuar em
conformidade com os termos estabelecidos no acordo.
8 - Os sujeitos passivos não podem reclamar ou interpor recurso do
conteúdo do acordo.
9 - Os sujeitos passivos que tenham requerido a celebração de
acordos prévios sobre preços de transferência ficam obrigados a
comunicar à Autoridade Tributária e Aduaneira qualquer alteração
aos elementos transmitidos no pedido inicial que seja relevante para
efeitos da troca obrigatória e automática de informações ao abrigo
da cooperação administrativa. (Redação da Lei n.º 98/2017, de 24 de agosto)
10 - Os requisitos e condições para a formulação do pedido, bem
como os procedimentos, informações e documentação ligados à
celebração dos acordos, são regulamentados por portaria do
membro do Governo responsável pela área das finanças. (Anterior n.º 9
– Redação da Lei n.º 98/2017, de 24 de agosto)
Artigo 139.º
Prova do preço efetivo na transmissão de
imóveis
1 - O disposto no n.º 2 do artigo 64.º não é aplicável se o sujeito
passivo fizer prova de que o preço efetivamente praticado nas
transmissões de direitos reais sobre bens imóveis foi inferior ao
valor patrimonial tributário que serviu de base à liquidação do
imposto municipal sobre as transmissões onerosas de imóveis.
2 - Para efeitos do disposto no número anterior, o sujeito passivo
pode, designadamente, demonstrar que os custos de construção
foram inferiores aos fixados na portaria a que se refere o n.º 3 do
artigo 62.º do Código do Imposto Municipal sobre Imóveis, caso em
que ao montante dos custos de construção deverão acrescer os
demais indicadores objetivos previstos no referido Código para
determinação do valor patrimonial tributário.
3 - A prova referida no n.º 1 deve ser efetuada em procedimento
instaurado mediante requerimento dirigido ao diretor de finanças
competente e apresentado em janeiro do ano seguinte àquele em
que ocorreram as transmissões, caso o valor patrimonial tributário já
se encontre definitivamente fixado, ou nos 30 dias posteriores à data
em que a avaliação se tornou definitiva, nos restantes casos.
4 - O pedido referido no número anterior tem efeito suspensivo da
liquidação, na parte correspondente ao valor da diferença positiva
prevista no n.º 2 do artigo 64.º, a qual, no caso de indeferimento
total ou parcial do pedido, é da competência da Autoridade Tributária
e Aduaneira.
5 - O procedimento previsto no n.º 3 rege-se pelo disposto nos
artigos 91.º e 92.º da Lei Geral Tributária, com as necessárias
adaptações, sendo igualmente aplicável o disposto no n.º 4 do artigo
86.º da mesma lei.
6 - Em caso de apresentação do pedido de demonstração previsto
no presente artigo, a administração fiscal pode aceder à informação
bancária do requerente e dos respetivos administradores ou
gerentes referente ao período de tributação em que ocorreu a
transmissão e ao período de tributação anterior, devendo para o
efeito ser anexados os correspondentes documentos de
autorização.
7 - A impugnação judicial da liquidação do imposto que resultar de
correções efetuadas por aplicação do disposto no n.º 2 do artigo
64.º, ou, se não houver lugar a liquidação, das correções ao lucro
tributável ao abrigo do mesmo preceito, depende de prévia
apresentação do pedido previsto no n.º 3, não havendo lugar a
reclamação graciosa.
8 - A impugnação do ato de fixação do valor patrimonial tributário,
prevista no artigo 77.º do Código do Imposto Municipal sobre
Imóveis e no artigo 134.º do Código de Procedimento e de Processo
Tributário, não tem efeito suspensivo quanto à liquidação do IRC
nem suspende o prazo para dedução do pedido de demonstração
previsto no presente artigo.
CAPÍTULO IX
Disposições finais
Artigo 140.º
Recibo de documentos
1 - Quando neste Código se determine a entrega de declarações ou
outros documentos em mais de um exemplar, um deles deve ser
devolvido ao apresentante, com menção de recibo.
2 - Nos casos em que a lei estabeleça a apresentação de
declaração ou outro documento num único exemplar, pode o
obrigado entregar cópia do mesmo, para efeitos do disposto no
número anterior.
3 - (Revogado.)
Artigo 141.º
Envio de documentos
1 - As declarações e outros documentos que, nos termos deste
Código, devam ser apresentados em qualquer serviço da
administração fiscal, podem ser remetidos pelo correio, sob registo
postal, ou por telefax, desde que, sendo necessário, possa
confirmar-se o conteúdo da mensagem e o momento em que foi
enviada.
2 - No caso de remessa pelo correio, a mesma pode ser efetuada
até ao último dia do prazo fixado, considerando-se que foi efetuada
na data constante do carimbo dos CTT ou na data do registo.
3 - Ocorrendo extravio, a administração fiscal pode exigir segunda
via, que, para todos os efeitos, se considera como remetida na data
em que, comprovadamente, o tiver sido o original.
Artigo 142.º
Classificação das atividades
As atividades exercidas pelos sujeitos passivos de IRC são
classificadas, para efeitos deste imposto, de acordo com a
Classificação Portuguesa de Atividades Económicas - CAE, do
Instituto Nacional de Estatística.
Norma transitória, nos termos do art.º 264.º da Lei n.º 114/2017, de
29 de dezembro
1 - Deve ser incluído no lucro tributável do grupo, determinado nos
termos do artigo 70.º do Código do IRC, relativo ao primeiro período
de tributação que se inicie em ou após 1 de janeiro de 2018, um
quarto dos resultados internos que tenham sido eliminados ao
abrigo do anterior regime de tributação pelo lucro consolidado, em
vigor até à alteração promovida pela Lei n.º 30-G/2000, de 29 de
dezembro, na sua redação atual, ainda pendentes, no termo do
período de tributação com início em ou após 1 de janeiro de 2017,
de incorporação no lucro tributável, nos termos do regime transitório
previsto na alínea a) do n.º 2 do artigo 7.º da referida lei,
nomeadamente por não terem sido considerados realizados pelo
grupo até essa data, continuando a aplicar-se este regime transitório
relativamente ao montante remanescente daqueles resultados.
2 - É devido, durante o mês de julho de 2018 ou, nos casos dos [Link]
2 e 3 do artigo 8.º do Código do IRC, no sétimo mês do primeiro
período de tributação que se inicie após 1 de janeiro de 2018, um
pagamento por conta autónomo, em valor correspondente à
aplicação da taxa prevista no n.º 1 do artigo 87.º do Código do IRC
sobre o valor dos resultados internos incluídos no lucro tributável do
grupo nos termos do número anterior, o qual será dedutível ao
imposto a pagar na liquidação do IRC relativa ao primeiro período
de tributação que se inicie em ou após 1 de janeiro de 2018.
3 - Em caso de cessação ou renúncia à aplicação do regime
especial de tributação dos grupos de sociedades, estabelecido nos
artigos 69.º e seguintes do Código do IRC, no decorrer do período
previsto no n.º 1, o montante dos resultados internos referido nesse
n.º 1 deve ser incluído, pela sua totalidade, no último período de
tributação em que aquele regime se aplique.
4 - O contribuinte deve dispor de informação e documentação que
demonstre os montantes referidos no n.º 1, que integra o processo
de documentação fiscal, nos termos do artigo 130.º do Código do
IRC.
Artigo 143.º
(Aditado pela Lei n.º 119/2019, de 18 de setembro)
Volume de negócios
1 - Para efeitos do presente Código e da legislação respeitante a
quaisquer outros impostos que direta ou indiretamente incidam
sobre os lucros, o volume de negócios corresponde ao valor das
vendas e dos serviços prestados, sem prejuízo do disposto dos
números seguintes.
2 - Incluem-se, ainda, no volume de negócios as rendas relativas a
propriedades de investimento tal como se encontram definidas na
normalização contabilística especificamente aplicável, ainda que
estejam reconhecidas como ativos fixos tangíveis, quando obtidas
no âmbito de uma atividade que integre o objeto social do sujeito
passivo.
3 - No caso dos bancos, empresas de seguros e outras entidades
do setor financeiro para as quais esteja prevista a aplicação de
planos de contabilidade específicos, o volume de negócios é
substituído pelos juros e rendimentos similares e comissões ou
pelos réditos de contratos de seguro e comissões de contratos de
seguro e operações consideradas para efeitos contabilísticos como
contratos de investimento ou como contratos de prestação de
serviços, consoante a natureza da atividade exercida pelo sujeito
passivo. (Redação da Lei n.º 82-A/2023, de 29 de dezembro)