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Ontologia e Metafísica Geral: Conceitos Essenciais

Mércio Santos Tomás Américo
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Ontologia e Metafísica Geral: Conceitos Essenciais

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Índice

Introdução ......................................................................................................................................3

Ontologia ou metafísica geral.......................................................................................................3

O que é ser?....................................................................................................................................3

As categorias do ser ( substância e o acidente)..........................................................................3

A cadeia aristotélica das causas ..................................................................................................7

Provas da existência de S. Tomás de Aquino, Deus....................................................................8

A metafísica e o fim último do homem........................................................................................8

A Estética ......................................................................................................................................9

Conceito de estética......................................................................................................................9

A essência do belo.......................................................................................................................10

O belo como fundamento da arte ..............................................................................................11

Divisão e classificação das artes...............................................................................................11

Significado e valor social das práticas artísticas......................................................................12

A relação entre a arte e a moral .................................................................................................13

Conclusão.....................................................................................................................................14

Referências Bibliográficas ..........................................................................................................15

Introdução

1
O presente trabalho é da disciplina de filosofia e tem como principal tema a ontologia ou a
metafísica geral, de facto a ontologia como metafísica geral é a parte da Filosofia que se ocupa pelos
problemas relativos ao ser enquanto ser, isto é, do ser na sua generalidade, e das qualidades ou
propriedades que pertencem ao ser enquanto tal. Portanto, a ontologia como metafísica geral é a
filosofia do ser enquanto ser e não tomado nas suas partes.

v A metodologia do trabalho

A metodologia utilizada nesse trabalho foi de natureza qualitativa, sendo uma pesquisa exploratória,
“uma pesquisa cujo objectivo proporciona maior familiaridade com o problema, com vistas a torná-
lo mais explícito ou a constituir hipóteses.” a partir dessa pesquisa conseguimos atestar hipóteses. O
autor optou por pesquisa bibliográfica, navegação no meio tecnológico através de busca de sites da
internet, artigo ,links entre outros meios afins.

1. Ontologia ou metafísica geral

1.1. Noção e objecto da ontologia (ou metafisica geral)

2
Etimologicamente, a palavra «ontologia» deriva de dois termos gregos: onto, que significa «ser»,
«ente», «individuo», e logia, que quer dizer «tratado», a saber, «estudo», «doutrina»,
«investigação».

Neste sentido, a ontologia como metafisica geral é a parte da Filosofia que se ocupa dos problemas
relativos ao ser enquanto ser, isto é, do ser na sua generalidade, e das qualidades ou propriedades
que pertencem ao ser enquanto tal. Portanto, a ontologia como metafisica geral é a filosofia do ser
enquanto ser e não tornado nas suas partes; é o estudo do ser nas suas variadas formas.

O termo «ontologia» foi cunhado por Aristóteles no seu livro Metafísica IV, I.

O que é um ser? Que qualidades podemos encontrar no ser? Por que princípios se rege o ser?

Destas e de outras perguntas similares se ocupa a ontologia. Por isso, constitui objecto de estudo da
ontologia o ser enquanto é, mas somente enquanto é e não enquanto é isto ou aquilo enquanto ser
determinado. Neste sentido, o objecto da ontologia é muito abstracto e de máxima extensão, dado
que abrange tudo quanto é, e de compreensão mínima, visto que se abstrai de qualquer
propriedade particularizante, Portanto, diferentemente das demais ciências que se dedicam ao
estudo das coisas que são isto ou aquilo, que têm esta ou aquela característica, esta ou aquela
atitude comportamental, a ontologia estuda as coisas simplesmente enquanto são. E porque toda a
realidade, encarada como ser, pode constituir objecto de da ontologia, conclui-se que o seu objecto
é a totalidade ôntica.

1.2. O ser, o que é?

Ser é tudo quando existe, independentemente do modo como é. Trata-se, pois, de uma noção
quantitativamente genérica e complexa e qualitativamente menos compreensiva. Mas porquê?

Por um lado, porque o conceito «ser» é um género suprema, dai que não exista um outro conceito
que seja o seu género próximo, isto é, um conceito em que este se posso incluir como elemento e ou
espécie E porque é um conceito que escapa a uma definição rigorosa, visto não possuir uma
característica peculiar, a que os lógicos chamam diferença especifica, que não seja o ser.

1.3. As categorias do ser: (substância e acidente)

Quando falamos das categorias do ser, referimo-nos grandes divisões que o mesmo comporta.

De acordo com Aristóteles, o grande metafisico, existem dez categorias do ser, sendo que a primeira
é a sustância e as restantes nove são acidentes.

A substância, ou modo de ser substancial, pode ser entendida como «aquilo que é em si e por si e
não em outra coisa»; é o substrato a partir do qual encontramos as qualidades ou os acidentes. E o
que permanece como algo subsistente, que tem um ser próprio e que, por isso, não pode ser
afirmado a propósito de um sujeito nem se encontra nele. São todas as coisas concretas e
individuais: o homem, o cão, o lápis, o caderno, o Pão.

Aristóteles distingue dais tipos de substâncias: a primeira e a segunda. Entende-se por substância
primeira as coisas individualizadas, ou seja, os indivíduos na sua singularidade (este caderno, o João,
o meu professor, a casa onde moro, a escola onde estudo, etc.) e a substância segunda, tudo quanto

3
existe como pensamento (casa, escola, professor, caderno, homem, etc.). São conceitos que se
traduzem em definições, ou seja, são as espécies e os géneros que nos permitem atribuir certas
qualidades as coisas individualizadas, isto é, as substâncias primeiras (O João é um homem, aquela é
a casa onde moro, etc.).

Assim, conclui-se que a substância primeira se refere a indivíduos singulares e concretos e a


substância segunda diz respeito às espécies e géneros singulares e abstractos.

Pelo contrário, acidente é tudo aquilo que ocorre ou acontece, aquilo que para ser necessita de se
apoiar numa substância e, por isso, pode afirmar-se de um sujeito, ser substanciado, uma vez que
constitui a sua característica.

O acidente só existe na substância; é o predicado da substância, quer dizer, não existe em si e por si.
A sua existência está dependente de um outro ser no qual se pode consubstanciar o seu ser.

Se a substância é o que permanece no individuo, mesmo depois de este sofrer algumas


vicissitudes e intempéries, o acidente é o que está sujeito a mudanças no individuo, é «aquilo que
sucede ou acontece» no individuo na sua categoria de substância. É o que se diz da substância
primeira, ou seja, do individuo na sua singularidade. Em suma, o acidente é o predicado de uma
determinada substância, e não o contrário. Por isso, posso dizer que «a minha escola é linda»,
«Mataka é inteligente» e «o meu automóvel é veloz», e não o contrário.

Assim, distinguem-se dez categorias de ser, sendo que a primeira é a substância; as restantes nove
constituem a classe dos acidentes. Quais são esses acidentes?

 Qualidade – a forma ou determinação da substância (por exemplo, professor, inteligente,


simpático, etc.)

 Quantidade – a determinação da substância que permite atribui-la a partes distintas das


outras (por exemplo, grande, pequeno, 1,64 m de altura, 12 g, etc.).

 Relação – a ligação ou referência que a substância, ou até o acidente, estabelece com outra
substância ou acidente (por exemplo, pai, filho, primo, chefe, mestre, etc.).

 Tempo – momento, ou ocasião, apropriado ou disponível para que uma coisa se realize, ou
seja, curso de eventos extrínsecos que dura um determinado período (por exemplo,
«Moçambique tornou-se independente no dia 25 de Junho de 1975», de manhã, ao meio-
dia, tarde, etc.).

 Lugar – espaço que um corpo substanciado ocupa em relação a outros corpos (por exemplo,
na escola, no mercado, no cinema, próximo da padaria, em casa, na sala, etc.).

 Acção – o que a substância faz usando as suas faculdades ou poderes causando efeito em si
mesma ou noutros corpos circundados por uma substância (por exemplo, dialogar, conduzir
um automóvel, bater em alguém, etc.).

 Estado – luxo, pompa, fausto, ostentação, magnificência, ou seja, conjunto de bens ou


instrumentos que, por sua habilidade, complementam a natureza da substância, permitindo
a preservação e conservação da mesma ou de outras substâncias corpóreas.

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 Posição – lugar ou postura relativa ocupada pela substância ou parte dela face a outras (por
exemplo, sentado ler um romance, de pé a apreciar a paisagem, deitado a ouvir música,
etc.).

 Paixão – sentimento, ou emoção, desencadeado por um agente que, ao sobrepor-se lucidez


e razão, provoca sofrimento numa determinada substância (por exempla, a perda de um
ente querido, a condenação de Sócrates, a crucificação de Cristo, o ferimento, etc.).

Potência e acto

Aristóteles recorre a duas noções fundamentais para explicar o dinamismo do ser: potência e
acto.

Entende-se por potência a possibilidade que uma matéria tem de vir a ser algo em acto; é o
carácter dinâmico da matéria que lhe permite possuir um determinado modo de ser e que lhe
confere a capacidade do devir. E assim que, por exempla, a farinha de trigo é, em potência, um pão
ou um bolo, ou seja, possui a capacidade de vir a ser algo que antes não era. Da mesma forma, o
algodão que o camponês produz ainda não é um tecido, contudo possui em si a potência, isto é, a
possibilidade de vir a ser um tecido, uns calções, umas calças, ou outra coisa. Se estou sentado a
escrever, posso levantar-me e esticar os braços. Se sou aprendiz de filosofia, posso ou não vir a ser
um filósofo.

Se a potência é a capacidade que permite ao ser mudar de actualidade, ou seja, o carácter dinâmico
do ser, o acto é «o que faz ser aquilo que é», é o ser real, é o que o determina. Por isso, dizer que
uma coisa está em acto é o mesmo que dizer que tal coisa tem actualidade ou existência, ou seja,
que passou da potencia de ser algo ao acto de ser, Por exemplo, a camisa do teu uniforme está em
acto, isto é, existe actualmente, já não é aquele simples tecido que era antes de ser costurada pelo
alfaiate.

Potência e acto são dois conceitos correlativos, pois, enquanto a potência explica a multiplicidade e
a mudança, o acto explica a unidade do ser; enquanto a potência explica aquilo que a matéria ainda
não é, mas pode vir a ser, o acto explica a sua real existência, o que a matéria já é efectivamente.

Essência e existência

A essência e a existência são dois conceitos com significados ontológicos implicativos, tal como a
substância e o acidente. Pois, para além da sua clara distinção, o conceito de essência é correlativo
ao conceito de existência.

Em A Metafisica, VII, Aristóteles escreve: «a essência é o quê de uma coisa, isto é, não o que seja,
mas aquilo que uma coisa é», ou seja, é o que é uma coisa, podendo caracterizá-la e distingui-la do
que ela não e; é qualidade ou determinação sem a qual uma coisa não seria o que factualmente é. A
essência é, portanto, a substância segunda, ou seja, tudo quanto existe como pensamento. A
essência refere-se, neste sentido, as características fundamentais da substância.

Ela não existe por si só, mas existe como pensamento. Se o conceito de essência é equivalente
substância segunda, a existência é a substância primeira. Por conseguinte, é na existência que o ser
se manifesta e se revela enquanto realidade.

5
A existência é a actualização da essência; é a realidade, a substância em acto. Por isso, para
Aristóteles, o filósofo grego, a substância pode ser entendida como a existência, porquanto nela
residem todas as propriedades que determinam um ente (tudo o que é de maneira concreta, fáctica
ou actual).

A essência e a existência constituem dois princípios necessários e, ao mesmo tempo,


complementares para a afirmação ou a constituição de qualquer ser, de tal forma é inconcebível um
ser sem essência ou um ser sem existência. Consequentemente, pensar num caderno não é o
mesmo que ver um caderno. O caderna como pensamento não passa de uma ideia ou essência.

Já o caderno onde escrevo os meus apontamentos é algo existente, em acto. Portanto, existir
significa «sair», «manifestar-se», «mostrar-se., e «revelar-se», c sai, [Link] e mostra-se
somente aquilo que possui uma determinada essência. Por isso, era frequente ouvir, entre os
filósofos clássicos, que a essência nada é sem a existência e a existência não é sem a essência. Daqui
emergem duas correntes filosóficas modernas: o essencialismo e o existencialismo.

O essencialismo defende a primazia da essência sobre a existência – o ser define-se primeiramente e


só depois se torna isto ou aquilo , enquanto o existencialismo defende a primazia da existência sobre
a essência, ou seja, uma pessoa não tem qualquer natureza ou conjunto de escolhas
predeterminadas, pois é sempre livre para fazer novas escolhas e constituir-se como uma pessoa
diferente. O existencialismo, embora seja um tema antigo, teve o seu desenvolvimento, corno
corrente na Europa, no período entre as duas grandes guerras mundiais, e as suas características
fundamentais são as seguintes.

A valorização do individuo como algo irredutível, e não como algo insignificante e reduzido sua
totalidade. O que existe verdadeiramente é o individuo na sua singularidade, é o individuo singular,
uno e irrepetível («existir» significa ser diferente). Por isso, no que diz respeito ao ser humano, «o
homem primeiramente existe e só mais tarde se torna isto ou aquilo», ou seja, a existência precede
a essência, como afirma Jean-Paul Sartre na sua obra O Ser e o Nada.

A valorização da liberdade do homem enquanto ser situado no universo. Se a essência é o


pensamento, a existência é a manifestação do ser, ou seja, a liberdade que se afirma no ser contra
todas as limitações impostas pela natureza. Portanto, o exercício da liberdade, enquanto
manifestação do ser, não deve ser limitado pela natureza humana. Como afirma Sartre:

 «O homem está condenado a ser livre», isto é, o homem, enquanto manifestação do ser
substanciado, ou seja, corpóreo, é livre de se tornar o que quiser, uma vez que a sua
construção é algo de permanente e constante enquanto ser situado no mundo. Neste
sentido, ser homem significa ser capaz de construir a sua personalidade medida que se vai
buscando valores por si mesmo escolhidas e tomados como paradigmáticos.

1.4. A cadeia aristotélica de causas: Tomás de Aquino e as Cinco Vias ( provas da existência de
Deus)

Se o ser é tudo quanto é, ou seja, tudo quanto existe e pode passar da potência ao acto e do
imperfeito ao perfeito, há que procurar compreender esta força ou razão transformadora das coisas
que confere um determinado modo de ser: a causa. A causa pode ser entendida como a condição da
existência de qualquer coisa, ou seja, é tudo o que concorre para a produção de qualquer coisa. No

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entender de Aristóteles, os seres criados não têm a razão de ser em si mesmos e distingue quatro
causas que concorrem para a produção de qualquer coisa:

 Causa eficiente – condição do fenómeno que produz outro fenómeno, ou seja, aquilo que
produz uma coisa; é o artífice que confere o ser que antes uma coisa não possuía (por
exemplo, o carpinteiro que dá madeira, a matéria-prima, forma da carteira onde estás
sentado).

 Causa material – condição ou aquilo de que uma coisa é feita (para o caso da carteira onde
estás sentado, a causa material seria a madeira).

 Causa formal – a forma ou o aspecto que um determinado ser toma ou que é plasmado pelo
seu criador (por exemplo, carteira rectangular, quadrada, etc.).

 Causa final – o propósito ou o objectivo com que uma coisa é feita (no caso da tua carteira,
seria apoiar-te, colocando o teu material escolar sobre ela, permitindo-te escrever ou ler).

Na Idade Média, o rema da causa voltou a ser actual e foi extensamente estudado, em especial por
Tomás de Aquino, que retoma a doutrina aristotélica da causa, enquadrada agora no âmbito do
pensamento escolástico. A Escolástica foi a corrente filosófica dominante na Idade Média, ensinada
nas escolas da igreja, e que combinava doutrinas religiosas e assuntos teológicos com filosofia.
Tomas de Aquino apresentou na sua mais famosa obra, Summa Theologiae (Suma Teológica), e
enquadrado na temática da causa, que, para este pensador, é aquilo ao qual algo se segue
necessariamente, as Cinco Vias, que também ficaram conhecidas como as provas da existência de
Deus. São elas:

 1. O movimento do mundo só é explicável se existir um primeiro motor imóvel;

 2. A série de causas eficientes no mundo devem conduzir d uma causa sem causa;

 3. Os seres contingentes e corruptíveis devem depender de um ser necessário independente


e incorruptível;

 4. Os diversos graus de realidade e bondade do mundo devem ser aproximações a um


máximo de realidade e bondade subsistente;

 5. A teleologia normal de agentes não conscientes no universo implica a existência de um


orientador universal inteligente.

Estas Cinco Vias foram consideradas bastante importantes na sua época, no contexto da reflexão
filosófica-teológica, mas posteriormente foram consideradas teses falaciosas.

1.5. A Metafísica e o fim último do Homem

Uma das grandes questões que o Homem se vem colocando é a que diz respeito aos fins para os
quais existe. Não há unanimidade sobre os fins para os quais o Homem foi criado. No entanto,
analisando as abordagens feitas pelos filósofos, parece haver uma visão teleológica para a existência
humana.

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Aristóteles, na obra Ética a Nicómaco, diz que toda a acção humana é feita em função de um fim.
Esse fim é o bem. Para o filósofo, esse bem tem de ser soberano e o bem soberano é a felicidade.
Portanto, ser feliz é o fim último da existência humana. A chave da felicidade compreende três
realidades: prazer, ser cidadão livre e responsável e viver segundo a razão.

Esta posição foi reiterada por Santo Agostinho, na época medieval. Para o hiponense, o Homem é
chamado a ser feliz. Mas o que se entende por felicidade? A felicidade não consiste na busca
incessante de bens materiais. Consiste, sim, na busca de um bem permanente — Deus. S. Tomás de
Aquino reconhece igualmente que o Homem é o único ser que age em função de um fim.

O facto de o Homem ser dono dos seus actos é o que o diferencia dos seres irracionais, razão por
que só aquelas mesmas acções de que ele é senhor podem chamar-se humanas. Ora, é por ser
dotado de razão e vontade que o Homem tem domínio sobre os seus actos, e a faculdade ou
potência conjunta de razão e vontade é o que se chama livre arbítrio. Com efeito, «todas as acções
que procedem de uma potencia são causadas por ela em razão de seu objecto» e o objecto da
vontade não é senão o bem e o fim. «Logo, é necessário que todas as acções humanas tenham em
vista um fim.» (A potência geradora das acções referidas é o Homem.)

Dante atribui ao Homem dois fins últimos: o fim sobrenatural (a salvação das almas individuais) e o
fim natural (a felicidade terrena, com o atendimento das necessidades materiais e a formação das
virtudes morais do homem no âmbito da pólis).

Para o pensador moçambicano Brazão Mazula, o homem tem de agir de acordo com a ética da
felicidade. O modelo da ética da felicidade baseia-se no trabalho duro, na criatividade e na
honestidade e não na acumulação ilícita de bens.

2. Estética

2.1. Conceito de estética

A palavra «estética» vem do grego aisthetiké, que etimologicamente significa tudo o que pode ser
percebido pelos sentidos. Atribui-se a sua origem igualmente à palavra grega aisthesis, que significa
«sentido» ou «sensibilidade». Quando falamos de estética, referimo-nos à disciplina da Filosofia que
se ocupa do estudo do belo.

Kant define a estética como a ciência que trata das condições da percepção pelos sentidos.

Todavia, sabe-se que o sentido que se atribui à estética nos nossos dias (coma teoria do belo e das
suas manifestações através da arte) remonta a Alexander Baumgarten.

O objecto de estudo da estética, enquanto ciência e teoria do belo, é o tipo de conhecimento


adquirido pelos sentidos como bela arte. O seu conceito refere o campo da experiência Humana que
o leva a classificar um objecto como bolo, agradável, em contradição com o que não é.

A estética, enquanto problemática filosófica, compreende os seguintes problemas, nomeadamente:


a natureza da arte, o seu fim e a sua relação com as outras esferas da Vida humana.

2.2. A essência do belo

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Desde a Antiguidade Clássica que os filósofos se interessam pelo belo e reflectiram sobre ele.

Platão entendeu a arte como urna imitação da natureza, que é, por sua vez, copia das ideias do
mundo das ideias, de acordo com a sua concepção do mundo. O alvo da imitação é o belo.

Aristóteles, contradizendo o seu mestre Platão, afirma que a arte não é apenas a imitação da
Natureza. Trata-se não de uma mera reprodução da Natureza, mas Sim de uma reprodução com a
intensão de a superar.

Para o italiano Gianbattista Vico (1668-1744), a arte é um modo fundamental e original de o homem
se expressar numa determinada fase do seu desenvolvimento. O desenvolvimento viquiano do
homem é composto por três etapas: a dos sentidos, a da fantasia e a da razão.

A arte é a expressão humana na fase da fantasia. Nesta fase, o homem exterioriza a sua percepção
da realidade através de criações fantásticas: poemas, mitos, pinturas, etc.

Esta posição foi contestada por Kant, que nega que a arte seja imitação da natureza da realidade.
Numa obra de arte, a sensibilidade expressa o universal no particular, o inteligível no sensível, o
número no fenómeno. Dito por outras palavras, pela obra de arte, o homem contempla realidades
meta-empíricas que jamais seriam acessíveis sua sensibilidade; estimula-se o prazer estético que
deleita o homem.

A arte como a mais sublime expressão humana da natureza e do universo opõe-se à própria
Natureza que o homem pretende exprimir e interpretar. Quando é a simples manifestação do belo
(obras belas), denomina-se belas-artes (designação comum às artes plásticas, sobretudo a pintura, a
escultura e a arquitetura).

Como afirma Platão em Fédon, sendo a beleza Luna ideia absolutamente perfeita, é o fim em si e
ama-se por si própria. Porém, quando a arte visa fins lucrativos, denomina-se artes úteis (são as
artes mecânicas). Estes dais tipos de obras artísticas diferem um do outro, tal como a belo difere do
útil. Pois se o belo se ama em virtude de si próprio, o útil ama-se em virtude do fim diferente de si
mesmo. O útil é relativo.

2.3. O belo como fundamento da arte

O que é belo é subjectivo. Dai a dificuldade em chegar a um consenso sobre o que é belo ou sobre o
que não o é, portanto, parece ser obvio que a classificação de uma abra de arte como bela é relativa.
Com efeito, não se fala, hoje em dia, de valores universais. Não existem valores eternos comungados
por todos os povos e em todos os tempos.

Como afirma Ferry, «A ética fundamentando o belo numa faculdade demasiado subjectiva para que
nela se possa facilmente encontrar alguma objectividade, a história da estética, pelo menos até aos
finais do século XVIII, iria antes do relativismo à busca de critérios.»

A sociedade moderna procura compreender o universal a partir do particular. É uma sociedade


epistemologicamente indutiva. Sendo assim, não era de esperar um consenso sobre a beleza das
grandes obras de arte. Como constata Ferry, é no domínio da estética que a tensão entre o individuo
e colectiva, entre o subjectivo e o objectivo se faz sentir de uma maneira mais forte.

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O belo é o que nos reúne mais facilmente e mais misteriosamente. Daqui resulta a visão de que a
obra de arte deve ser uma representação bela do mundo subjectivo do artista.

2. 4. Divisão e classificação das artes

a) Artes mecânicas (metalurgia e têxteis) – aqui a preocupação do artista é a utilidade da

sua obra, isto é, o lucro;

b) Belas-artes – Aqui a preocupação fundamental do artista é a expressão do gosto pelo

belo.

As belas-artes

Partindo da sua finalidade, que é a utilidade e a expressão do belo, podemos dividir a arte em
artes mecânicas (metalurgia e têxteis) e betas-artes- Enquanto nas artes mecânicas o artista está
preocupado com a utilidade da sua obra, isto é, c lucro, nas belas-artes a preocupação fundamental
do artista é a expressão do gosto pelo belo. Enquanto o belo se ama por si próprio, ou seja, pelo
facto de ser belo, o útil ama-se por aquilo que é, mas em razão da sua finalidade.

Portanto, o útil é sempre relativo, ao passo que a beleza é, como era proclamada por Platão,
absoluta e perfeita.

As belas-artes classificam-se em artes plásticas e artes rítmicas. Vejamos estes grupos.

Artes plásticas – são as artes que exprimem a beleza sensível através do uso das formas e das cores.
Estas compreendem:

A escultura – que representa imagens plásticas em relevo total ou parcial e expressa sentimentos e
atitudes através das formas Vivas, buscando a perfeição e a beleza sublimes;

A pintura – que, pela combinação imaginativa e sensitiva das cores, exprime a percepção que o
artista tem da Natureza. A pintura supera a escultura, pelo menos no homem, pela maneira como
fixa nele as suas expressões faciais;

A arquitectura – pela criatividade, esta atinge e expressa a beleza com equilibradas e agradáveis
proporções das massas pesadas.

As artes rítmicas (ou artes de movimento) – são artes que, na sua essência, produzem obras que
exprimem a beleza mediante várias formas: sons, ritmos e movimentos. Estas, por sua vez,
compreendem:

A poesia (ou seja, a arte literária) – com ritmo mais ou menos suavizado pelas rimas e palavras
harmonizadas entre si, cria uma sensação agradável e é recitada ou lida em silêncio;

A música (arte musical) – expressa a beleza através de acordes vocais, melodias e ritmos ou batidas
compassadas em tempos alternados. Com a simultaneidade de melodias, a música pode transmitir
sentimentos de vária ordem, assim como uma critica social. Através da música, o artista exprime o
que lhe vem da alma, ou o que gostaria que fosse, mas não é;

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A coreografia (ou a dança) – conhecida como arte mista ou arte da dança. Através de uma
sequência de movimentos corporais realizados de forma rítmica, ao som da música ou do canto, o
artista exprime o modo como vê, sente e encara o mundo a sua volta.

2.5. Significado e valor social das produções artísticas

As obras de arte retratam a Vida quotidiana de uma sociedade. Por esta razão, em parte, as obras de
arte não podem pretender representar o universal, porque constituem uma expressão da visão do
mundo do artista. Como a arte representa a percepção do artista do mundo em que Vive, torna-se a
janela através da qual a sociedade nela se revê. Ou seja, a sociedade espelha-se nas obras de arte,
porque estas são a sua representação.

Nem toda a gente tem a capacidade de fazer uma leitura critica da sociedade ou de ter um olhar
antecipado da realidade e o artista pode representar a sociedade de forma critica. Este poderá
igualmente intuir o que poderá vir a ser a sociedade [Link]

2.6. Relação entre arte e a moral(Contribuições de Kant e Platão).

Segundo Platão a arte é o fruto do amor que impele a alma àimortalidade. Para atingí-la, a alma gera
e procria o belo, antecipandodesta feita a vida feliz. No mundo das ideias, a alma vive feliz mediante
acontemplação da beleza subsistente. Para o alcance da felicidade, na vida terrena, a alma cria o
belo através das imitações da beleza. A arte ganhaainda mais importância pela sua relação com a
moral em Platão. ParaPlatão a arte deve subordinar-se à moral. Por conseguinte deve serfavorecida
só a arte que é útil à educação. A arte que favorece acorrupção (corrupção dos valores morais) deve
ser excluída. Por essarazão, Platão condena a tragédia e a comédia porque são formas de
arteimitativa que se afastam da verdade (mundo das ideias). A Única artedigna de ser cultivada, no
entender de Platão, é a música. Esta educa parao belo e forma a alma para a harmonia interior.

Para Kant o belo proporciona-nos uma satisfação desinteressada e livre.

Não procuramos o prazer estético, ele acontece-nos inesperadamente. Éum prazer que não depende
do nosso desejo. Nós somos surpreendidospelas formas belas. Portanto, é preciso distinguir o
estético do ético, cujaseparação se manifesta através do interesse, ausente no primeiro epresente
no segundo. O belo é estético e o bom é ético. O belo e o bom relacionam-se, eles são
semelhantes, visto que:

 Agradam imediatamente.

 São universalmente partilháveis.

 São inspirados por uma forma (forma de imaginação e forma dalei moral).

 São livres (a vontade só depende das prescrições da razão).

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Conclusão

Depois da breve abordagem sobre o tema em destaque conclui-se que a Metafísica é o ramo da
Filosofia que estuda o ser ou a realidade, ou seja, disciplina da Filosofia que estuda a essência da
realidade/mundo, incluindo a relações entre mente e matéria, substância e acidentes,
potencialidade e acto, existência e essência.

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Referências Bibliográficas

GEQUE, Eduardo; BIRIATE, Manuel. Filosofia 12ª Classe – Pré-universitário. 1ª Edição. Longman
Moçambique, Maputo, 2010.

BIRIATE Manue . Introdução a filosofia 12ª . o meu caderno de atividades MINED

MÓDULO 8 DE FILOSOFIA MINED

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