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Aventura de Wendy e Peter Pan

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 

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Mas Pedrinho, que gostava muito de amora-do-mato tinha


ficado com água na boca, e falou duma idéia que andava em
sua cabeça: fazer uma plantação no pomar de amoras-do-mato
de todas as qualidades. — E de framboesas também, vovó —
não dessa framboesa selvagem que há aqui nos morros, mas da
européia. Que acha? — Dona Benta achou excelente a. idéia, e ia
começando a fazer uma preleção sobre a framboesa; Narizinho
a interrompeu: — “A framboesa agora é a história”. Continue. —
E Dona Benta continuou:

— Peter Pan contou as novidades de lá fora e pediu notícia


de tudo quanto havia acontecido na caverna durante a sua
ausência. Depois cantou uma cantiga que Wendy achava a coisa
mais linda do mundo — mas só quando cantada por ele. Se
outro qualquer a cantava, perdia completamente a graça.

Enquanto Peter Pan cantava, os meninos brincavam de


guerra. As armas eram os travesseiros e o campo de batalha era
a cama grande. O resultado da luta foi o mesmo de sempre:
penas por toda parte (os travesseiros eram de pena) e um
trabalhão para Wendy no dia seguinte.

O meio de a menina interromper aquelas lutas


destruidoras consistia em anunciar uma história nova. Todos
sossegavam imediatamente, como por encanto. Vinham sentar-
se em redor dela, guardando silêncio profundo, e assim
ficavam até que o sono os derrubas- se.

A história daquela noite foi inventada. por Wendy, que já


havia esgotado o sortimento das que tinha ouvido de sua
mamãe. Era a história dum casal cujos três filhos resolveram
fugir de casa durante certa noite de inverno. Os pobres pais
haviam caído na mais profunda tristeza e nunca mais fecharam
as janelas do quarto dos meninos fujões, na esperança de que
por ali mesmo voltassem um dia.
 
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— "Não, Wendy, não é assim" — disse Peter Pan com ar de


certeza. — "A janela não está aberta à espera de que os três
meninos voltem. Está fechada porque há um novo bebê lá no
quarto."

Wendy levou .um grande susto. Seria possível que fosse


como Peter Pan estava dizendo?

— "Por que diz isso, Peter? Esteve lá? Viu alguma coisa?"

— "Não estive, nem vi, mas imagino, porque foi assim que
se deu na casa dos meus pais. Depois que de lá fugi, fui um dia
espiar o meu quarto pela janela. Encontrei-a fechadíssima, e
dentro, talvez no meu próprio berço, chorava um novo bebê..."

Por que foi ele dizer aquilo? Wendy e os irmãozinhos


ficaram na maior inquietação, apavorados com a idéia de novos
bebês dormindo nas suas camas, brincando com os seus
brinquedos, ouvindo as histórias que eles costumavam ouvir e
recebendo os beijos que eles costumavam receber. Oh, isso era
horrível!

Wendy resolveu voltar para casa imediatamente.

Quando declarou essa resolução a tristeza foi geral. Os


meninos perdidos rodearam-na com mil pedidos para que não
os abandonasse. Tinham-se acostumado a ter mãe e não
suportariam a antiga vida de órfãos.

— "Quem está falando em abandonar vocês?" — respondeu


Wendy. — "Vão todos comigo, está claro, e toda a vida
moraremos juntos lá em casa."

Os meninos perdidos, felizes como passarinhos, deram


saltos de alegria. Que bom! Que bom! Que bom! Iam ter uma
verdadeira mãe, grande c perfeita, como era a Senhora Darling.
Iam viver numa casa linda e andar como todos os meninos da
cidade andam.

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