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A Sereia do Lago e Seu Canto Encantado

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Rafael
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terríveis, como os piratas e os lobos famintos. Esse Lago das


Sereias é lindo, lindo!"

A idéia foi recebida com entusiasmo. Wendy e seus


irmãozinhos só conheciam as sereias dos livros de figura.
Sereias de verdade, com cauda de peixe e escamas, bem vivas e
perigosas, nunca haviam visto nenhuma, por não serem
criaturas encontráveis no jardim zoológico de Londres. Havia lá
de tudo — hipopótamos, rinocerontes, leões, tigres, girafas,
serpentes, ursos, focas — mas sereia, nenhuma.

— "Vamos, vamos ver as sereias!" — gritaram todos no


maior assanhamento.

Num minuto fizeram-se os necessários preparativos e lá se


foram todos. Depois de longa viagem avistaram o grande lago
verde-mar, em cujo fundo se erguia o palácio encantado das
sereias. Às vezes todas elas vinham
à tona para se pentearem ao sol, espalhadas pelos rochedos.
Outras vezes só se via por ali uma ou outra. Quando os
meninos chegaram à beira d’água, só encontraram uma.

— "Que beleza!" — exclamou Wendy, enlevada. — "Tal qual


uma que vem pintada no meu livro de capa azul. Vejam como
as escamas brilham ao sol! Parecem de prata...."

Era na verdade uma das mais lindas sereias do bando.


Tinha os cabelos cor de ouro e bronze misturados, com
reflexos verdes. Estava reclinada sobre um rochedo e enquanto
cantava corria um pente de ouro pelos cabelos maravilhosos.

— E era lindo esse canto? — indagou Narizinho.

— Oh, nem queira saber! — disse Dona Benta. Ninguém


pode dar idéia da beleza do canto das sereias. Só ouvindo. Tão
diferente do canto das criaturas humanas que é até
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perigoso para nós. Grandes desgraças têm acontecido no mar


aos marinheiros que ouviram tais cantos.

— É verdade, vovó, que os marinheiros antigamente


entupiam os ouvidos com chumaços de algodão sempre que
avistavam uma sereia? — perguntou Pedrinho.

— Deve ser. Não fazendo isso, esse canto maravilhoso


deixa os marinheiros embriagados e eles erram todas as
manobras do navio, puxam esta corda em vez daquela, botam
garrafas de vinho no anzol em vez de iscas — atrapalham tudo,
tudo. Resultado: o navio perde o rumo, dá com o bico numa
pedra e afunda.

Os meninos perdidos tinham muita vontade de apanhar


uma sereia viva, coisa quase impossível por serem espertas
demais. Não há lambari arisco que tenha a ligeireza duma
sereia. Eles já haviam tentado várias vezes e agora iam tentar
novamente.

— Como?

— O meio era um só — meterem-se n’água de jeito que a


sereia não os visse e fecharem o cerco. Assim fizeram.
Meteram-se todos n’água e foram nadando sem fazer o menor
barulhinho, até que...

— Pegaram? — indagou Narizinho, ansiosa.

— Pegaram nada! A sereia os percebeu e soltou um grito


agudo: Mortais! mergulhando em seguida.

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