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Aventura de Peter Pan e os Índios

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— Pelo tropel, os meninos lá embaixo perceberam que os


piratas haviam fugido e trataram de sair do subterrâneo. Foram
subindo pelos ocos, e ao chegarem à superfície viram que os
Peles-Vermelhas estavam na pista dos piratas.

— Que história é essa, vovó? Então os índios eram


inimigos dos piratas?

— Eram aliados de Peter Pan e inimigos do Capitão


Gancho, contra o qual andavam em guerra feroz.

O modo desses índios fazerem guerra merece ser contado.


Eles trepavam às árvores para espiar ao longe, com a mão sobre
os olhos em forma de viseira e aplicavam o ouvido sobre a terra
para ouvirem os rumores distantes. Caminhavam de rastos,
como cobras, escondendo-se atrás de cada toco de pau ou
moita. Levavam arcos e flechas e também um tantã, que entre
os índios é o tambor da vitória. Infelizmente era muito raro
ouvir-se o som do tantã, porque os Peles-Vermelhas sempre
saíam derrotados e fugiam como lebres.

Mas os meninos, ao porem as cabecinhas fora dos ocos só


viram o fim da correria. Em minutos a poeira levantada pelos
piratas em fuga e pelos índios perseguidores desapareceu no
horizonte.

— Que expressão bonita! — exclamou Emília. —


Desapareceu no horizonte!... Acho uma beleza em tudo quanto
desaparece no horizonte. Inda hei de escrever uma história
cheia de desaparecimentos no horizonte, com três pontinhos
no fim...

E a boneca ficou absorta, de olhos pendurados no


horizonte, enquanto Dona Benta, a rir-se, continuava a história.

— Passaram os piratas — disse ela. — Depois passaram os


índios. Só faltava passar o bando de lobos famintos, que
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habitualmente acompanham os guerreiros para comer os


mortos.

— E vieram os lobos nesse dia?

— Como não? Logo depois surgiram os lobos no horizonte;


mas farejando a gentinha de Peter Pan fora do subterrâneo,
desistiram de seguir os guerreiros e vieram como flechas
devorar os meninos.

Peter Pan, entretanto, já havia descoberto o melhor meio


de assustar lobo faminto. Consiste em sair ao encontro deles de
costas, com a cabeça entre as pernas. Os lobos entreparam,
desnorteados, não podendo compreender que espécie de
animal é aquele, e depois fogem com velocidade maior ainda
que a do Capitão Gancho ao ouvir o tique-taque do crocodilo.

Assim que os lobos famintos chegaram a uma certa


distância, os seis meninos, guiados por Bicudo, correram-lhes
ao encontro de costas, com a cabeça entre as pernas. Foi uma
beleza! Os lobos entrepararam uns segundos e em seguida
voltaram-se nos pés e sumiram-se dentro da floresta.

Ora graças! Os meninos perdidos podiam enfim brincar


sossegadamente de pegador ou chicote-queimado à luz do
lindo luar que fazia. Mas não brincaram, porque Cachimbo lhes
chamou a atenção para qualquer coisa no céu.

— "Olhem! Lá vem voando para o nosso lado uma espécie


de pássaro branco bem grande..."

Todos ergueram o nariz e arregalaram os olhos. Não


podiam compreender que pássaro fosse aquele. Não parecia
garça, nem outra qualquer ave conhecida. Súbito, uma bola de
fogo riscou o ar, vindo descer bem no meio deles. Era a fada
Sininho.

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