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A Casinha de Wendy e a Aventura dos Meninos

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— "Peter Pan manda dizer" — declarou ela nervosamente


na sua linguagem do tlin, tlin, tlin — "que é preciso matar
quanto antes essa ave que vem vindo."

Cachimbo, o melhor atirador do grupo, desceu


imediatamente ao subterrâneo, de onde voltou com um arco e
uma flecha. Ajustou a flecha ao arco, fez pontaria, esticou a
corda e — zuct! — A flecha lá se foi assobiando e deu certinho
no alvo. A ave branca vacilou no vôo, cambaleou, descrevendo
um parafuso e veio cair junto ao grupo. Todos correram para
apanhá-la.

— "Não é ave!" — exclamaram cheios de surpresa. — "É


uma linda menina de camisola branca. Talvez seja a tal
mãezinha que Peter Pan vive prometendo trazer-nos."

Era Wendy, que se tinha adiantado dos demais durante o


vôo. A fada Sininho havia cometido aquela traição porque
estava a roer-se de ciúmes: Gostava de Peter Pan e não podia
suportar as atenções e requebrados do menino para com a sua
nova conhecida. Daí lhe veio a idéia de fazê-la flechar por um
dos meninos.

Nisto chegou Peter Pan, seguido de João Napoleão e


Miguel. Assim que pôs o pé em terra, foi logo indagando:

— "Onde está Wendy?" — Ao saber que Wendy havia sido


flechada, teve um grande acesso de cólera e passou mão do
arco para também flechar Cachimbo no coração. E flechava
mesmo, se não fosse Wendy despertar do desmaio ainda a
tempo de impedir tamanho crime.

Wendy não havia sido ferida, porque a flecha batera


justamente no botão-beijo que Peter Pan lhe havia dado. Só
sentiu o choque da flecha; e como já estivesse cansada e tonta
de tanto voar, bastou isso para fazê-la perder os sentidos e
cair.

Vendo que ela estava vivinha, os meninos a rodearam na


maior alegria, embora sem saber o que fazer. Levar
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Wendy para a morada subterrânea não lhes parecia bem. Deixá-


la por ali ao relento, era pior. O único remédio seria construir-
lhe uma casinha bem ajeitada. Estavam a discutir esse ponto
quando Wendy começou a cantar uma cantiga em verso por ela
mesma inventada, assim:

Uma casinha quero ter,

Que menor não haja no mundo;

Terreiro bem limpo na frente,

Jardim de mil flores no fundo.

— "Pronto! Já sabemos o que ela quer!" — exclamaram os


meninos em coro. — "Vamos fazer a casinha de Wendy, com
jardim de mil flores ao fundo."

E foi uma lufa-lufa. Bicudo correu a cortar paus na floresta;


Cachimbo desceu ao subterrâneo em procura duma velha grade
muito ajeitada para a armação do teto; Assobio foi em busca
dum pedaço de tapete velho e dum rolo de encerado.

Num instante ficou pronta a casinha. Peter Pan observou


que haviam esquecido a chaminé. Onde já se viu casa sem
chaminé? Correu os olhos em torno, em. procura, e deteve-os
no Miguel, que tinha na cabeça a cartola de seu pai.

— "Ótimo!" — gritou Peter Pan tomando a cartola. —


"Melhor chaminé do que esta não é possível" — e arrumou-a em
cima do teto.

E tudo mais foi assim. O material de construção mais


empregado era o "faz-de-conta". Não tem fechadura na porta?
Faz de conta que esta fivela é fechadura. Não tem cadeira? Faz
de conta que esta pedra é cadeira.

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