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Wendy e os Meninos Perdidos em Nunca Jamais

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 

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Wendy não precisou entrar na casinha, porque a casinha


havia sido construída em redor dela — e foi a primeira vez no
mundo que semelhante coisa aconteceu.

Pronta a casa com a dona dentro, Peter Pan veio e bateu na


porta — toque, toque, toque. Wendy surgiu à janela e perguntou
quem era.

— "São os meninos perdidos que desejam saber se a


menina está disposta a ser a mãezinha deles. Nunca tiveram
mãe e querem experimentar se é bom."

— "Com muito gosto" — respondeu Wendy. — "Serei mãe


de todos, contarei histórias à noite, remendarei as roupas de
dia, agradarei aos que chorarem e ralharei com os que fizerem
coisas inconvenientes — tudo igualzinho como mamãe faz lá
em casa. Mas só serei mãe se Peter Pan quiser ser o pai."

Todos bateram palmas, numa grande alegria. Iam ter mãe


afinal. Iam ter quem lhes contasse histórias — que maravilha!

— "História! História!" — exclamaram. — "Para começar,


conte já uma linda história" — e os meninos foram entrando
para a casinha, em atropelo. Era incrível que lá coubessem
todos, mas couberam. Para isso foi preciso que se arrumassem
com a habilidade e o jeito com que as sardinhas se arrumam
dentro das latas.

Logo que todos se acomodaram, Wendy começou assim:


— "Era uma vez uma pobre menina chamada Cinderela" — e foi
por aí além até que o sono tomasse conta de toda a sua
filharada.

Tudo dormiu. Dormiu a floresta o seu sono agitado de


morcegos, pios de coruja e uivos de lobo. Dormiu o crocodilo,
lá longe. Dormiram os piratas; e os índios, vendo o inimigo a
dormir, deixaram a perseguição para o dia seguinte e dormiram
também.
 
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Só não dormiu Peter Pan. Passou toda, a noite fora, de


espada na mão, montando guarda à casinha da jovem mãe que
havia arranjado para os meninos perdidos.

Dona Benta parou nesse ponto, achando que o melhor era


também irem dormir.

— Chega por hoje. O resto fica para amanhã. Agora é cada


um ir para sua cama sonhar com o Capitão Gancho e o
crocodilo.

— Credo! — exclamou tia Nastácia, erguendo-se. — Eu


quero sonhar com Dona Wendy, que é tão galantinha. Mas com
esse canhoto malvado, Deus me livre!

Pedrinho deu um suspiro. Estava lamentado não haver


fugido para a Terra do Nunca tio dia em que nasceu. Narizinho
também suspirou. Quanto não daria para ser Wendy Darling?

Só Emília não suspirou, nem disse nada. Saiu dali muito


quieta e foi mexer na caixa de ferramentas de Pedrinho. Dona
Benta encontrou-a lá, lidando para entortar um prego.

— Que é que está fazendo, Emília?

— Estou vendo se faço uma munheca de gancho como a do


Capitão.

— E para que, bobinha?

— Para assustar tia Nastácia. Quero ganchar aquele beição


dela...

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