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— "Mais de cem histórias? Oh, que mina!" — exclamou
Peter Pan, batendo palmas. — "Nesse caso o melhor seria ir
você comigo para a Terra do Nunca. Poderá contar todas essas
histórias aos meninos perdidos, poderá ainda remendar a roupa
deles, pregar botões e de noite fazê-los dormir — tudo como a
Senhora Darling faz aqui. Oh, Wendy, venha comigo..."
A tentação era enorme. Visitar um país daqueles, com feras
e piratas e índios e•sereias, e ter ainda toda aquela meninada
para brincar! Que bom não seria... Mas a menina vacilava.
— "Não posso, Peter Pan. Mamãe não o consentiria nunca. E
além disso deve ser muito longe essa terra."
— "Que importa que seja longe? Iremos voando, e para
quem voa não há distâncias."
— "Voando? Mas eu não sei voar, Peter Pan! Que idéia..."
— "Eu ensino, não seja essa a dúvida. Em dois minutos
deixo você voando que nem uma andorinha."
Aquilo era demais. Era ainda melhor do que ver sereias.
Voar, voar... Wendy não pôde resistir à tentação: resolveu que
iria. Em todo caso, duvidou um pouco.
— "Já disse que ensino" — assegurou Peter Pan com
firmeza. — "Eu, quando digo, faço."
— "E ensina também ao Joãozinho e ao Miguel? Se formos
para lá temos de ir todos."
— "Ensino, sim, claro que ensino. Está resolvida? Vai
mesmo?"
— "Estou resolvida, vou!" — respondeu Wendy com firmeza
— e pulando da cama foi acordar os irmãozinhos.
João Napoleão e Miguel sentaram-se na cama esfregando os
olhos, e logo que souberam do caso, deram
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pulos de contentamento. Gostavam de piratas e sereias ainda
mais que Wendy e portanto ficaram ainda mais assanhados.
Queriam partir incontinenti.
— "Isso, não!" — disse Peter Pan. — "Antes de mais nada
vocês precisam tomar umas lições de vôo."
— "É fácil voar?" — indagou Miguel.
— "É assim" — e Peter Pan deu uma demonstração,
esvoaçando pelo quarto como se fosse uma borboleta.
Vendo a facilidade, os meninos tentaram fazer o mesmo.
Subiram às camas, ergueram os braços e atiraram-se. Mas foi só
tombo. Esborracharam-se no tapete.
Peter Pan riu-se.
— "Não é assim, meninos. Eu tenho de soprar em vocês um
pó mágico que certa fada me deu" — e dizendo isto sacou do
bolso uma caixinha do pó mágico e soprou uma pitada no nariz
de cada um; depois mandou que experimentassem, que
subissem às camas, erguessem os braços e dessem outro pulo
para o ar.
Os meninos experimentaram e com grande assombro
viram que estavam leves como plumas e que podiam equilibrar-
se no ar com a maior facilidade.
— "Estou que nem esses balõezinhos de borracha que
mamãe enche de gás" — disse Miguel. — "Estou sem peso
nenhum!" — e voou quase tão bem como Peter Pan. Por falta de
experiência os três voadores deram algumas cabeçadas no
forro, mas alguns minutos depois estavam que nem uma
andorinha que havia ficado presa no quarto dois dias antes.
Vendo-os nesse ponto, Peter Pan achou que não era preciso
mais. Podiam partir.
— "Muito bem" — disse ele. — "Podemos partir. Sininho
seguirá na frente, para indicar o caminho. Em segundo