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lugar vou eu com Wendy. Depois vai João Napoleão e por
último, Miguel. Aprontem-se para partir.
Foi uma correria. João Napoleão quis levar uma porção de
coisas, mas teve que desistir porque ficaria muito pesado.
Miguel correu ao vestíbulo da casa em busca dum gorro e como
não o encontrasse veio com uma cartola do Senhor Darling na
cabeça. Wendy resolveu ir como estava, de camisola mesmo.
— "Pronto?" — perguntou Peter Pan.
— "Pronto" — responderam todos.
— "Então vamos lá. Um, dois e... três!"
Ouviu-se um prrrrr... e ergueram-se nos ares os quatro
meninos, na ordem mareada pelo chefe e com a bola de fogo
voando à frente para indicar o caminho. E lá se foram para a
maravilhosa Terra do Nunca...
Justamente naquela hora Mrs. Darling estava na sala de
jantar contando ao marido a história da sombra. O Senhor
Darling sorria.
— "Impossível, querida. Isso há de ser sonho. É um
absurdo."
Nisto soou o prrrrr... Julgando que fosse alguma coruja
que houvesse entrado na nursery, a Senhora Darling correu
para lá. Ao ver a janela aberta e as. três camas vazias, deu um
grito e desmaiou.
Neste ponto Dona Benta interrompeu a história, deixando
o resto para o dia seguinte. Todos gostaram muito daquele
começo e Narizinho observou que as histórias modernas são
mais interessantes que as antigas.
— Estou notando isso, vovó — disse ela. — Nas histórias
antigas, de Grimm, Andersen, Perrault e outros, a coisa é
sempre a mesma — um rei, uma rainha, um filho de rei, uma
princesa, um urso que vira príncipe, uma fada. As
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histórias modernas variam mais. Esta promete ser muito boa.
Peter Pan está com jeito de ser um diabinho levado da breca.
Dona Benta concordou que sim.
— Eu só não entendo uma coisa disse tia Nastácia. — Como
é que a tal senhora... como é mesmo?
— Darling.
— Isso. Não entendo como é que a Senhora Darling foi
deixar a janela aberta. Quarto de criança a gente não deixa de
janela aberta nunca. Entra morcego, entra coruja — e entram
até esses diabinhos, como o tal Peter Pan.
— Boba! — exclamou Emília. — Se ela não deixasse a janela
aberta não podia haver essa história. Se você fosse a mãe • dos
meninos deixava a janela fechada, não é? E que aconteceria?
Cortava a cabeça da história logo no começo.
— Estou desconfiado — disse Pedrinho — que o tal pó
mágico de Peter Pan era o nosso pó de pirlimpimpim.
— E quem nos garante que o tal Peninha, que deu a você o
pó de Pirlimpimpim, não seja esse mesmo Peter Pan? Aquela
história do Peninha ser invisível está me parecendo arteirice de
Peter Pan para nos empulhar.
— Pode ser. Tudo pode ser — concordou Pedrinho,
pensativo.
Houve um silêncio. Cada qual pensava numa coisa. Tia
Nastácia pensava na franga que tinha de matar para o almoço
do dia seguinte. Dona Benta pensava num remendo a fazer no
paletó de Pedrinho. Pedrinho pensava num jeito de arranjar
mais pó de pirlimpimpim. Narizinho pensava num meio de
fazer Peter Pan vir visitá-la no sítio. O Visconde não pensava
em coisa nenhuma. E Emília?
Emília saíra da sala pé ante pé sem que ninguém
percebesse, e logo depois voltou com a tesoura de Dona