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História de Peter Pan para Crianças

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Rafael
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7

— Pronto! Já sei quem é o Senhor Peter Pan, e sei melhor


do que o gato Félix, pois duvido que ele haja lido este livro.

— Está claro que não leu — observou Emília. — Ele só lê


ratos — com os dentes...

— Se leu, conte, vovó! — gritou Narizinho. — Andamos


ansiosos por ouvir a história desse famoso menino.

— Muito bem — disse Dona Benta. — Como hoje já é muito


tarde, começarei a história amanhã às sete horas. Fiquem todos
avisados.

No dia seguinte, de tardinha, a curiosidade dos meninos


começou a crescer. Às seis e meia já estavam todos na sala, em
redor da mesa, à espera da contadeira. Emília olhava para o
relógio pensativamente. Quem entrasse em sua cabeça havia de
encontrar lá esta asneirinha: "Que pena os relógios não
andarem de galope, como os cavalos! Nada me enjoa tanto
como esta maçada de esperar que chegue a hora das coisas — a
hora de brincar, a hora de dormir, a hora de ouvir histórias..."
8

Pedrinho matava o tempo arrepiando xises no veludo de


uma velha almofada — com o dedo. E Narizinho, no seu vestido
novo de rosinhas cor-de-rosa, fazia exercício de "parar de
pensar" — uma coisa que parece fácil mas não é. A gente, por
mais que faça, pensa sem querer.

Faltava o Visconde. O velho sábio, depois que se meteu a


estudar matemática, fazia tudo com "precisão matemática", que
é como se diz das pessoas que não fazem as coisas mais ou
menos, e sim certinho. Quando bateu sete horas ele entrou, em
sete passadas, cada uma correspondendo a uma pancada do
relógio. Logo depois surgiu Dona Benta.

— Viva vovó! — gritaram os meninos.

— Viva a história que ela vai contar! — berrou Emília.

Dona Benta sentou-se na sua cadeira de pernas serradas,


subiu para a testa os óculos de aro de ouro e começou:

— Era uma vez uma família inglesa...

— Espere, Sinhá! Não Comece ainda — gritou lá da copa tia


Nastácia. — Eu também faço questão de conhecer a história
desse pestinha. Estou acabando de lavar as panelas e já vou.

Dona Benta esperou que a negra chegasse, apesar do


protesto da Emília, que disse: — "Bo-ba-gem! Para que uma
cozinheira precisa saber a história de Peter Pan?"

Tia Nastácia veio e escarrapachou-se no assoalho, entre o


Visconde e a menina. Só então Dona Benta começou de
verdade.

— Havia na Inglaterra uma família inglesa composta de


pai, mãe e três filhos — uma menina de nome Wendy
(pronuncia-se Uêndi), que era a mais velha; um menino de
nome João Napoleão, que era o do meio; e outro de nome

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