O rei perguntou à filha:
– É verdade?
– Ah, é sim – respondeu ela. – Com certeza é verdade, mas eu
não consentirei em casar-me antes de um ano e um dia.
Ela pensava que dessa forma teria tempo de saber o que
ocorrera ao seu querido caçador.
Os animais, entretanto, ainda estavam dormindo ao lado de
seu dono decapitado na colina do dragão, até que uma grande
abelha veio pousar no nariz da lebre; a lebre a afastou com a
pata, e voltou a dormir.A abelha pousou uma segunda vez, mas
a lebre a afastou de novo com a pata e voltou a dormir. Então
a abelha pousou pela terceira vez e picou o nariz da lebre,
acordando-a. Assim que despertou, ela chamou a raposa, e a
raposa chamou o lobo, o lobo o urso, e o urso o leão. E quando
o leão acordou e viu que a donzela havia desaparecido e seu
dono decapitado, ele começou a rugir estrondosamente e
chorar:
– Quem fez isso? Urso, por que você não me acordou?
O urso perguntou para o lobo:
– Lobo, por que você não me acordou?
E o lobo para a raposa:
– Por que você não me acordou?
E a raposa para a lebre:
– Por que você não me acordou?
A pobre lebre não sabia o que responder, e a culpa recaiu
sobre ela. Os outros todos queriam matá-la, mas ela disse:
– Não me matem. Eu trarei nosso dono à vida novamente.
Conheço uma montanha onde cresce uma raiz mágica, a qual,
quando colocada na boca de alguém, cura qualquer ferida e
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machucado. Mas a montanha fica a duzentas horas de viagem
daqui.
O leão disse:
– Você tem vinte e quatro horas para correr até lá e voltar
com a raiz.
E então a lebre partiu em disparada, e vinte e quatro horas
depois estava de volta com a raiz. O leão colocou a cabeça do
caçador no lugar, enquanto a lebre colocava a raiz na boca
dele; imediatamente tudo foi unido, e o coração começou a
bater, e a vida refluiu ao corpo. Ao acordar, o caçador ficou
alarmado ao perceber que a donzela não estava por perto, e
pensou: “Ela deve ter fugido quando eu dormia, para se livrar
de mim”. O leão, na sua tremenda pressa, havia colocado a
cabeça do seu dono do lado errado, mas o caçador não perce-
bia por causa de seus tristes pensamentos a respeito da prin-
cesa. Ao meio-dia, quando ele foi comer alguma coisa, ele no-
tou que sua cabeça estava virada para trás, e não conseguia
entender a razão disso. Perguntou aos animais o que acontece-
ra quando ele estava dormindo. O leão contou-lhe que eles
também haviam caído no sono pesado, e ao acordar haviam
visto-o com a cabeça decepada, e que a lebre correra em bus-
ca da raiz curadora, e que ele, em sua pressa, colocara a cabe-
ça na direção errada, mas que corrigiria o erro. Então ele ar-
rancou a cabeça do caçador, virou-a, e a lebre curou-o com a
raiz.
O caçador, no entanto, estava triste, e viajou pelo mundo, e
vivia de apresentar seus animais em público. Aconteceu que
após um ano ele voltou à mesma cidade onde libertara a prin-
cesa das garras do dragão, e dessa vez a cidade estava toda
enfeitada de vermelho. Ele perguntou ao hospedeiro:
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