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Leão busca vinho real para caçador

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Ele chamou o leão e disse:

– Caro leão, bem sei que você que gosta de beber; vá e traga-
me um pouco do vinho que o rei bebe.
Então o leão correu pelas ruas da cidade, e o povo fugia
dele espavorido, e quando ele passou pelos guardas, eles tenta-
ram detê-lo, mas bastou um rugido para que desistissem da
idéia. O leão foi até o quarto da princesa e bateu à porta com
sua cauda. A princesa foi abrir, e assustou-se com o leão, mas
logo reconheceu o fecho de ouro de seu colar, e permitiu que
ele entrasse no quarto, e perguntou-lhe:
– Querido leão, qual é o seu desejo?
Ele respondeu:
– O meu dono, que matou o dragão, está aqui na cidade, e eu
vim pedir um pouco do vinho que o rei bebe.
Então a princesa mandou chamar o copeiro e ordenou-lhe
que desse do vinho real para o leão. Este disse:
– Eu irei com ele até a adega, para ver se ele pega o vinho
certo.
Então ele foi com o copeiro até a adega e, quando estavam
lá embaixo, o copeiro quis dar-lhe um tipo comum de vinho
que era bebido pelos servos, mas o leão interveio:
– Pare. Eu provarei primeiro – e bebeu, mas cuspiu fora após
o primeiro gole. – Não, esse não é o certo.
O copeiro olhou para ele surpreso, e se dirigiu a outro barril,
com o vinho que se servia ao duque.
– Pare. Deixe-me provar primeiro – e bebeu meio copo. –
Este é melhor, mas ainda não é o certo – disse o leão.
Aí o copeiro ficou impaciente e disse:
– Como um animal estúpido como você pode entender de
vinhos?

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Mas o leão deu-lhe tal tapa na orelha, que o fez cair no chão
de maneira nada elegante. Ao levantar-se, ele conduziu silen-
ciosamente o leão até um pequeno porão, onde era guardado
o vinho do rei, do qual nunca ninguém mais bebia. O leão be-
beu meio copo daquele vinho e disse que aquele era o certo, e
então ordenou que o copeiro enchesse seis garrafas. Depois
subiram, mas logo que saíram da adega para o ar livre o leão
cambaleou um tanto, pois já estava bêbado, e o copeiro foi
obrigado a levar as garrafas até a porta da hospedaria, onde o
leão as pegou e entregou a seu dono. O caçador disse:
– Veja só, caro hospedeiro, aqui eu tenho pão, carne, verdu-
ras, sobremesa e vinho, igual ao rei, e agora irei jantar com
meus animais.
E sentou-se e comeu e bebeu, e deu à lebre, à raposa, ao
lobo, ao urso e ao leão de comer e beber. Ele estava muito feliz,
porque sabia que a princesa ainda o amava. Quando terminou
a refeição, ele disse:
– Caro hospedeiro, agora que eu comi e bebi da mesma
forma que o rei come e bebe, irei à corte real e me casarei
com a princesa.
O hospedeiro perguntou:
– Como isso é possível, se a princesa já está comprometida,
e o casamento será realizado hoje?
Então o caçador pegou o lenço que lhe havia sido dado
pela princesa na colina do dragão, com o qual ele havia em-
brulhado as sete línguas do monstro, e disse:
– O que eu tenho em mãos irá me ajudar a fazê-lo.
O dono da pousada olhou para o lenço e replicou:
– Posso acreditar em qualquer coisa, menos nisso; aposto
minha casa e meu quintal que isso não acontecerá.

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