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A Bruxa e a Transformação do Príncipe

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Rafael
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– Oh, oh, oh, como sinto frio!

Ele disse:
– Venha cá, e aqueça-se no fogo, se está com frio.
Mas ela disse:
– Não, os seus animais vão me morder.
Ele respondeu:
– Eles não te farão mal algum, mã[Link] cá.
Ela, entretanto, era uma bruxa, e disse:
– Eu jogarei uma varinha aí embaixo, e se você tocar com ela
no lombo dos animais, aí sim eles não me farão mal nenhum.
Ela jogou a varinha. Mal ele tocou o dorso dos animais com
ela, imediatamente eles se transformaram em pedra. A bruxa,
vendo-se salva dos animais, desceu da árvore, pegou a varinha,
e transformou também o príncipe em pedra. Depois, dando
uma gargalhada, carregou o príncipe e os animais para dentro
de um fosso onde havia muitas outras pedras.
Como o príncipe não voltava, a angústia e a preocupação da
princesa só aumentavam. E aconteceu então que, naquele tem-
po, o outro irmão – que rumara para o leste quando haviam se
separado -, chegou àquele reino. Ele havia procurado emprego,
mas não encontrara nenhum, e andara viajando para lá e para
cá, e vivia de apresentar seus animais em público. Veio-lhe à
mente que poderia ir ver como estava a faca que haviam enfia-
do no tronco de uma árvore quando se separaram. Quando
chegou lá, viu que um lado da faca estava metade enferrujada
e metade brilhante. Assustado, pensou: “Uma grande desgraça
aconteceu a meu irmão, mas talvez eu possa salva-lo, já que
metade da faca ainda não está enferrujada.” Ele e seus animais
viajaram para o oeste, e logo que cruzou o portão da cidade,
um guarda veio recebê-lo, perguntando se devia anunciar sua

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chegada à sua jovem consorte, que havia passado os dois últi-
mos dias em muita aflição pela ausência dele, e receava que
estivesse morto. As sentinelas pensaram que ele fosse o prínci-
pe, pois era igualzinho, e os animais ao redor dele também. Ele
logo percebeu que estavam falando do seu irmão, e pensou:
“Será melhor se eu me passar por meu irmão, assim poderei
resgatá-lo mais facilmente.” Então ele se deixou conduzir pelos
guardas ao castelo, onde foi recebido com grande alegria. A
princesa realmente achava que ele fosse o seu marido, e per-
guntou-lhe por que ficara tanto tempo ausente. Ele respondeu:
– Eu me perdi na floresta, e não conseguia achar o caminho
de volta.
À noite, ele foi levado ao leito real, mas colocou uma espada
de dois gumes entre ele e a princesa; ela não entendeu o que
aquilo significava, mas não ousou perguntar.
Ele permaneceu no castelo por dois dias, e nesse tempo per-
guntou sobre tudo o que era relacionado àquela floresta en-
cantada; por fim, disse:
– Eu devo caçar lá mais uma vez.
O rei e a princesa quiseram dissuadi-lo, mas ele não os ou-
viu, e partiu com uma comitiva maior que a do irmão. Assim
que entrou na floresta, aconteceu com ele o mesmo que
acontecera ao irmão: ele viu o cervo branco e disse aos da
comitiva:
– Aguardem aqui até que eu volte, eu quero caçar essa bela
criatura.
E correu pela floresta e os animais correram atrás dele. Mas
não conseguiu alcançar a caça, e se embrenhou tanto na flo-
resta que foi obrigado a passar a noite nela. E assim que acen-
deu uma fogueira, escutou um gemido bem acima de si:

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