– Vá encontrá-lo, que fará bem.
Então o rei foi encontrá-lo e o conduziu para dentro, e os
animais o seguiram. O rei deu-lhe um lugar à mesa perto dele e
da princesa; o duque, que na qualidade de noivo, estava sentado
à frente, não o reconheceu. Naquele exato momento, as sete ca-
beças do dragão eram exibidas como espetáculo, e o rei disse:
– As sete cabeças do dragão foram decepadas pelo duque,
por isso hoje ele está se casando com minha filha.
O caçador se levantou, abriu as sete bocas, e perguntou:
– Onde estão as línguas do dragão?
O duque assustou-se, e ficou pálido, sem encontrar resposta,
até que resolveu dizer:
– Dragões não possuem línguas.
O caçador disse:
– Mentirosos é que não deviam possuir línguas, mas as lín-
guas dos dragões são os troféus do vencedor.
E desembrulhou o lenço, onde estavam as sete línguas. Em
seguida, colocou cada língua em sua respectiva boca, encai-
xando-as perfeitamente. Então pegou o lenço onde estava bor-
dado o nome da princesa e mostrou-o à donzela, perguntando-
lhe a quem ela havia dado aquele lenço. Ela respondeu:
– Eu dei para o homem que matou o dragão.
E então o caçador chamou seus animais e pegou o colar do
pescoço de cada um deles e também o fecho de ouro do leão,
e mostrou-os à donzela, perguntando a quem haviam pertenci-
do. Ela respondeu:
– Eram meus, mas eu os dividi entre os animais que ajuda-
ram a matar o dragão.
O caçador então disse:
– Quando eu, cansado da luta, estava descansando e dor-
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mindo, o duque veio e cortou minha cabeça. E aí levou a prin-
cesa, e espalhou que fora ele quem matara o dragão, mas eu
provei que não passa de mentira. As línguas, o lenço e os cola-
res provam o que eu digo.
E então ele contou como os animais o haviam curado atra-
vés de uma raiz mágica, e como havia viajado com eles duran-
te um ano inteiro até voltar àquela cidade e ficar sabendo da
traição do duque através da história do dono da pousada. O rei
perguntou à sua filha:
– É verdade que foi esse homem quem matou o dragão?
E ela respondeu:
– Sim, é [Link] eu posso revelar a má ação do duque,
já que veio à luz sem que eu isso causasse, pois ele me obrigou
a prometer silêncio sobre o caso. Foi por esta razão que eu exigi
que o casamento só se realizasse após um ano e um dia.
Então o rei chamou doze conselheiros para que julgassem o
caso do duque, e eles decidiram que o duque seria esquarteja-
do por quatro touros. O duque foi portanto executado, e o rei
deu a mão de sua filha ao caçador, e o nomeou vice-rei de todo
o reino. O casamento foi realizado com grande alegria, e o jo-
vem príncipe fez com que viessem o seu pai e o seu pai adotivo,
e os encheu de muitos tesouros. Ele também não esqueceu o
dono da pousada, e foi até ele:
– Veja só, caro hospedeiro, casei-me com a filha do rei, e sua
casa e seu quintal são agora meus.
O hospedeiro respondeu:
– Sim, de acordo com a justiça, eles são seus.
Mas o jovem príncipe disse:
– Será feito de acordo com a clemência: fique com a casa e
o quintal.
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