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Irmãos gêmeos e a bruxa malvada

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Rafael
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– Seu irmão e os animais estão em um fosso, transformados

em pedra.
Então o caçador exigiu que ela lhe levasse até o dito fosso e,
lá chegando, pôs-se a ameaça-la, dizendo:
– Velha maldita, faça meu irmão e todos os que estão aí vol-
tarem à vida, senão você irá para a fogueira.
Ela pegou a varinha e tocou todas as pedras, e logo o irmão
do caçador e seus animais voltaram à vida, bem como muitos
outros: mercadores, artesãos, e pastores, que agradeceram ao
caçador pela libertação e foram para suas casas. Mas quando
os irmãos gêmeos se viram, eles se abraçaram e se alegraram
muito. Então agarraram a bruxa, amarram-na e lançaram-na ao
fogo, e quando ela foi reduzida a cinzas, toda a floresta clareou
e ficou mais luminosa, e dava até para ver o castelo dali, a três
horas de distância.
Os dois irmãos voltaram juntos para casa, e durante o cami-
nho cada um contou suas aventuras. E quando o mais novo
relatou que ele era o governante de todo o país, e herdeiro do
rei, o outro observou:
– Isso eu notei bem, pois quando cheguei na cidade, fui to-
mado por ti, e me prestaram todas as honras reais; até a prince-
sa achou que eu fosse você, e tive de comer ao lado dela e
deitar-me com ela.
Quando o outro ouviu tal coisa, ficou tão ciumento e raivoso
que tirou a espada e degolou seu irmão. Mas quando o viu cair
morto e seu sangue jorrar, arrependeu-se profundamente.
– Meu irmão salvou minha vida – lamentou ele – e em troca
eu o matei.
Então a lebre se ofereceu a ir buscar a raiz mágica da vida, e

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foi e voltou a tempo, e logo o homem morto foi ressuscitado,
sem tomar conhecimento da ferida.
Continuaram o caminho e o mais novo disse:
– Você é igual a mim, está vestido com trajes de rei como eu,
e os animais te seguem assim como os meus a mim; vamos
entrar na cidade por portões diferentes, e chegar ao mesmo
tempo na frente do castelo.
E assim eles se separaram. Dessa forma, a sentinela de um
portão, bem como a do outro, foi anunciar a chegada do prínci-
pe, retornando da caçada. O rei não achou possível que as duas
sentinelas o pudessem ter avistado, já que um portão ficava a
uma hora de distância do outro. No entanto, os dois irmãos al-
cançaram o pátio do castelo por lados diferentes, e ambos su-
biram as escadas. O rei disse à princesa:
– Diga-me, qual deles é o seu marido? Eles são completa-
mente iguais, não posso saber qual é o verdadeiro.
Ela também estava muito confusa, e não podia dizer. Mas
lembrou-se do colar que distribuíra entre os animais, e ao olhar
viu o fecho de ouro num dos leões, e disse alegremente:
– Aquele que é seguido por esse leão é o meu marido.
Então o jovem príncipe sorriu e disse:
– Sim, acertou!
E sentaram-se à mesa, comeram e beberam, e estavam felizes.
À noite, quando o príncipe foi dormir, a princesa perguntou:
– Por que você colocou uma espada de dois gumes na nos-
sa cama, durante essas últimas noites? Eu pensei que você que-
ria me matar.
E então ele soube o quanto o seu irmão lhe fora fiel.

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