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A Caçada e os Animais Salvadores

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Rafael
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“Caro caçador, deixe-me viver,

Dois filhotes a ti eu darei.”


E embrenhou-se imediatamente numa moita, e trouxe duas
jovens lebres. Mas as pequenas criaturas brincavam tão alegre-
mente, e eram tão bonitinhas, que os caçadores nem sequer
pensaram em matá-las. Eles as levaram consigo, e as lebres os
seguiam de perto. Pouco depois, uma raposa passou rastejando;
eles estavam a ponto de acerta-lá quando a raposa suplicou:
“Caro caçador, deixe-me viver,
Dois filhotinhos também eu darei.”
Ela também trouxe dois filhotes, e os caçadores igualmente
não quiseram matá-los, mas os juntaram às lebres, e continua-
ram a viajem. Não muito depois, um lobo saiu da moita; os ca-
çadores se aprontaram para atirar nele, mas ele suplicou:
“Caro caçador, deixe-me viver,
Dois filhotinhos eu também darei.”
Os caçadores colocaram os dois lobinhos ao lado dos ou-
tros bichos, e todos eles seguiam os dois irmãos. Logo apareceu
um urso que queria caminhar mais um pouco por este mundo,
e implorou:
“Caro caçador, deixe-me viver,
Dois pequenos ursos eu te darei.”
Os dois ursinhos foram integrados ao resto, e já haviam oito
deles. E sabem quem chegou por fim? Um leão, sacudindo sua
juba. Mas os caçadores não ficaram apavorados e almejaram
matá-lo, mas o leão também disse:
“Caro caçador, deixe-me viver,
Dois leõezinhos eu te darei.”
E ele trouxe dois filhotes de leão, e agora os caçadores ti-
nham dois leões, dois ursos, dois lobos, duas raposas e duas le-

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bres, que os seguiam e os serviam. No entanto, a fome deles não
havia passado, e eles disseram às raposas:
– Vamos, amigos espertos, achem-nos alguma coisa para co-
[Link]ês são engenhosos e inteligentes.
As raposas responderam:
– Não muito longe daqui há uma aldeia, da qual já trouxe-
mos muitas aves; nós iremos mostrar o caminho.
Então eles foram para a aldeia, compraram algo para comer,
deram também um pouco de comida aos animais, e puseram-
se novamente a viajar. As raposas conheciam aquela região
muito bem e sabiam onde haviam armadilhas de caça, e po-
diam assim guiar os caçadores.
Eles viajaram por um tempo, mas não puderam achar servi-
ço para os dois juntos, então resolveram:
– Não há outra solução, devemos nos separar.
Eles dividiram os animais, de forma que cada um ficou com
um leão, um urso, um lobo, uma raposa e uma lebre, e então se
separaram, prometendo se amar como irmãos até a morte, e
enfiaram a faca, que o pai adotivo lhes havia dado, no tronco
duma árvore; então um foi para o leste e o outro para o oeste.
O mais novo chegou com seus animais a uma cidade que
estava toda paramentada de luto. Ele se dirigiu a uma pousada,
e perguntou ao hospedeiro se podia acomodar os animais. O
dono da pousada lhe cedeu um estábulo, onde havia um bura-
co na parede. Assim a lebre pôde sair e colher um pé de repo-
lho; já a raposa devorou uma galinha, e não satisfeita, comeu
também o galo. Mas o lobo, o urso e o leão eram muito grandes
para passar pelo buraco. Então o dono da pousada os levou a
um lugar onde havia uma vaca espichada na grama, para que
eles pudessem comer até se satisfazer. E quando o caçador ter-

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