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BATIMENTO CIRCULAR
Objetivo: Data: Revisão:
Descrever a tolerância geométrica de batimento e suas aplicações MAR/2003 00
1 Introdução
A tolerância geométrica de batimento é aplicada a elementos de revolução, tais como
eixos ou furos (cilíndricos ou cônicos), onde podem existir erros e ovalização ou conicidade,
por exemplo, e esses erros podem ser prejudiciais ao desempenho do produto. Além disso,
dimensionar esses erros sem a aplicação da tolerância de batimento é uma tarefa
extremamente difícil devido à imprecisão ou dificuldade de se tomar um elemento de
referência. Assim sendo, engloba-se vários erros à medição, o que a torna muito imprecisa.
Símbolo:
A tolerância geométrica de batimento é uma representação dos desvios máximos
permitidos de um dado elemento, à partir de uma revolução da peça em torno de um eixo de
referência. O batimento pode englobar os erros de planicidade, perpendicularidade,
circularidade e coaxialidade, mas somente se a tolerância aplicada contemple a soma de
todos os erros acumulados.
O elemento de referência é um eixo, definido em desenho. Já o campo de tolerância pode
variar de formato, dependendo do tipo de batimento aplicado.
São largamente empregados os batimentos RADIAL e AXIAL. A diferença básica entre eles
está no formato do campo de tolerância, conforme veremos logo abaixo.
2 Exemplos de aplicação e interpretação de batimento
Exemplo 01: batimento circular radial
Figura 01
No exemplo 01, a tolerância geométrica de batimento está sendo aplicada ao cilindro de
diâmetro menor, e a referência é o eixo do cilindro de maior diâmetro. Interpretando-a,
poderíamos dizer que o batimento não deve ultrapassar 0,1 mm em qualquer secção ao
longo do cilindro de menor diâmetro, tomando-se como referência o eixo do cilindro maior
(A).
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Figura 02
Conforme podemos perceber, é como se retirássemos uma fatia do cilindro menor e
aplicássemos a tolerância de batimento somente naquela fatia que representa o cilindro. O
campo de tolerância seria delimitado por dois círculos concêntricos (cujo centro é a linha de
referência - eixo do cilindro, que torna-se um ponto quando retiramos uma secção do
cilindro) afastados por uma distância correspondente ao campo de tolerância. Portanto, ao
girarmos a peça em torno do eixo do cilindro maior em uma volta completa, a superfície do
cilindro menor, com seus erros de geometria não deve ultrapassar à tolerância de 0,08 mm.
Exemplo 02: batimento circular radial num setor circular
Figura 03
Neste exemplo, a tolerância de batimento está sendo aplicada apenas a um setor circular,
definido no desenho. Entretanto, a interpretação é rigorosamente a mesma: em qualquer
secção do elemento a que se aplica a tolerância, o campo de tolerância será definido por dois
círculos concêntricos afastados de uma distância correspondente ao campo de tolerância. O
centro dos círculos corresponde à linha de referência A. Portanto, ao girarmos o setor
circular por completo, a máxima diferença ao longo de sua superfície não deve ultrapassar a
0,08 mm.
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Figura 04
Exemplo 03: batimento circular radial num cilindro em relação a mais de um elemento
Figura 05
Neste exemplo, a tolerância de batimento está sendo aplicada a um cilindro, como no
exemplo 01. O que muda aqui é a referência, agora sendo a linha de centro comum aos
cilindros (formada pelos elementos A e B), sendo a interpretação idêntica: em qualquer
plano de corte no cilindro maior, o campo de tolerância será definido por dois círculos
concêntricos afastados de uma distância correspondente ao campo de tolerância (0,1 mm).
O centro dos círculos corresponde à linha de referência A-B. Portanto, ao girarmos o eixo em
uma volta completa, a máxima diferença ao longo de sua superfície do cilindro de diâmetro
maior não deve ultrapassar a 0,08 mm.
Figura 06
Exemplo 04: batimento circular radial num cone
Figura 07
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Neste exemplo, o batimento está sendo aplicado a um cone num determinado eixo.
Interpretamos essa tolerância assim: ao girarmos a peça uma volta completa em torno do
eixo do elemento A, o campo de tolerância é delimitado por dois círculos concêntricos
afastados entre si de 0,15 mm, tomados em qualquer secção do cone. O centro comum aos
círculos corresponde à linha de centro do elemento de referência (cilindro A).
Figura 08
Exemplo 05: batimento circular radial num furo
Figura 09
Nesta peça, a tolerância de batimento está sendo aplicada a um furo em relação a um
eixo externo. A interpretação é assim: ao girarmos a peça em uma volta completa em torno
do eixo do elemento A em qualquer secção do furo, o campo de tolerância é delimitado por
dois círculos concêntricos e afastados de 0,05 mm entre si. O centro dos círculos é a linha de
referência (linha de centro) do elemento A.
Figura 10
Exemplo 06: batimento circular axial em relação a um cilindro
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Figura 11
O batimento axial é um pouco diferente do radial. Na peça acima, podemos notar que a
superfície reta (à esquerda) é o elemento a que se aplica a tolerância de batimento. O
elemento de referência é a linha de centro do cilindro médio. Portanto, assim interpretamos
a tolerância de batimento axial neste caso: o campo de tolerância é formado por duas
circunferências idênticas, afastadas entre si de 0,2 mm em torno da face a que se aplica a
tolerância. O campo de tolerância terá um formato de disco, com espessura igual à
tolerância. Ao girarmos de uma volta completa a peça em torno do elemento de referência
(eixo do cilindro central - elemento A), a superfície da face plana à esquerda deverá estar
dentro dos limites de tolerância especificados.
Figura 12
Exemplo 07: batimento circular axial em relação a um furo
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Figura 13
Agora a referência é a linha de centro do furo desta peça. Portanto, a interpretação é a
seguinte: o campo de tolerância é formado por duas circunferências idênticas, afastadas
entre si de 0,2 mm em torno da face a que se aplica a tolerância. O campo de tolerância terá
um formato de disco, com espessura igual à tolerância. Ao girarmos de uma volta completa
a peça em torno do elemento de referência (linha de centro do furo - elemento A), a
superfície da face plana à esquerda deverá estar dentro dos limites de tolerância
especificados.
Figura 14
Exemplo 08: batimento circular axial em relação a mais de um elemento
Figura 15
Neste exemplo, a tolerância é aplicada à face plana, da mesma forma que nos exemplos
06 e 07, mas agora a referência é a linha de centro formada pelos elementos A e B. A
tolerância de batimento axial é definida da seguinte maneira: o campo de tolerância é
formado por duas circunferências idênticas, afastadas entre si de 0,2 mm em torno da face a
que se aplica a tolerância. O campo de tolerância terá um formato de disco, com espessura
igual à tolerância. Ao girarmos de uma volta completa a peça em torno do elemento de
referência (A-B), a superfície da face plana à esquerda deverá estar dentro dos limites de
tolerância especificados.
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Figura 16
Exemplo 09: batimento circular em qualquer direção
Figura 17
Aqui podemos estabelecer uma comparação entre este exemplo e o exemplo 04 e mostrar
a diferença de interpretação entre eles. Neste exemplo não há nenhuma cota de referência
no cone, o que indica que a direção de medição do batimento é PERPENDICULAR à
superfície. Então, o campo de tolerância em cima do cone (elemento no qual está sendo
aplicada a tolerância de batimento) é assim definido: o campo de tolerância é dado por dois
círculos concêntricos e afastados 0,1 mm entre si. O centro dos círculos corresponde à linha
de centro do cilindro de menor diâmetro (elemento A). DETALHE: o campo de tolerância é
definido PERPENDICULARMENTE à superfície do cone (em cima da linha laranja na figura
18).
Figura 18
Exemplo 10: batimento circular em qualquer direção
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Figura 19
Assim como no exemplo 10, não há nenhuma referência na superfície curvilínea, mas
devido à superfície não ser retilínea, para definirmos o batimento neste caso devemos pegar
uma linha perpendicular à tangente no ponto escolhido. Então o campo é definido como dois
círculos concêntricos afastados entre si de 0,1 mm, cujo centro coincide com a linha de
referência "A" (linha de centro do cilindro menor). O campo é aplicado em cima da linha
perpendicular à tangente do ponto na superfície curvilínea (linha em laranja na figura 20).
Figura 20
Exemplo 11: batimento circular numa direção especificada
Figura 21
Aqui temos mais uma superfície curvilínea, entretanto, com a aplicação da tolerância
geométrica de batimento numa direção especificada. Então, o campo de tolerância
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corresponderá a dois círculos concêntricos e distantes 0,1 mm entre si, com centro na linha
de referência (linha de centro do cilindro menor - elemento A), mas agora a linha de apoio é
na direção especificada, com inclinação de "a" graus (linha em laranja na figura 22).
Figura 22
Casos como os apresentados nos exemplos 09 e 11 são mais difíceis de serem medidos,
embora em alguns casos serem o último recurso utilizado por projetistas para que a peça
atenda aos requisitos funcionais necessários.
Casos como o que apresentamos no exemplo 10 são mais difíceis de se medir
manualmente, devido à referência não ser constante ao longo de toda a superfície.
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Atualizado em 03/03/03
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