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Legislação de Trânsito no Brasil: Segurança Viária

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Disposições constitucionais

Para começar o estudo acerca de Legislação de Trânsito, é


importante se fazer alguns apontamentos localizado na
Constituição Federal de 1988. Primeiramente, o direito de
locomoção é assegurado a todos, conforme o art. 5°, XV, inclusive
sendo tal dispositivo remediado pelo Habeas Corpus.

Diante disso, cabe explanar acerca de uma das vertentes da


liberdade, tal qual exercida nas vias, a chamada segurança
viária. Repare que a liberdade de locomoção, segundo a melhor
doutrina (nessa vertente, José Afonso da Silva), envolve tanto o
direito de ir quanto o de vir e o de permanecer onde se está. No
entanto, tal direito não deve ferir direito alheio, cerceando a
locomoção de outrem.

Frente a isso, para assegurar a chamada segurança viária, sendo


esta incluída pela EC 82/2014 e consubstanciada no direito de
circular em locais públicos e determinados, envolvendo o convívio
público e social, o art. 144, parágrafo 10 da
CF elenca os chamados órgãos de trânsito, que serão regidos por
lei específica:

Art. 144, § 10. A SEGURANÇA VIÁRIA, exercida para a


preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do
seu patrimônio nas vias públicas:
1 - compreende a educação, engenharia e fiscalização de trânsito,
além de outras atividades previstas em lei, que assegurem ao
cidadão o direito à mobilidade urbana eficiente;
II - compete, no âmbito dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios, aos respectivos órgãos ou entidades executivos e seus
agentes de trânsito, estruturados em Carreira, na forma da lei.
Perceba que a CF cita que a segurança viária será exercida para (1)
a preservação da ordem pública, (2) da incolumidade das pessoas
(ou seja, segurança das pessoas) e (3) do seu patrimônio,
restringindo tal direito às vias públicas. Ora, o patrimônio
particular é gerido pelo proprietário, e não cabe aos órgãos públicos
o controle desses locais.

Os termos "segurança viária" são amplos, e compreendem:


educação: trata-se do conhecimento dado à população sobre a
utilização das vias; engenharia: envolve a criação e manutenção
das vias da melhor forma e permitindo o tráfego seguro e eficaz;
fiscalização: remete à ideia do controle sobre o uso das vias,
evitando situações graves e que limitem o exercício do trânsito.

Quanto à mobilidade, é bem verdade que o texto constitucional se


refere apenas à modalidade "urbana", no entanto, tal previsão deve
ser vista de maneira ampla, ou seja, além das vias urbanas,
também deve ser assegurado a mobilidade nas vias rurais
(estradas e rodovias).

Por fim, cabe ressaltar que os pontos em que a CF cita "nos termos
da lei", essa ponderação remete notadamente à lei 9.503/97, o
chamado Código de Trânsito
Brasileiro (CTB).

ORGANIZAÇÃO DA SEGURANÇA VIÁRIA NO BRASIL


No que tange à organização e fiscalização das vias, é possível
dividir três grandes vertentes de atuação dos órgãos de trânsito, a
saber:
Nível Federal
O exercício das atividades de trânsito em nível nacional ocorre por
meio do CONTRAN, um verdadeiro órgão regulamentador de
trânsito em nível nacional, pelo SENATRAN e pelo DNIT - será
melhor trabalhado dentro do СТВ.

A execução da fiscalização e do patrulhamento ostensivo das


rodovias federais foi atribuída à Polícia Rodoviária Federal, no
inciso parágrafo 2º do art. 144.

Art. 144, 5 2°. A polícia rodoviária federal, órgão permanente,


organizado e mantido pela União e estruturado em carreira,
destina-se, na forma da lei, ao patrulhamento ostensivo das
rodovias federais.

Além disso, é intrínseca à PRE, além da abordagem preventiva, a


atuação repressiva quanto ao cometimento de crimes, notadamente
aqueles de âmbito federal. O Decreto 1.655/97 atribui à PRF mais
algumas atividades:

Art. 1° À Polícia Rodoviária Federal, órgão permanente, integrante


da estrutura regimental do Ministério da Justiça, no âmbito das
rodovias federais, compete:
1 - realizar o patrulhamento ostensivo, executando operações
relacionadas com a segurança pública, com o objetivo de preservar a
ordem, a incolumidade das pessoas, o patrimônio da União e o de
terceiros;
II - exercer os poderes de autoridade de polícia de trânsito,
cumprindo e fazendo cumprir a legislação e demais normas
pertinentes, inspecionar e fiscalizar o trânsito, assim como efetuar
convênios específicos com outras organizações similares;
III - aplicar e arrecadar as multas impostas por infrações de
trânsito e os valores decorrentes da prestação de serviços de estadia
e remoção de veículos, objetos, animais e escolta de veículos de
cargas excepcionais;
VIII - executar medidas de segurança, planejamento e escoltas nos
deslocamentos do Presidente da República, Ministros de Estado,
Chefes de Estados e diplomatas estrangeiros e outras autoridades,
quando necessário, e sob a coordenação do órgão competente;
IX - efetuar a fiscalização e o controle do tráfico de menores nas
rodovias federais, adotando as providências cabíveis contidas na
Lei n°8.069 de 13 junho de 1990
X - colaborar e atuar na prevenção e repressão aos crimes contra a
vida, os costumes, o patrimônio, a ecologia, o meio ambiente, os
furtos e roubos de veículos e bens, o tráfico de entorpecentes e
drogas afins, o contrabando, o descaminho e os demais crimes
previstos em [Link], outros pontos relativos à PRF serão
trabalhados dentro do Código de Trânsito Brasileiro.

ATENÇÃO! Não cabe à PRF o patrulhamento ostensivo das


ferrovias federais! Tal atribuição será da Polícia Ferroviária
Federal.
Nível Estadual e Distrital

No que diz respeito à atuação em nível Distrital e Estadual, a CF


atribui as atividades de segurança viária aos respectivos órgãos
que integram esses entes, os chamados hoje de CETRAN, Detran e
respectivos órgãos de infraestrutura
Quanto à atividade fiscalizatória, caberá aos Estados e ao DF
exercê-la da melhor forma. A opção mais notada atualmente é um
convênio feito entre os órgãos de trânsito e a Polícia Militar, a
qual cria a chamada Polícia Militar Rodoviária ou Polícia
Rodoviária Estadual. O que acontece é uma delegação de
competência firmado em contrato que atribui às PMs o exercício
de fiscalização.
Nível Municipal

Em se tratando dos Municípios, também a CF confere autonomia


na criação dos órgãos de trânsito, os quais serão chamados
genericamente nesta obra de DEMUTRANs, justamente pela
heterogeneidade de nomenclatura das secretarias ou
departamentos de trânsito em todo o território brasileiro.

COMPETÊNCIA PARA LEGISLAR


Por fim, cabe ressaltar que apenas a união é quem pode legislar
privativamente sobre trânsito e transporte (Art. 22, XI, CF/88).
Lembrando que Lei Complementar pode delegar tal função aos
Estados e DF (não englobando os municípios):
Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre:
XI - trânsito e transporte;
Parágrafo único. Lei complementar poderá autorizar os Estados a
legislar sobre questões específicas das matérias relacionadas neste
artigo.

No que diz respeito à criação dos órgãos de trânsito, a competência


será de cada ente federativo, na expectativa de organizar os órgãos
de trânsito mediante lei.
Nessa mesma vertente segue os tribunais superiores:
STF - ADI 4.945 - PROCESSO LEGISLATIVO. INICIATIVA.
Ao Chefe do Executivo estadual compete a iniciativa de projetos de
lei concernentes à respectiva estrutura administrativa, a teor do
disposto nos artigos 61, § 19, inciso II, alínea "e", e 84, inciso VI,
alínea "a", da Constituição Federal, aplicáveis aos Estados por força
da simetria (julgado em 20/09/2019).

Ao longo de toda história, o Brasil teve três documentos sobre


trânsito (atualmente em vigência é o terceiro). O CTB está dividido
em parte administrativa (Arts. 1° ao 290 + 313 ao 341) e parte
criminal (Arts. 291 ao 312-B), sendo composto por 22 capítulos,
um anexo e uma resolução acerca da sinalização de trânsito (Res.
160/04 CONTRAN).

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