Em 2023, os casos de dengue se aproximam dos níveis mais críticos já
registrados pelo Ministério da Saúde. Em 2022, houve 1,45 milhão de casos,
superando um milhão em 2013, 2015, 2016 e 2019. O ano de 2015 foi o pior,
com 1,69 milhão de infecções. Em relação às mortes, 2022 superou o recorde
histórico, com 1.016 óbitos, tornando-se o mais letal. Esse cenário preocupa os
especialistas em saúde, levando o ministério a lançar a campanha "Brasil unido
contra a dengue, Zika e chikungunya" no início do ano. Quanto aos óbitos em
2023, até o último dia 11, houve 434 mortes por dengue e 381 em investigação,
enquanto no mesmo período do ano anterior foram 722 óbitos, com 50 ainda
sob análise. Quanto à chikungunya, em 2022 houve 41 mortes e 5 casos
suspeitos, mas em 2023 foram registradas 26 mortes e 45 casos em
investigação até o momento.
O impacto global da dengue tem aumentado substancialmente nas
últimas décadas, tornando-se uma ameaça significativa à saúde pública.
Aproximadamente metade da população mundial está agora vulnerável à
contratação da doença.
A dengue é prevalente em regiões de climas tropicais e subtropicais,
principalmente em áreas urbanas e semiurbanas, criando desafios
significativos para o controle da sua disseminação. Além disso, a dengue grave
representa uma das principais causas de enfermidades graves e óbitos,
particularmente entre crianças em várias nações da Ásia e da América Latina.
Infelizmente, não há um tratamento específico disponível para a dengue ou sua
forma grave. Entretanto, a detecção precoce e o acesso a cuidados médicos
apropriados têm a capacidade de reduzir as taxas de mortalidade para menos
de 1%.
O plano diretor compreende um objetivo geral e uma série de objetivos
específicos para enfrentar a dengue. O objetivo geral é evitar fatalidades
relacionadas à dengue e controlar possíveis surtos epidêmicos. Os objetivos
específicos abrangem a organização de ações preventivas e de controle da
dengue, a avaliação dos riscos nos serviços de saúde, o fornecimento de
assistência apropriada aos pacientes, incluindo acesso, diagnóstico e
tratamento realizados por profissionais qualificados. Além disso, aprimora a
vigilância epidemiológica, garantindo notificação, investigação de casos e
monitoramento dos sorotipos virais de forma ágil. O plano também estabelece
padrões para insumos estratégicos e propõe estratégias para reduzir a força de
transmissão da doença, por meio do controle do vetor e dos locais de
reprodução. Ele promove a capacitação de profissionais de saúde e gestores e
busca sistematizar as atividades de mobilização e comunicação. Ainda, visa
melhorar a análise da situação epidemiológica e da organização da rede de
atenção para guiar a tomada de decisões. O plano fortalece a coordenação
entre diferentes áreas e serviços, visando à integração das ações no
enfrentamento da dengue e reforça a colaboração interdisciplinar em todas as
esferas de gestão.
A maioria das mortes por dengue é evitável e depende da qualidade da
assistência e da organização dos serviços de saúde. A triagem baseada na
gravidade da doença é essencial para acelerar o diagnóstico, tratamento e
internação, quando necessário, além de priorizar casos graves e gerenciar o
fluxo de pacientes nas unidades de saúde.
A organização da rede de serviços de saúde desempenha um papel
fundamental no combate às epidemias de dengue. A implementação de
protocolos clínicos, sistemas de referência e contrarreferência com base na
classificação de risco permite o atendimento oportuno e de qualidade aos
pacientes, reduzindo o risco de óbitos. A Atenção Primária é a porta de entrada
preferencial para casos suspeitos de dengue, mas todos os serviços de saúde
devem estar prontos para classificar riscos, prestar atendimento e encaminhar,
se necessário, garantindo a transferência adequada. Devido ao cenário
epidemiológico recorrente no Brasil, com um aumento de casos graves em
adultos e crianças, é crucial aprimorar e organizar os serviços de saúde em
todos os níveis. Recomenda-se a adoção das diretrizes para classificação de
risco, organização dos serviços e estratégias de combate a epidemias de
dengue.
A classificação de risco em grupos de estadiamento é essencial no
atendimento de suspeitas de dengue. Qualquer pessoa com suspeita da
doença deve ser inicialmente atendida na unidade de saúde que procurar.
Mesmo que haja encaminhamento para outros serviços, é fundamental garantir
o suporte de vida necessário para o transporte e fornecer orientações sobre a
rede de assistência. O acompanhamento deve seguir as diretrizes a seguir:
Grupo A - Azul: Pacientes com sintomas clássicos de dengue, como febre por
menos de 7 dias e pelo menos dois sintomas inespecíficos, como cefaleia,
mialgia, artralgia, prostração, dor retroorbitária. Eles devem ser atendidos em
Unidades de Atenção Primária em Saúde. Também devem apresentar
ausência de sinais de alarme, ausência de sinais de choque, prova do laço
negativa e ausência de manifestações hemorrágicas espontâneas. Em
lactentes, sintomas como sonolência, irritabilidade e choro persistente podem
ser considerados indicativos de cefaleia e algias.
No que diz respeito à classificação de risco, pacientes que apresentem
manifestações hemorrágicas espontâneas ou prova do laço positiva são
designados como Grupo B - Verde. Para atender a essa condição, é
necessário buscar assistência em unidades de saúde que disponham de
suporte para observação.
Pacientes enquadrados no Grupo B - Verde devem apresentar febre com
duração inferior a 7 dias e pelo menos dois dos seguintes sintomas
inespecíficos: cefaleia, mialgia, artralgia, prostração, dor retroorbitária, bem
como manifestações hemorrágicas, como gengivorragia, metrorragia,
petéquias, equimoses, ou sangramento de mucosa, ou ainda sangramento
menor no trato gastrointestinal.
É importante observar que, dependendo da organização da rede de serviços de
saúde, tanto unidades de Atenção Primária quanto de Atenção Secundária
(como pronto atendimento ou hospitais de pequeno porte) podem ser
apropriadas como locais com suporte para observação desses pacientes.
Na classificação de risco, pacientes que apresentem sinais de alarme são
alocados no Grupo C - Amarelo. Estes pacientes requerem atendimento de
urgência e devem ser encaminhados para um hospital de referência que
disponha de maior suporte técnico.
Os sinais de alarme que caracterizam essa classificação incluem dor
abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, hipotensão postural e/ou
lipotímia, sonolência e/ou irritabilidade, hepatomegalia dolorosa, hemorragias
significativas (como hematêmese e/ou melena), diminuição da diurese,
diminuição súbita da temperatura corpórea ou hipotermia, desconforto
respiratório, aumento repentino do hematócrito e queda abrupta das plaquetas.
Portanto, pacientes com esses sintomas requerem cuidados médicos imediatos
em um hospital especializado.
Na classificação de risco, pacientes que apresentem sinais de choque são
alocados no Grupo D - Vermelho. Estes pacientes requerem atendimento
imediato e devem receber hidratação venosa vigorosa (fase de expansão) em
qualquer unidade de saúde. Posteriormente, devem ser transferidos, em uma
ambulância com suporte avançado, para um hospital de referência que
disponha de leitos de UTI.
Os sinais de choque que caracterizam essa classificação incluem pressão
arterial convergente (PA diferencial <20mmHg), hipotensão arterial,
extremidades frias, cianose, pulso rápido e fino, e enchimento capilar lento
(superior a 2 segundos). Portanto, pacientes com esses sintomas necessitam
de cuidados médicos imediatos e devem ser encaminhados para unidades de
atenção terciária em saúde com leitos em Unidade de Terapia Intensiva para
receberem o tratamento adequado.
REFERÊNCIAS
Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde Disponível em:
[Link]
ntrole_dengue.pdf Acesso em 22 de Outubro de 2023.