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Darwinismo Social e Eugenia no Brasil

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Darwinismo Social

Darwinismo social é uma teoria que trata da evolução da sociedade. Recebe esse nome uma vez que
se baseia no Darwinismo, que é a teoria da evolução desenvolvida por Charles Darwin (1808-1882), no
século XIX.

O darwinismo social acredita na premissa da existência de sociedades superiores às outras.

Em virtude de ser uma teoria que considera e divide a sociedade em raça superior e raça inferior - a
chamada superioridade racial, o darwinismo social - que tem também como base ideais nacionalistas -
consiste em um pensamento preconceituoso e racista.
Deste modo, acreditava que se os europeus eram tão bons dominadores, esse fato decorria de a sua
raça ser superior às demais.
Da mesma forma, o monopólio do comércio acompanhado pelos progressos científicos e tecnológicos
era reflexo dos povos capacitados para essa situação.
Enquanto isso, os países que ficaram limitados ao fornecimento de mão de obra seriam inferiores, os
menos capazes.
Darwinismo Social no Brasil

A presença do darwinismo social é revelada no racismo no Brasil, que tem origem na


época da colonização.
O darwinismo social tem ainda lugar no neocolonialismo ou imperialismo (não nos
modelos antigos, mas de um imperialismo contemporâneo).
Trata-se da política de expansão e domínio político e econômico e é resultado da
exploração dos países colonizados, em virtude da demanda industrial das potências
emergentes.
Assim, a propósito do darwinismo social era corroborado pelo processo de dominação
política e econômica e legitimação das potências emergentes, o chamado neocolonialismo.
Como consequência, decorria a conquista de povos, que transmitia a ideia de benefício
para o povo conquistado.
Assim, eles passariam a ser dirigidos por pessoas capazes para transformar e progredir
seu povo. Isso, conferia ao conquistador a sua superioridade, visto que as nações superiores
tinham a missão de “civilizar” as inferiores.
EUGENIA

Eugenia é um termo que veio do grego e significa ‘bem nascido’. “A eugenia surgiu para validar a segregação
hierárquica”.
A ideia foi disseminada por Francis Galton, responsável por criar o termo, em 1883. Ele utilizava para se referir
ao conceito de seleção natural de Charles Darwin – que, por sinal, era seu primo.
“Galton pretendeu estender as implicações da teoria da seleção natural, indicando que os seus estudos
demonstravam que além da cor do olho, feição, altura e demais aspectos fisiológicos, também traços
comportamentais, habilidades intelectuais, poéticas e artísticas seriam transmitidas dos pais aos filhos”.
O Brasil não só ‘exportou’ a ideia como criou um movimento interno de eugenia. Médicos, engenheiros,
jornalistas e muitos nomes considerados a elite intelectual da época no Brasil viram na eugenia a ‘solução’ para o
desenvolvimento do país.
Eles buscavam, portanto, respaldo para excluir negros, imigrantes asiáticos e deficientes de todos os tipos.
Assim, apenas os brancos de descendência europeia povoariam o que eles entendiam como ‘nação do futuro’.
Nos primeiros anos do século XX havia no Rio, então capital brasileira, a ideia de que as epidemias brasileiras
eram culpa do negro, recém-liberto com a abolição da escravatura (1889).
Portanto, para parte da elite intelectual da época, a eugenia seria uma forma de ‘higiene social’, tanto que
“saneamento, higiene e eugenia estavam muito próximas e confundiam-se dentro do projeto mais geral de
‘progresso’ do país”.
Entre a segunda metade do século XIX e a primeira metade do século XX, vigoraram em várias
partes do globo as teses eugenistas, isto é, teses que defendiam um padrão genético superior
para a “raça” humana. Tais teses defendiam a ideia de que o homem branco europeu tinha o
padrão da melhor saúde, da maior beleza e da maior competência civilizacional em
comparação às demais “raças”, como a “amarela” (asiáticos), a “vermelha” (povos indígenas) e
a negra (africana).
Nesse período, alguns intelectuais brasileiros incorporaram essas teses e delas derivaram
outra, por sua vez, “aplicável ao contexto do Continente Americano: a “tese do
branqueamento.” A defesa do branqueamento, ou do “embranquecimento”, tinha como ponto
de partida o fato de que, dada a realidade do processo de miscigenação na história brasileira,
os descendentes de negros passariam a ficar progressivamente mais brancos a cada nova prole
gerada.
O antropólogo e médico carioca João Baptista de Lacerda foi um dos principais expoentes da tese do
embranquecimento entre os brasileiros, tendo participado, em 1911, do Congresso Universal das Raças, em
Londres.
Em um trecho do referido artigo, Baptista afirma: “A população mista do Brasil deverá ter pois, no intervalo de
um século, um aspecto bem diferente do atual. As correntes de imigração europeia, aumentando a cada dia mais o
elemento branco desta população, acabarão, depois de certo tempo, por sufocar os elementos nos quais poderia
persistir ainda alguns traços do negro.” Percebe-se nitidamente nesse trecho o teor do anseio pelo branqueamento.

Um fator curioso da apresentação de Baptista no Congresso Universal das Raças foi a exibição de uma cópia do
quadro “A Redenção de Cam” (ver imagem no topo do texto), do pintor espanhol Modesto Brocos. Esse quadro foi
concluído em 1895 e apresenta a imagem de uma família: à esquerda, uma senhora negra olhando para os céus em
gesto de agradecimento e uma mulher mestiça segurando uma criança branca; à direita, um homem branco
observando a esposa e o filho.
A imagem do quadro transmite categoricamente a tese que Baptista defendia: o embranquecimento através das
gerações. Brocos propõe a diluição da cor negra na sucessão de descendentes e insere nessa sucessão a
“redenção”, a “absolvição” de uma “raça amaldiçoada”, isto é, a descendência de Cam, filho de Nóe, que, no livro
do Gênesis, é amaldiçoado pelo pai. A história de Cam, a despeito de seu simbolismo bíblico, foi interpretada à
revelia pelo racialismo do século XIX, no qual Brocos estava envolto. O “escurecimento” dos descendentes de Cam
teria desembocado na raça negra africana, que poderia ser redimida por meio da mistura com a raça branca
europeia.
O Mito da democracia Racial

O conceito democracia racial foi cunhado pelo médico e antropólogo Arthur Ramos, mas é comumente associado ao
sociólogo Gilberto Freyre. Isso porque, em sua obra “Casa Grande e Senzala” (1933), Freyre foi um grande
propagador da ideia de democracia racial ao defender que, ainda que a colonização tenha sido marcada pela
imposição dos valores europeus, a grande miscigenação no Brasil teria contribuído para proporcionar uma relação
menos conflituosa entre as raças. A partir dessa lógica, o autor interpretou o povo brasileiro como sendo pacífico e
cordial, que se orgulha e convive com a diversidade de forma harmoniosa. Freyre não negava a violência e o
preconceito contra negros no Brasil, mas considerava esses fatores circunstanciais, e não estruturais.
Vale lembrar que, nesse período, o Brasil estava buscando elementos que constituiriam a sua identidade nacional.
Então, o discurso de um país miscigenado e harmonioso, onde o convívio era tolerante serviu como meio de
promover essa ideia de coesão e identidade nos anos 1930.
A partir desse “mito da democracia racial” – termo cunhado pelo sociólogo Florestan Fernandes –, foi se construindo
uma visão de que não existiria racismo no Brasil. Diferentemente de outros países que institucionalizaram leis
segregacionistas (Estados Unidos e África do Sul, por exemplo), em tese, o Brasil não teria adotado práticas
discriminatórias. Esse discurso também contribuiu para inibir o debate sobre a situação de exclusão na qual a
população negra se encontrava e as suas reivindicações durante muito tempo. Afinal, se negros e brancos vivessem
em uma situação de igualdade, não seria necessária uma reparação histórica ou questionamentos sobre a estrutura
da sociedade

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