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Direitos Humanos em Moçambique: Vida e Liberdade

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UNIVERSIDADE CATÓLICA PORTUGUESA

MESTRADO EM CIÊNCIA POLÍTICA

GOVERNAÇÃO E RELAÇÕES INTERNACIONAIS

DISCIPLINA

DIREITOS HUMANOS NAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS

TEMA

Mecanismos de Promoção e Preservação do Direito à vida, à liberdade e à


segurança pessoal em Moçambique

“Todo o indivíduo tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal” artigo 3,


Declaração Universal do Homem

[Link] Raquel Vaz Pinto

Autor: Paulo Domingos Muenda Muerembe

Setembro de 2010
INTRODUÇÃO

...não constituirmos, cada um de nós, senão um

elo dessa imensa corrente fluida que é a vida e

que, por isso mesmo não temos o direito de

interromper...1

A defesa dos Direitos Humanos, como qualquer outro ideal, será tanto mais eficiente
numa sociedade, quanto mais se consiga expandir o seu conhecimento e se desenvolva a
consciência da necessidade de proteger o ser humano de toda e qualquer violação de direitos2.

Para que se alargue a consciência desses direitos, é necessário que sejam divulgados
no seio do povo, alertando sobre as diversas formas da sua violação e ensinando o modo de as
prevenir.

Do mesmo modo interessa transmitir mecanismos que conduzemà sua reposição


e/ou à sua reparação, quando se verifique a violação de tais direitos.

Todavia, a vida é o bem fundamental do ser humano, pois sem a vida, não há que se
falar em outros direitos, nem mesmo os de personalidade. Com base nesse entendimento, todo o
homem tem direito à vida, ou seja, o direito de viver e não apenas isso, tem o direito de uma
vida plena e digna, respeito aos seus valores e necessidades.

Com este artigo, pretende-se apresentar um resumo informativo sobre a os Direitos


Humanos mais virada ao direito à vida, à liberdade e à segurano 3 da Declaração Universal dos
Direitos Humanos. Busca-se também elucidar a vida como direito primordial da
personalidade, e as sanções de tal transgressão, tendo como campo de análise a República
de Moçambique. Para o seu fundamento a questão que se coloca é a seguinte: Que mecanismos
ou passos Moçambique tem seguido para a promoção e preservação do direito à vida, à
liberdade e à segurança pessoal de seus cidadãos?

1
CHAVES, Antônio. Direito à Vida e ao Próprio Corpo (intersexualidade, transexualidade, transplantes). 2ª
ed. revista e ampliada. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 1994., p. 25. O autor conclui esta
frase, aduzindo que o aborto, salvo em casos excepcionais, trata-se de crime.
2
SACRAMENTO, Luís et all, Manual de Paralegal-Lida Moçambicana dos Direitos Humanos, Ed. Revista, 2006, p.1
O texto está organizado nos seguintes pontos: CAPÍTULO I –
ENQUADRAMENTO TEÓRICO CONCEPTUAL - 1) Conceptualização, 1.1) Classificação dos
Direitos Humanos, 1.2) Violação dos Direitos Humanos, 1.3) Formas de violação dos Direitos
Humanos; CAPÍULO II – DIREITOS HUMANOS NO DIREITO MOÇAMBICANO - 2.1)
Antecedentes históricos, 2.2) Direitos Humanos à luz da Constituição da República de
Moçambique, 2.3) Direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal, 3) Conclusão, 4) uma lista
de referências bibliográficas, sobretudo de trabalhos publicados.
CAPÍTULO I – ENQUADRAMENTO TEÓRICO – CONCEPTUAL

1. Conceptualização

Vários estudos sobre os Direitos Humanos, tentam definir o termo em função das
políticas vigentes em cada Nação, país ou territorio tomando em conta o seu processo de
democratização mas há um entendimento comum de que quando se fala de Direitos Humanos
está a se falar de direitos e liberdades básicas que devem gozar todos os seres humanos sem
distinção.

Ora, nalgumas vezes tem-se confundido Direitos Humanos com Direito do Homem
mas são questões meramente exclusivas. E para melhor aclarar pode-se partir do seguinte:

• Direito – algo que se rege por normas, princípios, etc;


• Humano – o que tem vida, consciente, inteligente, etc

Se porventura a esse humano fosse-lhe retirado todos os direitos que possui com
os quais poder-se-ia pedir para permanecer com ele? Opina-se que seria melhor conceder-lhe o
direito à vida (cf. artigos 1º e 3º, da DUDH) porque através deste é possível conquistar outros
direitos como a liberdade, segurança, etc.São direitos inerentes a um ser humano enquanto vivo.

Em referência ao artigo 1º da DUDH, pode-se aferir que os Direitos Humanos são


“direitos que todas as pessoas têm, simplismente por serem humanas” dai que nasçam livres e
iguais em dignidade e em direitos, dotados de razão e de consciência, devendo, agir uns para
com os outros em espiríto de fraternidade.

Outrossim, Direitos Humanos ou Direitos do Homem são aqueles direitos históricos


que o homem possui pelo facto de ser homem, por causa da sua própria natureza humana, pela
dignidade que lhe é inerente. São direitos que não resultam de uma concessão da sociedade
política ou autoridade qualquer que seja autoridade. Pelo contrário, são direitos que a sociedade
política ou autoridade tem o dever de consagrar, respeitar, promover, defender e garantir a sua
realização3, direitos em contínuo movimento.

3
ARENDT, Hannah. Da revolução. São Paulo: Ática, 1988, p.25

______. A condição humana. Rio de Janeiro: Forense Universitário, 1981.


Pretende-se com isto dizer que não haverá distinção de cor, raça, sexo, oriegm
étnica, lugar de nascimento, estado civil do pais, situação económica, posição social, julgamento
moral, filiação partidária ou religiosa ou ideológica na percepção dos direitos humanos. Esta
igualdade consagrada por lei tem fundamento nas características 4 dos direitos humanos, que são
universais, indivisíveis, inalienáveis e interdependentes entre si.

Os Direitos Humanos são inerentes a pessoa humana – os direitos não têm que ser
atribuidos, conquistados ou herdados. Eles pertencem às pessoas, simplismente porque estas são
seres humanas. São direitos que nascem com as pessoas e acompanham em todo o ciclo da sua
vida (exemplo: a vida, a liberdade e a dignidade)

• Universalidade – significa que ele não têm fronteiras na sua aplicação.


Independentemente das origens, seja negroide, caucasoide ou mongoloide, os Direitos
Humanos são iguais para todos seres humanos. Pois, cada país através dos dispositivos de
ractificação torna os direitos humanos em legislação internacional em direitos de
protecção interna, passando a chamá-los de direitos fundamentais, tal como consagra a
Constituição da República de Moçambique (CRM) – artigo 66 e ss. Todos os seres
humanos nascem livres e iguais em direitos e dignidade e este estatuto deve ser
respeitado por todos no mundo.

• Indivisibilidade – as diversas categorias dos direitos humanos tem igual importância. Por
isso, não se deve negar um direito por ser considerado menos importante em relação ao
outro. Para viver em dignidade , todos os seres humanos têm o direito à liberdade, à
segurança e aos padrões de vida decentes. Por exemplo, não é possível viver em
dignidade se a pessoa não tem direito a uma alimentação adequada ou então durante a
eduacação.

• Inalienabilidade – cada cidadão tem seus direitos e não lhe podem ser retirados em
quaisquer circunstâncias, visto serem inerentes a ela. Ninguém pode negociar ou
renunciar os direitos humanos, mesmo quando as leis dos seus países não consagram,
especialmente as pessoas continuam a ter seus direitos porque são inerentes a pessoa
humana.
• Interdependência – quando se exerce o direito de participar na vida política, previsto
pela Constituição, está-se por outro lado o direito de expressão (artigos 73 e 74 da CRM).

4
Ibidem
Os Direitos Humanos decorrem do reconhecimento da dignidade intrínseca a
todo ser humano e difere dos outros direitos do cidadão (embora estes estejam, ai incluídos em
grande parte) porque os direitos humanos extrapolam as condições legais e as fronteiras, as
quais definem cidadania e nacionalidade. A ausência de cidadania jurídica, por exemplo, não
implica na ausência de direitos humanos.

1.1. Classificação dos Direitos Humanos

Os Direitos Humanos são proclamados em documentos internacionais tais como


a DUDH, os Pactos Internacionais sobre os Direitos Civis e Políticos e sobre os Direitos
Económicos, Sociais e em documentos regionais como a Carta Africana dos Direitos do Homem
e dos Povos. Nesse momento, torna-se necessário, para fins didácticos e de compreensão
histórica, classificar os direitos humanos em três gerações as quais, correspondem de certa
forma, àqueles ideais a Revolução Francesa: Liberdade, Igualdade e Fraternidade.

Por Liberdade5, engloba os direitos civis, políticos e as liberdades individuais,


fruto da longa marcha das idéias liberais e têm sua inserção marcada pelas conquistas libertárias.
Por Igualdade6, entendem-se os direitos económicos e sociais (basicamente vinculados ao
mundo do trabalho). Por Fraternidade, entendem-se os direitos decorrentes da solidariedade,
alguns falam em fraternidade planetária. Corresponde ao direito à autodeterminação dos povos e
passou incluir mais recentemente, o direito ao desenvolvimento, o direito à paz, ao meio
ambiente saudável, ao usufruto dos recursos naturais qualificados como patrimônio comum da
humanidade.

À luz do alto comissariado de Direitos Humanos da Organização das Nações


Unidas (ONU), contudo, pode se falar em direitos humanos multiculturais, como os direitos
sócio-económicos, políticos e socioculturais, direitos inerentes a todos os seres humanos, que
contemplam grupos que foram sistematicamente excluídos ao longo da História Universal, como
mulheres, crianças, minorias étnicas e grupos com reivindicações particulares, como gays,
lésbicas, deficientes físicos e outros grupos sociais. Os ideais de liberdade, igualdade e justiça
são agora traduzidos pelos novos discursos de uma inclusão cada vez maior na democracia
participativa.

5
Direito à liberdade perante a lei, direito ao julgamento justo, direito à liberdade de oponião, direito à liberdade
de reunião, o direito de associação, o direito de ser votado e de votar, o direito de pertencer a um partido, o
direito de participar de um movimento social, entre outros;
6
Direito a moradia, direito ao trabalho, direito à propriedade, direito à educação, direito à saúde, etc.
Um ponto importante a ser destacado é a relação, muitas vezes tida como
dilemática, entre igualdade e liberdade. Se os direitos civis e políticos exigem que todos gozem
da mesma liberdade, são os direitos sociais que garantirão a redução das desigualdades de
origem; caso contrário, a falta de igualdade pode gerar a falta de liberdade. Por sua vez, não é
menos verdade que a liberdade propicie as condições para as reivindicações de direitos sociais. É
preciso entender o significado de igualdade contido na proposta de cidadania democrática. Não
se trata de igualdade como sinónimo de ‘uniformidade’ de todos os seres humanos - com suas
diferenças de raça, etnia, sexo, ocupação, talentos específicos, religião, opção política e cultura
no sentido mais amplo. Os cidadãos, enquanto corpo colectivo de uma sociedade complexa
assumem responsabilidades de preservar as diferenças formando uma rede participativa, como
observou Habermas (2001, p.97-98): “em sociedades complexas, a formação da vontade e da
opinião deliberativa dos cidadãos – fundada no princípio da soberania do povo e dos direitos
do homem – constitui em última instância o meio para uma forma de solidariedade abstrata,
criada de modo legal reproduzida graças à participação polí[Link] diferenças não significam,
necessariamente, desigualdades, isto é, não existe valoração hierárquica inferior/superior na
distinção entre pessoas diferentes. Homens e mulheres são diferentes, mas a desigualdade estará
implícita se tratar essa diferença estabelecendo a superioridade masculina, por exemplo. O
mesmo se pode dizer das diferenças culturais e étnicas. A diferença pode ser enriquecedora, mas
a desigualdade pode ser crime. Charles Taylor (1994), Michael Walzer (1985), enfatizam a
cultura e o grupo social que conferem identidades aos indivíduos ‘atomizados’ pelas tendências
desenraizadoras da sociedade liberal. O indivíduo não é anterior à sociedade, é construído por
fins que não escolhe, mas que descobre em função de sua vida em contextos culturais
compartilhados na sociedade. Aqui, destacam-se os aspectos culturais e políticos da
comunidade como elementos centrais na organização do self individual”.

1.2. Violação dos Direitos Humanos

Todo o defensor e/ou estudioso dos Direitos Humanos deve saber diostinguir
claramente a violação dos Direitos Humanos da violação de outros direitos subjectivos. O
entendimento desta questão é importante para o sucesso da luta a favor da promoção e protecção
dos Direitos Humanos em todo o universo do planeta Terra.

É que o defensor dos Direitos Humanos não deve lidar com todos os casos de
violações de direitos mas somente com as violações ou abusos de Direitos Humanos.
Para que se fale de violação de um Direito Humano é necessário que o direito
violado seja considerado um Direito Humano, isto é, tratar-se de um direito inerente à pessoa
humana, universal, inalienável.

As regras relativas aos Direitos Humanos são acordadas e fixadas em


instrumentos jurídicos internacionais tais como a DUDH de 1948, os Pactos Internacionais de
Direitos Civis e Políticos e de Direitos Económicos, Sociais e Culturais de 1996, a Convenção
Europeia para a Protecção dos Direitos Humanos e Liberdades Fundamenais de 1950, a Carta
Africana dos Direitos do Homem e dos Povos de de 1981.

A origem internacional da maior parte destas normas leva a que muitos


considerem como violação de Direitos Humanos a violação desses instrumentos sobre os
Direitos Humanos. Assim, a violação dos Direitos Humanos constitui a violação dos
instrumentos internacionais sobre os Direitos Humanos. Por conseguinte, a violação das leis
internas pode ser considerada de violação de Direitos Humanos se ao mesmo tempo violar as leis
internacioanais. As outras violações que não se enquadram nesse prisma não são consideradas
violações de Direitos Humanos7.

As violações de Direitos Humanos são essencialmente cometidas por uma pessoa


ou pessoas representando o Estado. São estes que podem violar a lei nacional ou internacional
sobre os Direitos Humanos, por exemplo um agente da polícia ou funcionários públicos.

1.3. Formas de violação dos Direitos Humanos

A violação dos Direitos Humanos pode ser por acto ou omissão.

• Há violação por acto quando o Estado, através dos seus agentes age activamente em
desconformidade com as leis do Direito Humano. Por exemplo, um agente do Estado que
tortura um recluso sem justa causa. A responsabilidade do Estado é proteger os Direitos
Humanos e assegurar a sua aplicabilidade a todos níveis.

• Há violação por omissão quando o Estado omite o cumprimento das exigências das leis
nacionais e internacionais relativas à protecção dos Direitos Humanos. Estas leis
estabelecem deveres aos governos de proteger os Direitos Humanos. No caso de

7
KONDER, Fábio, A Afirmação Histórica dos Direitos Humanos, 3a Edição, São Paulo: Saraiva, 2003, p.20
omissão, os danos podem ser cometidos por particulares. Nestes casos, o defensor dos
Direitos Humanos deve demonstrar e provar que estes factos violam os Direitos Humanos
e que o Estado tem responsabilidade nisso. Exemplo: Um agente da guarda fronteira
deixa passar da fronteira de Ressano Garcia uma carrinha carregada de crianças vítimas
de tráfico.

CAPÍTULO II – DIREITOS HUMANOS NO DIREITO MOÇAMBICANO

2.1. Antecedentes Históricos

A primeira Constituição de Moçambique independente não atribuía grande


importância aos direitos individuais (civis e políticos) mas sim os direitos económicos, sociais
eculturais. Tratava-se de uma filosofia de orientação socialista.

Foi a partir da Constituição de 1990 que o leque dos direitos fundamentais


conheceu um grande destaque, em especial, no que diz respeito aos direitos políticos e civis.
Assim, o capítulo II da referida Constituição sob epígrafe, direitos, deveres e liberdades
fundamentais consagrava os direitos essenciais e básicos da vida e dignidades humanas.

Na actual Constituição da República o leque de direitos fundamentais ampliou


ainda mais, sendo de destacar a igualdade de género e os direitos de categorias vulneráveis como
é o caso de pessoas portadores de deficiências.

A partir dos anos 80 e, muito em particular, nos anos 90, Moçambique assinou e
ractificou vários instrumentos internacionais sobre os direitos humanos sendo a destacar, a Carta
Africana dos Direitos Humanos e dos Povos8, o Pacto sobre os Direitos Civis e Políticos9,

8
Moçambique ractificou em 25 de Agosto de 1988 através da Resolução no 9/88, pela então Assembleia Popular
9
Este pacto foi ractificado pela Resolução 5/91, de 12 de Dezembro pela Assembleia da República.
Convenção contra a Tortura e outros Tratamentos ou penas cruéis, desumanos e degradantes de
198410 e a Convenção Internacional dos Direitos da Criança11.

Estes e outros instrumentos internacionais ractificados por Moçambique


exerceram e continuam a exercer uma grande influência no regime moçambicano sobre os
direitos humanos.

2.2. Direitos Humanos à luz da Constiuição da República de Moçambique

A Constituição da República vigente (2004), consagra e garante os direitos


fundamentais universalmente reconhecidos no mundo globalizado. Constituição esta, que de
forma progressiva garante a promoção e defesa dos direitos humanos.

Um dos objectivos fundamentais do Estado moçambicano é a defesa e a


promoção dos direitos humanos e da igualdade dos cidadãos perante a lei (alínea e) do artigo 11
da CRM). Este dispositivo constitucional é premente na medida em que o Esrado subordina e
justifica toda a sua acção na necessidade de respeito da dignidade da pessoa humana.

Para sublinhar ainda mais o compromisso com a causa dos direitos humanos, o
artigo 43 da CRM estabelece que os preceitos legais relativos aos direitos fundamentais são
interpretados e integrados de harmonia com a Declaração Universal dos Direitos Humanos e a
Carta Africana dos Direitos do Homem e dos Povos.

Ao introduzir os direitos humanos, o legislador constitucional começa por


enunciar os princípios gerais. O artigo 35 da CRM enuncia o princípio da universalidade e
igualdade, isto é, estabelece que “todos os cidadãos são iguais perante a lei, gozam dos mesmos
direitos e estão sujeitos aos mesmos deveres, independentemente da cor, raça, sexo, origem
étnica, lugar de nascimento, religião, grau de instrução, posição social dos pais ,profissão ou
opção política”.

No tocante aos Direitos Civis e Políticos, os artigos 40 e 59 da CRM


proclamam o direito à vida, direito de não ser torturado ou sujeito a um tratamento cruel ou
desumano, direito à liberdade e segurança, respectivamente.

10
Esta Convenção foi ractificada pela Assembleia da República através da Resolução 8/91, de 20 de Dezembro.
11
Ractificado pelo Conselho de Ministros pela Resolução 19/90, de 23 de Outubro.
2.3. Direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal

Considerando a amplitude e importância da palavra, termo ou expressão VIDA,


primeiramente alçamo-nos à Bíblia Sagrada12, para lembrar que Deus criou a luz
(dia), o firmamento (céu), a terra, o mar, o Sol, a Lua e as estrelas. Vendo que tudo isso, mesmo
sendo maravilhoso, não era suficiente, criou então a VIDA, primeiro a vida vegetal (ervas,
sementes, árvores, frutos) e depois criou a vida animal (pássaros, baleias, peixes, animais
domésticos, répteis e feras). Coroando Seu trabalho, criou então o homem e a
mulher, tendo soprado sobre eles um sopro de vida, tornado-os seres viventes. (Gênesis, 1- 2).

A palavra VIDA, é conceituada no Dicionário Houaiss da


Língua Portuguesa13 , sob diferentes aspectos, nos quais os que mais interessa, no que pertine ao
Direito à Vida, são os seguintes:

...3 - o período de um ser vivo compreendido entre o nascimento e


a morte; existência...5 - motivação que anima a existência de um ser vivo, que
lhe dá entusiasmo ou prazer; alma, espírito...8 - o conjunto dos acontecimentos mais relevantes
na existência de alguém; 9 - meio de subsistência ou sustento necessário para manter a
vida... p. 2858.

A vida é a condição essencial da existência do ser humano. Pois, é direito


fundamental e senão único em que assenta o reconhecimento e desenvolvimento dos outros
Direitos do Homem14.

Canotilho15 aduz que o direito à vida é um direito subjetivo de defesa, pois é


indiscutível o direito de o indivíduo afirmar o direito de viver, com a garantia da "não
agressão" ao direito à vida, implicando também a garantia de uma dimensão
protectiva deste direito à vida. Ou seja, o indivíduo tem o direito perante o Estado a não ser
morto por este, o Estado tem a obrigação de se abster de atentar contra a vida do indivíduo, e
por outro lado, o indivíduo tem o direito à vida perante os outros indivíduos e
estes devem abster-se de praticar atos que atentem contra a vida de alguém. E conclui: o direito à
vida é um direito, mas não é uma liberdade.

12
Bíblia Sagrada, Edição Pastoral. São Paulo: Sociedade Bíblica Católica Internacional e Paulus, 1990, p.534
13
Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001, p.2858
14
SACRAMENTO, Luís et all, Manual de Paralegal-Lida Moçambicana dos Direitos Humanos, Ed. Revista, 2006, p.69
15
CANOTILHO, José Joaquim Gomes. Direito Constitucional e Teoria da Constituição. 4ª edição. Coimbra [Portugal]:
Livraria Almedina, 2000. p. 526/533/539.
Assim, o direito à vida deve ser associado a um direito à conservação da
vida, em que o indivíduo pode gerir e defender sua vida, mas não pode dela dispor, apenas
justificando acção lesiva contra a vida em casos de legítima defesa e estado de necessidade.
Assevera, ainda, sobre tutela privada e pública do direito à vida, admitindo que o direito aos
alimentos é uma tutela complementar da vida, sendo diferente do direito à vida, pois não é a
vida o seu objecto, mas um bem material para servir a conservação da vida.16

Ora, o Direito à vida encontra-se consagrado no artigo 3 da Declaração


Universal dos Direitos Humanos – “todo o indivíduo tem direito a vida” – bem como, na Carta
Africana dos Direitos Humanos e dos Povos – “ a pessoa humana é inviolável. Todo ser humano
tem direito ao respeito da sua vida...”, .... “Ninguém pode ser arbitrariamente privado desse
direito” – artigo 4; conjugado com o no 1 do artigo 6 do Pacto Internacional sobre os Direitos
Humanos Civis e Políticos e nos 1,2 do artigo 70 da Constrituição da República de Moçambique,
respectivamente – “o direito à vida é inerente à pessoa humana. este direito deve ser protegido
por lei; Ninguém pode ser sujeito a tortura ou a tratamentos crúeis ou desemanos”..., “Todo o
cidadão tem direito à vida....” “Na República de Moçambique não há pena de morte”.

Todavia, o Direito à vida é um direito consagrado constitucionalmente em


Moçambique e para a salvaguarda do mesmo existem leis que visam a punição de todos os actos
que atentem contra o mesmo, existem mecanismos institucionais destinados à prevenção do
atentado ou à reparação da violação desse direito.

A violação do Direito à vida não tem reposição possível, visto que a vida é
só uma. Porém, essa violação incorre o violador na responsabilidade criminal nos termos da lei
penal e na forma civil:”

Como se viola o direito à vida e a responsabilização criminal?

Em Moçambique, a violação ao direito à vida pode apresentar-se das seguintes formas:

• Homicídio voluntário simples;


• Envenenamento (artigo 353, Código Penal);
• Auxílio ao suicídio (artigo 354, Código Penal);
• Parricídio (artigo 355, Código Penal);
• Infanticídio (artigo 356, Código Penal);

16
Luciana Mendes Pereira Roberto, Mestranda em Direito Negocial, Especialista em Direito Empresarial e
Professora na Universidade Estadual de Londrina - UEL e no Centro Universitário Filadélfia - UNIFIL.
• Aborto (artigo 358, Código Penal).

• Homicídio voluntário simples....

...ou seja a acção voluntária de uma pessoa que mata outra.


Artigo 349 do Código Penal.

A lei pune este acto com a pena de prisão entre 16 a 20 anos. Uma violação
do direito à vida desta natureza tem uma tamanha gravidade não só para os familiares da pessoa
a quem se tira a vida mas para toda a sociedade. E nestas circunstâncias, o Estado é obrigado a
intervir para punir a violação deste direito logo que tome conhecimento, não importanado quem
faz a denúncia da violação nem quem tenha cometido a violação.

1) Por exemplo17

Os órgãos de comunicação social noticiaram que numa determinada zona de um


bairro da Cidade da Beira, um grupo de quatro assaltantes à mão armada
confrontou-se com agentes da Polícia local. Um dos assaltantes levava arma de
fogo e no confronto disparou atingindo mortalmente um dos polícias.

Por sua vez, os agentes da polícia capturaran os outros três assaltantes não
armados; só que os mesmos polícias, depois de terem dominado os malfeitores,
enfurecidos pela perda de um agente, dispararam a sangue frio contra eles, num
acto de vingança matando-os todos.

Disto denota-se que, a captura e prisão dos malfeitores foi legitima a fim
de poderem responder pelos seus actos. Primeiro pelo crime que se presume que pretendiam
levar a cabo, quiça a violação do direito de propreidade de alguém, um roubo. Segundo, pela
violação do direito à vida que consistiu em matar um polícia.

Porém, a acção da polícia de arbitrariamente privar os detidos da vida


quando já encontravam sob seu controle constituiu uma violação ao direito humano à vida.
Como os polícias agiram com intenção de matar, podem ser punidos com uma pena de prisão
que vai de 16 a 20 anos.

17
Ibidem, p.70
Dada a gravidade da situação ora descrita, a investigação e a instrução do
processso respectivo ultrapassa a competência das autoridades distritais. Assim, se uma situação
desta natureza acontecer no Distrito e for colocado ao Paralegal18 este deve orientar as pessoas
no sentido de fazer denuncias às autoridades policiais ou autoridades especializadas locais mas
esclarecer as pessoas que a investigação e o julgamento do caso serão efectuados pela polícia e o
Tribunal a nível da provincial.

2) Outro exemplo19

Um polícia detecta um ladrão e ao tentar prendê-lo, o ladrão reage


procurando disparar contra o polícia. Só que o agente da polícia foi mais
rápido do que o ladrão no manejo da arma e acaba matando o ladrão.

Neste caso a polícia agiu em legítima defesa embora ao disparar tivesse a


intenção de matar o ladrão.

E de acordo com o preceituado pelos artigos 376 e 44 no 5 do Código Penal,


afasta qualquer responsabilidade criminal o agente da polícia, pelo que não se verifica a violação
do direitoà vida.

3) Outro exemplo20

Uma terceira situação é aquela em que um agente da polícia confronta-se


com um ladrão e este põe-se em fuga. O agenteda polícia dispara para o ar
com a intenção de intimidar e fazer parar o ladrão.

Mas por qualquer motivo alheio à vontade do agente policial a bala


desvia-se, bate numa árvore e faz ricochete desviando a tarjectória
atingindo mortalmente o ladrão ou qualquer outra pessoa nas
proximidades do aconecimento.

1818
Paralegal é uma pessoa que vive na cpmunidade, preparada para a prática de Consultoria e Assistência Jurídica,
qualificada para a educação comunitária.
19
Ibidem, p.70
20
Ibidem, p.71
Aqui o polícia não quiz matar nem o ladrão, nem alguém. Posto isto, a lei
também afasta a possibilidade de incriminar o agente da polícia e não se pode falar de violações
de direitos humanos.

4) Último exemplo21

Agente da polícia que prende um ladrão bastante perigoso e conduz-o à Cadeia.


Como se trata de um cadastrado muito perigoso, o agente da polícia coloca-o
numa cela de máxima segurança e deixa-o ai quinze dias sem comida e acaba
morrendo.

De forma pormenorizada, pode-se aferir de que houve violação dos Direitos


Humanos, pois a morte do ladrão através da privação de alimentos foi permitida pelo agente da
autoridade.

Portanto, estes constiuem exemplos que ilustram situações em que tirar a vida
a uma pessoa pode constituir uma violação dos direitos humanos e outros em que não há esta
violação.

No ordenamento jurídico moçambicano há outras formas que podem revestir a


violação ao direito à vida e que o Estado procura através de mecanismos punitivos prevenir a sua
ocorrência.

• O Envenenamento

Pela sua natureza, este tipo de crime a lei considera como sendo agravado.

Numa cela existem dois perigosos assaltantes à mão armada. O guarda prisional
por saber que destes dois, um é altamente perigoso, resolve colocar veneno no
copo de água exactamente no dia que o preso ia ao hospital e quem ficaria seria o
mais perigoso que, como estava muito calor ele beberia daquela água. Nota-se
aqui que houve uma forte intença do guarda em tirar a vida de um dos malfeitores,
violando assim os direitos dos cidadãos.

Como se pode reagir à violação deste direito?

21
Ibidem, p.72
O Estado moçambicano coloca ao serviço dos cidadãos os seus instrumentos
vocacionados a prevenir, investigar e sancionar tais violações. Para tanto, os cidadãos podem
denunciar estes crimes à Polícia da República de Moçambique que através da sua Po;ícia de
Investigação Criminal investiga a conduta criminosa denunciada.

A Procuradoria da República para além de apoiar ou dirigir a investigação


encetada pela polícia tem ainda o seu cargo a tarefa de perseguir criminalmente os autores das
violações e finalmente os Tribunais Judiciais que julgam e punem os violadores.

As situações ora descritas podem ser praticadas por outros cidadãos comuns
ou então, arbitrariamente, por agentes da autoridade pública.

Perante estes casos como deve o cidadão agir?

O cidadão, familiar da vítima ou não, pode exigir do Estado a tomada de


medidas visando a reparação do direito violado quer através da punição criminal do violador
quer através da responsabilização civil do mesmo para minimizar os prejuízos causados com a
conduta violadora.

Para isso, o paralegal deve orientar o cidadão no sentido de propôr uma acção
judicial contra os cidadãos comuns que atentaram contra o direito humano à vida. Nesses casos,
o paralegal orienta os queixosos a procurarem um advogado ou a irem participar directamente às
autoridades policiais ou da Procuradoria da República. Também poderá ser o próprio paralegal a
procurar um advogado para o queixoso ou então a redigir a denuncia ou participação do crime
que entregará ao queixoso para ir apresentar à autoridade competente no nível da cidade ou
província.

Responsabilidade Civil

Em conformidade ao artigo 496 do Código Civil vigente em Moçambique, todos


danos morais ou não patrimoniais são passíveis de indimnizações.

O no 2 deste artigo preicetua que:


“Por morte da vítima, o direito à indimnização por danos não patrimoniais cabe, em conjunto
ao cônjuge não separado judicialmente de pessoas e bens e os filhos ou outros descendentes; e
por último, aos irmãos ou sobrinhos que os representam ”.

Os criérios da indimnização são os previstos no número 3 do mesmo artigo


conjugado com o artigo 494 do mesmo Código Civil.

Por outro lado, a indimnização decorrente da violação do direito à vida também


se destina a repor as despesas feitas para salvar o lesado e inclusive as despesas como funeral,
conforme está previsto no artigo 495 do Código Civil22. Se a violação do direito à vida for
praticada ilegalmente por um agente da autoridade quando em exercício das suas funções do
Estado é também responsável por força do artigo 95 da CRM que reza o seguinte:

“O Estado é responsável pelos danos causados por actos ilegais dos seus agentes no exercício
das suas funções, sem prejuízo do direito de regresso nos termos da lei”.

Como se efectiva a responsabilidade civil por violação do direito à vida?

Por violação do direito à vida, a responsabilização civil bem como, qualquer


outra responsabilização da mesma natureza por um ílicito criminal, pode ser decretada pelo Juíz
Criminal (o juíz que apreciou e julgou o criminoso) ou por Juíz do Tribunal Cível.

Neste segundo caso é preciso que alguém (que por força da lei tem direito à
indimnização) com legitimidade proponha acção competente.

Posto isto, a garantia da liberdade e de segurança pessoal tem o seu fundamento


a medida que o direito à vida se manifeste na pessoa humana como ser vivo, dado que só merece
protecção um ser com vida. Também como poder fazer as coisas, sem interferência dos outros,
poder pensar, e dizer o que pensa, nas ruas, nas rádios e televisões, nos jornais. Ou numa marcha
ou passeata. Mas também tem o direito de ir, vir e ficar. Sem estar preso, e sem ser barrado pela
polícia, ou outros aparelhos do Estado. O que vai permitir com que os cidadãos não sejam
torturados barbaramente ou submetidos a tratamentos cruéis ou desumanos, violando assim o
direito à vida.

22
Ibidem, p.80
O uso dessas liberdades é importante, porque faz com que a gente perceba que não
vive sozinho, e que o que a gente pensa muitas vezes é o que muitas outras pessoas também
pensam. E a união de muitos em torno de objectivos comuns é importante, porque dá força à
comunidade, na hora de reivindicar acções dos governos.

É claro que numa sociedade democrática, onde todos são iguais, o exercício da
liberdade pode sofrer restrição, que seja necessária para que os outros também exerçam seus
direitos. Por exemplo, eu posso dizer tudo o que penso, mas não tenho o direito de xingar nem de
ofender outra pessoa na sua honra e na sua dignidade. Nem tenho o direito de me associar a
outras pessoas para coisas ilícitas, como praticar crimes, por exemplo.

3. Conclusão

Em sede de conclusão, observou-se no transcorrer desse estudo.


Diversas foram as colocações de autores que, se discordam em pormenores, concordam todos
sobre a primazia da vida sobre os direitos da personalidade.

Importante lembrar que tal primazia deve ser sempre acompanhada pela dignidade e
pela liberdade, para não ocorrer o que GIOSTRI23 chama de idolatria da vida.

Tal seja quando a vida física é considerada o bem supremo e


absoluto...o amor natural pela vida se transforma em idolatria (citando: ASSAD, 1992:219-
28). São os casos em que se defende a eutanásia, em prol da dignidade da pessoa.
Assunto bastante discutível e polémico, tratável em outra ocasião.

O que se faz necessário lembrar é o facto de que importa para o homem o resguardo
ao seu direito à vida: digna e plena, direito esse adquirido desde o seu nascimento
(resguardado o direito do feto) com vida, até a sua morte, com o culminar da personalidade
jurídica.

23
GIOSTRI, Hildegard Taggesell. O Paciente Terminal: Reflexões sobre o limite do poder de escolha entre a vida e a
morte. Artigo publicado na Revista Argumenta, da Faculdade de Direito do Norte Pioneiro, 2002.
Observou-se, de acordo com o entendimento dos doutrinadores e das leis apostas,
que a todo homem é devido respeito, liberdade e dignidade ao direito à vida, pois este é
fundamental à sua existência. E, que ninguém pode desfazer-se da vida de outrem, sob pena de
sanção pública e privada. importância máxima da vida para o ser humano.

4. Referências bibliográficas

1. ARENDT, Hannah. Da revolução. São Paulo: Ática, 1988.


______. A condição humana. Rio de Janeiro: Forense Universitário, 1981.

2. BÍBLIA SAGRADA, Edição Pastoral. São Paulo: Sociedade Bíblica Católica Internacional
e Paulus, 1990.

3. CANOTILHO, José Joaquim Gomes. Direito Constitucional e Teoria da Constituição. 4ª


edição. Coimbra [Portugal]: Livraria Almedina, 2000.

[Link], Antônio. Direito à Vida e ao Próprio Corpo (intersexualidade, transexualidade,


transplantes). 2ª ed. revista e ampliada. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 1994.

5. Declaração Universal dos Direitos Humanos, adopada e proclamada pela resolução 217 A
(III), da Assembleia Geral das Nações Unidas em 1º de Dezembro de 1948

6. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.

7. GIOSTRI, Hildegard Taggesell. O Paciente Terminal: Reflexões sobre o limite do poder de


escolha entre a vida e a morte. Artigo publicado na Revista Argumenta, da Faculdade de
Direito do Norte Pioneiro, 2002.

8. Guia da Carta Africana dos Direitos do Homem e dos Povos-Amnistia Internacional, Artes
Gráficas, Brasil,2006.

9. HABERMAS, Jurgen. A inclusão do outro. São Paulo: Loyola, 2002.

10. Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos, adoptado pela Assembleia Geral das
Nações Unidas em 16 de Dezembro de 1996-resolução no 5/91, B.R,Maputo, I Série, 12 de
Dezembro de 1991.
11. Relatórios Sobre Direitos Humanos em Moçambique-LDH/2000-2006, Maputo, 2006.

12. SANTOS, Souza Boaventura. As tensões da modernidade. Disponível em:


[Link]/direitos. Acesso em: 06 jan. 2006.
______. Multiculturalismo e direitos humanos. São Paulo, n. 30, p. 105-124, 1977.

13. SACRAMENTO, Luís et all. Manual de Paralegal-Lida Moçambicana dos Direitos


Humanos, Ed. Revista, 2006.

14. TAYLOR, Charles. The politics of recogniton. In: Multiculturalismo. Princiton:


University. Press, 1994.

4.1. Legislação Moçambicana

• Boletim da República, Constituição da República de Moçambique, de 22 de Dezembro,


I Série, no 51, Imprensa Nacional, Maputo,2004.
• Çódigo Penal
• Código Civil

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