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Estrutura e História do SUS no Brasil

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SUS

CONCEITUAÇÃO E ORGANIZAÇÃO DO SUS


Segundo a OMS, um sistema de saúde é um “Conjunto de atividades no qual o principal
propósito é promover, restaurar ou manter a saúde” (OMS, 2000).
Os sistemas de saúde refletem os valores que orientam os projetos de sociedade, podendo ser
de duas formas: valores solidários e igualitaristas e valores individualistas.
No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) instaura uma lógica de saúde como um direito
social, considerando as influências dos modos de vida e trabalho nas condições de saúde.
Todo o arcabouço estrutural, normativo e todas as práticas vigentes em um sistema de saúde
são determinados pela visão que se tem sobre saúde e doença (Processo Saúde-Doença)  O
entendimento acerca de saúde e doença ultrapassa o corpo biológico, as características físicas
e ambientais. O modo como a sociedade se organiza determina o estilo de vida e as condições
de trabalho da população, influenciando, assim, o seu estado de saúde (Determinantes
Sociais da Saúde).

LEGISLAÇÕES
 Constituição Da República Federativa Do Brasil De 1988;
 Lei Nº 8.080, De 19 De Setembro De 1990;
 Lei Nº 8.142, De 28 De Dezembro De 1990.

ANTECEDENTES HISTÓRICOS DO SUS


Organização da saúde no período Colonial (1550 – 1822)
 Organização sanitária incipiente;
 Cada indivíduo responsável por si;
 Primeira Santa Casa instituída em 1543;
 Assistência aos pobres por conta da caridade;
 Modelo de atenção: exclusão dos doentes para preservar os sãos;
 Chegada da família real no início do século XIX: inicia-se a criação de estrutura sanitária
mínima para dar suporte ao Reino.

Organização da saúde no período Imperial (1822 – 1889)


 Ampliação das estruturas de saúde, mas ainda com organização rudimentar e
centralizada;
 Primeiras instituições de controle sanitário de portos e epidemias - polícia sanitária;
 Modelo incapaz de responder às epidemias e de assegurar assistência à saúde a todos os
doentes;
 Ricos eram atendidos por médicos particulares;
 Pobres eram atendidos pelas santas Casas, pela caridade e pela filantropia.
 Os primeiros ínfimos sinais de intervenção somente ocorrem para receber a família real
portuguesa, a partir de 1808.

Início do século XX: medidas de polícia sanitária


 Um maior grau de institucionalização da saúde pública pelo estado começa a ser
verificado somente no início do século XX;
 Influência da 2ª Revolução Industrial no Brasil: O contexto de crescimento acelerado da
população urbana, as indústrias começavam a se expandir e a situação sanitária era
caótica devido ao crescimento de epidemias e de doenças pestilenciais - Epidemias de
febre amarela, peste bubônica e varíola comprometem a economia agroexportadora do
país - governos recorreram, então, a medidas de polícia sanitária;
 Saúde era tratada mais como um caso de polícia - visava à proteção da economia, do que
como uma questão social.
 O órgão que cuidava da saúde pública era o Ministério da Justiça e Negócios Interiores,
não havia ministro da saúde².
 Combate a vetores e obrigatoriedade da vacinação, o estado começa a intervir mais na
saúde pública, sendo estas medidas conhecidas como campanhas sanitárias.
 O acesso aos médicos e hospitais não era uma prioridade e dependia da capacidade de
pagamento.

Lei Eloy Chaves


 É a partir da constituição e organização da classe operária que a luta por direitos e tensões
sociais se amplia e culmina na criação das Caixas de Aposentadoria e Pensões (CAPs),
por meio da Lei Eloy Chaves, em 1923;
 A criação das CAPs marca o início da previdência social no Brasil e corresponde a um
embrião do sistema de saúde no país;
 É nesse momento que categorias profissionais passam a ter acesso a benefícios, como
alguma assistência à saúde e aposentadoria, por meio da sua inserção formal no mercado
de trabalho;
 Aos demais, o acesso a serviços médicos e hospitalares somente poderia ser obtido
mediante pagamento ou atendimento em instituições filantrópicas, ou em alguns postos e
hospitais de estados e municípios;
 O direito à saúde não estava vinculado à condição de saúde dos indivíduos, e sim ao fato
de trabalharem com carteira assinada;
 Essa organização, em CAPs, posteriormente, se transformou em Institutos de
Aposentadoria e Pensão (IAPs), conformados por categorias profissionais.

Meados de 1930-1935: Os subsistemas de saúde no Brasil


 Durante o século XX, foram formados três subsistemas de saúde no Brasil que eram
relativamente independentes.
1953: criado um ministério dedicado exclusivamente às políticas de saúde no Brasil
 O então criado Ministério da Saúde tinha por finalidade atender principalmente à
população das zonas rurais que não tinha acesso ao mercado formal de trabalho.

1964-1985: Ditadura Militar


 Crescente participação privada na atenção à saúde, financiada por recursos públicos da
previdência;
 Unificação dos IAPs - formado o Instituto Nacional de Previdência Social (INPS);
 O INPS privilegiou a compra de serviços de saúde no setor privado, em vez da expansão
estatal. Além disso, grandes empresas, de medicina de grupo e cooperativas médicas,
aderiram ao convênio com o INPS, sendo dispensadas de parte da contribuição de
impostos;
 Criação do Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social (INAMPS)
em 1977, que recebeu as atribuições transferidas do INPS;
 Criado em 1975 o Sistema Nacional de Saúde, entretanto possuía uma lógica de atenção à
saúde excludente e ineficiente - sistema descoordenado, mal distribuído e inadequado.

Movimento pela Reforma do Sistema de Saúde Brasileiro


 Movimento da sociedade civil - O SUS é uma conquista da sociedade brasileira;
 Próximo da metade dos anos de 1970, o regime militar já dava sinais de declínio,
constituindo-se uma conjuntura favorável ao avanço da organização da sociedade civil
em torno do debate da saúde como direito;
 Debate foi conduzido pelo movimento sanitarista, composto por segmentos sociais,
pesquisadores e profissionais da saúde, e elegeu como marco orientador a consigna
“saúde é democracia”;
 Os princípios e as proposições que conformam o Sistema Único de Saúde (SUS) foram
propostos desde o ano de 1979, no documento “A questão democrática na área da saúde”;
 Entre a proposição do SUS e a sua efetiva criação, foram implementadas políticas para
enfrentamento do complexo cenário epidemiológico que havia se estabelecido, tais como:
Programa Nacional de Serviços Básicos de Saúde (PREVSAÚDE) e as Ações Integradas
de Saúde (AIS);

Transição democrática (1985 – 1988) e “Nova República”


 Sistemas Unificados e Descentralizados de Saúde (SUDS), criados em 1987, os quais
funcionaram como uma estratégia-ponte para o SUS ao refrear políticas privatizantes e
estabelecer canais de participação social nas políticas de saúde.

1986: 8º Conferência Nacional de Saúde


 Grande fato político que viabilizou a construção da Reforma Sanitária Brasileira (RSB);
 O relatório final da conferência que inspirou o capítulo “Saúde”, da CF/88, que reconhece
a saúde como direito de todos e dever do estado.

1988: Criação do SUS


 Oficialmente criado Único de Saúde (SUS), quando inscrito na Constituição Federal (CF)
de 1988.

Contexto Internacional
 Organização Mundial da Saúde (OMS), desde o ano de 1948, já havia reconhecido a
saúde como direito e a obrigação do Estado na sua promoção e proteção.

PRINCÍPIOS E DIRETRIZES DO SUS


Princípios doutrinários Diretrizes organizativas
(VALORES) (ORIENTAÇÕES)
Descentralização
Universalidade
Atendimento integral
Integralidade
Hierarquização
Equidade
Participação comunitária

 Universalidade: Assegura o direito à saúde a todos os cidadãos.


 Integralidade: Considera os indivíduos e as coletividades em suas dimensões biológica,
psicológica e social; envolve ações de promoção, proteção e reabilitação da saúde; além
de ações intersetoriais.
 Equidade: Admite atender desigualmente os desiguais, favorecendo os excluídos,
vulneráveis ou aqueles sob riscos.
 Descentralização: Organização político-administrativa da gestão, pautada na
municipalização e com base na direção única em cada esfera de gestão (federal, estadual
e municipal). Integração das ações e das redes assistenciais em regiões de saúde.
Distribuição racionalizada e equânime dos recursos, considerando as assimetrias
municipais e a distribuição da população nos territórios.
 Atendimento integral: Previsão de ações preventivas e curativas, individuais e coletivas.
Priorização das atividades preventivas, visando evitar o adoecimento, tais como: oferta de
vacinas, combate a mosquitos transmissores de doenças, controle de qualidade da água.
 Hierarquização: Organização dos serviços em complexidade crescente. Não significa
que um serviço seja mais importante que o outro. Trata-se de racionalizar o uso dos
recursos. A hierarquização está pautada na Atenção Primária à Saúde como principal
porta de entrada do sistema e reguladora do acesso aos serviços de atenção
especializados.
 Participação comunitária: Participação dos seguimentos da sociedade na definição e
execução da política de saúde nos níveis Federal, Estadual e Municipal. Ocorre por meio
das Conferências e Conselhos de Saúde. Assegurada pela Lei nº 8.142/90.

ATRIBUIÇÕES DO SUS
Assistência às pessoas
Tudo que envolve o cuidado com a saúde de indivíduos e coletividades. Realizada por meio
das ações de promoção, proteção e recuperação da saúde. Exemplos: Oferta de consultas,
medicamentos, exames, cirurgias, vacinas, transplantes, transfusão de sangue etc.

Vigilância em Saúde
Ações de vigilância, prevenção e controle de doenças transmissíveis pela vigilância de fatores
de risco para o desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis, saúde ambiental e do
trabalhador e também pela análise da situação de saúde da população brasileira. Exemplos:
Programas de prevenção e controle de doenças transmissíveis de relevância nacional, como a
Aids, dengue, malária, hepatites virais, doenças imunopreveníveis, leishmaniose, hanseníase e
tuberculose, a exemplo do Programa Nacional de Imunizações (PNI); investigação de surtos
de doenças; coordenação da rede nacional de laboratórios de saúde pública; gestão de
sistemas de informação de mortalidade, agravos de notificação obrigatória e nascidos vivos,
realização de inquéritos de fatores de risco, coordenação de doenças e agravos não
transmissíveis e análise de situação de saúde, incluindo investigações e inquéritos sobre
fatores de risco de doenças não transmissíveis, entre outras ações.

Assistência Farmacêutica
Envolve o abastecimento de medicamentos em todas as suas etapas: conservação, controle de
qualidade, segurança, eficácia terapêutica, acompanhamento, avaliação do uso, bem como a
obtenção e a difusão de informações sobre eles. Inclui ainda a educação permanente de
profissionais de saúde, pacientes e comunidade sobre o uso racional dos medicamentos.

ATRIBUIÇÕES DOS ENTES FEDERADOS


Atribuições comuns a União, Estados e Municípios
- Planejamento das ações, por meio do plano de saúde;
- Articulação de planos e políticas;
- Financiamento, orçamentação, administração e controle;
- Avaliação e fiscalização das ações e serviços;
- Elaboração de normas;
- Coordenação dos sistemas de informação;
- Realização de estudos e pesquisas;
- Implementação de políticas específicas, como a do sangue e hemoderivados;
- Participação na formulação e execução da política de formação de recursos humanos para
a saúde;
- Participação na formulação e execução das políticas de saneamento e meio ambiente.

Atribuições específicas
União Estados Municípios
- Formulação e - Coordenação do sistema - Prestação de serviços de
implementação da política e estadual de saúde; assistência à saúde;
do plano nacional de saúde; - Ações de promoção da - Gerência e execução dos
- Financiamento; descentralização das ações e serviços públicos de saúde;
- Normatização das ações e serviços; - Execução de ações de
dos serviços públicos e - Oferta de apoio técnico e vigilância em saúde;
privados; financeiro aos municípios; - Participação na rede
- Coordenação das redes - Coordenação das redes regionalizada de atenção à
nacionais de atenção à saúde assistenciais; saúde em articulação com a
e dos subsistemas de - Coordenação da vigilância gestão estadual do SUS;
Informação e vigilância à em saúde; - Implementação das
saúde; - Execução supletiva das políticas definidas no âmbito
- Cooperação técnica e ações e serviços que os nacional;
financeira aos estados e municípios não tenham - Colaboração na efetivação
municípios; condições de fazer. das competências estaduais e
- Avaliação e controle das municipais.
ações e serviços de saúde;
- Desenvolvimento de
políticas científicas e
tecnológicas para o setor da
saúde;
- Ordenação da formação de
recursos humanos;
- Participação nas ações e
políticas intersetoriais
voltadas para a promoção da
saúde.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
 Sistema Único de Saúde brasileiro instituído pela CF/1988 para atender as necessidades
de saúde da população em âmbito individual e coletivo;
 Diferencia-se do modelo pré-existente que atendia apenas o mercado de trabalho formal e
população urbana – as mazelas sociais e população rural dependiam de instituições
filantrópicas e caridade;
 Organiza o modo de prestar assistência à saúde;
 Possui 2 elementos fundamentais:
a) saúde instituída como direito; e
b) compreensão ampliada do conceito de saúde;
 Demanda com contexto de saúde ampliada, para além da doença e de ações curativas,
considerando aspectos psicossociais e culturais;
 Não é uma política de governo, e sim, fruto da mobilização da sociedade – Movimento
pela Reforma Sanitária Brasileira (MRSB);
 O MRSB envolve diversas alas da sociedade, e ganhou força entre as décadas de 70 e 80,
e se materializa com a CF/1988;
 Através da RSB, a saúde torna-se um direito de cidadania previsto, inclui a atenção à
saúde forma holística, propõe uma organização em rede de forma racionalizada apoiada
nos princípios doutrinários e diretrizes organizativas do SUS;
 Possui gestão tripartide;
 Faz parte do pacto social solidário;
 Todas as pessoas utilizam o SUS, seja de forma totalmente dependente ou não. Muitas
ações do SUS não são vistas pela sociedade, como as ações de Vigilância em Saúde,
Agência Nacional de Saúde;
 Cabe as funções gestoras e gerenciais do SUS providenciar as condições para a
materialização do sistema de saúde por meio das sucessivas tomadas de decisão –
organização dos processos de trabalho. Mobilização de profissionais e recursos, etc;
 A tomada de decisão deve ter como horizonte as diretrizes e princípios do SUS com foco
na pessoa e não na doença;
 Sistema regulado, com a APS como porta de entrada e perfil de alta resolutividade, e
agente que referência para outros pontos da rede de atenção;
 Conta com a participação social – considera os espaços de governança local e regional na
tomada de decisão – característica pré-determinada na legislação que objetiva
atendimento as necessidades da sociedade.

2 GESTÃO DO SUS
PARTICIPAÇÃO DO SETOR PRIVADO
Os vinte anos anteriores à criação do SUS foram marcados pela intensa e crescente
participação do setor privado no sistema de saúde brasileiro.
No processo de elaboração da Constituição Federal de 1988, muitos foram os debates e
embates acerca da participação privada no SUS.
O resultado possível, após muitas negociações, foi que muitos a entendem como uma
ambiguidade:
A Constituição definiu
um sistema público, Mas, ao mesmo tempo,
universal e gratuito como estabeleceu que a
direito de todos e como assistência à saúde é livre
dever do estado à iniciativa privada.

A iniciativa privada está inserida no SUS de duas formas:


Iniciativa Própria Participação Complementar
ocorre por meio da articulação de A Constituição prevê que ocorra em caráter
profissionais liberais, legalmente complementar, desde que comprovada a
habilitados, e de pessoas jurídicas de direito necessidade e que haja a impossibilidade de
privado na promoção, proteção e ampliação dos serviços públicos de saúde
recuperação da saúde ofertados diretamente pelo estado. Essa
complementaridade se concretiza mediante
contrato administrativo ou convênio, e
estabelece que as entidades filantrópicas e
sem fins lucrativos terão preferência. A
remuneração dos serviços contratados e
conveniados deverá utilizar como referência
a Tabela de Procedimentos do SUS

A Lei nº 8.080, de 1990, prevê que na prestação de serviços privados de assistência à saúde
deverão ser observados os princípios éticos e as normas expedidas pelo órgão de direção do
Sistema Único de Saúde (SUS) quanto às condições para seu funcionamento.
Ainda que livre à iniciativa privada, o arcabouço legal do SUS prevê que a oferta de serviços
deve estar orientada ao interesse público e coletivo.

FINANCIAMENTO DO SUS
O financiamento do SUS é um dos pontos que mais suscita debate, desde a sua criação até os
dias atuais, devido a histórica instabilidade para que seja assegurado.
A CF/88 definiu que o SUS seria financiado com recursos do Orçamento da Seguridade
Social, da União, dos estados, do distrito Federal e dos municípios. Chegou-se a prever no
texto constitucional que a saúde seria financiada com 30% do Orçamento da Seguridade
Social, o que não foi de fato cumprido.
Por meio da Emenda Constitucional nº 29 (EC-29/2000) foram definidos os limites mínimos
de aplicação de cada esfera de gestão com base nas suas receitas:

Estados e Distrito Federal 12%


Municípios 15%
Não houve vinculação. O cálculo passou a
ser baseado no valor alocado no ano 2000,
União
mais a variação anual do Produto Interno
Bruto (PIB).
A aprovação da EC-29/2000 fez com que permanecesse em aberto a definição de quais
despesas poderiam ser consideradas como gastos em saúde. Isso deu margem para que o
efetivo cumprimento da Emenda fosse questionado, pois, em certos casos, foram computados
gastos alheios à saúde, tais como despesas com inativos, saneamento, habitação e merenda
escolar.
A EC-29/2000 foi regulamentada pela Lei Complementar nº 141/2012, a qual definiu o que
poderia ser considerado como ações e serviços de saúde, vedando a aplicação de recursos em
outras áreas. Além disso, também regulamentou a aplicação dos recursos e os mecanismos de
repasses entre união, estados e municípios. A LC-141/2012 afirmou, ainda, que a alocação de
recursos deve ter como critério as necessidades de saúde, devendo estar vinculada aos planos
de saúde (instrumento de planejamento da gestão pública de saúde). Com a Lei nº 141/2012, o
gasto mínimo da União passou a ter como referência o gasto do exercício anterior, acrescido
da variação do PIB.

Origem e transferência dos recursos

As transferências ocorrem de modo


regular e automático, diretamente
O financiamento do SUS se origina
do Fundo Nacional de Saúde (FNS)
de impostos e contribuições que a
para os fundos estaduais e
sociedade destina ao Estado, nos
municipais, ou do Fundo Estadual
níveis federal, estadual e municipal
para o Fundo Municipal
(transferência fundo a fundo).

Fiscalização dos recursos


Os recursos destinados ao SUS são fiscalizados pelos seguintes órgãos:
 Tribunais de Contas da União (TCU);
 Tribunais de Contas do Estado (TCE);
 Tribunais de Contas do Município (TCM);
 Controladoria-Geral da União (CGU);
 Poder Legislativo;
 Órgãos de controle interno;
 Conselhos de Saúde.

O Brasil é o único país com sistema público universal cujo gasto público é inferior ao
privado. O investimento público em saúde corresponde a 4% do PIB. Países com sistemas
similares gastam, em média, 8% do PIB.

PARTICIPAÇÃO SOCIAL
No processo de articulação e de negociações que envolveram a criação do SUS, houve o veto
presidencial na Lei nº 8.080/90 quanto aos aspectos da participação social.
Desse modo, foi sancionada a Lei nº 8.142/90 que, dentre outras questões, assegurou a
participação da comunidade na gestão do SUS.
Para concretizar essa participação, foram institucionalizadas instâncias colegiadas com
composição paritária:
Instâncias colegiadas de gestão participativa no SUS
Conselho Nacional de Saúde Conferências de Saúde
Características Reunidas por convocação do gestor ou do
- Caráter permanente Conselho de Saúde para avaliar a situação
- Atribuição de deliberar sobre as de saúde e debater temas gerais e específicos
prioridades da política de saúde  Devem da política de saúde.
aprovar o Plano de Saúde, o orçamento A Conferência Nacional ocorre a cada
setorial, acompanhar a execução da política quatro anos e é precedida por conferências
de saúde, avaliar os serviços de saúde e estaduais e municipais ou regionais. Nessas
fiscalizar a utilização dos recursos alocados últimas, são definidos os temas e os
nos Fundos de Saúde. delegados que farão a representação na
Conferência Estadual e Nacional.
Composição
- 50% Usuários do SUS;
- 50% Trabalhadores, gestores e prestadores
de serviços.

As decisões dos Conselhos de Saúde devem ser homologadas pelo chefe do poder legalmente
constituído e não devem ultrapassar a seara do poder legislativo. Essas instâncias de
participação social se articulam com outros espaços decisórios e deliberativos na esfera
municipal, federal e estadual.

As políticas são aprovadas pelo Conselho Municipal de


Municipal
Saúde.
As políticas são negociadas e pactuadas no domínio da
Comissão Intergestores Bipartite (CIB), que é composta por
Estadual
representantes das secretarias estaduais e municipais de saúde,
e deliberadas pelo Conselho Estadual de Saúde.
As políticas são negociadas e pactuadas na Comissão
Intergestores Tripartite (CIT), composta por representantes do
Federal
Ministério da Saúde e das secretarias municipais e estaduais
de saúde, e deliberadas pelo Conselho Nacional de Saúde.

TOMADA DE DECISÃO
REIS, 2021.
“O processo de gestão em saúde tem na tomada de decisão seu elemento estruturante. A
tomada de decisão ocorre em diversas situações, que variam desde o processo de
formulação, implementação e avaliação de políticas, até a gerência das unidades que
compõem a rede de serviços” (REIS, 2021).
A tomada de decisão dever partir das necessidades de saúde da população, sendo essas
plurais, onde deve-se considerar diversas várias dimensões, como, a situação demográfica,
situação nutricional e situação epidemiológica. Logo, faz-se necessário conhecer a população,
políticas e ações tomadas.
Neste processo deve-se observar:
 Padrão de morbimortalidade;
 Determinantes sociais que permeiam;
 Desigualdade social.
“Tomar decisões a partir das necessidades da população de determinado território pressupõe
conhecer a situação de saúde, seus valores e preferências. A partir disso deve-se
implementar ações que interfiram também nos determinantes das condições de saúde, não
somente na doença” (REIS, 2021).
Em resumo: a tomada de decisão está liga às condições ou situação de saúde.
As condições de saúde podem ser definidas como as circunstâncias na saúde das pessoas
que se apresentam de forma mais ou menos persistentes e que exigem respostas sociais
reativas ou proativas, episódicas ou contínuas e fragmentadas ou integradas, dos sistemas
de atenção à saúde, dos profissionais de saúde e das pessoas usuárias.

REFERÊNCIAS
REIS, R. S. Tomada de decisão na gestão em saúde no SUS e condições de vida e saúde da
população brasileira. In: UNIVERSIDADE ABERTA DO SUS. UNIVERSIDADE
FEDERAL DO MARANHÃO. Gestão em Saúde. Organização do SUS. São Luís: UNA-
SUS; UFMA, 2021.

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