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Fundamentos Teológicos: Gilcemar Hohemberger César Colera Bernal

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GILCEMAR HOHEMBERGER

CÉSAR COLERA BERNAL

FUNDAMENTOS TEOLÓGICOS
FICHA TÉCNICA

Copyright © 2019. Centro Universitário Católica de Quixadá. Autoria


Todos os direitos reservados. Gilcemar Hohemberger
Gerência de Comunicação e Tecnologia da Informação
César Colera Bernal
Centro Universitário Católica de Quixadá

Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta Coordenação de Produção


publicação poderá ser reproduzida, armazenada ou Antonio Neuton da Silva Júnior
transmitida, total ou parcialmente, de qualquer modo ou por
quaisquer meios (eletrônico, mecânico, fotocópia, gravação, Transição Didática
distribuição na Web e outros), sem a prévia autorização, por Antonio Neuton da Silva Júnior
escrito, do Centro Universitário Católica de Quixadá. Lorena Maria da Silva

Revisão Textual
CENTRO UNIVERSITÁRIO CATÓLICA DE QUIXADÁ Jarlene Gomes Alves

Chanceler Revisão Técnica


Dom Angelo Pignoli Antonio Neuton da Silva Júnior
Lorena Maria da Silva
Reitor Rafael Rocha Moreira
Marcos James Chaves Bessa
Projeto Gráfico e Diagramação
Superintendente Executivo Alison Lucas Bezerra
Cicero Felix da Silva Jândreson Gomes da Silva

Pró-Reitor de Graduação e Extensão Ilustração e Capa


Marcos Augusto Ferreira Nobre Jândreson Gomes da Silva

Pró-Reitora de Pós-Graduação e Pesquisa Programação


Karla Bruna Nogueira Torres Barros Antonio Reginaldo Candido da Silva
Gerente de Comunicação e Tecnologia da Informação
Imagem da capa
Leonardo Rocha Moreira
[Link]
Coordenador do Centro de Produção de Material Didático
Antonio Neuton da Silva Júnior Algumas imagens utilizadas neste
livro foram obtidos a partir dos sites
Núcleo de Criação [Link] e Pixabay
Alison Lucas Bezerra
Edmarques Batista do Santos Filho
Jândreson Gomes da Silva
Jarlene Gomes Alves

Núcleo de Programação
Antonio Reginaldo Cândido da Silva
Francisco Yago da Silva Ferreira
Fundamentos
Teológicos

MÓDULO 5
Sexualidade humana

Objetivos de Aprendizagem
• Elencar os elementos constitutivos da sexualidade humana;
• fundamentar bíblica e teologicamente a diferença e igualdade
entre masculino e feminino;
• compreender as influências das mudanças culturais vividas nos
últimos séculos sobre o desenvolvimento do conhecimento da sexu-
alidade humana.

Temas
Introdução
1 Significado da sexualidade humana
2 A sexualidade humana à luz da revelação bíblico-cristã
3 Ofensas à sexualidade humana
3.1 O genitalismo e sensualismo
3.2 Atos que ferem as finalidades do sexo
Considerações finais
INTRODUÇÃO
03

A sexualidade é um tema complexo: é um meio de gozo e alegria, mas também


pode levar à amargura, à anarquia ou ao fracasso. Certamente você já presenciou e

MÓDULO 5 – Sexualidade humana


contemplou a beleza e a potencialidade da sexualidade humana. Talvez você já tenha
vivenciado questões delicadas a ponto de se questionar: como posso decifrar o mis-
tério e o paradoxo que ela encerra? Como distingo aquilo que é inocência do que é
perversidade? Como vivo essa realidade animal, mas cheia de humanismo?
Você já percebeu que a sexualidade não é uma dimensão acessória, mas um
componente fundamental do ser humano, que diz respeito a toda a pessoa e abrange
toda a vida do indivíduo. Você mesmo já constatou que se refere a uma verdade que
afeta profundamente a nossa identidade – enquanto ser humano – e confere a nós
as características – biológicas, psicológicas e espirituais – que nos fazem homem ou
mulher.
A sexualidade designa as características que determinam e condicionam nos-
sa forma de ser masculina ou feminina. É uma realidade que está enraizada no que
a pessoa humana tem de mais profundo: só podemos viver como homens ou como
mulheres. Desde crianças somos vocacionados a viver com plenitude o destino de ser
homem ou de ser mulher. São dois modos diferentes, caracterizados por sua perso-
nalidade e que matizam os demais componentes psicológicos, afetivos e espirituais
da pessoa.
Por muito tempo a sexualidade ficou reduzida ao âmbito exclusivamente geni-
tal. Por isso, urge retornarmos ao tema e, com a devida atenção, discutir as principais
abordagens históricas: duas mentalidades extremas (rigorista e libertina) e o significa-
do cristão da sexualidade humana. Depois, trataremos da visão bíblico-cristã articula-
da em torno das finalidades da sexualidade humana: dimensão unitiva e procriativa.
Por fim, apresentaremos as principais ofensas a essa realidade fundamental do ser
pessoa.

1 SIGNIFICADO DA SEXUALIDADE HUMANA

Do sexo sempre foi um terreno fértil para a gênese e o crescimento de


muitos tabus. Os povos antigos são testemunhas de crenças e comportamentos
que sacralizavam o sexo, encerrando uma ameaça para quem o utilizasse
indiscriminadamente. Determinados fenômenos biológicos e naturais exigiam uma

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série de ritos e purificações. Em épocas de colheita ou guerra, por exemplo, a
04 abstinência sexual era obrigatória.
MÓDULO 5 – Sexualidade humana

Parada Obrigatória
A palavra “sexo” é particípio passado do verbo latino “secerno”, isto é,
“seccionado”, “dividido”. Deus criou o ser humano, homem ou mulher,
“sexuado” em todo o seu ser: no cabelo, na voz, na maneira de pensar e
agir etc. Cada fibra do seu ser, o seu “eu” pessoal traz o caráter masculino
ou feminino. Não são os órgãos genitais que definem a sexualidade. Esta é
definida, na sua parte física, por glândulas de secreção interna – a hipófise,
o hipotálamo, a glândula pituitária, tireoide, supra renal etc. –, pelo espírito
e pela personalidade .

Para a Filosofia Estoica, escola de Filosofia Helenística fundada em Atenas por


Zenão de Cítio, no início do século III a.C., o fundamental consistia em viver de acordo
com as exigências da razão humana. O prazer e os desejos corporais eram inimigos
desse ideal. Por isso a moral estoica tinha como centro o esforço heroico e contínuo
para eliminar as paixões e libertar o homem de suas forças instintivas.
Essa e outras mentalidades antigas instauraram uma verdadeira desconfiança
em relação ao corporal. O prazer sexual, para muitas correntes de pensamento, era
considerado oposto à dignidade humana. O maniqueísmo afirmava que a matéria
é intrinsecamente má, e o espírito, intrinsecamente bom. Assim, o matrimônio era
uma opção proibida para os verdadeiros eleitos, o ato sexual era pecaminoso, e
predominava a hostilidade em relação à procriação.

Saiba Mais
O maniqueísmo foi uma Filosofia religiosa sincrética e dualística fundada e
propagada por Manes ou Maniqueu, filósofo do século III, que divide o
mundo simplesmente entre bom e mau.

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Ao longo da história, múltiplas traduções históricas desenvolveram esse
pensamento. Por outro lado, em muitas outras perspectivas, a sexualidade tornou-se 05

atraente e tentadora, exuberante, mítica, como podemos observar na figura a seguir.

MÓDULO 5 – Sexualidade humana


Figura 1 – Traduções históricas

IDADE MÉDIA
Encontramos o movimento dos cátaros (originado da palavra grega
katharós, que significa puro, era um movimento religioso que ocorreu
na região Sul da França e na parte Norte da Itália no fim do século XI e foi
até o começo do século XIV), que compartilhava a mesma mentalidade
básica: desconfiança, distância e medo diante de tudo o que se rela-
cionasse com o corpo, o prazer, a sexualidade e o matrimônio.

MITOLOGIAS ANTIGAS
A sexualidade encontra um modelo no mundo dos deuses, onde a
fecundidade, o amor e o matrimônio são funções sagradas. A encar-
nação dessas realidades se manifesta nos gestos humanos e nas ações
rituais que imitam os comportamentos divinos; por essa encarnação o
homem se associa ao sagrado. Assim, justificavam-se religiosamente as
orgias e prostituições sagradas, não como profanação, mas um pretenso
encontro com a própria divindade.

Fonte: Autores.

No âmbito filosófico e cultural, desde o clássico postulado de Epicuro, filósofo


grego do período helenístico, até as mais recentes proclamações da chamada
revolução sexual, propôs-se (com diferentes tonalidades) o hedonismo como doutrina
filosófico-moral. Segundo essa doutrina, o prazer é o supremo bem da vida humana,
isto é, o prazer é o fim último de todas as ações, como regra e norma da própria
moralidade.
Trata-se do direito a seguir os apetites biológicos e naturais, aos quais não se
pode renunciar sem cair na repressão. Nessa perspectiva, o gozo sexual é exaltado,
o corpo é utilizado sem reservas, os obstáculos à “liberdade sexual” são denunciados
e aniquilados.
Historicamente, temos duas mentalidades bem definidas e opostas,
marcadamente dualistas, uma rigorista outra libertina.

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Figura 2 – Rigorista x libertina
06
Mentalidades sobre a
Sexualidade Humana
MÓDULO 5 – Sexualidade humana

RIGORISTA
LIBERTINA
Despreza tudo o que é corpóreo e
Visão puramente biológica e
sexual como indigno do homem,
materialista, esquecendo-se da
estimulando-se um espiritualismo
dimensão espiritual.
desencarnado

O que eles têm em comum?

A sua Antropologia: uma separação absoluta entre o


psiquismo e a corporeidade, entre o espírito e a matéria,
entre o racional e o biológico. Trata-se de uma opção exclu-
dente entre angelismo e Zoologia.
Fonte: Autores.

O cristianismo optou por um caminho intermediário sobre a sexualidade, não


como síntese desses dois extremos desenvolvidos historicamente, mas como fruto da
fé na criação do homem e da mulher, na igualdade e diferença de ambos os sexos, na
compreensão da mútua relação e complementação dos gêneros.
Para o cristianismo, Deus é o autor da sexualidade e do matrimônio. Deus é
o criador do ser humano, constituído de corpo e alma. Como poderá ser mau aquilo
que Deus quis e deu ao homem na aurora da criação? O equilíbrio pretendido entre
os dois extremos exige uma leitura da sexualidade como elemento intrínseco ao ser
humano.
A sexualidade é uma dimensão humanizadora e jamais poderá ser reduzida ao
biológico ou ao idealismo ingênuo. Esse é o ponto de partida da Antropologia Cristã
para compreender a sexualidade humana: a sua unidade misteriosa e profunda.
Em vista disso, para a compreensão cristã, a sexualidade humana é um
componente fundamental da personalidade, um modo de ser, de se manifestar, de
se comunicar com os outros, de sentir, de expressar e de viver o amor humano.
Fisiologicamente, o ser humano parece igualar-se aos animais quanto ao sexo. No
entanto, a sexualidade serve precisamente para diferenciar os homens e os irracionais.

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Nos animais, o sexo é instintivo, corresponde a uma necessidade da natureza. No ser
humano, a sexualidade está a serviço da plena realização do ideal de cada um e não 07

se limita ao ato sexual como nos animais.

MÓDULO 5 – Sexualidade humana


A sexualidade está dentro do plano único de Deus para a vida de cada pessoa.
É algo que passa pelo corpo e o atinge, mas é mais do que o corpo, é a realidade total
da pessoa. Ela integra uma personalidade que tem seu ideal ou que é animada por
uma alma espiritual, capaz de transcender os bens materiais e visíveis. Refere-se à
capacidade de amar, de efetuar uma comunhão de pessoas, uma doação ao outro. A
sexualidade não é uma realidade puramente biológica, mas liga-se antes ao núcleo
íntimo da pessoa, tal como expressa o Catecismo da Igreja Católica:

A sexualidade afeta todos os aspectos da pessoa humana, em sua unidade


de corpo e alma. Diz respeito particularmente à afetividade, à capacidade de
amar e de procriar e, de uma maneira mais geral, à aptidão a criar vínculos
de comunhão com os outros. (CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA, n. 2332).

A sexualidade influencia todo o tipo de ação e comportamento da pessoa,


dando um caráter próprio às personalidades masculina e feminina de qualquer ser
humano. Ela estende a sua influência inclusive à dimensão espiritual da existência.
Assim, a sexualidade não é uma coisa agregada ao corpo, um atributo seu, mas é
uma realidade intrínseca a cada ser humano, uma dimensão que perpassa toda a sua
existência.

Leitura Complementar
Vaticano: Papa convida a valorizar sexualidade e afetividade humanas.

2 A SEXUALIDADE HUMANA À LUZ DA REVELAÇÃO BÍBLICO-


CRISTÃ

Vamos tratar agora da visão bíblico-cristã da sexualidade humana. Considerando


o ser humano no Antigo e Novo Testamento, sabemos que o homem criado à imagem
e semelhança de Deus faz mau uso de sua liberdade, utiliza errôneamente a sua
capacidade de decisão e de resposta, rejeita a proposta de Deus. O homem contraria o
desígnio criador de Deus: é chamado a viver em comunhão, mas opta pelo fechamento
sobre si próprio e dá origem ao pecado que destrói a união com Deus, a união inter-

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humana e o relacionamento harmonioso homem-natureza.
A sexualidade é apresentada, no livro do Gênesis, no ato criacional de Deus,
08
como uma realidade querida, como um dom do único Deus criador. Os relatos de
Gn 1 e 2 são muito claros quanto à existência de homem e mulher e afirmam que a
MÓDULO 5 – Sexualidade humana

diferenciação sexual é uma realidade boa e querida por Deus:


• Gn 1,1 – 2,41: acentua a importância da função procriadora inerente à
bissexualidade humana (palavra-chave: fecundidade).
• Gn 2, 4-25: explicita a dimensão da ajuda mútua e de reciprocidade existente
no encontro sexual homem-mulher, vivido no contexto do matrimônio
monogâmico (palavra-chave: relacionalidade).

Saiba Mais
As citações bíblicas são compostas por três elementos: livro, capítulo e
versículos. O livro é o primeiro elemento a ser apresentado, podendo ser
composto por letras e números. O capítulo é o número que fica logo após
o livro e antes da vírgula. O versículo é o número que fica imediatamente
após a vírgula. Vejamos um exemplo:
Livro de Gênesis
Gn 2, 4 Versículo 4
Capítulo 2

Quando há mais de um versículo, os mesmos são separados por um hífen


(-).
Evangelho segundo Mateus
Mt 22, 2-15 Versículo de 2 até 15
Capítulo 22

Assim, a citação bíblica Gn 2,4-25 deve ser lida da seguinte forma: livro de
Gênesis, capítulo 2, versículos de 4 até 25.

A união desses dois relatos, de tradições diferentes, indica que o encontro


homem-mulher é decididamente dialógico, não é uma relação de opressão ou
de domínio. A relação sexual expressa, aprofunda e desenvolve o amor mútuo, a
comunidade de amor entre o homem e a mulher, estando aberta, ao mesmo tempo, à
1
Leia: livro de Gênesis, capítulo 1, versículo 1 ao capítulo 2, versículo 4.
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fecundidade procriadora.
Em síntese, podemos ver três importantes afirmações nesses textos, conforme
09
o Catecismo (n. 369-373):
a) A igualdade e diferença queridas por Deus: o homem e a mulher, por

MÓDULO 5 – Sexualidade humana


um lado, foram criados em perfeita igualdade enquanto pessoas humanas;
por outro lado, no seu respectivo ser de homem e de mulher. “Ser homem”,
“ser mulher” é uma realidade boa e querida por Deus. O homem e a mulher
são criados, com uma mesma dignidade, “à imagem de Deus”. O Catecismo
ainda afirma que Deus não é, de modo algum, à imagem do homem. Não é
nem homem nem mulher. Deus é puro espírito, no Qual não há lugar para
a diferença de sexos. Mas as “perfeições” do homem e da mulher refletem
qualquer coisa da infinita perfeição de Deus.
b) A unidade a dois: criados juntamente, o homem e a mulher são, na vontade
de Deus, um para o outro. Essa unidade não significa que Deus os tenha
feito “pela metade” e “incompletos”; criou-os para uma comunhão de pessoas,
em que cada um pode ser “ajuda” para o outro, uma vez que são, ao mesmo
tempo, iguais enquanto pessoas e complementares enquanto masculino e
feminino.
c) O matrimônio como realidade unitiva e procriativa: no matrimônio, Deus
une-os de modo que, formando “uma só carne”2, possam transmitir a vida
humana: “crescei e multiplicai-vos, enchei e dominai a terra”3. Transmitindo
aos seus descendentes a vida humana, o homem e a mulher, como esposos
e pais, cooperam de modo único na obra do Criador.

Portanto, a fé cristã afirma a igualdade e diferença entre os sexos (masculino


e feminino), a unidade complementar de homem e mulher e o matrimônio como
realidade unitiva e procriativa. O relato da criação apresenta a vontade de Deus para o
ser humano, a bondade da sexualidade humana. Como explicar então os desvios, as
feridas, as desordens, as opressões sexuais? A Sagrada Escritura explica: o pecado
dessacraliza a sexualidade:
A sexualidade que deveria ser mediação do afeto mútuo, do amor e da entrega,
passa a ser instrumento de dominação do parceiro, da sua coisificação e
manipulação. A enorme força da sexualidade a serviço do fechamento
egoísta trai a sua mais íntima orientação e se revela um poder extremamente
destruidor. O resultado são as perversões de todo o tipo que aviltam e
desumanizam, que oprimem, despersonalizam e manipulam os corpos e os
sentimentos, enfim, a pessoa humana (GARCIA RUBIO, 2001, p. 479).

2
Gênesis 2,24.
3
Gênesis 1,28.

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A raiz de todas as desordens sexuais reside no pecado original. Depois da
10 primeira página bíblica, tão luminosa, da criação e do amor humano entre o primeiro
homem e a primeira mulher, imediatamente o pecado entra em cena. Com efeito, o
MÓDULO 5 – Sexualidade humana

pecado dos primeiros pais4 é seguido da narração do fratricídio de Caim5, do homicídio


de Lamec6 e dos muitos “pecados dos homens” que motivam o “dilúvio” universal7.
Mas, depois dessa espécie de “nova criação” protagonizada por Noé, a humanidade
prossegue na sua tarefa de fazer o mal, o que provoca a confusão da Torre de Babel8.
A realidade do pecado é um dado que atravessa os numerosos capítulos da Bíblia.
Vejamos algumas das principais consequências do pecado original:
Figura 3 – Principais consequências do pecado original

Adão e Eva perdem A harmonia em que O domínio das


imediatamente a viviam, graças à faculdades espirituais
graça da santidade justiça original, da alma sobre o
original. corpo foi quebrado.
ficou destruída.

A harmonia com a criação desfez-se:


!
a criação visível tornou-se, para o As relações humanas
passaram a ser A união do homem e
homem, estranha e hostil. marcadas pela avidez e da mulher ficou sujeita
pelo domínio. a tensões.

Adão e Eva perdem


O home m “voltará ao pó de que
foi formaime
do”:
diatamente a
graçaa mort e faz a sua entrada
da san tidade
na históriaorig
da huma
inalnidad
. e.

Fonte: Autores.

A prevalência de um sobre o outro desses sistemas varia conforme a sociedade


e a época. Atualmente, no Ocidente em geral e no Brasil em particular, do maior
impacto sobre a mentalidade e a cultura responde claramente o monismo materialista.

4
Gênesis 3,1-20.
5
Gênesis 4,8.
6
Gênesis 4,22.
7
Gênesis 4,13.
8
Gênesis 11,7-9.

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11

Parada Obrigatória

MÓDULO 5 – Sexualidade humana


Conforme a doutrina católica, ensinada no Catecismo, o pecado original é
uma verdade fundamental da fé: a doutrina do pecado original é, por assim
dizer, “o reverso” da Boa-Nova de que Jesus é o Salvador de todos os
homens, de que todos têm necessidade da salvação e de que a salvação é
oferecida a todos, graças a Cristo. Tentado pelo Diabo, o homem deixou
morrer no coração a confiança no seu Criador. Abusando da liberdade,
desobedeceu ao mandamento de Deus. Nisso consistiu o primeiro pecado
do homem. Daí em diante, todo o pecado será uma desobediência a Deus
e uma falta de confiança na sua bondade. No pecado, o homem preferiu-se
a si próprio a Deus, e por isso desprezou Deus: optou por si próprio contra
Deus, contra as exigências da sua condição de criatura e, daí, contra o seu
próprio bem.9

Após o pecado original e a triste realidade da sexualidade assumida como


instrumento de dominação, a união homem-mulher foi utilizada pelos profetas como
símbolo do amor entre Deus e o povo de Israel. Eles não queriam elaborar uma
Teologia da sexualidade, mas demonstrar como devemos responder e viver o projeto
histórico-salvífico de Deus. Nos escritos sapienciais, o amor conjugal é bom, sempre
que bem fundamentado moral e religiosamente. O amor entre homem e mulher, no
livro do Cântico dos Cânticos, é bastante exaltado, mas sem banalidades. Trata-se de
um amor responsável, firme e fiel.
No Novo Testamento, o centro de interesse reside na salvação oferecida por
Jesus Cristo. Ele reafirma fortemente a perspectiva relacional da sexualidade e do
matrimônio tal como Deus quis, como nos é relatado na criação do homem e da
mulher. Para Jesus, a relação homem-mulher deve ser vivida na mútua fidelidade
segundo o desígnio do Criador, por isso proíbe o divórcio e condena a arbitrariedade
do homem em relação à mulher. Ela não é uma coisa, mas um ser humano, não é
propriedade do homem, mas uma companheira (na linha de Gn 2,18-24).
Tal como no Antigo Testamento, Jesus vê a relação nupcial homem-mulher
como símbolo da aliança de Deus com o seu povo. A imagem do banquete de bodas é
utilizada para designar o Reino de Deus.10 Seu primeiro sinal, segundo o evangelista
9
Cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 397-398.
10
Mateus 2,2-14.

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João, foi nas Bodas de Caná.11 A positividade do matrimônio é demonstrada sobretudo
12 na autoapresentação de Jesus como o noivo/esposo.12
O Novo Testamento ratifica a doutrina do matrimônio quando Paulo, na Carta
MÓDULO 5 – Sexualidade humana

aos Efésios, apresenta a união do homem e da mulher “numa só carne” em relação


à íntima união entre Cristo e a sua Igreja13, marcada pela entrega total de amor,
que implica uma profunda e irrevogável fidelidade. A união de Cristo com a Igreja é
paradigma para o relacionamento homem-mulher, como afirma García Rúbio:

A sexualidade e o matrimônio não são realidades sagradas em si mesmas,


nos diz a teologia da criação. São realidades criadas, terrestres. Mas são
assumidas como sinal de entrega e do amor entre Cristo e a Igreja. E o amor
união entre Cristo e a Igreja fundamenta, orienta e fortalece o relacionamento
mútuo entre os esposos (RUBIO, 2001, p. 482).

Jesus não apenas eleva a realidade do matrimônio a uma dimensão sacramental


(sinal salvífico), mas também apresenta uma outra realidade como possibilidade real
para a vida cristã: o celibato pelo Reino de Deus. Todos aqueles que desejam dedicar-
se exclusivamente ao serviço do Reino de Deus podem ser convidados pelo mesmo
Jesus para uma vida celibatária14, em especial os sacerdotes. O seguimento de Jesus
pode implicar renúncia à esposa precisamente a serviço do Evangelho e por amor a
ele15.
Paulo, como já vimos, não questiona a bondade e a legitimidade do matrimônio,
bem como da relação sexual conjugal: o matrimônio é um dom de Deus16, mas
aconselha a virgindade e o celibato17 como um dom especial para aqueles que fazem
uma entrega indivisa a Cristo. Notemos bem, não se trata de uma imposição, mas de
um dom; uma abertura aos outros e a Deus, não um fechamento em si ou aniquilamento
da sexualidade.
O celibato não vai contra a natureza. O homem, criado à imagem e semelhança
de Deus18, não é somente carne, e o instinto sexual não é tudo nele. O homem é
também e sobretudo inteligência, vontade, liberdade e, graças a essas faculdades, é
e deve ter-se como superior ao universo: elas tornam-no senhor dos próprios apetites
físicos, psicológicos e afetivos.
A verdadeira e profunda razão do celibato é a escolha de uma relação pessoal

11
João 2,1-12.
12
Mateus 25,1-13
13
Efésios 5,21-33.
14
Mateus 19,12.
15
Lucas 18,29.
16
1 Coríntios 7,7
17
1 Coríntios 7,1-40.
18
Gênesis 1,26-27.

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mais íntima e completa com o mistério de Cristo e da Igreja em prol da humanidade
inteira. A escolha do celibato não comporta ignorância, ou desprezo do instinto sexual 13

ou da afetividade, o que teria consequências certamente prejudiciais para o equilíbrio

MÓDULO 5 – Sexualidade humana


físico e psicológico do celibatário, mas exige lúcida compreensão, atento domínio de
si mesmo e sapiente sublimação da própria psique, encarada num plano superior.
Desse modo, o celibato, elevando integralmente o homem, contribui efetivamente
para a sua perfeição.

3 OFENSAS À SEXUALIDADE HUMANA

A sexualidade, como um elemento fundamental da existência humana,


caracteriza o homem e a mulher não somente no plano físico, como também no
psicológico e espiritual. É a potencialidade própria de cada ser que, bem orientada,
integra o homem consigo mesmo e com o próximo, possibilitando uma existência plena
e elevada. Uma realidade tão nobre, mas também muito afetada por ofensas que a
reduzem ou a deturpam. Entre as muitas ofensas, destacaremos duas: o reducionismo
da sexualidade ao genitalismo e práticas comuns que ferem a ordem sexual.

3.1 O GENITALISMO E SENSUALISMO

A sexualidade humana se apresenta como um duplo estilo de vida, isto é, a


corporeidade se dá no ser humano sob uma dupla manifestação: o homem e a mulher
constituem as duas únicas maneiras de viver em um corpo, cada qual com seu estilo
peculiar e com características básicas diferentes.
As diferenças sexuais não são características exclusivamente anatômicas,
mas residem na diversidade biológica da diversidade dos cromossomos sexuais,
que influem na formação da glândula genital (gônada) encarregada de produzir os
hormônios correspondes para a formação dos caracteres secundários de cada sexo.
É preciso destacar um dado mais importante: o espírito se encarna em um corpo, que
necessariamente tem que ser masculino ou feminino.
A sexualidade designa as características que determinam e condicionam nossa
forma de ser masculina ou feminina. É uma realidade que está enraizada no que a
pessoa humana tem de mais profundo: só podemos viver como homens ou como
mulheres. Desde crianças somos vocacionados a viver com plenitude o destino de

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ser homem ou de ser mulher. São dois modos diferentes, caracterizados por sua
14 personalidade e que matizam os demais componentes psicológicos, afetivos e
espirituais da pessoa.
MÓDULO 5 – Sexualidade humana

A sexualidade humana não é feita apenas de corpo, e não se situa exatamente


nos genitais, nem poderá ser reduzida a este. No entanto, trata-se de um aspecto
fundamental da sexualidade humana, de tal modo que não é possível pensar o ser
humano sem a genitalidade.
Esta é definida pelos órgãos genitais da pessoa. Quando Deus cria cada
pessoa, dá-lhe órgãos genitais adequados para a sua sexualidade. Assim, não adianta
tentar mudar a sexualidade através da mutilação dos órgãos, pois a sexualidade está
definida em todo o ser da pessoa, desde a sua criação. É por isso que, mesmo sem
o uso da genitalidade, não se perde a sexualidade masculina ou feminina, pois esta
jamais acaba.
Os órgãos genitais são para geração de novas criaturas e, quando orientada
para a procriação, é a expressão máxima, no plano físico, da comunhão de amor
de duas pessoas; os órgãos não são meros instrumentos de prazer, nem seu uso é
indispensável para comprovar a sexualidade da pessoa. Alguém que nunca praticou
um ato genital não deixa de ser homem ou mulher, no verdadeiro sentido da palavra.
O uso sadio da sexualidade envolve todo o comportamento da pessoa. Mas o
mau uso oferece perigos desastrosos. O primeiro e mais grave é o reducionismo de
realidades complexas a dimensões meramente materiais e sensitivas: o genitalismo
como forma doentia de viver a própria genitalidade e o sensualismo como forma
doentia de viver a própria sexualidade.
Essas duas potencialidades reduzidas consistem no uso despudorado do
próprio corpo com o intuito desordenado de afirmar a própria sexualidade por esses
meios. Hoje em dia, muitos homens e mulheres inventam mil maneiras de exibir seu
corpo como mercadorias oferecidas em vitrines. Muitos fazem questão de ressaltar
os genitais e as partes que mais despertam o desejo sexual. Isso denota falta de
conhecimento de si mesmo e às vezes de segurança nos próprios valores interiores.
O pudor, como modo de proteger a intimidade da pessoa de invasão e
comprometimento, é substituída pela exibição desmedida e inconsequente do corpo.
Na mulher, as partes mais íntimas são ordenadas primeiramente à geração e à
amamentação. Não são meras carnes e por isso devem ser respeitadas. No homem
também. Os genitais devem ser cobertos de modo decente não porque sejam sujos ou
desonestos, mas porque pertencem à intimidade pessoal. Eles participam do mistério

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pessoal do ser humano, do mistério da doação de si.
15
MÓDULO 5 – Sexualidade humana

Saiba Mais
O Catecismo afirma que “a castidade implica uma aprendizagem do domínio
de si, que é uma pedagogia da liberdade humana. A alternativa é clara: ou
o homem comanda as suas paixões e alcança a paz, ou se deixa dominar
por elas e torna-se infeliz”19.

Depois, ensina que “a virtude da castidade gira na órbita da virtude cardial da


temperança, a qual visa impregnar de razão as paixões e os apetites da sensibilidade
humana .

3.2 ATOS QUE FEREM AS FINALIDADES DO SEXO

O prazer sexual é lícito quando ordenado às suas finalidades: a união e a


procriação. No entanto, isolado destas, o prazer sexual é moralmente desordenado
quando procurado por si mesmo. Entre as principais ofensas à castidade, podemos
indicar conforme o Catecismo da Igreja Católica (n. 2351- 2356):
a) A masturbação, a excitação voluntária dos órgãos genitais para daí retirar
um prazer venéreo. O prazer sexual é ali procurado fora da relação sexual
requerida pela ordem moral, que é aquela que realiza, no contexto de um
amor verdadeiro, o sentido integral da doação mútua e da procriação humana.
b) A fornicação, a união carnal fora do matrimônio entre um homem e uma
mulher livres. É gravemente contrária à dignidade das pessoas e da
sexualidade humana, naturalmente ordenada para o bem dos esposos, assim
como para a geração e educação dos filhos. É muitas vezes denominada de
“amor livre”, isto é, como uma relação entre pessoas que se conhecem e
amam mutuamente, mas sem compromisso ou sem assumirem definitivamente
o seu consórcio.
c) A pornografia, que consiste em retirar os atos sexuais, reais ou simulados,
da intimidade dos parceiros para os exibir a terceiras pessoas, de modo
deliberado. Ofende a castidade, porque desnatura o ato conjugal, doação

19
Catecismo da Igreja Católica, n. 2339.

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íntima dos esposos um ao outro.
d) A prostituição, um atentado contra a dignidade da pessoa que se prostitui, 16

reduzida ao prazer venéreo que dela se tira. A prostituição é a relação entre

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“anônimos”, que muitas vezes não têm amor mútuo; constitui um flagelo
social.
e) O estupro ou violação sexual, que designa a penetração à força, com
violência, na intimidade sexual de uma pessoa. O estupro ofende
profundamente o direito de cada um ao respeito, à liberdade e à integridade
física e moral. Causa um prejuízo grave, que pode marcar a vítima para toda
a vida.

Dentro dessa dimensão do uso ordenado do ato sexual, outro tema surge como
uma questão delicada: a homossexualidade. Esta designa as relações entre homens
ou mulheres, que experimentam uma atração sexual exclusiva ou predominante para
pessoas do mesmo sexo. Tem-se revestido de formas muito variadas, através dos
séculos e das culturas. A sua gênese psíquica continua amplamente inexplicada e
atualmente é tema de debates inflamados que não podemos oferecer aqui.
Apoiando-se na Sagrada Escritura, que apresenta os atos homossexuais como
depravações graves (Gn 19,1-29; Rm 1,24-27; 1Cor 6,9-10; 1Tm1,10 etc.) a tradição
cristã sempre declarou que esses atos são intrinsecamente desordenados. São
contrários à lei natural, fecham o ato sexual ao dom da vida e não procedem de uma
verdadeira complementaridade afetiva sexual. Para as pessoas homossexuais faz um
convite à castidade. Pelas virtudes do autodomínio, educadoras da liberdade interior
e, às vezes, pelo apoio de uma amizade desinteressada, pela oração e pela graça
sacramental, podem e devem aproximar-se, gradual e resolutamente, da perfeição
cristã.
Segundo a fé cristã, amar é querer bem um ao outro; implica doação ou entrega
para que o bem do ser amado possa ser atingido. Só no matrimônio é que ocorre a
união plena e comprometida entre os cônjuges (homem e mulher); somente então
existe o ambiente adequado para as relações sexuais, que supõem um lar e amor
estável entre esposo e esposa para que possam educar seus filhos. Quem separa
a sexualidade do amor comprometido procura apenas o prazer egoísta anexo às
relações sexuais; esse prazer não é a finalidade da sexualidade, mas é algo que o
Criador acrescentou à vida sexual para facilitar o desempenho da sua função unitiva
e fecunda.

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A sexualidade ordena-se para o amor conjugal do homem e da mulher. União
17 e procriação são os fins do ato sexual. A fecundidade é um dom, uma finalidade do
matrimônio porque o amor conjugal tende naturalmente a ser fecundo. O filho não
MÓDULO 5 – Sexualidade humana

vem de fora juntar-se ao amor mútuo dos esposos; surge no próprio coração desse
dom mútuo, do qual é fruto e complemento. O filho não é uma dívida, é uma dádiva. O
filho, como fruto do ato sexual, é o dom mais excelente do matrimônio.

Exercício de Aprendizagem
QUESTÃO 1
A sexualidade exercida entre um homem e uma mulher – unidos em
matrimônio – não deve ser entendida de maneira estrita à dimensão genital.
Em seu sentido mais profundo, ela deve ser vista pelo viés bíblico-cristão
articulado em torno das finalidades da sexualidade humana:
a) Dimensão procriativa somente
b) Dimensão unitiva desvinculada da procriativa
c) Dimensão unitiva somente
d) Dimensão celibatária
e) Dimensão unitiva e procriativa

QUESTÃO 2
O prazer sexual, para muitas correntes de pensamento, era considerado
oposto à dignidade humana. O maniqueísmo, filosofia religiosa sincrética
e dualística fundada e propagada por Maniqueu, filósofo do século III, que
divide o mundo simplesmente entre Bom e Mau, afirmava que:
a) A matéria é mais ou menos má, e o espírito, mais ou menos bom. Assim,
o celibato era uma opção melhor de se viver, pois o matrimônio era uma
opção proibida para os verdadeiros eleitos, o ato sexual era pecaminoso, e
predominava a hostilidade em relação à procriação.
b) A matéria é intrinsecamente má, e o espírito, intrinsecamente corrompido.
Assim, o matrimônio era uma opção proibida para os verdadeiros eleitos,
o ato sexual era pecaminoso, e predominava a hostilidade em relação à
procriação.

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c) A matéria é intrinsecamente má, e o espírito, intrinsecamente bom.
Assim, o matrimônio era uma opção proibida para os verdadeiros eleitos, 18

o ato sexual era pecaminoso, e predominava a hostilidade em relação à

MÓDULO 5 – Sexualidade humana


procriação.
d) A matéria é intrinsecamente boa, e o espírito, intrinsecamente mal.
Assim, o matrimônio era uma opção lícita para os verdadeiros eleitos, o
ato sexual era honrado, ilibado, impoluto e predominava a harmonia em
relação à procriação.
e) A matéria é intrinsecamente boa, e o espírito, intrinsecamente bom.
Contudo o matrimônio era uma opção proibida para os verdadeiros eleitos,
o ato sexual era pecaminoso, e predominava a hostilidade em relação à
procriação.

QUESTÃO 3
Na Idade Média encontramos o movimento dos cátaros (originado da
palavra grega katharós, que significa puro) que compartilhava a mesma
mentalidade básica dos maniqueístas, a saber:
a) Desconfiança, distância e medo diante de tudo o que se relaciona com o
corpo, o prazer, a sexualidade e o matrimônio.
b) Confiança, proximidade e coragem diante de tudo o que se relaciona
com o corpo, o prazer, a sexualidade e o matrimônio.
c) Desconfiança, distância e medo diante de tudo o que se relaciona com o
alma, o prazer, a sexualidade e o celibato.
d) Desconfiança, mas movido pela virtude da prudência não tinham medo
diante de tudo o que se relaciona com o corpo, o prazer, a sexualidade e o
matrimônio.
e) Confiança e proximidade com tudo o que se relaciona com o corpo, o
prazer, a sexualidade e o matrimônio, afinal a teologia do corpo foi haurida
por São João Paulo II a partir da percepção que os cátaros tinham do
homem.

QUESTÃO 4
No âmbito filosófico e cultural, desde o clássico postulado de Epicuro,
filósofo grego do período helenístico, até as mais recentes proclamações

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da chamada revolução sexual, se propôs (com diferentes tonalidades) o
19 hedonismo como doutrina filosófico-moral, segundo a qual:
a) O desprazer é o supremo bem da vida humana, isto é, o desprazer é o
MÓDULO 5 – Sexualidade humana

fim último de todas as ações, como regra e norma da própria moralidade.


Trata-se de não seguir os apetites biológicos e naturais, aos quais se pode
renunciar. Nesta perspectiva, o gozo sexual não é exaltado, o corpo é
utilizado com reservas, contudo, os obstáculos à “liberdade sexual” são
denunciados e aniquilados.
b) O prazer não é o supremo bem da vida humana, isto é, o prazer não é o
fim último de todas as ações, como regra e norma da própria moralidade.
Trata-se da luta ascética de viver não segundo os apetites biológicos e
naturais, aos quais se pode renunciar. Nesta perspectiva, o a castidade é
exaltada, o corpo é utilizado com reservas, não obstante os obstáculos à
“liberdade sexual” que são denunciados e aniquilados.
c) O sofrimento é o supremo bem da vida humana, isto é, o sofrimento é o
fim último de todas as ações, como regra e norma da própria moralidade.
Trata-se do direito a seguir os caminhos da ascese que forjam as dimensões
biológicas e naturais, aos quais se pode renunciar. Nesta perspectiva, o
deserto espiritual é exaltado e o corpo é cárcere da alma; tudo aquilo que
suscita o prazer é denunciado e aniquilado.
d) O prazer é o supremo bem da vida humana, isto é, o prazer é o fim
último de todas as ações, como regra e norma da própria moralidade.
Trata-se do direito a seguir os apetites biológicos e naturais, aos quais não
se pode renunciar sem cair na repressão. Nesta perspectiva, o gozo sexual
é exaltado, o corpo é utilizado sem reservas, os obstáculos à “liberdade
sexual” são denunciados e aniquilados.
e) O prazer é um dos bens da vida humana, isto é, o prazer é um dos fins
últimos de todas as ações, como regra e norma da própria moralidade. No
entanto, trata-se do dever a seguir os apetites biológicos e naturais, aos
quais não se pode renunciar sem cair na repressão. Nesta perspectiva, o
gozo sexual é exaltado, o corpo é utilizado sem reservas, os obstáculos à
“liberdade sexual” são denunciados e aniquilados.

QUESTÃO 5
Fisiologicamente, o ser humano parece igualar-se aos animais quanto ao

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sexo. No entanto, a sexualidade serve precisamente para diferenciar os
homens e os irracionais. Nos animais, o sexo é instintivo, corresponde a 20

uma necessidade da natureza. No ser humano:

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a) Também é instintivo, afinal entre o ser humano e o mundo animal
não existe diferença alguma; ambos possuem igual dignidade, direitos e
deveres.
b) A sexualidade está a serviço da plena realização do ideal de cada um e
não se limita ao ato sexual como nos animais.
c) A sexualidade não deve estar a serviço da plena realização do ideal de
cada um e se limita ao ato sexual como nos animais.
d) A sexualidade não deve ser exercida para a plena realização do ideal de
cada um, afinal de contas o Senhor disse: “Na ressurreição, as pessoas não
se casam nem são dadas em matrimônio; são, todavia, como os anjos do
céu” (Mt 22, 30). Todos, então, devemos ser celibatários como antecipação
da vida futura.
e) A sexualidade é um desserviço à plena realização do ideal de cada um.
Isto porque o ato sexual dos seres humanos é idêntico ao ato empregado
pelos animais. Por essa razão, deve ser tido como impuro, pecaminoso,
salvo algumas exceções.

QUESTÃO 6
No Novo Testamento, o centro de interesse reside na salvação oferecida
por Jesus Cristo. Ele reafirma fortemente a perspectiva relacional da
sexualidade e do matrimônio, tal como Deus quis e nos é relatado na
criação do homem e da mulher. Para Jesus, a relação homem-mulher deve
ser vivida:
a) Na mútua infidelidade segundo o desígnio de Alláh que pode pedir
coisas contraditórias, e por isso aceita o divórcio e propõe a arbitrariedade
do homem em relação à mulher. Ela é uma coisa, e não um ser humano,
é propriedade do homem, e não uma companheira (na linha do Corão na
Surata “a Vaca” - AL-BACARA).
b) Na mútua infidelidade segundo o desígnio do Criador, por isso ensina
o divórcio e aceita a arbitrariedade da mulher em relação ao homem. Ele
é uma coisa, e não um ser humano, é propriedade da mulher, e não um
companheiro (na linha do livro “a origem da família, da propriedade privada

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e do Estado” de Friedrich Engels em 1884). Isto porque não se deve aceitar
21 essa sociedade patriarcal-falocêntrica.
c) Na mútua fidelidade segundo o desígnio do Criador, por isso proíbe o
MÓDULO 5 – Sexualidade humana

divórcio e condena a arbitrariedade do homem em relação à mulher. Ela


não é uma coisa, mas um ser humano, não é propriedade do homem, mas
uma companheira (na linha de Gn 2,18-24).
d) Na mútua fidelidade segundo o desígnio do Criador, mas se traiu, não há
perdão, afinal quem perdoa é Deus e por isso aceita o divórcio e ressalta
a arbitrariedade do homem em relação à mulher, afinal, não deu certo, tem
que separar mesmo. Só quem vive a vida a dois sabe dos problemas da
vida conjugal. Em relação a mulher, ela não é uma coisa, mas por vezes
equipara-se a serpente do jardim; não é propriedade do homem, mas uma
companheira, que em determinadas situações deve ser sim subjugada,
pois foi por ela que entrou o pecado no mundo (na linha de Gn 2,18-24).
e) Na mútua fidelidade segundo o desígnio do Criador, por isso não aceita
o divórcio e a arbitrariedade em homem em relação à mulher. Contudo, ela
não pode ser chamada de ela, afinal, no mundo em que se vive, escolhe-se
o que se quer ser e o que se sente ser. Isto porque ninguém nasce mulher,
se torna mulher (na linha da filósofa cristã Simone de Beauvoir).

QUESTÃO 7
O celibato não vai contra a natureza. O homem, criado à imagem e
semelhança de Deus (Gn 1, 26-27), não é somente carne, e o instinto sexual
não é tudo nele. O homem é também e sobretudo inteligência, vontade,
liberdade e, graças a estas faculdades:
a) É e deve ter-se como superior ao universo: elas (as faculdades da
inteligência, vontade e liberdade) tornam-no senhor dos próprios apetites
físicos, psicológicos e afetivos.
b) É e deve ter-se como inferior ao universo: elas (as faculdades da
inteligência, vontade e liberdade) tornam-no escravos dos próprios apetites
físicos, psicológicos e afetivos.
c) É e deve ter-se como superior ao universo: elas (as faculdades de
filosofia, Teologia e Psicologia) tornam-no senhor dos próprios apetites
físicos, psicológicos e afetivos, afinal, com uma boa formação e um ótimo
arcabouço teórico, inteligência, vontade e liberdade alargam os limites e os

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horizontes do ser humano.
d) É e deve ter-se como inferior ao universo: elas (as faculdades da
22
inteligência, vontade e liberdade) estão corrompidas totalmente, de modo
que o homem não consegue fazer nada de bom. Assim sendo, somente

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pode crer. Ele é montaria do diabo e nunca há de se tornar senhor dos
próprios apetites físicos, psicológicos e afetivos.
e) É e deve ter-se como superior ao universo: elas (as faculdades da
inteligência, vontade e liberdade) tornam-no senhor dos próprios apetites
físicos, psicológicos e afetivos. O homem, nesse sentido, não precisa da
graça para a vida bem aventurada, mas somente do esforço ascético pode
ser fiel ao desígnio divino.

QUESTÃO 8
O uso sadio da sexualidade envolve todo o comportamento da pessoa.
Mas o mau uso oferece perigos desastrosos. O primeiro e mais grave é o
reducionismo de realidades complexas em dimensões meramente materiais
e sensitivas:
a) O feminismo como forma doentia de viver a própria feminilidade; o
machismo é a forma doentia de viver a própria masculinidade.
b) O humanismo como forma doentia de viver a própria humanidade; o
sexismo é a forma doentia de viver a própria sexualidade.
c) O maniqueísmo como forma doentia de entender a própria corporeidade;
o catarismo é a forma doentia de compreender a própria humanidade.
d) O historicismo como forma doentia de viver a própria historicidade; o
indigenismo é a forma doentia de viver a própria indigenicidade.
e) O genitalismo como forma doentia de viver a própria genitalidade; o
sensualismo é a forma doentia de viver a própria sexualidade.

QUESTÃO 9
O Catecismo da Igreja Católica afirma que “a castidade implica uma
aprendizagem do domínio de si, que é uma pedagogia da liberdade
humana”. Segundo esta perspectiva:
a) Ou o homem dá vazão as suas paixões e alcança a paz; assim sendo se
deixa dominar por elas e torna-se feliz”. Encontramos no pensamento do
filósofo Friedrich Nietzsche em sua obra “A Genealogia da Moralidade” ao
qual afirma que existem apenas dois tipos de moralidade: “a moralidade do

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senhor” e a “moralidade do escravo”.
23 b) Ou o homem reprime as suas paixões e alcança o recalque, ou se deixa
dominar por elas e torna-se feliz”, afinal, o importante é o amor que está
MÓDULO 5 – Sexualidade humana

nos nossos corações, bem como toda forma de amor vale a pena. Então,
se Jesus nos ensinou o amor, ninguém pode nos julgar e é isso que importa
pra Deus.
c) Ou o homem cultiva, incita e provoca as suas paixões e alcança a paz,
bem como se deixa dominar por elas tornando-se feliz.
d) Ou o homem comanda as suas paixões e alcança a paz, ou se deixa
dominar por elas e torna-se infeliz.
e) Ou o gênero comanda as suas paixões e alcança a paz, afinal esse
negócio de homem e mulher é uma construção da Igreja e da sociedade
patriarcal. Cada um pode ser aquilo que se sente e tem vontade de ser; ou
não se deixa dominar pelas concepções desta sociedade falocêntrica, pois
elas acabam por oprimir qualquer forma de amar e tornam o gênero infeliz.

QUESTÃO 10
O prazer sexual é lícito quando ordenado às suas finalidades: a união e
a procriação. No entanto, isolado destas, o prazer sexual é moralmente
desordenado quando procurado por si mesmo. Entre as principais ofensas
à castidade podemos indicar conforme o Catecismo da Igreja Católica (nº
2351- 2356):
a) A castidade, o celibato, a pureza, a guarda da vista, a continência ou a
castidade conjugal.
b) A masturbação, a fornicação, a pornografia, a prostituição e o estupro ou
violação sexual.
c) A fé, a esperança, a caridade, a prudência, a justiça, a temperança e
fortaleza.
d) A pobreza, a obediência, a estabilidade, a fidelidade ao Papa, a castidade
ou conversão dos costumes.
e) A roubo, o furto, o assassinato, o usar o santo nome de Deus em vão e
faltar domingos ou dias santos de guarda.

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Considerações Finais

Ao término do nosso percurso, podemos afirmar que a maneira 24

mais sadia de viver a própria sexualidade é conhecê-la e aceitá-la.

MÓDULO 5 – Sexualidade humana


Muitos não aceitam a própria sexualidade talvez porque tenham-lhe
sido passadas imagens deturpadas do que é ser homem ou mulher.
É preciso buscar em Deus a verdade sobre a própria sexualidade e
vivê-la de modo casto, integral, decente. É preciso reconhecer que não há
superioridade e inferioridade sexual, mas relacionalidade, responsabilidade
e realização. É preciso superar os preconceitos coletivos inconscientes
e as imagens estereotipadas, assim como evitar todo e qualquer
reducionismo que fere a dignidade da mulher e do homem, em especial
a misoginia que faz com que a mulher fique relegada a uma categoria
inferior. É preciso destacar sempre mais aquelas categorias fundamentais
queridas por Deus no ato da criação: reciprocidade e alteridade, e
eliminar a desigualdade, a alienação e o machismo que tantas vezes
acompanham erroneamente a compreensão da sexualidade humana.
A sexualidade é algo de tão íntimo e profundo que não
pode ser balizada ou reduzida ao ato sexual ou ainda aos órgãos
genitais; é, antes, a expressão suprema da maturação e da
consolidação do amor humano. Unir-se sexualmente significa doar-
se por completo e, por conseguinte, comprometer-se totalmente.
A sexualidade é fonte de alegria e de prazer quando está ordenada
ao amor. Se existe algo capaz de satisfazer o desejo de felicidade, é algo
que deve se referir diretamente ao amor. A sexualidade é justamente
a potencialidade de realizar a existência no amor e para o amor.

REFERÊNCIAS

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CIC - Catecismo da Igreja Católica. São Paulo: edição típica vaticana, Loyola,
25
2000.

GARCÍA RUBIO, Alfonso. Unidade na pluralidade: o ser humano à luz da fé e da


reflexão cristãs. São Paulo: Paulus, 2014
MÓDULO 5 – Sexualidade humana

SANTOS, Benedito B. dos. In: Coelho, Mário M. O que a Igreja ensina sobre… São
Paulo: Canção Nova, 2015.

ZILLES, Urbano. Antropologia teológica. São Paulo: Paulus, 2011.

GABARITO DOS EXERCÍCIOS DE APRENDIZAGEM

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

E C A D B C A E D B

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