História do Korgath
Despersonalização é um sentimento de não pertencimento. A pessoa se sente desconectada
do próprio corpo, mente e sentimentos. É uma sensação horrível que faz o indivíduo perder a
noção da própria vida, dos sentimentos e da razão pelas quais faz as coisas do dia a dia.
Ademais, palavra mais adequada para descrever a história de Korgath.
Korgath, é um golias que nasceu e cresceu no Império de Ba Sing, conhecido por suas
construções robustas e resistentes, erguidas com a força dos anões e golias que residem no
império. Ba Sing, também é conhecido pelo seu maquinário a vapor e a tecnomancia que são
utilizados no dia a dia, com funções diversas, como moer trigo.
Por mais que Ba Sing possua grandes cidades, Korgath residiu sua vida inteira em um pequeno
vilarejo chamado Campoarado, com cerca de 40 ou 50 edifícios e com a população
majoritariamente de golias e alguns anões. Em Campoarado, Korgath foi criado pelo seu pai,
chamado Zorak e cresceu junto de seus dois irmãos gêmeos são sete anos mais velhos do que
Korgath, o Brador e a Kora. A mãe de Korgath, Breya, morreu no parto, fazendo Korgath
crescer sem uma figura feminina, sendo criado apenas por seu pai, que era um tanto quanto
severo na criação, deixando pouco espaço para Korgath conversar sobre seus sentimentos.
A família de Korgath, desde seu mais longínquos antepassados, plantam trigo e milho, Zorak,
seu pai, junto de seus dois filhos homens cuidam da parte braçal, e sua irmã controla o moinho
utilizando tecnomancia para moer os grãos e puxar água do aquífero para regar as plantações.
O império impõe que os fazendeiros paguem seus impostos em alimentos e produtos no lugar
de dinheiro, sendo equivalente ao número de pessoas acima de 16 anos da família, o que
causou bons problemas, já que Korgath provocou alguns acidentes.
Além de Korgath frequentemente deixar de cumprir com suas obrigações por seguir uma
borboleta bonita, ir observar as flores do bosque desabrochando e entre outros motivos que
roubavam sua atenção, seu jeito um tanto quanto desatento e desastrado fez com que ele já
quebrasse o maquinário do moinho várias vezes, por não prestar atenção onde pisa, ou tentar
pegar sapos e lagartixas que passavam por ali, fazendo com que sua irmã, Kora, não
conseguisse moer os grãos para entregar aos soldados que vinham buscar o imposto semanal.
Os soldados, descontes com os atrasos frequentes provenientes da falta de responsabilidade
de Korgath, descontavam no seu pai Zorak que com o passar das surras, pegava mais rancor de
seu próprio filho. E seus irmãos, com pena de seu pai, diziam que Korgath era uma maldição a
família, por trazer a morte de sua mãe, e submeter seu pai a dor.
Com o passar dos anos, Korgath sempre tentou mudar seu comportamento, mas algo dentro
dele não deixava, ele não pertencia aquele lugar, a sua casa podia ser em Campoarado, junto
de sua família, porem seu lar se encontrava na natureza, no canto dos pássaros, na terra e no
desabrochar das flores, lá ele se sentia parte de algo e feliz. No fundo ele não via sentido
naquilo, ficar exausto para plantar além do necessário, para pessoas que nem se quer sabem
seu nome comerem, ou pior que isso, vender algo que deveria ser de livre acesso a todos. E
esse seu descontentamento ajudava na sua indisciplina, fazendo as surras que sem pai tomava
e retribuía em Korgath se tornassem mais frequentes e os insultos e maus tratos de seus
irmãos também.
Em um dia de encher os sacos com farinha de trigo e milho para os soldados buscarem,
Korgath, esgotado mentalmente pela rotina na qual ele não encontrava significado e pelos
insultos de seus irmãos, deixou se distrair por um pássaro vermelho diferente de todos que ele
já havia visto, que voava com o bico cheio de galhos. Curioso com o destino do pássaro,
Korgath decidiu segui-lo. O pássaro parou em um bosque próximo e levava os galhos para
construir um ninho, Korgath então decidiu ajudá-lo pegando galhos e pedras para reforçar a
casa de seu novo amigo. Korgath só se deu conta que tinha de que ajudar seu pai a carregar os
sacos quando o sol estava se pondo, então voltou correndo para casa. Chegando lá viu seu pai
sendo segurado por dois soldados, enquanto outro batia com um chicote em suas costas, a
força era tanta que além de marcar o corpo de Zorak, muito provavelmente marcava sua alma.
Zorak, quando viu que Korgath chegou, fez questão de olhar para seu filho seu parar,
enquanto apanhava dos soldados por atrasar mais uma vez o imposto. Seus irmãos também
olhavam com desgosto para Korgath, que mais uma vez seu pai parar nessa situação. Os
olhares de decepção e desgosto encheram a cabeça de Korgath, assim como sua alma, que
transbordava em lagrimas, enquanto ele corria para o único lugar que lhe trazia alívio, o
bosque.
Suas lagrimas encharcavam a terra, fazendo que as plantas molhadas pelo choro mais sincero
do golias arrependido, crescessem rapidamente, os animais, familiarizados com a voz de
Korgath, chegavam para ver o que causava seus gritos de angústia. Quando Korgath percebeu
a comoção daquelas pequenas e variadas criaturas ele se sentiu leve, porem esse sentimento
passou de maneira rápida, quando ele lembrou do olhar de desgosto do seu pai que invadia e
ocupava a sua cabeça, enchendo o peito e soltando o mais alto e sincero grito dizendo para os
animais o deixarem em paz, já que em sua mente, ele não merecia atenção de ninguém, era
um caso perdido. Após o ar de seus pulmões se esgotarem, somados com o estresse, Korgath
desmaiou ali mesmo, porém diferente dos sonhos que tinha quando cochilava encostado em
alguma arvore no bosque, o que ele teve naquele momento foi um tanto peculiar.
Em seu sonho, Korgath via uma batalha de um exército composto por raças diferentes que
atacavam a muralha de uma cidade que parecia ser élfica, a visão do campo de batalha era
horrível, o cheiro de ferro presente no sangue dos caídos enchia as narinas do golias, e o olhar
vazio daqueles que morriam do seu lado davam calafrios e atormentavam sua mente. O
choque foi grande demais para um menino do campo que o maior contato com a violência era
com a que seu pai sofria dos soldados cobradores de imposto. Aflito, Korgath perdeu as forças
nas suas pernas e se dobrou de joelhos no chão enquanto chorava vendo toda aquela
matança. Até que um homem meio pássaro, com penas vermelhas e músculos salientes
invadia o olhar de Korgath, o colocando de pé e dizendo “vamos garoto, a visão da guerra
pode ser um tanto quanto perturbadora, mas não deixe que a morte de seus aliados seja em
vão. Até quando você vai ficar aí parado? Precisamos da sua ajuda, impeça isso. Levanta e
anda!” Quando o meio pássaro terminou de dizer suas palavras motivadoras, ele deu um tapa
na cara do golias que foi tão forte a ponto de secar as lagrimas de seu rosto e acordá-lo de seu
pesadelo.
Quando Korgath acordou deitado no meio do matagal que cresceu se alimentando da tristeza
do garoto, ele percebeu um desconforto em sua careca, e quando se deu conta era aquele
pássaro vermelho que ele havia ajudado a construir o ninho mais cedo o bicando e piando sem
parar. Alguns minutos depois, com a consciência mais retomada, Korgath percebeu que
entendia o que o pássaro dizia. “Levanta e anda! Levanta e anda!...” era o que o pássaro dizia
repetidamente. No início o jovem golias ficou um tanto quanto confuso e assustado, mas
gostou da ideia de poder entender seus amigos da floresta, então decidiu que se isso ainda
fizesse parte do sonho ele ia fazer de tudo para continuar dormindo. Motivado pelas palavras
dos dois pássaros de penas rubras, Korgath decidiu dar um basta na sua indisciplina e livrar a
sua família da maldição que era a sua presença (é claro que se livrar da surra grande que ia
tomar de Zorak e os maus tratos e comentários dos gêmeos eram motivos que impulsionaram
Korgath), e também para poder entender mais sobre a sua visão ou pesadelo. Então ele
esperou até a madrugada, horário que todos estariam dormindo, foi até a sua casa, pegou seus
pertences e alguns itens que julgou importante para sua jornada e partiu. Porém, antes disso
escreveu um bilhete e deixou sobre a mesa de jantar, e nesse bilhete dizia “Pai e maninhos,
Korgath pedir desculpas do fundo do peito, porem não suficiente para apagar erros. Por isso to
partindo, assim menos imposto terem que pagar e mais paz. Prometo que só voltar quando
encher família de orgulho. Amo todos, sentir muita saudade, bejão, adeus ou até logo.”
Quando saiu de sua casa, foi diretamente ao bosque, para procurar seu amigo de penas
vermelhas, porém chegando lá, Korgath não o achou, assim como seu ninho, então resolveu
tentar conversar com os animais para tentar saber o que havia acontecido com seu amigo.
Após conversar com alguns animais, todos disseram que nunca tinhas visto nenhum pássaro
de penas vermelhas por ali, muito menos seu ninho. Korgath não sabia se estava surpreso por
ter consegui novamente conversar com os animais ou de nenhum deles terem visto o pássaro
de penas vermelhas. Acreditando que talvez aquilo seja uma mensagem da própria mãe
natureza ou dos deuses elementais para ajudar ou impedir a guerra, ele decidiu confiar nela e
seguiu para onde o vento o levava, torcendo para que Erde acalmasse Luft, para guia-lo com
sabedoria nesse novo ciclo.