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Indenização por Cobrança Indevida em Cartão

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ESTADO DO ESPÍRITO SANTO

PODER JUDICIÁRIO
Juízo de Serra - Comarca da Capital - 1º Juizado Especial Cível
Avenida Carapebus, 226, Fórum Desembargador Antônio José Miguel Feu Rosa, São Geraldo/Carapina, SERRA - ES - CEP: 29163-392
Telefone:(27) 33574855
PROCESSO Nº 5017031-62.2024.8.08.0048
PROCEDIMENTO DO JUIZADO ESPECIAL CÍVEL (436)
REQUERENTE: FELIPE MILITAO DA SILVA

REQUERIDO: BANCO PAN S.A.

Advogados do(a) REQUERENTE: ANA PAULA FREITAS DA SILVA - ES34351, GLAUCIANE


MENARIO FERNANDES RIBEIRO - ES15403

Advogado do(a) REQUERIDO: ANTONIO DE MORAES DOURADO NETO - PE23255

SENTENÇA

Vistos, etc.

Trata-se de demanda indenizatória ajuizada por consumidor em face de instituição


bancária. Aduz, a parte Autora, que não contratou qualquer obrigação perante a Ré, mas que foi
feito, em seu nome, sem o seu conhecimento, um contrato de cartão consignado e que são feitos
descontos em sua folha de pagamento sem previsão de fim com altas taxas de juros de forma
não autorizadas. Além disso, a Requerida procedeu com a emissão de um cartão de crédito, mas
nunca o recebeu, e nem utilizou. Aduz que a Requerida já descontou de seu benefício
previdenciário diversos valores, promovendo descontos mensais.

Pleiteia a tutela de urgência para que a Requerida suspenda os descontos em seu


benefício previdenciário. Ao final, pugna pela declaração de nulidade e de inexistência de débito,
restituição em dobro dos valores pagos e indenização por danos morais no valor de R$10.000,00.
Pleiteia a gratuidade de justiça.

A decisão de ID44767390 deferiu o pedido de tutela de urgência para determinar


que a Requerida suspenda os descontos no benefício previdenciário da Requerente.

Em contestação, a Requerida suscita a preliminar de incompetência deste Juízo em


razão da necessidade de produção de prova pericial grafotécnica. Suscita a preliminar de inépcia
da inicial, por deficiência na procuração e no comprovante de residência. Aduz inexistir interesse
de agir por não haver resistência administrativa à pretensão autoral. Suscita a prejudicial de
mérito de prescrição e de decadência, pois os descontos se iniciaram em 24/08/2017.

No mérito, afirma que a contratação foi legítima, tendo a Autora efetivamente


contratado o cartão de crédito consignado e promovendo saques com a sua utilização. Sustenta
que todas as informações foram passadas à Autora a respeito do produto adquirido e que
estavam disponíveis nos canais de comunicação da Requerida. Subsidiariamente, requer a
restituição do valor depositado em favor da Requerente.

Sendo o que havia a relatar, passo à análise das preliminares suscitadas.

PRELIMINARES

- INCOMPETÊNCIA DESTE JUÍZO

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Suscita a Requerida a preliminar de incompetência deste Juízo em razão da
necessidade de produção de prova pericial. Rejeito essa preliminar, uma vez que o que se
discute neste processo é a nulidade do contrato apresentado pela Requerida em razão de
suposta falha na prestação de informações.

- INÉPCIA DA INICIAL

Suscita a Requerida a preliminar de inépcia da inicial. Rejeito essa preliminar. O


documento de comprovação de endereço apresentado pela Autora é atual e válido, não havendo
qualquer problema quanto a esse.

- AUSÊNCIA DE INTERESSE DE AGIR

Suscita a parte Requerida a preliminar de ausência de interesse de agir. Rejeito esta


preliminar. Não há necessidade de prévia tentativa de solução administrativa da suposta violação
de direito pela parte, prevendo a Constituição Federal em seu artigo 5º, XXXV a inafastabilidade
do Poder Judiciário para apreciar lesão ou ameaça a direito.

- IMPUGNAÇÃO AO VALOR DA CAUSA

Impugna a Requerida o valor atribuído à causa pela Autora. Rejeito essa


impugnação, uma vez que o valor dado à causa segue os parâmetros do artigo 292, CPC, não
havendo reparos a serem realizados nesse ponto.

- IMPUGNAÇÃO AO PEDIDO DE GRATUIDADE DE JUSTIÇA

Impugna a Requerida o pedido autoral de gratuidade de justiça. Rejeito essa


impugnação, uma vez que a parte Autora comprovou o cumprimento dos requisitos do artigo 98 e
seguintes do CPC, fazendo jus ao benefício da gratuidade de justiça.

Passo à análise das prejudiciais de mérito.

PREJUDICIAIS DE MÉRITO

DECADÊNCIA E PRESCRIÇÃO

Suscita a Requerida as prejudiciais de decadência e de prescrição da pretensão


autoral. Rejeito essas prejudiciais, pois o contrato continua válido e produzindo efeitos, além de
se tratar de contrato de trato sucessivo, de modo que o direito de obtenção de restituição se
renova a cada pagamento indevido.

Passo à análise do núcleo do mérito.

MÉRITO

Discute-se neste processo se houve cobrança indevida de valores pela Requerida


em face da Autora.

Em relação a inversão do ônus da prova, essa não é uma regra de procedimento e,


portanto, não há um momento certo para o magistrado aplicá-la. Tal instituto é considerado, pela
maioria da doutrina, como sendo uma técnica de julgamento, sendo a sentença o momento certo
para ser fixada.

Contudo, em se tratado de ônus dinâmico do ônus da prova, que consiste em retirar


o peso da carga da prova de quem se encontra em evidente vulnerabilidade de suportá-lo,
impondo-o sobre quem se encontra em melhores condições de produzir a prova essencial ao

Num. 50326115 - Pág. 2


deslinde da lide, previsto no art. 373, § 1º, do CPC e no art. 6, VIII, do CDC, a sua aplicabilidade
ao caso revela-se necessária.

O processualista Nelson Nery Júnior (Código de Processo Civil Comentado, 17ª ed.,
2018, p. 986), preleciona que:

“Não há momento para o juiz fixar o ônus da prova ou sua inversão (CDC 6.º VIII),
porque não se trata de regra de procedimento. O ônus da prova é regra de juízo, isto é, de
julgamento, cabendo ao juiz, quando da prolação da sentença, proferir julgamento contrário
àquele que tinha o ônus da prova e dele não se desincumbiu. O sistema não determina quem
deve fazer a prova, mas sim quem assume o risco caso não se produza (Echandia. Teoria
general de la prueba judicial, v. I., n. 126, p. 441). No mesmo sentido: TJSP-RT 706/67; Micheli.
L’onere, 32, 216. A sentença, portanto, é o momento adequado para o juiz aplicar as regras sobre
o ônus da prova. Não antes. Entretanto, quanto à inversão ope iudicis do ônus da prova (CPC
373 § 1.º), o dispositivo permite que o juiz inverta o ônus da prova antes da sentença,
fundamentadamente, e propicie à parte a quem foi atribuído esse ônus, oportunidade para que
dele se desincumba.”.

Desta forma, verifica-se a possibilidade de inversão do ônus probatório nesse


momento processual, não sendo cabíveis quaisquer alegações em sentido contrário.

Ademais, a parte Requerida foi devidamente advertida mandado de citação quanto a


possibilidade de inversão do ônus da prova, não podendo alegar cerceamento de defesa, pois,
desde o início da demanda de consumo, já sabia de antemão tal possibilidade e que, havendo o
non liquet quanto à prova, poderia ter contra ela invertido o ônus da prova, devendo, portanto,
provar tudo o que estiver a seu alcance e for de seu interesse nas lides de consumo.

Desde já registro que a relação estabelecida entre as partes é de consumo, pois


está presente, de um lado, o fornecedor de serviços bancários, visando a obtenção de lucro e, do
outro, o consumidor aplicando-se, de consequência, o Código de Defesa do Consumidor.

Analisando detidamente os autos, verifico que a parte Autora recebeu em sua conta
corrente uma transferência da Requerida, conforme documento de ID48976675; e vem, a parte
Autora, recebendo descontos na folha de pagamento sobre as rubricas Reserva de Margem
Consignável – RMC, conforme documentos anexados aos autos.

Apesar da contestação alegando regularidade da contratação, a parte Ré quedou-se


inerte a comprovar os fatos extintivos, impeditivos ou modificativos do direito autoral, nos termos
do art. 373, II, do CPC, não sendo os documentos apresentados suficientes para demonstrar que
foram prestadas todas as informações referentes à contratação de cartão de crédito consignado
com descontos com reserva de margem consignável, o que fica comprovado pela ausência de
contrato assinado instrumentalizando a relação jurídica entre as partes com essas informações.

Pois bem. Verifico que a contratação ocorreu na modalidade Reserva de Margem


Consignável (RMC), ou seja, o consumidor se dirige a uma instituição financeira com o objetivo
de contrair um empréstimo, todavia, ao invés de realizar esta contratação, a financeira acaba
induzindo o consumidor a contratar um Cartão de Crédito Consignado.

E o que isso significa? Significa que será creditado na conta corrente do consumidor
o valor pretendido no empréstimo, sendo supostamente enviadas, posteriormente, faturas de um
cartão de crédito que muitas vezes sequer é utilizado, com descontos realizados diretamente em
sua folha de pagamento de benefício previdenciário, que podem variar de valor até o limite da
reserva de margem consignável, incidindo altas taxas de juros e encargos, mensalmente, sobre o
saldo devedor lançado em fatura de cartão de crédito.

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A contratação mediante RMC não é vedada pelo ordenamento jurídico, tanto que o
INSS, por meio da Instrução Normativa nº 28/2008, estabelece que (art. 3º e seu § 4º): “Os
titulares de benefícios de aposentadoria e pensão por morte, pagos pela Previdência Social,
poderão autorizar o desconto no respectivo benefício dos valores referentes ao pagamento de
empréstimo pessoal e cartão de crédito concedidos por instituições financeiras, desde que: (...) §
4º A autorização, por escrito ou por meio eletrônico, para a efetivação da consignação, retenção
ou constituição de Reserva de Margem Consignável - RMC, valerá enquanto subscrita pelo titular
do benefício, não persistindo, por sucessão, em relação aos respectivos pensionistas e
dependentes”.

Contudo, o consumidor pretende tão somente realizar um empréstimo (exatamente


como o caso dos autos) e lhe é imposta a contratação de um cartão de crédito com elevadas
taxas de juros e encargos e com lançamento de todo o valor do empréstimo a débito na primeira
fatura emitida, onerando excessivamente o consumidor e colocando-o em flagrante desvantagem
exagerada perante a instituição financeira, já que, se não for pago o valor do débito, o que
usualmente ocorre, poderá, o banco, fazer as retenções mensais de RMC em folha de pagamento
de benefício previdenciário, em valores que nem sempre abatem o valor da dívida principal,
cobrindo apenas os juros e encargos incidentes, ou parte deles, de uma forma abusiva e lesiva,
que merece ser reprimida.

Nessa linha de raciocínio, há de se reconhecer a abusividade desse tipo de


contratação, anulando-se o contrato, e, consequentemente, cancelando-se o cartão, e, por via
lógica, restituindo as partes ao seu estado anterior, com restituição dos valores pagos
reciprocamente.

Nesse ponto, a parte Autora postula o recebimento dos valores descontados


indevidamente em sua aposentadoria em dobro, nos termos do art. 42 do CDC.

O mencionado dispositivo assim estabelece: “O consumidor cobrado em quantia


indevida tem direito à repetição do indébito, por valor igual ao dobro do que pagou em excesso,
acrescido de correção monetária e juros legais, salvo hipótese de engano justificável”.

Conforme entendimento recente da Turma de Unificação do Colégio Recursal


TJ/ES, o Enunciado nº 29, do Sistema dos Juizados Especiais, preleciona que:

NOS CASOS EM QUE O CONSUMIDOR NÃO TEM A PRETENSÃO DE


CONTRATAR CARTÃO DE CRÉDITO CONSIGNADO, BUSCANDO CONTRAIR
EMPRÉSTIMO CONSIGNADO, AO SER DECLARADA A NULIDADE DO
CONTRATO POR VÍCIO DE VONTADE, DEVEM AS PARTES RETORNAR AO
STATUS QUO ANTE, CABENDO AO CONSUMIDOR DEVOLVER O MONTANTE
SACADO E A INSTITUIÇÃO FINANCEIRA A RESTITUIÇÃO EM DOBRO DOS
VALORES DESCONTADOS.

Portanto, é devida a devolução em dobro dos valores cobrados pela Ré.

Desta feita, tendo em vista o retorno ao status quo ante, a restituição de todos os
valores descontados em folha de pagamento é devida, com correção monetária a partir do
pagamento e juros legais a partir da citação.

A referida restituição deve ser realizada em dobro, uma vez que a exigência de
valores sem a correspondente regularidade contratual configura elemento de má-fé contratual, a
incidir a aplicação do parágrafo único do artigo 42 do CDC.

No mesmo sentido:

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CONTRATO – EMPRÉSTIMO CONSIGNADO – EMISSÃO DE CARTÃO DE
CRÉDITO PARA VIABILIZAR O MÚTUO COM RESERVA DE MARGEM CONSIGNÁVEL (RMC)
– INEXISTÊNCIA DA RELAÇÃO JURÍDICA RECONHECIDA PELA SENTENÇA - RESTITUIÇÃO
EM DOBRO DOS VALORES DESCONTADOS – INVIABILIDADE – NÃO SE CUIDA DE
DEMANDA POR DÍVIDA JÁ PAGA, COMO PREVÊ O ART. 940 DO CC – AUSÊNCIA, ADEMAIS,
DE MÁ-FÉ DO RÉU - DANO MORAL – CARACTERIZAÇÃO – EXPEDIENTE ARDILOSO
UTILIZADO PELO RÉU QUE LEVA O MUTUÁRIO A ANGUSTIANTE SITUAÇÃO DE VER A SUA
DÍVIDA ALONGADA SEM TERMO FINAL, SALVO SE QUITÁ-LA INTEGRALMENTE (...). (TJSP;
Apelação 1021342-65.2017.8.26.0451; Relator (a): Paulo Roberto de Santana; Órgão Julgador:
23ª Câmara de Direito Privado; Foro de Piracicaba - 2ª Vara Cível; Data do Julgamento:
23/08/2018; Data de Registro: 23/08/2018).

Considerando que restou comprovado o depósito pelo Requerido em favor da parte


Autora de R$399,00, conforme ID48976675, fica autorizada a compensação de R$399,00 do
valor a ser pago pela Requerida à Autora em virtude desta sentença.

Quanto aos danos morais, entendo pertinente sua fixação, considerando que os
fatos narrados ultrapassam o mero aborrecimento do cotidiano. Ademais, os descontos referentes
à RMC incidiam diretamente sobre o contracheque da parte Autora, comprometendo sua renda
familiar.

Desta feita, pautando-me nos princípios da razoabilidade e proporcionalidade


entendo que a importância de R$ 3.000,00 (três mil reais), é suficiente para o caso em comento.

APELAÇÃO – AÇÃO DECLARATÓRIA CUMULADA COM PEDIDOS DE


INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO – FALHA NA
PRESTAÇÃO DO SERVIÇO CARACTERIZADA – AUSÊNCIA DE PROVA DA EFETIVA
CONTRATAÇÃO DE CARTÃO DE CRÉDITO COM RESERVA DE MARGEM CONSIGNÁVEL
(RMC) – INEXIGIBILIDADE DE DÉBITOS CONFIGURADA – RESPONSABILIDADE CIVIL
CARACTERIZADA – DEVER DE INDENIZAR – RESTITUIÇÃO EM DOBRO –
IMPOSSIBILIDADE – AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE MÁ-FÉ DO APELANTE –
NECESSIDADE APENAS DE RESTITUIÇÃO DE FORMA SIMPLES – DANO MORAL IN RE
IPSA SUPORTADO PELO APELADO – INDEVIDOS DESCONTOS INCIDENTES SOBRE OS
BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS DO APELADO QUE COMPROMETERAM DIRETAMENTE A
SUA SUBSISTÊNCIA DIANTE DO CARÁTER ALIMENTAR DA VERBA – VALOR
INDENIZATÓRIO. A FIXAÇÃO DEVE SER REALIZADA SOB OS CRITÉRIOS DA
RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. O VALOR INDENIZATÓRIO DEVE SER
RAZOÁVEL PARA CONFORTAR O ABALO SOFRIDO PELA AUTORA, E, AO MESMO TEMPO,
MOSTRAR-SE SUFICIENTE PARA DESESTIMULAR NOVAS CONDUTAS ANÁLOGAS POR
PARTE DO RÉU, ALÉM DE SER OBSERVADA A CAPACIDADE ECONÔMICO-FINANCEIRA
DAS PARTES. O VALOR DEVE SER MANTIDO EM R$ 3.000,00 (TRÊS MIL REAIS), DE
ACORDO COM OS PARÂMETROS DA PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE –
SENTENÇA PARCIALMENTE REFORMADA – RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. (TJSP;
Apelação 1001746-90.2017.8.26.0097; Relator (a): Eduardo Siqueira; Órgão Julgador: 38ª
Câmara de Direito Privado; Foro de Buritama - 1ª Vara; Data do Julgamento: 16/08/2018; Data de
Registro: 16/08/2018).

O referido valor, portanto, é proporcional às peculiaridades do caso concreto,


especialmente o valor indevidamente descontado da Autora.

DISPOSTIVO

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Pelo exposto, rejeito as preliminares e, no núcleo do mérito, JULGO
PARCIALMENTE PROCEDENTES os pedidos autorais da seguinte forma:

1 - Declaro a nulidade dos contratos de cartão de crédito com reserva de margem


consignável consignado firmado entre as partes, objeto deste processo, e condeno o Requerido a
restituir à parte Autora, em dobro, todos os valores descontados de sua folha de pagamento por
força do contrato em questão, com correção monetária a partir de cada retenção e juros legais a
contar da citação, calculados esses valores mediante simples cálculo aritmético aferível em
demonstrativos de pagamentos realizados, ficando desde já autorizada a compensação de
R$399,00 do valor a ser pago pela Requerida à Autora. Ratifico a decisão de ID44767390.

Dentro do procedimento de cancelamento do contrato deve ainda que o Requerido


proceder com a liberação da margem de consignação e promover a desaverbação do contrato de
cartão de crédito consignado do benefício da requerente junto ao INSS – Instituto Nacional de
Seguridade Social em folha de pagamento da parte Autora.

2 - Determino, ainda, a imediata expedição de ofício ao INSTITUTO NACIONAL DE


PREVIDÊNCIA SOCIAL (INSS) para comunicar o teor da presente decisão e cessar os descontos
em favor do Réu, dos proventos da parte Autora, referente ao contrato de cartão de crédito
mediante Reserva de Margem Consignada;

3 - Condeno o Requerido a pagar à Autora a quantia de R$ 3.000,00 (três mil reais),


referente à indenização por danos morais, com correção monetária e com juros legais a partir
desta data.

A correção monetária deve ser conforme a tabela de atualização monetária dos


débitos judiciais do Poder Judiciário do Espírito Santo.

Concedo o benefício da justiça gratuita pleiteada pela parte Autora.

Sem condenação no pagamento das despesas processuais por não estar


configurada a hipótese de litigância de má-fé prevista no artigo 55 da Lei 9.099/95.

P.R. Oficie-se como determinado acima (item 2)

Julgo o processo com resolução do mérito, nos termos do artigo 487, I, CPC.

Sem custas processuais e sem honorários advocatícios nesta fase, conforme


disposto no caput, do art. 55 da Lei nº 9.099/95.

Transitado em julgado, proceda-se da seguinte forma:

1 - Intime-se a parte credora a requerer, se for o caso, a execução e a penhora


através dos meios eletrônicos SISBAJUD, RENAJUD e outros, com o demonstrativo de débito
atualizado, sem inclusão da multa de 10% do artigo 523, §1º, CPC, e com indicação de CPF ou
CNPJ do devedor, se estiver acompanhado de advogado, no prazo de 10 (dez) dias, sob pena de
arquivamento, que deverá ser realizado pela Secretaria independente de novo despacho se não
houver requerimento;

2- Se se tratar de parte sem advogado que não tenha apresentado o cálculo,


remeta-se à Contadoria do Juízo para cálculo do débito;

3- Se requerida a execução e houver obrigação de fazer a ser cumprida, a parte


devedora deverá ser intimada pessoalmente para seu cumprimento, com as advertências
previstas na sentença, quanto a prazo e multa.

Num. 50326115 - Pág. 6


4 – Se requerida a execução de pagamento de quantia certa, intime-se a parte
devedora para pagar o débito no prazo de 15 (quinze) dias, apresentando o comprovante de
pagamento no processo no prazo de 48 (quarenta e oito horas), sob pena de multa de 10% (dez
por cento) sobre o débito (art.523, §1º do CPC/2015) e sob pena de imediata constrição de
valores e bens;

5 - Em se tratando de devedor revel sem advogado nos autos, fica dispensada a sua
intimação para pagamento, transcorrendo, em Cartório, o respectivo prazo;

6 - Se não houver pagamento do débito, haverá a incidência da multa de 10% (dez


por cento) prevista no artigo 523, §1º, do CPC, mas são incabíveis os honorários advocatícios de
que trata a 2ª parte desse dispositivo (Enunciado 97-FONAJE), devendo ser feita a conclusão do
processo para constrição eletrônica de bens, com a etiqueta de “SISBAJUD";

7 - A parte vencida deverá realizar o depósito judicial, obrigatoriamente, no Banco


Banestes S/A, nos termos das Leis Estaduais nº. 4569/1991 e nº 8386/2006, sob pena de
caracterizar violação ao princípio da cooperação (artigo 6º do Código de Processo Civil) e ato
atentatório à dignidade da Justiça (art. 77, IV c/c §§ 1º e 2º do Código de Processo Civil) sujeito à
multa de até 20% (vinte por cento) sobre o valor da causa. Não sendo paga, a multa, será inscrita
em dívida ativa e sua execução observará o procedimento da execução fiscal, revertendo-se aos
fundos do Poder Judiciário.

8 - Pode, o Exequente, indicar conta bancária para transferência de valores pagos,


desde que informados os dados necessários, inclusive, CPF ou CNPJ, sendo que ficarão a cargo
do beneficiário as despesas dessa transferência;

9 – No caso de pagamento do débito, sem impugnação e sem embargos à


execução, expeça-se o competente alvará eletrônico ou ordem de transferência, arquivando-se,
após, o processo.

Submeto a presente à homologação do MM. Juiz de Direito, nos termos do artigo 40


da Lei n.º 9.099/95.

Serra/ES, 06 de setembro de 2024.

JOÃO VITOR SIAS FRANCO

Juiz Leigo

Homologo a sentença do juiz leigo na forma do artigo 40, da Lei 9.099/95.

Serra/ES, 06 de setembro de 2024.

FERNANDO CARDOSO FREITAS

Juiz de Direito

Num. 50326115 - Pág. 7

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