TEORIA DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS II – PROVA I
O estudo das Relações Internacionais é mais bem compreendido como uma competição
prolongada entre tradições realista, liberal e radical. O realismo enfatiza a propensão
duradoura para o conflito entre Estados; o liberalismo identifica várias maneiras de mitigar
essas tendências conflitantes; e a tradição radical descreve como o sistema de relações entre
os Estados pode ser transformado. As fronteiras entre essas tradições são um tanto nebulosas
e várias obras importantes não se encaixam perfeitamente em nenhuma delas, mas os debates
dentro e entre elas têm definido amplamente a disciplina.
Sobre os grandes debates que definem a ciência das Relações Internacionais, avalie as
asserções que seguem:
I. As teorias reflexivistas de Relações Internacionas rejeitam premissas
epistemólogicas básicas das teorias realistas.
PORQUE
II. O Quarto Grande Debate foi caracterizado por discussões epistemológicas e
ontológicas sobre o conhecimento nas Relações Internacionais.
A respeito das asserções, assinale a opção correta.
b) As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é a justificativa
correta da I.
Justificativa: a I é a justificativa da II, ou seja, ordem trocada, porém ambas são verdadeiras,
por isso não é nenhuma das demais opções.
Onde o realismo se revela menos realista é quando comparado com a realidade: poderíamos
dizer que é pouquíssimo cientifico – e muitíssimo filosófico – porque cada acontecimento pode
sempre ser relacionado aos seus princípios. É verdade que ser pessimista nunca é um erro,
mas não apenas se vive mal, como também não se faz esforço algum para entender como o
mundo funciona. A guerra – o evento principal da vida internacional, aquele que realmente
toda teoria das relações internacionais deve saber situar em seu interior – torna-se uma
variável independente, ou melhor, aleatória em seu onde e quando; mas constante no se: se a
situação anárquica for levada ao limite. Mas o motivo pelo qual isso acontece não interessa
nem mesmo ao realista que sabe que, cedo ou tarde, isso ocorrerá. Igualdade na anarquia e a
insuperabilidade da guerra são dois pivôs em torno dos quais gira a análise realista das
relações internacionais. Pouco realista porque não explica, mas considera como explicada:
1) Não encontram uma ordem em si
2) Não tem outra alternativa senão guerrear.
A respeito das críticas feitas aos Realismos, avalie as afirmações a seguir:
I. A crítica oferecida pelo texto é de ordem epistemológica uma vez que questiona o
impacto dos pressupostos realistas em suas conclusões.
II. A crítica oferecida pelo texto está baseada na ideia de que os Estados buscam a
cooperação entre si, como modo de maximizar seus ganhos possíveis.
III. A crítica oferecida pelo texto é de ordem ontológica, uma vez que questiona as
definições de guerra e o entendimento que atores poderosos têm sobre ela.
É correto o que se afirma em:
a) I, apenas.
Justificativa:
- A II está errada pois não comenta nada sobre cooperação e sim critica os conceitos e
motivos apresentados pelo realismo.
- A III está errada pois o texto afirma “o motivo pelo qual isso acontece não interessa nem
mesmo ao realista”, ou seja, não está interessado nas motivações ontológicas, não está
interessado na definição e sim em sua crença.
Apesar da crítica, o pensamento brasileiro aplicado às Relações Internacionais incorporou
contribuições do pensamento cepalino original, como as teorias do desenvolvimento e da
dependência. Entre essas contribuições que irão inspirar o pensamento dos independentistas
realistas e dos desenvolvimentistas estão a descoberta de formas polarizadas de distribuição
de benefícios, a incapacidade de o livre-comércio permitir a modernização da periferia, a
existência de sistemas produtivos diferentes no centro e na periferia, a assimetria na inovação
tecnológica, os ritmos descompassados de desenvolvimento dos países, o ordenamento
espontâneo do mercado mundial segundo regras de benefícios unilaterais. A corrente de
caráter realista e pratico tomou, nos anos 1960, o rumo do pensamento independentista.
Embora dispusessem das contribuições da Cepal, os independentes, lideradas por San Tiago
Dantas, formularam novas reflexões sobre as relações internacionais do país.
I. A semiperiferia contribui para moderar as contradições entre centro e periferia,
podendo assumir funções de investidor e de ascendência política sobre os países
mais pobres.
II. O subdesenvolvimento comporta o conluio de interesses no centro e na periferia,
de modo a favorecer os interesses de segmentos sociais dominantes.
III. O subdesenvolvimento constitui fenômeno histórico mundial inerente às
estruturas que se definiram com a evolução do capitalismo.
É correto o que se afirma em:
e) II e III, apenas.
Justificativa:
- A I está errada pois fala de Sistema Mundo e não sobre Teoria da Dependência.
Há dois pressupostos centrais na obra de Cox. Primeiro, a visão gramsiana de que a ordem
global é construída na ordem social. Assim, mudanças políticas e militares devem ser
encontradas nas mudanças sociais fundamentais e não apenas no nível dos Estados e em suas
ações. Segundo, o Estado deve ser pensado como um ator inseparável da ordem social, porque
ele constitui uma ordem social hegemônica, englobando seus próprios agentes, as classes e as
instituições sociais. Ao contrário do dogma realista, que reifica o Estado, Cox enxerga o Estado
em suas funções, papéis e responsabilidades como socialmente determinadas. Para ele, a
chave para entender as relações internacionais é examinar a relação entre Estado e sociedade
civil, reconhecendo que o Estado assume diferentes formatos históricos.
Sobre Teoria Critica de Robert Cox, avalie as asserções que seguem.
I. A alienação gerada pela dominação de classes por meio da perpetuação da
ideologia de classe na mente dos oprimidos precisa ser errada.
PORQUE
II. O Estado deve ser pensado como um ator inseparável da ordem social,
constituinte de uma ordem social hegemônica.
A respeito das asserções assinale a opção correta:
b) As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é a justificativa correta
da I.
Justificativa: ambas são verdadeiras, porém não se justificam, por isso não é nenhuma das
demais opções.
Minha suposição é que a maioria da população mundial aceita alguma versão da abordagem
clássica. Claro, para muitas pessoas, criar comunidades mais cosmopolitas não é a questão
mais urgente. Para elas, a prioridade é estabelecer um estado separado viável que forneça
segurança contra a violência e satisfaça necessidades básicas, como alimentação, abrigo e
saúde. Todas as evidencias indicam que apenas uma pequena porcentagem da raça humana
está disposta a trocar o estado de alguma forma de Cosmópolis, mas não há dúvida de que um
grande número de pessoas está longe de ser indiferente ao sofrimento de estrangeiros
distantes. Elas são cosmopolitas no sentido de querer que a sociedade de estados e povos faça
mais para aliviar o sofrimento daqueles que estão passando fome e mais para ajudar
refugiados desesperados. Mas a maioria está amplamente comprometida com a doutrina do
favoritismo moral e não tem desejo de incentivar a diminuição dos poderes soberanos do
estado. Algumas ONGs, como grupos ambientalistas globais anti-estatistas, são a principal
exceção a essa tendência mais geral. Texto de Linklater
I. O componente ético-normativo da Teoria Crítica deriva do pensamento marxista e
de sua visão sobre uma justiça cosmopolita.
II. O componente sociológico da Teoria Crítica está ligado às contribuições marxistas
e a identificação de forças sociais capazes de moldar ordens mundiais.
III. O componente praxiológico (prática) da Teoria Crítica está ligado à ideia de
transformar a realidade através de uma prática consciente que permite a
superação das contradições sociais.
É correto o que se afirma em:
c) II e III, apenas.
Justificativa:
- A I está errada porque o componente ético-normativo está mais ligado à outras tradições
éticas, como o kantianismo.
Havia três bases inerentes contraditórias, mas essenciais para a sobrevivência política neste
contexto: (1) manter o apoio dos EUA (essencial especialmente para um simpatizante norte-
americano que foi recorrentemente atacado pela “linha dura” do movimento trabalhista dos
EUA como “simpatizante do comunismo” e como disfarce para o “socialismo rastejante” pelos
elementos mais reacionários dos negócios americanos); (2) manter o princípio da
“universalidade” que significava tornar mais a adesão ao bloco soviético aceitável para o
Ocidente em uma organização onde a maioria dos votos poderia sempre ser mobilizada por
trás do slogan excludente anticomunista de “tripartismo”; e (3) alcançar e manter um grau
razoável de coerência do programa em uma burocracia que foi segmentada em baronias do
tipo feudal politicamente sustentadas por elementos distintos entre os constituintes da
organização. Texto de Cox.
Considerando o exposto, assinale a alternativa correta:
a) A Teoria Critica se apresenta como um complemento às teorias positivistas, em
especial as realistas, uma vez que trabalha com o conceito de hegemonia. CRITICA.
b) A ciência é moldada de acordo com interesses econômicos e posições políticas e
ideológicas, apresentando resultados que parecem neutros e técnicos.
c) A natureza e o objeto de estudo de uma ciência deve ser visto como “realmente é”,
deixando de lado compromissos normativos do analista. IMPOSSÍVEL ver como é
realmente, Cox diz que toda teoria é para algo/alguém.
d) O comprometimento da ciência com a neutralidade produzo uma leitura técnica capaz
de resolver problemas da ordem mundial. Neutralidade é impossível.
e) As teorias de solução de problemas são revolucionárias uma vez que visam corrigir
desequilíbrios causados pela ordem internacional. A teoria de solução de problemas
não questiona os problemas que propõe solucionar.
Uma vez que os Estados desempenham um papel crucial na facilitação do processo de
globalização, Cox afirma que as forças sociais contra-hegemônicas deveriam se empenhar
numa “guerra de posição”. Seus pensamentos acerca disso são meramente sugestivos, até o
momento. Por exemplo, ele argumenta que o movimento trabalhista deveria se mobilizar
internacionalmente e firmar alianças e coalizações com uma variedade de movimentos sociais.
A “globalização de baixo”. Cox reconhece que isso não será fácil. Será difícil para os
“progressistas” ocidentais se unirem aos movimentos sociais islâmicos a fim de construir
algum tipo de contraforça global. No entanto, ele adverte que as dificuldades devem ser
enfrentadas e superadas quando se deseja realmente que a crença na globalização tenha sua
marcha diminuída e até mesmo revertida.
Explique, com base no pensamento de Robert Cox, porque a globalização deve ser diminuída
ou até mesmo revertida e como as forças sociais contra-hegemônicas podem atuar para atingir
tal objetivo.
Razões para se diminuir/reverter a globalização: para Cox, a globalização é baseada e mantida
utilizando da hierarquia, ainda que ele afirme a inexistência de uma supremacia, defendendo
uma “visão vertical” do sistema, ainda existe uma grande desigualdade de influência e acessos,
como por exemplo, maiores acessos materiais, tecnológicos, de políticas ético-ideológicas, etc,
fatores que favorecem que a alienação se perpetue e dê continuação à ideologia de
dominador x dominado.
Papel das forças sociais anti-hegemônicas: Cox afirma que a emancipação só ocorrerá e dará
fim a esse ciclo de alienação quando o conhecimento passar a ser distribuído, dessa maneira, a
desglobalização conseguiria entrar em vigor a partir do momento que as forças internas dos
Estados se virassem contra esse sistema, se afirmando internacionalmente e firmando alianças
e coalizações, iniciando-se a chamada “guerra por posições”.
O projeto critico que conecta Linklater e Cox se propõe a descobrir todos os tipos de interesses
hegemônicos que alimentam a ordem mundial como um primeiro passo para superar os
sistemas globais de exclusão e desigualdade. O projeto critico de Linklater pretende
reconstruir o cosmopolitanismo, derivado não apenas de um princípio moral abstrato ou
utópico, mas de uma ação não-instrumental desenvolvido por Habermas. O discurso ideal é a
ferramenta critica usada na reconstrução das comunidades políticas (do nível local ao global)
por meio do diálogo aberto e comunicação não-coerciva, um processo pelo qual todos
afetados por decisões políticas apresentam suas reivindicações e as justificam com base nos
princípios racionais e universalmente aceitos de validade. Este método apresenta questões
sobre a “boa vida” (que uma sociedade deve ser) e questiona a justiça (na forma como os
membros de uma sociedade escolhem como sua sociedade deve ser).
Explique como o projeto critico de Linklater se assemelha ao projeto critico de Robert Cox, a
ponto de permitir que, apesar das diferenças, ambos sejam classificados como teóricos
críticos. Para tanto, elabore um texto que contenha:
a) Dois fundamentos da teoria crítica e
b) Como esses fundamentos são abordados por Robert Cox.
A Teoria Critica possui em sua base o pensamento contra-hegemônico , defendendo que a
construção de relações de poder perpetua com as desigualdades e exclusões no Sistema
Internacional, e rejeitando a neutralidade das demais teorias tradicionais, apontando que
estas frequentemente reforçam interesses hegemônicos ao descrever a ordem mundial como
natural ou inevitável, sem ao menos tentar solucionar o problema, mantendo um ciclo de
alienação. Em contrapartida, a Teoria Critica apresenta que a alienação pode ser combatida a
partir do momento em que o conhecimento for espalhado.
Cox apresenta uma visão mais marxista, afirmando que a hegemonia está enraizada em uma
estrutura econômica global capitalista que beneficia elites transnacionais e marginaliza a
maioria da população, propondo que forças sociais contra-hegemônicas se mobilizem por
meio da "guerra de posição. Já Linklater questiona como as normas e práticas globais refletem
exclusões sistemáticas, perpetuando desigualdades entre indivíduos e grupos, apresentando o
cosmopolitismo.
Tendo isso em mente, é pertinente apresentar que, apesar das diferenças de enfoque,
compartilham os mesmos objetivos centrais da Teoria Crítica: desnaturalizar a ordem mundial,
expor as forças de exclusão e desigualdade, e propor caminhos para uma transformação
emancipatória.
TEORIA DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS II – PROVA II
De todas as regiões do mundo, a América Latina é uma das mais pacíficas. Alguns estudiosos
chegaram a descrever a América Latina como uma comunidade de segurança, dado o
baixíssimo número de guerras interestatais na região nos últimos 100 anos. Isso ocorre apesar
das guerras civis e de inúmeras disputas de fronteiras entre os Estados da região. A paz estável
é um bem coletivo desfrutado por todos os países da região, embora países que a violem possa
ganhar território ou riqueza por meio do uso da força militar. [...] Como a América Latina
conseguiu evitar guerras interestatais em maior escala? A solução pode ser encontrada tanto
no princípio da reciprocidade quanto no princípio da identidade. [.] O princípio da identidade
também desempenha um papel importante. A América Latina desenvolveu uma norma
compartilhada de resolução de conflitos. Uma disputa entre dois Estados é percebida como
uma ameaça para todos os Estados da região. Cada Estado pensa de forma ampla sobre sus
próprios interesses, incluindo a manutenção da paz na região.
Dessa forma, as ameaças à paz são ativamente enfrentadas pela comunidade como um todo.
Sobre a paz na América Latina e as culturas de anarquia, avalie as asserções que seguem.
I. A estabilidade na América Latina pode ser explicada pela predominância de uma
cultura de anarquia kantiana.
PORQUE
II. Os Estados da região compartilham normas de cooperação e resolução pacífica de
conflitos, considerando ameaças a qualquer Estado como uma ameaça a toda a
região.
a) As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é a justificativa correta da I.
Um princípio fundamental da teoria social construtivista é que as pessoas agem em relação a
objetos, incluindo outros atores, com base nos significados que esses objetos têm para elas. Os
Estados agem de maneira diferente em relação a inimigos do que em relação a amigos, porque
inimigos são ameaçadores e amigos não. A anarquia e a distribuição de poder são insuficientes
para nos dizer quem é quem. O poder militar dos Estados Unidos tem um significado diferente
para o Canadá do que para Cuba, apesar de suas posições "estruturais" semelhantes, assim
como os mísseis britânicos têm um significado diferente para os Estados Unidos do que os
misseis soviéticos. A distribuição de poder pode sempre influenciar os cálculos dos Estados,
mas a forma como isso ocorre depende dos entendimentos e expectativas intersubjetivos, da
"distribuição de conhecimento", que constituem suas concepções de si e do outro. Se a
sociedade "esquecer" o que é uma universidade, os poderes e práticas de professor e aluno
deixam de existir; se os Estados Unidos e a União Soviética decidirem que não são mais
inimigos, "a Guerra Fria acabou". São os significados coletivos que constituem as estruturas
que organizam nossas ações. Texto Wendt.
A respeito dos significados coletivos, avalie as afirmações que seguem.
I. O alinhamento militar entre Estados Unidos e Japão é resultado da superioridade
militar americana, imposta após a II Guerra Mundial.
II. O Tratado de Não-Proliferação impede a disseminação de armas nucleares devido
à superioridade militar das potências militares signatárias.
III. A identidade compartilhada na União Europeia contribui para a percepção de que
seus membros são parceiros confiáveis, mesmo em um sistema anárquico.
IV. A hostilidade existente entre Índia e Paquistão é resultado da distribuição
desequilibrada de poder militar entre os países, o que os obrigou a adquirir armas
nucleares.
V. A "amizade estratégica" entre Brasil e Argentina, consolidada após a
redemocratização, indicou uma mudança na percepção intersubjetiva entre os
países que permitiu a criação do Mercosul.
É correto seguindo a perspectiva construtivista o que se afirma em:
b) III e V, apenas.
Justificativa:
- A I está errada porque o alinhamento militar entre Estados Unidos e Japão pode ser
compreendido por mudanças nas percepções e relações construídas após a guerra, como a
aliança estratégica durante a Guerra Fria.
- A II está errada pois o Tratado de Não-Proliferação funciona com base em entendimentos
intersubjetivos, como o compromisso dos Estados em limitar a disseminação de armas
nucleares, e não unicamente por causa da superioridade militar das potências.
- IV está errada porque a hostilidade existente entre Índia e Paquistão é resultado de
significados intersubjetivos, identidades históricas conflitantes e percepções mútuas de
ameaça
O princípio da soberania de Estado é menos uma reivindicação legal abstrata do que uma
prática política excepcionalmente densa. Como resposta ao problema das autonomias que
proliferam num mundo de hierarquias de desperdício, este princípio articula uma consideração
especificamente moderna de espaço político pela resolução de três contradições
fundamentais. Em suma, ele resolve a relação entre unidade e a diversidade, entre o interno e
o externo e entre espaço e tempo. E o faz baseando-se nas práticas filosóficas, teológicas e
culturais de uma civilização historicamente específica, levada pela necessidade de entender e
também controlar os períodos de autonomia que emergiram nas transições complexas da
Europa antiga para a moderna.
Analise as afirmações a seguir e assinale aquela que apresenta uma afirmação pós-moderna.
a) As ideias, normas e identidades influenciam a percepção e prática da soberania pelos
Estados, uma vez que estas estão ligadas à socialização internacional e podem, assim,
influenciar na participação dos Estados em instituições internacionais. CONSTRUTIVISMO
b) As estruturas de poder associadas à soberania reproduzem relações de gênero desiguais,
que podem se manifestar na exclusão das vozes femininas nas decisões de política externa e
na percepção de segurança nacional. FEMINISMO
c) A soberania é um conceito que pode ser relativizado para acomodar a interdependência
econômica, a cooperação internacional e a promoção de valores tais como os direitos
humanos. A afirmação sugere que a soberania é algo positivo e universal, mas os pós-
modernos questionariam quem a define a serviço de quais interesses ela está.
d) A soberania é um princípio fundamental para a compreensão das relações entre os Estados
uma vez que tal conceito está relacionado com a autonomia estatal e com a anarquia do
sistema internacional. Não é um conceito fixo e é frequentemente moldado por interesses
políticos e econômicos.
e) A soberania é uma prática construída e mutável ao longo do tempo, resultado de relações
de poder associadas ao conhecimento que a legitima por meio de estruturas de autoridade.
O que está em jogo não é apenas uma questão de privilégio acadêmico. Não se trata de saber
se acadêmicos dissidentes devem receber o devido reconhecimento ou, alternativamente, ser
marginalizados e tornados "invisíveis". O que está em jogo é nada menos que a questão da
soberania: se essa questão tão paradoxal, presente em todas as margens cada vez mais amplas
de uma cultura, pode ser levada a sério nos estudos internacionais hoje. Mais especificamente,
a questão é se, e em que medida, a disciplina de estudos internacionais será capaz de exercer
seus recursos críticos para engajar e analisar o problema da soberania e da resistência à
soberania, à medida que este se desdobra em todas as zonas desterritorializadas multiplicadas
de uma cultura em crise - incluindo aquela zona extraterritorial que escapa à representação
soberana, chamada política internacional.
Sobre o Pós-Modernismo e as Relações Internacionais, avalie as asserções que seguem.
I. Os entendimentos dominantes sobre as Relações Internacionais são arbitrários,
uma vez que práticas sociais e históricas deram origem a formas dominantes de
fazer "o mundo" e que essas formas têm efeitos reais na vida das pessoas.
PORQUE
II. O Pos-Modernismo questiona a soberania como um conceito fixo, argumentando
que ela é construída discursivamente e que pode variar conforme contextos
históricos e culturais.
A respeito das asserções, assinale a opção correta.
d) A asserção I é uma proposição falsa e a II é verdadeira.
Justificativa:
- A I está errada porque os entendimentos dominantes sobre as RI são NÃO-ARBITRÁRIOS,
ou seja, não são neutros como afirma na proposição.
Ao construir suas abordagens para a teoria das relações internacionais, feministas
recorrem a diversas tradições filosóficas e literaturas fora das Relações Internacionais e
da Ciência Política, áreas nas quais a maioria dos estudiosos de RI é formada. Enquanto
feministas em RI buscam conhecimento genuíno que possa ajudá-las a compreender
melhor as questões com as quais estão preocupadas, a formação em RI que recebem
raramente inclui esse tipo de conhecimento. Assim, elas, como estudiosos de outras
abordagens críticas, têm buscado fora da disciplina o que acreditam serem
metodologias mais adequadas para compreender a construção social e a manutenção
das hierarquias de gênero. Isso aprofunda o nível de mal-entendidos e falhas de
comunicação e, infelizmente, muitas vezes leva a estereótipos negativos de ambos os
lados desses divisores epistemológicos.
Sobre a Teoria Feminista das Relações Internacionais, avalie as afirmações que seguem.
I. A Teoria Feminista trata as hierarquias de gênero como fenômenos biológicos,
desconsiderando o impacto das construções sociais nas relações de poder.
II. A Teoria Feminista derivada de perspectivas críticas destaca as contribuições
femininas como forma de mudar o estudo e a prática das Relações
Internacionais.
III. A Teoria Feminista é cética com relação a metodologias empiristas que
reivindicam a neutralidade dos fatos analisados.
É correto o que se afirma em:
c) II e III
Justificativa:
- A I está errada porque a Teoria Feminista muito fala sobre o impacto das construções
sociais nas relações de poder e desconsidera fenômenos biológicos.
O impacto da globalização - incluindo seu impacto de gênero - deve ser aliado a partir de uma
perspectiva de segurança humana. O conceito de segurança humana oferece um quadro útil
para avaliar os efeitos da globalização sobre as pessoas, especialmente suas dimensões de
gênero. A segurança humana vai além dos conceitos de pobreza, desigualdade e direitos
humanos, enfatizando os riscos negativos ou mudanças no nível de bem-estar humano devido
a mudanças súbitas que ameaçam o núcleo vital das vidas humanas. A globalização é um
processo que cria instabilidades e pode intensificar muitos riscos. As mulheres são
particularmente vulneráveis a essas novas ameaças.
Abordar essas ameaças exige ação internacional e uma iniciativa que estabeleça uma agenda
para enfrentar novas ameaças globais a partir de uma perspectiva de gênero.
Avalie as afirmações que seguem.
I. Mulheres são mais vulneráveis a quedas econômicas repentinas uma vez que estas
agravam o acesso já insuficiente das mulheres a cuidados de saúde, educação e
formação profissional.
PORQUE
II. A legitimidade da guerra é baseada na construção social de que as guerras são
lutadas para proteger as "pessoas vulneráveis", muito embora mulheres e crianças
sejam a maioria das vítimas das guerras.
Sobre as questões de gênero e a segurança humana, avalie as asserções que seguem.
b) As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa
correta da I.
Para ilustrar meus pontos, considerarei as formas históricas de soberania que os hegemons
ocidentais imaginaram para a Bélgica e a Suíça, por um lado, e para o Congo/Zaire, por outro,
durante os últimos dois séculos. Pretendo destacar o significado político e as implicações
econômicas decorrentes de dois regimes distintos, mas simultâneos, de soberania: um
aplicável à Europa (Bélgica no século XIX e Suíça no século XX) e outro à África,
particularmente ao Congo (Zaire). Bélgica e Suíça apresentam as mesmas características
"artificiais" que seu equivalente africano contemporâneo, o Congo. No entanto, as potências
ocidentais projetaram os regimes internacionais de soberania e suas estruturas de alocação de
recursos estrategicamente significativos de forma que os dois estados europeus
desempenhassem um papel importante nos assuntos internacionais, desproporcional às suas
capacidades — medidas por tamanho, poder e recursos domésticos. Além disso, ambos os
estados europeus exerceram seu papel global em detrimento do Congo. Essas estruturas de
poder e subordinação, bem como os processos correspondentes de governança global, são os
temas centrais deste capítulo.
Considerando o exposto, assinale a alternativa correta.
a) O Pós-Colonialismo, ao denunciar as estruturas de subordinação às potências ocidentais,
visa relativizar abusos e violações contra os direitos humanos cometidas pelos líderes das ex-
colônias. Fala mais sobre
b) A etnografia reversa demonstra que narrativas construídas pelas potências ocidentais são
universais e objetivas, independentes de contextos históricos e interesses políticos.
c) Os Estados pós-coloniais são desprovidos de agencia para desafiar ou ressignificar estruturas
de soberania impostas durante o colonialismo.
d) Os regimes de soberania impostos às ex-colônias foram projetados para manter
estruturas de subordinação aos interesses das potências ocidentais.
e) O Pós-Colonialismo representa uma série de estudos de fronteira, indicando as divisões
artificiais dos territórios das ex-colônias.
Discursiva 1
O pós-colonialismo evidencia para as RI o chamado “Orientalismo”, marcado pela relativização
dos povos não-eurocêntricos, sobretudo do continente africado e asiático, esse mesmo
mecanismo critica a forma como o norte global generaliza as culturas, religiões, identidades e
até mesmo os conflitos, como se todos os árabes fossem terroristas e a política de seus países
fossem muito “complexas para serem resolvidas”, ou como se no continente africano todos
compartilhassem da mesma identidade étnica e fome.
Também é caracterizado pelo anti-colonialismo, retratado pela constante luta pela
insubordinação do sul global, evidenciando a diversidade, a validação do conhecimento
científico, e tomando medidas contra as intervenções eurocêntrica e o fim da dominação.
Discursiva 2
A Identidade Internacional de um Estado é o conjunto de características intersubjetivas que
permitirão identificação é moldarão o comportamento deste no SI. É em suma definido ao
longo do tempo e não é algo fixo.
Aos construtivistas, a identidade não é pré-determinada e sim uma construção social que
moldará as ações políticas no SI, seguindo a lógica de Wendt que diz que “a anarquia é o que
os Estados fazem dela”, portanto, em um exemplo prático, o UK ter 2 misseis na Coreia do
Norte é mais ameaçador do que ele ter 200 mísseis no EUA.