Modelagem do Spread entre Títulos Públicos
Modelagem do Spread entre Títulos Públicos
SÃO PAULO
2018
Pedro Luis Silva
São Paulo
2018
Pedro Luis Silva
BANCA EXAMINADORA:
Ao meu Orientador pelo apoio, orientação e paciência. À minha família, por tudo.
RESUMO
Usualmente, os agentes financeiros utilizam o DI futuro para imunizar o risco de uma carteira
composta por títulos públicos brasileiros e naturalmente ficam expostos ao spread existente entre
os títulos públicos brasileiros pré-fixados e esse derivativo. Esta dissertação apresenta o modelo
de cointegração como uma alternativa aos modelos tradicionais multifatoriais, como a análise de
componentes principais, para imunização do risco desse tipo de portfólio. Além de apresentar a
evidência de que os vértices de curto prazo são sempre estacionários, encontramos que existem
dois fatores comuns (commom trends) que podem ser associados ao nível e inclinação da curva
de spread (médio e longo prazo) que são não estacionários e ajudam a explicar a dinâmica da
curva ao longo do tempo. Mais do que isso, encontramos evidências estatísticas significativas
de que a liquidez do título público explica o common trend relacionado ao nível. Conclui-se,
porém, que a partir do final do governo de Dilma Roussef, os vértices do spread ficam com
características mais estacionárias, diminuindo a necessidade de estratégia de imunização de
carteira, dada a característica de reversão a média das séries.
Usually, financial agents use DI Futuro to immunize the risk of a portfolio comprised of Brazilian
Sovereign Bonds and, of course, are exposed to the spread between the prefixed Brazilian
Sovereign Bonds and that derivative. This dissertation presents the cointegration model as an
alternative to the traditional multifactorial models, such as the principal components analysis,
to immunize the risk of this type of portfolio. In addition to providing evidence that short-term
vertices are always stationary, we find that there are two common factors that can be associated
with the level and slope of the spread that are non-stationary and help explain the dynamics of
the curve over time. More than that, we find significant statistical evidence that the liquidity of
the sovereign bonds explains the common trend related to the level. It is concluded, however,
that since the end of Dilma Roussef’s presidency, the vertices of spread curve became stationary,
reducing the need for portfolio immunization strategy, given the mean reversal characteristic of
the series.
1 Introdução
A imunização do risco dos portfólios de títulos públicos brasileiros é usualmente feita no mercado
de DI futuro da B3 e gera uma exposição ao spread entre esses dois ativos. A literatura brasileira
explorou muito pouco os fatores que explicam esse spread. O arcabouço de regras de mercados,
regulação bancária e necessidade de gerenciamento de capital aumentou a necessidade das
Instituições Financeiras de manterem portfólio significativo de título públicos em seu balanço,
e consequentemente amentou sua exposição ao spread entre título público e DI futuro. Existe
risco em estar exposto a esse spread?
2 Proposta
3 Contexto
O modelo proposto tem a intenção de ser utilizado para imunização do risco de spread entre o
título público brasileiro e o DI futuro de um portfólio de renda fixa típico, usualmente carregado
por Bancos e outras instituições financeiras. O objetivo do modelo é encontrar através da
cointegração, fatores comuns (common trends) presentes na série dos spreads que possam ser
utilizados para a calibragem de uma estratégia de imunização desse portfólio. Segundo a teoria
apresentada, os vetores de cointegração são estacionários e tem uma reversão à média que
possibilita encontrar uma estratégia de hedge que seja concentrada nos fatores comuns que
determinam a evolução do nível de preços de um portfólio.
4 Evidências obtidas
Além de apresentar a evidência de que os vértices de curto prazo são sempre estacionários,
encontramos que existem dois fatores comuns (common trends) que podem ser associados ao
nível e inclinação da curva de spread (médio e longo prazo) que são não estacionários e ajudam
a explicar a dinâmica da curva ao longo do tempo.
Os fatores comuns encontrados se assemelham muito aos fatores encontrados por Litterman &
Sheinkman (1991) em sua análise de componentes principais (PCA). Os dois fatores comuns
que ajudam a explicar a dinâmica da curva de spread são nível e inclinação. O fator 1, representa
o nível enquanto o fator 2 representa a inclinação. Foi demonstrado, também, que o nível pode
ser explicado pela liquidez diária do mercado secundário de título público. Além das duas
séries serem cointegradas, há evidências estatísticas para concluir que a liquidez diária dos
títulos granger-causa a common trend 1. Por outro lado, não foi encontrada nenhuma relação de
variáveis econômicas que ajudasse a explicar o fator de inclinação.
5 Implicações práticas
Como recomendação para trabalhos futuros, propõem-se o foco desenvolver uma análise de
cointegração com janelas mais curtas e móveis, com o objetivo de capturar a dinâmica mais
atual da curva e evitar a instabilidade normalmente ligada a modelos que utilizam cointegração e
investigar de forma mais aprofundada as razões econômicas para a formação desse spread.
LISTA DE FIGURAS
1 INTRODUÇÃO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11
2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14
4 COINTEGRAÇÃO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22
4.1 Modelo Estatístico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22
4.1.1 Especificação do Modelo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23
4.1.2 Análise de Cointegração . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23
4.2 Definição das Common Trends . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24
5 RESULTADOS EMPÍRICOS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26
5.1 Modelo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26
5.2 Common Trends . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29
5.3 Hedge . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34
5.3.1 Serie Histórica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36
6 CONCLUSÃO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 40
Bibliografia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42
1 INTRODUÇÃO
A literatura internacional também tenta explorar as razões que explicam esse spread e
comumente encontram o risco de crédito, liquidez, volatilidade e term premium como os fatores
que explicam sua variabilidade.
O risco de crédito normalmente está associado a diferença entre o risco de crédito
soberano e o risco de crédito da contraparte privada, normalmente medido no mercado de
compromissadas. No caso do mercado brasileiro, se houver diferença entre a percepção de risco
de crédito entre o contrato futuro de DI e o título público brasileiro, o spread entre os dois é
afetado.
Risco de liquidez refere-se ao prêmio adicional que um investidor está disposto a pagar
por um instrumento ou ativo mais líquido (Hua, 2010). No mercado norte-americano o título
público tem liquidez muito maior do que os swap. O mesmo não ocorre no mercado brasileiro,
que em geral tem a relação oposta. O term premium ou risk premium, é o retorno adicional
esperado pelo investidor para compensar o risco de manter em seu portfólio títulos de prazos
mais longos. Se os investidores cobram um prêmio maior para manter títulos de longo prazo do
que cobram para manter swap de longo prazo, o spread entre esses instrumentos é afetado.
Feldhutter & Lando (2008) decompõem o spread em três fatores: uma taxa de conveni-
ência para segurar títulos públicos, prêmio de crédito e um fator específico do mercado de swap.
Encontram que o primeiro fator é o mais importante para explicar a variabilidade do spread.
Outros autores como Duffie & Singleton (1997) e Lekkos & Milas (2001) utilizam o
modelo VAR (Vetores autorregressivos) e encontram o risco de crédito e alguns outros fatores
como nível, volatilidade e inclinação da curva de título público. Lekkos, Millas & Panagiotidis
(2007) exploram a performance de alguns modelos lineares e não lineares fora da amostra e
concluem que para previsão do spread de curto prazo, os modelos não lineares são melhores e
para a previsão do spread de mais longo prazo, os modelos lineares autoregressivos são mais
adequados.
É comum o desenvolvimento de modelos multifatoriais para elaboração de estratégias
de investimento e imunização de carteiras, especialmente ligados a correlação dos retornos,
como o modelo de análise de componentes principais (PCA) desenvolvido por Litterman &
Sheinkman (1991). Diversos autores brasileiros como Varga & Valli (2001), Silveira & Bressada
(2003) e Luna (2006) aplicaram essa técnica para entender a variabilidade da ETTJ brasileira e
desenvolver estratégias de imunização de portfólios de renda fixa. Porém, nenhum desses autores
explorou o spread entre o DI e os títulos públicos pré-fixados.
A utilização de modelos de cointegração, apresentado por Engle & Granger (1987),
trouxe outra perspectiva aos modelos de finanças aplicados a séries temporais multivariadas ao
propor uma técnica que permite identificar as tendências comuns que explicam a dinâmica de
curto e longo prazo de ativos financeiros e que pode ser aplicada a diferentes mercados como
commodities, ações e renda fixa. É importante ressaltar também que essa técnica foi pouco
Capítulo 1. Introdução 13
2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
nível da curva de juros e o spread entre a taxa de 4 anos e 18 meses impactam a inclinação da
curva.
Tillmann (2004) encontrou um common trend não estacionário que influencia o compor-
tamento da estrutura a termo de juros e que o prêmio de risco (risk premium) é estacionário.
Morris, Neal & Rolph (2001) utilizam a cointegração para modelar as séries temporais de
títulos do Tesouro Americano e títulos privados e demonstram que as duas séries são cointegradas
e que a relação entre o spread de crédito das companhias e taxa dos títulos do Tesouro dependem
do horizonte de tempo.
Alexander (1999) apresenta um modelo para imunização do risco de um portfólio de
ações de diferentes países. O modelo busca selecionar as ações ou índices que se cointegrem
mais fortemente com o Índice European, Asian and Far East (EAFE) Morgan Stanley Index.
A ideia principal é desenvolver um modelo de hedge que leve em consideração apenas os
componentes não estacionários, e, portanto, a fonte primordial de risco do ativo. Sua conclusão
é que a cointegração se diferencia de outras técnicas estatísticas, pois se baseia em séries não
estacionárias, que se concentra nos fatores ou common trends que melhor explicam a dinâmica
de curto e longo prazo do portfólio e minimizam o mal apreçamento, hedge desnecessário e
custos adicionais. Porém, ela ressalta também que a cointegração pode levar a falsas conclusões
sobre a causalidade entre os ativos.
Revisada a técnica escolhida para a modelagem dos dados, voltaremos agora a atenção
ao objeto de estudo dessa dissertação: o spread entre a taxa do título soberano e a taxa de juros
do mercado privado.
A existência do spread em si, no primeiro momento, traz a ideia de que, sob a perspectiva
única de risco de taxa de juros, há uma oportunidade de arbitragem no mercado. Ou seja,
assumindo que o custo de financiamento é razoável, podemos nos aproveitar da diferença de
remuneração de dois ativos pré-fixados de mesmo vencimento. Por exemplo: se o spread é
positivo, ou seja, a taxa exigida por um título publico for maior do que a taxa praticada no
derivativo (DI futuro ou swap), podemos fazer uma operação na qual ficamos comprados no
título e "vendidos"no derivativo. Teríamos um "carrego"positivo até o vencimento dos ativos.
Porém, a persistência desse spread em níveis diferentes de zero e, principalmente, sua
oscilação ao longo do tempo, indica que existem outros fatores preponderantes que limitam a
arbitragem dos ativos e podem trazer risco significativo em ficar exposto a ele (Jerman, 2018).
Se o spread existe, espera-se que, em uma economia saudável, com um governo central
com credibilidade e expectativa de inflação ancorada, que ele seja negativo. Assume-se que não
há melhor pagador do que o governo e que um titulo público deveria ser o ativo mais seguro da
economia. Por consequência, a taxa de juros praticada no mercado privado deveria refletir um
risco de crédito maior (mesmo com as salvaguardas como contra parte central e garantias) e ser
menos atraente para investidores. Como poderá ser visto no seção adiante, o spread no mercado
Capítulo 2. Revisão Bibliográfica 16
brasileiro sempre foi positivo indicando que havia alguns fatores importantes que faziam com
que os investidores exigissem uma remuneração maior pelos títulos públicos. Essa lógica se
inverteu nos últimos anos, tornando o spread negativo. A explicação para esse efeito não é o
objetivo principal dessa dissertação, mas a seção 5 explora quais os fatores poderiam explicar
a dinâmica de longo prazo da curva de spread e encontra que a liquidez do mercado de títulos
públicos é o fator preponderante para essa dinâmica.
Outros fatores também apontados na literatura, como já citados anteriormente, são risco
de crédito, term premium e volatilidade do mercado. Jerman (2018), ao explicar o swap spread
norte americano, que está negativo no momento para prazos mais longos1 , o autor encontra que
os custos e atritos do mercado enfrentados pelos investidores para manter os títulos e o term
premium explicam os níveis atuais.
A seguir será feito um detalhamento um pouco mais aprofundado dos principais fatores
apontados na literatura como determinantes para formação do spread:
Risco de Crédito
Liquidez
Volatilidade
Mais um aspecto explorado por Kobor, Shi & Zelenko (2005) é o componente de
volatilidade do mercado. Momentos de maior incerteza do mercado tendem a afetar a percepção
da qualidade de crédito do mercado em geral e aumentar a aversão ao risco. Normalmente, os
investidores tem um movimento natural de flight-to-quality ou flight-to-liquidity, no qual há
busca por ativos com maior qualidade de crédito ou maior valor de liquidez.
18
A diferença entre títulos públicos e o contrato de DI futuro da B3, forma a curva a termo
de spread estudada por essa dissertação. Em sua natureza, os dois instrumentos são diferentes,
pois enquanto um é instrumento de caixa que exige investimento inicial relevante, o outro é um
derivativo negociado com Contraparte Central sem investimento inicial relevante. De qualquer
forma, se desconsiderarmos os custos envolvidos, o retorno obtido em manter um título até
o vencimento e o retorno obtido por manter o DI futuro deveriam ser os mesmos dado que
essencialmente, o investidor estará exposto à variabilidade da estrutura a termo de taxa de juros
brasileira. Qualquer diferença entre elas deveria conter informação relevante sobre a economia
brasileira. Apesar de não ser objeto desta dissertação trazer uma explicação econômica concreta
sobre a variabilidade desse spread ao longo do tempo, encontrar fatores comuns que explicam a
variabilidade dessa curva fornece informações importantes sobre a economia no pais. Ao analisar
a curva de spread ao longo do tempo e nos mais diversos vértices, verifica-se que: (1) o spread
muda ao longo tempo, indicando que o ciclo econômico e a percepção dos agentes econômicos
impactam seu nível; (2) o spread não é o mesmo ao longo de todos os vértices, indicando que os
agentes financeiros tem uma percepção de risco diferente entre ficarem expostos ao spreads de
mais curto prazo e aos spreads de mais longo prazo.
Apesar de ser comum a negociação dos títulos públicos pelo spread, não há um instru-
mento criado no mercado brasileiro para esse fim. Os agentes financeiros, principalmente bancos,
estão constantemente expostos a essa curva. Nesse caso, para o estudo de uma estratégia de
hedge, foi definida uma posição (P) hipotética de spread como:
h i
−tTaxaDI −(TaxaDI +spread)t
P = 1000 e −e . (1)
Para construção da curva nominal spot de títulos públicos foram utilizados todos os
títulos públicos pré-fixados disponíveis (todas as maturidades) representados pela LTN (Letra
do Tesouro Nacional) e NTN-F (Nota do Tesouro Nacional – Tipo F). Para transformar a taxa
de retorno da NTN-F em uma taxa spot (zero coupon), foi utilizada a técnica de bootstraping,
que parte do princípio de que o preço teórico do título é igual a soma do valor presente de todos
os seus fluxos de caixa, que, por sua vez, é calculado utilizando-se as taxas obtidas pelas LTN
de mesmo prazo. A soma do valor presente de cada cupom é subtraída do valor presente total
do título (divulgado pela ANBIMA1 ). A partir do valor dos títulos sem os cupons, a taxa spot
equivalente para NTN-F é calculada como uma taxa de um título zero coupon com mesmo prazo
de vencimento.
1 O preço negociado no mercado secundário de títulos públicos é divulgado pela ANBIMA
(Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) em htt p :
//[Link]/merc_sec/resultados/msec_09nov2018_ltn.asp.
Capítulo 3. Estrutura a Termo de spread 19
Como a B3 emite um contrato de DI futuro para, pelo menos, todas as maturidades dos
títulos públicos, o spread é calculado como a diferença entre o DI e a taxa spot do título público
de mesma maturidade:
Para interpolação das taxas em vértices padronizados foi utilizada a técnica de flat
forward. Esse modelo, amplamente utilizado no Brasil, utiliza taxas conhecidas para buscar um
ajuste exato da curva nominal, evitando arbitragem nos vértices conhecidos.
252
(DUt −DUt−1 )
DU
t
DUt+1 (DUt+1 −DUt−1 )
(1 + Taxat+1 ) DU
DUt−1 252
Taxat =
(1 + Taxat−1 ) 252 × t−1
− 1.
(3)
(1 + Taxat−1 ) 252
A estrutura a termo da curva também pode variar ao longo do tempo, conforme evi-
denciada pela diferença de inclinação do final de 2011 e final de 2016 (figura 1. Em 2011 os
investidores cobravam um prêmio maior para manter títulos de longo prazo do que cobravam
para manter DI futuro de longo prazo (acima de 4 anos). Já em 2016 essa tendência se reverte e a
curva se torna menos inclinada, indicando preferencias simétricas ao longo de todos os prazos.
Outro ponto a ser considerado, que é mais difícil de ser observado na análise visual da curva, é o
Capítulo 3. Estrutura a Termo de spread 20
prêmio de liquidez. Algumas torções da curva podem estar ligadas a esse fenômeno que com
certeza afeta cada vértice de forma diferente.
Outra análise gráfica que podemos fazer é observar a série temporal de cada vértice
(figura 2) e verificar se seu comportamento tem característica de reversão à média ou se há um
comportamento de random walk. Denota-se que para os prazos curtissmos, até 63 dias úteis
(3 meses), o spread parece seguir uma reversão à média, o que significa que as séries têm
características de séries estacionárias. Além dessa característica estacionária, percebe-se uma
volatilidade grande nos spreads, notadamente maior do que nos prazos mais longos, e fazendo
com que qualquer desequilíbrio seja corrigido rapidamente pelo mercado. Uma breve análise do
mercado de títulos públicos pode nos ajudar a entender esse comportamento.
O primeiro ponto é o prazo médio dos títulos pré-fixados negociados nos últimos anos. O
prazo, desde 2011, é superior a 1.5 anos e atingiu 2.17 anos de média desde 20172 . Aparentemente
as instituições financeiras e outras instituições que detém títulos públicos pré-fixados, parecem
serem indiferentes em segurar ou negociar os títulos de curto prazo e sempre que há uma rolagem
de posição (alongamento de posição) , o impacto nos spreads parece ser corrigido rapidamente
pelo mercado como um todo.
As séries temporais dos vértices de prazos mais longos parecem ter uma característica
de passeio aleatório mais clara (figuras 3, 4, 5) , indicando que o preço de hoje, é o preço de
ontem mais um choque aleatório. Podemos, porém, destacar o comportamento das séries com
prazo acima de 4 anos. Nota-se que a volatilidade também parece aumentar e pode refletir a
situação de mercado de menor liquidez e possivelmente maiores imperfeiçoes no preço. Quando
analisamos a estrutura de vencimentos da dívida pública pré-fixada divulgada pelo Tesouro
Nacional, verificamos que, em 2018, menos de 8% dos títulos tem vencimento maior do que 4
anos.
Se houver a comprovação de que as séries temporais desses vértices são não estacionárias
e tem integração de ordem 1 v I(1), pode-se desenvolver a análise de cointegração sobre
o sistema desses vetores e encontrar uma ou mais relações de cointegração entre os vértices
no longo prazo. Os testes estatísticos realizados para o estudo desse sistema multivariado e o
resultado dos testes de cointegração serão discutidos na próxima seção.
2 Ver o Relatório Mensal da Dívida divulgado pelo Tesouro Nacional e disponível em:
[Link]
22
4 COINTEGRAÇÃO
Alexander (1999) define que duas séries integradas de mesma ordem são cointegradas
se existir uma combinação linear dessas séries (vetor de cointegração) que seja estacionária. A
intuição econômica por trás da cointegração é a de que existe um equilíbrio de longo prazo no
sistema. Ou seja, o vetor de cointegração denota uma ligação, que conecta as duas séries no
longo prazo, mesmo que no curto prazo as séries se distanciem.
Formalmente, conforme apresentado por Engle & Granger (1987), x e y são cointegrados
se:
t = 1, 2, ..., T.
onde xt é o vetor de ρ variáveis no tempo t, Πi são matrizes ρxρ de parâmetros com i = t, ...k.
Dt é um vetor de componentes determinísticos com um vetor de coeficientes φ e εt um vetor ρx1
de erros. É assumido que o vetor de erros é independentemente e identicamente distribuído (i.i.d)
e segue uma distribuição Gaussiana: εt ∼ iid Nρ (0, Ω), onde Ω denota a matriz de variância-
covariância dos erros.
O VAR pode ser reescrito como um vetor de correção de erros (VECM):
prazo n no tempo t.
iii Se Π tem posto reduzido (r < n), então existem n x r matrizes α e β com posto r de tal
forma que Π = αβ e β 0x é estacionário. r é o número de vetores de cointegrações, os
elementos de α são os parâmetros de ajuste do VECM e cada coluna de β é um vetor de
cointegração.
Segundo Alexander (1999), o teste de Johansen é baseado nos autovalores de uma matriz
estocástica, que reduz o problema de cointegração a um problema de correlação canônica, que o
Capítulo 4. Cointegração 24
deixa similar ao PCA. Para testar a presença de vetores de cointegração, Johansen (1987) propõe
dois testes.
n
Jtrace = −T ∑ ln 1 − λ̂i (7)
i=r+1
e
Jmax = −T ln 1 − λ̂r+1 , (8)
5 RESULTADOS EMPÍRICOS
5.1 Modelo
O modelo proposto tem a intenção de ser utilizado para imunização do risco de spread
entre o título público brasileiro e o DI futuro de um portfólio de renda fixa típico, usualmente
carregado por bancos e outras instituições financeiras. O objetivo do modelo é encontrar através
da cointegração, fatores comuns (common trends) presentes na série dos spreads que possam
ser utilizados para a calibragem de uma estratégia de imunização desse portfólio. Segundo a
teoria apresentada, os vetores de cointegração são estacionários e tem uma reversão à média
que possibilita encontrar uma estratégia de hedge que seja concentrada nos fatores comuns que
determinam a evolução do nível de preços de um portfólio.
Conforme Alexander (1999), a análise de common trend deve cobrir um ciclo econômico
inteiro, sendo recomendado 10 anos ou mais de dados. Para o desenvolvimento deste modelo
serão feitos sob uma amostra de dados de Junho de 2011 a Novembro de 2017, formando
aproximadamente 6 anos de dados diários. A performance do modelo será testada fora da
amostra, em um período de aproximadamente 1 ano que se inicia em Novembro de 2017. Antes
de verificarmos se o modelo de cointegração é aplicável ao mercado estudado, devemos verificar
se as séries temporais, nesse caso, a séries de spread para cada prazo da curva, são integradas de
ordem 1 ou não estacionárias.
O deste de Dickey-Fuller aumentado (ADF) foi utilizado para verificar a presença de raiz
unitária. Conforme a tabela abaixo, para prazos mais curtos de 21 e 42 dias podemos rejeitar,
com 95% de confiança, a hipótese nula de que há raiz unitária, e, portanto, podemos concluir
que essas séries são estacionárias. Nesse caso, devemos excluí-las do sistema para o teste de
cointegração.
O fato de as séries de curto prazo serem estacionárias significa que não há um componente
não estacionário que possa representar um passeio aleatório estocástico para esses vértices. Isso
quer dizer que, do ponto de vista de risco, não precisamos nos preocupar com eles. Existe uma
relação de longo prazo que atrai os vértices para o em torno de um média depois de choques
momentâneos.
Os demais prazos, que vão de 3 meses até 10 anos, apresentam o valor p significativo
(acima de 5%) e, portanto, devemos não rejeitar a hipótese nula de que há raiz unitária. Apesar
da evidência de não estacionariedade ou de integração de ordem I(1), algumas restrições rela-
cionados às características do mercado apresentadas no Capítulo 3, relacionados ao perfil de
vencimento e liquidez do mercado de títulos públicos, os vértices mais longos (acima de 4 anos)
serão retirados do modelo. O sistema multivariado, a ser testado, será a série de spreads de 6
Capítulo 5. Resultados Empíricos 27
Risco de Crédito
do nível dos spreads, após um momento de volatilidade, e sua estabilização na região negativa,
denotando uma possível melhora na credibilidade do governo.
Para medir a credibilidade do Governo Federal, optamos por utilizar a expectativa média
de inflação da pesquisa Focus do Banco Central do Brasil2 , como parâmetro. Podemos concluir
ao analisarmos a figura 10, que, a partir do final de 2016, houve ganho de credibilidade do Banco
Central Brasileiro e do ministro da Fazenda. A partir dessa data a expectativa de inflação indica
uma trajetória de queda visível e rápida.
Figura 10 – Comparação entre os dois common trends [Eixo da esquerda] e a expectativa média
de inflação de 3 anos da Pesquisa Focus.
Liquidez
2 Pesquisa Focus, divulgado pelo Banco Central do Brasil, disponível em htt ps :
//[Link]/expectativas/publico/?wicket : inter f ace =: 0 : 18 :::
Capítulo 5. Resultados Empíricos 32
Uma análise mais detalhada do gráfico apresentado na figura 11, sugere que há realmente
uma correlação negativa entre a liquidez do título público3 e o common trend 1. A partir do final
de 2015, a liquidez média diária dos títulos começa a crescer significativamente (também como
um reflexo do aumento do endividamento do Governo Federal – figura 9), e parece afetar esse
fator, que, além de diminuir de inclinação se torna negativo.
Figura 11 – Comparação entre os dois common trends [Eixo da Esquerda] e liquidez média diária
no Mercado Secundário de títulos públicos.
Volatilidade
De todos os fatores explorados anteriormente, a liquidez parece ser o fator que melhor
explica os common trends, principalmente o common trend 1. Parece haver uma relação clara
entre os spreads e a quantidade diária negociada de títulos público.
3 Liquidez diária do Mercado Secundário de títulos públicos Brasileiros está disponível em: htt p :
//[Link]. f [Link]/en/relatorio − mensal − da − divida
Capítulo 5. Resultados Empíricos 33
Figura 12 – Comparação entre a volatilidade anualizada os dois common trends [Eixo da Es-
querda] e volatilidade histórica anualizada do DI futuro de 2 anos (hp: 63 dias).
Para testarmos essa ligação, foi verificada se há presença de cointegração entre o common
trend 1 e a quantidade diária média negociada de títulos públicos. O resultado não surpreende:
há evidências estatísticas suficientes para estabelecermos que existe uma relação de longo prazo
entre spread e liquidez dos títulos que cointegra as duas séries.
Tabela 5 – Teste de Cointegração para séries de common trend 1 (Fator 1) e liquidez diária de
títulos públicos (Neg_DIARIA).
O teste de causalidade de Granger, nos permite avaliar que, como esperado, a liquidez
diária "Granger-causa"o common trend 1. Em outras palavras, há evidência estatística, denotada
pelo p-value maior do que 5% para até uma cointegração, para afirmarmos que o nível dos
spreads é impactado pela liquidez dos títulos públicos. O patamar de liquidez do mercado hoje é
completamente diferente de alguns anos atrás e isso parece ter impactado significativamente a
curva de spreads.
Capítulo 5. Resultados Empíricos 34
5.3 Hedge
A seleção da carteira de hedge foi feita com base no vetores de common trends exclusi-
vamente. Ou seja, o peso de cada ativo escolhido em cada portfólio segue exatamente o peso
proporcional de cada um dos vetores propostos pelos vetores de common trends. O objetivo é
avaliar se os fatores conseguem capturar o movimento da curva de spread.
As tabelas 8 e 9 mostram o portfólios selecionados e a tabela 10 traz os resultados de cada
estratégia. Ressalta-se que os custos de implementação e negociação não foram considerados na
estratégia.
Pode-se verificar que as estratégias apontadas foram efetivas em diminuir significati-
vamente o risco da carteira pelas medidas de Expected Tail Loss (ETL) e pelo desvio-padrão
([Link]) do resultado. Claramente a estratégia considerando apenas o fator 1 (nível) foi su-
perior a estratégia considerando apenas o segundo fator (inclinação), o que corrobora com os
Capítulo 5. Resultados Empíricos 35
resultados encontrados por Litterman & Sheinkman (1991) que demonstram que o nível explica
a maior parte variabilidade da estrutura a termo de taxa de juros.
Tabela 8 – Tabela com a seleção dos ativos de hedge considerando apenas o fator 1.
Tabela 9 – Tabela com a seleção dos ativos de hedge considerando apenas o fator 2.
independentes e explica a perda de efetividade dos hedges em conjunto. Essa métrica, por si
só, explica apenas parcialmente o resultado e teremos de investigar se houve outra mudança no
comportamento da série.
Uma análise mais cuidadosa da curva de spread a partir de 2016, que coincide com
o começo do processo de impedimento da Presidente Dilma Roussef, também pode ajudar
a explicar os resultados do hedge apresentados anteriormente. Parece haver uma mudança
significativa nas séries de spreads que além de tornarem os dois common trends redundantes,
podem ter diminuindo o risco efetivo de carregar o spread na carteira. Esse será o tema da
próxima seção.
Figura 13 – Dispersão do Lucro/ Prejuízo (R$) do portfólio com hedge e sem hedge - common
trend 1.
Figura 14 – Dispersão do Lucro/ Prejuízo (R$) do portfólio com hedge e sem hedge - common
trend 2.
Após uma análise mais detalhada da série de spreads é possível ver uma aparente quebra
de regime que não foi contemplada no modelo, mas que pode ajudar a explicar a efetividade do
Capítulo 5. Resultados Empíricos 37
Figura 15 – Dispersão do Lucro/ Prejuízo (R$) do portfólio com hedge e sem hedge - common
trend 1 + common trend 2.
hedge e a relação das duas common trends a partir de 2016. Fica claro que após um período de
maior instabilidade que vai do final de 2015 até Maio/2016, relacionado ao processo de abertura
do impeachment da Presidente Dilma Roussef, e representado pela tarja cinza na figura 17. Essa
divisão clara em três períodos nos permite desenvolver um racional para entender o spread a
partir de 2011.
Antes do período destacado (período 1), o spread era positivo e em um nível claramente
superior ao período posterior (período 3) e a liquidez diária dos títulos públicos estava em um
nível mais baixo. Apesar do endividamento estar em um nível mais baixo na época, os elementos
destacados anteriormente denotam um Governo Central com menor credibilidade, que poderia
Capítulo 5. Resultados Empíricos 38
justificar os spreads positivos, indicando que o mercado estava mais disposto a receber um
retorno menor no mercado privado de DI futuro.
Figura 17 – Serie histórica de spread entre título público brasileiro pré-fixado e o DI futuro.
Por outro lado, após o período de instabilidade, a liquidez dos títulos públicos começou
a aumentar e os spreads diminuíram de nível e se mantiveram no patamar negativo. Esses são
indícios mais claros que a percepção de risco do mercado se estabilizou e o spread se alinhou às
justificativas apresentadas anteriormente: o risco soberano se tornou mais atrativo do que o risco
do mercado privado.
Se investigarmos mais a fundo, ainda é possível perceber que os componentes não
estacionários da curva de spread perderam força e a curva parece ter um comportamento
estacionário, em torno de uma média. A tabela 11, traz o teste ADF para o período após
Maio/2016, cujo cenário e filosofia do novo governo, mais austero e comprometido com a
inflação e gastos, estava mais claro. Não é possível aceitar a hipótese nula de raiz unitária para
curva de spreads a partir desse período. Para o vértice de 3 anos a hipótese nula ainda pode ser
aceita, mas o p-value decresceu significativamente em relação ao período dentro da amostra
(24% vs 11%), tornando a possibilidade de rejeição de H0 (presença de raiz unitária) muito mais
próxima.
A figura 18, traz o comportamento da curva de spread no período 3, que se inicia no
momento em que ficou mais claro que teríamos uma mudança na Presidência da República e de
quais eram os compromissos do novo governo em relação à inflação e gastos públicos.
Fica claro ao analisarmos a figura 18 que o comportamento do spread parece transitar em
torno de uma média, além de ter ficado significativamente menos volátil. É importante ressaltar
que o período final destacado nessa figura, mostra um pequeno aumento na volatilidade, muito
provavelmente em decorrência da incerteza que atingiu o país durante o processo eleitoral de
2018. Apesar de os desvios estarem um pouco mais acentuados, ainda sim e possível verificar o
comportamento de reversão a média.
Esta análise é relevante, pois conclui que os componentes não estacionários que tornavam
a série um processo de passeio aleatório e, portanto, traziam risco na exposição à cuva de spread,
Capítulo 5. Resultados Empíricos 39
Tabela 11 – Teste ADF dos vértices da curva de spread no período de Maio de 2016 a Novembro
de 2018.
Figura 18 – Serie histórica de spread entre título público brasileiro pré-fixado e o DI futuro,
período após Maio/2016.
não estão mais presentes com a mesma intensidade. Porém, ainda existem desvios importantes na
média, principalmente em Junho/2018 e no final do período de eleição que justificaram aplicação
do hedge, principalmente do fator 1.
O comportamento das quatro relações de cointegração no período fora da amostra (figura
6) também demonstram um certa tendência em mudar de comportamento, se tornando (na
margem) um pouco mais parecidas com um passeio aleatório. Isso também pode ajudar a
explicar a perda de efetividade do modelo aplicado ao hedge: A dinâmica que explica a relação
de longo prazo da série parece ter se alterado um pouco, trazendo um certo desequilíbrio ao
sistema.
Adicionalmente, o fato de a curva ter um processo de reversão a média, pode trazer
oportunidades importantes para trading. Como é sabido que a série de spread será atraída
em torno de uma média após um choque momentâneo, pode-se desenvolver estratégias de
negociações que se aproveitem destes desequilíbrios. Por exemplo, sempre que a combinação
de um ou mais vértices de spread se afastar um desvio-padrão da média, o investidor "vende’ a
taxa e quando o spread cruzar a média novamente, o negócio é desfeito, ou seja, o investidor
"compra"a taxa e realiza o lucro da transação. Mais detalhes de como é feita a negociação dos
spreads podem ser vistos no Apêndice C.
40
6 CONCLUSÃO
cado econômico mais robusto aos common trends, principalmente ao common trend de inclinação
e desenvolver, a partir daí uma teoria econômica mais robusta em torno desse spread: espera-se,
em uma economia saudável, que o spread possa identificar o nível de risco de crédito percebido
para investimentos em títulos soberanos versus em títulos privados. No Brasil, essa relação
parece existir, mas é bastante influenciada pelo nível de maturidade do mercado: operações
compromissadas com alto custo e com alta barreira de entrada e baixa liquidez no mercado
secundário de títulos públicos (apesar de significativa melhoras nos últimos anos).
42
BIBLIOGRAFIA
A.1 Estacionariedade
Shumway e Stoffer (2006) definem que uma série temporal é estacionária quando a
distribuição de probabilidade de
{xt1 , xt12 , . . . , xt1k } (10)
é idêntica a
xt1 +h , xt2 +h , . . . , xt1k +k . (11)
Ou seja:
P {xt1 ≤ c1 , . . . , xtk ≤ ck } = P xt1 +h ≤ c1 , . . . , xtk =h ≤ ck . (12)
Para todos k = 1, 2, ..., todos os pontos t1 ,t2 , ..., tk , todos os c1 , c2 , ..., ck e todos as
mudanças de tempo h = 0, +/ − 1, +/ − 2, ....
Essa definição implica que a media µt é constante ao longo tempo. Mais do que isso,
pode-se dizer que a função de autocovariância da série independe de t. O autores, porém ressaltam
que na prática a premissa de que uma série é estritamente estacionária é muito forte.
Shumway e Stoffer (2006) definem uma série temporal com estacionariedade fraca como
um processo de variância finita no qual:
acima pode ser vista realmente como um simples passei aleatório. Nesse caso, o valor de xt seria
o valor de xt−1 mais um movimento completamente aleatório representado por εt .
A série de logaritmo dos preços de ativos é tipicamente integrada, e, portanto, pode-se
dizer que o preço futuro do ativo depende do preço dele hoje mais uma tendência determinística
(drift) e um componente estacionário (ALEXANDER, 1999).
Granger & Newbold (1973), demonstram que ao regredirmos uma série não estacionária
contra uma outra série não-estacionaria, encontramos uma relação espúria, que geralmente
demonstra uma relação significativa entre as variáveis, mas que na maioria das vezes não tem
sentido econômico e pode levar a conclusões erradas.
yt = ρyt−1 + xt γ + εt . (13)
satisfazer:
P (Xt+s ≤ x|x1 , . . . , xt ) = P (Xt+s <= x|xt ) , (16)
onde ∆Wt é um passeio aleatório com variância Ω. Portanto, σ (It ,t) ∆Wt será o desvio-padrão
dos incrementos da taxa de juros. Dado que rt segue um processo de Markov, então It contem
apenas os valores passados de rt e poderemos escrever a media e variância condicional em função
de rt apenas:
e
σ (It ,t) = σ (rt ,t) . (19)
Apesar de não ser um ativo com um contrato padrão negociado em bolsa ou mesmo em
balcão, o spread de título público é a forma usual no qual um título é precificado no mercado. É
bastante comum um título ser negociado pelo spread, ou seja, pela diferença entre a yield do
título e o DI. Na prática, quando o mercado negocia um título público há a efetiva negociação de
dois ativos: o título em si e a quantidade contrária e equivalente, em termos de valor futuro do
DI de mesmo prazo. É importante ressaltar que também é usual a negociação de título público
diretamente pela yield do título, sem negociar o spread.
Sempre que um investidor esperar que o spread vai aumentar, ele deve comprar o título
e vender o contrato de DI futuro equivalente e deve fazer a operação inversa caso queira ficar
vendido no spread. Dito isso, é importante entender os mecanismos pelos quais uma instituição
financeira, pode negociar os spreads, principalmente quando a intenção for ficar vendida no papel.
A forma de negociação não é muito diferente da forma de negociação de uma ação: sempre que
uma contraparte desejar ficar vendida em uma ação, primeiro ela deve toma-la emprestada através
de uma operação padrão de empréstimos de ações. Analogamente, uma instituição financeira
deverá fazer uma operação compromissada de título público para conseguir o mesmo efeito.
Segundo o Banco Central do Brasil, operações compromissadas são operações de venda
(ou compra) de títulos com compromisso de recompra (ou revenda) dos mesmos títulos em uma
data futura, anterior ou igual à data de vencimento dos títulos. Geralmente, essas operações
são feitas entre dois bancos ou entre um banco e o Banco Central Brasileiro. A remuneração
da operação compromissada é acordada entre as duas contrapartes, podendo ser pré-fixada ou
pós-fixado, e não guarda relação com a remuneração do título negociado.
Sempre que uma instituição financeira desejar ficar vendida em título público, as opera-
ções compromissadas com o Banco Central são a melhor alternativa possível para atingir esse
objetivo. Como no Brasil, os bancos têm excesso de liquidez, eles entram nessas operações
compromissadas com prazo maior e podem vender os títulos recebidos como garantia no mercado
secundário. O resultado de tal operação é uma posição vendida no ativo.
Ficar vendido ou comprado em DI futuro é facilmente atingido através de operações
simples na Bolsa. Através das duas operações em conjunto, compra (ou venda) de títulos e venda
(ou compra) de DI futuro, um investidor gera exposição ao spread.
A seguir será representado, em um fluxograma, as ações necessárias para um investidor
ficar “vendido” no spread. O efeito final das operações é uma posição no qual o investidor se
beneficia de uma queda no spread.
1. O investidor faz uma operação compromissada com a Contraparte A, na qual ele investe
APÊNDICE C. Negociação do Spread 52
Figura 19 – Fluxograma que demonstra as ações para o investidor ficar "vendido"no spread.
caixa e recebe como garantia títulos públicos Federais, com o compromisso de devolvê-los
em troca de uma remuneração predefinida.
2. O investidor vende os títulos públicos para a Contraparte B, e fica com uma posição
“vendida” em título.
3. O investidor realiza operações de DI futuro na Bolsa, com o mesmo prazo dos títulos
públicos vendidos na operação 2. No DI futuro o investidor recebe uma taxa pré-fixada em
troca da taxa flutuante (CDI).