Diagnóstico
A dermatite atópica canina (DAC) é uma condição crônica que requer uma abordagem
multifatorial, tanto no diagnóstico quanto no tratamento. O diagnóstico envolve exames clínicos
e laboratoriais para distinguir a DAC de outras condições dermatológicas, como dermatite
alérgica alimentar, infecções bacterianas ou fúngicas e infestação por ectoparasitas.
A citologia de pele é um dos exames mais utilizados para avaliar a presença de infecções
secundárias, como bactérias Staphylococcus spp. e leveduras Malassezia spp., que agravam
os sintomas da DAC. O exame é essencial para identificar essas infecções e garantir que o
tratamento inclui medidas contra essas complicações (Marsella, 2014). Testes intradérmicos e
testes sorológicos também são amplamente utilizados para identificar alérgenos específicos
que causam a reação alérgica. Os testes intradérmicos envolvem a injeção de alérgenos na
pele e a observação de reações locais, enquanto os testes sorológicos medem a presença de
IgE, que está relacionada a alérgenos específicos. Esses testes orientam o uso da
imunoterapia alérgeno-específica, essencial para o manejo de longo prazo da DAC (Nuttall et
al., 2019).
No entanto, o teste de alergia alimentar não é amplamente utilizado no diagnóstico da DAC,
pois as reações alimentares representam uma condição distinta. A alergia alimentar pode ser
excluída através de um teste de exclusão alimentar, que envolve a administração de uma dieta
hipoalergênica seguida pela reintrodução gradual de alimentos (Olivry et al., 2015). Este
método, no entanto, não é utilizado diretamente no diagnóstico da DAC, uma vez que os
sintomas são distintos.
O raspado de pele é um exame diagnóstico essencial, especialmente para descartar a
presença de ectoparasitas que podem causar prurido e lesões cutâneas semelhantes às da
dermatite atópica canina (DAC). Parasitas como Demodex spp. e Sarcoptes scabiei são
conhecidos por provocar dermatoses pruriginosas que, clinicamente, podem se assemelhar aos
sinais observados na DAC, como inflamação e coceira intensa. O raspado de pele envolve a
raspagem superficial ou profunda da pele do animal com uma lâmina estéril, coletando
amostras de áreas afetadas para exame microscópico. Este método é particularmente
importante para confirmar ou excluir diagnósticos de demodicose e sarna sarcóptica, que, se
não forem diagnosticadas corretamente, podem atrasar o tratamento adequado da DAC. A
identificação precoce desses parasitas permite que se adotem as terapias apropriadas,
diferenciando-os de outras condições dermatológicas, o que é crucial para garantir o manejo
correto dos sintomas e evitar tratamentos desnecessários ou ineficazes para DAC.
Tratamento
O tratamento da dermatite atópica canina (DAC) envolve uma combinação de medicamentos e
terapias para controlar a inflamação e o prurido. Corticosteróides são amplamente utilizados
em surtos agudos devido à sua potente ação anti-inflamatória, proporcionando alívio rápido dos
sintomas, como prurido intenso e inflamação cutânea. No entanto, o uso prolongado é limitado
por seus efeitos adversos, como imunossupressão e ganho de peso (Olivry et al., 2015). Para o
manejo a longo prazo, a ciclosporina é uma opção eficaz, especialmente em casos graves de
DAC. Ela atua como imunossupressor seletivo, inibindo a ativação das células T, fundamentais
na resposta imunológica exacerbada. Embora eficaz, a ciclosporina pode causar efeitos
gastrointestinais, como vômito e diarreia, além de aumentar o risco de infecções, exigindo
monitoramento cuidadoso (Ollivier et al., 2019).
Os inibidores da JAK, como o oclacitinib, bloqueiam as vias de sinalização responsáveis pelo
prurido, oferecendo alívio rápido com menos efeitos colaterais em comparação aos
corticosteróides. Esses inibidores também auxiliam na redução da inflamação cutânea, sendo
preferidos em muitos casos que exigem tratamento prolongado (Nuttall et al., 2019). A
imunoterapia alérgeno-específica é recomendada como uma abordagem terapêutica de longo
prazo, visando dessensibilizar o sistema imunológico aos alérgenos identificados nos testes
diagnósticos. Esse tratamento envolve a administração de pequenas doses do alérgeno para
aumentar a tolerância do organismo ao longo do tempo, sendo considerada uma das opções
mais promissoras para o controle sustentável da DAC (Nuttall et al., 2019). Além dos
tratamentos sistêmicos, terapias tópicas, como shampoos medicinais e loções emolientes,
ajudam a restaurar a barreira cutânea e controlar infecções secundárias, como as causadas
por Staphylococcus spp. e Malassezia spp.. A aplicação regular desses produtos auxilia na
remoção de alérgenos da pele, enquanto as loções emolientes ajudam a manter a hidratação
cutânea, prevenindo a secura e descamação, que podem agravar o prurido (Marsella, 2014;
Olivry et al., 2015).
Referencias
MARSSELLA, Rosanna. Management of canine atopic dermatitis: A multifaceted
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