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Entendendo a Asma: Definição e Classificação

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ASMA

1. DEFINIÇÃO

No mundo, a asma brônquica, pertencente ao grupo das doenças crônicas,


configura-se como a principal patologia que acomete as crianças (1). Apresenta,
clinicamente, sintomas com intensidades variáveis, tais como tosse, dispnéia,
rigidez torácica e, com maior freqüência, crises de sibilância. Caracteriza-se,
sobretudo, através de quadros de hiperresponsividade das vias aéreas inferiores
com exacerbação da limitação do transporte de ar, levando à clínica descrita. Os
pacientes podem ser enquadrados como sintomáticos ou assintomáticos, a
depender das especificidades da inflamação brônquica: tempo de início, área
comprometida e intensidade da inflamação (2).

Apesar de possuir etiologia pouco definida, há estudos que correlacionam o


seu desenvolvimento a fatores genéticos e ambientais, a exemplo do contato com
agentes com ação irritativa sobre o epitélio respiratório, sobretudo, nas vias aéreas
inferiores. No que concerne à classificação, delimita-se a partir dos prováveis
agentes responsáveis por sua manifestação - quando sintomática – assim como da
resposta à terapêutica empregada, da periodicidade, duração e complexidade dos
sintomas (3).

2. CLASSIFICAÇÃO

2.1. CLASSIFICAÇÃO DE ACORDO COM O NÍVEL DE CONTROLE DA


DOENÇA

Controlar a asma significa relacionar o caso com a supressão de episódios da


doença, pelo tratamento ou de forma espontânea. Seu parâmetro nessa
classificação compreende o controle dos problemas clínicos e a diminuição de risco
futuro. Nesse sentido, o controle da doença é o foco do manejo da asma (4).

Sabe-se que o controle dos problemas clínicos depende da avaliação da das


4 últimas semanas do paciente no que se refere a sintomatologia apresentada,
necessidade do uso de medicação para aliviar o quadro, comprometimento de
atividades físicas e a intensidade de limitação do fluxo aéreo (4). Assim, a asma é
classificada em três grupos: asma controlada, parcialmente controlada e não
controlada (2,4). Essa avaliação é feita em média nas quatro últimas semanas (5).

Na asma controlada é necessário que o paciente apresente até 2 sintomas


diurnos na semana, não apresente sintomas noturnos, comprometimento de
atividades físicas realizadas ou exacerbações. Além disso, considera-se o uso de
tratamento medicamentoso para alivio dos sintomas até 2 vezes na semana. A
função pulmonar encontra-se normal, sendo avaliada pelo pico de esforço
respiratório (PFE) ou pelo volume expiratório forçado no primeiro segundo (VEF1)
(2).

Enquanto isso, a asma é definida como parcialmente controlada, se tiver um


ou dois parâmetros a seguir: 3 sintomas diurnos ou mais, qualquer sintoma noturno,
comprometimento de atividade física, necessidade de tratamento medicamentoso 3
ou mais vezes por semana e função pulmonar menor que 80%. Para enquadrar a
asma em não controlada, basta o paciente apresentar 3 ou mais parâmetros da
asma parcialmente controlada ou exacerbações em qualquer semana (2).

A diminuição de risco futuro está conectada com o mau controle clínico,


exacerbações constantes, história de admissão em UTI, exposição a tabaco, baixo
VEF1 e a necessidade de tratamento medicamentoso em altas doses (4).

Às Recomendações para o manejo da asma da Sociedade Brasileira de


Pneumologia e Tisiologia sugeritram o uso de três questionários que funcionam
como ferramenta na monitorização da asma: o questionário de controle da asma da
Global Initiative for Asthma (GINA), o Questionário de Controle da Asma(25) e o
Teste de Controle da Asma.(26) Esses dois últimos questionários possuem o
beneficio de serem dispostos em avalacao numérica, o que facilita à compreensão
do paciente e do nivel de controle da doença pelo médico (5)
Quadro 1. Definição de controle da asma por diferentes instrumentos

Instrumento/itens Asma Asma Asma não


controlada parcialmente controlada
controlada

GINA(1)

Sintomas diurnos > 2 vezes por semana

Despertares noturnos por asma Nenhum item 1-2 itens 3-4 itens

Medicação de resgate > 2 vezes por semana

Limitação das atividades por asma

ACQ-7(25) Escore

Número de despertares noturnos/noite

Intensidade dos sintomas

Limitação das atividades por asma

Intensidade da dispneia ≤ 0,75 0,75 a < 1,5 > 1,5

Sibilância (quanto tempo)

Medicação de resgate

VEF1 pré-broncodilatador

ACT(26) Escore

Limitação das atividades por asma

Dispneia

Despertares noturnos por asma ≥ 20 15-19 ≤ 15

Medicação de resgate

Autoavaliação do controle da asma

Fonte: Adaptada da Recomendações para o manejo da asma da Sociedade Brasileira de


Pneumologia e Tisiologia (3).
2.2. CLASSIFICAÇÃO DA GRAVIDADE/INTENSIDADE DAS
CRISES/EXACERBAÇÕES

A intensidade das exacerbações asmáticas constitui uma frequência muito


elevada em serviços de emergência, tendo em vista os muitos casos de asma não
controlada (2). A gravidade das crises refere-se à quantidade de medicamentos
necessária para atingir o controle, refletindo uma característica intrínseca da doença
(5). Dessa forma, a classificação quanto a gravidade enquadra a asma em: leve à
moderada, grave e muito grave. A primeira necessita de baixa intensidade de
tratamento; a segunda, de uma intensidade intermediária; a última, de alta
intensidade (2,4).

Na asma leve à moderada, o estado geral ou a impressão clínica tem um


valor de alterações muito escasso. O estado mental ou o nível de consciência se
encontra normal com presença leve ou ausência de dispnéia. O indivíduo não
possui dificuldades em falar, formando frases completas. A musculatura acessória
mostra retrações intercostais leves ou ausentes e a ausculta respiratória indica
presença de murmúrios vesiculares (MV), mas denuncia sibilância localizada, difusa
ou até mesmo ausente. A frequência respiratória (FR) pode estar de normal à
aumentada e a frequência cardíaca (FC) costuma ser menor que 110. O pico de
esforço respiratório (PFE) costuma ultrapassar 50%, a saturação de oxigênio
(Sat02) está acima de 95%, a pressão parcial de oxigênio (PaO2) está normal e a
de gás carbônico (PaCO2) menor que 40mmHg (2,4).

Na asma grave, o estado geral e o mental se encontram geralmente normais,


porém pode surgir um quadro de agitação com dispneia moderada. A capacidade de
falar está comprometida, fato revelado na formação de frases incompletas. No
lactente isso é avaliado através de um choro curto e uma dificuldade alimentar. A
musculatura acessória mostra retrações subcostais e/ou esternocleidomastóideas
acentuadas e a ausculta pulmonar denuncia sibilos localizados ou difusos. A FR
está aumentada e a FC alcança um número de batimentos por minuto maior que
110. O PFE limita-se a faixa de 30-50%, a Sat02 entre 91-95%, a PaO2 ao redor de
60mmHg e a PaCO2 menor que 45mmHg (2,4).
Por fim, na asma muito grave (insuficiência respiratória), a impressão clínica
define um quadro de cianose, sudorese e exaustão. O nível de consciência se
encontra alterado, imperando a agitação, confusão e sonolência intensa. Há
dificuldade em falar, o paciente apresenta frases curtas ou monossilábicas. No
lactente, isso é avaliado por dificuldade alimentar. A musculatura acessória mostra
retrações acentuadas ou em declínio (exaustão) e a ausculta pulmonar denuncia
sibilos difusos ou ausentes com MV diminuídos. A FR está aumentada e a FC pode
ultrapassar 140 batimentos por minuto ou configurar uma bradicardia. O PFE
costuma estar menor que 30% do previsto, SatO2 abaixo de 90%, a PaO2 menor
que 60mmHg e a PaCO2 acima de 45mmHg (2,4).

3. DIAGNÓSTICO DA ASMA

O diagnóstico da asma leva em consideração critérios clínicos e funcionais,


encontrados na anamnese, exame físico e exames de função pulmonar. Tais
exames podem apresentar dificuldade na interpretação de seus resultados em
criança menores de cinco anos, portanto, nessa faixa etária o diagnóstico é
majoritariamente clínico (2).

Em relação a anamnese normalmente um ou mais sintomas estão presentes,


como obstrução das vias aéreas, dispneia, tosse crônica, sibilância e aperto no
peito. Tais sintomas costumam acontecer ou piorar a noite, bem como com práticas
de exercícios físicos, infecção respiratória, exposição a alérgenos, mudanças
climáticas, riso ou choro intensos e estresse (2,4). Algumas manifestações indicam
fortemente o diagnóstico, como a variabilidade dos sintomas, estimulação dos
sintomas por aeroalérgenos ou irritantes diversos, ou ainda, sintomas que pioram a
noite ou melhoram espontaneamente ou com uso de medicações de alivio (4).

O exame físico pode ser inespecífico ou normal no período intercrises ou


apresentar sintomas, bem como sibilos expiratórios, hiperexpansão pulmonar e
tiragem intercostal (4).Tanto no exame físico normal, quanto naquele em que essas
alterações estão presentes o diagnóstico de asma não deve ser excluído, no
entanto outros possíveis diagnósticos, os quais compartilhem de similares achados
clínicos, devem ser excluídos (2,4).
Nesse sentido, a confirmação do diagnóstico deve ser feita por um método
objetivo, que incluem na pratica clínica, a espirometria (antes e após o uso de
broncodilatador), testes de broncoprovocação e medidas seriadas de PFE 2, ou seja,
funcional/laboratorial (2).Tais exames nos informam sobre a intensidade da limitação
do fluxo aéreo, sua variação e possível reversão.

Dentre vários métodos a espirometria é a mais utilizada, sendo útil para


diagnóstico, avaliação da gravidade, monitorização e avaliação da resposta ao
tratamento (2). No entanto sua indicação é feita para crianças acima de 5 anos.
Além disso, na asma leve esse exame pode se apresentar sem alterações no
período intercrise (9). O achado funcional pulmonar compatível com asma é a
espirometria demonstrando limitação ao fluxo aéreo de tipo obstrutivo, variável:
VEF1/capacidade vital forçada (CVF) menor que 80%, com reversibilidade (resposta
significativa ao broncodilatador), definida por aumento do VEF1 após inalação de
beta-2 agonista de curta duração (400 mcg de salbutamol/fenoterol, após 15 a 30
minutos) de pelo menos: – 7% em relação ao valor previsto e pelo menos 200 mL
em valor absoluto ou – 12% em relação ao seu valor pré-broncodilatador e pelo
menos 200 mL em valor absoluto (4).

Quando a espirometria está normal, no entanto há suspeita clínica, o teste


para demonstração de hiperresponsividade brônquica - Teste de broncoprovocação
- pode ser usado no processo diagnóstico. Sendo esse compatível com o
diagnóstico da asma quando der positivo (acima de 5 anos). Deve ser realizado em
serviços especializados (4).

A avaliação funcional pulmonar completa, incluindo volumes e capacidades


pulmonares, difusão pulmonar e curva fluxo-volume, deve ser realizada na presença
de distúrbio ventilatório grave na espirometria, hipoxemia crônica ou ainda com
manifestações clínicas desproporcionais ao grau de obstrução pela espirometria.
Exames de função pulmonar devem ser realizados por profissionais devidamente
capacitados (9).

Ademais, o diagnóstico de asma em crianças menores de cinco anos é feito


levando em consideração principalmente aspectos clínicos, uma vez que os exames
de função pulmonar são de difícil resolução (10). A dificuldade está relacionada ao
fato de que os episódios de sibilancia são comuns nos primeiros anos de vida, no
entanto, a maioria dessas crianças não irá desenvolver asma, fato que deve ser
levado em consideração para que não haja administração desnecessária de
medicamentos de alívio e profiláticos. De modo geral, a investigação clínica e
instituição do diagnostico deve ser feita de forma eficaz, evitando a evolução em
quadros mais graves (4).Tal investigação deve levar em consideração a ocorrência
de episódios frequentes de sibilância (acima de uma vez por mês), tosse - sem
relação evidente com viroses – que surge à noite ou cedo pela manhã, acarretada
por riso, choro intenso ou exercício físico. A instalação desses sintomas deve ser
avaliada de modo cuidadoso, bem como sua evolução, antecedentes pessoais da
criança – como presença de rinite alérgica ou dermatite atópica, história familiar de
asma e atopia e ainda se o paciente apresenta boa resposta clínica a b2 -agonistas
inalatórios, associados ou não a corticoides orais ou inalatórios (11).

4. DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL DA ASMA

Na pediatria, existem diagnósticos diferenciais em relação à asma a serem


pensados, à medida em que há variação de faixa etária. Para demonstrar a
importância de um olhar clínico vasto, segue abaixo as possibilidades frente uma
asma confirmada na adaptação da Tabela 1 (4,12, 13).

Tabela 1 – Diagnósticos diferenciais

Menores de 5 anos de idade

a) Rinussinusite

b) Síndromes aspirativas (distúrbios da deglutição, aspiração de corpo


estranho, fístula traqueoesofágica e refluxo gastroesofágico)

c) Doença pulmonar crônica da prematuridade e má formações congênitas

d) Fibrose cística, bronquiolite obliterante pós-infecciosa, discinesia ciliar,


bronquiectasias

e) Doenças congênitas da laringe, anel vascular,


laringotraqueobroncomalacia

f) Cardiopatias, tuberculose e imunodeficiências

Maiores de 5 anos de idade e adultos

a) Rinossinusite

b) Obstrução de vias aéreas (neoplasias e aspiração de corpo estranho)

c) Disfunção das cordas vocais

d) DPOC e outras doenças obstrutivas das vias aéreas inferiores


(bronquiolites e fibrose cística)

e) Doenças difusas do parênquima pulmonar

f) Doenças da circulação pulmonar (hipertensão e embolia)

g) Insuficiência cardíaca diastólica e sistólica

h) Infecções parasitárias (Síndrome de Löffler) e pós-virais

i) Artrite cricoaritenóide

j) Cistos broncogênicos e laringocele

k) Inalação de gases tóxicos e anafilaxia

DPOC, doença pulmonar obstrutiva crônica.

Fonte: Diretrizes da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia para o


Manejo da Asma – 2012 (4).

Além disso, apenas a sibilância adiciona outras etiologias como, por exemplo,
o abscesso retrofaríngeo, policondrite reicidivante, granulomatose de Wegener,
bócio e síndrome de tórax agudo. Contudo, é muito comum o sibilo acontecer na
ausculta durante uma crise e não em um quadro de asma controlada (12).

Mesmo que não seja muito frequente nos menores de idade, o documento
Global Iniatiative for Asthma -GINA alerta em relação a deficiência de alfa-1-
antitripsina, tosse relacionada a medicamentos e hiperventilação. Assim, existe a
importância do estabelecimento do contexto do paciente que busca assistência
médica para conduzir da melhor forma possível (14).

5. TRATAMENTO DA ASMA

A asma têm impacto significante na vida dos pacientes portadores e de seus


familiares(1). Apesar de não haver cura, o manejo adequado leva em consideração
a relação médico-paciente e o estabelecimento de medidas não farmacológicas -
para todos os pacientes - e medidas farmacológicas - quando a indicação se fizer
necessária. A terapêutica tem como objetivos: melhorar a qualidade de vida do
paciente, manter o controle dos sintomas, melhorar ou estabilizar à função
pulmonar, prevenir as exacerbações, minimizar os efeitos colaterais oriundos da
medicação e prevenir à evolução à quadros mais graves e a mortalidade (1,15).

5.1. TRATAMENTO NÃO MEDICAMENTOSO

O tratamento não medicamentoso parte do estabelecimento de uma relação


médico-paciente efetiva, levando em consideração 3 pontos: 1) aspectos culturais e
o conhecimento que o paciente e seus familiares possuem sobre a patologia; 2) o
estabelecimento de um plano de ação escrito e personalizado, que facilite a
compreensão acerca do assunto e das medidas que devem ser seguidas e 3) da
importância da adesão ao tratamento (1,15).

Além disso, medidas como redução da exposição a fatores desencadeantes,


como alérgenos, e identificação precoce dos sintomas devem ser tomadas (1,15). A
exposição ambiental inclui alérgenos inalados, exposições ocupacionais e irritantes
das vias aéreas, tais fatores são capazes de intensificar ou desencadear crises. A
restrição a essas fontes, apesar de difícil, é auxiliar na terapia medicamentosa.
Dessa forma, os pacientes que têm asma controlada e são expostos à esses fatores
podem desencadear menos sintomas, em comparação com aqueles
descompensados os quais podem ter exacerbações e mais sintomas ao serem
expostos (1).

Ademais, o exercício físico costuma ser um desencadeante dos sintomas da


asma, no entanto os pacientes não devem evitar fazê-lo, buscando melhorar o seu
condicionamento aeróbico e reduzir à susceptibilidade ao broncoespasmo induzido
pelo exercício. Outrossim, deve ser feita à diferenciação de fenômenos gerados pela
realização do exercício da descompensação dos sintomas, buscando medicar de
modo adequado essas situações (1).

5.2. TRATAMENTO MEDICAMENTOSO DA ASMA

O tratamento medicamentoso da asma persistente consiste da associação


entre antiinflamatórios e corticosteroides inalatórios (CI). Conjugados aos CI, usam-
se os medicamentos com efeito broncodilatador. A posologia necessária deve ser
de acordo com a clínica do paciente, a ponto de prevenir possíveis efeitos adversos
(15).

Os medicamentos controladores dividem-se em Corticosteroides inalatórios


(Ci), Corticosteroides sistêmicos (Cs), Agonistas beta-2 adrenérgicos de longa ação
(B2LA). Já os medicamentos de alívios pertencem aos grupos dos Agonistas beta-2
adrenégicos de curta ação (B2CA) (1).

No tratamento inicial, o esquema de eleição vai depender da gravidade da


doença. Se a asma é do tipo intermitente, deve-se administrar broncodilatadores, a
exemplo dos beta-2-adrenérgico de ação curta (B2CA). Em relação à persistente,
depende da gravidade: na leve, CI em dose média; moderada, CI em dose média a
alta; na grave, CI em dose alta, caso haja necessidade, deve –se associar a um
beta-2-adrenérgico de ação longa (B2LA). Em todos os casos de asma persistentes,
pode-se associar o uso do CI ao B2CA, a depender da disponibilidade e
necessidade do paciente (2).

O tratamento de manutenção baseia-se no grau de controle. Na asma


controlada, deve-se manter o medicamento, entretanto, caso haja estabilização
clínica por pelo menos 3-6 messes, aconselha-se a reduzir a dose ou, em caso de
associação, considerar o uso isolado do corticosteróide inalatório. Na Parcialmente
controlada ou não controlada, aumentam-se as doses de corticosteróides
(principalmente em crianças menores de 5 anos) bem como a introdução de B2LA e
de corticoterapia oral, caso paciente esteja em uso de esquema associado (CI +
B2LA) (2).

Medicamentos
controladores

Corticosteroides Corticosteroides Agonistas beta-2


inalatórios (Ci) sistêmicos (Cs) adrenérgicos de longa ação
(B2LA)

● Budesonida*: ● Prednisona: ● Salmeterol: aerossol bucal


cápsula inalante comprimidos de 5 ou pó inalante de 50 mcg
de 200 mcg e 400 mg e de 20 mg;
● Formoterol: cápsula ou pó
mcg e pó inalante
● Prednisolona**: inalante de 12 mcg
ou aerossol bucal
solução oral de 1
de 200 mcg; ● Formoterol+budesonida***
mg/mL e 3 mg/mL.
: cápsula ou pó inalante de
● Beclometasona:
12 mcg/400 mcg e de 6
cápsula inalante
mcg/200 mcg
ou pó inalante de
200 mcg e 400
mcg e aerossol ou
spray de 50 mcg e
250 mcg.

Medicamentos
de alívio:
Agonistas
beta-2
adrenégicos de
curta ação
(B2CA)

● Salbutamol:
aerossol de
100 mcg e
solução
inalante de 5
mg/mL;

● Fenoterol:
aerossol de
100 mcg

Quando 2 – Medicamentos controladores e de alívio usados no tratamento da asma.

** Para crianças recomenda-se 1-2 mg/Kg/dia.

*** Não se recomenda o tratamento contínuo da asma persistente somente com


B2LA.

*Poder se usado em forma de dose única diária na asma leve.

Fonte: Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (2).

O tratamento da asma brônquica não tem validade, visto que o curso da


doença é de característica crônica. É preciso, sobretudo, fazer o uso adequado do
medicamento conforme prescrição e orientação médica, com o objetivo de preservar
a função pulmonar (15).

5.3 OUTRAS MODALIDADES

Não há contraindicação para vacinação. Pacientes, que respondem com urticária ou


angioedema pela presença de ovo, devem ser vacinados em posto de saúde.
Aqueles que respondem com anafilaxia devem ser vacinados em locais adequados
com capacidade para o correto manejo da reação.

As principais vacinas implicadas com redução da morbidade são a contra influenza


e a antipneumocócica. Esta última disponível pelo Sistema Único de Saúde (SUS)
na forma da polissacarídica 23-valente e conjugada 10-valente para asmáticos
moderados a graves, sendo a conjugada 10-valente disponível para crianças de até
1 ano e 11 meses. Recomenda-se o uso sequencial: vacina 13-valente conjugada e
após 6 meses, a polissacarídica 23-valente.

Para pacientes com asma leve a moderada, com componente alérgico envolvido e
monossensibilzados para ácaros domésticos, a imunoterapia via sublingual ou
subcutânea é uma opção para reduzir os sintomas e a necessidade de medicação
de controle (18).

6. PROFILAXIA DA ASMA

É necessário entender os principais fatores de risco envolvidos na doença


que tenham a possibilidade de sofrer intervenção da prevenção. São eles:

1. Baixo peso ao nascer (<2.500g)

2. Comparecimento a creches

3. História materna de asma

4. Contato com animais no primeiro ano de vida

5. Contato recente com animais fora de casa

6. Exposição a fumaça do tabaco por familiares fumantes

7. Fatores psicossociais (estresse, baixa escolaridade, baixa renda)

8. Exposição a outros poluentes e aeroalérgenos

9. Medicamentos frequentes durante os primeiros anos de vida (paracetamol e


antibióticos)

10. Dieta materna durante a gravidez com potenciais alérgenos (leite e amendoim)

Diante disso, já se pode estabelecer medidas a serem tomadas quanto a


diminuição de risco de desenvolver asma nas crianças. Segue abaixo as
recomendações:

1. Realizar as consultas do pré-natal de forma completa

2. Evitar a exposição a poluentes (tabaco) durante e depois da gestação


3. Evitar o contato com potenciais alérgenos durante a gestação

4. Diminuir o contato com animais e aeroalérgenos (mofo, poeira) nos primeiros


anos de vida

5. Desencorajar o uso de antibióticos de amplo espectro no primeiro ano de vida

6. Recomenda-se a amamentação exclusiva (durante os 6 primeiros meses de


vida).

7. REFERÊNCIAS

1. RIBEIRO, J; VIEIRA, H.M.C.S. Asma – abordagem ambulatorial. Tratado de


Pediatria. São Paulo: Manoele, 4° ed, 2017. p. 453-465.
2. Ministério da Saúde (BR). Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da
Asma. Brasília: Ministério da Saúde; 2013.

3. CAMPOS, H.S. Asma: suas origens, seus mecanismos inflamatórios e o


papel do corticosteróide. Rev Bras Pneumol Sanit. vol. 15, n.1, n°47, 2007.

4. SOCIEDADE BRASILEIRA DE PNEUMOLOGIA E TISIOLOGIA. Diretrizes da


Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia para o Manejo da Asma.
Jornal Brasileiro de Pneumologia. vol. 38, n. 1, 2012.

5. SOCIEDADE BRASILEIRA DE PNEUMOLOGIA E TISIOLOGIA.


Recomendações para o manejo da asma da Sociedade Brasileira de
Pneumologia e Tisiologia, 2020.

6. GLOBAL INITIATIVE FOR ASTHMA. Global Strategy for Asthma


Management and Prevention Bethesda: Global Initiative for Asthma, 2019.
Disponível em: <[Link]
2019-main-report-Ju=[Link] >. Acesso em: 25 mai. 2018.

7. LEITE, M. et al. Evaluation of the asthma control questionnaire validated for


use in Brazil. Jor Bras Pneumol. vol.34, n. 10, p. 756-763, 2008. Disponível
em:< [Link] org/10.1590/S1806-37132008001000002 26 >. Acesso em:
25 mai. 2018.
8. ROXO, J.P. Et al. Portuguese-language version of the Asthma Control Test.
Jor Bras Pneumol. Vol.36, n. 2, p. 159-166, 2010. Disponível em: < https://
[Link]/10.1590/S1806-37132010000200002 >. Acesso em: 25 mai. 2018.

9. SOCIEDADE BRASILEIRA DE PNEUMOLOGIA E TISIOLOGIA. Diretrizes


para testes de função pulmonar. Jornal Brasileiro de Pneumologia. vol. 28,
n. 3, 2002.

10. PEDERSEN, S.E. et al. Global strategy for the diagnosis and management of
asthma in children 5 years and younger. Pediatric Pulmonology. vol. 46, n.
1, p. 1-117, 2011.

11. IV Brazilian Guidelines for the management of asthma. Jor Bras Pneumol.
Vol.32, n. 7, p. 447-474, 2006.

12. MARTINEZ, J.A.B. Not all that wheezes is asthma. J. bras. pneumol. vol.39,
n. 4, p. 518-520, 2013.

13. DÍAZ A.V.E. et al. Quiste broncogénico. Diagóstico a considerar em el


lactante com sintomas respiratorios crónicos. Pediátr Panamá. vol.43, n. 2, p
22-30, 2013.

14. GLOBAL INITIATIVE FOR ASTHMA. Global Strategy for Asthma


Management and Prevention Bethesda: Global Initiative for Asthma, 2018.
Disponível em: < [Link]
GINA-2018-report-tracked_v1.[Link] >. Acesso em: 25 mai. 2018.

15. ALBUQUERQUE, L.A.R.S; ROXO-JÚNIOR, P.; FERRIANI, V.P.L. Protocolo


Clínico e de Regulação para Crise de Asma em Crianças. In: SANTOS, J.S.;
Pereira, G.A.; BLIACHERIENE, A.C.; FOSTER, A.C. Protocolos Clínicos e
de Regulação: Acesso à Rede de Saúde. p. 1185-1195, 2012. Disponível
em: < [Link] >. Acesso
em: 25 mai. 2018.

[profilaxia]

16. FERNANDES, S.S.C. et al. Factors associated with asthma expression in


adolescents. J. bras. Pneumol, vol. 44, n. 1, p. 12-17, 2018. Fev [acesso em
2018 Mai 29]; 44(1); 12-7. Disponível em: < [Link]
37562017000000078 >. Acesso em: 29 mai. 2018.
17. URRUTIA-PEREIRA, M; AVILA, J; SOLÉ, D. The Program for the Prevention
of Childhood Asthma: a specialized care program for children with wheezing
or asthma in Brazil. J. bras. pneumol. vol.42, n.1, p. 42-47, 2016.
Disponível em: < [Link]
script=sci_arttext&pid=S1806-37132016000100042&lng=en >. Acesso em: 29
mai. 2018.
18. PIZZICHINI, M.M.M. et al. Recomendações para o manejo da asma da
Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia. J Bras Pneumol. vol. 46,
n. 1, p.12-16, 2020.

Global Initiative for Asthma – GINA >>>>> referencia 14.

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