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Modos Musicais e Suas Aplicações

Estudos Musicais

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MODOS

Que não são gregos, apesar de assim chamados!


Importante dizer que atualmente a nomenclatura correta é modos litúrgicos ou eclesiásticos, mas a denominação modos
gregos ainda é muito utilizada (nunca mais por vocês, espero! Talvez dizer somente modos seja melhor.).

Vamos compreender os modos partindo da escala de Dó maior. Será que eu preciso tocar sempre a partir do I grau da
escala?

E se eu tocar a partir do II grau?

Estou tocando Ré Maior? Não, fá e dó são naturais e não sustenidos.


Estou tocando ré menor? Não, na menor natural preciso do si bemol, na harmônica do si bemol e do dó sustenido e na
melódica, ainda que o si seja natural, preciso do dó sustenido.

Que escala é essa, então?


É uma escala modal de ré e recebe a denominação dórica. Então, temos um ré dórico! Importante lembrar que começou
no II grau de Dó Maior, mas a nota ré passa a ser considerada tônica (I grau) da escala dórica.
E se eu tocar a partir do III grau?

Estou tocando Mi Maior? Não, fá dó sol e ré são naturais e não sustenidos.


Estou tocando mi menor? Não, na menor natural preciso do fá sustenido, na harmônica do fá sustenido e do ré sustenido
e na melódica, preciso do fá, dó e ré sustenidos.

Que escala é essa, então?


É uma escala modal de mi e recebe a denominação frígia. Então, temos um mi frígio! Importante lembrar que começou no
III grau de Dó Maior, mas a nota mi passa a ser considerada tônica (I grau) da escala frígia.

E se eu tocar a partir do IV grau?

É Fá Maior? Por quê?


É fá menor? Por quê?

É uma escala modal de fá e recebe a denominação lídia. Então, temos um Fá Lídio! Importante lembrar que começou no
IV grau de Dó Maior, mas a nota fá passa a ser considerada tônica (I grau) da escala lídia.
E a partir do V grau?

É Sol Maior? Por quê?


É sol menor? Por quê?

É uma escala modal de sol e recebe a denominação mixolídia. Então, temos um Sol Mixolídio! Importante lembrar que
começou no V grau de Dó Maior, mas a nota sol passa a ser considerada tônica (I grau) da escala mixolídia.

E a partir do VI grau?

É Lá Maior? Por quê?


É lá menor? Por quê?
Além de ser uma escala de lá menor natural, é também uma escala modal de lá e recebe a denominação eólia. Então,
temos um lá eólio! Importante lembrar que começou no VI grau de Dó Maior, mas a nota lá passa a ser considerada
tônica (I grau) da escala eólia. Importante lembrar, também, que essa escala é a menor natural.
E a partir do VII?

É Si Maior? Por quê?


É si menor? Por quê?
É uma escala modal de si e recebe a denominação lócria. Então, temos um si lócrio! Importante lembrar que começou no
VII grau de Dó Maior, mas a nota si passa a ser considerada tônica (I grau) da escala lócria.

A escala de Dó Maior também recebe um nome modal que é jônio. Então, pode ser chamada de Dó Maior ou Dó Jônio.

O sistema tonal (modo maior e modo menor) foi organizado depois do sistema modal. No final da Idade Média a música
erudita foi dando preferência aos modos Jônio e eólio que, na mudança para o sistema tonal receberam a denominação
de Modo Maior (Jônio) e modo menor (eólio). Ainda assim, a música modal não deixou de existir! Pense, como exemplo,
na música brasileira, especialmente no nordeste temos muita música mixolídia e dórica.
Podemos pensar nos graus da escala maior e nas escalas modais geradas, lembrando que precisam ser memorizados:

GRAUS MODOS
I Jônio
II Dórico
III Frígio
IV Lídio
V Mixolídio
VI Eólio
VII Lócrio

Será que tudo o que vimos se aplica somente em Dó Maior? Claro que não, se aplica em todas as tonalidades maiores!
Veja as escalas modais em Sol Maior, com acidente ocorrente:

Sol Maior ou Sol Jônio


Lá Dórico

Si Frígio

Dó Lídio

Ré Mixolídio

Mi Eólio

Fá# Lócrio
E em Mib Maior? Observe que estamos utilizando armadura de clave, e não acidentes ocorrentes.

Mib Jônio

fá dórico

sol frígio

Láb Lídio

Sib Mixolídio

dó eólio

ré lócrio
Se pensamos que as escalas modais estão nos graus da Escala Maior, fica claro que possuem a mesma armadura de clave
(os mesmos acidentes).

Lembre-se que, sempre partindo da Tônica, os intervalos que compõem a Escala Maior ascendente são:
2M 3M 4J 5J 6M 7M

Então fica fácil pensar assim para encontrar as armaduras de clave das escalas modais:

Modos Ação Armadura de Clave


II - dórico Desce uma 2M
III - frígio Desce uma 3M
IV - Lídio Desce uma 4J Tonalidade Maior
V - Mixolídio Desce uma 5J Correspondente
VI - eólio Desce uma 6M
VII - lócrio Desce uma 7M

Alguns exemplos:

Sol dórico – Se é dórico é II grau de uma tonalidade Maior. Desço uma 2M e encontro a tonalidade Maior correspondente,
que é Fá M e tem sib na armadura de clave. Então toco ou escrevo de sol a sol com sib.
Sib frígio - é III grau de Solb M (descemos a 3M). Tocamos ou escrevemos de sib a sib com a armadura de clave de Solb M.

Ré Lídio - é IV grau de Lá M (descemos a 4J). Tocamos ou escrevemos de ré a ré com a armadura de clave de LáM.

Fá Mixolídio - é V grau de Sib M (descemos a 5J). Tocamos ou escrevemos de fá a fá com a armadura de clave de Sib M.

Mi eólio - é VI grau de Sol M (descemos a 6M). Tocamos ou escrevemos de mi a mi com a armadura de clave de Sol M.

Dó# lócrio – é VII grau de Ré M (descemos a 7M). Tocamos ou escrevemos de dó# a dó# com a armadura de clave de Ré M.

Que armadura de clave devemos colocar para as escalas abaixo?

mi dórica

sol frígia
Observe a estrutura em Tom e semitom dos modos:
T

Jônio T T S T T S

Dórico T S T T S T

Frígio S T T S T T

Lídio T T T T T S

Mixolídio T T S T S T

T
Eólio T S T S T T

S
S T T T T T
Lócrio
Comparando as diferenças entre os modos que possuem 3M partindo do Jônio:

Jônio 2M 3M 4J 5J 6M 7M 8J

Lídio 2M 3M 4A 5J 6M 7M 8J

Mixolídio 2M 3M 4J 5J 6M 7m 8J

REFLETIR: Para tocar modo Lídio, penso na tonalidade homônima (mesmo nome) maior e aumento a quarta (4A). Para
tocar modo Mixolídio, penso na tonalidade homônima maior e diminuo a sétima (7m).

Comparando as diferenças entre os modos que possuem 3m partindo do Mixolídio:

Mixolídio 2M 3M 4J 5J 6M 7m 8J

2M 3m 4J 5J 6M 7m 8J
dórico

2M 3m 4J 5J 6m 7m 8J
eólio

frígio 2m 3m 4J 5J 6m 7m 8J

lócrio 2m 3m 4J 5d 6m 7m 8J
REFLETIR: Para o modo dórico é só tocar 3m no modo Mixolídio. Para o eólio penso na homônima menor natural ou
toco 6m no dórico. Para o frígio penso em 2m no eólio (homônima da menor natural). Para o lócrio toco 5d no frígio.

Vamos aplicar algumas reflexões na cantiga “Atirei um pau no gato”:

Tonalidade: Dó Maior ou Dó Jônio

Dó Lídio (4A)
Dó Mixolídio (7m)

dó dórico (7m do mixolídio + 3m)

Aplique as outras e ouça o resultado!


Intervalos característicos dos modos:

Lídio – 4A
Quando comparadas com a Escala Maior/Modo Jônio
Mixolídio – 7m

dórico – 6M
frígio – 2m Quando comparados com a escala menor natural/modo eólio
lócrio – 2m e 5d

Organização do modo mais “aberto” (maior distância entre as notas) para o mais “fechado” (menor distância entre as
notas):

Lídio
Jônio
Mixolídio
dórico
eólio
frígio
lócrio
Finalizando:

Abordamos algumas maneiras de entender os modos partindo da Escala Maior. Aprendemos:

• os nomes dos sete modos e sua “localização” na Escala Maior.


• encontrar a armadura de clave dos modos.
• a estrutura em Tom e Semitom dos modos.
• os intervalos, partindo da tônica, que compõem cada modo.
• os intervalos característicos de cada modo.

Refletimos sobre as diferenças entre os modos e sua aplicação prática, usando como exemplo a cantiga Atirei o pau no
gato.

 Você toca música modal no seu repertório?

 Você tem alguma informação sobre modos para compartilhar?

 Será que podemos montar Campo Harmônico nas escalas modais?

 Experimente “transformar” a música tonal que você toca em música modal. O resultado certamente será
surpreendente!!!!

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