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Instituto Superior de Gestão, Comércio E Finanças Faculdade de Administração E Gestão Curso de Licenciatura em Direito

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INSTITUTO SUPERIOR DE GESTÃO, COMÉRCIO E FINANÇAS

FACULDADE DE ADMINISTRAÇÃO E GESTÃO

Curso de Licenciatura em Direito

Análise do Registo de Nascimento no Distrito de Chimbonila no período compreendido


entre 2016 a 2018

Constantino Sabias Faera

Lichinga, Maio de 2019


INSTITUTO SUPERIOR DE GESTÃO, COMÉRCIO E FINANÇAS
Faculdade de Administração e Gestão

Análise do Registo de Nascimento no Distrito de Chimbonila no período compreendido


entre 2016 a 2018

Monografia a ser submetida no Instituto


Superior de Gestão, Comércio e Finanças
(ISGECOF) com os comprimentos parcial
dos requisitos necessários para obtenção do
grau de Licenciatura em Direito.

Candidato: Supervisor:

Constantino Sabias Faera Fernando Manuel

___________________ ____________________

Lichinga, Maio de 2019


iii

Declaração sob compromisso de honra

Declaro por minha honra que o presente trabalho é inteiramente de minha autoria e nunca foi
anteriormente apresentado para avaliação. Entretanto constitui o resultado da minha pesquisa na
Conservatória e nas consultas bibliográficas que foram usadas durante o trabalho.

Lichinga, Maio de 2019


––––––––––––––––––––
Constantino Sabias Faera
Índic
e
Declaração.....................................................................................................................................iii

Agradecimento................................................................................................................................iv

Dedicatória.....................................................................................................................................vi

Lista de apêndices.........................................................................................................................vii

Lista de tabelas..............................................................................................................................vii

Resumo.........................................................................................................................................viii

Lista de abreviaturas......................................................................................................................ix

INTRODUÇÃO...............................................................................................................................1

CAPÍTULO 1...................................................................................................................................6

DODIREITO DO CONSUMIDOR.................................................................................................6

Evolução Histórica Direito do consumidor.....................................................................................6

Noção do Direito do Consumidor....................................................................................................9

1.2. Responsabilidade civil do fornecedor pelo vicio do Producto e do serviço...........................10

[Link] responsabilidade civil do fornecedor pelo vicio do serviço...............................................13

[Link] responsabilidade civil do fornecedor pelo vicio do bem....................................................14

[Link] a reparação de danos....................................................................................................14

[Link] e Tipos de Defeito.......................................................................................................15

CAPITULO 2.................................................................................................................................16

RELAÇÃO DE CONSUMO.........................................................................................................16

2.1. Conceito da Relação de consumo...........................................................................................16

2.2. Objecto da Relação de Consumo............................................................................................18

[Link] do consumidor.........................................................................................................23

[Link] de garantias....................................................................................................................24

CAPÍTULO 3.................................................................................................................................25
DOS CONTRATOS DE ADESÃO...............................................................................................25

3.1. - Conceito de contrato de Adesão...........................................................................................25

3.2 - Natureza Jurídica...................................................................................................................28

3.3 - Os limites da autonomia da vontade......................................................................................30

3.4 - Elementos caracterizadores do contrato de adesão...............................................................32

3.5-Princípios Contratuais.............................................................................................................33

3.6-Regime de responsabilização nos contratos de consumo........................................................38

3.7- Cláusulas abusivas..................................................................................................................39

CAPITULO 4.................................................................................................................................43

ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DE DADOS............................................................................43

CAPITULO 5.................................................................................................................................49

DIREITO COMPARADO.............................................................................................................49

Brasil..............................................................................................................................................49

Portugal..........................................................................................................................................50

CONCLUSÃO...............................................................................................................................51

RECOMENDAÇÕES....................................................................................................................52

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS..........................................................................................53

APÊNDICE....................................................................................................................................54

ANEXOS.......................................................................................................................................60

iv
iv

Agradecimento

Meu agradecimento especial a Deus, pelo Seu infinito amor, aos docentes do curso de
Licenciatura em Direito, com especial destaque ao meu Supervisor dr. Fernando Manuel, que
esteve sempre disponível, que me prestou o seu apoio sempre que necessitei e me esclareceu
todas as dúvidas suscitadas ao longo da elaboração da Monografia.

Agradeço também à minha família e amigos, que muito contribuíram com a sua compreensão e
apoio ao longo de todos estes meses de dedicação à investigação e redacção, bem como agradeço
a todas as pessoas que se disponibilizaram a ajudar-me com o seu importante contributo nas
respostas às questões por mim colocadas.
v

Dedicatória

Dedico este trabalho à minha família e amigos que graças a eles foi possível realizar grande parte
dos meus sonhos.

.
vi

Lista de apêndices

Questionário Dirigido aos Funcionários ------------------------------------------------------------------------A 1.1

Questionário Dirigido aos Cidadãos------------------------------------------------------------------ A1.2

Questionário dirigido aos Funcionários que ocupam cargos de chefia ou Direcção----------- A 1.3

vii
vii

Lista de tabelas
viii

Resumo
ix
Lista de abreviaturas

Art. - Artigo

CRM - Constituição da Republica de Moçambique

CDC: Código de Defesa do Consumidor.


Ed. - Edição

Ed. - Editora

no. - Número

arts. - Artigos

ss- seguintes

Vol. Volume
pp. páginas

ix
INTRODUÇÃO

O presente trabalho tem como tema Análise do Registo de Nascimento no Distrito de


Chimbonila no período compreendido entre 2016 a 2018. Onde o mesmo tem por finalidade
avaliar as razões pelas quais os Cidadãos do Distrito Chimbonila não registarem seus filhos e
qual implicação legal disto , se há ou não responsabilização dos encarregados por parte da Lei e
da sociedade em estudo , tendo em conta que não há sociedade sem direito , com base estes
fundamentos o tema é de estrema importância jurídica e Social , uma vez que o direito a
identidade ou nome é um direito fundamental

Contextualização

O presente tema encere-se num contexto actual, visto que tem-se verificado no seio da sociedade
Moçambicana. No entanto a Lei no 10/2004 de 25 de Agosto (Lei de família) no seu artigo 205,
faz menção que os filhos tem o direito de ser imediatamente registados depois do seu nascimento
e o mesmos tem o direito de ter um nome próprio e usar o apelido da família dos pais .Por tanto
o registo de nascimento é obrigatório.

Por outro lado o registo de nascimento é instrumental para salvaguardar os direitos humanos,
uma vez que constitui a “prova” oficial da existência de uma criança. Essa documentação é
crucial. A “invisibilidade” das crianças não-registadas aumenta a sua vulnerabilidade e o risco de
as violações dos seus direitos passarem despercebidas.

Os artigos 7.º e 8.º da Convenção sobre os Direitos da Criança determinam as obrigações dos
Estados Partes na garantia do registo de nascimento a todas as crianças. No entanto
juridicamente o não registo significa, violação do direito fundamental do individuo, sem ele, a
criança não pode aceder aos serviços sociais básicos na idade apropriada, incluindo o ingresso
escolar e não só, no caso de separação da família durante uma calamidade natural tais como
cheias, por exemplo, sem tal registo de nascimento, a reunificação das crianças às suas famílias
torna-se numa tarefa difícil. As crianças que não estão registadas também ficam mais vulneráveis
à vários abusos associados à idade, incluindo os casamentos prematuros, trabalho infantil,
recrutamento militar, exploração sexual, detenção em instalações prisionais para adultos e
condenação como adulto. A criança precisa também de certidão de nascimento para herdar
propriedade de um pai falecido.

2
Justificativa

A escolha do tema foi feita por se tratar de assunto da mais elevada importância social e jurídica,
motivo de debates políticos e grandes inovações legislativas, no sentido de facilitar e incentivar o
acesso da população à documentação civil básica para o melhoramento em vários níveis da vida
atendendo e considerando que o registo de nascimento é um direito fundamental. Portanto a
relevância do estudo assenta no facto do registo de nascimento ser importante no âmbito jurídico,
as constatações e resultados deste estudo poderão ajudar para o desenho e melhoria das
actividades dos registos civis e ira ajudar no conhecimento dos benefícios que o registo de
nascimento tem.

Problematização

O estudo do presente tema está preocupado com o elevado número de violação dos registos de
nascimento que se tem verificado no período em análise na Província de Niassa concretamente
no Distrito de Chimbonila.

Conforme o plasmado na Lei n.º 12/2004, de 8 de Dezembro (Código de Registo Civil), no seu
artigo 1, n.º 1, conjugado com o artigo 205 da Lei n o 10/2004 de 25 de Agosto (Lei de família),
o registo de nascimento é obrigatório e faz menção que os filhos tem o direito de ser
imediatamente registados depois do seu nascimento . Como descrito no texto legal, todo
nascimento deve ser registado; portanto é um dever dos pais providenciar o registo de seus
filhos. No entanto, pode-se dizer que o registo é um direito da criança, até mesmo da pessoa
humana, que só passa a exercer efectivamente seus direitos com a lavratura de seu assento em
cartório de registo civil. Apenas desta forma o Estado e a sociedade toma conhecimento de sua
existência. De se salientar que somente com a apresentação de certidão de nascimento é possível
a retirada dos demais documentos como o registo geral de identificação civil, atendimento
médico-hospitalar, matrículas em Escolas e demais instituições de ensino.

Portanto, além de um direito da criança, pode-se dizer que o acto de providenciar o registo de
nascimento dos filhos junto ao cartório é um dever dos pais, decorrente do poder familiar,
fundamentado no art. 205 da Lei de Família. Face a fundamentação acima descrita se levanta a
seguinte questão: Até que ponto os cidadãos que violam o direito do Registo de Nascimento das
crianças respondem civilmente?

3
Metodologia do trabalho

O presente estudo usou a revisão bibliográfica de obras de alguns autores na área dos Registos
Civil e também consultará outras fontes que tratam dos Registos Civil, sem deixar de lado a
entrevista que foi feita.

Tipo de Pesquisa

O estudo é qualitativo, pois, segundo Vilelas (2009), existe uma dinâmica entre o mundo real e o
sujeito e dá um vínculo inseparável entre o mundo objectivo e a subjectividade do sujeito que
não pode ser traduzido em números.

Para Sampieri et all (2006), o enfoque qualitativo é utilizado na colecta de dados sem medição
numérica para descobrir ou aperfeiçoar questões de pesquisa e pode ou não provar hipóteses em
seu processo de interpretação.
Quanto ao objectivo geral foi uma pesquisa descritiva-interpretativa porque segundo, Trivinos
(1987), a pesquisa descritiva exige do investigador uma série de informações sobre o que deseja
pesquisar. Este tipo de estudo descreve os factos e fenómenos de uma determinada realidade.
Para Fonseca (2002, p.33), a perspectiva interpretativa “procura compreender como é o mundo
do ponto de vista dos participantes”, ou uma perspectiva pragmática que “visa simplesmente
apresentar uma perspectiva global, tanto quanto possível completa e coerente, do objecto de
estudo do ponto de vista do investigador”.

Instrumentos de recolha de dados

Tratando-se de um estudo qualitativo, os instrumentos de recolha de dados foram concebidos de


tal forma que coincidissem com questões ligadas às práticas, percepções e atitudes.
Técnicas de Pesquisa
As técnicas para a recolha de dados foi usado a entrevista, observação e a análise documental,
dado que estas técnicas de acordo com Sampieri et all (2006, p.10) envolvem a colecta de dados
sem que se faça a medição e nem associar as medições a números.

4
Entrevista:

A entrevista é um instrumento básico de recolha de dados. Como também referem Marconi &
Lakatos (2004:278), «a entrevista por ser de natureza interactiva, permite tratar de temas
complexos que dificilmente podiam ser investigados de forma adequada através de questionários,
explorando - os em profundidade». {A observação como técnica básica de investigação
científica, utilizada na pesquisa de campo» Marconi & Lakatos (2004:275)}.

Universo e amostra

Universo

Para o presente estudo, será definida como população-alvo, o conjunto formado pelos
Funcionários dos Registos Civil do Distrito de Chimbonila e Cidadãos .

Neste contexto, o universo em causa foi constituído por 50 indivíduos, sendo: 19 Funcionários
sem cargos de Chefia; 1 Funcionários com cargo de chefia e 30 Cidadãos residentes no Distrito
Chimbonila.

Amostra

Em termos de trabalhos com esses indivíduos será por via de uma amostragem não probabilística
porque, segundo Sampieri et all (2006, pp.271-271) as amostras não probabilísticas “são de
grande valor, pois conseguem ao proceder cuidadosamente e com uma profunda imersão inicial
no campo, obter os casos (pessoas, contextos, situações) que interessam ao pesquisador e que
oferecem uma grande riqueza para colecta a análise de dados”.

5
CAPÍTULO I

DO REGISTO EM GERAL E DO REGISTO CIVIL

1. Enquadramento histórico do registo

A utilidade pública e particular do registo civil, na exacta medida em que preserva de forma
duradoura a memória de actos e factos praticados ao longo da vida, ao nível das consequências
jurídicas que de alguns deles advêm, designadamente, quanto à sua oposição a terceiros, sempre
se fez denotar como sendo da maior relevância.

Lopes (2001- 9) a preocupação em conhecer a verdadeira situação jurídica das pessoas e coisas,
bem como, a possibilidade de provar a ocorrência de factos relevantes para as relações jurídicas,
constituiu preocupação, desde a antiguidade, para os cidadãos. Estes, na busca da certeza
jurídica, sempre diligenciaram no sentido de conhecer com verdade as situações jurídicas de
pessoas e coisas, a fim de estabelecerem laços contratuais sólidos e que contribuíssem para a
concretização e manutenção de relações jurídicas duradouras, participando, assim, na construção
da confiança na vida em sociedade.

Neste sentido, na velha Mesopotâmia, fizeram-se registar em pedras a transacções de imóveis,


que delimitavam os limites das propriedades; na Grécia Antiga a transferência de propriedade
operava-se por efeito do contrato (existindo já um sistema de publicidade do registo da
propriedade, destinado à informação de terceiros)29, o registo de nascimento efectuava-se na
dema e na fratia (para efeito de recenseamento dos cidadãos); em Roma existiam cúrias
municipais, cujos funcionários se designavam scribae ou curiales, que tinham por função
elaborar os cadastros prediais, existindo, ainda, guardiões (em alguns templos) cuja função era
receber as declarações de nascimentos e de óbitos, a fim de facilitar os censos; ainda no Antigo
Egipto se celebravam contratos de alienação de propriedades rústicas e urbanas, cujos registos de
efectuavam através de inscrições, destinadas a garantir a legitimidade das transmissões dos
direitos reais.

Contudo, parece que a prática usual do registo civil se deveu a costumes do clero católico, desde
os primeiros séculos do cristianismo, procedendo-se ao registo dos batismos, a fim de se fazer
respeitar os impedimentos matrimoniais e, ainda, os óbitos para o cumprimento de cerimónias

6
fúnebres Em Portugal, data do século XVIII, o assinalar da existência de oficiais públicos, cuja
intervenção em determinados instrumentos de direitos privado, tais como contratos, conferiam
aos atos praticados perante aquele a natureza de documentos/escritos autênticos34, pese embora,
ainda no âmbito do registo paroquial, a primeira medida adoptada, datada de 1536, seja atribuída
ao arcebispo de Lisboa, Cardeal-Infante Dom Afonso.

Coube, inclusivamente, ao referido arcebispo a iniciativa da proposta, feita no Concílio de


Trente, celebrado entre 1546 e 1563, de generalizar, a todas as paróquias de Portugal, a
obrigatoriedade dos registos de nascimentos, de casamento e óbito. Não obstante a aceitação
desta proposta, as paróquias não adoptaram um modelo uniforme e padronizado de registos, o
que se traduziu, a título de exemplo, no que respeita aos nascimentos, em diversos assentos
apenas assinados pelo sacerdote batizante, do pároco ou de testemunhas que houvessem assistido
ao batizado36, não sendo seguido nenhum modelo padrão que conferisse alguma uniformização
aos assentos lavrados no ordenamento jurídico.

Em todo o caso, e de acordo com Seabra Lopes, José Alberto González e Rui Januário, apenas no
século XVIII, se organizou um verdadeiro sistema de registos, pese embora ainda imobiliários
(1836), com a criação do registo de hipotecas e, posteriormente, em 1869, foram criadas as
primeiras conservatórias de registo predial, sendo certo que o primeiro Código de Registo Predial
data de 192237.

Ainda assim, apenas no século XIX, a legislação relativa ao registo civil, passou a compreender
disposições relativas a católicos e não católicos.

O Código Civil de Seabra (de 1867) criou o registo de casamentos não católicos, cuja
competência foi atribuída às autoridades civis39. A primeira tentativa de instituição do registo
civil obrigatório coube a Mouzinho da Silveira, pela aprovação de Decreto de 16 de Maio de
1832, tentativa esta que saiu frustrada.

Através do Regulamento de 28 de Novembro de 1878, a aplicação do referido Decreto veio a ser


apenas delimitada aos casamentos entre não católicos, sendo certo que o registo civil obrigatório
apenas se veio a aplicar de forma generalizada a todos os cidadãos a partir de 18 de Fevereiro de
1911, que entrou em vigor a 1 de Abril desse mesmo ano, sendo alterado posteriormente e
substituído por diversos diplomas, até ao Código de Registo Civil de 193241. Esta última

7
alteração veio determinar o encerramento dos registos paroquiais, que se destinavam a cidadãos
católicos, e que eram regidos pelo Regulamento Paroquial de 186242.

O Código de Registo Civil de 1932 também foi sujeito a diversas alterações, da qual destacamos
a Concordata celebrada entre a Santa Sé e o Governo de Portugal, de 7 de Maio de 1940,
introduzida no ordenamento jurídico português pelo Decreto – Lei nº 30615, de 25 de Julho de
194043.

A criação do registo civil deveu-se, assim, à evolução social e económica que os diversos países
atravessaram, designadamente, ao aumento do tráfego jurídico (próprio de sociedades bem
organizadas), que implicou que a prova dos factos resultantes dos mais diversos negócios
jurídicos, leia-se compreendendo os sujeitos intervenientes e coisas objecto daqueles, fosse
“cimentada” por uma necessária segurança jurídica.

Acompanhando José Alberto González e Rui Januário, o registo civil, na medida em que guarda
a constância de determinados factos da vida jurídica, política, social e económica é, a título de
exemplo, indispensável para a prova da nacionalidade (para o exercício dos direitos políticos);
para a prova do nascimento e filiação (no primeiro caso é exigida uma idade mínima para a
celebração de determinados negócios – capacidade civil – ou ainda para exercer o direito de voto
– capacidade eleitoral); ou para a prova do estado de casado (que será necessário para a
celebração de determinados negócios, dependendo, também, do regime de bens sob o qual seja
celebrado o casamento, ou para obstar à bigamia)45.

É certo que tais factos poderiam ser provados testemunhalmente mas, em nossa opinião, não
menos certo é que esta prova é falaciosa, não apresentando, tal como refere José Alberto
González e Rui Januário, qualquer precisão ou duração, afiançáveis do ponto de vista da
segurança jurídica46.

No que respeita ao ordenamento jurídico angolano e tendo em conta que Angola se encontrou
numa situação de guerra civil durante várias décadas, verificou-se a destruição total ou parcial de
grande parte das infraestruturas de registo de civil, bem como a destruição dos seus arquivos.

Por outro lado, cabe-nos assinalar, que as dificuldades que existiam relativamente à circulação de
pessoas, entre outros constrangimentos impostos pelo longo período de guerra contribuíram para

8
que a população, principalmente nas zonas rurais e limítrofes, fossem perdendo,
progressivamente, hábitos registais.

Actualmente, em Angola, verifica-se, embora sem dados oficiais, que grande parte da população
não possui registo de nascimento de modo a certificar a sua existência jurídica, sendo certo que a
consequência desta não certificação é a não contagem destes, para as estatísticas do Estado.

Importa referir que a Constituição da República de Angola no seu artigo 56º determina que o
Estado reconhece como invioláveis os direitos e liberdades fundamentais nela consagrados e que
ao Estado, compete criar as condições que garantam a sua efetivação, sendo que um destes
direitos é precisamente o direito à identidade.

Assim, a cidadania de um indivíduo inicia-se com o registo do seu nascimento, sendo que é deste
modo que o cidadão poderá exercer plenamente todos os direitos de que é titular, competindo ao
Estado, no caso concreto na figura do Ministério da Justiça e dos Direitos Humanos, criar
mecanismos e políticas para a efetivação do referido direito à identidade, de modo a que o
cidadão possa aceder a tantos outros direitos, tais como o direito ao voto, o acesso ao emprego, à
educação, à segurança social, entre outros.

Não faremos um sucinto enquadramento histórico do registo civil em Angola, pelo motivo
enunciado. É difícil reconstituir a sua história, porque se “perdeu” no tempo e na guerra, a
resenha do registo civil angolano. Cabe-nos agora iniciar uma nova etapa, reconstruindo todo um
percurso “apagado”, orientado para restituição aos cidadãos daquilo de que foram privados.

9
CAPÍTULO 2

1. Registo de Nascimento

No sentido do que agora ficou exposto, podemos afirmar que o registo resulta da necessidade de
guardar, para efeitos posteriores, a memória dos factos susceptíveis de produzir efeitos de direito,
factos jurídicos, com o escopo principal de fazer prova da ocorrência daqueles, bem como,
conferir-lhes publicidade.

De acordo com Seabra Lopes (2001: 13) há que distinguir entre registos administrativos e
registos de segurança jurídica, uma vez que a publicidade e a certeza jurídica dos factos
publicitados não é característica de todos os registos públicos.

Face ao tema por nós delimitado, impõe-se fazermos desde já uma abordagem ao registo de
nascimento, sendo certo que o nascimento é, à partida, o momento essencial do início da vida
jurídica das pessoas singulares, que permitirá por via do registo o acesso e o exercício de outros
direitos98. Neste sentido, institui-se a obrigatoriedade de registo deste facto jurídico.

Sendo certo que é com o nascimento completo e com vida que se dá origem à personalidade
jurídica99, este facto permite também estabelecer a ligação da pessoa a uma determinada a uma
família100, determinar a sua idade, sexo, parentesco e nacionalidade101, constituindo o registo
civil, designadamente, o registo de nascimento, a via de publicitar os atos e factos atinentes ao
estado pessoal e à capacidade das pessoas singulares.

Forma de lavrar o registo

Os factos que consubstanciam objeto de registo civil são registados por via de assentos ou
averbamentos. Os assentos podem ser lavrados por inscrição ou transcrição. O assento
compreende o texto do registo e os averbamentos lavrados na sua sequência ou na sua
margem159.

Os assentos são lavrados por inscrição160 ou por transcrição161. No primeiro caso, sempre que
declarados diretamente na Conservatória competente para o efeito; no segundo caso, sempre que

10
lavrados com base em declaração prestada em outra conservatória, ou em sentença judicial, ou
certidões emitidas por organismos de registo civil estrangeiros, como é o caso do assento de
nascimento lavrado no estrangeiro162. Assim, são lavrados por transcrição, os assentos que
tenham por base um documento, quando sejam declarados em conservatória intermediária ou
lavrados com base em registo lavrado no estrangeiro perante os órgãos de registo civil locais.

Os assentos transcritos são lavrados com os elementos extraídos dos documentos apresentados
para a devida inscrição no registo e devem permanecer arquivados na conservatória por terem
servido de base ao registo163.

Os averbamentos registam as alterações aos elementos constantes dos assentos. Neste sentido,
todos os atos ou factos que alterem o conteúdo original ou superveniente dos assentos lavrados
ingressam no registo civil por força do averbamento.

Os averbamentos que devem ser feitos aos assentos de nascimento164, casamento, óbito,
declaração de perfilhação e de maternidade encontram-se previstos nos art.º 87 a 93, pese
embora não tenham caráter exaustivo.

Os averbamentos são feitos à margem ou na sequência dos assentos e fazem parte integrante
deste, nos termos do art.º 63 Cód. Reg. Civ.

Os averbamentos lavrados com base em documentos devem ser devidamente assinados pelo
conservador ou por pessoa com competência para o efeito, sendo certo que, regra geral, todos os
averbamentos devem ser assinados pelo conservador ou qualquer funcionário sob a sua
responsabilidade165.

Regras de competência

À Conservatória dos Registos Centrais compete lavrar registos169 de nascimento ou de óbito de


cidadãos angolanos, ocorrido no estrangeiro; de nascimento ou de óbito ocorrido em viagem, a
bordo de navio ou aeronave angolana; de casamento celebrado no estrangeiro, se algum dos
nubentes for angolano; de convenções antenupciais referentes a casamentos celebrados no
estrangeiro, se algum dos nubentes for angolano; de casamento urgente contraído em campanha,
no estrangeiro, por militares angolanos, ou de qualquer outra nacionalidade se os nubentes se
encontrarem a bordo de navio ou aeronave angolanas; de tutela, administração de bens, curatela

11
ou curadoria, se o menor, interdito, curatelado ou ausente tiver nascido no estrangeiro; de todos
os factos sujeitos a registo, não especificados anteriormente, respeitantes a angolanos, quando
ocorridos no estrangeiro; de transcrição de atos de registo, realizados no estrangeiro perante as
autoridades locais, referentes a cidadãos estrangeiros; de transcrição das decisões proferidas
pelos tribunais estrangeiros, nos termos do art.º 7 nº 1 e 2 do Cód. Reg. Civ. Não obstante, no
caso de nascimento ou de óbito de cidadãos angolanos, ocorrido no estrangeiro; de casamento
celebrado no estrangeiro, se algum dos nubentes for angolano; de convenções antenupciais
referentes a casamentos celebrados no estrangeiro, se algum dos nubentes for angolano; ou de
todos os factos sujeitos a registo, não especificados anteriormente, respeitantes a angolanos,
quando ocorridos no estrangeiro, se os respetivos assentos tiverem sido lavrados pelos agentes
diplomáticos ou consulares angolanos, a Conservatória do Registo Central procede apenas à
integração dos assentos no respetivo livro170.

Às conservatórias de registo civil compete registar os factos sujeitos a registo obrigatório


ocorrido em território angolano, seja qual for a nacionalidade das pessoas a quem respeitem, não
obstante o que agora ficou exposto quanto à Conservatória dos Registos Centrais171.

A competência em razão da matéria das conservatórias do registo civil está definida no art.º 13
do Cód. Reg. Civ., que atribui competência para a prática de todos os factos ocorridos em
território angolano, independentemente da nacionalidade do indivíduo, com a exceção dos atos
que são da competência da Conservatória dos Registos Centrais172.

A regra geral da competência das conservatórias é defina através da residência habitual das
pessoas a quem o registo respeita ou, subsidiariamente, pela sua naturalidade, caso não exista
norma que determine o contrário173.

Contudo, podem ser prestadas em conservatórias intermediárias, conforme previsto no art.º 15


Cód. Reg. Civ., as declarações para atos de registo ou para instauração de quaisquer processos
previstos no código de registo civil174.

O conservador ou oficial com poderes para o efeito na conservatória intermediária, deve


proceder à análise da identidade do declarante e os documentos que devem instruir os atos ou
processos, não obstante a sua redução a auto, nos termos do art.º 80 do Cód. Reg. Civ.175.

12
Nos termos do art.º 17 do CRC compete, ainda, aos postos hospitalares receber as declarações de
nascimento e óbitos ocorridos no respetivo estabelecimento, bem como reduzi-las a auto.

12. Do registo de nascimento em Angola

Dispõe o art.º 119 do Cód. Reg. Civ. que o nascimento ocorrido em território angolano deverá
ser declarado verbalmente na conservatória da área do nascimento176, no prazo de 30 dias,
contando do dia seguinte ao nascimento, aplicando-se para o efeito de contagem de prazo o
disposto no art.º 279 CC angolano. O registo de nascimento é lavrado através de assento, pese
embora existam casos em que será lavrado por transcrição, como é o caso do registo do
abandonado (art.º 135 Cód. Reg. Civ.).

A declaração de nascimento compete, de forma obrigatória e sucessiva, nos termos do art.º 120
CRC ao pai; à mãe; ao parente capaz mais próximo, que se encontre no lugar do nascimento; ao
diretor do estabelecimento onde o parto tiver ocorrido, ou ao chefe de família residente na casa
onde o nascimento se verificar; ao médico ou parteira assistente e, na sua falta, a quem tiver
assistido ao nascimento; qualquer pessoa incumbida de prestar a devida declaração pelo pai ou
pela mãe do registando, ou por quem o tenha a seu cargo. A declaração feita por qualquer uma
das pessoas ora indicadas desonera os restantes da respetiva declaração.

O declarante do registo de nascimento deve ser maior de idade, a menos que se trate do pai ou
mãe biológicos (que podem ser menores), ou se trate do próprio registando no âmbito de uma
declaração tardia de nascimento, de acordo com o art.º 125 Cód. Reg. Civ. que dispõe que
quando o registando tiver mais de 14 anos de idade poderá requerer a inscrição tardia no registo,
pese embora devam ser ouvidos em auto os pais do registando177.

Quando a declaração seja feita por qualquer pessoa incumbida de prestar a declaração pelo pai
ou pela mãe do registando, ou por quem o tenha a seu cargo, não deve constar do assento que o
declarante foi incumbido de fazer a declaração ou que tem o menor a seu cargo, uma vez que não
se exige a prova e que o declarante foi incumbido de tal tarefa178. Caso se suscitem dúvidas ao
conservador este deve faze intervir duas testemunhas no assento de nascimento.

13
Na prossecução do objectivo pretendido pelo Estado angolano de se proceder ao registo de todos
os nascidos em território nacional, o art.º 112 do CRC prevê as sanções aplicáveis no caso de não
se proceder à devida comunicação.

Neste sentido, se decorrido o prazo legal, e a declaração de nascimento não houver sido feito,
tanto os funcionários do registo civil, como as autoridades administrativas ou, ainda, qualquer
pessoa que tome conhecimento do facto, devem participar o facto ao MP179, que por sua vez
deve promover procedimento criminal contra quem se encontra em incumprimento (a pessoa
obrigada a prestar a devida declaração), bem como deve proceder à recolha dos elementos
necessários a fim de se regularizar a situação registal180, suprimindo a omissão. por sua vez
deve promover procedimento criminal contra quem se encontra em incumprimento (a pessoa
obrigada a prestar a devida declaração), bem como deve proceder à recolha dos elementos
necessários a fim de se regularizar a situação registal180, suprimindo a omissão.

2. Registo de Nascimento

O Código do Registo Civil, aprovado pela Lei n.º 12/2004, de 8 de Dezembro, define o Registo
de nascimento como sendo o acto obrigatório de ir declarar perante as autoridades civis o
nascimento do indivíduo para que possa ter reconhecimento legal dos seus direitos e é a partir do
registo de nascimento que o Estado reconhece a existência da pessoa, permitindo assim planificar
o desenvolvimento do pais com o registo efectuado a pessoa passa a gozar dos direitos
fundamentais nomeadamente o direito ao nome, a filiação, a cidadania e consequentemente a
nacionalidade e outros.

Segundo Serpa Lopes (apud, MACRAKIS, 2000, p.24): O estado civil de uma pessoa tem iní cio
com o nascimento, encerrando-se com a morte. É de se observar, que entre esses dois momentos
há uma série de factos e actos jurídicos, dos quais resultam modificações Sensíveis e importantes
na vida da pessoa humana.

2.1. Objecto do registo civil

Tem por objecto os seguintes factos:

14
a) O nascimento;

b) A filiação;
c) A adopção;
d) O casamento;
e) As convenções antenupciais e as alterações, na constância do casamento, do regime de bens
convencionados ou legalmente fixados;
f) O óbito;
g) A emancipação;
h) A regulação do exercício do poder parental, sua alteração e cessação;
i) A inibição ou suspensão do poder parental e as providências limitativas desse poder;
j) A interdição e a inabilitação definitivas, a tutela de menores ou interditos, a administração de
bens de menores e a curatela de inabilitados;
k) A curadoria provisória ou definitiva de ausentes e a morte presumidas;
l) Os que determinem a modificação ou extinção de qualquer dos factos indicados e os que
decorram de imposição legal.

1.2.Órgãos do Registo Civil

São órgãos normais dos Serviços de Registo Civil:

a) Conservatórias dos Registos Centrais;


b) Conservatório do Registo Civil;
c) Postos do Registo Civil.

[Link]ão do Registo de Nascimento

A certidão do registo de nascimento é a narrativa completa ou cópia integral do texto de assento


de nascimento atribuído ao indivíduo no acto do registo de nascimento. Nela contém a
informação referente aos dados pessoais de nascimento do indivíduo, dados dos seus pais,
avoenga paterna, avoenga materna, declarante, testemunhas, declaração e assinatura do
conservador.

15
O procedimento de emissão de uma certidão do registo de nascimento nas conservatórias
resume-se nos seguintes actos interdependentes: apresentação do cidadão no sector de pedido das
certidões, onde deve portar consigo a cédula pessoal ou boletim de nascimento ou, ainda, uma
certidão antiga, para facilitar o processo de busca no livro; o funcionário confere se o cidadão
pertence a conservatória através dos documentos apresentados; uma vez conferido, o funcionário
anota nas folhas de pedido e entrega um recibo ao cidadão; os pedidos são enviados para o sector
técnico, onde se efectua a busca dos livros e se emite as certidões; o conservador ou outra pessoa
competente assina as certidões; por fim, o levantamento.

Normalmente os cidadãos requisitam uma certidão do registo de nascimento para diversas


finalidades que assim exigem, como para tratar o bilhete de identidade, passa porte, matrícula na
escola, casamento, divórcio, capacidade matrimonial, habilitação de herdeiros, averiguação de
paternidade, emprego, transcrição do registo, emancipação, bolsa de estudo, apresentação dos
Dados de filhos no serviço, óbito, etc.

1.4. A importância do Registro civil de nascimento

O Registro Civil de Nascimento significa a primeira prova documental da existência legal do


indivíduo, de sua identificação e da sua relação com o Estado, condições fundamentais ao
exercício da cidadania embora a existência do indivíduo, como fato natural, independe da sua
formalização (MACRAKIS:2000).

Em Moçambique , são os registos civis que conferem identidade formal ao cidadão


possibilitando seu acesso a diversos serviços prestados pelo governo, ficam, portanto,
condicionadas a este sistema as etapas subseqüentes do processo, no que diz respeito ao direito à
cidadania, ao uso dos serviços de saú De acordo com Serpa Lopes (apud, MACRAKIS, 2000,
p.24):

O estado civil de uma pessoa tem início com o nascimento, encerrando-se com a morte. É de se
observar, que entre esses dois momentos há uma série de fatos e actos jurídicos, dos quais
resultam modificações sensíveis e importantes na vida da pessoa humana.

16
Conforme Macrakis (2000) , as mudanças no estado civil dos homens determinam sua posição
na sociedade e estas não podem ficar à mercê da memória dos interessados. Por serem actos
fundamentais, elas precisavam ser conhecidas com absoluta segurança e à prova de quaisquer
dúvidas, de modo que caracterizasse actos declarados válidos e autênticos. Por isso, o Estado
organizou, através de leis e decretos, o aparelhamento técnico hoje chamado de Registro Civil
das Pessoas Naturais de e educação, o direito ao voto, o acesso ao mercado de trabalho etc.

Dessa maneira, o registo civil é composto por um sistema de anotações de fatos e actos jurídicos
e rotinas burocráticas que perpassam as atribuições de escrituração, organização, publicidade e
conservação dos registos civis e certidões públicas, a cargo de um oficial público, para
documentar o estado civil das pessoas.

Portanto Conforme o plasmado na Lei n.º 12/2004, de 8 de Dezembro (Código de Registo Civil),
no seu artigo 1, n.º 1, conjugado com o artigo 205 da Lei n o 10/2004 de 25 de Agosto (Lei de
família), o registo de nascimento é obrigatório e faz menção que os filhos tem o direito de ser
imediatamente registados depois do seu nascimento . Como descrito no texto legal, todo
nascimento deve ser registado; portanto é um dever dos pais providenciar o registo de seus
filhos. No entanto, pode-se dizer que o registo é um direito da criança, até mesmo da pessoa
humana, que só passa a exercer efectivamente seus direitos com a lavratura de seu assento em
cartório de registo civil. Apenas desta forma o Estado e a sociedade toma conhecimento de sua
existência.
De se salientar que somente com a apresentação de certidão de nascimento é possível a retirada
dos demais documentos como o registo geral de identificação civil, atendimento médico-
hospitalar, matrículas em Escolas e demais instituições de ensino.
Portanto, além de um direito da criança, pode-se dizer que o acto de providenciar o registo de
nascimento dos filhos junto ao cartório é um dever dos pais, decorrente do poder familiar,
fundamentado no art. 205 da Lei de Família.

17
CAPÍTULO 3

PRINCÍPIOS DO DIREITO REGISTRAL

3.1. Conceito dos Princípios do Direito Registral

Princípios são regras gerais que a doutrina identifica como condensadoras dos valores
fundamentais de um sistema. Por meio de um processo lógico denominado abstracção indutiva,
os estudiosos extraem da totalidade de normas específicas as ideias -chave que animam todo o
complexo de regras.

Neste segmento, dentre diversas possibilidades, abordam-se alguns princípios entendidos como
os mais fundamentais para a organização e prestação dos serviços Notarias e de Registo, sendo
eles:

3.2. Princípio da Publicidade

O princípio da publicidade orienta o carácter eminentemente público desta actividade, uma vez
que o próprio acto gera publicidade e, em razão de ser de conhecimento de todos, torna-se uma
condição oponível erga omnes. A publicidade nos serviços notariais e de registo é a
exteriorização e divulgação de uma situação jurídica visando produzir conhecimento geral.
Ceneviva (1999, p. 37-38) orienta que este princípio possui uma função tríplice:

a) Transmite ao conhecimento de terceiros interessados ou não interessados a informação do


direito correspondente ao conteúdo do registo, excetuados apenas os sujeitos ao sigilo;

b) Sacrifica parcialmente a privacidade e intimidade das pessoas, informando sobre bens e


direitos seus ou que lhes sejam referentes, a benefício das garantias advindas do registo;

c) Serve para fins estatísticos, de interesse nacional ou de fiscalização pública.

Para Brandelli (1998), este princípio traz orientações para resolver a necessidade de tornar
cognoscíveis as relações que produzam, ou que devam produzir, efeitos perante terceiros.

18
Já para Balbino Filho (1999, p. 9), “a publicidade é a alma dos registos públicos. É a
oportunidade que o legislador quer dar ao povo de conhecer tudo que lhe interessa a respeito de
determinados actos. Deixa a par de todo o movimento de pessoas e bens”. A publicidade, mais
que um princípio, é o próprio objecto dos serviços notariais e de registo. É a sua razão de ser.
Nos serviços notariais, sua génese se dá pelo ato de lavratura da escritura pública. Nos serviços
de registo, sua génese se dá pelo registo do título hábil.

3.3. Princípio da Autenticidade

Autenticidade, qualidade do que é original, verdadeiro, genuíno. O princípio da autenticidade


orienta a presunção de veracidade de todo acto notarial e registral, uma vez que o acto deve
cumprir toda sua formalidade, ou seja, o documento passa por exame formal, com o qual os
notários e oficiais de registo conferem autenticidade aos documentos, passando estes a constituir
prova plena. A respeito do princípio da autenticidade, Ceneviva (1999, p. 5) pondera:

Qualidade do que é confirmado por ato de autoridade: de coisa, documento ou declaração de


verdadeiros. O registo cria presunção relativa de verdade. É rectificável, modificável e, por ser o
oficial um receptor de terceiros, que examina segundo critérios predominantemente formais, não
alcança o registo o fim que lhe é determinado pela definição legal: não dá autenticidade ao
negócio causal ou facto jurídico de que se origina. Só o próprio registo tem autenticidade.

Dessa forma, os actos ou documentos produzidos ou registados nos serviços notariais e de


registo são entendidos como autênticos, não as declarações contidas em tais actos ou
documentos, mas o próprio ato ou documento. É a certeza é referente à autoria do ato ou
documento.

3.4. Princípio da Segurança Jurídica

O princípio da segurança jurídica diz respeito à segurança e garantia sobre os actos jurídicos
produzidos nos serviços notariais e de registo. Ceneviva (2007, p. 26) afirma que a segurança,
como libertação do risco, é, em parte, atingida pelos títulos notariais e pelos registos públicos. O
sistema de controlo dos instrumentos, notariais e registrários tende a se aperfeiçoar, para
constituir malha firme e completa de informações, que terminará, em dia ainda imprevisível, a
ter carácter nacional. A primeira segurança é da certeza quanto ao acto e sua eficácia. Quando o

19
acto não corresponder à garantia, surge o segundo elemento de segurança: a de que o património
prejudicado será devidamente recomposto.

O notário e o registador, nesse sentido, actuam como guardiões do direito, incutindo


confiabilidade ao sistema, através da estabilidade e segurança que proporcionam às transacções
jurídicas.

3.5. Princípio da Eficácia

O princípio da eficácia determina que uma vez finalizado o acto notarial ou de registo, está ele
apto a produzir seus efeitos. Nalini (1998, p. 42), quanto ao tema, esclarece

a terceira das finalidades dos registos públicos é a eficácia dos actos jurídicos. A eficácia abrange
não só a validade, como também a vigência e a qualidade do registo. Lavrado o assento, o qual
nele descrito passa a prover de condições para produzir efeitos. É acto juridicamente existente e
apto a irradiar-se na completeza de suas consequências.

É o princípio basilar do regime jurídico-administrativo É o fruto da submissão do Estado à lei. É


em suma: a consagração da ideia de que a Administração Pública só pode ser exercida na
conformidade da lei e que, de conseguinte, a actividade administrativa é actividade sublegal,
infralegal, consistente na expedição de comandos complementares à lei.

3.6. Princípio da Unidade de Matrículas

Este princípio determina que cada imóvel tenha apenas uma matrícula e que cada

matrícula diga respeito apenas a um imóvel. Qualquer ato em matrícula posterior, sem
encerramento da originária, é considerado ato nulo de pleno direito.

3.7. Princípio da Disponibilidade

O registo tem as finalidades comprobatória, publicitária e constitutiva. Ocorre que

alguns direitos reais imobiliários não se constituem em razão do registo, quer dizer, existem
mesmo que o registo não seja feito. Nestes casos, porém, sem o registo, não se atende às
finalidades comprobatória e publicitária, e, se não houver o registo, não será possível exercer o
direito de dispor.

20
3.8. Princípio da Cindibilidade do Título

Este princípio permite a cisão do título levado ao Registo de Imóveis para que seja

praticado um dos actos nele versado e não praticados os demais.

Primeira regra sobre isso: é necessário um único título que verse sobre mais de um

direito, com atribuição territorial e material na mesma serventia.

Exemplo: formal de partilha que trata de divisão patrimonial em razão de separação,

havendo vários imóveis que foram partilhados entre os separados. Neste caso, a parte interessada
pode solicitar que apenas seja registado certo ou certos direitos, não se registando os demais.

Para isso, no momento da prenotação do título, deve ser efectuada a ressalva de quais

direitos a parte solicita o registo. Exemplo: são cinco imóveis da mesma serventia imobiliária,
mas a parte pede que se faça o registo de apenas dois (porque não tem dinheiro para pagar todos
naquele momento, por exemplo). Nesta situação, a prenotação será feita apenas em relação
àqueles certos direitos.

Segundo o artigo 16 do Decreto-Lei n.º 1/2006 de 3 de Maio, Regulamento do Registo de


Entidades Legais, temos como um dos princípios;

[Link]ípio da Legalidade

Além da regularidade formal dos actos requeridos e da legitimidade dos requerentes, incumbe ao
conservador apreciar a legalidade dos títulos apresentados e a validade dos actos dispositivos
neles contidos, e bem assim a capacidade dos outorgantes, em face dos títulos e dos registos
anteriores.

Por tanto o princípio da legalidade, advindo do direito administrativo, aplicado a todos os


servidores públicos e prestadores de serviços públicos, orienta que não há espaço para vontades
pessoais, que os actos notariais e de registo são determinados pela ordem normativa. Conforme
Celso orienta António Bandeira de Mello (1997, p. 58-59).

21
3.9.1. Presunções derivadas do Registo

O registo definitivo constitui presunção de que existe a situação jurídica, nos precisos termos em
que é definida. Vide artigo 17 do Decreto-Lei n.º 1/2006 de 3 de Maio, Regulamento do Registo
de Entidades Legais,

3.9.2. Eficácia do Registo

Os factos sujeitos a registo, ainda que não registados, podem ser invocados entre as próprias
partes ou seus herdeiros, mas só produzem efeitos contra terceiros depois da data do respectivo
registo. Entretanto exceptuam-se do estatuído anteriormente: os factos constitutivos de ónus ou
encargos, cuja eficácia entre as próprias partes, depende da realização do registo;

Outros factos para os quais a lei declare ser o registo necessário para a produção de efeitos. Vide
artigo 18 do Decreto-Lei n.º 1/2006 de 3 de Maio, Regulamento do Registo de Entidades Legais.

3.9.3. Prioridade do Registo

O direito em primeiro lugar inscrito prevalece sobre os que, por ordem da data da apresentação,
se lhe seguirem relativamente aos factos, quotas, partes sociais ou bens. O registo convertido em
definitivo tem a prioridade correspondente à sua realização como provisório. Em caso de recusa,
o facto efectuado na sequência de reclamação ou recurso julgados procedentes conserva a
prioridade do acto recusado. Vide artigo 19 do Decreto-Lei n.º 1/2006 de 3 de Maio,
Regulamento do Registo de Entidades Legais.

22
CAPÍTULO 3

REGISTRO CIVIL DE NASCIMENTO

3.1. - Conceito de contrato de Adesão.

A denominaçãocontrato de adesão surgiu com Saleilles, em 1901, quando elaborou estudo sobre
a parte geral do Código Civil alemão (BGB), e apresentou esta nova modalidade da vontade dos
contratantes, revolucionando os mais radicais princípios contratuais.
Proferindo análise sobre o advento do contrato de adesão, Silvio Rodrigues
destaca:

A ideia de contrato de adesão surge em oposição à de contrato paritário. No conceito clássico de


contrato, admite-se uma fase em que se procede ao debate das cláusulas da avença e na qual as
partes colocadas em pé de igualdade discutem os termos do negócio. É a chamada fase de
pontuação, onde as divergências são eliminadas através da transigência dos contraentes. A este
tipo de negócio dá-se o nome de contrato paritário, pois supõe-se a igualdade entre os
interessados. No contrato de adesão, a fase inicial de debates e transigência fica eliminada, pois
uma das partes impõe à outra, como um todo, o instrumento inteiro do negócio, que esta, em
geral, não pode recusar.

Esses contratos ficam ao arbítrio exclusivo de uma das partes, o policitante, pois o oblato não
pode discutir ou modificar o teor do contrato ou as suas cláusulas. Trata-se, pois,de um
fenómeno típico das sociedades de consumo, que não mais prescindem, por inegáveisrazões
económicas, das técnicas de contratação em massa.

O mestre Orlando Gomestraz o seguinte conceito de contrato de adesão:

Contrato de adesão é o negócio jurídico no qual a participação de um dos sujeitos


sucede pela aceitação em bloco de uma série de cláusulas formuladas antecipadamente, de
modo geral e abstracto, pela outra parte, para constituir o conteúdo normativo e obrigacional de
futuras relações concretas.

23
Conclui dizendo que “distingue-se, no modo de formação, pela adesão sem alternativa de uma
das partes ao esquema contratual traçado pela outra, não admitindo negociaçõespreliminares nem
modificações de suas cláusulas preestabelecidas”.
No mesmo sentido, o ilustre Caio Mário da Silva Pereiraensina:

Chamam-se contratos por adesão (expressão mais correcta do que contrato de


adesão) aqueles que não resultam do livre debate entre as partes, mas provêm do fato de
uma delas aceitar tacitamente cláusulas e condições previamente estabelecidas pela outra.

Embora exista uma consideração harmoniosa no plano conceitual, diferenças existem quanto a
nomenclatura utilizada para denominar a modalidade contratual.

Alguns doutrinadores consideram como precisa a expressão contrato de adesão, dentre os quais
se destacam Messineo, Waldirio Bulgarelli, Silvio Rodrigues, Washington de BarrosMonteiro.
Outros, porém, são adeptos da expressão contrato por adesão, figurando comodefensores desta
nomenclatura Georges Dereux, Alessandro Giordano, Caio Mário da Silva , Pereira e Maria
Helena Diniz.

Segundo Maria Helena Diniz explica que tem preferência pela denominaçãocontrato poradesão,
“verificando que se constitui pela adesão da vontade de um oblato indeterminado à oferta
permanente do proponente ostensivo”.

No seu entender, quando os contratantes não discutem o conteúdo negocial, e, não há


possibilidade de alterá-lo, verifica-se o contrato por adesão. O contrato de adesão érecorrente, na
Administração Pública, às concessionárias de serviços que se encontram emoferta constante ao
público de seus serviços e bens. Assim, no contrato de adesão, uma daspartes adere
compulsoriamente às disposições contratuais nele contidas, independentemente de sua vontade,
enquanto, no contrato por adesão, a parte adere as suas disposições conforme sua conveniência e
interesse.

24
A característica comum de ambos é a aderência, por um dos contratantes, às cláusulas e
condições impostas unilateralmente pelo outro. Diferenciam-se, porém, pelo fato de que no,
contrato por adesão, o aderente tem absoluta liberdade de contratar ou não, enquanto, no contrato
de adesão, o aderente é compulsoriamente obrigado a contratar ou rejeitar inteiramente o
contrato.

Em Moçambique a nomenclatura do contrato de adesão foi reservando no art.27 da lei de defesa


do consumidor onde no mesmo faz menção que contrato de adesão é aquele cujas as cláusulas
tenham sido propostas unitelarmente pelo fornecedor sem que o consumidor, para celebra-lo,
possa alterar o seu conteúdo. A relação de consumo pode ser conceituada de forma mais técnica
como sendo o liame jurídico existente entre um fornecedor e o consumidor, na qual este último
busca satisfazer uma necessidade sua, como destinatário final, através da aquisição de bens ou
serviços oferecidos por aquele primeiro sujeito por meio de sua actividade empresarial. Por meio
deste conceito, nota-se, portanto, que a relação de consumo é composta por dois elementos
principais, quais sejam, o subjectivo e o objectivo. Tais componentes, para melhor entendimento,
são aqueles que representam os sujeitos envolvidos na relação de consumo e o próprio objecto
dessa relação. O elemento subjectivo é aquele composto pela figura do consumidor e pela figura
do fornecedor, já o objectivo é composto pela existência de mercadorias ou serviços envolvidos
na relação de consumo.

Um contrato é um vínculo jurídico entre dois ou mais sujeitos de direito correspondido pela
vontade, da responsabilidade do ato firmado, resguardado pela segurança jurídica em seu
equilíbrio social, ou seja, é um acordo de duas ou mais vontades, na conformidade da ordem
jurídica, destinado a estabelecer um regulamentação de interesses entre as partes, com o escopo
de adquirir, modificar ou extinguir relações jurídicas de natureza patrimonial.

O conceito de contrato de consumo tem sido cada mais utilizado no discurso jurídico. A
definição mais adequada do conceito passa pela predominância da referência ao objecto do
contrato em detrimento dos sujeitos envolvidos no negócio, considerando-se como contrato de
consumo aquele que incide sobre uma coisa, um serviço ou um direito destinado a uso não
profissional de um dos contraentes, sempre que o outro contraente actue no âmbito da sua
actividade profissional.

25
O contrato consiste num acordo de vontade entre duas ou mais partes, resultando em obrigações
entre as mesmas. Etimologicamente, a origem do termo traz a um vínculo jurídico de vontades.
RIZZARDO(2001:05), A palavra contrato vem do latim contractos, do verbo contrarie, no qual
tem o significado de ajuste, acordo, convenção, pacto ou transacção, nesta esfera a própria
origem do termo ajuda a elucidar o seu conceito.

3.2 .Natureza Jurídica.

Uma grande polémica tem sido travada entre juristas e doutrinadores acerca da validade do
contrato de adesão, como meio para a manifestação de um acordo de vontades e, por
conseguinte, permitir a configuração de um negócio jurídico.

O aprofundamento no debate da referida questão permite a caracterização da natureza jurídica,


de tão importante modalidade, que no mister de unir partes e interesses, favorece a circulação de
bens e serviços, garantindo a eficácia do consumismo.

Como princípio básico para discussão, dois pontos considerados relevantes são colocados em
evidência: o consentimento e a adesão.

A autonomia da vontade é o ponto de fundamento para a concepção da ordem contratual, assim,


se o consentimento denota a livre manifestação da vontade, tal facto não se coaduna com a
adesão, tornando-se, portanto, distinta. O confronto de tais ponderações, com grande ênfase para
o consentimento, tem diminuta importância para o ato aderente.
Do debate estabelecido, duas teses tornam-se evidente e com elas os seus defensores, os quais
com opiniões divergentes quanto à natureza jurídica do contrato deadesão, passam a ocupar dois
blocos distintos, de um lado os contratualistas em oposição aos anti-contratualistas.

A concepção contratualista busca fundamentar a validade do contrato de adesão a partir da


agregação dos interesses que se tornam comuns. Consideram que aderir é consentir, de modo
que, no plano técnico, o contrato de adesão supõe uma comunhão de vontades. Isso porque, na
relação travada entre predisponente e aderente, a autonomia da vontade também se observa, pois
ambos estão sujeitos a um crivo disciplinador concebidopela ordem da aplicabilidade do preceito

26
legal. Afinal, a parte que oferece expõe largamenteao público as condições em que pretende
contratar e, por conseguinte, as probabilidades de erro ou de dolo diminuem. É um contrato
rígido no seu aspecto, mas isto é mais importante do que cláusulas tortuosas, nas quais, cada
parte disfarça suas intenções. Corresponde à exploração de um serviço público, mas este serviço,
ainda que seja de interesse privado, dá um singular relevo à utilidade do contrato; não é o jogo
puro e simples dos interesses privados e dos caprichos individuais que dita a convenção, mas
uma necessidade fundamental de organização de um serviço.

Entretanto, um relativo número de civilistas manifestam-se inteiramente contrários à modalidade


contratual, em se tratando do contrato de adesão. São os anti-contratualistas.
Fundamentam seus argumentos no binómio: a) ausência de debates preliminares entre as partes;
b) a forma abstracta das cláusulas que mais parecem lei do que contrato.

Como base de discussão, os defensores do anti-contratualismo negam a existencialidade do


contrato de adesão, ressaltando o exclusivo predomínio da vontade de um que dita sua lei à
colectividade indeterminada. Enxergam o contrato de adesão por seu aspecto normativo,
aplicando-lhe a hermenêutica própria das leis. No entendimento dominante, o contrato de adesão
deve ser enquadrado na categoriados contratos, sendo esta sua natureza jurídica, não obstante o
dirigismo exercido perante a vontade do destinatário. Isso porque, embora minorada, no contrato
de adesão presente se faz a autonomia da vontade, garantindo a bilateralidade ou
plurilateralidade do contrato.

Existe indubitavelmente contratualidade. Os contratos são espécies de negócios jurídicos que


pressupõe a participação de duas partes. Do mesmo modo os contratos de adesão só têm
existência no momento que ocorre a aceitação em bloco das cláusulas
preconcebidaspelaoutraparte,ouseja,sóexistequandooindiví[Link]-
se,comoqualquercontrato,pelaComposição de vontades distintas.

Confirmando tal posicionamento, os tribunais franceses recusam a admitir distinções em relação


à natureza jurídica do contrato de adesão e os outros tipos, não lhes subtraindo a aplicação das
regras comuns aos contratos. Assim, concebemos o contrato de adesão como espécie do género
contrato, em oposição à espécie dos contratos paritários, e não como categoria de natureza

27
jurídica distinta. Deste modo, eles se submetem aos mesmos pressupostos e requisitos de
validade dos contratos em geral.

Senão vejamos o exemplo trazido pelo mestre ArnaldoRizzardo

Natureza do contrato de adesão - Figurando o banco ou outra entidade como emitente do


cartão, o contrato é misto, pois compreende uma abertura de crédito e uma prestação de
serviços. Abertura de crédito porque o titular autoriza o banco ou a sociedade não
bancária a pagar aos fornecedores as dívidas contraídas junto a eles. E aberta uma conta
corrente em favor do titular, fixando-se o limite do crédito, pois serão pagas aos
fornecedores as importâncias relativas às despesas dentro do limite da conta... Assim,
basicamente, em qualquer caso considera-se o cartão de crédito uma forma de Concessão
de crédito, a curto prazo. às pessoas que recebem um cartão de identificação e que se
apresentam aos estabelecimentos comerciais filiados à rede da instituição financiadora. A
prestação de serviços se caracteriza no angariamento de fregueses encaminhados pelo
emissor ao fornecedor e no próprio facto de facultar o uso do cartão pelo cliente. Mas
entre o titular do cartão e o fornecedor, há um contrato de venda ou de prestação de
serviços, pois aquele busca unicamente a aquisição de bens, ou a execução de serviços
que pretende

3.3 – Os limites da autonomia da vontade.

A modernidade estabelece que no interior da vontade há uma ausência absoluta de coacção


(autonomia da vontade) e, ato contínuo, promove a crença de que todos sãoabsolutamente livres
e iguais para contratar. Ora, a liberdade como autonomia da vontade, naperspectiva do
relacionamento de um ser livre com outro ser igualmente livre, permiteperceber, principalmente
no contrato de adesão, que o exercício da autonomia da vontade deum é sempre limitado pelo
exercício da autonomia do outro. Desse modo, as relaçõescontratuais fundadas na autonomia da
vontade envolvem correlações de força, na qual umadas partes pode impor a sua vontade (poder)
e, com isso, limitar a autonomia da outra aoextremo. Dado que ocorre sempre uma interferência
limitadora da liberdade de um pelaliberdade do outro, o princípio da autonomia da vontade é
uma mera ilusão e, ato contínuo, aliberdade que equaliza as partes e estabelece o princípio da

28
igualdade também não passa deuma simples aparência. São apenas formas de domínio mais sutis
do que o puro exercício daforça física. O vínculo entre as partes não se submete à vontade, trata-
se de uma adesãoinexorável.

De outra parte, a liberdade como faculdade (querer e poder) não anula o fato do relacionamento
de um ser livre em face da natureza e da organização social. Os indivíduosestão imersos em um
mundo dotado de leis naturais inexoráveis e de padrões sociaispetrificados. Diante desse mundo
circundante, não faz sentido escolher uma liberdadeindividual incondicionada, motivo pelo qual
é fora de propósito imaginar que alguém possaquerer livremente a comida que o alimenta. Há,
pois, vínculos muito estreitos entre liberdadee necessidade.

Diante dos padrões sociais, é possível perceber que, também na sociedade moderna, os contratos
se submetem, não à ideia de livre arbítrio. É certo que as relações contratuaispressupõem um
certo movimento volitivo, mas isso não pode implicar o reconhecimento deuma vontade
totalmente incondicionada. Além das condicionantes já especificadas, é precisoconsiderar a
autonomia da vontade em face da heteronomia estatal, ou seja, o Estado pode aténão constranger
a liberdade subjectiva (vontade livre), mas pode constranger o exercício dessaliberdade.
Para os modernos, é a liberdade subjectiva que justifica e legitima a criação do Estado pelo
contrato social. Por isso, o Estado, na concepção liberal, é pensado como aquele que, ao mesmo
tempo, abstém-se de constranger a vontade livre e confere a essa vontade as condições para o seu
exercício. Mas, premida pelos fatos, a liberdade subjectiva vai cedendo espaço à heteronomia
estatal (vontade jurídica), restando apenas a liberdade dita negativa que se fixa no princípio da
legalidade.

Nessa arquitectura, conforme aumenta o conjunto normativo de um ordenamento jurídico estatal,


diminui a autonomia da vontade. Com essa solução, a autonomia da vontadesofre restrições, e,
com ela, o aspecto da moralidade que se liga à subjectividade. O Estado,enquanto sujeito
universal, prevalece sobre o cidadão, enquanto sujeito singular; disso resulta, no domínio da
eticidade, a primazia da subjectividade de grau superior do Estado sobre a liberdade subjectiva
de cada cidadão. O Estado, portanto, estabelece um conjunto de padrões objectivos que devem
ser incorporados pela vontade individual como padrão. Essa solução pode aniquilar a liberdade

29
subjectiva como autonomia da vontade, posto que, uma vez criado o Estado, este pode impor
uma heteronomia tão ampla ao limite de restringir a liberdade negativa ao âmbito das condutas
tidas como irrelevantes ou descompromissadas eticamente.

Por esses motivos, nas elaborações mais recentes da tecnologia jurídica, o princípio da
autonomia da vontadeé mitigado, submete-se à ordem positiva estatal, porque dependedesta o
reconhecimento da validade e eficácia dos contratos realizados. A vontade só éautónoma quando
a ordem positiva não a proíbe e somente nesse sentido é possível falar queo contrato estabelece
leis entre as partes (pactasuntservanda).

Na sociedade pós-moderna, o princípio da boa-fé vem se consolidando como base fundamental


dos negócios jurídicos, flexibilizando a rigidez da pactasuntservanda. Assim, na teoria dos
contratos, em substituição ao princípio da autonomia da vontade, a tecnologia jurídica articula o
princípio da boa-féobjectiva que implica um conjunto de deveres impostos pela lei às partes
contratantes.

Assim, quando deitamos os olhos sobre os contratos de adesão, podemos verificar que embora
mitigada a autonomia da vontade do aderente, por não lhe ser oportunizado discutir as cláusulas
contratuais, o contrato se acha em pé de igualdade porque o direito do oblato está assegurado por
norma de ordem pública, em especial pelo princípio da boa-féobjectiva.

3.4 – Elementos caracterizadores do contrato de adesão

Para a progressão dessa modalidade contratual, mister a identificação de elementos tidos como
próprios desta figura jurídica, sem os quais a subsistência contratual se torna altamente
comprometida.
A mestra Maria Helena Diniz ,pontua que os contratos de adesão supõem:

1º) Uniformidade, predeterminação e rigidez da oferta. A uniformidade é


umaExigência imprescindível, pois, se o ofertante pretende obter número
indeterminado de aderentes para que haja aceitação passiva, será precioso que o

30
conteúdo do contrato seja invariável. A predeterminação unilateral das
cláusulascontratuais e a rigidez das condições gerais caracterizam os contratos por
adesão. As suascláusulas deverão ser rígidas, por que deverão ser uniformes;
portanto, o ofertante não poderá alterar o teor da policitação senão precedendo-o
de ampla divulgação ou aprovação das autoridades (nas hipóteses em que estas
controlem tais contratos, como ocorre com as tarifas de transportes, de serviços de
luz, telefone etc.). Esses três traços possibilitarão identificar esses contratos;
2º Proposta permanente e geral, aberta a quem se interessar pelos serviços do
proponente, dirigindo-se a um grupo indeterminado de pessoas. Assim sendo, o
contrato se forma com qualquer pessoa, a não ser naqueles casos em que se
permitem ressalvas, como, p. ex., no da empresa de transporte, que não pode ser
obrigada a admitir passageiro além da lotação do veículo;
3º) Aceitação pura e simples do oblato, simplificando, desse modo, a maneira de
produzir-se o consentimento; 4º) superioridade económica de um dos contratantes,
que desfruta de um monopóliode facto ou de direito; 5º) cláusulas do contrato são
predispostas e fixadas unilateralmente e em bloco pelo policitante, visto que se
dirigem a um número indeterminado de pessoas.

É certo que o contrato de adesão é praticável quando os interesses em jogo permitem, e até
impõem, a pluralidade de situações uniformes, de modo que, sob esse aspecto, é, com efeito,
oferta feita a uma colectividade. A necessidade de uniformizar as cláusulas do negócio jurídico
elimina a possibilidade de qualquer discussão da proposta, criando para o oblato o dilema de
aceitá-lo em bloco ou rejeitá-lo. Nada disso o distingue, porquanto, tais características são
comuns a outras figuras jurídicas, como o contrato-to, em série ou por formulário e dos contratos
obrigatórios (seguro obrigatório)

3.5-Princípios Contratuais

Dois princípios de significativa importância dentro do contrato de consumo é o princípio da


transparência e o princípio da boa-fé objectiva, visto que a lealdade e a confiança dentro da
relação de consumo é a base para a realização de um negócio jurídico arraigado na ética e
legitimidade jurídica, bem como é fundamental destacarmos o cuidado que as partes devem

31
possuir em especial o fornecedor dentro do contrato de consumo. Assim Além da função
interpretativa acima discorrida, o princípio da boa-fé objectiva cria deveres jurídicos
independentemente da vontade das partes, bem como limita o exercício dedireitos subjectivos.
Isso porque, sendo reflexo da solidarização ocorrida na seara contratual, aboa-fé objectiva obriga
as partes a agirem de modo colaborativo e ético, unidas no intuito de dar ao contrato a sua
verdadeira e completa eficácia.
E não podia ser de outra forma, principalmente quando lembramos a desigualdade entre as partes
que dá tônus ao contrato de adesão.
Iluminando toda a relação obrigacional, a boa-fé objectiva é a fonte de deveres além daqueles
determinados pela parte. São os chamados deveres laterais, onde exige-se doscontraentes uma
atitude cooperativa. É exactamente no surgimento desses deveres que seobserva mais
nitidamente a já enfatizada solidarização do contrato.

Num primeiro plano, avultam-se os deveres principais ou primários de prestação. Eles


correspondem ao núcleo da obrigação, definindo a causa e o tipo do contrato, sendo então, frutos
da vontade das partes. Assim, na compra e venda, é a entrega da coisa por parte do vendedor e o
pagamento do preço pelo comprador.
A par do deveres principais, existem os chamados deveres secundários de prestação, que podem
ser de duas espécies: a) deveres secundários acessórios da prestação principal; b) deveres
secundários com prestação autónoma.

Os primeiros têm por escopo preparar o cumprimento ou assegurar a perfeita realização da


obrigação principal. Podem ser citados, entre outros, o dever de embalar a coisa vendida, bem
como o de promover seu transporte com segurança. Na segunda categoria, encontra-se as
prestações sucedâneas do dever primário de prestação (como no caso de indemnização por
perdas e danos por inadimplemento culposo da obrigação) e aquelas coexistentes com a
obrigação principal (indemnização por mora, que acresce à prestação originária).
Não se esgota, contudo, a complexidade obrigacional nos deveres primários e secundários a que
supra se aludiu. Existem, ao lado destes, os deveres laterais.

32
Deveras, os deveres laterais podem decorrer de cláusula contratual, de dispositivo legal ou do
princípio da boa-fé.

São deveres que não interessam directamente ao cumprimento do dever principal de prestação
(seja na sua preparação ou na sua execução), mas tem por finalidade garantir oexacto
processamento da relação obrigacional. Possuem função instrumental, velando para
odesenvolvimento regular do contrato como um todo, que há de processar-se entre pessoas
queagem honestamente e com lealdade. Constituem na realidade, deveres de adoptar
determinadocomportamento (positivo ou negativo), de tal arte a não frustrar a confiança da outra
parte.

Os deveres laterais nascem independentemente da vontade das partes, destinando-se tanto ao


proponente como ao aderente.

Não guardam conteúdo fixo ou número determinado, surgindo na medida em que se desenvolve
a relação obrigacional, como emanações do princípio da boa-fé. Criam condiçõespara uma
consecução sem estorvos do fim contratual. Conquanto apareçam em maior númeronas
obrigações duradouras, podem brotar em qualquer relação contratual.

Não se pode conhecer dos deveres laterais com antecedência, mostrando-se inviável uma
previsão antecipada sobre seu nascimento. Durante o transcorrer da relação contratual, a
incidência da boa-fé objectiva impõe aos figurantes um determinado comportamento, com um
conteúdo somente estabelecido no caso concreto.

Como regra, seu cumprimento não pode ser obtido coercitivamente, sendo que o maltrato a um
dever lateral, que caracteriza a chamada violação positiva do contrato, resultanuma obrigação de
indemnizar, chegando, em certos casos, a legitimar a resolução do contrato.

Os deveres laterais não estão restritos ao período de execução do contrato, fazendo-se também
presente, em alguns casos, em momento posterior ao adimplemento da obrigaçãoprincipal.

33
Actualmente constata-se uma tendência para o alargamento do papel desses deveres , um
movimento que compreende a sua subsistência, ainda que nulo o contrato, bem como noconceber
sua eficácia perante terceiros.
O inadimplemento de um dever lateral resulta na obrigação de indemnizar por parte do infractor,
e, em situações extraordinárias, termina na própria resolução do contrato.

Quanto à presença do elemento culpa, sempre que da boa-fé derivam regras de condutas, e que,
pela violação destas, se pergunte por eventual dever de indemnização, a culpa intervém no papel
normal que lhe compete.

Parece lícito concluir, então, que, naquelas hipóteses em que o inadimplemento contratual estiver
centrado na culpa, esta é indispensável para fins de responsabilidade civildo infractor de um
dever lateral.
A boa-fé é o mais importante limite para o gozo de um direito. Em outras palavras, a boa-fé,
como norma de conduta, exige que cada parte, ao fazer valer seus direitos, aja com moderação,
respeitando a esfera de autonomia privada do contratante.
A lei de defesa do consumidor em seu artigo 4°, caput, exprime que a política nacional das
relações de consumo objectiva o respeito à dignidade, saúde e segurança, a protecção dos
interesses económicos, a melhoria da qualidade de vida e a transparência dentro da relação com
os consumidores, veja que o próprio código menciona a transparência como exigência legal na
protecção dos direitos dos consumidores, evitando desse modo aquelas manifestações
incentivadoras e atraentes realizadas pelos fornecedores com o intuito de contratar com os
consumidores.

A finalidade da transparência é assegurar veracidade e seriedade nas relações consumistas, visa a


protecção do consumidor contra a malícia de alguns fornecedores que se furtam de artifícios
ludibriadores para chamar a atenção dos consumidores, a razão máxima deste princípio está na
clareza das informações obtidas pelo consumidor antes de contratar com o fornecedor.

Como afirmamos anteriormente, transparência é clareza, é informação sobre os temas relevantes


da futura relação contratual. Eis porque institui A LDC um novo e amplo dever para o

34
fornecedor, o dever de informar sobre o consumidor não só as características do produto ou
serviço, como também conteúdo do contrato. MARQUES (2002)

O princípio da transparência é visto ainda na fase pré-contratual, ou seja, antes mesmo do


firmamento obrigacional, deve haver essa preocupação com a transparência nas informações, já
que esta é fundamental para o despertar e a continuação do contrato.

A boa-fé objectiva como anteriormente citado, se foca no uso da probidade e boa-fé nas relações
contratuais levando a crer que antes mesmo do acordo firmado, deve haver uma presunção de
conduta por parte dos contratantes. No contrato de consumo a boa-fé objectiva é empregada com
o viés de protecção ao consumidor, pois este se encontra na relação de consumo numa posição
desfavorável em relação ao fornecedor, por isso se houver a presença de algum tipo de
comportamento por parte do fornecedor que iluda ou prejudique o consumidor dentro da relação,
mesmo que involuntariamente, o consumidor poderá pleitear o ressarcimento pelo dano sofrido.

A posição desfavorável do consumidor se dá por causa da sua vulnerabilidade dentro da relação


consumista. Numa visão simples da situação, é evidente que o fornecedor por conhecer o produto
que vende se torna potencialmente forte dentro do negócio, pois o mesmo é capaz de distinguir
características boas de seu produto que o valorize, como características que diminuam a sua
qualidade ou mesmo defeitos implícitos deste. O artigo 12 do código de defesa do consumidor
expõe:

O fabricante, o produtor, o construtor, nacional ou estrangeiro, e o importador respondem


independente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por
defeitos decorrentes de projecto, fabricação, construção, montagem, fórmulas, manipulação,
apresentação ou acondicionamento de seus produtos, bem como por informações insuficientes ou
inadequada sobre sua utilização e riscos.

A letra da lei é clara e demonstra a presença do princípio no dispositivo legal, a necessidade da


boa-fé objectiva por parte do fornecedor age para estimular um comportamento “com
sinceridade, seriedade, veracidade, lealdade e transparência, sem objectivos mal disfarçados de
esperteza, lucro fácil e imposição de prejuízo ao outro.”

35
ALMEIDA (2008:50) visando um maior equilíbrio dentro do negócio. Por isso existe a
necessidade da presença do princípio da transparência e o princípio da boa-fé objectiva dentro da
relação de consumo, pois quando esta relação é abalizada por tais princípios é evitado o acúmulo
de litígios dessa natureza e a busca de direitos nessa esfera.

3.6-Regime de responsabilização nos contratos de consumo

Este tópico se foca no princípio da força obrigatória, pois aquele que oferta está obrigado a
cumprir a obrigação nos termos propostos. O artigo 14, 15 e 16 da lei de defesa do consumidor
disciplina a matéria, quando explica que toda informação ou publicidade suficientemente precisa
que se veicule em qualquer tipo de comunicação no que tange os seus produtos e serviços obriga
o fornecedor que a fizer ou que se utilize a adimplir de acordo com o proposto o contrato se
assim for celebrado. Da oferta derivam duas consequências relevantes para o fornecedor, a
primeira passa a integrar o contrato e a segunda é a força obrigatória que obriga ao cumprimento
da obrigação pelo fato que a aceitação do consumidor validou o círculo obrigacional e a relação
de consumo ALMEIDA( 2008:118).

Por isso, se aceita a oferta imediatamente fica satisfeita a obrigação, se o fornecedor não
proceder de maneira correcta cumprindo com sua obrigação, este fica sujeito a ser processado
judicialmente sendo obrigado a oferecer outro produto ou prestação de serviço similar com
complemento ou restituição da diferença, ou mesmo este poderá rescindir o contrato sendo
necessário a restituição da quantia antecipada, actualizada monetariamente mais perdas e danos.
(Idem, p.119).Estas alternativas de pleiteio por parte do consumidor, esta contido no artigo 35 do
código de direito do consumidor:

Se o fornecedor de produtos ou serviços recusar cumprimento à oferta, apresentação ou


publicidade, o consumidor poderá, alternativamente e à sua livre escolha:

 Exigir o cumprimento forçado da obrigação, nos termos da oferta, apresentação ou


publicidade;
 Aceitar outro produto ou prestação de serviço equivalente;
 Irescindir o contrato, com direito à restituição da quantia eventualmente antecipada,
monetariamente actualizada, e a perdas e danos

36
Um factor que não pode deixar de ser frisado, é que o fornecedor é solidariamente responsável
pelos actos de seus propostos, empregados, agentes ou representantes. “o fornecedor do produto
ou serviço é solidariamente responsável pelos actos de seus propostos ou representantes
autónomos. A importância desse dispositivo está na possibilidade do consumidor poder exigir
seus direitos, mesmo que não tenha conseguido accionar o fornecedor ou se este argumentar por
exemplo que os vendedores que o atenderam não estavam sob sua autoridade, dessa forma o
consumidor pode pleitear seus direitos mesmo com alegação do fornecedor.

Ainda, há de se falar na inversão do ónus da prova, este esta explícito no artigo 38 do código
civil: “o ónus da prova da veracidade e correcção da informação ou comunicação publicitária
cabe a quem as patrocina. Aqui fica evidente que o consumidor não possui capacidade para
provar perita o desvio de publicidade e demonstrar que seja enganosa ou abusiva, por isso se
concluiu que a veracidade incumbe ao fornecedor que a expõe.

3.7- Cláusulas abusivas

Os contratos de adesão apresentam inúmeras vantagens, possibilitando à uniformidade, a redução


dos custos, a racionalização contratual. Entretanto, também existem desvantagens para os
contratos de adesão, dentre as quais, as cláusulas abusivas. Esse é o grande problema do contrato
de adesão, o motivo pelo qual ele é mais lembrado e criticado, pois ele dá margem às cláusulas
abusivas, que colocam o consumidor em desvantagem, sendo incompatíveis com a boa fé.

Assim só pode ser abusivo, o que excedeu os limites, logo a abusividade é o modo excessivo,
lesionante acarretando um resultado ilícito, como se pode ser através a explicação, a actividade
que gere no abuso para o sujeito causa um tipo de dano para o mesmo. As práticas abusivas em
geral caracterizam-se como ilícitas independente se constranger ou atingir uma pessoa em si,
estas são ilícitas em si só pelo fato de existirem na esfera jurídica.

As cláusulas abusivas também resultam no ilícito, pois estas são contrárias ao direito, elas
possuem como finalidade favorecer aquele que a estipula o contrato ou que detém uma posição
mais forte, que é o fornecedor, oferecendo riscos ao consumidor produzindo como efeito um
desequilíbrio na relação, posto que o fornecedor vai lucrar em cima da vulnerabilidade do
37
consumidor. É necessário analisar o carácter da má-fé do fornecedor na hora de estipular as
cláusulas abusivas, esta por sua vez, não pode ser afirmada de antemão, visto que nem sempre o
fornecedor tem plena consciência de que esta se usando de um meio abusivo ou mesmo que
aquela cláusula venha a esta dentre as cláusulas abusivas encontradas no código de defesa do
consumidor.

O artigo 22 da lei de defesa do consumidor faz uma extensa lista com dezassete incisos
destacando as cláusulas abusivas, presume exagerada a vontade que venha a ofender os
princípios fundamentais do sistema jurídico, aqueles que restringe direitos ou obrigações
fundamentais, aquela que se mostra excessivamente onerosa para o consumidor, o paragrafo
segundo explana que a nulidade de uma cláusula abusiva não anua o contrato, e o parágrafo
quarto versa a respeito das pessoas que podem requerer ao ministério publico que ajuíze a
competente acção para declarar a nulidade de cláusula contratual, sendo competente para tal
qualquer consumidor ou entidade que o represente.

A utilização do princípio da boa-fé como critério de discernimento da abusividade ou não


abusividade de uma cláusula contratual permitirá que determinadas cláusulas que,
originariamente, não figuram entre as cláusulas expressamente mencionadas pelo artigo 14 da lei
de Defesa do Consumidor , passem a ser consideradas abusivas.

Entretanto, importante estabelecer, que para que o contrato esteja sobre o manto do lei de Defesa
do Consumidor , necessário que a relação seja de consumo, e assim receba protecção contra
cláusula abusiva.

A relação jurídica de consumo estabelece-se entre fornecedor e consumidor, tendo como objecto
a aquisição de produtos ou a utilização de serviços pelo consumidor. Logo, “ sempre que a
relação jurídica ligar exercente de actividade de oferecimento de bens ou serviços ao mercado ao
destinatário final, esta será uma relação de consumo e sua disciplina será a do regime de tutela do
consumidor.

Cláusula abusiva pode ser definida como “ aquela que é notoriamente desfavorável à parte mais
fraca da relação contratual, que, no caso de nossa análise, é o consumidor”.

Cláudio Belmonte ao tratar do tema explica:

38
Assim, o ponto fulcral da caracterização da abusividade consiste na existência de cláusulas que
coloquem o consumidor em desvantagem contratual exagerada em relação ao fornecedor,
independentemente de essa situação ter sido gerada em face do díspar poder económico entre as
partes, ou do uso de condições gerais, ou, ainda, pelo simples fato de se estar utilizando contratos
por adesão.

Para Hélio Zagheto Gama (2008)“ as cláusulas abusivas são aquelas que, inseridas num contrato,
possam contaminar o necessário equilíbrio ou possam, se utilizadas, causar uma lesão contratual
à parte a quem desfavoreçam”.

Logo, hão de ser consideradas abusivas, nas relações de consumo, as cláusulas contratuais que
atribuírem vantagens excessivas ao fornecedor e demasiada onerosidade ao consumidor, gerando
um injusto desequilíbrio contratual.

As cláusulas abusivas, não estão presentes apenas dos contratos de adesão, haja vista que podem
aparecer em outros contratos paritários. Nesse sentido:

As cláusulas contratuais abusivas não se restringem aos contratos de adesão, mas cabem a todo e
qualquer contrato de consumo, escrito ou verbal, pois o desequilíbrio contratual, com a
supremacia do fornecedor sobre o consumidor, pode ocorrer em qualquer contrato, concluído
mediante qualquer técnica contratual. O LDC visa a proteger o consumidor contra as cláusulas
abusivas toutcourt e não somente o aderente do contrato de adesão. Daí a razão de as cláusulas
abusivas estarem tratadas no LDC em sessão diversa do regulamento do contrato de adesão,
significando terem abrangência para além dessa forma de contratação em massa .

Daí a razão destas espécies de cláusulas serem tratadas pela lei de Defesa do Consumidor em
seção diversa do regulamento do contrato de adesão, significando terem abrangência para além
dessa forma de contratação em massa.

Conforme já explicitado, o elenco de cláusulas abusivas é em numerus apertus, ou seja, apenas


exemplificativo, pois a expressão “entre outras” do caput do artigo 14 da lei de Defesa do
Consumidor , evidencia que sempre que se verificar a existência de desequilíbrio entre as partes
no contrato de consumo, o juiz poderá declarar abusiva determinada cláusula, desde que não
atendidos o princípio da boa-fé, às quais são consideradas nulas de pleno direito.

39
Assim, toda a cláusula que importe em um desequilíbrio injustificado entre os direitos e as
obrigações avençadas, isto é, prejudiciais ao consumidor de maneira, e que sejam contrárias à
boa fé, será, portanto, considerada abusiva, podendo ser reconhecida a qualquer tempo e grau de
jurisdição, devendo o juiz ou tribunal pronunciá-las exofficio.

Uma série de cláusulas consideradas abusivas está enumerada no artigo 14 da lei de Defesa e
Protecção do Consumidor, dando-lhes o regime de nulidade de pleno direito, senão vejamos:

O inciso I, do artigo 14, do Diploma Consumista trata das chamadas cláusulas de não
indemnizar, que “consiste na convenção pela qual uma das partes procura exonerar-se,
previamente, da reparação dos danos eventualmente causados a outrem”.

Este tipo de cláusula visa afastar a aplicação da lei comum ao caso concreto objecto do contrato.
O devedor eventual da obrigação de indemnizar pretende esquivar-se, obtendo do credor
renúncia ou disposição de direitos, isto é, suprimindo qualquer direito de reparação.

O inciso II, do artigo 14, da lei de Defesa do Consumidor trata da proibição da inserção de
cláusulas contratuais que subtraiam a opção pelo consumidor de reembolso de quantia já paga,
total ou parcialmente, no caso de rescisão contratual, às quais são consideradas inválidas,
conforme estabelece a norma ora comentada.

Ademais, o consumidor terá direito à restituição das parcelas pagas acrescidas de correcção
monetária, de acordo com os índices oficiais, independentemente, de cláusula expressa em
contrário, por ser um mero instrumento de actualização da moeda.

O inciso III, do artigo 14, da lei de Defesa do Consumidor trata da vedação da inserção de
cláusula contratual de transferência de responsabilidade a terceiros. Isso porque a relação jurídica
de consumo se “verifica entre o fornecedor e o consumidor, que dela são sujeitos. As partes
devem, portanto, suportar os ónus e obrigações decorrentes do contrato de consumo, incluído
entre elas o dever de indemnizar.

40
CAPITULO 4

ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DE DADOS

Nesta secção apresenta-se os dados recolhidos nos locais de pesquisa, nomeadamente,


funcionários do INAE, Consumidor e aos Fornecedores.
Tabela 1: O que acha dos contratos de adesão no que tange a protecção do consumidor?
Pergunta Respostas Número dos Instrumento
entrevistados
O que acha dos Boa 2 Entrevista
contratos de adesão no Má 8 Entrevista
que tange a protecção Semresposta 0 Entrevista
do consumidor?

Fonte: o autor da pesquisa

Face a questão o que acha dos contratos de adesão no que tange a protecção do consumidor, dois
Funcionários consideram haver boa protecção nos contratos de adesão. Com tudo uma maioria
composta por oito Funcionários entrevistados entende ao contrário, na medida em que admite
não haver protecção nos contratos de adesão e que segundo os mesmos há necessidade de
melhorar as garantias ou protecção dos consumidores perante ao contrato de adesão.

41
Tabela 2: Quais são os mecanismos usados na protecção dos direitos do consumidor nas
relações de consumo por meio do contrato de adesão?

Pergunta Respostas Número dos Instrumento


entrevistados
Quais são os Não existem 5 Entrevista
mecanismos usados mecanismos usados
na protecção dos na protecção dos
direitos do direitos do
consumidor nas consumidor nas
relações de consumo relações de consumo
por meio do contrato por meio do contrato
de adesão. de adesão
Existem mas 3 Entrevista
desconheço

Semresposta 2 Entrevista

Fonte:o autor da pesquisa

Fazendo face a esta inquietação cinco dos Funcionários entrevistados afirmam não existir
mecanismos usados na protecção dos direitos do consumidor nas relações de consumo por meio
do contrato de adesão, entre tanto uma minoria composta por três afirma existir mecanismos
usados na protecção dos direitos do consumidor nas relações de consumo por meio do contrato
de adesão dos mesmos.

42
Tabela 3: Quais são as causas da violação das garantias do consumidor nos contratos de
adesão?

Pergunta Respostas Número dos Instrumento


entrevistados

Quais são as causas Provavelmente, a 20 Entrevista


vulnerabilidade
da violação das
do consumidor
garantias do nas relações de
consumo seja por
consumidor nos
causa da falta da
contratos de adesão? previsão legal das
normas que visam
à protecção do
consumidor nas
relações de
consumo por
meio contrato de
adesão.

50 Entrevista
Possivelmente,
desconhecimentos
da lei impulsiona
a violação dos
direitos do
consumidor nas
relações de
consumo
proveniente do
contrato de
adesão.

Semresposta 30 Entrevista

43
Fonte:o autor da pesquisa

Fazendo face a esta inquietação um grupo composto por vinte Funcionários apontou o seguinte;
Provavelmente, a vulnerabilidade do consumidor nas relações de consumo seja por causa da falta
da previsão legal das normas que visam à protecção do consumidor nas relações de consumo por
meio contrato de adesão. No entanto um outro grupo composto por cinquenta cidadãos foi
peremptório ao afirmar que o desconhecimentos da lei impulsiona a violação dos direitos do
consumidor nas relações de consumo proveniente do contrato de adesão.

Tabela 4: No seu entender o que deve se fazer para protecção dos direitos do consumidor
nas relações de consumo por meio do contrato de adesão?

Pergunta Respostas Número dos Instrumento


entrevistados

No seu entender o Divulgação das 30 Entrevista


que deve se fazer normas do direito do
para protecção dos consumidor.
direitos do
Criar mas leis de
consumidor nas
modo a proteger os
relações de 70 Entrevista
direitos do
consumo por meio
consumidor nas
do contrato de
relações de consumo
adesão?
por meio do contrato
de adesão.

Semresposta 00 Entrevista

Fonte:o autor da pesquisa

44
Tabela 5: Quais sãoas medidas a ser tomadas para que o consumidor deixe de ser a
vulnerável nas relações de consumo no que tangue ao equilíbrio, visto que , as cláusulas das
relações de consumo são estabelecidos pelo fornecedor e não abrem espaço a
renegociaçãodas cláusulas da relação consumistas no contralto de adesão?

Pergunta Respostas Número dos Instrumento


entrevistados

Quais sãoas medidas Criar normas 3 Entrevista


a ser tomadas para eficazes de modo a
que o consumidor reverter esse
deixe de ser a cenário
vulnerável nas
Fiscalização para 26 Entrevista
relações de consumo
uma boa aplicação
no que tangue ao
da lei.
equilíbrio, visto
que , as cláusulas Responsabilização 11 Entrevista
das relações de em caso de
consumo são violação da lei.
estabelecidos pelo
fornecedor e não
abrem espaço a
renegociaçãodas
cláusulas da relação
consumistas no
contralto de adesão?

Fonte:o autor da pesquisa

Fazendo face a este questionário três Cidadãos inqueridos foram pretórios ao afirmar que a uma
necessidade de criar normas eficazes de modo a reverter esse cenário, No entanto um outro grupo
composto por vinte seis contactados apontou a fiscalização para uma boa aplicação da lei. Em

45
quanto isso onze Cidadãos apontaram a responsabilização em caso de violação da lei de modo a
colmatar essa situação.

4.2 Interpretação e discussão de dados

No geral, os dados recolhidos no campo de estudo, nas três vertentes metodológicas (observação,
entrevista e análise documental), permitiram fazer a seguinte análise:
Os contratos de adesão apresentam inúmeras vantagens, possibilitando à uniformidade, a redução
dos custos, a racionalização contratual. Entretanto, também existem desvantagens para os
contratos de adesão, dentre as quais, as cláusulas abusivas. Esse é o grande problema do contrato
de adesão, o motivo pelo qual ele é mais lembrado e criticado, pois ele dá margem às cláusulas
abusivas, que colocam o consumidor em desvantagem, sendo incompatíveis com a boa fé.

Adequação de instrumentos e ferramentas,esse é o momento de intervenção do Estado, por via


legislativa, administrativa ou jurisprudencial, para proteger os consumidores, tornando nulas
essas cláusulas dotadas de abusividade. Outro sim, o princípio da boa-fé objectiva cria deveres
jurídicos independentemente da vontade das partes, bem como limita o exercício de direitos
subjectivos. Isso porque, sendo reflexo da solidarização ocorrida na seara contratual, a boa-fé
objectiva obriga as partes a agirem de modo colaborativo e ético, unidas no intuito de dar ao
contrato a sua verdadeira e completa eficácia. E não podia ser de outra forma, principalmente
quando lembramos a desigualdade entre as partes que dá tônus ao contrato de adesão.
As clausulas abusivas que são responsáveis pelos vícios e defeitos, não podendo o fornecedor
eximir-se de suas responsabilidades e o consumidor abrir mão do seu direito, e nem transferir
responsabilidade contratual a terceiros.
Por tanto, Não é permitido que as cláusulas gerais de um contrato sejam desvirtuadas, quando
estas mesmas cláusulas não foram suficientemente conhecidas pela parte aderente, tendo em
vista o princípio da boa-fé que rege os contratos.

4.2.1 Discussão dos resultados


Percebeu-se, através das pesquisas empíricas feitas que deve-se procurar um equilíbrio: garantir
a igualdade substancial sem aniquilar a liberdade, tutelar a segurança, sem olvidar-se da moral.
Enfim, é na prudente combinação dos princípios da boa-fé e da autonomia da vontade, no
contrato de adesão

46
CAPITULO 5

DIREITO COMPARADO

Brasil
Um contrato é um vínculo jurídico entre dois ou mais sujeitos de direito correspondido pela
vontade, da responsabilidade do ato firmado, resguardado pela segurança jurídica em seu
equilíbrio social, ou seja, é um acordo de duas ou mais vontades, na conformidade da ordem
jurídica, destinado a estabelecer uma regulamentação de interesses entre as partes, com o escopo
de adquirir, modificar ou extinguir relações jurídicas de natureza patrimonial. Sendo um negócio
jurídico, requer, para sua validade, a observância dos requisitos legais (agente capaz, objecto
lícito e forma prescrita ou não defesa em lei).

As cláusulas contratuais criam lei entre as partes, porém são subordinados de forma coercitiva ao
Direito Positivo.

As cláusulas contratuais não devem estar em desconformidade com o Direito Positivo, sob pena
de agressão por parte do Estado na tentativa de desfazer o contrato.
Enquanto no Direito Negativo, as cláusulas contratuais não podem, por definição, violar direitos
naturais.
No Brasil, cláusulas consideradas abusivas ou fraudulentas podem ser invalidadas pelo juiz, sem
que o contrato inteiro seja invalidado. Trata-se da cláusula geral rebussicstantibus (que se explica
pela teoria da imprevisão, que em uma tradução aberta seria "permanecem as coisas como
estavam antes" caso venha ocorrer fato imprevisto e imprevisível à época da contratação,
possibilitando a revisão judicial do contrato), que objetiva flexibilizar o princípio da
pactasuntservanda (força obrigatória dos contratos), preponderando, assim, a vontade contratual
atendendo à teoria da vontade.

De um modo mais simples, contrato, como diz o nome, derivado do latim contractu, é um acordo
entre duas ou mais pessoas.

47
Portugal
A lei portuguesa, no que se refere às cláusulas contratuais gerais, prevê um rígido sistema de
controle que funciona em vários níveis: primeiramente, ao nível da inclusão das cláusulas em um
contrato singular; depois, ao nível da interpretação; finalmente, ao nível do conteúdo das
cláusulas contratuais gerais. O diploma sobre cláusulas contratuais gerais visa regular as
situações patrimoniais privadas que digam respeito à circulação dos bens e dos serviços.
Retiram-se, assim, do seu âmbito de aplicação as situações jurídicas públicas, as familiares e
sucessórias, bem como as regulamentações colectivas do trabalho.

Naquilo que diz respeito à interpretação e integração das cláusulas contratuais gerais, o sistema
português prevê a vedação a que as cláusulas contratuais gerais engendrem outras regras de
interpretação e remete a uma interpretação que tenha em conta o contrato singular. Assim, a
interpretação das cláusulas fica vinculada ao conteúdo concreto de cada contrato, devendo os
utilizadores das cláusulas gerais desenvolver pormenorizadamente os seus formulários, de modo
a evitar hiatos [Link] de cada um dos dois grupos de cláusulas estabelecidas
segundo o critério da aplicação pessoal, procede-se a uma divisão que tem por base a forma de
actuação da proibição, conduzindo à contraposição entre proibições absolutas e relativas.
Nas cláusulas absolutamente proibidas, é vedado ao juiz qualquer possibilidade de valoração
acerca da correcção ou justiça da cláusula, correspondendo a proibição a um juízo de desvalor
abstratamente pressuposto pelo legislador.
Nas cláusulas relativamente proibidas, o desvalor que as acompanha deve ser mesurado pelo
quadro negocial padronizado, o que dá ao juiz a possibilidade de apreciar se, no contexto em
análise, certa cláusula deve ser ou não considerada nula[33].
Nas proibições relativas, é cabível uma valoração judicial que concretize os conceitos
indeterminados de que a previsão faz uso, ao passo que nas proibições absolutas estão presentes
elementos fechados, que não justificam uma possibilidade de valoração por parte do julgador,
tratando-se de cláusulas em si mesmo interditas.
A lei portuguesa, diversamente, parte do conceito de cláusulas contratuais gerais, abrangendo
estipulações elaboradas para uma pluralidade de contratos. Esta tem por escopo instituir um
sistema que proteja o parceiro contratual do utilizador, independentemente de sua qualidade.

48
CONCLUSÃO

Conclui-se que a lei proíbe que ao consumidor seja imposto cláusulas consideradas abusivas, que
o coloquem em situação de desvantagem perante o fornecedor contratante. A abusividade
decorre da afronta ao princípio da boa-fé objectiva, norma fundamental que permeia as relações
firmadas entre consumidores e fornecedores entre tanto arelação de consumo pode ser
conceituada de forma mais técnica como sendo o liame jurídico existente entre um fornecedor e
o consumidor, na qual este último busca satisfazer uma necessidade sua, como destinatário final,
através da aquisição de bens ou serviços oferecidos por aquele primeiro sujeitoportanto, que a
relação de consumo é composta por dois elementos principais, quais sejam, o subjectivo e o
objectivo. Tais componentes, para melhor entendimento, são aqueles que representam os sujeitos
envolvidos na relação de consumo e o próprio objecto dessa relação. O elemento subjectivo é
aquele composto pela figura do consumidor e pela figura do fornecedor, já o objectivo é
composto pela existência de mercadorias ou serviços envolvidos na relação de consumo.

Entre tanto este trabalho mostrou que o ser humano é livre para contratar, deve ter a capacidade
deexercício, que o objecto seja licito e que a forma seja prescrita ou não defesa emlei, com a
necessidade, a globalização e o avanço económico, porém o contrato de adesão apresenta as
cláusulas que são estipuladas pelo fornecedor não havendo a discussão,de modo que o
contratante não debata as condições contratuais ou introduzamodificações em seu beneficio, com
isso surge as clausulas abusivas que são responsáveis pelos víciose defeitos, não podendo o
fornecedor eximir-se de suas responsabilidades e oconsumidor abrir mão do seu direito, e nem
transferir a responsabilidadecontratual a terceiros, criando assim uma desigualdade ou
desequilíbrio, Assim conclui-se que, deve-se procurar um equilíbrio: garantir a igualdade
substancial sem aniquilar a liberdade, tutelar a segurança, sem olvidar-se da moral. Enfim, é na
prudentecombinação dos princípios da boa-fé e da autonomia da vontade, cuja exacta medida
deverá o juiz aferir à luz do caso concreto, que se chegará a um direito contratual
verdadeiramentejusto.

49
RECOMENDAÇÕES
Após as constatações feitas através dos diversos instrumentos que tornaram real o estudo, assim
a pesquisaentendeque o Governo deve desdobrar esforço invista a informar eproteger os Direitos
dos Cidadãos. Em jeito de recomendação avança-seque:

 Houvesse maior divulgação das Leis no que tange aos Consumidores


 Elaboração demas normas técnicas e eficazes no que toca aos contratos de adesão.
 Assegurar a protecção dosCidadãos aos seus direitos.

Para INAI

 Que fiscalize rigorosamente todos locais onde se proceda qualquer actividade ou


prestação de serviço.

Governo

 Que se faça a divulgação da lei 22\2009\ de 28 de Setembro para a sociedade e em geral.

 Que se faça a introdução do tema em programas curriculares nas escolas.

Aos Consumidor

Deve haver acções conjuntas para a promoção e protecção dos interesses e dos seus direitos;

 Efectuar uma selecção criteriosa dos bens e serviços antes de os adquirir de questionar,
emitir opiniões e tomar atitudes;

Aos Fornecedores

 Quanto aos produtos vendidos devem fazer menção todas as informações necessárias;

 Após a compra de um produto o fornecedor terá que passar sempre uma factura ao
consumidor para comprovações futuras.

50
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. Doutrina

2. Legislação

3. Código do Notariado (lei nº 4/2006 de 23 de Agosto)


4. Decreto-Lei n.º 1/2006 de 3 de Maio, (Regulamento do Registo de Entidades Legais)
5. Constituição da Republica de Moçambique, publicado no BR no51, 1ª serie, de 22 de
Dezembro de 2004.
6. Código Civil: República de Moçambique.3ª Edição, Decreto-lei n° 3/2006 de 23 de
Agosto, Maputo.

7. Boletim da Republica (2007) cria a Lei do Trabalho 23/ 2007 de 1de Agosto I serien o38
publicação oficial da República de Moçambique: Maputo.
8. Ministério do Ultramar. Decreto n.º 43 899. Reorganiza os vários serviços de registo das
províncias ultramarinas. Boletim Oficial de Moçambique, 1.ª Série, n.º 36, de 14 de
Setembro de 1961.
9. Ministério do Ultramar. Portaria n.º 19 532, de 30 de Novembro de 1962.
10. Moçambique. Decreto n.º 30/2001, de 15 de Outubro. Aprova as Normas de
Funcionamento dos Serviços da Administração Pública e revoga o Decreto n.º 36/89, de
27 de Novembro. Boletim da República, 1.ª Série, n.º 41, de 15 de Outubro de 2001.
11. Boletim da República, 1.ª Série, n.º 49, de 08 de Dezembro de 2004.
12. Moçambique. Resolução nº 67/2012, de 28 de Dezembro. Ratifica a Carta Africana
sobre os Valores e Princípios da Função e Administração Públicas. Boletim da
República, 1.ª Série, n.º 52, de 28 de Dezembro de 2012.
13. Internet
14. Borges, Roxana Cardoso Brasileiro.(2005). Registo [Link]. Disponível
em:<[Link] Acessadoem 27/12/2018.
47. Outros Documentos

48. Dicionário universal de Língua Portuguesa (2000). 2 aEd. Maputo.

51
APÊNDICE

Guião de entrevista Dirigido aos Funcionários

Chamo-meJorge Amido, estudante finalista do 4º ano do curso de Licenciatura em


Direito no ISGECOF delegação de Lichinga, estando a recolher dados para a
elaboração do trabalho do fim do curso subordinado ao tema: Análise do Direito do
Consumidor nas Relações de Consumo provenientes dos Contratos de Adesão na
Cidade de Lichinga no período compreendido entre 2015 a 2018,gostaria de
contar com a vossa colaboração, respondendo livremente as perguntas abaixo
colocadas.

Bom dia/ Boa tarde. Espero que responda com clareza e precisão as questões que lhe serão
colocadas.

1. O que acha dos contratos de adesão no que tange a protecção do consumidor?

a) Bom ( )-----------------------------------------------------------------------------------
b) Mao ( )------------------------------------------------------------------------------------

2. Quais são os mecanismos usados na protecção dos direitos do consumidor nas relações de
consumo por meio do contrato de
adesão?–––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––
––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––
––––––––––––––––––-----------------------------------------------
3. Quais são as causas da violação das garantias do consumidor nos contratos de adesão?
––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––
––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––
------------------------------------------------------------------------------------------------------

3. Há No seu entender o que deve se fazer para protecção dos direitos do consumidor nas
relações de consumo por meio do contrato de
adesão?-----------------------------------------------------------------------------------------------------------

52
---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
-----------------------------------------

4. Quais são as medidas a ser tomadas para que o consumidor deixe de ser a vulnerável nas
relações de consumo no que tangue ao equilíbrio, visto que , as cláusulas das relações de
consumo são estabelecidos pelo fornecedor e não abrem espaço a renegociação das cláusulas da
relação consumistas no contralto de
adesão?-----------------------------------------------------------------------------------------------------------
---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
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---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
------------

53
Guião de entrevista Dirigido aos Cidadãos

Chamo-meJorge Amido, estudante finalista do 4º ano do curso de Licenciatura em


Direito no ISGECOF delegação de Lichinga, estando a recolher dados para a
elaboração do trabalho do fim do curso subordinado ao tema: Análise do Direito do
Consumidor nas Relações de Consumo provenientes dos Contratos de Adesão na
Cidade de Lichinga no período compreendido entre 2015 a 2018,gostaria de
contar com a vossa colaboração, respondendo livremente as perguntas abaixo
colocadas.

Bom dia/ Boa tarde. Espero que responda com clareza e precisão as questões que lhe serão
colocadas.

2. O que acha dos contratos de adesão no que tange a protecção do consumidor?

c) Bom ( )
d) Mao ( )

2. Quais são os mecanismos usados na protecção dos direitos do consumidor nas relações de
consumo por meio do contrato de
adesão?–––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––
––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––
––––––––––––––––––
3. Quais são as causas da violação das garantias do consumidor nos contratos de adesão?
––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––
––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––

3. Há No seu entender o que deve se fazer para protecção dos direitos do consumidor nas
relações de consumo por meio do contrato de
adesão?-----------------------------------------------------------------------------------------------------------
---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

54
---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
-------------------

4. Quais são as medidas a ser tomadas para que o consumidor deixe de ser a vulnerável nas
relações de consumo no que tangue ao equilíbrio, visto que , as cláusulas das relações de
consumo são estabelecidos pelo fornecedor e não abrem espaço a renegociação das cláusulas da
relação consumistas no contralto de
adesão?-----------------------------------------------------------------------------------------------------------
---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
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55
Questionários dirigido aos Funcionários que ocupam cargos de chefia ou Direcção

Chamo-meJorge Amido, estudante finalista do 4º ano do curso de Licenciatura em


Direito no ISGECOF delegação de Lichinga, estando a recolher dados para a
elaboração do trabalho do fim do curso subordinado ao tema: Análise do Direito do
Consumidor nas Relações de Consumo provenientes dos Contratos de Adesão na
Cidade de Lichinga no período compreendido entre 2015 a 2018,gostaria de
contar com a vossa colaboração, respondendo livremente as perguntas abaixo
colocadas.

Bom dia/ Boa tarde. Espero que responda com clareza e precisão as questões que lhe serão
colocadas.

1. O que acha dos contratos de adesão no que tange a protecção do consumidor?

e) Bom ( )-----------------------------------------------------------------------------------------
f) Mao ( )-----------------------------------------------------------------------------------------

2. Quais são os mecanismos usados na protecção dos direitos do consumidor nas relações de
consumo por meio do contrato de
adesão?–––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––
––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––
––––––––––––––––––
3. Quais são as causas da violação das garantias do consumidor nos contratos de adesão?
––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––
––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––

3. Há No seu entender o que deve se fazer para protecção dos direitos do consumidor nas
relações de consumo por meio do contrato de

56
adesão?-----------------------------------------------------------------------------------------------------------
---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
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4. Quais são as medidas a ser tomadas para que o consumidor deixe de ser a vulnerável nas
relações de consumo no que tangue ao equilíbrio, visto que , as cláusulas das relações de
consumo são estabelecidos pelo fornecedor e não abrem espaço a renegociação das cláusulas da
relação consumistas no contralto de
adesão?-----------------------------------------------------------------------------------------------------------
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57
ANEXOS

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Você também pode gostar