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Entendendo a Dengue: Sintomas e Transmissão

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Manuella Motta
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Entendendo a Dengue: Sintomas e Transmissão

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Dengue ●

da oviposição, infectam-se picando


indivíduos virêmicos
Os vírus da dengue multiplicam-se
DEFINIÇÃO dentro do aparelho digestivo do
Doença infecciosa febril aguda, que pode mosquito e a chegada às
ser de curso benigno ou grave, a glândulas salivares determina o
depender de sua forma de apresentação, início da transmissão viral.
podendo evoluir para óbito. ● Circula durante todo o dia, mas
costuma ser mais ativo nos
→ Brasil - identificada pela primeira vez horários com temperaturas mais
em 1986. amenas, como das 7h às 10h e
das 16h às 19h. Além disso, voa
AGENTE ETIOLÓGICO baixo picando geralmente entre os
Arbovírus do gênero Flavivírus joelhos e os pés.
● Den 1, Den 2, Den 3, Den 4 ● 2 a 3 dias após a picada, o vírus
● Em 2013 – Den 5 (Epidemia na se multiplica no trato digestivo do
Malásia em 2007) ??????? mosquito e vai pra glândula salivar
AR = artrópode (mosquito) BO= born para ser transmitido na próxima
(nascido- origem) virus picada
● Outra forma importante é a
transovariana
→ A dengue é endêmica no Brasil –
○ A fêmea infectada
com a ocorrência de casos durante o
transmite o vírus para os
ano todo – e tem um padrão sazonal,
ovos, já tendo o vírus
coincidente com períodos quentes e
presente no mosquito
chuvosos, quando são observados o
quando este alcança a fase
aumento do número de casos e um risco adulta, mesmo que não
maior para epidemias tenha contato com
nenhuma pessoa infectada.
SOBRE OS VETORES
→ Os principais vetores são os mosquitos
Aedes das espécies aegypti (Brasil) e
albopictus (Ásia) - fêmeas.
● Comportamento urbano
(peridomiciliar)
● Ciclo de vida: ovo, larva, pupa e
mosquito adulto
● Vida média do mosquito adulto: 30
a 35 dias
● A fêmea põe ovos de 4 a 6 vezes
durante a vida (100 ovos por vez)
● Um ovo pode sobreviver até 450
dias, ainda que em lugar seco
PATOGENIA
MODOS DE TRANSMISSÃO ● Assim que o paciente é
● A transmissão dá-se por fêmeas contaminado pelo mosquito, o
que ao se alimentarem de sangue vírus penetra na corrente
para suprir necessidades proteicas sanguínea e nesse primeiro
momento ele vai se deslocar → 3 a 15 dias, sendo em média de 5 a 6
preferencialmente para 3 locais: dias
Monócitos; Linfonodos; e
Musculatura Esquelética EPIDEMIOLOGIA
● O objetivo nessa etapa é ● Brasil está em uma epidemia de
multiplicar. Então o RNA viral vai dengue
ser interpretado nos lisossomos ● Cada 100 pessoas que tiveram
para que sejam produzidas dengue grave, 5 morreram
proteínas virais, o que permitirá a ● Casos concentrados nos meses
liberação dos mesmos novamente mais quentes do ano e enquanto
na corrente sanguínea após um há chuva
determinado período. ● O vírus circula entre sul, sudeste, e
● É nesse momento que o vírus irá nordeste há maior prevalência
se disseminar por todo o corpo do ● Amazonas e Pará são poupados
paciente estimulando a produção pois são chuvosos o ano inteiro
de citocinas pró-inflamatórias – ● Faixa etária: importante pois o
como a TNF-a e IL-6, sorotipo não irá se repetir as
especialmente – e iniciando a fase epidemias de anos atrás;
sintomática da doença, sendo que ● O local muda. Diferenças da favela
uma das estruturas mais afetadas e da zona sul: indivíduo com ar
pela inflamação é a parede não abre a janela
vascular, o que acaba aumentando ● Risco menor dele entrar; na
a sua permeabilidade. comunidade há terreno baldio, lixo,
esgoto, uso de roupas curtas.
Pessoas com menor acesso a
qualidade de saúde de coleta de
lixo e água potável tem risco maior
do que quem não está inserido
nesse meio

TIPOS DE DENGUE
● Clássica
● Dengue com sinais de alarme
● Dengue grave
SUSCETIBILIDADE E IMUNIDADE:
→ A suscetibilidade é universal 1. DENGUE CLÁSSICA
→ Os casos graves se concentram dos 5 ● Febre, geralmente acima 38°C, de
aos 14 anos e depois após os 59 anos - início abrupto e com duração de
vacina para determinada faixa etária. Mais dois a sete dias
casos entre adultos jovens mas é mais ● Cefaleia, adinamia, astenia,
grave em extremos de idade mialgia, artralgia e dor
● A imunidade é permanente para retro-orbitária
um mesmo sorotipo (homóloga) ● Anorexia, náuseas, vômitos e
● A imunidade por outro sorotipo diarreia são frequentes!
(cruzada ou heteróloga) existe de
3 a 6 meses 2. DENGUE COM SINAIS DE
ALARME
PERÍODO DE INCUBAÇÃO
● Dor abdominal intensa (referida ou
a palpação) e contínua
● Vômitos persistentes
● Acúmulo de líquidos (ascite,
derrame pleural, derrame
pericárdico)
● Hipotensão postural e/ou lipotimia
● Letargia e/ou irritabilidade
● Hepatomegalia maior do que 2 cm
abaixo do rebordo costal
● Sangramento de mucosa
● Aumento progressivo do
hematócrito
○ Tem haver com a perda de
permeabilidade do vaso -
volume que deveria
○ estar dentro sai para fora -
extravasamento plasmático ANAMNESE
- perda de pressão que ● Pesquisar a presença de febre –
deixa o plasma no vaso referida ou aferida – e a data de
início da febre e de outros
3. DENGUE GRAVE sintomas
● Choque ● Característica da febre
● E/ou sangramento grave, ● Investigar a presença de sinais de
● E/ou comprometimento importante alarme
de órgãos ● Perguntar se tem náuseas,
vômitos, diarreia, gastrite, entre
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL outras
● Anamnese ● Cronologia dos sintomas
● Exame físico ● Observar estado da consciência,
● Hemograma como irritabilidade, sonolência,
● Bioquímica letargia
● Exames específicos (testes ● Perguntar sobre lipotimia, tontura
rápidos) ● Perguntar sobre frequência da
● Culturas, imagem diurese nas últimas 24 horas
● Pesquisar se existem familiares
com dengue ou dengue na
comunidade, assim como história
de viagem recente para áreas
endêmicas de dengue
● Epidemiologia – presença de
casos de dengue no bairro,local de
trabalho; se o paciente se
deslocou nos últimos 15 dias
● Coexistência de doenças crônicas
(anemia falciforme, doença renal
crônica, doença cardiovascular
grave, diabetes, doenças ● Pesquisar a presença de dor
auto-imunes) abdominal, ascite e hepatomegalia
● Relato de episódio prévio de ● Sangramento de mucosas ou
dengue? manifestações hemorrágicas de
● Gestante? ● pele.
● Calendário de vacinação / doenças ● Petéquias, sufusões hemorrágicas
de infância em locais de punção venosa e
● Condições preexistentes: equimoses.
lactentes, maiores que 65 anos, ● Examinar conjuntivas e cavidade
gestantes, obesidade, asma, oral (palato, gengiva e
diabetes mellitus, hipertensão, ● orofaringe).
entre outras ● Exantema: tipo, distribuição e data
● Uso de medicamentos (AAS, do aparecimento
antiagregantes plaquetários, ● Prova do laço (NÃO é específica;
anticoagulantes, corticoides) serve de alerta)
● Hemograma – Hemoglobina,
EXAME FÍSICO Hematócrito e Plaquetas
● Sinais vitais: temperatura, ● Gestantes (pedir também sorologia
qualidade e pressão de pulso, - diagnóstico diferencial com
frequência cardíaca, pressão rubéola)
arterial e frequência respiratória ● Portadores de doenças crônicas –
○ Avaliar pele: pálida ou HAS, DM, DPOC, doenças
corada; seca ou úmida; cardiovasculares graves, doenças
sudoreica hematológicas, doenças
○ Pulso periférico: ausente/ autoimunes, anemia falciforme,
presente; rápido/ normal; doença renal.
cheio/ fino
○ Enchimento capilar: é HEMOGRAMA
considerado prolongado ● Hematócrito – hemoconcentração?
quando o tempo de ● Contagem de leucócitos –
enchimento capilar é > que leucopenia?
2 seg. depois do ○ Morte dos leucócitos
empalidecimento da pele, infectados (o vírus invade
após leve compressão do os leucócitos e outras
leito ungueal células do sistema imune
● Testar se o paciente tem para a sua replicação, em
hipotensão postural que durante esse processo
● Avaliar o estado de consciência muitas células morrem)
com a escala de Glasgow ● Contagem de plaquetas –
○ Irritabilidade, sonolência plaquetopenia?
torpor ○ Supressão da medula
● Verificar o estado de hidratação, óssea (quando o vírus
peso infecta a medula e reduz a
● Ausculta pulmonar sua capacidade de
● Edema subcutâneo: de face, de produção)
parede torácica e abdominal, de ○ Destruição aumentada das
membros superiores e inferiores e plaquetas (os anticorpos
de saco escrotal produzidos para combater
a dengue se ligam as evolução para o choque por
plaquetas, marcando-as extravasamento plasmático. Sem a
para destruição) identificação e o correto manejo
nessa fase, alguns pacientes
1° PERGUNTA - Em que fase da doença podem evoluir para as formas
ele está? graves e óbito

Fase de recuperação
● Nos pacientes que passaram pela
fase crítica, haverá reabsorção
● gradual do conteúdo extravasado,
com progressiva melhora clínica

FLUXOGRAMA DE ATENDIMENTO AO
PACIENTE
→ Relato de febre, usualmente entre 2 a 7
dias de duração e, duas ou mais das
seguintes manifestações: náusea,
Fase febril vômitos, exantema, artralgia, cefaleia, dor
● A primeira manifestação é a febre, retro orbital, petéquias, prova do laço
que tem duração de dois a sete positiva e leucopenia. Também pode ser
dias, geralmente alta (39° C a considerado caso suspeito toda criança
40°C).É de início abrupto, com quadro febril agudo, usualmente
associada à cefaléia, adinamia, entre 2 a 7 dias de duração e sem foco de
mialgias, artralgias e à dor infecção aparente
retro-orbitária
● Anorexia, náuseas e vômitos (FLUXOGRAMA NO FINAL DO RESUMO)
podem estar presentes, assim
como a diarreia que cursa de três 2° PERGUNTA: Meu paciente vai
a quatro evacuações por dia, conseguir beber sozinho a quantidade
cursando com fezes pastosas de líquido que ele precisa, ou eu vou
● Após a fase febril, grande parte ter que dar aqui?
dos pacientes se recupera
progressivamente, com melhora do ● Anorexia e náusea - baixa ingesta
estado geral e retorno do apetite de líquidos + Febre + Vômito +
Diarreia = Desidratação
● Aumento da permeabilidade capilar
Fase crítica
= extravasamento de plasma
● Tem início com a defervescência
● Desidratação + extravasamento de
(declínio) da febre, entre três e
plasma = CHOQUE
sete dias do início da doença. Os
sinais de alarme, quando
→ Os sinais de alarme e choque para
presentes, surgem nessa fase da
dengue não são pesquisados
doença
rotineiramente
● A maioria dos sinais de alarme é
→ Os profissionais não têm utilizado o
resultante do aumento da
estadiamento clínico preconizado pelo
permeabilidade vascular, que
MS;
marca o início da deterioração
clínica do paciente e sua possível
→ A hidratação dos pacientes foi inferior SOROLOGIA E ISOLAMENTO VIRAL
ao preconizado pelo manual ● Em situação de epidemia, não é
→ Os exames laboratoriais, como necessário testar todas as
hematócrito, necessário para adequada amostras, pois isto não implicará
hidratação e dosagem de plaquetas não em medidas de controle adicionais.
foram solicitados com a frequência Deve-se priorizar os casos que
recomendada necessitam de confirmação
→ O tempo de entrega de resultados pelo diagnóstica (casos mais graves). –
laboratório foi inadequado para testar 10 a 20% dos casos
seguimento de pacientes com dengue ● Em situação não-epidêmica,
→ O tipo de assistência (supervisionada) porém, o diagnóstico sorológico de
e o intervalo de reavaliação foram todos os casos é importante, para
inferiores ao estabelecido se detectar precocemente um
aumento do número de casos e
DIAGNÓSTICO LABORATORIAL implementar medidas de controle.
→ Depende da fase da doença ● O isolamento viral é importante
● Sorologia - IGM - após o 5 dia para conhecimento dos sorotipos
após a viremia cair e os anticorpos circulantes (laboratórios de
aparecem este rápido referência estadual)
● NS1 - só dá pra fazer até o 5 dia - Obs: Só podemos dizer que o diagnóstico
pois é o período do que tem é confirmado na presença de sorologia
viremia positiva ou isolamento viral do dengue
○ Tem como alvo uma → Notificar todos os casos suspeitos!!
proteína específica do vírus
da dengue, chamada NS1 Estudo realizado por Figueiró AC et al.
(antígeno não estrutural 1). (2011) do Grupo de Estudos de Gestão
Esse teste é e Avaliação em Saúde-IMIP (MS)
particularmente sensível ● O que parece influenciar
durante os primeiros dias diretamente a ocorrência do óbito
da infecção, quando o vírus é o manejo clínico inadequado dos
está se replicando casos
ativamente no organismo, ● Os sinais de alarme e choque para
permitindo um diagnóstico dengue não são pesquisados
precoce da dengue. A rotineiramente
proteína NS1 está presente ● Os profissionais não têm utilizado
nos 4 sorotipos da dengue o estadiamento clínico preconizado
e o teste deve ser realizado pelo MS
até o 5º dia do início dos ● A hidratação dos pacientes foi
sintomas. inferior ao preconizado pelo
● Pcr- até o 5/7 dia. Busca o vírus. manual
Exame molecular ● Os exames laboratoriais – como
● Ns1 positivo - dengue hematócrito, necessário para
● Ns1 negativo - não sabe pois não adequada hidratação e dosagem
sabe em qual momento da doença de plaquetas – não foram
foi coletado solicitados com a frequência
● Ns1 proteína do vírus recomendada
● O tempo de entrega de resultados
CRITÉRIOS PARA SOLICITAÇÃO DE pelo laboratório foi inadequado
para seguimento de pacientes com ● É importante ressaltar que
dengue pacientes podem evoluir para o
● O tipo de assistência choque sem evidências de
(supervisionada) e o intervalo de sangramento espontâneo ou prova
reavaliação foram inferiores ao do laço positiva, reforçando que o
estabelecido fator determinante das formas
graves da dengue são as
alterações do endotélio vascular,
com extravasamento plasmático,
que leva ao choque, expressos por
meio da hemoconcentração,
hipoalbuminemia e/ou derrames
cavitários

TEORIA DE HALSTEAD
● Infecções prévias, por sorogrupos
diferentes, são fatores de risco
para a manifestação da forma mais
grave da doença, a Dengue
SINAIS DE ALERTA
Hemorrágica
● Os sinais de alarme devem ser
● Os anticorpos produzidos para
rotineiramente pesquisados, bem
cada sorogrupo são específicos.
como os pacientes devem ser
No entanto, podem realizar uma
orientados a procurar a assistência
reação cruzada, neutralizando
médica na ocorrência deles
outros sorotipos caso haja uma
● Em geral, os sinais de alarme
segunda infecção no intervalo de
anunciam a perda plasmática e a
seis meses
iminência de choque
● Dengue Grave: se relaciona com
● Os sinais de alerta indicam
infecções sequenciais por
evolução para Dengue grave
diferentes sorotipos do vírus da
● Estudo realizado por Maron et al.
dengue, num período de 3 meses
(2011) encontrou associação da
a 5-10 anos. Nessa teoria, a
dor abdominal à presença de
resposta imunológica na segunda
ascite e ao choque. Portanto, se
infecção é exacerbada, o que
reconhecidos precocemente,
resulta numa forma mais grave da
valorizados e tratados com
doença
reposições volumétricas
● Porém, transcorrido esse período,
adequadas, melhoram o
há uma tendência à exuberância
prognóstico
das respostas imune e
● O período de extravasamento
inflamatória, caso ocorra uma
plasmático e choque leva de 24 a
segunda infecção por sorogrupos
48 horas. Atentar para a rápida
diferentes
mudança das alterações
hemodinâmicas
FORMAS GRAVES DA DENGUE
● O sucesso do tratamento do
Sinais de disfunção de órgãos: coração,
paciente com dengue está no
pulmão, rins, fígado e SNC
reconhecimento precoce dos sinais
● Alterações cardíacas graves: ICC,
de alarme
miocardite, associados à
depressão miocárdica, redução da CLASSIFICAÇÃO DE RISCO
fração de ejeção e choque A CR do paciente com dengue visa
cardiogênico reduzir o tempo de espera no serviço de
● SARA (Síndrome da angústia saúde. Para essa classificação, foram
respiratória aguda) decorrente da utilizados critérios da Política Nacional de
pneumonite, podendo ocasionar a Humanização do Ministério da Saúde e o
insuficiência respiratória estadiamento da doença. Os dados de
● Elevação das enzimas hepáticas: anamnese e exame físico são utilizados
pode evoluir para insuficiência para fazer esse estadiamento e para
hepática, associado a icterícia, orientar as medidas terapêuticas cabíveis
distúrbios de coagulação e
encefalopatia
● Insuficiência renal aguda: é menos
comum e geralmente cursa com
pior prognóstico
● Acometimento SNC: meningite
linfomonocítica, encefalite, INTERVENÇÕES NO DENGUE – FASE
Síndrome de Reye (afecção rara FEBRIL
mas muito grave e com frequência
mortal, que provoca inflamação do GRUPO A:
cérebro e acumulação rápida de ● Hemograma completo (não há
gorduras no fígado – pode estar hemoconcentração/plaquetopenia)
associada ao uso de salicilatos) ● Repouso – Acompanhamento
● Acometimento do sistema nervoso ambulatorial
periférico: sinais clínicos de ● Iniciar hidratação oral (60- 80
polirradiculoneurites. ml/Kg/dia)
● Casos de depressão, irritabilidade, ○ 1/3 de solução SRO (soro
psicose, demência, amnésia, caseiro) – (1L)
sinais meníngeos, paresias, ○ 2/3 de líquidos: sucos, chá,
paralisias, polineuropatias água de coco, água. (2L)
(Síndrome de Guillain-Barré) e ○ Adulto 70 Kg: 4 a 5 litros
encefalite - podem surgir no por dia
decorrer do período febril ou, mais ● Sintomas:
tardiamente, na convalescença - Dor e febre: Dipirona,
acetaminofen
- NÃO podem ser administrados:
antiinflamatórios não hormonais,
ácido acetilsalicílico (AAS), devido
a suas propriedades
anti-agregantes plaquetárias.
- Vômitos: metoclopramida (Plasil®),
bromoprida (digesan®),alisaprida,
dimenidrinato
- Prurido intenso: dexclorfeniramina,
loratadina, cetrizina, hidroxizine
- ORIENTAR RETORNO dentro de
3- 6 dias para reavaliação clínica.
GRUPO B: ○ Adultos: 80 ml/kg/dia,
● Casos suspeitos de dengue, SEM sendo 1/3 do volume
sinais de alerta, porém COM administrado em quatro a
manifestações hemorrágicas seis horas e na forma de
espontâneas ou prova do laço solução salina isotônica;
positiva ○ Crianças: oferecer soro de
● Condições clínicas especiais e/ou reidratação oral (50-100
de risco social ou comorbidades: ml/kg em 4 horas).
- lactentes / menores de 2 anos ○ Se necessário, hidratação
- gestantes venosa: soro fisiológico ou
- idade acima de 65 anos Ringer Lactato - 40 ml/kg
- pessoas com com hipertensão em 4 horas. Em caso de
arterial ou outras doenças vômitos e recusa da
cardiovasculares graves, diabetes ingestão do soro oral,
mellitus, DPOC, doenças recomenda-se a
hematológicas crônicas administração da
(principalmente anemia falciforme hidratação venosa
e púrpuras), doença renal crônica,
doença ácido péptica, INTERVENÇÕES NO DENGUE – FASE
hepatopatias e doenças CRÍTICA
auto-imunes
● Condutas: A fase crítica da Dengue tem como base
○ Exames específicos fisiopatológica uma resposta imune
(sorologia/isolamento viral): anômala, desencadeada pela resposta
obrigatório imune do indivíduo infectado é provocada
○ Exames inespecíficos: pela cepa viral infectante, envolvendo
Hemograma completo leucócitos, citocinas e imunocomplexos,
(avaliar hemoconcentração) causando aumento da permeabilidade por
○ Iniciar hidratação oral da má função vascular endotelial, sem
mesma forma que no grupo destruição do endotélio, com
A extravasamento de líquidos para o
○ Hto normal – tratamento interstício, causando queda da pressão
ambulatorial com arterial e manifestações hemorrágicas,
reavaliação diária por 48h associadas a trombocitopenia.
○ Orientar para observar Consequentes a tais manifestações,
sinais de alarme surgem hemoconcentração com redução
permanecer em da volemia, má perfusão tissular, hipóxia e
observação acidose lática
■ Hto. > 10% do valor
basal, ou GRUPO C
■ Crianças: Hto. > ● Febre por até sete dias,
42% acompanhada de pelo menos dois
■ Mulheres: Hto. > sinais e sintomas inespecíficos
44% (cefaléia, prostração, dor
■ Homens: Hto. > retro-orbitária, exantema, mialgias,
50% artralgias) e história
● Tratamento em observação epidemiológica compatível
● Presença de algum sinal de alarme
● Manifestações hemorrágicas (após a etapa de
presentes ou ausentes. hidratação).
● Conduta: ○ Repetir fase de expansão
○ Hidratação venosa rápida, até três vezes, se não
inclusive durante eventual houver melhora do
transferência para uma hematócrito ou dos sinais
unidade de referência hemodinâmicos
○ Exames específicos ○ Se resposta inadequada
(sorologia/isolamento viral): após as três fases de
obrigatório expansão = conduzir como
○ Exames inespecíficos Grupo D
obrigatórios: ○ Se houver melhora clínica e
■ Hemograma laboratorial após fases de
completo expansão, iniciar fase de
■ Dosagem de manutenção:
albumina sérica e ■ Primeira fase: 25
transaminases ml/kg em 6 horas
■ Exames de imagem ○ Se melhora:
recomendados: ■ Segunda fase: 25
radiografia de tórax ml/kh em 8 horas,
e ultrassonografia sendo 1/3 com soro
de abdome fisiológico e 2/3 com
■ O exame soro glicosado
ultrassonográfico é ○ Crianças
mais sensível para ○ Fase de expansão: soro
diagnosticar fisiológico ou Ringer
derrames cavitários, Lactato: 20ml/kg/h em duas
quando comparados horas, podendo ser
à radiografia repetida até três vezes.
■ Outros exames ○ Reavaliação clínica e de
conforme hematócrito em 2 horas
necessidade: (após a etapa de
glicose, ureia, hidratação).
creatinina, ○ Repetir fase de expansão
eletrólitos, até três vezes, se não
gasometria, houver melhora do
TAP/PTT, hematócrito ou dos sinais
ecocardiograma hemodinâmicos.
● Internação por 48 horas ○ Se resposta inadequada
● Reposição volêmica após as três fases de
○ Adulto expansão = conduzir como
○ Fase de expansão: Grupo D.
hidratação IV imediata: 20 ○ Se houver melhora clínica e
ml/kg/h em duas horas, laboratorial após fases de
com soro fisiológico ou expansão, iniciar fase de
Ringer Lactato. manutenção: necessidade
○ Reavaliação clínica e de hídrica basal, segundo a
hematócrito em 2 horas regra de Holliday-Segar.
■ Até 10 kg: 100 eventual transferência para uma
ml/kg/dia; unidade de referência
■ 10 a 20 kg: 1.000
ml+50 ml/kg/dia VACINA
para cada kg acima → A vacina contra a dengue é um
de 10 kg; imunizante que protege contra os quatro
■ Acima de 20 kg: sorotipos do vírus da dengue: DENV-1,
1.500 ml+20 DENV-2, DENV-3 e DENV-4.
ml/kg/dia para cada ● No Brasil, existem duas vacinas
kg acima de 20 kg: atenuadas contra a dengue: a
■ Sódio: 3 mEq em Qdenga (Takeda) e a Dengvaxia
100 ml de solução (Sanofi)
ou 2 a 3
mEq/kg/dia; 1. Qdenga (Takeda)
■ Potássio: 2 mEq em ● A vacina Qdenga ®, do laboratório
100 ml de solução japonês Takeda, teve seu registro
ou 2 a 5 aprovado pela Agência Nacional
mEq/kg/dia. de Vigilância Sanitária (Anvisa) em
○ Fase de reposição de março de 2023
perdas estimadas ● QDenga® é uma vacina
(causadas pela fuga tetravalente atenuada contra os
capilar): quatro sorotipos da dengue
■ SF 0,9% ou Ringer (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e
lactato 50% das DENV-4), produzida a partir de
necessidades tecnologia de DNA recombinante.
hídricas basais, em Dessa maneira, ela induz uma
Y com dupla via ou resposta semelhante àquela
em dois diferentes produzida pela infecção natural,
acessos.g mas sem causar a doença.
● O público, em 2024, será
GRUPO D composto por crianças e
Presença de sinais de choque, adolescentes de 10 a 14 anos,
desconforto respiratório ou disfunção faixa etária que concentra o maior
grave de órgãos. número de hospitalização por
● Choque dengue, depois de pessoas idosas,
● PA convergente (PA diferencial grupo para o qual a vacina não foi
menor ou igual a 20 mmHg) liberada pela Anvisa
● Extremidades frias, cianose ● As vacinas serão destinadas a
● Pulso rápido e fino regiões de saúde com municípios
● Enchimento capilar lento ( >2s) de grande porte com alta
● Hipotensão arterial transmissão nos últimos dez anos
e população residente igual ou
→ Síndrome do choque da dengue maior a 100 mil habitantes,
● Esses pacientes devem ser levando também em conta altas
atendidos, inicialmente, em taxas nos últimos meses
qualquer nível de complexidade, ● O esquema completo da Qdenga é
sendo obrigatória a hidratação composto por duas doses, a serem
venosa rápida, inclusiva durante administradas por via subcutânea
com intervalo de 3 meses entre ● Apresentação: Frasco-ampola com
elas pó liofilizado + frasco-ampola com
● Quem já teve dengue também 0,5ml de diluente.
deve tomar a dose. A ● VIA DE ADMINISTRAÇÃO:
recomendação, nesses casos, é EXCLUSIVAMENTE
especialmente indicada por conta SUBCUTÂNEA (SC).
da melhor resposta imune à vacina ● NÃO DEVE SER ADMINISTRADA
e também por ser uma população POR INJEÇÃO INTRAVASCULAR,
classificada como de maior risco INTRADÉRMICA OU
para dengue grave INTRAMUSCULAR.
● A Qdenga é contraindicada para ● Deve ser armazenada sob
gestantes e lactantes e, portanto, refrigeração, entre +2°C e +8°C.
não pode ser administrada nem na ● Após a abertura do frasco, se
rede pública, nem na privada. mantida sob refrigeração, pode ser
● Também é contraindicada para utilizada em até 2 horas
pessoas com imunodeficiências
primárias ou adquiridas e MÉTODO WOLBACHIA
indivíduos que tiveram reação de ● Consiste na liberação de Aedes
hipersensibilidade à dose anterior. aegypti com Wolbachia nos
● Pessoas com mais de 60 anos não territórios para que esses
têm indicação para receber a dose mosquitos se reproduzam com os
em razão da ausência de estudos aedes locais e ajudem a
clínicos. estabelecer uma nova população
● A Qdenga previne exclusivamente de insetos, todos portando a
casos de dengue e não protege bactéria e não transmitindo
contra outros tipos de arboviroses, doenças
como Zika, Chikungunya e febre ● Com uma injeção mais fina que um
amarela fio de cabelo, retira-se a Wolbachia
● A vacinação contra a dengue tem da drosófila, a mosca das frutas, e
como objetivo a redução das inserem nos ovos do Aedes
hospitalizações e óbitos decorrentes aegypti. Após décadas de
das infecções pelos vírus da dengue pesquisa, chegou-se à conclusão
na população-alvo para a vacinação. de que esse microorganismo,
● População-alvo da estratégia inofensivo para seres humanos,
(crianças e adolescentes entre 10 e bloqueia a replicação do vírus de
14 anos, 11 meses e 29 dias de dengue, zika, chikungunya e febre
idade). amarela nos insetos
● Desde 2014, o Brasil integra o rol
de 11 países que compõem o
Programa Mundial de Mosquitos
(ou World Mosquito Program, da
sigla WMP). Conduzido pela
Fundação Oswaldo Cruz, com
financiamento do Ministério da
● A vacina dengue (atenuada) é uma Saúde em parceria com governos
solução injetável, composta pelos locais
sorotipos 1, 2, 3 e 4 do vírus da ● Na Fiocruz, no Campus Maré, na
dengue atenuado. Avenida Brasil, que ganham vida
os Wolbitos — como são Wolbachia aumenta até que não
carinhosamente chamados os haja mais necessidade de novas
mosquitos com Wolbachia liberações
● A fêmea do mosquito que possui a ● Existem áreas do Rio de Janeiro e
Wolbachia em seu organismo e é Niterói, ele exemplifica, cujas
capaz de transmiti-la a todos os liberações foram feitas há oito
seus descendentes — mesmo que anos e os mosquitos continuam ali
ela acasale com machos sem a presentes positivos com a bactéria
bactéria
● Com o tempo, o percentual de
mosquitos que carregam a

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