Diferenças entre Mímica e Pantomima
Diferenças entre Mímica e Pantomima
A MÍMICA E A
PANTOMIMA
LUIS LOUIS
Ainda hoje, quando pensamos
por na arte da Mímica,
imaginamos o personagem
mudo, de rosto pintado de
branco, com luvas brancas,
fazendo gestos ilustrativos
criando objetos imaginários no
espaço. Mas isso é mesmo
Mímica? E o que é Pantomima?
O mímico fala?
Índice
03 Capítulo Único 17 Anexos
19 Anexos
Mímica e
pantomima
Ainda hoje, quando pensamos na arte da Mímica, imaginamos
o personagem mudo, de rosto pintado de branco, com luvas
brancas, fazendo gestos ilustrativos criando objetos
imaginários no espaço. Mas isso é mesmo Mímica? E o que é
Pantomima? O mímico fala?
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Essa liberdade, porém, tinha seus dias contados. Em 1807,
Napoleão impôs novas restrições, controlando, novamente, o
número de teatros, o repertório, o gênero (8) . Foi nessa
atmosfera que se iniciou a carreira meteórica de Jean-
Gaspard Debureau em 1819, no Thèatre dês Funambules,
localizado no Boulevard du Temple.
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Mas é no século XX que a Mímica irá se Quando o mímico cria uma ilusão da
desenvolver plenamente como forma de corda ou da parede, o gesto traz uma
arte. Isso se deve ao trabalho de um significação metafórica, isto é, não traduz
outro francês, Etienne Decroux, que será o objeto em si, como acontece na
discutido posteriormente. Pantomima, mas abre-se para outras
interpretações, podendo simbolizar a
É de importância fundamental destacar batalha de uma vida ou a prisão de seus
que essa forma de arte que passa a pensamentos, por exemplo. Pode-se
explorar as metáforas da linguagem encontrar texto falado, canções, sons
corporal, com ou sem falas, no drama, na inarticulados ou simplesmente a ação sem
tragédia ou na comédia, denomina-se falas.
Mímica. A Pantomima passa a ser inserida
em um dos seus gêneros e caracterizada A Arte da mímica se mostrou uma arte de
pela figura do seu performer (rosto resistência em toda a nossa história,
pintado de branco, com luvas, que conta sofrendo preconceitos, discriminações e
uma história fazendo uso dos gestos sanções em diferentes épocas por
ilustrativos desenhados no espaço). Tem, diversos reinados e governos.
geralmente, fins cômicos e não possui
falas.
Quando o teatro era oprimido pelo Estado ou pela Igreja ou
pela tirania do texto, como dizia Artaud, foram os mímicos
que surgiram nos becos, nas praças, nas feiras e invadiram os
teatros, mantendo sempre viva a “arte de ator” (9).
(DECROUX, 1995:26).
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Assim, a metáfora deixa de ser compreendida apenas como
uma figura de linguagem e torna-se a mais importante
estratégia cognitiva do aparato biológico humano. Na medida
em que a Mímica Contemporânea reconhece e testa a
organização de imagens cuja ignição nasce da ação do corpo
e não de outras esferas, como o texto teatral ou imagens
apartadas do corpo, ela ilumina o que os protocolos
experimentais de Lakoff e Johnson, entre outros
pesquisadores, têm apontado: para conceituar o mundo, o
processo começa nas ignições do sistema sensório-motor e
não em uma instância de outra natureza, como presumia o
pensamento cartesiano. Torna-se cada vez mais claro que as
ações do corpo são cognitivas e não apenas ilustrativas de
outros textos organizados em objetos do mundo.
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Damásio (1996) explica que, de forma sua vez, afeta o ambiente por meio de
não menos intensa, o organismo interior movimentos resultantes de todo o corpo,
interage com o meio ambiente que o dos membros e do aparelho vocal.
rodeia. Essas relações são mediadas pelo
movimento do organismo e pelos Esse conhecimento será de fundamental
aparelhos sensoriais. O ambiente se importância para entendermos o corpo
conecta ao organismo de diversas não como uma máquina que é pilotada
maneiras. Uma delas é por meio da pelo cérebro, mas como um organismo
estimulação da atividade neural dos integrado interiormente e exteriormente.
olhos, dos ouvidos, das terminações Essa compreensão irá direcionar um
nervosas da pele, nas papilas gustativas e outro rumo na Mímica que será
na mucosa nasal. Essas terminações fundamental para podermos entender o
nervosas enviam sinais para pontos de Teatro Físico, que rompe a divisão de
entradas localizados no cérebro, como se mímica objetiva e mímica subjetiva e faz-
fosse uma espécie de porto seguro onde nos clarear a importância da metáfora.
os sinais podem chegar. O organismo, por
O percurso histórico dessa pesquisa reafirma a hipótese
discutida pelos filósofos franceses Michel Foucault e Gilles
Deleuze, em uma discussão antológica publicada em
Microfísica do Poder (1979), de que a teoria e a prática nada
mais são do que exercícios alternados, iluminando uns aos
outros, apontando para um estudo aberto aos
acontecimentos e não apenas subserviente ao conhecimento
já estabelecido. A trajetória do Teatro Físico ou Mímica
Contemporânea é um bom exemplo dessa
transdisciplinaridade radical, na qual a prática não é uma
aplicação da teoria, uma vez que ela também se configura
como uma ação no e do corpo. Pensamento também é ação.
Movimento internalizado (Greiner, 2005).
FONTE: Texto extraído do livro "A Mímica Total" de autoria de Luis Louis
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NOTAS
(1) Nome dado à área da mímica que cria e explora as ilusões de objetos no espaço.
O gestual da mímica objetiva é o mais fiel possível às ilusões criadas, isto é, nela, a
parede será uma parede e a corda uma corda evitando as metáforas na
movimentação.
(4) Segundo o Papa Alexandre, a mímica jogral, isto é, que analisa as façanhas dos
reis e a vida dos santos e consolavam as gentes das suas amarguras e desgostos
podiam ser toleradas. Foi nessa época que foram desenvolvidas características
originalíssimas, das quais nascerá a base do fazer teatral moderno, a Commedia
Dell’Arte. (idem, p.15). Na época do Renascimento, a Pantomima retorna com uma
grande força nas cortes européias. As representações eram feitas de pantomima,
dança e canto, que logo se dividiram em apresentações de pantomima pura, Balleto
(pantomima dançada) e melodrama. (idem, p.17).
NOTAS
(5) Em 1697, o rei Luis XIV expulsou os comediantes italianos de Paris por terem
zombado de sua amante, Madame de Maintenon. A rivalidade entre os comediantes
italianos, a Comédie Française e a ópera (os dois últimos considerados o teatro dos
reis) cresceu de tal maneira que os comediantes italianos foram exilados para o
outro lado do Rio Sena e receberam a permissão de atuarem somente sob as
condições dos atores não falarem. Então, a pantomima silenciosa, tão popular na
França e no resto da Europa, nasceu na forma que a conhecemos e destacou-se na
figura de Jean-Gaspard Debureau, representado por Jean Louis Barrault no clássico
do cinema francês, Lês Enfantes du Paradis, traduzido para o português como
Boulevard do Crime. Em 1716, a proibição foi retirada e os comediantes puderam
voltar para Paris, embora ainda houvesse um forte controle de gênero e repertório
nos teatros.
(6) Esse termo ficou conhecido na Europa para designar o circuito teatral não
comercial.
(8) É muito provável que, devido às condições criadas na França, com as proibições
impostas no reinado de Luis XIV, Luis XV, Luis XVI e repetida por Napoleão, a
França tenha servido de base para o desenvolvimento da Mímica e do gênero da
Pantomima. Essa arte era uma maneira de muitos artistas burlarem a opressão e
expressarem-se.
(9) A partir dos estudos de Decroux, fica estabelecida uma distinção entre o que
seria a arte do ator e a arte de ator. Esta diferenciação será explicitada no decorrer
deste trabalho.
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