MANCAIS DE ROLAMENTOS.
1. Introdução.
2- Classificação.
3. Especificação de rolamentos.
4. Defeitos comuns dos rolamentos.
5. Critérios de seleção.
Os mancais em geral têm como finalidade servir de apóio às árvores e eixos que
giram no espaço, para que estes possam rodar livremente e suportar as cargas que
atuam sobre eles. Podem ser classificados em:
• Mancais de Deslizamento (buchas).
• Mancais de Rolamento (de esferas e rolos).
Os rolamentos são muito empregados devido a suas numerosas vantagens,
destacando-se por:
➢ Grande padronização e baixo custo.
➢ A resistência ao movimento no arranque dos rolamentos pode ser entre 5 e 10
vezes menor que a resistência dos mancais de deslizamento.
➢ Pouca geração de calor.
➢ Poucas exigências de manutenção e lubrificação.
➢ Grande capacidade na direção axial.
➢ Menor consumo de metais não ferrosos.
➢ Menores perdas por atrito para baixas velocidades e movimentos oscilantes.
Também têm certas desvantagens:
➢ Elevadas dimensões radiais.
➢ Altas tensões de contato.
➢ Menor capacidade para amortecer vibrações que os mancais de deslizamento.
➢ Não são recomendáveis para velocidades extremamente altas.
➢ Não são convenientes em árvores acotoveladas (virabrequim), embora se
fabrique alguns tipos de mancais partidos para estes usos.
Em geral os rolamentos são apoios ideais para as máquinas com freqüentes
arranques e paradas, velocidades baixas, ou movimentos de vaivém. Na
atualidade, as mais diversas máquinas empregam em seus apoios mancais de
rolamento por sua ampla padronização de vários tipos e uma variada gama de
dimensões.
2- Classificação.
2.1. Classificação segundo a forma dos elementos rolantes.
❖ Esferas
❖ Rolos (cilindros, cônicos e agulhas)
2.2. Classificação segundo o sentido de aplicação da carga.
❖ Radiais.
❖ Radiais-axiais.
❖ Axiais
❖ Axiais-radiais
2.3. Classificação segundo sua capacidade de compensação.
❖ Autocompensados.
❖ Não autocompensados.
PARTES COMPONENTES
1 - anel interno; 2 - elementos rolantes;
3 - espaçadores ou gaiola. 4 – anel externo;
Cargas
Carga Carga
Radial Radial
Carga Axial
Cargas
Aplicações
Aviões
Tratores
Máquinas e
Equipamentos Indústrias
Automóveis
Navios
Eletroeletrônicos
Ônibus e
Caminhões Eletrodomésticos
2.4. Classificação segundo o tipo.
Rolamento fixo de uma carreira de esferas
É o mais comum dos rolamentos. Suporta cargas radiais e pequenas cargas
axiais e é apropriado para rotações mais elevadas.
Sua capacidade de ajustagem angular é limitada. É necessário um perfeito
alinhamento entre o eixo e os furos da caixa.
Rolamento de contato angular de uma carreira de esferas
Admite cargas axiais somente em um sentido, possuem pistas
condutoras nos anéis interno e externo deslocados uma em
relação à outra, na direção do eixo do rolamento.
A capacidade de carga axial de rolamentos de esferas de
contato angular torna-se maior à medida que se aumenta o
ângulo de contato.
Rolamento autocompensador de esferas
É um rolamento de duas carreiras de esferas com pista esférica no
anel externo, o que lhe confere a propriedade de ajustagem angular,
ou seja, de compensar possíveis desalinhamentos ou flexões do eixo.
Rolamento de rolo cilíndrico.
É apropriado para cargas radiais elevadas. Seus componentes são separáveis, o
que facilita a montagem e desmontagem. Os rolamentos com gaiola podem suportar
cargas radiais altas e funcionar em velocidades elevadas.
Rolamento autocompensador de uma carreira de rolos.
Seu emprego é particularmente indicado para construções
em que se exige uma grande capacidade para suportar
carga radial e a compensação de falhas de alinhamento.
Rolamento autocompensador de duas carreiras de rolos.
É um rolamento adequado aos mais pesados serviços. Os rolos são
de grande diâmetro e comprimento. distribuição uniforme da carga.
Rolamento de rolos cônicos.
Além de cargas radiais, os rolamentos de rolos cônicos também
suportam cargas axiais em um sentido.
Os anéis são separáveis. O anel interno e o externo podem ser
montados separadamente.
Rolamento axial de esfera.
Ambos os tipos de rolamento axial de esfera (escora simples e escora dupla)
admitem elevadas cargas axiais, porém, não podem ser submetidos a cargas
radiais.
Os rolamentos são separáveis, de montagem simples, uma vez que as arruelas e
o conjunto de esferas e gaiola podem ser montados separadamente.
Rolamento axial autocompensador de rolos.
Possui grande capacidade de carga axial devido á
disposição inclinada dos rolos. Também pode suportar
consideráveis cargas radiais.
A pista esférica do anel da caixa confere ao rolamento a
propriedade de alinhamento angular, compensando
possíveis desalinhamentos ou flexões do eixo.
Rolamento de agulha.
Os rolamentos de rolos de agulhas são rolamentos com rolos
cilíndricos que são finos e longos em relação a seu diâmetro.
Devido a sua baixa seção transversal, os rolamentos possuem
uma alta capacidade de carga e são, portanto, extremamente
apropriados para arranjos de rolamentos nos quais o espaço
radial é limitado.
Tipo x Características
Esferas Rolos Agulhas Autocompensa Rolos
Cilíndricos dor de Rolos Cônicos
Carga Radial Carga Axial Dimensões Ângulo
Tipo x Características
Esferas Rolos Agulhas Autocompensa Rolos
Cilíndricos dor de Rolos Cônicos
Carga Radial Carga Axial Dimensões Ângulo
Tipo x Características
Esferas Rolos Agulhas Autocompensa Rolos
Cilíndricos dor de Rolos Cônicos
Carga Radial Carga Axial Dimensões Ângulo
Tipo x Características
Esferas Rolos Agulhas Autocompensa- Rolos
Cilíndricos dor de Rolos Cônicos
Carga Radial Carga Axial Dimensões Ângulo
Tipo x Características
Esferas Rolos Agulhas Autocompensa- Rolos
Cilíndricos dor de Rolos Cônicos
Carga Radial Carga Axial Dimensões Ângulo
3. Especificação de rolamentos.
Por exemplo: Rolamento 63212 L1C3
6= código de tipo de rolamento correspondente aos rolamentos rígidos de uma fileira
de esferas.
3= série de largura.
2= série de diâmetro exterior.
12= diâmetro interior ou código de diâmetro interior (neste caso, d=12x5=60 mm.).
L1= código de gaiola mecanizada de latão.
C3= código de jogo radial interno maior que o normal.
DADOS GERAIS SOBRE
ROLAMENTOS
• Dimensão:
(7)
Tamanhos
Identificação do Tipo de Rolamento
0 – rolamentos de duas carreiras de BK - Buchas de agulhas com fundo
esferas de contato angular HK - Buchas de agulhas sem fundo
1- rolamentos autocompensadores de N - Rolamentos de rolos cilíndricos
esferas
Utiliza-se uma segunda e por vezes
2 – rolamentos autocompensadores uma terceira letra para identificar
de rolos, rolamentos axiais a configuração das flanges, por
autocompensadores de rolos exemplo, NJ, NU, NUP; as
3 – rolamentos de rolos cônicos designações de rolamentos de
4 – rolamentos rígidos de duas duas ou de múltiplas carreiras de
carreiras de esferas rolos cilíndricos começam sempre
5 – rolamentos axiais de esferas com NN.
6 – rolamentos rígidos de uma NA - Rolamentos de agulhas com
carreira de esferas dimensões limite da ISO 15.
7 – rolamentos de uma carreira de NK - Rolamentos de agulhas
esferas de contato angular QJ - Rolamentos de esferas de
8 – rolamentos axiais de rolos quatro pontos de contato
cilíndricos T - Rolamentos métricos de rolos,
algumas dimensões métricas de
acordo com a ISO 355-1977
Símbolos dos furos
1ª Regra: Para rolamentos fixos de uma carreira de esferas pequenos e miniaturas
(diâmetro de 1 à 9 mm). O número de identificação é composto por 3 dígitos, sendo que
o último dígito indica a dimensão do furo em milímetros.
601 : = 1 mm;
602 : = 2 mm;
609 : = 9 mm.
2ª Regra: Para as quatro dimensões a seguir, a regra é fixa, ou seja:
xx00 : = 10 mm;
xx01 : = 12 mm;
xx02 : = 15 mm
xx03 : = 17 mm.
3ª Regra: Para furos acima de 20 mm, têm-se uma regra, na qual basta multiplicar os
dois últimos dígitos por 5.
xx04 : = 20 mm (04 x 5);
xx05 : = 25 mm;
xx96 : = 480 mm.
4ª Regra: Para furos maiores que 480 mm, após a série xx/500 : = 500 mm;
dimensional, acrescenta-se uma barra ( / ) e a dimensão xx/1800 : = 1800 mm;
nominal do diâmetro interno. xx/7800 : = 7800 mm.
Exemplos de Identificação
1) NU310
• NU – Rolamento de rolos cilíndricos;
• 3 - Série de diâmetros 3;
• 10 - Diâmetro interno de 50 mm (10 x 5).
2) 6310
• 6 - Rolamentos rígidos de uma carreira de
• esferas;
• 3 - Série de diâmetros 3;
• 10 - Diâmetro interno de 50 mm (10 x 5).
4. Defeitos comuns dos rolamentos.
Fadiga superficial dos elementos rolantes e/ou pistas. É a deterioração mais
freqüente e se deve à existência de grandes esforços de contato que se manifestam
de forma cíclica.
Ruptura dos elementos rolantes e/ou pistas. Em caso de sobrecargas, ou
problemas de alinhamento em rolamentos de rolos.
Desgaste dos elementos rolantes e/ou pistas, para condições ambientais onde há
grande quantidade de materiais abrasivos.
Deformação plástica dos elementos rolantes e/ou pistas. Geralmente se
produzem pela aplicação de cargas superiores às máximas permissíveis dos
rolamentos.
Destruição das gaiolas. Ocorre para grandes velocidades de rotação, vibrações,
desalinhamentos.
5. Critérios de seleção.
Segundo o tipo de rolamento: deve-se levar em conta os seguintes aspectos:
❖ Intensidade e direção das cargas.
❖ Rotação.
❖ Dimensões radiais e axiais.
❖ Auto alinhamento.
❖ Lubrificantes a empregar.
❖ Rigidez.
❖ Formas de montagem e desmontagem a aplicar.
Os critérios fundamentais para a seleção são: capacidade de carga estática e
Capacidade de carga dinâmica.
A seleção de rolamentos segundo o critério de capacidade de carga estática se
realiza quando a freqüência de rotação deste é menor de 10 rpm (velocidade de
rotação muito lenta).
Em caso contrário se emprega o critério de capacidade de carga dinâmica, se o
rolamento permanecer nas paradas e arranques sob o efeito da carga deve realizar-
se adicionalmente a comprovação a capacidade de carga estática.
5.1 – Critério de capacidade de trabalho de carga estática.
Chama-se capacidade de carga estática ao valor de força (Co), que produz entre os
elementos rolantes e a pista, no ponto de contato, uma deformação (marca do
penetrador Brinell) de um: diâmetro da marca 0,0001 dCORPOROLANTE.
Para garantir que a carga aplicada sobre o rolamento não afeta seu funcionamento
deve-se verificar que o fator de segurança (fs) seja maior que o recomendado:
fs > fsRECOMENDADO
Cálculo do fator de segurança:
Co
fs =
Po
fs: Fator de segurança
Co: Capacidade de carga estática. Este valor estão disponíveis nos catálogos de
rolamentos.
Po: Carga equivalente. É a carga que simula o efeito da combinação de carga axial e
radial no rolamento.
Po = xo Fr + yo Fa
xo: Fator de carga radial.
yo: Fator de carga axial.
Fr: Força radial.
Fa: Força axial.
Tabela: Fator fsRECOMENADADO para rolamentos em rotação.
Tabela: Fator fsRECOMENDADO para rolamentos sem rodar.
5.2 – Critério de capacidade de trabalho de carga dinâmica.
A fadiga superficial é a deterioração mais frequente sempre que o rolamento esteja
bem lubrificado, protegido da sujeira e a entrada de corpos estranhos, sobrecarrega
etc.
A fadiga superficial, reconhecida como uma picada nas pistas ou nos elementos
rolantes do rolamento, dá-se pela ação repetida de tensões cíclicas de contato, que
origina um ponto de falha no material, propiciando a formação de uma trinca e
consequente escoriação superficial (descascado) depois de um número determinado
de ciclos de carga.
Por definição se estabelece, que a Capacidade de Carga Dinâmica de um
rolamento é a força que pode suportar um rolamento que girou 1 milhão de ciclos
sem que apareça a fadiga superficial com 90% de confiabilidade (quer dizer: em um
lote de 100 rolamentos é admissível que 10 falhem por picada).
Para calcular a duração de um rolamento com qualquer carga aplicada se emprega a
seguinte relação:
P
C
L10 =
P
L10 - Duração de um rolamento submetido a uma carga sem que ocorra a fadiga
superficial em um tempo de 1 milhão de ciclos com 90% de confiabilidade.
[Milhões de ciclos]
C - Capacidade de carga dinâmica. [N]
p - Expoente de duração. (p = 3 Rolamentos de esferas, p= 1/3 rolos)
P - Força equivalente. É a força que simula o efeito da combinação das cargas
axiais e radiais no rolamento. [N].
P = x Fr + y Fa
x : Fator de carga radial.
y : Fator de carga axial.
Fr : Força radial.
Fa : Força axial.
É aceito que um rolamento garante a capacidade de carga dinâmica nominal
quando:
L10 > Lnec
L10 Duração do rolamento para 90% de confiabilidade. [Milhões de ciclos]
Lnec Duração necessária. [Milhões de ciclos]
Lnec 106
Lna =
n 60
Lna - Duração necessária em horas.
n - Freqüência de rotação nominal (rpm).
p
C
Lnec = .a1.a23
P
a1- Correção da confiabilidade.
a23 – Correção do tipo de material e das condições de uso.
5.4 – Seleção de rolamentos de esferas rígidos.
Exemplo.
Calcular a vida útil em milhões de ciclos dos rolamentos com uma confiabilidade de
90%, designação 6306, sobre a árvore atua um força axial igual a 1120N e em cada
um uma força radial de 3 400N, os rolamentos giram a 1000 rpm e estão, lubrificados
com um óleo ISO VG 70. A temperatura de trabalho é 70ºC.
Ver o esquema:
Designação: 6306
6 3 06
(esferas) Largura Média d=30mm
Como n >10 rpm então se deve calcular a vida útil usando o critério de seleção para
cargas dinâmicas.
O rolamento A suporta a carga radial e toda a carga axial da árvore, já que o rolamento
B é flutuante como se pode observar na figura.
Cálculo da vida útil do rolamento A. Fr = 3400 N Fa = 1120 N
([Link]
D =72 mm, d =30 mm, C =29600 N, C0=16000 N, B = 19 mm
P
C
Lnec = a1 a23
P
p = 3 (rolamento de esferas)
[p - Expoente de duração. (p = 3 Rolamentos de esferas, p = 1/3 rolos)]
a1 = 1 ..... da tabela.
Determina-se a23:
Calcula-se a relação de viscosidade:
=
1
Para determinar a viscosidade do lubrificante á temperatura de trabalho () da tabela:
interpolando: = 21,5 mm2/s
Para determinar a viscosidade cinemática (1) usa-se o seguinte gráfico:
Com dm = 51 mm e n = 1000 rpm 1 = 19,9 mm2/s
21,5
= = 1,08
19,9
a23 = 1 obtido do gráfico.
Cálculo da força equivalente (P):
P = x Fr + y Fa
Determinar os fatores x e y pela tabela:
Fa 1120
= = 0,07 e = 0,27
Co 16000
Fa 1120
= = 0,329
Fr 3400
Fa
e
Fr
Então: x = 0,56 e y = 1,6
P = 0,56 (3400) + 1,6 (1120)
P = 3696 N
3
29600N
Lnec = 1 1
3696
Lna = 513,66 milhões de ciclos
Lnec 106
Lna =
n 60
Lna = 8561 horas