Programa Eleitoral: Visão para Portugal
Programa Eleitoral: Visão para Portugal
ELEITORAL
PRIMEIROPORTUGAL
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ÍNDICE
Portugal Primeiro 11
Uma cultura de compromisso 11
Defesa intransigente das funções de Soberania 12
Uma política a pensar no futuro 12
Justiça intergeracional 12
Nem oligarquias, nem clientelas, nem parentelas 13
Responsabilidade e moderação contra o radicalismo 13
Não prometer o que não pode, não dar o que não tem 13
Educação de infância 70
Mais autonomia com mais competências para as escolas 70
Qualificar o ensino profissional 72
Avaliação externa das aprendizagens 72
Dignificar a profissão docente 73
Desporto, investir na formação 74
Generalizar o acesso às formações superiores 75
Valorizar o conhecimento: Uma Estratégia para a Ciência e Inovação 77
Desenvolvimento, digitalização e Inteligência Artificial:
preparar o país e as novas gerações 79
Desigualdade de género 97
Violência doméstica: prevenção e apoio à vítima 99
Uma política para a inclusão 101
Será que nos resignamos ao Portugal que temos e abdicamos do Portugal que queremos? Será
que aceitamos continuar sem rumo nem destino certo?
O Partido Social Democrata, fiel ao seu passado e à sua cultura que o associam a alguns
dos períodos de mais profunda mudança estrutural da sociedade portuguesa, assume a
responsabilidade de propor uma nova visão e um novo propósito que mobilize os portugueses
para a sua concretização.
O presente programa eleitoral tem como horizonte a legislatura 2019-2023, mas as suas bases
fundamentais e a sua concepção têm um âmbito mais alargado que ambiciona tornar Portugal
um exemplo de como é possível conciliar desenvolvimento económico, desenvolvimento
humano e sustentabilidade ambiental.
Queremos Portugal a crescer mais do que o ritmo observado nos últimos anos. Só há uma
maneira de o fazer de forma sustentada: aumentar o investimento público e privado, nomea-
damente estrangeiro, exportar mais, conquistando maiores quotas de mercado. Para que tal se
verifique precisamos de criar confiança entre os empresários e tornar as empresas mais compe-
titivas, libertando-os dos custos de contexto e da carga fiscal que as condiciona. Só poderemos
crescer mais se investirmos mais e exportarmos mais.
É através desse crescimento que poderemos ter mais e melhor emprego. Mais emprego, mas
melhor emprego, que permita criar melhores oportunidades e pagar melhores salários. Sem isso,
não conseguiremos reduzir os 234 mil jovens que que não estudam, nem trabalham (NEET), nem
os mais de 300 mil portugueses que emigraram nos últimos três anos.
Portugal é dos países europeus em que as desigualdades salariais são maiores. Daí não
surpreender o facto de ser também um dos países europeus onde a desigualdade de distribuição
de rendimento e de riqueza é também maior.
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UMA VISÃO PARA PORTUGAL
Aspiramos a construir uma sociedade inclusiva em que todos se possam integrar no respeito
pelas suas origens sociais, pelas suas capacidades, pelas suas culturas e pelas suas opções
religiosas, sexuais ou políticas.
Em 1950 o conjunto dos distritos do interior representavam cerca de 30% do total da população
portuguesa. Hoje essa proporção não vai além de 13,5%. Se nada for feito arriscamo-nos a ter, a
médio prazo, um país em que 90% da população vive num terço do território.
Vivemos num contexto de emergência climática e o nosso país está particularmente exposto
aos fenómenos extremos gerados pelo aquecimento global. Menorizar as ameaças que esta
emergência climática potencia é não antecipar os riscos contingentes que já estamos a correr.
Sabemos que o problema não é resolúvel por qualquer posição voluntarista de cada um dos
países, mas nada impede que Portugal seja pioneiro e que contribua para a construção de
compromisso sólidos no âmbito desse processo.
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económico, tem de incorporar a dimensão de sustentabilidade no próprio modelo de crescimento.
É desejável antecipar a data prevista para atingirmos a neutralidade carbónica (2050). Quer
através da redução das emissões de gases com efeito estufa quer através de um esforço alargado
da capacidade de captura de carbono da atmosfera.
Entretanto, o esforço que estes objetivos exigem poderá ser estéril caso não sejamos capazes de
salvaguardar o que consideramos recursos estratégicos: a água, o solo e o mar.
Portugal será sempre um país em que a produção agrícola terá um papel de relevo, mas para que
tal se verifique a longo prazo é necessário conservar a qualidade dos solos por uma adequada
utilização produtiva, quer agrícola quer pecuária.
Ambicionamos um País mais amigo das crianças e com sentido de futuro. A baixa natalidade só
se poderá contrariar com políticas favoráveis à maternidade e à infância, que abarquem não só
os instrumentos de proteção social, mas que considerem novos contextos de compatibilidade
entre a atividade profissional e a vida familiar.
Se é importante fazer regressar muitos dos nossos emigrantes, torna-se decisivo evitar que
continuem a emigrar todos os anos dezenas de milhares de Portugueses em busca de melhores
condições de trabalho e de vida.
Portugal precisa de conceber políticas de imigração consistentes e estáveis que respondam aos
previsíveis déficits de recursos humanos que, mais tarde ou mais cedo iremos enfrentar.
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UMA VISÃO PARA PORTUGAL
Portugal registou nas últimas décadas um significativo progresso na qualificação das novas
gerações. A melhoria gradual do desempenho dos alunos portugueses nos testes internacionais
é uma garantia que o nosso sistema de ensino ganhou destaque e reconhecimento pelo enorme
esforço que foi desenvolvido. É para nós inquestionável que essa melhoria tem de continuar.
Pessoas que disponham de uma sólida formação de base que lhes é proporcionada pela
escolaridade obrigatória, nas diferentes dimensões do conhecimento, da cultura e das novas
tecnologias, e que encontrem no ensino superior o seu pleno desenvolvimento e o elevado
potencial indispensável a carreiras de elevada qualificação.
A prossecução destes objetivos tem de estar presente deste a infância até à idade adulta. Os
primeiros passos são decisivos na formação da pessoa e do seu potencial, a escolarização
beneficiará em muito dos bons cuidados da infância, o ensino superior abrirá a porta das novas
qualificações e das profissões do futuro.
DIGNIFICAÇÃO DO TRABALHO
O facto de vivermos uma conjuntura que permitiu atingir baixas taxas de desemprego não pode
servir de cortina às condições de uma parte significativa do emprego: houve um claro aumento
do emprego mal remunerado e com elevada precariedade. Sendo um fenómeno extensivo a
vários grupos etários e sectores de atividade, há que reconhecer que foram os mais jovens que
encontraram maiores dificuldades em aceder a um trabalho digno e bem remunerado.
Portugal não pode desenvolver-se com base num modelo de crescimento assente em salários
baixos. Há que progressivamente superar o modelo tradicional que objetivamente se encontra
esgotado.
Por outro lado, setores de atividade existem que enfrentam dificuldades crescentes em contratar
novos colaboradores. Por um lado temos subemprego, por outro carências em alguns segmentos
e especialidades. Isto revela um claro desajustamento do sistema de produção de qualificações
às necessidades do mercado de trabalho.
Estes são alguns dos ingredientes que poderão conduzir a uma proletarização crescente de
milhares de trabalhadores, não só entre os mais pobres e desqualificados, mas, cada vez mais,
entre os qualificados que dispondo de enorme potencial são subaproveitados.
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Neste contexto, pretendemos desenvolver políticas de emprego que assentem no diálogo e
no compromisso entre parceiros, nomeadamente pela valorização da concertação social e pela
limitação da intervenção do Estado nos processos de negociação coletiva.
Todos os parceiros terão de fazer um esforço no sentido de uma melhor compatibilidade entre a
atividade laboral e a vida familiar, especialmente na responsabilidade de proporcionar melhores
condições de acompanhamento dos filhos menores.
Nunca como nos últimos anos os cidadãos portugueses sentiram de forma tão marcante o duplo
efeito de um Estado que bateu os máximos na cobrança de impostos e atingiu os mínimos nos
serviços que presta. Têm razão todos aqueles que questionam: para que serve um Estado assim?
Tendo atingido a maior carga fiscal de que há memória nas finanças públicas portuguesas, nem
por isso o Estado Português se tornou uma entidade de boas contas. Não paga aos fornecedores
nos prazos estipulados, resiste a devolver aos cidadãos o que lhes é devido por decisões judiciais,
lança coimas por não cumprimento de prazos, mas é o primeiro a não cumprir o previsto nas
relações contratuais. Este Estado é precisamente o contrário do que pretendemos que seja.
A degradação dos serviços públicos tem sido a outra face desta má moeda. O próprio Governo o
reconhece e volta a prometer o que não conseguiu fazer em quatro anos. Os cidadãos sentem-
se mais desprotegidos face à calamidade dos incêndios florestais, desrespeitados quando têm
de recorrer aos serviços públicos para obtenção de uma declaração, de um cartão de cidadão
ou da renovação de uma carta de condução, ignorados quando aguardam meses a fio por uma
intervenção cirúrgica ou por uma primeira consulta no Serviço Nacional de Saúde, vilipendiados
quando em sede de justiça aguardam anos pelo reconhecimentos de justa causa, pela absolvição
ou pela reparação dos seus prejuízos pessoais, quando não da sua própria dignidade e bom nome.
Pretendemos um Estado que se valorize pela forma como se organiza para proteger e servir
o cidadão e não para se servir e desproteger o cidadão. A opção não está entre “mais Estado”
ou “menos Estado”, mas antes entre “melhor estado” ou “pior Estado”. De que serve contratar
mais funcionários, aumentar a despesa pública ou alargar as suas funções, se os procedimentos
continuam a ser os mesmos e a lógica do seu funcionamento não corresponder aos novos
desafios da sociedade Portuguesa? De que serve digitalizar a administração pública se os
processos continuam a ser os tradicionais?
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UMA VISÃO PARA PORTUGAL
Teremos de recuperar o Estado que centra as suas prioridades nas funções de soberania, na
gestão das infraestruturas e nas funções sociais, nomeadamente saúde e educação. Garantir
a liberdade e a segurança dos cidadãos, preservar os seus direitos cívicos e sociais, garantir
o funcionamento em segurança das infraestruturas de base, assegurar o acesso à saúde e à
educação para todos.
O velho modelo de estado-nação tornou-se pequeno demais para, por si só, enfrentar os
grandes desafios da Humanidade (as alterações climáticas, o trafico de armas, drogas e seres
humanos, a globalização do sistema financeiro, etc.), mas grande de mais para resolver os
pequenos problemas dos cidadãos. Estamos perante um problema de desadequação de escala
e de concepção que precisa de encontrar soluções novas.
Desejamos um Estado mais descentralizado para melhor responder aos problemas das pessoas.
Um Estado que através de uma boa distribuição das suas competências consiga estar mais
próximo dos cidadãos para os servir e mobilizar para a prossecução dos seus objetivos de
desenvolvimento.
É nessa matriz que se inscreve o seu mais relevante contributo para a pacificação social e
desenvolvimento económico-financeiro do País, contribuindo decisivamente para a criação,
preservação e consolidação de uma ordem social e económica mais justa, da qual todos partilhem
e comunguem e na qual todos se revejam.
A Justiça tem, por definição, de ser perspetivada como uma realidade aberta e socialmente
inclusiva, postulando-se como inderrogável e universalmente acessível a todos e a cada um:
Cidadãos, Empresas e Instituições.
Numa sociedade aberta e estruturada com base nos princípios da democracia liberal o Cidadão
está no centro da ação e funcionamento da Justiça. Deste princípio decorre a principal prioridade
de generalizar o acesso do Cidadão à Justiça, superando os condicionamentos económicos que
o poderão limitar. Os regimes de custas judiciais e de apoio judiciário têm de se organizar em
função da condição social desse cidadão e das condições, por vezes de insolvência, de empresas
e empresários em nome individual.
O acesso à justiça passa igualmente por uma adequada organização judiciária e a sua
especialização no contexto do território, o que pressupõe um mapa judiciário que traduza o
objetivo de uma justiça de proximidade.
A Lei e a Justiça são garantes constitucionais para a defesa do cidadão, nomeadamente contra o
abusos do poder de Estado exercidos nos diferentes domínios da sua atuação.
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No domínio da Justiça Fiscal há que proteger o cidadão da violência tributária, principalmente
quando ao aumento da eficácia da “máquina fiscal” não correspondem as indispensáveis
garantias do cidadão-contribuinte ou das empresas.
Ambicionamos uma justiça que assente na simplificação e celeridade processuais. Neste plano,
a modernização do sistema de Justiça, através da adoção generalizada das tecnologias de
informação, constitui um objetivo a concretizar o mais cedo possível.
Um bom sistema de justiça exige a qualificação dos seus profissionais, designadamente dos
Magistrados, dada a cada vez mais emergente especialização dos “saberes” e a complexidade
das matérias da Justiça (p. ex., a criminalidade económico-financeira, a justiça fiscal).
É sob estes desígnios que o PSD defende uma Justiça independente, reforçando os órgãos de
administração e gestão da Justiça. É sob esta perspetiva - reforço dos órgãos de administração e
gestão da Justiça – que se reequaciona o atual modelo de composição dos Conselhos Superiores
de Magistratura.
Portugal é uma das mais antigas nações da Europa e um Estado cujo território está estabilizado
nas suas fronteiras, desde a sua formação na Idade Média. Por isso conhecemos bem o valor da
independência e o significado do superior interesse nacional.
A Europa e a União Europeia integram o primeiro e mais decisivo pilar. Por isso entendemos que
Portugal beneficia quando contribui para construção de uma Europa mais unida, mais dinâmica
e mais solidária.
Uma Europa mais unida como resultado do aprofundamento da reforma da Zona Euro e da União
Económica e Monetária, agilizando a União Bancária.
Uma Europa mais solidária capaz de aprofundar os mecanismos de coesão social e abrir para
a superação dos novos desafios, desde a luta contra o cancro à estratégia comum para a
natalidade e a infância. No contexto externo, essa solidariedade terá de manifestar-se através
da cooperação com África, nomeadamente com os países do Norte, e do Próximo Oriente com
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UMA VISÃO PARA PORTUGAL
vista a encontrar soluções estáveis para o problema do desenvolvimento dessas regiões e para a
pressão dos fluxos migratórios.
O segundo pilar é o Atlântico. Portugal tem uma posição privilegiada no relacionamento com
as Américas e com África e pode constituir-se como interlocutor privilegiado entre a Europa e
esses continentes.
No contexto da relação transatlântica Portugal terá de reforçar a relação bilateral com os Estados
Unidos e a relação multilateral institucionalizada na NATO. Na primeira dimensão Portugal
deverá continuar a apostar na existência de um acordo bilateral de comércio livre entre a União
Europeia e os EUA, na segunda, principal garante da segurança do nosso país, Portugal cumprirá,
num prazo razoável, a meta dos 2% do PIB em gastos com defesa, tal como foi acordado em
2014.
No mesmo contexto entendemos que é desejável densificar os laços com os países do Atlântico
Sul. É nesse espaço que a Lusofonia tem maior expressão e é nele que entendemos a vantagem
de um Espaço da Unidade do Atlântico, congregando os nossos aliados do Norte e do Sul.
As relações privilegiadas que mantemos com todos os países lusófonos, constituem uma base
para a construção de uma convergência estável entre esses países, mas com especial atenção
ao Brasil e a Angola que já são grandes potências regionais e encerram um enorme potencial de
crescimento e desenvolvimento económico.
Um dos instrumentos com maior capacidade de exploração dessas relações é a CPLP, de onde
poderão emergir soluções inovadoras e de mútuo interesse para todos os parceiros, como é o
caso de uma cidadania comum da comunidade de países, do novo regime de mobilidade dos
seus cidadãos e do alinhamento estratégico em organizações internacionais.
A nossa abertura ao mundo sustenta-se na presença dos Portugueses e das suas comunidades
um pouco por todo o globo. A essa presença é necessário acrescentar uma rede consular que
corresponda à nova distribuição que as últimas décadas consolidaram. Uma rede consular
de maior proximidade exige igualmente uma modernização dos seus serviços, aumentando
a capacidade de resposta e apoiando as iniciativas dos cidadãos portugueses no acesso a
oportunidades quer de emprego quer de negócios.
Uma ligação estreita entre as comunidades e o tecido empresarial portugueses constitui um
enorme potencial de internacionalização dos produtos nacionais que precisa de ser melhor
aproveitado, em estreita colaboração com a AICEP.
Por outro lado, importa mobilizar essas comunidades para se organizarem em defesa dos
interesses portugueses e adquirirem poder de influencia junto dos governos e instituições dos
países de acolhimento.
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OUTRA CULTURA POLÍTICA
Se não mudamos a política é a democracia e a
liberdade que sacrificamos
Após 45 anos de regime democrático, são por demais evidentes os sinais de degradação de
algumas instituições e do dia a dia da nossa vida coletiva. Os indicadores de interesse na política
e a confiança que têm nos políticos e nos partidos políticos por parte dos portugueses remetem-
nos para os mais baixos níveis no quadro europeu.
Se os Portugueses deixaram de confiar nos políticos e nas instituições que suportam o regime,
então todo o sistema está ameaçado.
O primeiro passo para mudar esta situação é, antes de mais, reconhecer que existe uma crise de
confiança no regime democrático e nas suas instituições. O segundo passo passa por identificar
os problemas e encontrar soluções que os possam superar.
Este é o nosso ponto de partida e, infelizmente, não vislumbramos quem partilhe a mesma
preocupação. Por isso somos diferentes, eventualmente não compreendidos, mas cada vez
mais convictos que o PSD desempenhará um papel decisivo para a regeneração do regime e das
suas instituições.
PORTUGAL PRIMEIRO
Não se trata de um mero slogan, mas antes um princípio orientador da ação política que se
inscreve na matriz programática dos social democratas. Para o PSD a vida política e a governação
estão cada vez mais hipotecados aos interesses de grupos particulares, corporações profissionais
e fações políticas cuja ação pública condiciona as políticas, reduz a governabilidade e alimenta
injustiças no acesso e usufruto dos bens públicos. Perdeu-se a noção do bem comum e do
interesse nacional, princípios que devem sobrepor-se a qualquer outro de carácter particular.
Portugal tem de estar acima de qualquer interesse, quer seja partidário, corporativo, económico,
cultural ou familiar.
Quando colocamos o interesse nacional em primeiro lugar temos de estar disponíveis para
sacrificar parcialmente as nossas propostas em prol de um interesse superior. A prática do
confronto partidário e dos combates ideológicos tem de dar lugar, sempre que esse interesse
esteja em causa, à disponibilidade para encontrar soluções através do diálogo e do compromisso.
Quando falamos de compromissos, não falamos necessariamente de consensos. Não esperamos
que se sacrifiquem as convicções e as matrizes ideológicas em que assentam os diferentes
programas políticos. Esperamos tão só, disponibilidade para encontrar e viabilizar as melhores
soluções para os problemas reais de Portugal e dos Portugueses. Por esta razão o PSD reafirma
a sua abertura para com as restantes forças políticas no sentido de encontrar os entendimentos
indispensáveis à implementação das reformas inadiáveis para fazer de Portugal um país mais
desenvolvido e uma sociedade mais coesa e solidária.
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OUTRA CULTURA POLÍTICA
Há uma degradação notória das funções de soberania e dos seus agentes. Nas Forças Armadas
sentem-se os efeitos da desvalorização dos seus profissionais face a outros corpos especiais
da administração pública. Enaltecem-se publicamente as suas missões, mas negam-se os
investimentos indispensáveis à sua prontidão e eficácia. Nas forças de segurança aposta-se na
quantidade de efetivos e raramente na sua formação e qualificação para os capacitar para os
novos desafios e ameaças à segurança interna. No sistema judicial aumentam-se benefícios do
topo da hierarquia, mas deixa-se degradar o funcionamento das organizações judiciárias onde
os processos se arrastam, transformando a justiça num bem de luxo apenas acessível a alguns.
Na representação externa não se potencia o enorme valor das comunidades portuguesas no
mundo de forma a afirmar o nome de Portugal e dos produtos portugueses na economia global.
Apenas o aparelho fiscal parece funcionar demasiado bem, na sua gula de arrecadar receita de
qualquer maneira, ao ponto de se praticarem os exageros expressos pelos sucessivos casos de
violência tributária. O atual nível de carga fiscal é insuportável.
Nos últimos anos a política e a governação perderam sentido de futuro. Precisamos de construir
uma visão para Portugal em que a maioria dos Portugueses se possa rever. Continuamos a
navegar à vista, quando, perante os desafios (económicos, tecnológicos e culturais) com que
somos confrontados diariamente, seria bem mais avisado que traçássemos um rumo e um
propósito que nos unisse e mobilizasse.
Hoje governa-se em função de sondagens, das agendas mediáticas e corporativas. Por cada
notícia inesperada responde-se de imediato com uma medida desgarrada. Temos políticas
casuísticas, sem prévia reflexão, diagnóstico e posterior avaliação. Legisla-se ao sabor das
notícias e a narrativa política é mais orientada para o mensageiro do que para o destinatário.
O PSD entende que mais urgente que governar para eleições, é governar para as gerações. É mais
urgente governar para o cidadão e menos para os comentadores e supostos líderes de opinião.
É mais urgente governar para resolver os problemas estruturais da economia e da sociedade
portuguesas e menos para satisfazer interesses particulares e corporativos de curto prazo.
JUSTIÇA INTERGERACIONAL
O PSD quer governar para dar às novas gerações mais e melhores oportunidades para
concretizarem os seus projetos de vida, contribuindo para, de forma gradual, estreitar esse fosso
geracional que está criado na sociedade portuguesa.
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NEM OLIGARQUIAS, NEM CLIENTELAS, NEM PARENTELAS
Quando os próprios partidos políticos ficam reféns de clientelas que têm de recompensar para
garantir vitórias internas dos seus dirigentes, é o interesse público que, mais tarde ou mais cedo,
é sacrificado. As redes de cumplicidades só podem ser desfeitas pela adoção de critérios de
mérito, isenção, transparência e rigor no acesso a cargos e a funções na administração pública.
Excluem-se, como é natural, as funções de confiança política, como as de assessoria e na
constituição de gabinetes governamentais ou equiparados.
O requisito da confiança política não se pode limitar aos de confiança pessoal ou familiar. A
multiplicação de casos de nomeações de familiares enquadra-se na tradição que julgávamos
ultrapassada de privilegiar as parentelas no acesso a lugares e benefícios públicos. Os recentes
casos de nomeações de familiares, levando ao cúmulo de famílias inteiras viverem do exercício
exclusivo de cargos públicos de nomeação política, merece da parte do PSD o mais vivo repúdio
e um exemplo que não poderá ser seguido.
Não há bom, nem mau populismo. Há populismo enquanto perversão das mais elementares
regras da conduta democrática, quer seja de direita ou de esquerda, e que vive da exacerbação
emocional dos cidadãos através do lançamento de falsidades, meias verdades e da invocação
de um “povo” que se pretende mobilizar contra as instituições democráticas e de representação.
Se o populismo é uma ameaça, reconheçamos que ele frutifica onde as elites e os partidos
políticos deixaram de valorizar a sua base social de apoio. Se o distanciamento entre eleitos e
eleitores se acentua, se a confiança se degrada ou se o escrutínio público fica limitado, cria-se o
contexto favorável à emergência dos populismos e do radicalismo.
O PSD foi, ao longo da sua história, um partido moderado e responsável. Moderado na matriz
ideológica que o criou, responsável porque sempre valorizou o interesse nacional, acima de
qualquer outro, e sempre foi objeto privilegiado do escrutínio público da sua ação política,
independentemente de estar no Governo ou na oposição. É essa tradição de dedicação à causa
pública e de transparência no seu funcionamento que presentemente pretendemos restabelecer
e fazer vingar.
NÃO PROMETER O QUE NÃO PODE, NÃO DAR O QUE NÃO TEM
A ação política responsável tem de assentar na viabilidade das propostas que se apresentam ao
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OUTRA CULTURA POLÍTICA
Por isso, o PSD antes de elaborar o presente programa eleitoral concebeu um modelo de previsão
macroeconómica que nos permite balizar o impacto financeiro das medidas que apresentamos.
Trabalhamos sobre previsões e objetivos verosímeis que, a não serem concretizados, limitarão o
cumprimento das propostas avançadas.
Mais grave do que não cumprir uma promessa é pôr em causa o equilíbrio das contas públicas,
a autoridade do Estado ou os mais elementares princípios de justiça e igualdade perante os
Portugueses.
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AS CINCO REFORMAS
INADIÁVEIS
As medidas avulsas e inconsistentes tornam as
reformas mais urgentes
O PSD identifica-se com a sua matriz reformista e com a experiência governativa que lançou
as reformas mais estruturantes da economia e da sociedade portuguesas em Democracia.
Uma reforma não é um mero pacote legislativo, mas antes um complexo coerente de me-
didas cuja concretização exige planeamento, concertação e uma inabalável vontade de mu-
dança que resista às inevitáveis reações das forças minoritárias que, eventualmente, possam
sentir-se prejudicadas com o novo rumo que se pretende dar a um determinado sector.
O atual governo não promoveu uma única reforma estrutural digna desse nome. Não tendo
uma visão integrada, gere os problemas com medidas avulsas a que raramente falta o apara-
to comunicacional. Com essa opção prefere os paliativos – autênticos e enganadores placebos
políticos – às soluções eficazes, ainda que, por vezes, impopulares.
O PSD entende que é cada vez mais urgente uma política reformista para lidar com esses
problemas estruturais. Entre eles destacamos cinco reformas.
Os cidadãos são hoje profundamente exigentes e reclamam uma intervenção cada vez mais
direta nas decisões que lhes dizem respeito e que afetam as suas vidas. Longe vai o tempo em
que as relações com os órgãos de soberania se estabeleciam numa lógica de opacas paredes,
em que a informação se encontrava reservada apenas a um pequeno conjunto de interve-
nientes, e em que a participação cívica e politica se encontrava exclusivamente no monopólio
dos partidos políticos.
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AS CINCO REFORMAS INADIÁVEIS
Esta nova realidade impõe, assim, novos desafios e capacidade de adaptação dos atores polí-
ticos. O processo de desintermediação no acesso à informação nas sociedades contemporâ-
neas, tem propiciado o surgimento de novos fenómenos como as fake news e a manipulação
de informação, que exige uma profunda adaptação dos partidos e organizações políticas.
O surgimento um pouco por toda a Europa de novos movimentos e partidos políticos resulta, em
certa medida, justamente, da dificuldade demonstrada pelos órgãos de soberania, pelos partidos
tradicionais e pelos atores políticos em se adaptarem às exigências e expetativas dos cidadãos.
Para o PSD a base de partida para a reforma do sistema eleitoral para a Assembleia da Repú-
blica assenta nos seguintes pontos:
A redução do número de deputados, todavia, não poderá ser feita de forma a violar o princípio
da proporcionalidade do sistema eleitoral, pelo que o número de deputados deve ser avaliado
em função dos termos concretos de funcionamento do novo sistema eleitoral para a Assem-
bleia da República.
Por outro lado, a diminuição do número de deputados deve ser acompanhada de medidas
que conduzam a uma maior dignificação do exercício do mandato parlamentar, que permi-
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tam o exercício de um mandato de representação de qualidade e que assegurem condições
de recrutamento de excelência, invertendo a perigosa tendência que se tem sentido em Por-
tugal de uma diminuição progressiva da qualidade dos titulares de cargos públicos.
O PSD entende que o quadro normativo do governo das autarquias deverá sofrer alguns ajus-
tes de forma a conferir-lhe maior estabilidade, mais coesão e maior eficiência do executivo
camarário.
l A duração dos mandatos das autarquias locais deve passar a ser de 5 anos, permi-
tindo uma maior estabilidade do exercício da gestão autárquica.
l O número de mandatos é limitado a três consecutivos quer para os Presidentes
de Câmara quer para os Vereadores.
l Alteração da Lei Autárquica no sentido do reforço da transparência e da qualidade
da governação local.
l Facilitar a governabilidade, permitindo que o Presidente eleito tenha maioria no seu
Executivo, reforçando, em paralelo, os poderes de fiscalização da oposição na As-
sembleia Municipal e no Executivo.
l Criação da figura da moção de censura ao Executivo na Assembleia Municipal com
aprovação por maioria qualificada.
l Dar mais possibilidades de escolha aos Presidentes de Câmara na formação do Exe-
cutivo e aquando da substituição de Vereadores.
Revela-se essencial que se repensem as regras de organização e funcionamento das autar-
quias locais de forma a dotá-las dos necessários mecanismos e instrumentos de gestão ade-
quados às atuais exigências dos cidadãos. O modo como os municípios são geridos não pode
ignorar a dimensão da sua área territorial, da sua população, bem como a sua integração em
áreas metropolitanas. Os instrumentos de gestão, as competências e o grau de autonomia
dos municípios não pode deixar de ser determinado em função das especificidades próprias
dos mesmos.
Partidos Políticos
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AS CINCO REFORMAS INADIÁVEIS
A Reforma da Justiça, sendo das mais complexas, é também das mais urgentes. Após um ano
de trabalho do Conselho Estratégico Nacional e da Secção Temática da Justiça, ouviram-se os
mais diversos agentes, profissionais e as suas organizações representativas, personalidades
da hierarquia judicial e investigadores. Desse trabalho elencámos um conjunto vasto de me-
didas que configuram a proposta de reforma na diversidade dos domínios considerados mais
relevantes.
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l Aperfeiçoamento e intensificação do apoio técnico de assessoria especializada aos
Magistrados.
l Descentralizar funções de gestão e reforçar as competências dos conselhos de ges-
tão de comarca.
l Introduzir métodos de gestão que garantam a alocação correta dos recursos, a elimi-
nação das ineficiências de produtividade do sistema e promovam a qualidade.
l Inventariação de todas as instalações/todos os imóveis afetos ao Sistema Judicial,
identificando as instalações e o respetivo estado, incluindo a inventariação de todas
as instalações e edifícios arrendados pelo Ministério da Justiça, com a contabilização
especifica e integral de custos mensais e de custos anuais para o Orçamento do Es-
tado.
l Elaboração de um plano de remodelação, com definição de prioridades, para as insta-
lações do Sistema Judicial, com vista a otimizar os recursos, aproveitando e remode-
lando os imóveis do Estado que se encontrem devolutos e construindo os necessários.
l Tecnologia e sistemas de informação:
m Avaliação da funcionalidade e da segurança dos atuais sistemas (CITIUS e SITAF);
m Implementação de uma rede informática transversal a todos os Tribunais, su-
perando o “espartilho” e as constatadas dificuldades que se verificam na gestão
informática dos Tribunais, permitindo obter uma significativa redução de custos.
l Instituição de um sistema de avaliação com periodicidade anual ou bienal, externo e
interno da gestão do Sistema Judicial.
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AS CINCO REFORMAS INADIÁVEIS
Justiça em tempo
l Recentrar a função do Juiz nas vertentes cardinais da Justiça, devendo ser dispensa-
do da realização de funções ou tarefas de natureza administrativa.
l Implementar a especialização das Magistraturas constitui uma exigência incontor-
nável para a eficácia do sistema de Justiça.
l Efetiva implementação de gabinetes de apoio técnico especializados e interdiscipli-
nares, de apoio aos Juízes e Magistrados do Ministério Público e em todas as áreas
judiciais em que se justifique.
l Constituição de Equipas de Recuperação de Pendências especificamente vocacio-
nadas para a recuperação de processos pendentes nos Tribunais de 1.ª instância, de-
signadamente nos juízos de execução e de comércio.
l Revisão do regime da ação executiva, concedendo celeridade e eficácia na cobrança
de créditos e garantindo-se a obrigação de celeridade nas diligências de pesquisa de
bens e de penhora. Mais de 70% das pendências nos Tribunais Cíveis são de ações
executivas, o que justifica um plano de contingência para os Juízos de Execução.
l Criação, nestas instâncias de competência especializada, e sempre que se justifique,
de secções específicas para os denominados “grandes litigantes”, que, atualmente,
representam uma entropia considerável nestes Juízos.
l Reforço da formação e qualificação dos funcionários judiciais.
l Especialização dos Tribunais através da criação de competências separadas dentro
destes, passando pela criação de competências separadas para as Insolvências nos
Juízos de Comércio e para os Grandes Litigantes nas Instâncias Locais Cíveis, entre
outras.
l Implementação de um amplo processo de informatização do sistema judiciário num
contexto atual de evolução das ferramentas tecnológicas disponíveis, modernizando
20
as plataformas de gestão processual e de apoio à decisão judicial.
l Celeridade processual, generalizando-se a utilização das tecnologias para execução
de tarefas rotineiras e de mero expediente, armazenagem e busca documental, ges-
tão de agendas e outras tarefas consumidoras de tempo e redutoras da eficiência.
l No plano da legislação processual, identificam-se entraves ao funcionamento do sis-
tema, com reflexos ao nível da qualidade e da lentidão. Impõe-se a revisão dos códi-
gos de processo, agilizando o respetivo regime e eliminado atos e diligências proces-
suais inúteis ou desnecessárias.
l Na medida em que tal se revele possível e sem prejuízo das regras próprias previstas
no processo penal, deverá proceder-se à uniformização dos prazos e procedimentos
em todos os recursos e em todas as jurisdições, aplicando-se-lhes as regras do Pro-
cesso Civil.
l Revisão do atual modelo de realização de perícias, que constitui um dos motivos mais
geradores de atrasos processuais e da consequente morosidade processual. A revisão
deverá primariamente centrar-se nos processos cíveis, laborais, comerciais, penais e
também em alguns tipos processuais dos Tribunais Administrativos e Fiscais.
Justiça de proximidade
As últimas décadas tiveram uma especial incidência na “eficácia da máquina fiscal” sem que,
paralelamente, se reforçasse o estatuto do Cidadão contribuinte. A ineficácia da Justiça Fis-
cal afeta a economia, as empresas e desincentiva o investimento. O bom funcionamento da
Justiça em geral e, em particular a Justiça Fiscal, constitui um fator de competitividade para
as empresas.
21
AS CINCO REFORMAS INADIÁVEIS
Política criminal
Apoio às vítimas
l Violência doméstica
l Privilegiar a manutenção da vítima no seu lar, recebendo aí o apoio indispensável das
autoridades e das demais estruturas da rede institucional.
l Havendo fortes indícios da prática do crime, prever a obrigatoriedade de afastamen-
to do agressor da casa de morada de família e de proibição de contacto com a vítima
como medidas de coação.
22
l Formação específica e obrigatória para os órgãos de polícia criminal e, em geral, para
todos os profissionais que intervenham neste domínio.
l Introduzir ajustamentos ao regime jurídico que previne a violência doméstica (Lei
n.º 112/2009, de 16/9), designadamente quanto ao regime de aplicação de medidas
de coação, ao recurso à videoconferência ou à teleconferência, às declarações para
memória futura e fiscalização do cumprimento das medidas de coação.
l Prever a implementação imediata no ensino pré-escolar, básico e secundário e su-
perior, de disciplinas de Direitos Humanos que incluam os princípios orientadores de
programas de prevenção dos crimes de violência doméstica.
l Crimes sexuais
l Implementar políticas de combate aos crimes sexuais com particular enfoque na pe-
dofilia e na violação.
l Promover medidas com vista à celeridade dos inquéritos criminais.
Sistema prisional
Assume-se como prioritária uma efetiva reinserção social, com vista à realização dos fins da
política criminal, nas vertentes da prevenção geral e especial, tendo em conta os valores dos
Direitos Humanos e da proteção da comunidade em geral.
l Prioridade à reinserção social do recluso.
l Auditoria ao sistema prisional visando a eliminação dos inúmeros problemas aponta-
dos em relatórios internacionais.
l Planeamento.
Dotar o sistema de uma “Lei de Programação do Sistema Prisional” com vista ao planeamento
plurianual das atividades nucleares, nomeadamente quanto à organização, instalações, edu-
cação para a reinserção, sistema tutelar educativo e procedimentos especiais de contratação
pública.
23
AS CINCO REFORMAS INADIÁVEIS
Na perspetiva do Sistema de Segurança Social este cenário não seria tão preocupante caso
a economia apresentasse cenários mais animadores. A sustentabilidade de um sistema de
segurança social depende, antes de mais, da produtividade da economia. Se com os mesmos
recursos humanos conseguirmos produzir maior riqueza isso refletir-se-á nas remunerações
e no aumento das contribuições. Infelizmente, em Portugal e nos últimos anos, nem a econo-
mia, nem a produtividade, nem as remunerações têm dado sinais positivos para contrariar a
evolução negativa da sustentabilidade dos regimes de pensões.
Quer os estudos da Comissão Europeia, quer da OCDE, mostram que o crescimento da pro-
dutividade e do emprego não serão suficientes para gerar um potencial de crescimento da
economia suficiente para compensar o impacto do envelhecimento demográfico no sistema
de pensões. Por outro lado, o crescimento da massa salarial, a longo prazo, não acompanhará
o crescimento do produto.
O PSD consciente deste problema entende que é urgente encontrar um modo de financia-
mento alternativo, que não dependa da massa salarial e que esteja mais próximo da evolução
do produto nacional. Sendo o Produto Interno Bruto o resultado de um somatório dos valores
acrescentados de todas as empresas e de outros agentes criadores de valor é compreensível
que seja do valor acrescentado que provenha a solução para o problema do financiamento
alternativo do sistema previdencial.
Se a Taxa Social Única (TSU) incidir, para além da massa salarial, no valor acrescentado,
a remuneração do capital passa também a contribuir para o financiamento do sistema
previdencial da segurança social.
Essa contribuição deverá fazer-se através da tributação do Valor Acrescentado Líquido (VAL),
evitando tributar o investimento (nomeadamente capital fixo), deduzindo o montante das
contribuições pagas sobre a massa salarial (evitando a dupla tributação).
Em Portugal o sistema de poupança complementar para a reforma cobre apenas uma limi-
tada proporção da população ativa. A pouca adesão aos instrumentos complementares de
poupança/reforma, está associada ao desconhecimento, por parte dos trabalhadores, de as-
petos tão essenciais como o nível da pensão futura, ou o nível de poupança necessário para a
obtenção de uma pensão de reforma ajustada às suas necessidades.
24
A falta de transparência do sistema é um fator que favorece o desconhecimento generalizado
sobre as contas do sistema de pensões e impede, em particular, que os contribuintes/bene-
ficiários conheçam a sua própria “conta”. O nível de iliteracia de pensões é um denominador
comum na Europa, mas no nosso caso mais agravado.
Neste sentido, o governo deverá propor em sede de Concertação Social, um sistema através
do qual as negociações salariais seriam discutidas na base de duas componentes. Além da
componente habitual que pretende acordar sobre aumentos salariais, haveria outra, inova-
dora, que abordaria o pagamento de montantes que se destinariam a uma conta pessoal do
trabalhador, que seria assumida como prestações complementares de segurança social e que
só poderia ser mobilizada em circunstâncias excecionais previstas na Lei. Essa parte diferida
do salário seria abatida à matéria coletável da empresa numa percentagem a definir e seria
totalmente isenta de IRS para o trabalhador. As contas assim criadas seriam geridas por uma
entidade pública.
O nosso país é um dos Estados Membros da União Europeia com a mais baixa taxa sintética
de fertilidade, 1.41 em 2018 (Eurostat). Se este cenário se mantiver, baixa taxa de natalidade e
elevada esperança média de vida, o número de adultos em idade ativa será claramente insu-
ficiente para garantir o equilíbrio social. Se em 1979 existiam 5,5 indivíduos em idade ativa por
cada pessoa com mais de 65 anos, dentro de 30 anos serão apenas 2.
25
AS CINCO REFORMAS INADIÁVEIS
Embora a decisão de ter filhos seja do foro pessoal, cabe ao Estado criar condições que favo-
reçam esta decisão e que permitam que as famílias se sintam amparadas na assunção desta
responsabilidade. Por esta razão defendemos que não tem sentido construir uma política
para a natalidade, quando o desafio está em criar condições mais favoráveis para a materni-
dade e a confiança indispensáveis a permitir que as crianças tenham uma infância que esti-
mule e potencie o seu desenvolvimento.
De acordo com a Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança, todas as crian-
ças têm direito à proteção, provisão e participação nos serviços de ECEC (Early Childhood
Education and Care), pois a pobreza infantil afeta gravemente o bem-estar das crianças, o seu
desempenho educacional e a sua autoestima.
A primeira infância corresponde a um período de desenvolvimento cognitivo crítico e crucial
da criança. Uma educação de infância de alta qualidade é apontada como tendo efeitos be-
néficos no desenvolvimento inicial das crianças e no seu desempenho escolar subsequente
em vários domínios, como no uso da língua, nas competências académicas emergentes - na
literacia da leitura e na numeracia - e nas competências sócio emocionais, que potenciam o
posterior sucesso académico e plena integração social, em particular nas crianças oriundas de
contextos socioeconómicos mais desvantajosos.
26
as crianças mais desfavorecidas, assume-se hoje como indispensável para ultrapassar défices
de conhecimentos, de aptidões e competências que limitam o desenvolvimento pessoal e
profissional.
A Comissão Europeia tem vindo a alertar para a vantagem, em termos de eficiência e eficá-
cia, de se privilegiar o investimento público nas primeiras fases da educação, pois os elevados
custos de educação e guarda nos primeiros anos de vida podem constituir por si um entrave
ao aumento da taxa de natalidade.
Importa relembrar que, em Portugal, para uma família cujos rendimentos se aproximem do
rendimento mediano pode ser hoje mais caro ter uma criança numa creche do que um filho
na Universidade.
Conscientes da realidade atual de muitas famílias, em que pai e mãe trabalham sem poderem
contar com qualquer suporte familiar, e das dificuldades que enfrentam para que as suas
crianças tenham acesso a cuidados e educação desde a primeira infância com qualidade,
comprometemo-nos a implementar as seguintes medidas:
l Universalização da creche e jardim de infância, dos 6 meses aos 5 anos, nas redes
social e pública, através da criação de uma rede nacional de creches e jardins de
infância tendencialmente gratuitos.
27
AS CINCO REFORMAS INADIÁVEIS
Após 45 anos de Democracia e 33 anos de União Europeia, o país deu um enorme salto em
termos de desenvolvimento económico no seu conjunto. Apesar desse balanço global, no
entanto, os desequilíbrios territoriais continuam a acentuar-se, com muitas regiões a per-
derem população, dinamismo social e atividade económica. Este é um dos maiores insu-
cessos da nossa Democracia e é preciso interromper o círculo vicioso que faz com que, em
muitos territórios, as pessoas saiam porque não há oportunidades e, porque saem, as oportu-
nidades ainda se reduzem mais para os que ficam. O PSD não se resigna a assistir impoten-
te a esta tendência e irá colocar este tema no topo da agenda de prioridades para a próxima
legislatura.
Para além de ser possível fazer muito mais do que se tem feito para favorecer a implantação
de empresas nos territórios de maior interioridade, o Estado tem uma particular responsabi-
lidade no processo de concentração espacial da população por ser o responsável único pela
localização dos seus próprios serviços.
28
l O princípio geral, como sempre para o PSD, é que qualquer alteração que melho-
re os resultados da máquina estatal terá de assegurar a diminuição da despesa
pública global. Uma das prioridades é reduzir a profusão e confusão atual de par-
tições territoriais que o país apresenta e que leva a que, em muitos territórios, os as-
suntos de saúde, de segurança social, de agricultura ou de licenciamento industrial,
por exemplo, sejam tratados em sítios diferentes.
Considerando que a Reforma do Estado, também enquanto catalisadora que deve ser do en-
volvimento e da participação ativa dos cidadãos na vida pública, assenta, muito em especial,
na consubstanciação efetiva do princípio da subsidiariedade, na organização e funcionamen-
to do próprio Estado e a todos os seus níveis e de todas as suas estruturas, o PSD assume,
perante os Portugueses:
l A integração do citado princípio de subsidiariedade, transversalmente a toda a legis-
lação nacional e, de modo particular, nas relações entre as Autonomias Políticas dos
Açores e da Madeira e a República.
Esse princípio tem especial acuidade quando se trata de regiões ultraperiféricas merecedoras
do benefício dos instrumentos de diferenciação positiva que permitam estreitar a distância
económica e social atualmente existente.
29
30
MAIS E MELHORES
OPORTUNIDADES
Só o crescimento económico gera mais riqueza
e melhores oportunidades
31
MAIS E MELHORES OPORTUNIDADES
A economia Portuguesa só poderá apresentar taxas de crescimento que permitam uma rápida
convergência com os seus parceiros europeus através de aumentos de produtividade, e de
um aumento do volume de investimentos tanto em capital físico como em capital humano.
Tendo em conta o elevado endividamento nacional (famílias, empresas e Estado), o esforço de
investimento depende criticamente da capacidade de aumento da poupança das famílias e do
Estado e de atração de IDE, sobretudo em setores de elevado valor acrescentado e de criação de
empregos com elevadas qualificações.
Torna-se, assim, urgente e imperioso implementar reformas estruturais que aumentem de forma
sustentada o potencial e a competitividade da economia, nomeadamente pela dinamização das
exportações, da poupança e do investimento, e que permitam simultaneamente aumentar o
crescimento e diminuir o endividamento externo.
Para adaptar a organização do Estado ao objetivo maior de inserir Portugal numa rota de aumento
sustentado da competitividade, entendida na sua natureza sistémica e multifuncional - e nunca
na dimensão redutora dos custos salariais- e desse modo permitir uma geração de riqueza mais
consentânea com os níveis que os nossos parceiros da União Europeia atingem é por demais
evidente a necessidade urgente de reajustar a inserção do Ministério da Economia na sociedade
e na economia real.
É necessário reformular todo o Ministério da Economia, de modo a conferir-lhe a “alma” de
uma Política Económica, nas suas múltiplas vertentes, distribuídas por uma matriz de Políticas
Horizontais x por Políticas Setoriais. Entre as Horizontais, dar-se-ia prioridade a:
32
l Competitividade e Inovações incrementais promovendo o crescimento sustentado
da produtividade;
l Interface com o Sistema de Ciência e Tecnologia;
l Digitalização, promovendo o up-grading da existente, e tendo como meta a Revolução 4.0;
l Capacidade de reação às Alterações Climáticas, em sintonia com a COP 23;
l Interface com o sistema financeiro, bancário e do Mercado de Capitais. Entre as Se-
toriais, dar-se-ia prioridade a (A) Indústria; (B) Comércio; (C) Energia; (D) Serviços (E)
Mobilidade e Transportes e, (F) Interfaces com a Agricultura, e, com as Pescas
Nesse sentido é necessário proceder a reformas estruturais no âmbito da Justiça, mercado laboral
e apoios às empresas.
A morosidade da justiça portuguesa é notória, e é um fator negativo na atração de investimento
direto estrangeiro. Os Centros de Arbitragem emitem sentenças em prazos máximos de 4 a 6
meses. Propomos alargar a todos os sectores de atividade os Centros de Arbitragem de Litígios
em complemento ao sistema judicial, definindo esse foro para litígios contratualmente no
início da atividade empresarial (adesão plena e imediata no momento de criação da empresa).
Defendemos também a emissão de versão em Inglês de todos os documentos oficiais relativos
às atividades económicas (Certidões de Conservatórias, Autoridade Tributária, Declarações da
Segurança Social, etc.), como já existe com as Certidões Comerciais. É uma vantagem competitiva
para a captação de investimento direto estrangeiro a possibilidade de obter os documentos oficiais
do Estado Português através da Internet e já em língua inglesa. É necessário reforçar o papel do
Corpo Diplomático ao serviço do comércio externo de Portugal, bem como rastrear a diáspora
portuguesa na procura de situações win-win com portugueses a ocupar lugares de destaque em
empresas referência no exterior. Adicionalmente, a justiça laboral é cara, lenta e precisa de ser
renovada, pelo que devemos apoiar a criação dos gestores dos tribunais, uma medida idêntica à
dos gestores hospitalares.
É também necessário reduzir significativamente os custos de contexto das empresas e dos
investimentos associados à Administração Pública e às questões do licenciamento e autorizações.
Nesse sentido é necessário reduzir substancialmente a burocracia e as regras de licenciamento,
sobretudo para atividades de pequena dimensão. Deve existir um esforço profundo com as
associações de cada setor para identificar os entraves burocráticos em cada área e a melhor
forma de os suprir/reduzir. Propomos a implementação de um interface único de licenciamento
e a promoção do princípio da confiança, alargando a regra da fiscalização à posterior, bem como
a renovação automática de muitas das autorizações e documentos (quando tal não for possível
ter mecanismos de pre-agendamento de renovação). As novas tecnologias podem impactar de
forma significativa na redução da burocracia e na simplificação dos processos administrativos da
máquina do Estado.
Por outro lado, a política fiscal tem de estar ao serviço do aumento da competitividade e do
crescimento potencial da economia Portuguesa, para além de promover uma redistribuição
eficaz, mas não confiscatória, dos rendimentos.
A Política Fiscal deve ter como principal objetivo a redução da carga fiscal, privilegiando o alívio
da carga fiscal para as famílias da classe média, focado no aumento da poupança, e o aumento
da competitividade da economia Portuguesa e das empresas sediadas em Portugal, reforçando
o investimento (nacional e estrangeiro), através da redução de IRC e de benefícios fiscais ao
investimento e à criação de emprego. Para tal, o PSD propõe:
l Reduzir a taxa nominal de IRC, que deverá atingir gradualmente um dos níveis mais
competitivos da EU.
33
MAIS E MELHORES OPORTUNIDADES
l Alargamento da aplicação da taxa reduzida de 17%, abrangendo os lucros até 100 mil
euros (em vez de 15 mil euros).
l Reorganizar o regime simplificado, tornando-o um regime de muito mais fácil aplica-
ção e que reduza o esforço fiscal das pequenas e microempresas.
l Alargar o prazo de reporte de prejuízos para 10 anos, mantendo o limite de 70% da
matéria coletável para dedução anual dos prejuízos (Portugal é o país da União Eu-
ropeia com o menor prazo de reporte de prejuízos; na maioria dos países Europeus o
prazo é superior a 10 anos).
l Revisão dos benefícios e isenções fiscais às empresas, eliminando-se aqueles que já
não se justifiquem e focalizando os benefícios fiscais em empresas que contribuam
significativamente para a criação de emprego, o investimento e as exportações;
l Melhorar as condições previstas no RFAI – Regime Fiscal Apoio ao Investimento.
l Permitir em determinados setores e ativos (ligados sobretudo a setores tecnológicos)
taxas de depreciação aceleradas.
l Reforçar o regime fiscal de patentes e inovações.
l Alargar o âmbito de aplicação do Regime de Dedução por Lucros retidos.
l Incentivar o investimento produtivo através de créditos fiscais ao investimento, à
semelhança do regime do Crédito Fiscal Extraordinário ao Investimento, implemen-
tado em 2013.
l Reforçar os mecanismos de preços de transferência, através de acordos quadro, se-
guindo o exemplo holandês, como forma de captação de investimento real, que as-
sim poderia usufruir de taxas de tributação mais baixas.
l Reforço dos benefícios fiscais relacionados com o investimento e atividade económi-
ca que envolva os PALOPS e a CPLP, nomeadamente com a criação de um “Acordo
Multilateral de Fiscalidade” que transforme Portugal num centro financeiro para
os investidores dos Países Lusófonos, através de um regime especial de isenção nas
SGPS’s e nos fundos de investimento, em termos de dividendos, mais-valias, juros,
royalties e amortização do goodwill.
l Renovar incentivos às regiões do interior, nomeadamente através da criação de
incentivos financeiros e fiscais ao estabelecimento de clusters / zonas económicas
privilegiadas que apostem em determinadas atividades e indústrias específicas e na
economia do conhecimento.
l As Sociedades Comerciais dedicadas exclusivamente à atividade de Business Angel
devem ter um regime próprio de participation exemption total.
l Criação de um regime legal e fiscal que agilize e incentive aquisições e fusões no uni-
verso das PMEs.
Paralelamente, é necessário criar um quadro legislativo onde cumprir as obrigações fiscais não
seja um processo moroso e complexo, e onde planear não seja uma missão impossível. As normas
fiscais têm de ser mais simples (de fácil compreensão e adequadamente dirigidas) e estáveis
(para vigorarem vários exercícios), o que só poderá ocorrer com a criação de um quadro fiscal que
gere consenso suprapartidário e que seja apresentado aos Portugueses e aos investidores, como
um quadro de referência de médio prazo. A competitividade das empresas será reforçada com
a reforma do sistema fiscal, que permitirá reduzir o esforço fiscal e os custos fiscais de contexto
através do:
34
l Simplificação e redução das obrigações e declarações fiscais.
l Simplificação dos procedimentos de liquidação e pagamento do IVA:
o Alargamento do regime de IVA de caixa.
o Alargamento dos prazos de pagamento do IVA.
o Melhoria substancial do regime de reembolso do IVA das empresas exportadoras,
reduzindo os prazos de reembolso.
35
MAIS E MELHORES OPORTUNIDADES
apoio à agregação de PMEs, através de processos de fusão e/ou aquisição, criando um conjunto
de novas Médias Empresas, com dimensão, recursos e capacidade para desenvolverem processos
de inovação radical, com a absorção e utilização intensiva dos nossos jovens tecnólogos e de
gestão. Utilizar a entidade financeira designada por Banco de Fomento para aportar quasi-capital
às empresas que integrem este programa de aumento de escala, permitindo, por esta via, um
reforço da sua capacidade de investimento em novos projetos, para o mercado externo.
l Agilizar os mecanismos de avaliação das candidaturas, que deverão ser cada vez mais
ágeis, céleres e eficientes.
l Os Projetos de I&D provenientes dos sectores prioritários, deverão ter acompanha-
mento específico.
36
l Recuperar o programa JTI – Jovens Técnicos para a Indústria, desenvolvendo com o
apoio dos Centros Tecnológicos Sectoriais, programas de incentivo à integração dos
nossos jovens licenciados, nas áreas científicas, tecnológicas e de gestão, nas empre-
sas portuguesas.
l Criar um programa JDI – Jovens Doutorados para a Indústria, desenvolvendo, com o
apoio das Associações Empresariais Nacionais, programas de incentivo à integração
dos nossos jovens doutorados, nas áreas científicas, tecnológicas e de gestão, nas
empresas portuguesas, substituindo, com vantagens para a economia portuguesa,
o atual sistema de bolsas de investigação (Estes doutorados, integrados nas empre-
sas, teriam prioridade na contratação, como Professores Convidados, para disciplinas
aplicacionais, nas Universidade Públicas – trazendo uma maior ligação entre as uni-
versidades e as empresas, entre a teoria e a prática).
l Desenvolver, com o apoio dos Centros Tecnológicos Sectoriais, programas de forma-
ção, qualificação e certificação de quadros técnicos intermédios, preenchendo, ade-
quadamente a fileira de conhecimento das empresas portuguesas mais dinâmicas.
Por último, é necessário reforçar os mecanismos da concertação social enquanto local preferencial
de construção de compromissos, de forma a criar incentivos e alinhar os interesses dos vários
parceiros, tendo em vista contribuir para o aumento da produtividade nacional e a geração de
emprego.
37
MAIS E MELHORES OPORTUNIDADES
Mercado laboral
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O Turismo como setor estratégico
O Turismo constitui uma atividade económica fundamental para o país, representando já cerca
de 15% do PIB e contribuindo definitivamente para o equilíbrio da nossa balança de pagamentos.
O valor acrescentado da atividade turística é, no entanto, ainda muito baixo, quando comparado
com outros destinos europeus, nomeadamente, Espanha, França e Itália. O aumento do valor
acrescentado passa pela diversificação e sofisticação da oferta turística, aproveitando as
potencialidades e especificidades de todo o território nacional. O desenvolvimento do interior
do país e a melhoria da oferta cultural, são variáveis fundamentais para esse objetivo.
As ações que propomos, passam por:
Num mundo globalizado, as oportunidades de realização profissional dos nossos jovens têm de
estar, naturalmente, associadas a um conhecimento e vivência diversificada e internacional. A
mobilidade dos nossos jovens é, pois, um desígnio nacional. Mobilidade entre países e regiões,
entre sector público e privado, entre a academia e as empresas. Para além da mobilidade, a
segunda variável crítica é a aprendizagem ao longo da vida, com regresso periódico e sistemático
às instituições do ensino superior.
As ações que propomos, passam por:
39
MAIS E MELHORES OPORTUNIDADES
40
VALORIZAR OS RECURSOS
NACIONAIS E PROMOVER A
SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL
Aumentar o potencial de desenvolvimento
endógeno de forma sustentável
Quando nos confrontamos com as recorrentes queixas da falta de recursos naturais, melhor
seria que indagássemos se os recursos disponíveis estão a ser bem aproveitados. Numa era
em que as sociedades mais avançadas assentam o seu desenvolvimento sobre os pilares do
conhecimento, da inovação e da capacidade de formar e valorizar o talento das novas gera-
ções, os recursos endógenos, por mais limitados que sejam, acabam por adquirir um valor
adicional pela escassez e unicidade que representam.
Precisamos de mobilizar a investigação científica e a inovação para a valorização dos nossos
recursos endógenos, a começar pela preservação e valorização do nosso capital natural, do
enorme potencial que representa o mar, a agricultura e a floresta. Precisamos de aprofundar
os mecanismos da economia circular para que o legado que recebemos das anteriores gera-
ções possa ser transmitido às novas, se possível acrescido, ou, pelo menos, preservado.
Portugal é detentor de um vasto património natural que se caracteriza pela grande diversida-
de biológica tanto ao nível das espécies, dos habitats e dos ecossistemas, como ao nível dos
sistemas biogeográficos e ecológicos. A valorização e preservação do património natural é
um elemento fulcral na construção de sociedades mais sustentáveis, justas e prósperas. Não
é possível encarar o desenvolvimento sustentável sem conferir à temática da natureza e da
biodiversidade um papel central, enquanto pilar no domínio do ambiente.
O PSD tem obrigação de honrar a sua história e colocar as questões ambientais no topo
das suas prioridades.
Uma política ambiental equilibrada não é, nem deve ser, um constrangimento ao crescimen-
to económico. A capacidade técnico-científica atual deve impulsionar soluções inovadoras e
sustentáveis que promovam a proteção e o usufruto do ambiente.
A nossa proposta assenta, desde logo, na mudança do paradigma vigente rompendo com a
dispersão, ineficiência e falta de capacidade que o setor da conservação da natureza e biodi-
versidade tem tido até à data. Neste sentido promoveremos:
41
VALORIZAR OS RECURSOS NACIONAIS E PROMOVER A SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL
níveis da instituição;
l Uma avaliação integrada e completa do valor económico, atual e potencial, asso-
ciado aos bens e serviços ecossistémicos, incluindo a identificação e criação de um
quadro de oportunidades de investimento, quer pelo setor público, quer pelo setor
privado;
l A redefinição da rede nacional de áreas protegidas, com vista a reforçar a conser-
vação e utilização sustentável dos elementos da biodiversidade mais relevantes, do-
tando-as de estatuto e modelos de gestão mais eficientes, credíveis e participados e
capazes de reduzir os incompreensíveis conflitos entre as partes interessadas;
l Um modelo de governança que melhore a adequação e integração da gestão da
biodiversidade e dos espaços classificados no quadro normativo e funcional do or-
denamento do território, uma maior proximidade e coerência com as Instituições de
Ensino Superior e Institutos de Investigação e o reforço do diálogo com os cidadãos,
organizações cívicas e o setor privado;
l Uma participação ativa na gestão internacional da biodiversidade, quer no qua-
dro das convenções e acordos multilaterais, na União Europeia, quer no espaço da
Península Ibérica, quer na Lusofonia, mobilizando os diferentes atores e setores na-
cionais nessa participação.
42
de GEE, as florestas são um ativo fundamental para Portugal atingir a neutralidade
carbónica por se tratarem do único mecanismo efetivo de sequestro de CO2 com di-
mensão visível (é também aqui que fenómenos como os incêndios florestais assumem
proporções dramáticas). O setor florestal deve ganhar uma nova dimensão industrial
no sentido em que uma floresta passe a ser uma “fábrica” de sequestro de carbono;
l Alteração do quadro legal e regulamentar no sentido da intensificação da criação
de mais espaços verdes nos grandes centros urbanos, cujos novos parâmetros de-
verão ser incorporados nos respetivos Planos Diretores Municipais;
l Imposição de rácios de arborização urbana, pois aumenta a destruição de CO2 atra-
vés da fotossíntese e protege as pessoas das temperaturas elevadas cada vez mais
frequentes.
l Reforçar a dimensão da neutralidade carbónica na Fiscalidade Verde, através
de uma política fiscal que consiga contribuir simultaneamente para a consolidação
orçamental e para o crescimento sustentável, em direção a uma economia de bai-
xo carbono, impulsionando a economia circular, criando emprego e fortalecendo a
competitividade.
l Promoção de Planos Intermunicipais para a Descarbonização, sem que se perca
uma visão geral sobre o tema, deve ser parte integrante da agenda para a descarbo-
nização um conjunto de ações ao nível local, que permitam respostas integradas e
assimiladoras das sinergias de âmbito geográfico;
l Estabelecimento de Conselhos Intermunicipais de Descarbonização, compostos
por membros representativos da sociedade, sem prejuízo de representantes a um ní-
vel ainda mais local, cabendo-lhes a apreciação dos planos de descarbonização da sua
área geográfica e a monitorização dos indicadores de desempenho de tais planos;
l Capacitar o país para as oportunidades do mercado europeu de carbono, a fase
4 (2021-2028) do Sistema Europeu de Comércio de Emissões está já ser preparada a
nível europeu e em 2019 a Market Stability Reserve deverá estar operacional, consti-
tuindo a solução estrutural de médio prazo para o comércio de emissões na UE e a
estabilização do mercado europeu de carbono. Assim, serão envidados os esforços
necessários para que Portugal esteja, por um lado, na linha da frente na definição
dos termos do sistema europeu do comércio de emissões e, por outro, devidamente
preparado para os desafios relacionados com o mercado de carbono;
43
VALORIZAR OS RECURSOS NACIONAIS E PROMOVER A SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL
Zona costeira
O risco associado à erosão costeira é tanto maior quanto maior a ocupação humana dos tro-
ços vulneráveis, atingindo valores particularmente elevados onde essa ocupação é indevida
ou resultou de um mau ordenamento do território. Os processos erosivos poderão ser agrava-
dos pelas alterações climáticas, designadamente pela subida do nível médio da água do mar
e pela ocorrência mais frequente de fortes temporais.
O PSD assume a proteção da zona costeira como uma prioridade de política pública. Nesse
sentido, promoverá um conjunto de ações concertadas de médio e longo prazo de modo a
construir um modelo de governança da zona costeira que garanta a articulação e convergên-
cia dos interesses dos responsáveis pela gestão do território e dos agentes económicos. Neste
enquadramento indicam-se as seguintes medidas:
44
l Elaboração e atualização regular de mapas de vulnerabilidade e de risco para
todo o litoral, em cenários de alterações climáticas, construídos com suportes e me-
todologias científicas coerentes, bem consolidadas e que reúnam o maior consenso
possível na comunidade científica;
l Limitar a expansão urbana nas zonas de risco, integrando a adaptação às altera-
ções climáticas nos instrumentos de gestão territorial, em particular nos Planos Dire-
tores Municipais.
A água é um recurso natural limitado, um bem essencial para o Homem, para os ecossis-
temas, para fins agrícolas, para produção de eletricidade e um motor para a economia de
qualquer País, sendo atualmente um tema prioritário a nível mundial. Por outro lado, a água
enquanto recurso hídrico constitui um elemento estratégico para o País, tanto em termos de
desenvolvimento socioeconómico, como de proteção e valorização ambiental.
É consensual a afirmação de que o grau de desenvolvimento de um país se mede pela
qualidade dos seus recursos hídricos, e pela forma como são protegidos nas suas múltiplas
vertentes. Para isso é vital existir uma boa monitorização e controlo das massas de água.
Neste contexto, o PSD defende a adoção de um conjunto integrado e alargado de medidas
que visam a gestão adequada dos recursos hídricos existentes no nosso país e a valorização
do seu potencial estratégico:
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VALORIZAR OS RECURSOS NACIONAIS E PROMOVER A SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL
46
ticularmente as universidades e as Regiões Autónomas, aprofundará o mapeamento
dos fundos marítimos e a prospeção extração de componentes para as indústrias far-
macêutica, cosmética e alimentar, desenvolvendo, em paralelo, a indústria da robótica
subaquática.
l Implementar, em articulação com a Agência do Mar, um Plano Nacional de Aqua-
cultura Offshore que permita ao Estado balizar metas com o intuito de desenvolver
a aquicultura de forma integrada em três fases: 1) estudos técnicos e de mercado; 2)
lançamento de projeto-piloto; 4) criação de um centro de apoio técnico à iniciativa pri-
vada, formação e investigação.
l Avaliar e alavancar o potencial de novos clusters de base tecnológica, como seja, a
título de exemplo, o turismo náutico de recreio, lazer e competição, com provas dadas
na realização de um conjunto significativo de provas náuticas internacionais e impor-
tância patente no crescente número de operadores marítimo-turísticos, de forma a
que também seja possível beneficiar do conhecimento e rede de contactos de um
conjunto significativo de portugueses que ocupam lugares de destaque em organis-
mos internacionais.
l Assegurar o adequado ordenamento e planeamento espacial do Oceano e das zo-
nas costeiras, assegurando a adequada articulação entre as diferentes atividades hu-
manas que concorrem pelo espaço e recursos marítimos e minimizando a incompati-
bilidade e conflitualidade na utilização destes recursos.
l Preservar e proteger o património natural marinho, começando por constituir um
acervo dos valores geológicos, arqueológicos e históricos e da biodiversidade e vida
natural, e desenvolvendo planos de salvaguarda e preservação deste património.
l Potenciar a internacionalização das empresas e instituições, estimulando a sua par-
ticipação nas plataformas tecnológicas Europeias relacionadas com o mar e o seu diá-
logo permanente com as instituições Europeias do sector e colocar o mar no centro da
agenda estratégica de Investigação, Desenvolvimento e Inovação, em particular numa
lógica de especialização inteligente.
l Estimular o desenvolvimento de tecnologias de produção alimentar, através da
aquicultura, pescas e transformação do pescado, garantindo a segurança alimentar
com o aumento significativo dos níveis de rastreabilidade dos processos e utilizar de
forma generalizada a biotecnologia na transformação dos recursos vivos marinhos em
nutrientes, fármacos e cosméticos.
l Identificar os mais significativos Recursos minerais e Energéticos em mares sob
jurisdição Portuguesa, valorizando as suas existências através da prospeção dos fun-
dos oceânicos e revisitar outras fontes primárias de energia offshore, como sejam o
vento, as ondas, as marés e a geotermia.
l Desenvolver e implementar instrumentos de avaliação ambiental em meio marinho,
em particular a avaliação de impacto ambiental e a avaliação ambiental estratégica, em
respeito pelas diretivas quadro da Água e da Estratégia marinha e aplicá-las, a título de
prova de conceito, em projetos ligados a alguns subsectores consolidados e emergentes.
l Revisitar as opções para um aumento significativo da atividade portuária e de inje-
ção na rede de gasodutos de GNL, numa lógica de “LNG Hub”, em estreita articulação
com países produtores, em particular com os Estados Unidos e países importadores,
em particular com França, Espanha e os países do norte da Europa, concebendo um
plano de atuação que inclua a diplomacia económica, a relação com os operadores de
transporte e o reforço da infraestrutura portuária num conjunto de outros portos para
além do de Sines.
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VALORIZAR OS RECURSOS NACIONAIS E PROMOVER A SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL
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AGRICULTURA: INOVAÇÃO E SUSTENTABILIDADE
Portugal necessita de um novo ciclo de política agrícola que aposte numa agricultura mais
competitiva, diversificada e multifuncional, que promova a ocupação do território e a renova-
ção de gerações, que dê expressão social e económica a todas as regiões portuguesas, e que
contribua para a coesão nacional e para um maior nível de autoabastecimento alimentar.
Defendemos uma política agrícola e rural responsável, sustentável do ponto de vista econó-
mico e social, que fomente a confiança entre a administração e os agentes do sector. Esta
política deve ter como principais fundamentos produzir mais e melhor, viabilizar a atividade
agrícola no seu sentido mais amplo em todo o território, evitar o abandono e a desertifica-
ção rural, manter uma agricultura multifuncional, valorizar o ambiente e os recursos naturais.
Apostamos na articulação em rede entre o ensino, a investigação/experimentação e a pro-
dução e transformação e suas organizações, com o objetivo de assegurar transferência de
conhecimento e tecnologia, potenciadora da inovação e da criação de valor acrescentado.
Apresentamos de seguida as linhas de ação prioritária que pretendemos estruturem a políti-
ca agrícola e que visam a concretização de quatro objetivos centrais:
Portugal é dos países da U.E. com a população agrícola mais envelhecida, com uma idade
média de 65 anos, 55% com idade superior a esta média e apenas 4% com menos de 40 anos.
Impõe-se, assim, uma política robusta de apoio aos jovens agricultores em geral e nos que
iniciam a sua atividade em particular. A robustez desta nova política deverá ser acompanhada
de uma maior exigência, a fim de se reduzirem as taxas de insucesso. Neste sentido, imple-
mentaremos as seguintes medidas:
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VALORIZAR OS RECURSOS NACIONAIS E PROMOVER A SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL
Um regadio sustentável
50
l O apoio prioritário a regadios coletivos de iniciativa privada;
l A revisão da legislação de licenciamento de pequenas barragens e charcas de reten-
ção de águas superficiais no interior das explorações, com vista a simplificar proce-
dimentos, reduzir a erosão, melhorar os recursos aquíferos e reduzir o recurso a águas
subterrâneas.
Fileiras agroalimentares
51
VALORIZAR OS RECURSOS NACIONAIS E PROMOVER A SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL
Estas medidas devem ter implementação simultânea porque são interdependentes e têm
um efeito catalisador. Pretende -se promover um sistema de apoio simples, compreensível
por todos, fácil de implementar, e desburocratizado, que alinhe todas as intervenções num
objetivo comum de repor o potencial produtivo, garantido diversidade e resiliência.
l Fundo Florestal Permanente (que tem uma dotação anual da ordem dos 40 milhões
de euros) para a floresta e os agentes privados, numa ótica de verdadeira complementa-
ridade com o Plano de Desenvolvimento Rural, em contraste com a situação atual, em
cerca de 2/3 deste Fundo se destinam a entidades públicas do Estado Central ou Autar-
quias, substituindo os respetivos orçamentos, em detrimento do apoio aos produtores.
l Reforçar o movimento associativo e a organização interprofissional do setor,
apoiando os Agrupamentos de Produtores para comercialização de produtos flores-
tais e articulando os diferentes atores para promover o setor numa lógica de fileira e de
autorregulação.
l Apoiar a sustentabilidade das organizações, responsabilizando-as, transferindo para
elas algumas funções atualmente (mal) desempenhadas pelos Serviços do Estado
com as contrapartidas financeiras correspondentes ao nível de desempenho de tais
funções, num quadro de seleção criteriosa e exigente sob o ponto de vista das capaci-
dades das organizações e dos resultados a alcançar.
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A ENERGIA VERDE
Portugal é um crónico importador de bens energéticos, muito contribuindo para tal a ausên-
cia de exploração de hidrocarbonetos em território nacional e a consequente dependência de
países terceiros para adquirir petróleo e, mais recentemente, gás natural. A volatilidade dos
preços das matérias-primas, muito associada aos riscos em matéria de segurança que afetam
os países produtores e de trânsito, constituem um vetor muito relevante de risco económico.
Os desafios colocados pela já iniciada, mas insuficiente, descarbonização do setor energético
e, para todos os efeitos, da economia em geral são uma premência nacional. Para uma efetiva
transição energética exige-se, apesar de toda a complexidade do tema, uma visão holística do
setor, sendo fundamental uma maior transparência, integração e interligação dos mercados
energéticos.
Neste contexto, entendemos que se impõe uma ação efetiva em cada um dos pilares da po-
lítica energética preconizada pela União Europeia, traduzidas em medidas a adotar através
de instrumentos legislativos e regulamentares adequados, sem conflito com a estabilidade
regulatória que se exige num setor tão fundamental para o País:
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VALORIZAR OS RECURSOS NACIONAIS E PROMOVER A SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL
A ECONOMIA CIRCULAR
Os benefícios da adoção de um modelo de economia circular para Portugal podem ser consi-
deráveis, reduzindo as pressões ambientais no país e minimizando a significativa e crescente
dependência das importações, o que se tornará vital à medida que outros países se desenvol-
vem e a competição internacional por recursos aumente. As estratégias de economia circular
também podem resultar numa economia apreciável de custos, aumentando a competitivi-
dade da indústria portuguesa e proporcionando benefícios em termos de oportunidades de
emprego.
A economia circular não consiste apenas na reciclagem ou eficiência energética. Trabalhar a
transição para a economia circular vai mais longe: implica uma transformação profunda dos
mecanismos que regem na contemporaneidade a economia – a produção e o consumo – para
preservar o valor e utilidade dos materiais e energia utilizados e melhorar a produtividade.
54
tes do ponto de vista energético ou do consumo de recursos, com baixas emissões
de dióxido de carbono (CO2), que possuam reduzida ou nula utilização de produtos
químicos perigosos e que sejam produzidos com reduzidos impactos ambientais e
sociais.
l Criação de sistemas de incentivos, garantias, capital de risco e linhas de crédito es-
pecíficas para as empresas que pretendam investir nesta área.
l Incentivar a criação de Plataformas colaborativas entre empresas, instituições
de ensino superior e o próprio Estado, que promovam boas práticas e estimulem o
desenvolvimento conjunto de produtos e melhorias nas várias cadeias de valor;
l Promover um esforço significativo de investigação e inovação para encontrar no-
vas soluções tecnológicas e novos modelos de produção que permitam evitar o des-
perdício e prolongar o ciclo de vida dos produtos;
l Apostar na sensibilização e mobilização dos cidadãos e dos agentes económicos,
é uma mudança de paradigma, quer em termos de processo produtivo, quer em
termos de hábitos de consumo, sendo necessário divulgar as vantagens do modelo
circular para motivar a sociedade para esta nova realidade e conceito ainda pouco
conhecido;
l Apostar no desenvolvimento das energias renováveis, o uso de energia renovável
é fundamental para a economia circular. O aumento de capacidade de produção de
energia renovável na UE já é superior ao aumento de produção de energia através do
gás, carvão e petróleo combinados. Este aumento tem contribuído para a redução
dos custos das energias renováveis em especial a solar (os painéis solares custam me-
nos 80% do que em 2008) e o vento (os preços das turbinas eólicas são agora quase
1/3 do valor de 2008). Para esta redução de preços também contribuiu a investigação
e inovação que permitiu aumentar a produtividade dos novos equipamentos;
l Promover novas formas de mobilidade, a economia da partilha de veículos permite
aos cidadãos terem acesso a viaturas quando precisam, reduzindo os custos de utili-
zação, o congestionamento e as emissões poluentes. Opções que começam a existir
na mobilidade em cidades com parcerias entre as companhias de transporte público
e de partilha de viaturas ou com empresas de aluguer de viaturas. A eletrificação dos
veículos e a condução autónoma são áreas em grande desenvolvimento, com a redu-
ção significativa do número de acidentes rodoviários;
l Fomentar as simbioses industriais e territoriais, aproveitando sinergias de proxi-
midade, as entidades podem colaborar no uso eficiente de recursos (ex., partilha de
infraestruturas ou equipamentos, serviços comuns, transação de recursos e matérias
primas secundárias), apostando na governança através de territórios circulares, au-
tossuficientes e sustentáveis, bem como complementaridade entre indústrias po-
tenciando redes para a transferência e valorização de recursos;
l Apostar na Avaliação de Ciclo de Vida (ACV) de um produto no âmbito da Infor-
mação ao Consumidor, de modo a suportar decisões informadas quando adquirem
um determinado produto, já que é um instrumento destinado a analisar e avaliar os
impactos ambientais de um produto quando se realiza a circulação de todos os ma-
teriais como nutrientes, em ciclos biológicos ou técnicos.
55
56
AS PESSOAS E O SEU
BEM-ESTAR NO CENTRO
DAS POLÍTICAS PÚBLICAS
Resolver os problemas das pessoas sem
preconceitos ideológicos
As políticas públicas de saúde têm sido nas últimas décadas mais orientadas para remediar
e combater a doença do que para a promoção da saúde e dos estilos de vida saudáveis. Não
será fácil inverter essa tendência, mas de não dermos, quanto antes, os primeiros passos na
promoção da saúde seremos cada vez mais reféns da doença.
Precisamos de uma nova estratégia para a prevenção, dando ênfase à responsabilidade indi-
vidual, à orientação para a promoção da saúde e qualidade de vida, rompendo com a abor-
dagem tradicional, essencialmente curativa, centrada na prestação de cuidados de saúde, e
privilegiando as atitudes de prevenção da doença evitável.
Como principais aspetos dessa estratégia, do lado da prevenção da doença evitável e promo-
ção da saúde, destacamos as seguintes medidas:
l Forte promoção dos hábitos alimentares e de vida saudáveis e da ingestão de nu-
trientes vitais para a saúde humana em articulação estreita com o conhecimento
científico disponível;
l Agravamento fiscal dos produtos nocivos à saúde como, por exemplo, o açúcar ou
o sal refinado (cloreto de sódio);
l Investir na prevenção das doenças crónicas, adotando políticas ativas de saúde na
prevenção para combater o sedentarismo, o alcoolismo, o tabagismo e a obesidade
(adultos e crianças);
l Promover estilos de vida saudáveis acentuando a importância da alimentação, do
exercício físico e de uma vida equilibrada, sem excessos;
l Atuar e investir no rastreio das doenças que constituem as principais causas de
morte precoce, designadamente doenças do sistema circulatório, neoplasias e pato-
logias cardiovasculares;
l Investir no rastreio, em todas as crianças em idade escolar, de problemas que são
também as principais causas do insucesso escolar, designadamente problemas de
visão, de audição, de dislexia, de hiperatividade e de défice de atenção;
l Centrar as políticas de saúde na pessoa e na promoção de estilos de vida saudáveis,
explicitando a responsabilidade individual e o conceito da pessoa como “gestor” da
sua própria saúde;
57
AS PESSOAS E O SEU BEM-ESTAR NO CENTRO DAS POLÍTICAS PÚBLICAS
l Investir na literacia em saúde, com um papel fundamental das escolas no caso das
crianças;
l Encarar a saúde como um investimento e não como uma despesa;
l Recentrar o sistema de saúde no “valor” fornecido ao utente:
o Mais saúde por cada euro despendido
o Resultados obtidos
o Ganhos em saúde
O SNS - Serviço Nacional de Saúde constituiu uma das maiores realizações, no campo social,
da sociedade portuguesa, após o 25 de Abril de 1974, tendo sido criado para garantir a toda
a população o acesso a cuidados de saúde de forma universal e gratuita (tendencialmente
gratuita nos dias de hoje).
Esta garantia está expressa na Constituição, sendo um dos adquiridos decisivos da sociedade
portuguesa, que importa preservar e defender. Neste pressuposto é fundamental que seja
uma realidade para todos os portugueses.
É, no entanto, forçoso reconhecer que o SNS se debate, hoje, com gravíssimos problemas,
quer na qualidade do serviço que presta, quer na acessibilidade, a qual não está garantida,
de forma equitativa, para toda a população, penalizando sobretudo os grupos sociais mais
desfavorecidos.
Neste contexto, o objetivo central para o PSD é defender a finalidade do SNS como con-
quista indiscutível do 25 de Abril, mantendo a elevada qualidade dos serviços que os profis-
sionais de saúde têm sido capazes de prestar aos portugueses e garantindo a manutenção e
modernização dos equipamentos de acordo com a evolução tecnológica.
A concretização deste objetivo passa pela instituição de um Sistema Nacional de Saúde que
deverá assentar em três pilares - público, privado e social - passando de um SNS fechado, em
que o Estado desempenha todos os papeis – maior produtor, empregador, financiador e fis-
calizador – para um Sistema em que o Estado continua a ser o elemento central e maioritário,
mas cuja função primeira é o cumprimento da Constituição, ou seja, garantir o acesso de
todos os portugueses aos cuidados de saúde, de forma justa e equitativa e tendencialmente
gratuita, o que pode ser feito pela sua ação ou pela ação das outras iniciativas – social e privada
– contratualizadas pelo Estado.
Neste Sistema Nacional de Saúde o Estado continua a ter o papel fundamental, mas terá de
desenvolver com os outros pilares uma cooperação inteligente. Esta cooperação e articulação
entre todas as iniciativas – pública, privada e social - permite a comparação e competição entre
elas, sempre a favor do utente, uma afetação de recursos mais eficiente, com custos mais baixos
para o Estado e para o contribuinte, um aumento da acessibilidade da população sem perda
da qualidade dos cuidados prestados e um poder acrescido de escolha por parte dos cidadãos.
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A contratualização e o pagamento pelo Estado às outras iniciativas, privada e social, de cuida-
dos de saúde, será efetuada em função dos resultados atingidos no serviço prestado à pop-
ulação (exigência, por exemplo, de inexistência de listas de espera, redução de tempos de
espera para consultas e cirurgias, etc.).
Nos casos em que se opte pela contratualização da gestão de unidades públicas com outras
entidades – sociais e privadas – ela decorrerá de concursos públicos cujo caderno de encargos
definirá os objetivos e metas a atingir na prestação do serviço público que garantam o acesso
aos cuidados de saúde por parte da população nas condições garantidas pela Constituição,
visando a melhoria dos cuidados prestados à população e numa gestão mais eficaz dos re-
cursos públicos.
59
AS PESSOAS E O SEU BEM-ESTAR NO CENTRO DAS POLÍTICAS PÚBLICAS
De acordo com os últimos censos, a população portuguesa com 65 e mais anos de idade pas-
sou de 16% da população, no início deste século, para 21% em 2011. Em 2018 representava 21%
da população e representará 32% do total da população portuguesa em 2050. Prevê-se, ainda,
que a população com 80 ou mais anos venha a aumentar no nosso país, ultrapassando nas
próximas décadas o peso da população jovem na população total. Este crescimento é superior
ao projetado para o conjunto da União Europeia.
Os números falam por si. Em Portugal assistir-se-á a uma perda muito significativa da pop-
ulação ativa e da força de trabalho e a um agravamento do índice de dependência de idosos
(para 40,65 em 2030 e 55,6 em 2050), com consequências diretas nomeadamente na sustent-
abilidade do sistema público de pensões, na política da saúde e nas políticas sociais em geral.
As necessidades específicas da população mais idosa têm sido resolvidas através das respos-
tas que os setores da saúde e da segurança social vêm desenvolvendo e que revelam dificul-
dades de articulação, fruto de abordagens isoladas e distintas. O idoso é “cliente” do sistema
de saúde e é “cliente” do sistema de segurança social.
Desta visão parcelar dos problemas é imperioso que se passe para uma outra conceção, em
que o idoso se torne o “centro” de atuação em cada um dos sistemas. Esta transição implica
uma restruturação nos dois setores, até aqui excessivamente departamentalizados em sis-
temas verticais, através da adoção de modelos de organização mais horizontais, logo mais
capazes de criarem respostas integradas, globais e ajustadas às especificidades que resultam
do envelhecimento da população.
O PSD considera muito importante retardar a institucionalização das pessoas idosas evitando
a sua integração em equipamentos coletivos. Assim, entendemos que:
l Deve ser privilegiado um novo tipo de serviço de apoio domiciliário que vá além
das componentes básicas de apoio e que possa incluir serviços básicos de saúde com
apoio tecnológico.
l Devem ser encontradas novas formas de habitação coletiva como as de “co-hou-
sing”, que permitem a criação de áreas de serviços coletivos integradas no apoio às
respetivas residências.
Para que esse objetivo seja atingido é muito importante o papel das famílias e das pessoas no
apoio aos deficientes, idosos e crianças em situação de dependência.
60
l O PSD entende ser necessário consagrar e valorizar o Estatuto dos Cuidadores In-
formais, aprovado recentemente na Assembleia da República com os contributos
do PSD, o qual deverá conferir particular atenção á articulação entre o trabalho e a
ocupação de tempos livres.
l Todos os cuidadores informais terão de ser apoiados por instituições de retaguar-
da (públicas, privadas ou sociais) na formação, capacitação e apoio psicossocial. De-
vem, ainda, ser objeto de regulamentação adequada em termos de direitos laborais
e acesso ao regime de seguro social voluntário.
l À semelhança do que hoje se permite às famílias que deduzem no IRS as despesas
de institucionalização (lares de idosos, etc.) permitir também que as despesas com
os cuidadores informais possam ser de igual modo dedutíveis.
O PSD propõe-se, em sede de Concertação Social, a encontrar soluções mais flexíveis para a
idade de aposentação, transformando a idade limite, num período transitório que pudesse
antecipar para uns e prolongar para outros.
Se para os que desejam antecipar a passagem à fase de aposentação tal é possível desde que
sujeito a penalizações, o prolongamento da atividade para além da idade de referência deve-
ria ser melhor premiada sempre que há recurso ao trabalho a tempo parcial como comple-
mento do montante da reforma.
Casos há em que esse recurso a tempo parcial é concretizado através da prestação de serviços,
ou de alterações aos contratos existentes, quando a relação poderia ser mais estável, trans-
parente decorrente da vontade entre as partes (trabalhador e entidade patronal) e menos
penalizadora em termos fiscais para os que optam por essas soluções.
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62
CULTURA: UMA AMBIÇÃO
RENOVADA
Somos o que fomos e o que ambicionamos ser
A cultura é um direito das pessoas e é através das suas múltiplas expressões que o ser hu-
mano concretiza a incessante busca da felicidade. É neste princípio que assenta o desígnio
social democrata de tornar esse direito acessível a todos os portugueses. Aceitamos e pro-
movemos as expressões artísticas de vanguarda, desde que elas sejam mobilizadoras dos
diferentes grupos sociais, das diferentes maneiras de sentir e agir que uma sociedade plural
tende a manifestar. Defendemos uma cultura integradora capaz de superar a divisão entre
produtores e consumidores e recusamos as expressões artísticas excludentes, enquanto prá-
ticas de distinção social e de afirmação de status.
Portugal é uma das nações mais antigas do mundo e na sua formação soube combinar num
território exíguo a diversidade das suas origens, integrando as raízes atlânticas, continentais
e mediterrânicas, que moldaram a paisagem e os traços distintivos das suas gentes mobiliza-
das por uma vontade comum. A expansão oceânica ensinou-nos a conhecer o mundo na di-
versidade das civilizações e a incorporar uma inegável capacidade de lidar com a alteridade.
Por isso, os desafios que o presente nos coloca mobilizam-nos para um novo renascimento
cultural que o devir tanto nos estimula.
Neste contexto, essa política cultural terá sempre de combinar quatro dimensões indissociá-
veis: preservar e valorizar o legado, promover a criação, potenciar a comunicação e demo-
cratizar a fruição.
De pouco serve a conservação se a partir dela não valorizarmos o legado que nos foi trans-
mitido, quer através das expressões da cultura material quer da imaterial. Valorizar passa por
encontrar os instrumentos e soluções que lhe possam conferir novas formas de apropriação
social e de imersão criativa.
A cultura e as políticas culturais não são meras manifestações de voluntarismo socialmente en-
quistadas nem expressões de experimentalismo criativo ou ações desgarradas das restantes
políticas públicas. Pelo contrário, entendemos as políticas culturais como parte integrante
de um projeto de mudança estrutural da sociedade portuguesa, em estreita articulação com
63
CULTURA: UMA AMBIÇÃO RENOVADA
A paisagem
A paisagem natural e humanizada são a expressão material de base da nossa cultura. O Alto
Douro Vinhateiro ou a Paisagem da Cultura da Vinha na Ilha do Pico, as salinas dos estuários,
os lameiros e latadas do Minho, as arribas e sistemas dunares da costa marítima, os soutos
de Trás-os-Montes, os carvalhais da Beira, os montados do Alentejo ou a Floresta Laurissilva
da Madeira, são um património paisagístico e cultural que terá de ser preservado, não só em
função de uma preocupação ambiental, mas também porque representam o esforço secular
de afeiçoar o território e a natureza às atividades humanas vitais.
O facto de estarem consolidadas as redes de parques naturais e reservas ecológicas não po-
derá dispensar o interesse em classificar novos elementos patrimoniais e paisagísticos que
contribuam para a valorização do território.
A língua
O Português é a quinta língua mais falada no mundo e a quarta mais ensinada. Entre as lín-
guas europeias é a terceira mais falada, logo após o inglês e o espanhol. A língua portuguesa
é um pilar da soberania, da nossa identidade coletiva e da presença de Portugal à escala
global. Por isso se torna um instrumento decisivo de afirmação da nossa cultura e de densifi-
cação dos laços que nos unem quer aos países lusófonos quer às comunidades portuguesas.
Ao contrário do que se pode pensar, as diferenças no uso da língua portuguesa não a empo-
brecem. Antes revelam as diferentes dinâmicas culturais de cada país na sua apropriação. A
ideia de que a uniformização ortográfica poderia constituir uma vantagem face ao mundo
globalizado não teve acolhimento.
l Neste sentido, o PSD entende que importa avaliar o real impacto do novo Acordo Or-
tográfico - que se tornou obrigatório em 2015 - e ponderar a respetiva revisão face ao
evidente insucesso da sua generalização entre os países de língua oficial portuguesa
e mesmo entre os autores portugueses.
O PSD defende ainda que é possível fazer mais e melhor em defesa da nossa língua, nomea-
damente:
l Através do recurso às plataformas e redes digitais para a promoção das obras cultu-
rais, dos conteúdos e dos materiais de apoio à aprendizagem do Português.
l Pelo reforço da rede de leitorados, nomeadamente nas universidades estrangeiras
que se integram em regiões com maior potencial de desenvolvimento e cooperação.
l Pela conceção de um plano de promoção das obras literárias portuguesas no estran-
geiro.
l Nesse plano de promoção deverão ser incluídas as traduções para diferentes línguas
das obras de referência da literatura portuguesa.
64
O edificado
A estreita malha de castelos e fortalezas são testemunho da forma como Portugal organizou
o seu território, da mesma forma como praças e pelourinhos, solares e palacetes, igrejas e
capelas, simbolizam espaços de poder e distinção, de culto e comunhão de uma vida coletiva
que forjou culturas e sociabilidades, modos de vida, de sentir e agir, que nos distinguem e
identificam.
Nos grandes centros urbanos, o défice de conhecimento sobre o património não é tão pro-
nunciado, mas muitos edifícios, na sua grande maioria património do Estado, continuam
desprezados e sem qualquer funcionalidade atribuída.
l Pela conceção e difusão dos novos roteiros culturais, recorrendo às novas tecnolo-
gias e ao enorme poder que as redes digitais proporcionam para potenciar o acesso
e fruição.
l Pela integração das diferentes expressões culturais, do edificado à paisagem, da gas-
tronomia à enologia, dos museus aos sítios e lugares de memória. Articulação com
as políticas intermunicipais de turismo, cultura e ambiente.
l Pelo desenvolvimento de guiões pedagógicos destinados aos diferentes níveis de
ensino e em estreita articulação com o curriculum escolar, de forma a promover o
conhecimento, a capacidade de pesquisa e de questionamento, entre os estudantes
portugueses.
65
CULTURA: UMA AMBIÇÃO RENOVADA
Com a mesma preocupação, a temática das Artes Decorativas deverá merecer uma atenção
especial. A situação do atual Museu de Artes Decorativas, localizado em Lisboa, faz-nos te-
mer pela perda do conhecimento e experiência acumulados ao longo de muitas décadas e
que, a não recuperados poderá traduzir-se numa perda irreparável. Por outro lado, importa
promover a existência de um outro grande museu dedicado a esta temática no Norte do país,
associando-o a uma Escola de Artes e Ofícios e que envolva o cluster nortenho do mobiliário,
da ourivesaria e outras atividades congéneres.
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PROMOVER A CREAÇÃO CULTURAL
O traço mais marcante das últimas décadas da creação cultural é a sua diversificação e a
dimensão económica que a transforma num relevante e crescente contributo para a riqueza
das nações e para o bem-estar e desenvolvimento humano.
Por outro lado, a ideia de uma economia creativa ganha projeção pela capacidade de pro-
jetar os seus produtos à escala global. Hoje temos um mercado global da arte e da cultura
como nunca foi observado na história da humanidade. Essa realidade abre novas oportuni-
dades para o desenvolvimento cultural e do conhecimento.
Mais do que uma internacionalização pretende-se que esta nova dinâmica global seja uma
oportunidade para a difusão da cultura portuguesa no Mundo.
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CULTURA: UMA AMBIÇÃO RENOVADA
O maior desafio que se coloca à comunicação cultural é colocado pelos novos media e pelo
poder de escala que a comunicação digital proporciona. Mais do que novos suportes tecno-
lógicos exigem-se novas linguagens, novas dimensões estéticas e novas formas de produzir
conhecimento culturalmente inovador, suscetíveis de fazer crescer a indústria de conteúdos
culturais. O papel do marketing cultural como potenciador de marcas e projetos é decisivo
numa política de comunicação cultural.
O PSD dará especial atenção a este desafio das indústrias culturais, mas esse esforço não
será recompensado se não pensarmos de forma inovadora os canais de difusão e comunica-
ção. Neste contexto ganha especial relevo o papel da televisão pública e o chamado serviço
público de televisão que até ao presente não tem correspondido ao que dela todos esperá-
vamos.
O segundo desafio da comunicação cultural tem a ver com a formação de novos públicos,
especialmente com as novas gerações de crianças e jovens através do sistema educativo.
Para além da dimensão cultural do conhecimento escolar, importa valorizar as expressões
artísticas logo a partir dos primeiros anos de escolaridade obrigatória. O que pretendemos
é desenvolver uma educação estética, transversal ao curriculum escolar, mobilizadora das
diferentes formas de conhecimento e potenciadora das maneiras de pensar os problemas e
as obras culturais. Neste sentido, propomos ainda:
DEMOCRATIZAR A FRUIÇÃO
Entendemos a cultura como um direito da pessoa e temos como desígnio o torná-la aces-
sível a todos os Portugueses. Entendemos a cultura na sua dimensão integradora, capaz de
superar a divisão entre produtores e consumidores e de transbordar para além dos acanha-
dos limites sociais das elites.
O desafio não está em massificar os consumos culturais, reside, antes pelo contrário, em
mudar a natureza da fruição. Passar da atitude passiva e contemplativa para a capacidade de
questionamento das obras culturais, do uso para a imersão, da apropriação individual para a
partilha alargada da ação cultural. Todos somos atores neste enorme palco da nossa existên-
cia como País.
68
INVESTIR NAS NOVAS
GERAÇÕES
Ganhar o futuro exige preparar e qualificar os
vindouros
Multiplicam-se as narrativas sobre o futuro, mas nunca este se tornou tão imprevisível.
Vivemos um novo período de “aceleração da história”, quando os processos de mudança são
cada vez mais rápidos e mais contingentes. A inovação tecnológica é contínua e conduz à
obsolescência do adquirido, os quadros institucionais são abalados por esse vórtice e acabam
por minar a confiança dos cidadãos bem como o próprio sistema de valores sociais.
Perante esta conjuntura, para que futuro queremos formar as novas gerações? O que fazer
quando tudo muda? A resposta só pode ser uma: centrarmo-nos sobre o que não muda, a saber,
o conhecimento consolidado, o legado cultural, os valores da cidadania e do desenvolvimento
humano.
Esta opção estratégica é a única que nos garante a concretização do princípio da equidade
e o propósito de uma educação de qualidade para todos. O experimentalismo que a atual
equipa do Ministério da Educação lançou sobre o funcionamento das escolas e as alterações
ao curriculum estão a gerar a maior confusão e desmotivação de há muitos anos a esta parte.
Desvaloriza-se o papel dos professores tornando-os uns meros “animadores de sala de aula”,
desvirtua-se o curriculum por uma suposta flexibilidade e autonomia sem qualquer propósito
percetível, elimina-se da gramática educacional os conceitos e os valores da disciplina, do
esforço e da organização racional das aprendizagens, abominam-se os exames e outros
instrumentos de avaliação externa das aprendizagens, ao mesmo tempo que se subestima
o valor fundamental do conhecimento e se ignora o poder estruturante da matemática, da
língua materna e da ciência.
O PSD não subscreve as conceções que orientam a atual política educativa. Pelo contrário,
entendemos que as políticas educativas terão de considerar como prioridades os seguintes
objetivos e finalidades da educação:
69
INVESTIR NAS NOVAS GERAÇÕES
e destes para com a sociedade. Formar para uma cidadania ativa e participativa nos
diferentes contextos da ação coletiva: do local ao nacional, do europeu ao universal.
l Para além de formar pessoas e cidadãos pretende-se formar profissionais capaci-
tados para integrar a vida adulta, aproveitar ou criar a suas próprias oportunidades,
contribuir para a criação de riqueza através das suas qualificações.
Para a concretização deste perfil de formação importa assegurar que o sistema educativo
proporciona:
Neste sentido, é urgente repensar o quadro normativo da educação de forma a integrar uma
nova visão e um novo propósito para a educação em Portugal.
l O PSD está disponível para reabrir o debate em torno de uma nova Lei de Bases da
Educação, em sede de uma comissão parlamentar, constituída em exclusivo para
esse efeito, que possa reunir o maior consenso entre as forças políticas representadas
no Parlamento.
EDUCAÇÃO DE INFÂNCIA
A reforma que propusemos no capítulo 3, tendo por objeto a educação de infância é a maior
prioridade no domínio da educação. Esse poderá ser o passo decisivo para podermos ter
melhores condições de sucesso escolar, melhor desenvolvimento cognitivo e social, maior
equidade no acesso às boas aprendizagens. O objetivo é claro: termos melhores alunos.
O futuro do sistema educativo português tem de se afirmar pela diferenciação dos seus
projetos educativos. Rejeitamos a ideia tradicional de um sistema rígido e monolítico e
defendemos, pelo contrário, a diferenciação das soluções pedagógicas desde que sujeitas a
uma mesma orientação curricular.
70
l Planeamento da rede passa da periodicidade anual para trienal. Em casos devida-
mente justificados esse planeamento poderá ser revisto sempre que se registe uma
alteração significativa das condições previstas. Eliminação progressiva das turmas
mistas com mais de dois anos de escolaridade;
l A organização das turmas, os critérios de distribuição dos alunos e a sua dimensão
é da exclusiva responsabilidade dos órgãos pedagógicos da escola, podendo formar
turmas de dimensão variável em função das características dos alunos;
l A afetação dos horários dos docentes é feita com base na organização dos ciclos,
considerando a dimensão média de turma de 22 alunos;
l A abertura de novos cursos (ensino básico, secundário regular e profissional) é con-
dicionada à aprovação de um estudo de viabilidade apresentado pela escola aos ser-
viços do Ministério da Educação;
l Os créditos horários para o desenvolvimento de projetos e desempenho de funções
de supervisão, assessoria e coordenação, serão calculados em função da dimensão
e número de estabelecimentos do agrupamento, dos recursos disponíveis e da pro-
gressão dos resultados escolares, mas de gestão exclusiva da direção do agrupamen-
to de escolas;
l Pretende-se ainda que a colocação dos docentes seja feita e terminada o mais cedo
possível, de preferência antes de terminado o ano letivo anterior;
l Possibilidade alargada de recondução dos docentes, contratados ou do quadro,
sempre que exista mútuo acordo entre a Direção da Escola e o docente;
l Novo enquadramento regulamentar para a aplicação de receitas próprias e incenti-
vos à angariação de financiamentos públicos e privados.
Este reforço de competências na gestão das escolas deve ser articulado com o processo
de descentralização para as autarquias. Ao contrário do quadro normativo aprovado pelo
atual governo, o PSD defende um processo diferenciado em função das características
dos agrupamentos e das autarquias. Se há autarquias preparadas para desenvolveram um
trabalho colaborativo com as escolas, outras há que não dispõem dos recursos materiais e
humanos para o concretizarem. Neste contexto propomos:
71
INVESTIR NAS NOVAS GERAÇÕES
O ensino profissional não poderá continuar a ser o “parente pobre” do ensino de nível
secundário. Em primeiro lugar, porque se tornou uma via alternativa ao ensino regular para
alunos com piores resultados. Em segundo lugar, porque o seu curriculum tende a reproduzir,
em versão mais “leve”, o do ensino regular, especialmente nas disciplinas da componente de
formação sociocultural e científica.
Com maior autonomia pedagógica das escolas cabe ao Ministério da Educação garantir os
instrumentos de regulação indispensáveis a um adequado desenvolvimento do curriculum.
Entre eles o PSD considera que a avaliação externa das aprendizagens é um dos mais eficazes.
A experiência recente das provas de aferição a meio de cada ciclo, em substituição das provas
de final de ciclo, revelou-se um erro que conduziu à desmobilização de alunos e professores
para a prossecução de objetivos de aprendizagem e, nem por isso, contribuiu para o seu
melhor desempenho.
Neste contexto, o PSD propõe-se a:
72
O PSD entende ainda que se deverá mudar, de forma gradual, a natureza das provas, exames
e testes de avaliação externa, no sentido de se avaliarem os conhecimentos, mas também a
capacidade dos alunos de mobilizarem esse conhecimento para a resolução de problemas,
bem como pensar e questionar de forma crítica.
O PSD entende que a qualificação da escola pública exige da parte do Estado maior
critério e rigor na admissão dos novos profissionais e maior empenho na sua formação ao
longo da respetiva carreira. Se ambicionamos ter melhores escolas, tal só é possível se
escolhermos os melhores professores e os capacitarmos para uma melhoria contínua do
seu desempenho.
l Qual o perfil de formação inicial de professores. Esse perfil deverá ser diferenciado
em função dos diferentes níveis, da educação de infância ao ensino secundário regu-
lar e profissional. Deverá ainda servir de orientação aos cursos de formação inicial de
educadores e professores que os habilitam.
l A distinção institucional entre quem habilita e quem profissionaliza. A habilitação
compete às instituições de ensino superior, a profissionalização compete ao Mi-
nistério da Educação que regulará o processo a desenvolver em contexto da es-
cola pública e sujeita a supervisão pedagógica.
l Quais as condições de profissionalização, regulando um modelo de profissionalização
em exercício a partir do período probatório previsto no Estatuto da Carreira Docente.
l Avaliar da capacidade e competência para o exercício profissional da docência.
O PSD entende que o atual modelo de avaliação do desempenho docente deverá ser
melhorado com a introdução da avaliação do portfolio (planos de aula, materiais,
instrumentos de avaliação, reflexões sobre a prática pedagógica, etc.), a ser concretizado por
um júri maioritariamente externo à escola a cujo quadro o professor está vinculado.
Sem prejuízo de uma futura avaliação das condições de progressão entre os diferentes escalões,
o PSD continuará a defender o reconhecimento do tempo total de serviço prestado até 2018
e negociará com as organizações sindicais o modo de o consagrar na progressão na carreira,
sujeito às seguintes condições:
73
INVESTIR NAS NOVAS GERAÇÕES
Mobilidade
Este facto revela bem o quanto se desvaloriza o desporto como componente decisiva de
uma vida saudável, não obstante a hipervalorização do desporto de competição. Só que este
dificilmente se torna sustentável se não conseguirmos massificar a prática regular.
Entendemos o desporto como uma prática individual que assume uma dimensão social que
terá de estar ao serviço do desenvolvimento humano, cujos valores – tolerância, esforço e
superação, disciplina, ética social, universalismo – contribuam para tornar as pessoas mais
capazes, mais cultas e mais abertas ao mundo.
Desporto na Escola
A escola tem de tornar-se o mais importante centro de formação desportiva, a começar logo
na educação de infância e nos primeiros anos do ensino obrigatório. Esta será a principal via
de massificação da prática desportiva em Portugal e a mais decisiva para alterar hábitos e
promover estilos de vida mais saudáveis.
Educação física, desporto escolar e desporto federado não podem continuar de costas
voltadas. É urgente construir uma plataforma de cooperação entre aqueles três pilares que
74
generalize a prática desportiva desde a infância e com especial incidência nos 12 anos de
escolaridade obrigatória.
Desporto Federado
O atual quadro de apoios ao desporto de competição poderia ser melhor potenciado caso
o Estado cumprisse com os acordos e responsabilidades financeiras que assumiu. Para o
PSD, excetuando os apoios ao desporto de alta competição, nomeadamente à preparação
olímpica e paralímpica, a prioridade das políticas públicas deve ser direcionada para o apoio
à formação quer de atletas, técnicos e dirigentes desportivos, quer, em colaboração com as
autarquias, às infraestruturas e sua adequada gestão.
75
INVESTIR NAS NOVAS GERAÇÕES
Neste contexto, defendemos uma Reforma do Acesso ao Ensino Superior na qual se integram
as seguintes medidas:
76
l Lançamento de um programa ERASMUS +INTERIOR com o objetivo de fomentar a
mobilidade de estudantes do litoral para o interior;
l Garantir uma oferta de ensino superior diversificada e ajustada à especialização re-
gional. Promover uma melhor articulação entre a oferta de ensino superior e a
especialização regional ou as necessidades do seu tecido económico e social. Criar
condições para que sejam identificadas áreas prioritárias de educação e formação
que receberão um incentivo especial em sede de financiamento institucional.
77
INVESTIR NAS NOVAS GERAÇÕES
78
com os subsistema do ensino superior e da ciência, mas igualmente incorporando a
colaboração indispensável das instituições de interface, dos clusters, dos parques de
ciência e tecnologia, das incubadoras (sobretudo as de base científica e tecnológica),
das grandes empresas, das entidades de formação profissional e de entidades seto-
riais relevantes;
l Intensificar a ligação ao setor empresarial, adotando estímulos vários de desig-
nadamente: desenvolvimento da formação pós-graduada, incluindo doutoramentos
com empresas; melhoria dos mecanismos fiscais de estímulo à investigação empre-
sarial; melhoria do acesso ao financiamento com capital de risco; promover o envol-
vimento de PMEs em projetos de I&D em consórcio; e promover as condições para o
crescimento das empresas (“scale up”);
l Promover a simplificação administrativa e a desburocratização do quotidiano
das instituições, através um vigoroso e corajoso programa de simplificação, a todos
os níveis, com incidência específica na contratação e aquisição de serviços, no repor-
te científico e na avaliação institucional;
l Revisitar a missão dos Laboratórios de Estado e dos Laboratórios Associados, vi-
sando clarificar a sua missão;
l Promover o papel do conhecimento científico e tecnológico na definição de polí-
ticas públicas, visando: reforçar a cultura de aconselhamento científico independen-
te nos vários sectores da administração pública;
l Promover a investigação científica nas áreas correspondentes aos grandes desa-
fios societais tais como saúde, ambiente, alterações climáticas, segurança alimen-
tar, energia limpa, riscos sistémicos, segurança, espaço e oceanos;
l Reafirmar a Ciência e a Inovação como instrumentos de modernização de Estado
e da Sociedade, acelerando a introdução de processos organizacionais e metodolo-
gias científicas em todos os sectores da sociedade portuguesa;
l Promover a ligação das instituições de C&I à sociedade ao facilitar que esta co-
nheça a qualidade e dimensão da atividade de C&I desenvolvida pelas instituições.
Desenvolver a cultura científica dos cidadãos e fomentar o gosto pela Ciência espe-
cialmente nas crianças e jovens.
É numa forte aposta na modernização e digitalização da nossa economia e sociedade que reside
a oportunidade para Portugal se posicionar ao nível em que já se encontram outros países mais
desenvolvidos. Teremos de ser capazes de usar a oportunidade desta nova vaga digital para
sermos produtores e exportadores de conhecimento, aproveitar as áreas em que a digitalização
ainda está a dar os primeiros passos (por exemplo, saúde, agricultura, educação) e usar as novas
tecnologias – das quais a IA é fundamental – para que sejam desenvolvidos novos produtos e
serviços, aumentar a nossa produtividade, competitividade e capacidade exportadora.
O nosso país terá de passar por uma transformação profunda para melhor se adaptar à revolução
79
INVESTIR NAS NOVAS GERAÇÕES
80
tinentes são: o pagamento de impostos por parte dos cidadãos (IRS) ou empresas (IRC)
à distância de um click, capitalizando-se o investimento feito nos sistemas de autentica-
ção através do cartão do cidadão; e a possibilidade de oferecer o voto online de forma
simples e segura, onde quer que se esteja no mundo, aumentando-se consideravelmen-
te a participação dos cidadãos nos atos democráticos (e.g. Estónia e o seu sistema i-vo-
ting ). Para isso, a troca de dados e informação de forma descentralizada e segura entre
entidades públicas é fundamental, devendo-se garantir a necessária infraestrutura que
sustente estes mecanismos;
l Continuar a aposta em formação de recursos humanos em áreas científicas e tecno-
lógicas, numa perspetiva de avaliação comparativa com os índices de referência inter-
nacional, apostando ainda em doutoramentos na área de IA e da Robótica;
l Assegurar que a infraestrutura digital do País se mantém adequada às mudanças
exigidas pelas ferramentas de IA;
l Formar um mínimo de 10% da população ativa até 2025 em conceitos digitais chave
incluindo os fundamentos base de IA, de modo a garantir mão de obra qualificada
nestas áreas, proveniente dos diferentes meios e tipos de ensino;
l Criar Vouchers para Competências Digitais, fundamentalmente dirigidos a gerar opor-
tunidades para pessoas com, e.g. mais de 45 anos;
l Requalificar recursos humanos, com enfoque particular em ciência e tecnologia,
permitindo uma maior rotatividade de qualificações e carreiras, através de um progra-
ma específico de requalificação com base nas necessidades laborais da área residente e
nas características do trabalhador;
l Estabelecer um programa estratégico dedicado a atrair empresas internacionais
com competências de alto nível em IA a investir em Portugal.
l Fomentar um clima de cooperação entre o setor privado e as Instituições de Ensino
Superior nacionais, de modo a alavancar a capacitação do tecido empresarial nacional,
em particular em agentes de IA;
l Criação de uma rede de excelência em IA que seja capaz de interligar as universidades
e entidades privadas nesta área de modo a produzir conhecimento e patentes. Esta rede
também se deve dedicar ao estudo e aconselhamento ético no desenvolvimento da IA e
à monitorização do impacto na sociedade, principalmente no que refere ao futuro do tra-
balho;
l Assegurar que os futuros investigadores na área da IA disponham de condições su-
ficientes e satisfatórias para poderem criar novos negócios dirigidos a particulares,
empresas e setor público, o que implica a criação de uma estrutura de incentivos à in-
serção de académicos na indústria, permitindo que o R&D (Research & Development)
tenha um plano de ação de negócio associado. Como tal deverá haver um apoio finan-
ceiro, bem como a criação aceleradores para a IA em universidades e centros de inves-
tigação públicos ou privados que já possuam recursos técnicos e humanos nesta área
para organizar aquelas atividades;
l Criação de um programa coordenado para apoiar a transformação digital e adoção
de tecnologias de IA das PME’s (um “PME: Digital”) que:
81
o Reoriente fundos Europeus, nos mais diversos programas, para que apoiem as PME
no processo transformação digital;
o Fomente e apoie parcerias com outras PME’s, universidades e centros de formação
na formação de polos de investigação, inovação e desenvolvimento que permitam
o investimento conjunto e ganhos em escala nas suas áreas de atividade e negócio.
82
UMA POLÍTICA INTEGRADA
PARA AS CIDADES E AS ÁREAS
METROPOLITANAS
O direito à cidade e a regulação do espaço
urbano e metropolitano
Por um lado, nas duas áreas metropolitanas, a gentrificação dos centros acentua a densifi-
cação das periferias, aumenta os movimentos pendulares cujo impacto ambiental provoca
uma degradação da qualidade do ar e o desequilíbrio entre a proporção dos espaços verdes
e os espaços urbanizados. É a qualidade de vida que se degrada. Este processo afeta não só
os grupos sociais mais pobres, mas também a classe média que acaba por ser vítima de um
mercado imobiliário sem regulação.
Por outro lado, as pequenas e médias cidades, do interior, tendem a concentrar uma parte
significativa da população, cada vez mais escassa, pela concentração dos serviços que propor-
cionam. As vilas e aldeias são as que sofrem o maior impacto dessa hemorragia demográfica.
Neste contexto, estamos perante uma dualização das dinâmicas urbanas em que os contras-
tes entre litoral e interior, centros urbanos e periferias, tendem a acentuar-se sem aumento da
qualidade de vida das populações.
Em Portugal este dualismo faz-se sentir com maior acuidade na habitação. Enquanto nas
áreas metropolitanas o custo da habitação escalou muito acima dos rendimentos das famí-
lias, nos lugares distantes das metrópoles multiplicam-se casas prontas a habitar, mas deixa-
das ao abandono.
Hoje, uma política nacional de habitação tem de partir do reconhecimento desta dualidade
territorial. Assim, o princípio da ação tem de ter duas frentes: por um lado, retirar pressão aos
concelhos onde o mercado está a empurrar a classe média para fora do acesso à habitação e,
por outro, estimular a dinâmica das áreas condenadas ao abandono pela inexistência de um
mercado a funcionar.
Considerando o contexto atual, a definição estratégica para uma política nacional de habita-
ção deve assentar em três pilares fundamentais:
83
UMA POLÍTICA INTEGRADA PARA AS CIDADES E AS ÁREAS METROPOLITANAS
84
locais); no desenho passivo que entenda o clima do lugar e promova o conforto; na
mobilidade urbana fiável e alimentada por energia renovável; no tratamento dos
resíduos, incluindo a separação obrigatório de lixo orgânico (para compostagem) e
inorgânico (para reciclagem); e na definição de zonas verdes envolventes suficientes
para capturar o carbono resultante do processo de construção.
Para além destas três prioridades, o PSD defende, especialmente na habitação destinada a
jovens:
l Reformulação e reforço do programa Porta 65, com atualização dos valores por mu-
nicípio e substituição da renda máxima admitida por uma renda de referência;
l Incentivar as autarquias locais a isentarem de IMT as aquisições de primeira casa de
habitação permanente para jovens;
l Regular de forma mais eficaz o alojamento local pela definição de quotas por fre-
guesia nos grandes centros urbanos;
l Adequar as políticas públicas às necessidades de reutilização dos espaços e cons-
trução em contextos novos (recuperação urbana e minimização de espaços e edifí-
cios devolutos);
l Considerar a possibilidade de as autarquias tomarem posse administrativa (a valores
de mercado) de espaços devolutos, que se encontrem em elevado estado de degra-
dação.
O último Inquérito à Mobilidade nas Áreas Metropolitanas de Porto e Lisboa realizado pelo
Instituto Nacional de Estatística em 2017 revela 80% da população residente recorre a deslo-
cações regulares com a duração média 21,8 minutos e 24,3 minutos na AMP e na AML respe-
tivamente. Dessas deslocações 68% (AMP) e 59% (AML) recorreu ao automóvel.
Se considerarmos o tempo médio diário, o custo médio e o respetivo impacto ambiental po-
deremos perceber o quanto esses valores representam na qualidade de vida, a proporção
do rendimento dedicada à mobilidade e os problemas decorrentes do elevado consumo de
combustíveis fósseis na qualidade do ar e na pegada ecológica que essa realidade representa.
Por contraste, o recurso aos transportes públicos tem vindo a decair desde o princípio da
década. Se há mais portugueses a viverem cada vez mais longe dos seus locais de trabalho
torna-se evidente que esses custos tendem a subir de forma preocupante.
O problema da mobilidade nas cidades e nas áreas metropolitanas ganha dimensões nunca
antes conhecidas e importa encontrar soluções que possam reduzir o impacto no rendimen-
to das famílias, no deficit de qualidade de vida e no equilíbrio ambiental.
85
UMA POLÍTICA INTEGRADA PARA AS CIDADES E AS ÁREAS METROPOLITANAS
l Reconversão progressiva das frotas de transportes públicos com unidades não po-
luentes;
l Prioridade para a qualificação das ligações ferroviárias, especialmente aquelas cuja
infraestrutura e material circulante se encontra tecnicamente obsoleto e em risco de
rotura;
l Suavização da transição tarifária entre Comunidades Intermunicipais e entre Comu-
nidades Intermunicipais e Áreas Metropolitanas;
l Reconversão progressiva das frotas de automóveis do Estado e das Autarquias para
veículos não poluentes;
l Aumento da extensão de faixas BUS nos principais acessos aos centros das áreas me-
tropolitanas;
l Estimular a mobilidade suave e ativa, nomeadamente a definição de regras para o
uso de trotinetas e incentivo ao uso de bicicletas. Promover o design inclusivo do es-
paço público e do alargamento da resposta em termos de mobilidade a pessoas com
mobilidade reduzida (grávidas, crianças, deficientes e idosos, etc.);
l Estimular a mobilidade partilhada: frotas partilhadas disponíveis nos grandes centros
urbanos, em particular tendo em atenção campi de instituições de ensino superior, e
enquadradas nos passes intermodais;
l Elaboração de enquadramentos regulatórios que permitam novos negócios relacio-
nados com a mobilidade inteligente, abrindo o mercado a novos players;
l Expansão da rede pública de carregamentos de veículos elétricos em articulação
com o setor, devendo ser garantida a elaboração e execução de uma rede pública de
postos de carregamento, consistente com um racional de atendimento ao público e
conjugada com a coesão territorial;
l Preparar as infraestruturas para a evolução tecnológica, por exemplo, carros autóno-
mos.
A qualidade do ar é um dos aspetos mais críticos na qualidade de vida das pessoas. Este facto
vem sendo realçado em diferentes estudos científicos que salientam diversas consequências
como a mortalidade decorrente da poluição atmosférica.
Os poluentes mais críticos, no que se refere ao cumprimento dos valores estabelecidos pela
Diretiva Europeia da Qualidade do Ar, são o material particulado, o dióxido de azoto e o ozono.
Estes poluentes são particularmente preocupantes nas áreas urbanas, onde as emissões de
poluentes para o ar ambiente, bem como a exposição da população aos poluentes, é maior.
O ozono, como poluente secundário, que resulta de transformações químicas na atmosfera, é
mais relevante fora das cidades, tendo efeitos visíveis na vegetação.
O PSD considera que se exige não só uma política ativa de redução das emissões de agentes
poluentes, mas também um reforço na capacidade de monitorização e de articulação entre
os diferentes organismos públicos sobre esta matéria.
86
A nossa ação política irá orientar-se no sentido de implementar as seguintes medidas:
87
UMA POLÍTICA INTEGRADA PARA AS CIDADES E AS ÁREAS METROPOLITANAS
blico de 50% da sua energia final a Empresas de Serviços Energéticos (ESSE), até ao
final da década com a contrapartida dos equipamentos;
l IVA reduzido e deduções fiscais para bens e equipamentos energética e ambiental-
mente eficientes (pellets, briquets, caldeiras a biomassa de alta eficiência, janelas
classe +, painéis solares fotovoltaicos, sistemas de aquecimento de águas sanitárias
com painéis solares e/ou bombas de calor);
l Relançamento do programa Água Quente Solar com (+) 1 milhão de m2 de painéis
solares em Portugal até 2030;
l Maior eficiência energética na construção ou reabilitação residencial, a cons-
trução deve obedecer a critérios exigentes de eficiência e suficiência energética,
reduzindo-se as necessidades de aquecimento. Apesar dos requisitos referentes às
emissões estarem a ser introduzidos progressivamente para todos os aparelhos de
aquecimento que utilizam combustíveis, as normas definidas pela UE para melhorar
a eficiência dos equipamentos só entrarão em vigor em 2022 para os novos equipa-
mentos. Face ao problema de poluição atmosférica nas cidades, causado pela quei-
ma de combustível sólido para aquecimento residencial.
No que respeita aos resíduos sólidos urbanos, e face ao expectável incumprimento das metas
para 2020 previstas no Plano Estratégico de Resíduos Sólidos Urbanos, urge uma abordagem
que permita, de um modo gradual e planeado, a transição de um sistema onde o aterro ainda
assume um papel preponderante para um outro onde a valorização energética dos resíduos
e, sobretudo, a sua reintrodução na economia se tornem nos principais atores.
l Alterar o valor da Taxa de Gestão de Resíduos (TGR) por deposição em aterro, dis-
tinguindo duas classes de taxa, TGR por deposição direta de Resíduos Urbanos (RU)
indiferenciados e TGR por deposição de «fração resto» ou «refugo»;
l Assentar o controlo e a fiscalização nas Guias de Acompanhamento de Resíduos
(e-GAR) de transporte, identificando a origem dos resíduos, assegurando a sua carac-
terização adequada;
l Dedicar uma verba do Fundo Ambiental para premiar o tratamento de resíduos
com recurso ao Tratamento Mecanizado Biológico (TMB);
l Definir um processo de certificação do composto, com base na sua caracterização
e proveniência, aplicando a norma portuguesa e europeia;
l Determinar incentivos que igualmente permitam os TMB investirem na melhoria de
processos de afinação, retirando contaminantes;
l Apostar na compostagem reforçando a compostagem de «verdes» e de «bio resí-
duos», em particular nas zonas interiores, áreas rurais e urbanas com características
adequadas;
l Reforçar novos anúncios do Programa Operacional de Sustentabilidade e Eficiência
no Uso de Recursos (POSEUR) para processos de recolha seletiva e para campanhas
de sensibilização ao nível dos Sistema de Gestão de Resíduos Urbanos (SGRU) junto
da população;
l Avaliar e melhorar fluxos específicos de RU, caso dos fluxos com Resíduos de Equi-
88
pamentos Elétricos e Eletrónicos (REEE), pilhas e acumuladores, óleos usados, entre
outros. Face ao impacto ambiental, haverá que enquadrar novos sistemas de respon-
sabilidade alargada ao produtor, ajustando aos princípios da economia circular;
l Valorizar os TMB e a capacidade de valorização de RU (fator remuneração da ener-
gia);
l Reabilitar a estratégia do Combustível Derivado de Resíduos (CDR);
l Reapreciar as Metas Nacionais aplicadas aos SGRU, ajustando-as às realidades re-
gionais, e nacional;
l Reapreciar o Modelo Regulatório da Entidade Reguladora dos Serviços de Água e
Resíduos (ERSAR), com a fixação de novas metas, mais ambiciosas, e verificando o
estado e capacidade instalada de equipamentos e instalações para os Resíduos Ur-
banos, avaliando as dificuldades económicas e financeiras dos SGRU e Municípios
em grande parte do território nacional;
l Promover a criação, no campo da legislação laboral aplicável, de um seguro obrigató-
rio de risco de saúde e vida e/ou um subsídio de salubridade, aplicável aos trabalha-
dores do setor dos resíduos;
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90
POBREZA E DESIGUALDADES
SOCIAIS
A pobreza e as desigualdades sociais são
um travão ao desenvolvimento, não uma
consequência
O PSD, fiel ao seu passado, honrado com o papel desempenhado na construção da demo-
cracia, fiel ao ideário da social-democracia e ao primado da realização da pessoa humana
em liberdade, tem uma visão integrada das políticas sociais e uma ação que tem como foco
a complexidade e as necessidades de cada cidadão no quadro das dinâmicas do desenvolvi-
mento humano e dos contextos diferenciados de cada comunidade onde os problemas so-
ciais manifestam maior incidência.
No entanto, o indicador da taxa de intensidade da pobreza, que mede quão distante está o
rendimento destas pessoas do valor fixado para o limiar da pobreza, a situação piorou. Era de
23,2% em 2010 e atingiu os 24,5% em 2017.
Esta é uma situação intolerável para quem defende a dignidade da pessoa humana, a justiça
social e uma sociedade coesa, valores essenciais que integram o património do PSD, e que
terão de estar na base de qualquer sociedade desenvolvida.
Esta realidade pode ser modificada e a primeira das condições para que isso venha a acon-
tecer é constituir a luta contra a pobreza num desígnio nacional. A segunda condição é re-
conhecer que, no nosso País, entre as causas mais determinantes do fenómeno de pobreza,
da exclusão social e da sua reprodução, se encontram os baixos salários e a desigualdade na
distribuição de riqueza.
Com efeito, com um limiar de risco de pobreza em 2017 de 5 607€ líquidos anuais (468€ por
mês) para um agregado composto apenas por um adulto, e de 11 214€ para um agregado
composto por dois adultos e duas crianças com menos de 14 anos, percebe-se a proximidade
entre a situação de pobreza monetária e o valor estipulado para o salário mínimo nacional.
Esta situação conduz a uma significativa vulnerabilidade das famílias com salários mais bai-
xos e qualquer fator de redução do seu rendimento líquido, nomeadamente nas situações de
91
POBREZA E DESIGUALDADES SOCIAIS
Em contraste, o atual governo fixou em 635 euros o salário mínimo para os trabalhadores da
administração pública. Esta manifesta desigualdade de tratamento dos trabalhadores portu-
gueses tem de ser corrigida, pelo que o PSD se compromete a:
O aumento sustentado do salário mínimo poderá contribuir para a redução do risco de po-
breza dos que trabalham, mas poderá não chegar às bolsas de pobreza e de privação material
que identificamos em Portugal.
Se os Portugueses entenderem que o PSD merece a sua confiança para governar Portugal,
o seu Governo aprovará as linhas gerais de uma política de combate à pobreza, à exclusão
social e às desigualdades. Será ainda criada uma Unidade de Missão, presidida por uma per-
sonalidade nomeada pelo Primeiro-Ministro e composta por representantes dos Ministérios
responsáveis pelas áreas das Finanças, da Economia, da Segurança Social, do Emprego, da
Educação e da Habitação.
Esta Unidade de Missão, de iniciativa pública, mas com participação e gestão privada de ca-
ráter técnico e científico, beneficiará de uma dotação financeira específica inscrita no Or-
çamento do Estado e contará com um fórum onde participarão representantes de todos os
atores envolvidos e os próprios destinatários, de forma a garantir o diálogo, auscultação per-
manentes e a própria avaliação das ações, entretanto em curso.
92
Para o PSD, paralelamente a uma visão integrada da política social de nível macro, promo-
ver-se-á a busca de soluções na base da proximidade, com o envolvimento dos destinatários,
condição necessária para que se obtenham resultados sustentáveis. Na política de combate à
pobreza, exclusão social e às desigualdades o papel reservado ao nível local ocupará posição
de relevo.
Mostra a experiência que, no nosso País e nas políticas sociais, o Estado continua a mostrar
tendência para intervir no quotidiano, através de uma ação de permanente controlo no deta-
lhe, isto é, dá mostras mais de querer fazer, do que criar condições para serem outros a fazer.
Esta atitude por parte do Estado não é motivadora, porque a contínua interferência nas ações
que estão a ser desenvolvidas no terreno por agentes locais gera, em primeiro lugar des-
confiança; em segundo lugar é castradora, porque não potencia sentimentos associados à
responsabilidade, que são a maior parte das vezes fundamentais para criar motivação para a
busca de soluções inovadoras.
POBREZA INFANTIL
Não deixa de ser paradoxal o facto de termos cada vez menos crianças e revelarmos uma taxa
de risco de pobreza das crianças e jovens superior à taxa média nacional. É precisamente no
grupo etário com menos de 18 anos que o efeito das transferências sociais é mais reduzido.
O PSD entende que o combate à pobreza infantil terá de passar por uma nova abordagem ex-
pressa numa nova geração de políticas para a infância que enunciámos no capítulo dedicado
às cinco reformas inadiáveis. Os apoios dados à maternidade/paternidade e a gratuitidade das
93
POBREZA E DESIGUALDADES SOCIAIS
O segundo requisito para concretizar essas políticas passa pela educação: um dos fatores
mais importantes na reprodução das desigualdades, são as desigualdades educativas. Sem
que dispúnhamos de um sistema educativo mais inclusivo e menos seletivo e discriminatório,
difícil será romper com o círculo vicioso da pobreza e da desigualdade. Ou se assume a edu-
cação como o mais eficaz instrumento de mobilidade social ascendente, ou então todas as
melhorias serão efémeras.
Em terceiro lugar, há que reconhecer que não basta promover melhores qualificações, há que
gerar melhores oportunidades de inserção no mercado de trabalho que se adequem a essas
qualificações. Daí que a redução do número de jovens que não estudam, não trabalham e
não estão em formação se mantém relativamente elevado: 220 mil jovens, entre os 15 e os 34
anos que não estando empregados, não estão a frequentar qualquer curso de educação ou
formação, no primeiro trimestre de 2019 (Fonte: INE).
Este elevado número denuncia uma clara desarticulação entre as qualificações fornecidas
pelo sistema de ensino e as necessidades do mercado de trabalho. O desperdício de capital
humano que estes números revelam é enorme e condiciona o sistema de oportunidades.
O mesmo poderemos dizer se considerarmos que nos últimos quatro anos emigraram mais
de 300 mil portugueses em busca de melhores condições de vida.
Portugal não está a gerar as oportunidades suficientes para absorver cerca de meio milhão
de jovens em idade ativa e enquanto esse número não for significativamente reduzido as
desigualdades vão persistir.
Portugal é o quarto país da União Europeia com maior desigualdade salarial, a seguir à Poló-
nia, Roménia e Chipre, mas, mais grave, é verificarmos que essa tendência não tem parado de
crescer, como não tem parado de crescer o número de trabalhadores que auferem o salário
mínimo. Nas principais empresas cotadas na bolsa portuguesa, o vencimento dos gestores de
topo aumentou, nos últimos três anos, cerca de 40%, e casos há em que o salário do principal
gestor do grupo é 150 vezes o salário médio do grupo, o que é de todo injustificável e, sobre-
tudo, imoral.
94
Perante esta situação de injustiça e de clara distorção do mercado de trabalho:
l O PSD encara a possibilidade de estabelecer, por via legal, um rácio que defina um
leque salarial que seja equiparado ao que se pratica em média na União Europeia,
bem como penalizar fiscalmente as empresas que não cumpram essa orientação.
95
96
DIREITOS HUMANOS,
DESIGUALDADE E
PRECONCEITO
Da discriminação da diferença à
vulnerabilidade desprotegida
Em Portugal existe uma evidente dessintonia entre o que é a vontade do legislador, expressa
do vasto articulado das normas, e a situação real do acesso e benefício dos diferentes direitos
consagrados na Constituição da República Portuguesa. A igualdade e a não discriminação é
um objetivo consagrado na Constituição e numa grande diversidade de documentos oficiais,
quer sejam nacionais, quer sejam as múltiplas declarações e convenções internacionais que
os representantes nacionais subscreveram ao longo das últimas décadas.
Porém, entre a retórica das boas intenções legislativas e a realidade da igualdade e da dis-
criminação, através das práticas e das atitudes, na sociedade portuguesa vai uma distância
enorme. Reconhecidamente, essa distância tem vindo a encurtar-se, de forma lenta, mas sus-
tentada, mas não deixa de em alguns domínios se revelar ainda atentatória dos valores da
democracia, da liberdade e da dignidade da pessoa humana que o PSD sempre defendeu.
De uma maneira geral o problema das desigualdades é identificado pela diferença no acesso
e distribuição de recursos e oportunidades por parte de diferentes grupos sociais assentes
no género, na limitação física ou na identificação com grupos sexuais, étnicos, religiosos ou
culturais. Porém, na base do diferente acesso e distribuição está o que poderemos designar
por diferente condição social em que cada um desses grupos se posiciona, através do seu
autorreconhecimento ou do reconhecimento da sociedade.
DESIGUALDADE DE GÉNERO
Existem três domínios onde a desigualdade de género constitui um problema para o qual
precisamos de adotar e desenvolver políticas públicas que promovam a igualdade e a não
discriminação: no trabalho, na política e na família. Sem prejuízo de se avançarem com medi-
das noutros domínios, estes são para o PSD, os prioritários, justificando mesmo que se avance
com:
97
DIREITOS HUMANOS, DESIGUALDADE E PRECONCEITO
Desde a década de 60 do século passado que a taxa de atividade feminina é uma das mais
elevadas da Europa. Quando a Guerra Colonial e a Emigração retiraram uma parte significa-
tiva da mão de obra masculina dos locais de trabalho, foram as mulheres que sustentaram o
crescimento da economia portuguesa, quer na agricultura, quer na indústria e nos serviços.
Estes números remetem Portugal para um dos últimos lugares no contexto dos países euro-
peus, algo que não nos dignifica. Por outro lado, é reconhecido entre as organizações inter-
nacionais que as mulheres portuguesas têm maior probabilidade de estar empregadas em
ocupações menos qualificadas e menos representadas em cargos de gestão e liderança.
98
Desigualdade de género na política
A representação paritária ainda não é uma realidade nos principais órgãos de soberania, no-
meadamente na composição da Assembleia da República e no Governo. Os passos que têm
sido dados apontam nesse sentido, mas, para o PSD, não existem razões objetivas para que a
médio prazo não se possa caminhar nesse sentido. A ideia de uma “representação equilibra-
da” só se concretizará com esse passo decisivo que está para ser dado.
É a partir do topo da hierarquia do Estado que tem de ser dado o exemplo para o resto da so-
ciedade. Mas na base da hierarquia dos poderes a situação pode revelar-se mais desigual: dos
308 presidentes de câmara eleitos em 2017, apenas 32 eram mulheres. Cumpre-nos desenvol-
ver políticas e promover uma alteração dos valores e práticas sociais no sentido de uma maior
paridade na representação política em geral e nas autarquias em particular.
O nível de atividade da população feminina portuguesa é dos mais elevados na Europa, mas
Portugal é dos países onde as mulheres dedicam maior parte do seu tempo às tarefas do-
mésticas e ao cuidado de descendentes e ascendentes. Este facto representa uma evidente
sobrecarga para as mulheres e uma manifesta desigualdade no seio da própria família.
l Por outro lado, a progressiva universalização da creche para todas as crianças pode-
rá representar um alívio significativo não só para o orçamento familiar, mas também
um incentivo para uma parentalidade mais repartida e mais responsável.
99
DIREITOS HUMANOS, DESIGUALDADE E PRECONCEITO
Esta é uma chaga social que importa eliminar. Enquanto crime, o tema já foi explanado no
capítulo que integra a Reforma da justiça, importa agora enunciar as medidas que o PSD
propõe ao País, no que respeita à prevenção e sinalização precoce, bem como nas formas de
apoio à vítima.
A prevenção tem de começar pela formação de todos os profissionais que no campo da in-
tervenção social, da justiça e da segurança lidam mais de perto com este tipo de problemas.
Assim, o PSD propõe:
Apoio à vítima
O PSD entende que um reforço nas formas diversas de apoio à vítima não pode dissipar o foco
no agressor, na sua limitação, condicionamento ou penalização. A origem do problema está
no agressor e é sobre ele que se devem centrar as ações prioritárias.
À vítima terá de ser garantido o direito de proteção da sua integridade física e psicológica e
a liberdade e autonomia para o exercício da sua atividade profissional, familiar e cívica, sem
estar sujeita ao risco de nova ação criminosa por parte do agressor.
100
l Maior celeridade no julgamento de processos crime por violência doméstica de
forma a restabelecer o mais rapidamente possível o regresso à normalidade por par-
te das vítimas.
l Melhor articulação entre as várias instituições vocacionadas para o apoio à víti-
ma, especialmente serviços públicos.
l Alargamento das condições de acesso a apoios sociais às vítimas, especialmente
na atribuição de apoios monetários, oferta de emprego e acesso à habitação.
Existem, pelo menos dois grupos sociais que merecem atenção e apoios redobrados para eli-
minar o risco de exclusão social.
O sistema de ensino tem realizado, nas duas últimas décadas, progressos assinaláveis na in-
tegração das crianças e jovens com limitações de capacidades físicas, motoras ou cognitivas.
Mas o sistema de ensino não pode funcionar como uma ilha isolada da sociedade e, ao cum-
prir os seus objetivos de inclusão educacional, não consegue garantir uma inserção adequada
na vida ativa dessas crianças e jovens.
O PSD pretende dar uma ênfase especial no que designamos por transição da escola para
a vida ativa das crianças e jovens limitações de capacidades físicas, motoras ou cognitivas. É
uma área de atuação do Estado e da Sociedade que merece ser reforçada com novos instru-
mentos potenciadores de uma efetiva inclusão social.
A situação atual das pessoas com deficiência no mercado de emprego tem vindo a degradar-
-se quer pela redução das taxas de emprego quer pelo aumento das pessoas desempregadas.
Por isso, não é de estranhar que as taxas de risco de pobreza ou exclusão social entre as pes-
soas com deficiência, em Portugal, seja claramente superior aos valores médios.
101
DIREITOS HUMANOS, DESIGUALDADE E PRECONCEITO
Imigrantes e refugiados
Num país que enfrenta um conjunto de desafios decorrentes da sua estrutura populacional,
importa destacar o contributo positivo dos imigrantes, nos últimos anos, para a demografia
portuguesa (em 2017, as mulheres de nacionalidade estrangeira foram responsáveis por 10%
do total dos nados-vivos) e para a segurança social (em 2016 +418,5 milhões de euros e em 2017
+514,3 milhões de euros).
Os trabalhadores estrangeiros estão, por comparação aos nacionais, mais representados nos
grupos profissionais da base (em 2016, cerca de 51%, enquanto apenas 39% dos trabalhadores
portugueses estavam enquadrados nesses grupos profissionais). As remunerações médias
dos trabalhadores estrangeiros mantêm-se inferiores (em 2016, -4,5%) comparativamente
com as dos trabalhadores portugueses.
102
l Assegurar uma articulação eficaz dos diferentes programas e respostas existentes e
que os recursos financeiros disponíveis para o seu desenvolvimento e implementação
(nomeadamente, os provenientes de fundos europeus) são efetivamente utilizados;
l Reforçar e promover os programas locais de integração de imigrantes, dotando os
municípios de recursos de modo a responderem cabalmente às necessidades iden-
tificadas junto destas populações;
l Monitorizar as políticas locais de integração;
l Promover o associativismo junto das comunidades imigrantes, impulsionando igual-
mente o associativismo jovem enquanto instrumento de coesão;
l Promover o exercício da cidadania ativa pelos membros das comunidades migran-
tes, reforçando a componente do conhecimento dos direitos e deveres, contribuindo
para a coesão e efetiva mobilidade social;
l Desenvolver acordos de cooperação, no domínio da integração, com os países de
origem dos principais fluxos migratórios, em especial com os países de língua oficial
portuguesa, tendo em vista a valorização do espaço migratório lusófono;
l Continuar a reforçar a aprendizagem da língua portuguesa e a consolidação dos pro-
gramas de ensino, tanto pela promoção do ensino envolvendo as escolas, o Instituto
de Emprego e Formação Profissional, as associações de imigrantes, as ONG e as em-
presas;
l Apoiar a capacitação económica e empreendedorismo migrante, reconhecendo o
elevado potencial e qualificações de imigrantes;
l Incentivar o autoemprego, através de um melhor aproveitamento das linhas de fi-
nanciamento existentes;
l Combater a discriminação racial com novas práticas preventivas e repressivas;
l Implementar uma campanha de sensibilização junto da população geral para os
benefícios da imigração e contributos dos imigrantes para a sociedade portuguesa,
desmitificando as perceções associadas ao fenómeno;
l Promover a recolha de dados sobre a acessibilidade e utilização dos serviços de saú-
de pela população imigrante, com vista a um conhecimento efetivo desta realidade;
l Reforçar as iniciativas de combate à exclusão social e abandono escolar, e as iniciati-
vas com vista à inserção profissional dos descendentes de imigrantes e dos grupos
étnicos da sociedade portuguesa.
O PSD, enquanto partido humanista, defende que Portugal deve manter a mesma disponi-
bilidade e o mesmo espírito de solidariedade para com os migrantes deslocados, em estreita
cooperação com a União Europeia e o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugia-
dos (ACNUR).
103
104
UM ESTADO ORGANIZADO PARA
SERVIR OS CIDADÃOS
O Estado deixou de servir e proteger os
cidadãos para se servir e proteger a si próprio
O que aconteceu ao propósito de serviço público? Porque é que o Estado deixou degradar
aquela que é a finalidade central da sua existência? Proteger os cidadãos, garantir a liberdade
e a justiça, preservar a coesão territorial, prestar os serviços fundamentais da educação e da
saúde, manter as redes de infraestruturas, incentivar a liberdade e segurança na circulação
das pessoas em todo o território: porque é que o Estado tem vindo a falhar sistematicamente
naqueles que são os domínios exclusivos da sua ação?
É este mesmo emaranhado legislativo e regulamentar que sustenta uma parte das irregula-
ridades administrativas e favorece o recurso a práticas e expedientes que se enquadram no
fenómeno da corrupção.
Não é possível colocar a Administração Pública a trabalhar melhor para a sociedade sem pôr
ordem neste caos e neste experimentalismo regulamentar constante que faz perder tempo e
paciência aos cidadãos e que impõe fortíssimos custos de contexto às empresas e outras organi-
zações produtivas, afetando a confiança dos agentes económicos e o investimento privado.
105
UM ESTADO ORGANIZADO PARA SERVIR OS CIDADÃOS
l Da mesma forma entendemos que a revogação de qualquer diploma deve ser prece-
dida de uma avaliação rigorosa do seu impacto (positivo ou negativo) e das suas
limitações.
l Um segundo princípio será o de qualquer diploma terá de identificar obrigatoria-
mente a legislação conexa e suscetível de ser revogada, eliminando-se o expediente
de “fica revogada toda a legislação referente a matérias abrangidas por este diploma”
ou “que contrarie o disposto no presente diploma”.
l O PSD compromete-se ainda a aprofundar e melhorar os mecanismos de parti-
cipação dos cidadãos na elaboração de novas peças legislativas, regulamentos e
outras regras, aumentando assim o nível de transparência e de “accountability” dos
decisores públicos. O êxito deste processo é essencial para que o cidadão sinta que
controla e acompanha o processo legislativo, sentindo-o como seu, em vez de o ver
como uma qualquer imposição alheia.
Vários governos das últimas duas décadas avançaram na descomplicação de muitos proce-
dimentos que afetam o quotidiano de pessoas e organizações (como obter documentos,
emitir certificados, conseguir autorizações, etc.). As possibilidades tecnológicas atuais permi-
tem aprofundar este esforço, indo mais longe na simplificação de processos e na melhoria
da relação com o cidadão e com as empresas. A experiência dos últimos 2 anos mostra, no
entanto, que não basta encontrar um interface novo para a vida das pessoas melhorar: ao
contrário, é preciso, por um lado, mudar e agilizar os próprios processos (e não apenas os
interfaces tecnológicos) e, por outro, garantir os recursos públicos suficientes para que, após
a simplificação e a mudança de interface, o novo sistema efetivamente funcione e melhore
a vida das pessoas. Não serve de nada, por exemplo, ter um novo interface tecnológico para
emitir passaportes e os passaportes passarem a demorar mais (e não menos) tempo a serem
emitidos. Isso não acontecerá com um Governo PSD.
Se é reconhecido que a degradação dos serviços públicos se deve, em parte, à falta de recur-
sos humanos e financeiros, entendemos que não é só com mais funcionários nem com mais
financiamento que se pode melhorar esses serviços. Antes de mais, é necessário mudar
processos e só depois recorrer aos instrumentos tecnológicos, a funcionários formados
para lidar com essas inovações e, sempre que se justifique, a mais recursos financeiros.
O PSD não pode deixar de expressar a sua profunda preocupação com a situação atual das
Forças Armadas Portuguesas. Em síntese, poderemos afirmar:
l Que existe um deficit de meios humanos, muito próximo dos 5.000 soldados, que
traduz a dificuldade crescente de preencher os quadros necessários ao cumpri-
mento das suas missões.
l Que esse deficit se deve à falta de atratividade da carreira militar em comparação
com carreiras de outras forças de segurança e à redução significativa de alguns be-
nefícios para quem exerce a função militar.
106
l Que não há capacidade de resposta preventiva ao recrudescimento de operações
submarinas no Atlântico por meios oriundos do exterior desse espaço.
l Que ameaças emergentes no quadro da cibersegurança, exigem condições de re-
crutamento de quadros altamente qualificados que não estão disponíveis para acei-
tar as condições contratuais propostas.
l Não obstante Portugal não ter sido até ao presente alvo de ações terroristas, o país
não está imune a essa ameaça.
l Uma resolução favorável por parte da ONU à expansão da plataforma marítima na-
cional obriga-nos a um reforço de meios que garantam a segurança de pessoas e
bens com ela relacionados, para o qual não estamos preparados, nem dispomos dos
recursos financeiros necessários.
A NATO representa uma âncora essencial a nossa estabilidade e soberania que nos poderá au-
xiliar face às novas ameaças que se prefiguram na cena internacional. Porém, esse resguardo
não dispensa o nosso país de cumprir com os objetivos a que a sua participação obriga nem
com a reconceptualização necessária à nova ordem mundial, a saber:
l Reposição progressiva dos efetivos militares para um patamar nunca inferior a 32.000
unidades, que tendo sido aprovado pelo atual governo, não está a ser concretizado.
l Criação da carreira de praças do exército e força aérea.
l Revisão das remunerações dos militares contratados ou voluntários para valores que
as tornem atrativas face a ocupações correspondentes de outras forças de segurança.
l Considerar a prestação do serviço militar de, pelo menos pelo período de um ano,
como requisito de recrutamento para a GNR e PSP.
l Aumentar os níveis de segurança das instalações militares, nomeadamente do EMG-
FA/MDN e a sede de operações das FA.
l Criação de uma guarda costeira com base na estrutura da Armada.
107
UM ESTADO ORGANIZADO PARA SERVIR OS CIDADÃOS
Num mundo em que as imagens da violência, dos conflitos armados e de milhões de seres
humanos vítimas de agressão, não deixa de ser compensador ver Portugal entre os países
mais seguros do mundo em claro benefício dos Portugueses, bem como daqueles que esco-
lheram o nosso país para residir, viver ou, simplesmente visitar.
Um país seguro constitui uma vantagem competitiva quer na atração de fluxos turísticos,
de investimento estrangeiro ou de imigrantes permanentes ou temporários.
Por isso desejar um país mais seguro, não nos deve limitar na ambição de sermos o país mais
seguro do mundo. A imagem externa que poderemos explorar com esse objetivo representa-
rá um valor acrescentado considerável para o desenvolvimento de Portugal.
Segurança pública
l Melhorar a ação integrada das forças de segurança pública com a Justiça e a De-
fesa, de forma a afirmar a autoridade do Estado e a reforçar o sentimento de segu-
rança em todos os seus fatores.
l Promoção de uma maior cooperação entre forças e serviços de segurança.
l Estabilizar os quadros orgânicos da GNR e PSP bem como os respetivos estatutos
de pessoal e regulamentos disciplinar e de avaliação.
l Libertar os agentes mais novos afetos a tarefas administrativas e burocráticas para o
policiamento de proximidade.
l Valorizar o papel dos Serviços de Informações, que estão na linha da frente da ava-
liação e prevenção dos fatores de risco e ameaças, constituindo um pilar fundamen-
tal para a preservação da soberania e independência nacional.
l Assegurar uma participação nacional efetiva nos organismos de gestão de fluxos
fronteiriços, acompanhando a agenda europeia.
Proteção civil
108
Em 2019, o que se registou nos Concelhos de Mação e Vila de Rei, não inspira confiança num
sistema de que, de alguma forma, não consegue organizar-se para a proteção de pessoas e
bens, nomeadamente da riqueza florestal que todos os anos é destruída pelo fogo.
Segurança Rodoviária
Fazer de Portugal um dos países mais seguros do mundo passa também por conter e reduzir
o autêntico flagelo que é a sinistralidade rodoviária. Os números que teimam em manter-se a
níveis elevados e o valor das perdas em vidas humanas e em danos materiais exigem repensar
o atual sistema de segurança rodoviária.
109
UM ESTADO ORGANIZADO PARA SERVIR OS CIDADÃOS
A manutenção corrente das infraestruturas também terá de ser assegurada não sendo
normalmente considerada como investimento e assim excluída de financiamentos da UE.
Qualquer projeto de investimento em nova infraestrutura deveria também ter assegurado
o financiamento posterior na sua manutenção, adotando o conceito de custo de posse da
infraestrutura.
110
l As atividades no âmbito das infraestruturas devem ter uma sólida base científica e
técnica, e considerar as perspectivas de evolução, tecnológica, económica e social.
l Dada a natureza da maior parte das infraestruturas, é essencial considerar os resulta-
dos e impacto da inovação tecnológica, em particular da digitalização.
Ferrovia
O sistema ferroviário pesado e ligeiro assegura o modo atualmente mais sustentável de trans-
porte para passageiros e mercadorias e tal será considerado nas decisões a tomar. Este princípio
confere à ferrovia o estatuto de prioridade nacional, não só como motor de desenvolvimento eco-
nómico e potenciador das dinâmicas exportadoras, mas, acima de tudo, como pilar de um mode-
lo de desenvolvimento sustentável visando a concretização da meta da neutralidade carbónica.
Terminais aeroportuários
As políticas mais recentes neste particular domínio têm sido orientadas para responder ao pro-
gressivo esgotamento dos dois principais aeroportos portugueses (Lisboa e Porto) cujo aumen-
to de tráfego conduz a soluções de remedeio pela expansão, passo a passo, destas infraestru-
turas. Entretanto, há que garantir a complexa conectividade no transporte de passageiros e de
mercadorias, especialmente nas ligações com infraestruturas ferroviárias e rodoviárias.
111
UM ESTADO ORGANIZADO PARA SERVIR OS CIDADÃOS
Terminais portuários
Tratar o sistema marítimo e portuário exige dispor de uma ideia clara de modelo de desenvol-
vimento económico nacional, envolvendo as empresas, em especial, as empresas que desen-
volvem atividades industriais e outras atividades de importação e exportação de mercadorias
e cargas. Países de pequena e média dimensão económica dependem do seu grau de aber-
tura ao exterior para assegurar o desenvolvimento. No caso português, é fundamental dispor
de um sistema portuário competitivo e eficiente. Além do mais, para dispor de portos mais
competitivos, além de sistemas de coordenação das atividades, é relevante a cooperação.
A menor competitividade dos portos implica sempre custos acrescidos que se refletem nos
preços das mercadorias e demais bens de consumo importados e exportados, logo, um me-
nor rendimento disponível para as famílias e margens mais reduzidas para as empresas que
operam no mercado nacional e internacional. Trata-se de uma das desvantagens mais rele-
vantes da economia portuguesa.
Apostar num sistema portuário eficiente e eficaz é fundamental. Para o conseguirmos tere-
mos de privilegiar as medidas com maior poder estruturante:
112
l Implementar a Janela Única Logística, de forma física e digital, no contexto da rede
transeuropeia de transportes para integração do transporte marítimo com os corredo-
res terrestres europeus.
l Melhorar a interligação com as infraestruturas ferroviárias, rodoviárias e terminais lo-
gísticos portugueses e espanhóis.
113
114
FINANÇAS PÚBLICAS
Rigor e transparência para restabelecer a
confiança interna e externa
Desde a entrada na zona Euro que Portugal se debate com um problema grave de susten-
tabilidade das suas contas públicas. Além de défices excessivos em praticamente todos os
anos entre 2001 e 2011, Portugal viu a sua dívida pública passar de um valor estável em torno
dos 60% do PIB até 2008, para um patamar acima dos 110% no momento da assinatura do
Programa de Ajustamento Economico e Financeiro em 2011, passando para um patamar em
torno dos 120%, atualmente.
Portugal precisa de reduzir a dívida pública substancialmente e criar alguma margem para a
aplicação de políticas contra cíclicas que protejam a economia portuguesa contra choques
externos. Para alcançar estes objetivos, as Finanças Públicas devem ser orientadas para atin-
gir o equilíbrio orçamental estrutural, sem agravar a carga fiscal e com níveis de investimento
público que não comprometam o futuro dos portugueses.
O maior problema das contas públicas é a estrutura da despesa pública, pesada e rígida. Por-
tugal apresenta valores de despesa corrente primária acima dos seus principais concorrentes
(Europa do sul e do leste) sem que tal se traduza em níveis de serviço público superiores,
devido aos níveis baixos de eficiência da despesa pública. É necessário evitar e desconstruir
um equívoco: moderar o crescimento da despesa corrente primária não significa reduzir a
importância do Setor Público e da sua intervenção (quer ao nível das funções de soberania,
quer ao nível da proteção social), mas sim encontrar outras soluções instrumentais que
aumentem a eficácia da despesa pública.
Portugal permanece numa situação muito frágil do ponto de vista económico e das suas
contas públicas. A redução do défice orçamental nos últimos anos assenta em fatores transi-
tórios (nomeadamente a política monetária do BCE com a redução dos juros e os dividendos
do Banco de Portugal) e numa conjuntura externa favorável, pelo que o aparente equilíbrio
orçamental está sujeito a riscos significativos. A competitividade da economia e a criação de
riqueza são a base do Estado Social, e contas públicas equilibradas são condição necessária
(apesar de não suficiente), para o crescimento económico. Adicionalmente, um país alta-
mente endividado não é um país financeiramente (nem economicamente) livre.
Assim, na próxima legislatura, os principais vetores das Finanças Públicas portuguesas de-
vem ser:
115
FINANÇAS PÚBLICAS
dos recursos disponíveis, sem preconceitos ideológicos que limitem o leque de op-
ções disponíveis.
l Redução da carga fiscal sobre as empresas e as famílias
l Reforço da transparência orçamental, reduzindo ao máximo eventuais práticas de
desorçamentação.
Portugal necessita de reduzir a sua dívida pública para valores abaixo dos 100% do PIB, para
que um valor mais baixo de dívida e uma gestão mais prudente da mesma possam proteger
o país de futuros choques externos e turbulência nos mercados financeiros.
A gestão da dívida pública a médio e longo prazo deve assentar num perfil de risco muito
conservador, optando por uma gestão de portfólio de risco muito reduzido, com o objetivo
de assegurar:
Uma gestão da dívida assente nestes princípios de prudência permite enfrentar eventuais
turbulências nos mercados financeiros e reforçar a capacidade de suportar choques externos.
Esta capacidade será ainda mais reforçada, se a esta medida adicionarmos depósitos (ou seja,
a “almofada financeira”), que nos permitam estar pelo menos um ano sem recorrer ao merca-
do de médio e longo prazo (ou seja, depósitos em torno dos 8 mil milhões de euros).
Mas é também promover, no contexto europeu, soluções ambiciosas:
l a compra das OT’s (Obrigações do Tesouro, isto é a dívida de médio e longo prazo de
Portugal) que estão no Eurosistema pelo ESM (European Stability Mechanism, ou
seja, o Mecanismo Europeu de Estabilidade, o mecanismo criado para a assistência
financeira aos países da zona Euro);
l a criação de uma linha cautelar do ESM superior à atual, de apenas 1 ano;
l a mutualização da dívida através de Eurobonds até 60%. De todas estas hipóteses,
a adoção de Eurobonds – apesar das dificuldades políticas associadas ao inerente
aprofundamento do projeto político europeu (desde logo, com a criação de um Te-
souro europeu) – seria a solução que maiores vantagens poderia proporcionar a Por-
tugal.
A qualidade dos serviços públicos tem sofrido uma degradação continuada, e é premente
inverter esta tendência. A eficiência da despesa pública pode e deve aumentar significati-
vamente, atenuando ao máximo redundâncias e desperdícios, para permitir compatibilizar
uma melhoria significativa da qualidade dos serviços públicos com um crescimento mode-
rado da despesa.
116
Os portugueses exigem um “Estado mais Qualificado” e eficiente, capaz de produzir níveis
de proteção e de desenvolvimento social elevados com um nível de utilização de recursos
moderado, que não comprometa a competitividade da economia e a produção de riqueza.
Deste modo os portugueses poderão usufruir de serviços públicos de qualidade com carga
fiscal e custos de contexto mais baixos.
Alcançar um “Estado mais Qualificado” pressupõe uma reforma profunda do Estado, em que
uma das partes críticas é a reforma das Finanças Públicas, que melhore a gestão financeira
e patrimonial do Estado, aumente a transparência da gestão pública, reduza os desperdícios
e aumente a autonomia e a responsabilização da gestão no Setor Público Administrativo.
A RAFE XXI – Reforma da Administração Financeira do Estado para o Século XXI terá como
principais vetores:
117
FINANÇAS PÚBLICAS
o exercício das funções que têm que ser asseguradas e prestadas pelo Estado e abdicando das
funções que sejam realizadas de forma mais eficiente e eficaz por outros atores sociais. Essa
transformação deverá ser alicerçada no objetivo de redimensionamento e de requalificação
da Administração Pública, procurando incrementar a eficiência e a equidade em áreas
centrais da gestão da despesa pública e a melhoria dos serviços públicos.
Esse é o caminho que não tem vindo a ser seguido nos últimos anos.
As reformas a empreender deverão, nos próximos anos, dar prioridade aos seguintes eixos
fundamentais:
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o Deverá, como orientação geral, ser prosseguido o objetivo que aponte para exis-
tência de um rácio: uma entrada por uma saída, promovendo a estabilidade do
número de trabalhadores da Administração Pública nos próximos 4 anos, sem pre-
juízo da ponderação de situações particulares ao nível do funcionamento de deter-
minados serviços públicos que possam exigir reforço de quadros;
o O desenvolvimento de um modelo de recrutamento orientado e seletivo de novos
quadros técnicos que permitam a retenção e a reprodução do conhecimento dos
trabalhadores que vão saindo (qualificação), especialmente em áreas nucleares do
serviço público, como a saúde, a justiça, a regulação e a inspeção, a proteção so-
cial, entre outras;
o O desenvolvimento de programas de formação, que permitam uma maior mobili-
dade entre carreiras e grupos profissionais;
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FINANÇAS PÚBLICAS
O IRS assume um carater muito específico no contexto do sistema fiscal, porque é o imposto
que permite um efeito de redistribuição e de maior equidade. Atualmente a função de redis-
tribuição do IRS está prejudicada porque a elevada taxa marginal máxima é aplicável a partir
de níveis de rendimento (80 mil euros) inferiores aos de outros países europeus, o que tem
também um efeito negativo na competitividade ao constituir um incentivo negativo para o
trabalho. Os rendimentos de trabalho e pensões representam 90% da receita de IRS e os ren-
dimentos acima de 32 mil euros representam apenas 12% dos contribuintes, mas represen-
tam 70% do imposto cobrado. Nesse sentido, e no médio prazo, urge repensar a tributação
em sede de IRS. Acresce que a digitalização, a inteligência artificial, a robótica e automação
vão colocar desafios enormes ao nível do mercado de trabalho, com o consequente impacto
na tributação das pessoas singulares.
A elevada carga fiscal, que tem aumentado nos últimos anos, tem penalizado sobretudo as
famílias da classe média, aquelas que são efetivamente tributadas em sede de IRS. O aumen-
to da carga fiscal terá certamente contribuído para que as famílias apresentassem no final de
2018 as mais baixas taxas de poupança de sempre, o que contribuiu o elevado endividamen-
to e para as dificuldades de financiamento da economia portuguesa. É por isso essencial ali-
viar a carga fiscal das famílias, dirigindo tal alívio para a promoção da poupança, através de:
l Redução da carga fiscal em IRS para as famílias da classe média, através da redução
das taxas aplicáveis ao rendimento das pequenas e médias poupanças.
l Dedução à coleta em sede de IRS dos montantes aplicados em PPR e PPR-OICVM
(com o valor de dedução e máximos a ser definido).
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l Agravamento do imposto do selo nas operações de crédito para consumo acima de
14 salários mínimos.
l Redução da taxa de IVA aplicável ao consumo de eletricidade para uso doméstico.
l Redução da carga fiscal sobre imóveis, através da eliminação do imposto Adicional
ao IMI e da redução para 0,25% do limite inferior do intervalo da taxa aplicável a pré-
dios urbanos do Imposto Municipal sobre Imóveis
l Simplificação dos processos de contencioso tributário:
o Simplificação dos procedimentos em sede de LGT e de CPPT.
o Reforço da componente de arbitragem tributária.
o Prazo de manutenção de uma garantia idónea para suspensão do processo exe-
cutivo (não deverá exceder um ano no caso das reclamações administrativas e
dois anos no caso dos processos judiciais).
o Simplificação das regras sobre a caducidade e prescrição de impostos, com al-
teração dos mecanismos de suspensão/interrupção.
A estabilidade financeira foi reforçada na área do Euro. No entanto, existe ainda uma forte
ligação entre os bancos e os seus Estados soberanos, bem como níveis elevados de crédito
malparado. São necessárias medidas suplementares para reduzir e partilhar os riscos no se-
tor bancário, bem como para oferecer melhores possibilidades de financiamento à economia
real, nomeadamente através dos mercados de capitais.
A integração e o bom funcionamento do sistema financeiro são essenciais para garantir a
eficácia e a estabilidade da UEM. A conclusão da União Bancária e da União dos Mercados de
Capitais é fundamental para alcançar este objetivo.
Há duas outras componentes da União Bancária que continuam por concluir e que permiti-
riam em paralelo obter progressos na partilha de riscos: um Sistema Europeu de Seguro de
Depósitos (SESD); e um mecanismo comum de segurança orçamental para o Fundo Único de
Resolução. Esses elementos devem ser objeto de acordo o mais depressa possível por forma
a poderem ser criados e estarem inteiramente operacionais até 2025. Ambos serão essen-
ciais para atenuar ainda a interdependência entre os bancos e as finanças públicas.
Adicionalmente, a obtenção de progressos na União dos Mercados de Capitais (UMC) será
fundamental para ajudar a garantir fontes de financiamento mais inovadoras, sustentáveis e
diversificadas tanto para as famílias como para as empresas, nomeadamente através de um
acesso facilitado a capital de risco ou ao financiamento por via do capital próprio, em detri-
mento do endividamento.
O sistema financeiro desempenha um papel fundamental na economia, promovendo uma me-
lhor afetação de recursos, através da transferência de poupança e de fundos excedentários de
aforradores para setores e agentes económicos que deles necessitam, designadamente para
consumir e investir, facilitando ainda um alisamento de gastos dos agentes ao longo do tempo.
Tendo em atenção o papel fundamental do sistema financeiro e as falhas e fricções de mercado
que o caracterizam, importa regulá-lo e supervisioná-lo adequadamente.
Neste contexto, a escolha de um modelo de supervisão financeira deve procurar maximizar a
probabilidade de atingir eficientemente os objetivos definidos para a regulação e supervisão
financeiras, sendo certo que o modelo em si mesmo não é condição suficiente para os asse-
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gurar, existindo um conjunto de outros fatores que concorrem para o cumprimento desses
objetivos. De entre esses fatores, destaca-se a qualidade e eficácia da regulação financeira
(isto é, o conjunto de regras que pautam as atividades e o comportamento dos agentes eco-
nómicos que participam no sistema financeiro), bem como a prática de supervisão, o sancio-
namento de violações ou a existência e competência técnica dos recursos humanos.
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