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Entendendo Criptoativos e Seu Mercado

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CRIPTOATIVOS

Autoria: Alberto Machado de Medeiros

1ª Edição
Indaial - 2022
UNIASSELVI-PÓS
CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI
Rodovia BR 470, Km 71, no 1.040, Bairro Benedito
Cx. P. 191 - 89.130-000 – INDAIAL/SC
Fone Fax: (47) 3281-9000/3281-9090

Reitor: Janes Fidelis Tomelin

Diretor UNIASSELVI-PÓS: Tiago Lorenzo Stachon

Equipe Multidisciplinar da Pós-Graduação EAD:


Tiago Lorenzo Stachon
Ilana Gunilda Gerber Cavichioli
Norberto Siegel
Julia dos Santos
Ariana Monique Dalri
Jairo Martins
Marcio Kisner
Marcelo Bucci

Revisão Gramatical: Desenvolvimento de Conteúdos EdTech

Diagramação e Capa:
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI

Ficha catalográfica elaborada pela equipe Conteúdos EdTech


UNIASSELVI

C397

Medeiros, Alberto Machado de

Criptoativos. / Alberto Machado de Medeiros. - Indaial: UNIASSELVI,


2022.

121 p.; il.

ISBN Digital
1. Criptoativos. - Brasil. 2. Estudo. - Brasil. II. Centro Universitário
Leonardo da Vinci.

CDD 332,1

Impresso por:
Sumário

APRESENTAÇÃO.............................................................................5

CAPÍTULO 1
CONCEITOS E FUNDAMENTOS DE CRIPTOATIVOS.................... 7

CAPÍTULO 2
OS ASPECTOS ECONÔMICOS E FINANCEIROS DOS CRIPTOA-
TIVOS.............................................................................................. 45

CAPÍTULO 3
O MERCADO DE CRIPTOATIVOS................................................. 85
APRESENTAÇÃO
Dia após dia novas tecnologias são inseridas em nosso cotidiano facilitando
a nossa vida. O ritmo frenético das atualizações tecnológicas nos coloca em uma
posição de constante necessidade de reinvenção. Podemos perceber esse fenô-
meno nas mais simples atividades, como a busca de informações, a atualização
de dispositivos em nossos aparelhos eletrônicos, a necessidade de acesso a ser-
viços de localização e comunicação para os mais variados objetivos etc.

A sociedade contemporânea encontra-se em um período de grande evolução


tecnológica que surpreende a todos nós. Esse contexto evolutivo proporcionou o
desencadeamento da criação de moedas descentralizadas que são consideradas
a forma mais inovadora de se relacionar comercialmente. Essa inovação vem pro-
porcionando uma nova dinâmica aos sistemas econômicos, passando a ser um
grande desafio à economia global nos mais variados aspectos, desde o potencial
de otimização de recursos, riscos, garantias, legalidade etc.

O advento da evolução tecnológica, aliado à praticidade das operações in-


termediadas pela internet, possibilita a qualificação do processamento financeiro
atual. Diante disso, a tecnologia está se adaptando às novas necessidades da
sociedade e possibilitando o desenvolvimento de novos mecanismos de relacio-
namento financeiro entre os indivíduos. Nesse contexto, temos o surgimento dos
criptoativos como forma de pagamento e meio de viabilizar as operações de troca
entre os atores econômicos.

A tecnologia jamais apresentou níveis de eficiência tão elevados quanto os


vistos atualmente. Há poucos anos essa transformação demandava por um maior
período de tempo para que fosse possível ocorrer. O homem vem desvendando
novos métodos cibernéticos e tecnológicos e essa evolução vem marcando uma
disrupção que contribui para o avanço da humanidade, não sendo diferente quan-
do falamos de economia e as relações comerciais entre os indivíduos. Essa nova
era vem sendo considerada como o movimento da economia digital.

O desenvolvimento dos criptoativos é mais uma etapa para o aprimoramento


histórico dos meios de troca, sua existência permite que ocorra a otimização da
propriedade de moeda, possibilitando uma maior eficiência da administração de
escassez sem que seja necessário o monitoramento dos responsáveis pelo seu
gerenciamento. Seu perfil flexível, proveniente da natureza eletrônica, permite a
escala de tratamento e a redução dos altos custos dos modelos tradicionais.

Os criptoativos ainda são um tema em discussão na maior parte das eco-


nomias do mundo, haja vista os desafios de quebrar as barreiras culturais dos
modelos tradicionais por um modelo de moeda digital. Alguns temas, como las-
tro financeiro, regulamentação, criptografia de segurança digital, rastreabilidade e
blockchain, são inovadores nesse novo mercado.

Este livro está organizado em três capítulos (Conceitos e fundamentos de


criptoativos; Os aspectos econômicos e financeiros dos criptoativos; e O mercado
de criptoativos) e, por meio desses temas macro, será apresentada uma aborda-
gem detalhada e sistêmica, a fim de compreendermos o mercado dos criptoativos,
bem como sua relação econômica e financeira.

As especificidades das abordagens estão remetidas às discussões, no Ca-


pítulo 1, sobre o contexto histórico dos criptoativos, o entendimento sobre a tec-
nologia blockchain e os aspectos que permeiam as discussões sobre a regula-
mentação dos criptoativos. Já no Capítulo 2, serão apresentados as influências
dos criptoativos na economia, a intermediação de criptoativos como meio de pa-
gamento e o debate sobre o lastro financeiro dos criptoativos. Por fim, o Capítulo
3 apresentará os tipos e as classificações dos criptoativos, o funcionamento das
operações com criptoativos e os riscos das operações com criptoativos.

Esperamos que este material forneça informações essenciais para


que, no futuro, você possa desempenhar com excelência seu papel como
profissional.

Bons estudos!

Prof. Alberto Machado de Medeiros


C APÍTULO 1
CONCEITOS E FUNDAMENTOS DE
CRIPTOATIVOS

A partir da perspectiva do saber-fazer, são apresentados os seguintes


objetivos de aprendizagem:

 Entender o conceito e a evolução histórica dos criptoativos.


 Compreender a dinâmica da tecnologia blockchain.
 Perceber as discussões acerca da regulamentação dos criptoativos.
CriPToATiVoS

8
Capítulo 1 CONCEITOS E FUNDAMENTOS DE CRIPTOATIVOS

1 CONTEXTUALIZAÇÃO
Compreender o mercado de criptoativos pode ser difícil devido ao seu caráter
e perfil inovador, uma vez que leva em consideração vários campos da ciência, do
direito, da economia, das tecnologias e dos fatores sociais e culturais. A revolução
dos criptoativos trata-se de um marco inovador de grande relevância tanto quanto
o surgimento dos primeiros equipamentos eletrônicos e a difusão do acesso à
internet, que possibilitaram um ganho significativo e um novo mundo de possibi-
lidades, determinando, assim, novos padrões de comportamento da sociedade.

O conceito de criptoativos se estabelece por meio da criação de um siste-


ma de transações eletrônicas confiáveis sem que exista a intermediação de um
terceiro entre os envolvidos na troca de valor. A relação envolve uma tecnologia
baseada em criptografia, bem como um sistema blockchain, que proporcionam a
formação de um contexto de segurança e agilidade para as operações sem a ne-
cessidade da transferência a um terceiro.

Um dos fatos mais relevantes quando falamos de criptoativos está relacio-


nado ao tema da regulamentação desse mercado, em que as principais discus-
sões se concentram nos temas sobre o controle das transações realizadas por
parte dos governos, grandes corporações ou das instituições bancárias. A adoção
de mecanismos para viabilizar a legalização do mercado de criptoativos refletirá
significativamente no perfil das relações econômicas. Nesse contexto, cabe aos
governos e aos mercados econômicos tratarem o tema da legalidade dos crip-
toativos e possibilitar que as tecnologias mais inovadoras da atualidade possam
contribuir para a otimização dos recursos e a maximização dos resultados.

Todos esses processos e desafios, caracterizados pelas influências de fun-


damentações centralizadas, fatores culturais, tecnológicos e de regulamentação
impostos pelos criptoativos ao mercado global, atingindo diretamente os mais va-
riados níveis socioeconômicos, passam a demandar um conjunto de forças para
garantir uma condução para um cenário das relações de troca cada vez mais efi-
ciente. Assim, essa temática será o foco de estudos deste capítulo.

2 CONCEITO E EVOLUÇÃO
HISTÓRICA DOS CRIPTOATIVOS
Há muitos anos as moedas instituídas pelos países ao redor do mundo pos-
suem nomes diferentes para os mesmos objetivos. Ao longo da história, o livre co-
mércio esteve pautado na relação comercial em um contexto de economia globali-
zada. Nesse universo, o papel da moeda proporciona um meio universal, sólido e
confiável para que ocorram as relações de troca entre os indivíduos.
9
CriPToATiVoS

Tal movimento cotidiano se estendeu até o ano de 2008, quando Satoshi


Nakamoto criou uma moeda a partir de códigos computacionais. Essa nova mo-
dalidade de moeda, conhecida como bitcoin, foi inserida no comércio mundial
trazendo uma nova perspectiva quanto às relações econômicas e financeiras do
mundo. Nakamoto realizou o lançamento do bitcoin em um fórum aberto, em que
demonstrou a dinâmica dessa nova modalidade de moeda que passaria a revolu-
cionar o sistema de pagamento global.

A partir desse período e após a eclosão da crise financeira mundial em 2008,


que acarretou a falência do banco Lehman Brothers, um dos mais importantes
bancos dos Estados Unidos, a percepção sobre o modelo atual de funcionamento
dos sistemas econômicos e financeiros tradicionais passou a ser cada vez mais
questionada.

Prezado aluno, o vídeo indicado no link a seguir explica os


principais motivos da crise financeira de 2008 que atingiu a econo-
mia global, disponível em: [Link]
PlK7MLK8Bc.

Não temos como falar de criptoativos sem falar de bitcoin, essa foi a primeira
moeda virtual que atendeu ao grande desafio de solucionar o problema do gasto
duplo. Falaremos ao longo deste capítulo, de forma detalhada, sobre o bitcoin e o
fenômeno do gasto duplo.

Satoshi Nakamoto publicou seu artigo salientando a origem da moeda digi-


tal, que permitiria que as pessoas realizassem transferências de dinheiro sem a
necessidade de intermediação de agentes centralizadores, neste caso, das insti-
tuições bancárias. As moedas digitais estão sustentadas pela tecnologia block-
chain, tema presente nas discussões de Nakamoto quando da abordagem inova-
dora do bitcoin.

As moedas digitais, intermediadas pela tecnologia blockchain, também são


chamadas de criptomoedas e, como comentado anteriormente, surgem com o
intuito de não depender de fatores tradicionais, como intermediação e garantias
relacionadas a outras moedas já existentes. Dessa forma, podemos considerar
que toda criptomoeda é um criptoativo, porém, nem todo criptoativo é considera-
do uma criptomoeda.

10
Capítulo 1 CONCEITOS E FUNDAMENTOS DE CRIPTOATIVOS

As moedas tradicionais, de perfil centralizado, fazem parte das economias


capitalistas ao redor do mundo. Tal modelo se constitui pelo fato de a sua gestão
estar concentrada nas entidades governamentais que conduzem a gestão de tais
fatores. Esse modelo demanda pela existência de operadores e intermediários,
como bancos e demais entidades financeiras, que viabilizem as operações em
emissores e receptores em uma determinada operação financeira.

No vídeo indicado no link a seguir, é possível compreender o


papel dos bancos nos processos de intermediação das operações
financeiras em nossa economia, disponível em:
[Link]

A partir da figura a seguir é possível identificar a classificação dos bancos,


bem como o papel e a abrangência de cada um deles em nossa economia no que
compete às funções de intermediação financeira.

11
CriPToATiVoS

Figura 1 – Tipos de bancos

Fonte: [Link]
bancoscaixaseconomicas. Acesso em: 4 abr. 2022.

O ponto central de diferenciação que podemos perceber entre os criptoativos


e as moedas tradicionais estaria permitindo a redução dos custos e do tempo dis-
posto para a ocorrência das transações financeiras. A ideia parte do contexto em
que, em um cenário digitalizado, as operações de envio e recebimento de dinheiro
devem ocorrer com grande facilidade e de forma instantânea, da mesma forma
que acontece quando enviamos uma mensagem eletrônica.

12
Capítulo 1 CONCEITOS E FUNDAMENTOS DE CRIPTOATIVOS

Nos anos iniciais, o foco dos trabalhos se concentrou exclusivamente na pes-


quisa e no desenvolvimento da ciência, estando essa tecnologia um pouco dis-
tante do mercado e das pessoas. Com a evolução dos anos, o bitcoin começa a
constituir uma imagem popular e, a partir do ano de 2017, passa a ser conhecido
em grande escala pelo mundo. Essa primeira criptomoeda ganha fama e uma
gradativa evolução de cotação e volume de negociações. A partir desse momento,
ocorre o desenvolvimento de muitas outras moedas virtuais, originando uma es-
calada ao movimento de ascensão das criptomoedas na economia global.

Os criptoativos constituem-se por valores que só existem a partir de meios


registrados e validados digitalmente por tecnologias de criptografia, tema que
falaremos ao longo deste capítulo. Eles são constituídos como ativos intangí-
veis que, por sua vez, não possuem uma substância física, patentes, marcas ou
propriedade intelectual, e, como mencionado anteriormente, as operações são
realizadas sem a necessidade de intermediação de terceiros, como é o caso das
operações do mercado financeiro tradicional, que demandam da ação de entida-
des governamentais e instituições financeiras ou bancárias.

Em sua propriedade de unidade de conta, os criptoativos passam a ser re-


presentados por códigos e movimentações digitais, seu preço é expresso em uma
moeda digital e pode estar atrelado a fatores locais ou estrangeiros suscetíveis à
grande volatilidade. As relações de troca passam a ser transacionadas de forma
eletrônica mediante tratamento de tecnologia criptografada, viabilizando o seu
registro e a distribuição de forma a constituir essa alternativa de transferência de
valores e trocas.

Para obter e operar criptoativos, é necessário possuir uma carteira virtual,


mais conhecida no mercado pelo termo wallet que, por sua vez, é um programa
de gerenciamento de criptoativos. É necessário também possuir uma chave pú-
blica que viabilize as transações na rede. Além disso, é necessária a obtenção
de uma chave privada secreta que permite o acesso à carteira e à realização das
operações nesse mercado. Assim, torna-se possível realizar as negociações dos
criptoativos na rede mundial de computadores.

Os criptoativos são considerados um fenômeno, pois possuem um imenso


dinamismo e características necessárias à quebra do atual modelo centralizado
instituído há séculos.

13
CriPToATiVoS

O vídeo indicado no link a seguir apresenta de forma didática o


conceito de criptomoedas. Disponível em: [Link]
watch?v=TuDRGYpEWjk.

Os criptoativos não possuem oficialmente um lastro financeiro, sendo que


seus valores não estão atrelados a uma moeda ou papel tradicional, como o dólar
ou o euro ou, até mesmo, o ouro, não possuindo missão nem regulação no mer-
cado monetário.

A criação de moedas digitais era algo que já vinha sendo abordado a partir
da década de 1990, em que já existia o interesse e a realização de tentativas no
sentido de desenvolver um mecanismo que cumprisse o papel da moeda física de
forma totalmente digital. Alguns exemplos que podemos citar foram as moedas
digitais DigiCash e a E-gold, que obtinham o intuito de desenvolver o poder de
compra a partir dos canais digitais.

De antemão, muitas outras tentativas foram realizadas no sentido de desen-


volver um meio de troca de recursos financeiros a substituir o tradicional modelo,
porém todas obtiveram insucesso por algumas razões:

• estavam atreladas a propriedades empresariais e comerciais;


• não apresentavam a solução para o problema do gasto duplo, dilema
que permeia os atuais modelos tradicionais de pagamento.

Assim, a respeito do primeiro ponto, esse tipo de risco é designado ao fato


da probabilidade de um indivíduo contrair uma quantidade de recurso emprestado
ou em forma de custódia e futuramente não honrar com a sua parte. Um exemplo
clássico que podemos utilizar para ilustrar essa situação são os depósitos reali-
zados em instituições bancárias. Esse tipo de operação automaticamente destina
parte dos recursos à reserva de custódia de responsabilidade do banco captador.

De contrapartida, as instituições financeiras cobram taxas de manutenção para


manter o dinheiro guardado em segurança, porém, o sistema financeiro de qual-
quer país do mundo está exposto a riscos, como os atrelados às crises financeiras,
à instabilidade econômica, à insolvência das instituições, aos ataques de hackers,
entre outros. Todas essas situações resultam na impossibilidade de essa instituição
não honrar com a disponibilidade dos recursos alocados de forma temporária ou até
mesmo permanente. Essa passa a ser considerada o risco de contraparte.

14
Capítulo 1 CONCEITOS E FUNDAMENTOS DE CRIPTOATIVOS

A respeito do segundo ponto, solução para o problema do gasto duplo,


os criptoativos desenvolvidos antes do bitcoin não possuíam as características
necessárias que atendessem a esse ponto. O desafio estava em possibilitar a ex-
clusividade da unidade monetária de tal meio de pagamento. Para compreender-
mos melhor essa relação, podemos considerar quando enviamos uma mensagem
para uma pessoa. De posse dessa mensagem, o receptor poderá encaminhá-la a
outras pessoas que desejar. Assim, uma simples mensagem poderá ser replicada
por diversas vezes de acordo com o interesse de seus receptores.

Essa aplicação é familiar à relação monetária das moedas físicas existentes


em nossa atual economia quando, ao recebermos determinada quantia, podemos
repassar essa mesma moeda a outras pessoas para os fins mais diversos quanto
às relações comerciais de troca.

Assim, o bitcoin é considerado como sendo a primeira moeda digital descen-


tralizada do mundo com as características necessárias para atender ao desafio do
problema do gasto duplo que existia até então.

O vídeo indicado no link a seguir explica o conceito de moeda


descentralizada e compara ao modelo de moeda centralizada. Dis-
ponível em:
[Link]

Dessa forma, o bitcoin possibilitou que houvesse a eliminação total dos dois
problemas elencados, visto que cada moeda digital é única, não há a possibilidade
de replicá-la a outros destinatários. Nesse contexto, não há a possibilidade de
existirem bitcoins iguais, assim, o problema do gasto duplo é impossível de ocor-
rer. A partir do momento em que um determinado possuidor da moeda realiza a
transferência de parte do recurso monetário para um outro usuário, ele, por sua
vez, realiza a transferência de posse da determinada quantidade negociada.

Por outro lado, o bitcoin era considerado absolutamente não reproduzível,


assim, as transações passam a ser registradas e conciliadas em cada uma de
suas unidades monetárias. Além disso, uma rede de código-fonte de perfil aberto
passa a não exigir o registro de propriedade, solucionando os problemas quanto a
potenciais falhas de identificação.

15
CriPToATiVoS

Essa evolução resultou na consolidação de uma moeda internacional com


perfil emergente que possui em sua essência de criação as forças do mercado,
passando a constituir um sistema paralelo ao sistema bancário tradicional com
uma grande diferenciação, como é o caso dos credores. Dessa forma, as crip-
tomoedas, em especial o bitcoin, traduz-se como sendo um mecanismo descen-
tralizado que não está atrelado à necessidade de intermediários, constituindo-se
como um novo meio universal de relacionamento de troca comercial.

Na seção a seguir, falaremos de forma mais detalhada do bitcoin, a primeira


moeda descentralizada que possibilitou a universalização dos criptoativos no mundo.

2.1 O BITCOIN
O bitcoin é considerado uma moeda digital intermediada por código aberto peer-
-to-peer (par a par ou, simplesmente, de ponto a ponto), não dependendo da in-
termediação por entidades centrais. O bitcoin foi o primeiro sistema de pagamentos
que carregava consigo esse perfil de ser uma moeda totalmente descentralizada.

De acordo com Ulrich (2014, p. 105):

O entorno do surgimento da moeda digital não foi nenhuma coin-


cidência. Bitcoin emergiu como uma resposta natural ao colapso
da atual ordem monetária, à constante redução de privacidade
financeira e a uma arquitetura bancária cada vez mais prejudicial
ao cidadão comum. Governos não podem inflacionar bitcoins.
Governos não podem apropriar-se da rede Bitcoin. Governos
tampouco podem corromper ou desvalorizar bitcoins.

Estimado aluno, compreenda melhor o conceito de peer-to-peer


visualizando o vídeo presente no link a seguir: [Link]
com/watch?v=ioUlh2CuT5c.

Como vimos no início deste capítulo, os criptoativos ganharam ascensão a


partir da criação do bitcoin, criado por Satoshi Nakamoto, que possibilitou o de-
senvolvimento de enormes vantagens competitivas em relação às demais moe-
das de lastro fiduciário.

16
Capítulo 1 CONCEITOS E FUNDAMENTOS DE CRIPTOATIVOS

No link a seguir, poderemos visualizar um pouco mais sobre a


história de Satoshi Nakamoto: [Link]
jMdvD6pC44.

O bitcoin possui características importantes, como o seu perfil de escassez,


sendo assim considerado divisível, indo de encontro aos atuais interesses do mer-
cado monetário contemporâneo. Além disso, a sua universalidade proporciona
a transferência de propriedade de forma eficiente, visto que sua fundamentação
está baseada nas tecnologias avançadas, que possibilita a quebra de paradigmas
logísticos, econômicos, burocráticos e de centralização do atual contexto das mo-
edas tradicionais. Tal perfil remete aos sistemas que atualmente estão concentra-
dos, na grande parte do mundo, nas gestões governamentais.

O bitcoin proporciona uma perspectiva sólida ao mercado como um meio uni-


versal para estabelecer as relações comerciais, além do desenvolvimento de um
sistema fora do controle governamental, sendo essas as principais inovações que
os criptoativos podem proporcionar à sociedade.

Conforme Ulrich (2014, p. 91):

A internet nos permitiu a liberdade de comunicação. O Bitcoin


tem o potencial de devolver nossa liberdade sobre nossas pró-
prias finanças. Bitcoin é a internet aplicada ao dinheiro. Como
o próprio Satoshi Nakamoto expressou em certa ocasião: O
problema básico com a moeda convencional é toda a confian-
ça necessária para fazê-la funcionar. Precisamos confiar que o
banco central não desvalorizará o dinheiro, mas a história das
moedas fiduciárias está repleta de quebras dessa confiança.
Bancos têm a obrigação de guardar nosso dinheiro e transfe-
ri-lo eletronicamente, mas eles o emprestam em ondas de bo-
lhas de crédito com uma mera fração em reserva. Temos que
confiar-lhes com nossa privacidade, confiar que não deixarão
ladrões de identidade drenar nossas contas.

Caro aluno, podemos perceber que ainda existe um enorme desafio que
apenas o tempo, a evolução tecnológica e a cultura proporcionarão. Será uma
aceitação natural pelo fato do desenvolvimento de necessidades e dependências
futuras que essas inovadoras tecnologias empunharão sobre as economias. Por
outro lado, as esferas governamentais possuem enormes barreiras para ultrapas-
sar, e demandam de um tempo maior para que ações sejam percebidas como um
caminho sem volta.

17
CriPToATiVoS

Entretanto, as forças do mercado possuem a capacidade de desconstruir


modelos governamentais, ao passo que a busca constante pela otimização de
resultados e recursos passa a desafiar e desgastar potenciais ideologias protecio-
nistas, que acabam por não favorecer os interesses da sociedade. Outros fatores
atrelados às dificuldades em tornar os criptoativos meios regulados em grande
parte do mundo estão ligados às atividades que exploram o seu ganho por meio
das operações nos mercados de moedas tradicionais, entre os mais conhecidos
estão as instituições bancárias e financeiras, bem como o próprio governo me-
diante a taxação imposta, em grande parte, nas operações realizadas.

Podemos perceber que os criptoativos possuem o potencial de ser uma alter-


nativa viável de pagamento, oferecendo uma variedade importante de benefícios
e vantagens, que serão citados a seguir:

• Transações rápidas: ao utilizar uma rede ponto a ponto, possibilita tran-


sações instantâneas ou em questão de minutos, independentemente do
volume e do valor das movimentações.
• Pagamentos globais: viabiliza o relacionamento internacional para as
mais diversas necessidades de troca em um mercado globalizado, con-
tribuindo para a redução da necessidade das transações de troca de
moedas entre distintas economias.
• Acessibilidade: característica que proporciona o pagamento de taxas bai-
xas de processamento, possibilitando o fluxo elevado de transações em
comparação às moedas tradicionais sem que ocorra a necessidade de
taxações elevadas nos mercados a serem transacionados.
• Segurança: o sistema blockchain é percebido como modelo altamente
seguro por apresentar características relevantes à manutenção e à pre-
servação do tratamento, da entrega e dos envolvidos na troca. Possui
em sua essência o sistema baseado na criptografia de dados.
• Extensão e aceitação: o bitcoin é a principal criptomoeda e traz consigo
uma trajetória de crescente evolução e ampliação de sua aceitação no
mercado. Atualmente, muitas marcas conhecidas globalmente já aceitam
em suas relações comerciais criptomoedas como meio de pagamento de
seus produtos e serviços.
• Transparência: o sistema de processamento das criptomoedas possibili-
ta um mapeamento das etapas, permitindo que os indivíduos percebam
sua integridade. A tecnologia blockchain tem validade pelas mais varia-
das áreas do conhecimento.
• Melhoria contínua: a tecnologia envolvida possibilita a contínua melhoria
de seus mecanismos de processamento, isso por apresentar uma dinâ-
mica de altíssima tecnologia, possibilitando que esse meio de pagamen-
to esteja constantemente sofrendo melhorias no intuito de proporcionar
níveis qualificados de segurança, verificação e custos.

18
Capítulo 1 CONCEITOS E FUNDAMENTOS DE CRIPTOATIVOS

Podemos identificar na figura a seguir um fluxo que ilustra o funcionamento


das operações com criptomoedas, nesse caso, com o Bitcoin:

Figura 2 – Como funciona o bitcoin

Fonte: [Link]
que-e-bitcoin/. Acesso em: 18 abr. 2022.

Aluno, o vídeo indicado no link a seguir retrata aspectos refe-


rentes aos criptoativos e às tendências desse mercado: [Link]
[Link]/watch?v=D6dn_nxpWjc.

19
CriPToATiVoS

1 Em sua trajetória histórica, os criptoativos possuem marcos impor-


tantes quanto a sua evolução. Nesse contexto, analise as afirma-
tivas a seguir e assinale a alternativa CORRETA:

a) A criação da moeda virtual bitcoin foi o marco da ascensão dos


criptoativos.
b) A criação da moeda virtual e-gold foi o grande marco para o surgi-
mento dos criptoativos.
c) O surgimento e a evolução dos criptoativos estão atrelados à des-
valorização do dólar.
d) As moedas virtuais foram o desdobramento para minimizar os im-
pactos das grandes crises econômicas globais.

2.2 AS MOEDAS NO CONTEXTO


TECNOLÓGICO E DA ECONOMIA
MUNDIAL
O dólar americano é considerado a moeda parâmetro no mercado de câm-
bio mundial, servindo de referência para a condução das estratégias econômicas
internacionais. Essas possuem forte lastro econômico e financeiro, trazendo con-
sigo fatores de segurança e confiança para os mercados e as relações comerciais
entre distintas economias.

No trecho da matéria apresentada a seguir, é possível compre-


ender o conceito de lastro financeiro, bem como a sua relação com o
perfil das moedas fiduciárias.

O que é lastro e o que é moeda fiduciária e quais as suas fun-


ções?

20
Capítulo 1 CONCEITOS E FUNDAMENTOS DE CRIPTOATIVOS

Lastro significa uma garantia de que determinada coisa possui o


valor pela qual as pessoas dizem que ela possui. Um exemplo disso
seria o ouro estocado em um banco. Esta instituição emite uma nota
de 10 reais e este valor possui realmente 10 reais, porque ela repre-
senta uma porcentagem de ouro estocado. Nesse caso, o ouro seria
o lastro da moeda.

O lastro é um atestado de valor. Ele confere autenticidade e ve-


racidade de que o que se está negociando possui um parâmetro es-
tabelecido. Isso porque negociam-se muitos títulos que representam
uma quantidade de dinheiro. Assim, o que garante que estes títulos
negociados representam um atributo financeiro? O lastro.

Diante disso, o lastro é uma garantia de que um ativo tem deter-


minado preço. Tiago Reis conceitua o que é lastro da seguinte forma:

Lastro é um ativo secundário que serve como uma garantia im-


plícita para um ativo principal, ou seja, o lastro é utilizado para rela-
cionar um ativo inicialmente sem valor (como um pedaço de papel
utilizado como título) com algo que possua um valor explícito e visível
(como um bem físico).

Assim, o lastro é uma garantia de valor e é reconhecido por to-


dos. Além disso, serve para:

• Garantir escassez da oferta da moeda comum.

• Trazer mais segurança entre operações de cunho financeiro.

A título de exemplo, o lastro do tesouro direto é a dívida pública:


quantidade de dinheiro que o tesouro nacional tem em caixa.

Entre outros, vale dizer que antigamente a emissão de moeda


pelo Estado era feita com base no ouro. Se houvesse mais ouro, o
Estado imprimia mais dinheiro lastreado em ouro e injetava na praça.

21
CriPToATiVoS

Atualmente, o lastro está de acordo com o crescimento econô-


mico do país. Se o PIB cresce, o Banco Central imprime mais dinhei-
ro. No entanto, isso abre mais brecha para um aumento do dinheiro
sem um parâmetro muito bem definido. A consequência disso é a im-
pressão de dinheiro sem lastro.

O dinheiro sem lastro faz com que o poder aquisitivo da moeda


diminua. Assim, o poder de compra das pessoas se dilui no mercado,
isto é, enfraquece. Este é um dos efeitos da inflação.

Diante do exposto, é muito comum falar que, hoje em dia, a


moeda está lastreada pela confiança que as pessoas têm em re-
lação ao número apresentado a elas na conta bancária. Esse ele-
mento subjetivo é o que sustenta o sistema financeiro e faz com
que a moeda sem lastro seja vestida por uma artificialidade de
lastreamento. Isso é chamado de ‘moeda fiduciária’: é uma moeda
sem lastro e possui valor porque o governo, a economia e as pes-
soas atribuem valor a ela.

A moeda fiduciária é o valor que o dinheiro possui na economia.


Nesse sentido, uma nota de 10 reais possui este valor porque o Ban-
co Central diz que esta nota possui o valor de 10 reais. Ainda mais,
as pessoas confiam neste discurso, já que é o banco quem está di-
zendo isto.

Assim, moeda fiduciária é o quanto determinada quantia de di-


nheiro vale de acordo com a confiança que as pessoas têm no banco
e no mercado. Além do mais, a moeda fiduciária tem a sua importân-
cia para:

• Harmonizar o sistema financeiro.


• Padronizar o valor dos meios de pagamento.
• As pessoas terem mais confiança nos bancos.

Fonte: [Link]
gos/1328197812/o-que-e-lastro-e-o-que-e-moeda-fiducia-
ria-e-quais-as-suas-funcoes. Acesso em: 7 abr. 2022.

22
Capítulo 1 CONCEITOS E FUNDAMENTOS DE CRIPTOATIVOS

Ao longo dos anos, o sistema financeiro internacional centralizou-se ainda


mais na utilização de índices inflacionários com base em moedas de economias
de perfil sólido e fortalecidas. Contudo, o fator de inflação passa a ser diretamente
influenciado pelo desempenho e gestão dos governos que conduzem tais siste-
mas considerando os desafios internos de suas economias, as metas de cresci-
mento e desempenho e as políticas monetárias internacionais que determinam o
nível de flexibilidade nas relações comerciais.

Assim, a hegemonia das moedas internacionais pode apresentar perfil está-


vel ao longo do tempo, estando menos suscetível às mudanças econômicas que,
de certa forma, podem influenciar seu desempenho, seja por fatores econômi-
cos, comerciais, financeiros, políticos etc. Tais fatores são determinantes para que
uma moeda conquiste a confiança e passe a servir como referência nas relações
comerciais internacionais.

Na matéria presente no link a seguir, podemos perceber a influ-


ência da guerra na Ucrânia e os impactos no comércio, no cenário
inflacionário e na cotação do dólar:
[Link]
tos-dolar-pib-inflacao.

Diante desse panorama, passou-se a buscar a compreensão e o melhor en-


tendimento sobre a relação dos criptoativos e a sua aceitação como forma de moe-
da para intermediar as relações do mercado financeiro internacional. Alguns fatores,
como a disponibilidade, a segurança e a descentralização, passam a ser pontos
relevantes para tal discussão, já os fatores relacionados às garantias e à regula-
mentação estão entre os principais desafios das economias de muitos países.

Os sistemas financeiros funcionam sob as diretrizes de legislações que, por


sua vez, estão vinculadas a órgãos de responsabilidades específicas, que cons-
tituem os processos de produção e distribuição de moeda em uma economia. O
Brasil, por sua vez, possui seu modelo financeiro baseado nessas concepções,
em que o banco central é o órgão responsável pela criação das normas e leis e,
os órgãos fiscalizadores, responsáveis pela execução das suas tarefas.

O Brasil ainda não possui normas legais que determinem e garantam a utili-
zação das moedas virtuais, mas este é um tema que está em discussão, conside-

23
CriPToATiVoS

rando a evolução deste meio e a necessidade de regulamentar tal mercado. Um


dos principais receios das entidades reguladoras concentra-se nos quesitos rela-
cionados à descentralização da emissão e do controle dessa modalidade de ativo.

Dessa forma, considerando a expansão do mercado de criptomoedas e a


aceitação em ampla escala desse meio de pagamento, a saída percebida por
muitos países é incluir esse tema nas pautas de discussões. Tal evolução poderá
significar um aumento expressivo e importante das receitas e do acesso ao con-
sumo global, possibilitando um movimento mais amplo e eficiente das economias.

O tema criptoativo é amplamente discutido por basicamente todos os merca-


dos do mundo. Muito se fala sobre a desconfiança a respeito destes mecanismos
como sendo uma forma de intermediação das relações de troca. O surgimento
dessa inovação vem gerando há alguns anos importantes questionamentos que
necessitam de tempo para que sejam de fato entendidos em sua plenitude e esta-
belecidos os devidos benefícios e possíveis desafios.

O Banco Central (Bacen) e a Comissão de Valores Monetários (CVM) não


possuem um posicionamento a favor da regulação das criptomoedas no mercado.
Atualmente, as criptomoedas não possuem regulação que possibilite a sua utili-
zação como moeda de troca em nossa economia (HENRIQUE, 2018). Por outro
lado, em relação aos fatores de arrecadação de tributos, as entidades consideram
que se trata de uma importante arrecadação que passará a contemplar a receita
do estado para fazer frente as suas necessidades de custeio e investimento.

As moedas virtuais (bitcoins, por exemplo), muito embora não


sejam consideradas como moeda nos termos do marco regula-
tório atual, devem ser declaradas na Ficha Bens e Direitos como
“outros bens”, uma vez que podem ser equiparadas a um ativo
financeiro. Elas devem ser declaradas pelo valor de aquisição.
Como esse tipo de “moeda” não possui cotação oficial, uma vez
que não há um órgão responsável pelo controle de sua emissão,
não há uma regra legal de conversão dos valores para fins tribu-
tários. Entretanto, essas operações deverão estar comprovadas
com documentação hábil e idônea para fins de tributação (BRA-
SIL, 2016, p. 184 apud HENRIQUE, 2018, p. 17).

Muitas economias internacionais possuem importantes decisões a serem dis-


cutidas e tomadas sobre o tema criptoativos, entre elas está a ação de impedir o
fluxo de negociações com criptoativos, criar regulamentações e desenvolver me-
canismos de inovação aos tradicionais sistemas financeiros. Como já comentado
anteriormente, o Brasil está na lista dos países que ainda não viabilizaram uma
regulamentação ampla para os criptoativos, sendo essa a realidade de muitos
outros países que detêm controle de seus sistemas econômicos e financeiros de
forma centralizada.

24
Capítulo 1 CONCEITOS E FUNDAMENTOS DE CRIPTOATIVOS

A autoridade governamental pode, primeiramente, parecer in-


compatível com a origem conceitual das moedas virtuais em
seu panorama descentralizado, o qual não requer o envolvi-
mento do governo ou de um banco central. Todavia, a cria-
ção da obrigação de um esquema de governança e regula-
mentação não implica que as moedas virtuais teriam de ser
emitidas por um órgão central. Este modelo pode se manter
descentralizado e regulamentado, por exemplo, fazendo uso
de protocolos ou livros de transações (EBA, 2014, p. 40 apud
HENRIQUE, 2018, p. 17).

O Banco Central alemão, o Bafin, também contempla esta relação dos países
que não regulamentaram, até o presente momento, o mercado dos criptoativos.
O país defende que tal mercado necessita oferecer mecanismos que garantam
margens aceitáveis de riscos, visto que, a partir do momento que uma economia
regulamenta as operações, estará de certa forma abrindo a possibilidade para a
atuação do estado como financiador e captador dessa modalidade de recursos.
Salienta ainda que existem inúmeros riscos incontroláveis e desconhecidos quan-
to à utilização dessa tecnologia, além disso, fatores, como a lavagem de dinheiro
e as movimentações sem a identificação dos operadores, passam a ser temas
importantes nos quesitos de monitoramento de potenciais práticas criminosas no
mercado financeiro (HENRIQUE, 2018).

A Colômbia, outro país que apresenta posicionamento claro sobre os crip-


toativos, aponta que não há segurança jurídica, financeira e transparência das
relações ocorridas neste mercado. O Banco Central colombiano declara ainda
que, atualmente, em seu território, não existem regulamentações que abordem as
diretrizes do mercado de criptoativos, salientando que não existem garantias até
que o governo abra as discussões sobre o tema e estabeleça regras de funciona-
mento destas operações (HENRIQUE, 2018).

A partir da figura a seguir, podemos identificar a relação dos países quanto à


situação de regulamentação dos criptoativos.

25
CriPToATiVoS

Figura 3 – Como os governos tratam das criptomoedas ao redor do mundo

Fonte: [Link]
ainda-divide-opnioes-nos-governos/. Acesso em: 10 abr. 2022.

Para compreendermos melhor o processo de criação das criptomoedas, vere-


mos na próxima seção a dinâmica da blockchain, ambiente virtual no qual ocorre o
processo de mineração desses ativos por meio das tecnologias criptografadas.

26
Capítulo 1 CONCEITOS E FUNDAMENTOS DE CRIPTOATIVOS

1 Como vimos, as moedas com perfil fiduciário estão atreladas a de-


terminada quantia de valor conforme o nível de confiança que as
pessoas possuem em relação às entidades financeiras e ao mer-
cado. No contexto da importância das moedas fiduciárias, classi-
fique V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas:

( ) Harmonizar o sistema financeiro.


( ) Descentralizar a gestão das moedas.
( ) Padronizar o valor dos meios de pagamento.
( ) As pessoas terem mais confiança nos bancos.

Assinale a alternativa CORRETA:


a) V – V – F – V.
b) V – F – V – V.
c) F – F – V – V.
d) V – F – V – F.

3 A TECNOLOGIA BLOCKCHAIN
Para compreendermos a tecnologia blockchain, torna-se necessário passar-
mos por alguns conceitos básicos, como o de criptografia. De forma breve, crip-
tografia é um método que utiliza cálculos matemáticos para conceder privacidade
a uma determinada informação. Assim, a criptografia trata-se da conversão de
dados para formatos codificados que permitam que tais informações não sejam
identificadas por fatores desconhecidos e não autorizados. Após o dado ser crip-
tografado, só poderá ser lido e processado em seu ponto de chegada mediante a
sua descriptografia.

De acordo com Ulrich (2014, p. 45):

A criptografia, entretanto, não é uma tecnologia nova. O estudo


da arte de cifrar mensagens – em que somente o remetente e
o destinatário têm acesso ao conteúdo – remonta aos tempos
passados: os primeiros registros datam ao redor de 2.000 a.C.,
no Egito. Historicamente, a criptografia foi utilizada por estados
em assuntos ligados às guerras e à diplomacia com objetivo
de interceptar mensagens e desvendar comunicações encrip-
tadas. É na era da computação, contudo, que a criptografia
atinge seu apogeu. Antes do século XX, a criptografia preocu-

27
CriPToATiVoS

pava-se principalmente com padrões linguísticos e análise de


mensagens, como a própria etimologia sugere (criptografia, do
grego kryptós, “escondido”, e gráphein, “escrita”). Hoje em dia,
a criptografia é também uma ramificação da matemática, e seu
uso no mundo moderno se estende a uma gama de aplicações
presentes no nosso cotidiano, sem que sequer a percebamos,
como em sistemas de telecomunicações, comércio on-line ou
para proteção de sites de bancos. A criptografia moderna per-
mite a criação de comprovações matemáticas que oferecem
um altíssimo nível de segurança.

Dessa forma, a criptografia é um elemento determinante para a ação eficien-


te da segurança de dados eletrônicos, sendo atualmente o meio mais simples de
garantir que sistemas computacionais, ao serem invadidos, não possuam seus
dados traduzidos a fim de serem usados para fins maliciosos.

O mercado da criptografia está em ascensão no contexto contemporâneo e


em constante crescimento no volume de processamento de dados de usuários
que utilizam os mais variados canais digitais para transmitir informações. Essas
informações podem incluir desde dados pessoais, informações de pagamentos,
fatores de segurança e demais situações da vida privada das pessoas e entida-
des, incluindo os atores públicos, que demandam de um grande aparato tecnoló-
gico para viabilizar o movimento socioeconômico.

Podemos perceber que, na medida em que dados e informações são com-


partilhados na internet, estes passam a fazer parte de canais públicos de acesso,
por isso estão suscetíveis a riscos de apropriação indevida pelos conhecidos ha-
ckers. A partir disso, a criptografia constitui-se como uma ferramenta de inibir, ga-
rantindo que as informações cheguem aos seus corretos destinatários e dando as
devidas garantias à obtenção de uma rede segura de comunicação. A segurança
da criptografia estará relacionada a sua complexidade de composição, e a gama
de variáveis determinará o nível e a probabilidade de um invasor decifrar ou adivi-
nhar o código que compõe tal extrato.

Mediante isso, identificamos os principais benefícios da criptografia:

• A criptografia contribui para manter a integridade dos dados: os hackers,


além de roubar os dados sem autorização dos proprietários, utilizam tais
informações para praticar fraudes.
• A criptografia proporciona às organizações a condição de poder cumprir
importantes processos e regulamentações: setores importantes, como
os serviços financeiros e de saúde, estão submetidos a regulamentações
rigorosas quanto à segurança dos dados de seus consumidores e de
seus processos. Dessa forma, a criptografia contribui para atender a tais
exigências.

28
Capítulo 1 CONCEITOS E FUNDAMENTOS DE CRIPTOATIVOS

• A criptografia proporciona segurança aos dados trocados entre dispo-


sitivos eletrônicos: diariamente, utilizamos inúmeros dispositivos com o
intuito de transmitir os dados. Esse processo pode acarretar níveis eleva-
dos de riscos quanto ao seu sigilo. A tecnologia de criptografia possibilita
proteger os dados transferidos entre os dispositivos, proporcionando que
usuários não autorizados não tenham acesso e nem interpretação do co-
municado em questão.
• A criptografia contribui para a otimização dos dados armazenados em
nuvem: o armazenamento em nuvem é uma realidade atual que possibili-
ta a ampliação dos espaços e a redução nos custos de manutenção e ar-
mazenagem. O processo de armazenamento criptografado possibilita a
privacidade dos dados desde o processo de trânsito, utilização e repouso
de armazenamento.
• A criptografia auxilia a proteger os dados das organizações: com o avan-
ço das tecnologias de gestão organizacional e das demandas de escri-
tórios remotos, principalmente com o advento do home office, os níveis
de riscos alcançaram patamares elevados, dessa forma, a criptografia
protege contra ataques, roubos ou perdas acidentais de informações.
• A proteção da propriedade intelectual: a criptografia possibilita o geren-
ciamento digital dos diretórios e dos registros de propriedade intelectual,
como obras-primas, escritos, softwares, músicas, entre outros, garantin-
do a sua reprodução a seus detentores.

Aplicada ao Bitcoin, a criptografia desempenha duas funções


essenciais: a de impossibilitar que um usuário gaste os bitcoins
da carteira de outro usuário (autenticação e veracidade das
informações) e a de impedir que o blockchain seja violado e
corrompido (integridade e segurança das informações, evita o
gasto duplo). Além disso, a criptografia também pode ser usa-
da para encriptar uma carteira, de modo que ela só possa ser
utilizada com uma senha definida por seu proprietário (ULRI-
CH, 2014, p. 46).

Assim, após sanar a necessidade de compreensão dos conceitos de cripto-


grafia, bem como a sua aplicação no contexto da segurança dos dados no am-
biente tecnológico, passaremos agora a compreender o conceito e o contexto
de blockchain.

A blockchain propicia a troca de dados entre vários computadores conecta-


dos a uma rede de internet, possibilitando, assim, transações anônimas e seguras
entre duas partes. A transação desse processo ocorre através de dados criptogra-
fados e por meio da análise dos blocos do emissor, que darão a geração de novos
blocos ao destinatário, impedindo, dessa forma, o gasto duplo na moeda digital,
resultando em um alto nível de privacidade.

29
CriPToATiVoS

Na figura a seguir, podemos perceber o fluxo de processamento ocorrido a


partir da tecnologia blockchain.

Figura 4 – Processo de funcionamento da tecnologia blockchain

Fonte: [Link] Acesso em: 18 maio 2022.

O processo para a verificação dos blocos, advindos do emissor, bem como


a geração de um novo bloco para ser entregue ao destinatário, é chamado de
mineração, processo crucial para que ocorra a viabilização do gasto único de uma
mesma unidade de moeda. Uma vez um determinado bloco montado, o processo
de mineração realiza o cálculo “hash”. Conforme Ulrich (2014, p. 19):

A real mineração de bitcoins é puramente um processo ma-


temático. Uma analogia útil é a procura de números primos:
costumava ser relativamente fácil achar os menores (Erastós-
tenes, na Grécia Antiga, produziu o primeiro algoritmo para en-
contrá-los). À medida que eles eram encontrados, ficava mais
difícil encontrar os maiores. Hoje em dia, pesquisadores usam
computadores avançados de alto desempenho para encon-
trá-los, e suas façanhas são observadas pela comunidade da
matemática (por exemplo, a Universidade do Tennessee man-
tém uma lista dos 5.000 maiores). No caso do bitcoin, a busca
não é, na verdade, por números primos, mas por encontrar a
sequência de dados (chamada de “bloco”) que produz certo
padrão quando o algoritmo “hash” do bitcoin é aplicado aos
dados. Quando uma combinação ocorre, o minerador obtém
um prêmio de bitcoins (e também uma taxa de serviço, em bit-
coins, no caso de o mesmo bloco ter sido usado para verificar
uma transação). O tamanho do prêmio é reduzido ao passo
que bitcoins são minerados.

30
Capítulo 1 CONCEITOS E FUNDAMENTOS DE CRIPTOATIVOS

Aplicações da função hash

O hash nosso de cada dia...

Quando falamos de hash, blockchain e criptografia, achamos


que tudo isso pode estar muito distante de nós, o que não é verdade.
As três principais utilidades dessa função são:

• Resumir dados.
• Verificar a integridade de arquivos.
• Segurança de senhas em servidores.

As situações do cotidiano, nas quais o hash está por trás, estão


diretamente ligadas a essas utilidades:

Download de um arquivo

Quando você está baixando algum arquivo na rede, seu telefone


ou computador está solicitando do banco de dados do servidor um
arquivo que possui um hash associado.

Geralmente, a solicitação do download é rápida, certo? Isso


ocorre porque o armazenamento desses arquivos dentro do servi-
dor é feito por meio de funções criptográficas. Então, o servidor con-
segue procurar rapidamente no banco de dados o arquivo que está
sendo solicitado.

Antivírus

O principal trabalho de um antivírus, dentro de um computador


ou telefone, é verificar a integridade de um arquivo por meio do hash.

Quando você solicita um download, o antivírus verifica se o ar-


quivo que está chegando ao seu dispositivo possui o mesmo hash
que o servidor forneceu. Se sim, o download é seguro. Caso contrá-
rio, pode indicar que algum invasor corrompeu o arquivo e, por isso,
o hash foi alterado. Interessante, não acha?

31
CriPToATiVoS

Recuperação de senhas

Os servidores mais seguros armazenam as senhas dos usuá-


rios de modo criptografado. Então, sua senha “doguinho2020” não
fica explícita dentro do banco de dados.

Quando você solicita a recuperação, por exemplo, é difícil o ser-


vidor descriptografar o hash da sua senha e, por isso, ele lhe manda
um código para criar uma nova. Se você já tentou recuperar uma se-
nha e recebeu um código no e-mail para criar uma senha nova, sabe
do que estamos falando.

Fonte: [Link]
mo-funciona. Acesso em: 25 mar. 2022.

Entenda melhor o processo e os tipos de mineração de cripto-


moedas, disponível em:
[Link]

1 A criptografia nos proporciona muitos benefícios, nesse sentido,


analise as afirmativas a seguir e assinale a alternativa CORRETA:

a) A criptografia determina o nível de recurso disponível no mercado.


b) A criptografia contribui para os ataques hackers de sistemas infor-
matizados.
c) A criptografia é responsável pela valorização das moedas.
d) A criptografia contribui para manter a integridade dos dados.

32
Capítulo 1 CONCEITOS E FUNDAMENTOS DE CRIPTOATIVOS

4 REGULAMENTAÇÃO DOS
CRIPTOATIVOS E O SISTEMA
FINANCEIRO
Caro aluno, as leis e as regulações atuais não preveem a contemplação de
uma tecnologia como o caso do bitcoin, o que reflete no desenvolvimento de lacu-
nas nas atuais discussões legais. Isso ocorre devido a esse meio de pagamento
não se encaixar em definições regulamentares existentes ou a instrumentos insti-
tucionais e financeiros legais, tornando complexo saber quais leis se aplicam a ele
e de que forma.

Conforme Ulrich (2014, p. 33):

[...] propriedades de um sistema eletrônico de pagamentos,


uma moeda e uma commodity, entre outras. Dessa forma, es-
tará certamente sujeito ao escrutínio de diversos reguladores.
Vários países estão atualmente debatendo o Bitcoin em nível
governamental. Alguns já emitiram pareceres ou pronuncia-
mentos oficiais, estabelecendo diretrizes, orientações etc. Uns
com postura neutra, outros de forma mais cautelosa.

Em muitos países, existe uma gama de incertezas sobre como o bitcoin po-
derá ser regulamentado. No caso do Brasil, muito pouco ainda se discutiu sobre
a legalização das criptomoedas e a integração desses ativos de forma ampla nas
nossas relações comerciais, mas, pelo perfil da escalada, é de aguardar futuras e
breves evoluções nas discussões sobre o tema.

Para compreendermos melhor os aspectos que envolvem a regulamentação


de um determinado ativo em um sistema econômico e financeiro, torna-se im-
portante compreendermos o papel de algumas das entidades que constituem o
nosso sistema financeiro nacional e que hoje permeiam as principais discussões a
respeito da legalização desse tipo de moeda em nossa economia.

Em resumo, o Sistema Financeiro Nacional (SFN) é considerado o conjunto


de instituições, canais e instrumentos normativos que possibilitam o fluxo financei-
ro corrente entre poupadores e demandadores de recursos na economia. Segun-
do Assaf Neto (2011, p. 37), “a necessidade de conhecimento do SFN é crescente
ao longo do tempo, explicada pela importância que o segmento empresarial de
um país exerce na economia, como também, pela maior complexidade que suas
operações vêm apresentando”.

A Lei nº 4.595, de 31 de dezembro de 1964, define que o Sistema Financeiro


Nacional (SFN) é o conjunto de instituições que integram o mercado financeiro,

33
CriPToATiVoS

seja no aspecto de regulamentar e fiscalizar seus integrantes e participantes, bem


como facilitando a transferência de recursos entre poupadores e tomadores de
recursos financeiros no mercado. Na figura a seguir, percebemos essa estrutura
hierárquica da composição do Sistema Financeiro Nacional.

Figura 5 – Estrutura do Sistema Financeiro Nacional

Fonte: Assaf Neto (2003, p. 76)

A estrutura do Sistema Financeiro Nacional é composta por três níveis, os


órgãos normativos, as entidades supervisoras e os operadores. Na figura a seguir,
conseguimos identificar essa divisão e composição.

34
Capítulo 1 CONCEITOS E FUNDAMENTOS DE CRIPTOATIVOS

Figura 6 – Composição normativa do Sistema Financeiro Nacional

Fonte: o autor

4.1 COMISSÃO DE VALORES


MOBILIÁRIOS – CVM
Dentro da estrutura do Sistema Financeiro Nacional, a Comissão de Valores
Mobiliários (CVM) é considerada uma entidade de apoio ao SFN. De acordo com
Fortuna (2013), a CVM é responsável por fiscalizar e regulamentar o mercado de
capitais e as organizações de capital aberto na economia. A constituição da CVM
foi decretada pela Lei nº 6.385/1976, com fins de regular e fiscalizar o mercado de
capitais e as empresas de capital aberto no mercado.

No link indicado a seguir, há um vídeo que complementa a com-


preensão do papel da CMV em nosso Sistema Financeiro Nacional:
[Link]

De acordo com Fortuna (2013, p. 23), as funções da CVM estão concentra-


das em “proteger os investidores, manter a eficiência e a ordem dos mercados e
aumentar a facilidade de formação de capital por parte das empresas”.

35
CriPToATiVoS

Algumas das atribuições da CVM estão concentradas em:

• Fiscalizar o funcionamento das bolsas de valores, das bolsas de merca-


dos futuros e mercados de balcão.
• Incentivar a constituição de poupança e a sua aplicação no mercado mo-
biliário.
• Garantir aos titulares de valores do mercado a lisura do processo de in-
vestimento mobiliário, protegendo o mercado quanto à emissão irregular
de cotas e atos administrativos danosos.
• Evitar a atuação de instituições e operações fraudulentas e manipuladas
em cenários artificiais de demanda, oferta e preço.
• Garantir o acesso público das informações a respeito dos valores mobili-
ários negociados no mercado, bem como sobre as empresas emissoras
das ações.
• Zelar pelo cumprimento das boas práticas comerciais equitativas no mer-
cado.
• Sustentar o cumprimento das condições de utilização de crédito defini-
das pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
• Inspecionar e fiscalizar as organizações de capital aberto e os fundos de
investimentos.
• Disciplinar e fiscalizar as práticas dos auditores independentes, analistas
e consultores atuantes no mercado mobiliário.
• Promover o credenciamento e a fiscalização dos auditores independen-
tes, agentes autônomos, gestores de carteiras e demais profissionais
atuantes no mercado mobiliário.
• Investigar, por meio de processo administrativo, ilegalidades promovidas
por integrantes e participantes do mercado de valores mobiliários e con-
duzir a aplicação das penalidades atribuídas na Lei.

36
Capítulo 1 CONCEITOS E FUNDAMENTOS DE CRIPTOATIVOS

Em março de 2021, foi publicado o Ofício Circular nº 1/2021-


CVM/SRE, que apresentou diretrizes gerais sobre as ofertas públicas
de coin offerings (ICO). Dessa forma, a CVM passou a considerar
criptoativos, como tokens e criptomoedas, como valores mobiliários,
o que possibilitou a transformação da ICO em uma captação pública
de recursos. Assim, a partir desse marco, a ICO está sujeita a regis-
tro e à fiscalização pela CVM. Outra ação da autarquia em relação ao
tema foi a autorização da negociação do primeiro fundo de índice de
criptoativos (ETF) no Brasil, em 2021.

Fonte: [Link] Acesso em: 1


ago. 2022.

Prezado aluno, na matéria presente no link a seguir, podemos


compreender melhor a classificação ICO dos ativos digitais.
[Link]
Qjw5-WRBhCKARIsAAId9FnvDztLqTRA6juK9XSQvxB8EhvuT60n-
C5KJGfhthLRfwKT06x0ZDQMaArxgEALw_wcB.

4.2 RECEITA FEDERAL


A Receita Federal, em suas competências, a partir da Instrução Normativa
RFB nº 1.888/2019, tornou obrigatória a prestação de informações sobre opera-
ções com criptoativos para pessoas físicas e jurídicas. Assim:

• Toda operação deve ser declarada no Centro Virtual de Atendimento


(e-CAC) até o último dia útil do mês seguinte. No caso da perda de pra-
zos, pessoas físicas pagam multas de R$ 100,00 e pessoas jurídicas de
até R$ 1.500,00.
• Já em situações de informações inexatas, incompletas ou incorretas ou
com omissão de informação, a multa será de 3% do valor da operação
para pessoas jurídicas e 1,5% para pessoas físicas (BRASIL, 2019).

37
CriPToATiVoS

Em 2021, a Receita Federal criou normas específicas para a declaração de


criptomoedas no Imposto de Renda (IR).

No vídeo indicado no link a seguir, podemos aprofundar o tema


sobre os projetos de lei que discutem o tema regulamentação, bem
como a obrigatoriedade de declarar as operações em criptoativos:
[Link]

4.3 BANCO CENTRAL DO BRASIL –


BACEN
Já o Banco Central do Brasil (BACEN), entidade supervisora ligada ao CMN,
por sua vez, é o órgão central do SFN, possuindo tarefas executivas direcionadas
ao cumprimento dos instrumentos legais a respeito do funcionamento do sistema
financeiro. O Banco Central possui as funções elencadas a seguir:

• Prover a estabilidade do poder de compra da renda nacional.


• Aplicar políticas monetárias perante a utilização dos títulos do Tesouro
Nacional.
• Definir a taxa Selic.
• Controlar o mercado de crédito das instituições vinculadas ao Sistema
Financeiro Nacional.
• Emitir moeda.
• Constituir e executar a política cambial do país e conduzir as relações
financeiras com o mercado internacional.
• Fiscalizar a atuação das instituições financeiras e das câmaras de com-
pensações.
• Promover a manutenção dos níveis de preços e indicadores de inflação
sob controle na economia.
• Publicar as decisões do Conselho Monetário Nacional.
• Aplicar o sistema de metas inflacionárias.
• Realizar a gestão das reservas internacionais do país.
• Preservar a liquidez e a solvência das instituições financeiras.
• Fornecer autorização para a atuação e o funcionamento de instituições
financeiras.

38
Capítulo 1 CONCEITOS E FUNDAMENTOS DE CRIPTOATIVOS

• Aplicar os serviços do meio circular para atendimento das demandas de


moeda na economia.
• Executar o controle dos níveis de moeda e de crédito no mercado.
• Constituir reservas de ouro e de moedas estrangeiras para as injeções
no mercado de câmbio.
• Atuar no mercado aberto, de redesconto e de recolhimento compulsório.

No link indicado a seguir, podemos compreender melhor o papel


do BACEN em nosso sistema financeiro: [Link]
watch?v=5j4uGyIUNVU.

O BACEN foi a entidade oficial que abordou primeiramente o tema sobre os


criptoativos no ano de 2014. A entidade relatou os riscos que as operações de
criptoativos possuem pelo fato da alta volatilidade, bem como as incertezas deste
mercado e os fatores desconhecidos sobre a segurança das operações. No ano
de 2019, o BACEN aprovou o reconhecimento de criptoativos como ativos não
financeiros.

Em 2021, o BACEN determinou a criação do Comitê Estratégico de Gestão


do Sandbox Regulatório (CESB), obtendo como principal intenção o desenvolvi-
mento do primeiro criptoativo autorizado a operar como moeda no mercado bra-
sileiro.

Cinco projetos de lei que tratam sobre a regulamentação de criptoativos no


Brasil tramitam no Congresso atualmente. São eles:

• PL 2303/2015: propõe a inclusão de criptomoedas como arranjos de pa-


gamento pelo BACEN.
• PL 2060/2019: propõe a criação de um regime jurídico para os criptoati-
vos.
• PL 3825/2019: propõe a regulação do mercado de criptoativos.
• PL 3949/2019: propõe a criação de condições para o funcionamento das
exchanges de criptoativos.
• PL 4207/2020: propõe a criação de normas para a emissão de criptomo-
edas e outros ativos virtuais.

39
CriPToATiVoS

Acompanhe, a seguir, as principais perguntas e respostas vinculadas


ao BACEN a respeito do tema criptoativos:

1- O Banco Central regula as moedas virtuais?


R.: Não. As “moedas virtuais” não são emitidas, garantidas ou regula-
das pelo Banco Central do Brasil. Possuem forma, denominação
e valor próprios.

2- O Banco Central do Brasil autoriza o funcionamento das empresas


que negociam “moedas virtuais” e/ou guardam chaves, senhas
ou outras informações cadastrais dos usuários, empresas conhe-
cidas como “exchanges”?
R.: Não. Essas empresas não são reguladas, autorizadas ou supervi-
sionadas pelo Banco Central. Não há legislação ou regulamenta-
ção específica sobre o tema no Brasil. O cidadão que decidir uti-
lizar os serviços prestados por essas empresas deve estar ciente
dos riscos de eventuais fraudes ou outras condutas de negócio
inadequadas, que podem resultar em perdas patrimoniais.

3- É possível realizar compras de bens ou serviços no Brasil utilizan-


do moedas virtuais?
R.: A compra e venda de bens ou de serviços depende de acordo
entre as partes, inclusive quanto à forma de pagamento. No caso
de utilização de moedas virtuais, as partes assumem todo o risco
associado.

4- Qual o risco para o cidadão se as moedas virtuais forem utilizadas


para atividades ilícitas?
R.: Se utilizadas em atividades ilícitas, o cidadão pode estar sujeito à
investigação por autoridades públicas.

5- As moedas virtuais podem ser utilizadas como investimento?


R.: Sim. Nesse caso, a compra e a guarda de moedas virtuais estão
sujeitas aos riscos de perda de todo o capital investido, inclusive
em razão de fraudes, além da variação de seu preço.

40
Capítulo 1 CONCEITOS E FUNDAMENTOS DE CRIPTOATIVOS

6- É permitido realizar transferência internacional utilizando moedas


virtuais?
R.: Não. Transferências internacionais devem ser feitas por institui-
ções autorizadas pelo Banco Central a operar no mercado de
câmbio, que devem observar as normas cambiais.

Fonte: [Link]
tes-respostas/faq_moedasvirtuais. Acesso em: 6 abr. 2022.

Para encerrarmos os estudos deste capítulo, segue a indicação


do livro Bitcoin: a moeda na era digital, de Fernando Ulrich. Aproveite
esse excelente material! Disponível em:
[Link]

41
CriPToATiVoS

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES
Estimado aluno, chegamos ao final do primeiro capítulo de estudo. Vimos,
ao longo deste capítulo, conceitos e evolução histórica dos criptoativos desde o
seu surgimento, sua dinâmica relacionada aos fatores tecnológicos, bem como os
desafios contemporâneos quanto a sua legalidade como meios de pagamento.

Os criptoativos surgem como um divisor de águas quanto a inúmeros fenô-


menos aos quais convivemos em nossa economia global. A grande evolução e
mudança desses paradigmas iniciaram com o advento do surgimento da cripto-
moeda bitcoin pelo fato de esse meio de pagamento dispensar a dependência de
intermediários fiduciários.

A evolução com o surgimento de alternativas de ativos passa a desafiar inú-


meros fatores socioeconômicos, em que diferentes atores, direta ou indiretamen-
te, sofrerão algum tipo de influência. Considerando que atualmente vivemos em
um mercado globalizado e sem fronteiras para as relações comerciais, troca de
informações e tecnologias, as novas tendências que apresentam otimização dos
resultados e contemplação dos interesses do mercado passam a desafiar os mo-
delos tradicionais.

Os criptoativos são considerados a grande revolução do século quanto às


relações de troca entre os indivíduos pelo fato de proporem uma dinâmica que
contravem ao modelo tradicional, uma vez que possibilitam a eliminação de inter-
mediários e a centralização da gestão dos papéis junto aos governos, realidade
presente em grande parte das economias do mundo.

Muitos fatores macroeconômicos e estruturais refletem para o desempenho


e a aceitação dos criptoativos como sendo moedas de referência que ditem parâ-
metros em âmbito global. A tecnologia que permeia os criptoativos desafia muitos
modelos de condução monetária ao redor do mundo, sendo esse um dos pontos
de maior dúvida nas discussões dos economistas, políticos e legisladores.

Fatores sociais, culturais e os grandes ciclos econômicos possuem papel de-


terminante na trajetória da consolidação e evolução dos meios de troca e, a medida
que tenhamos cada vez mais uma gravidade na limitação dos recursos financeiros
e fatores de produção, estaremos buscando caminhos que otimizem tais resultados.

Não é de hoje que acompanhamos mudanças cada vez mais rápidas impul-
sionadas pelas tecnologias mais eficientes e, nesse contexto, podemos conside-
rar que os criptoativos estão embarcados em tecnologias ainda mais inovadoras,
que nos permitirão dar saltos promissores na busca de soluções e na preservação
dos recursos limitados que dispomos.
42
Capítulo 1 CONCEITOS E FUNDAMENTOS DE CRIPTOATIVOS

REFERÊNCIAS
ASSAF NETO, A. Mercado financeiro. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2003.

ASSAF NETO, A. Mercado financeiro. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2011.

BRASIL. Lei nº 4.595, de 31 de dezembro de 1964. Dispõe sobre a Política e


as Instituições Monetárias, Bancárias e Creditícias, cria o Conselho Monetário
Nacional e dá outras providências. Brasília, DF: Diário Oficial [da] República
Federativa do Brasil, 31 dez. 1964. Disponível em: [Link]
ccivil_03/leis/[Link]. Acesso em: 1 ago. 2022.

BRASIL. Instrução Normativa RFB nº 1888, de 3 de maio de 2019. Institui e


disciplina a obrigatoriedade de prestação de informações relativas às operações
realizadas com criptoativos à Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil
(RFB). Brasília, DF: Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, 7 maio
2019. Disponível em: [Link]
action?visao=anotado&idAto=100592. Acesso em: 1 ago. 2022.

FORTUNA, E. Mercado financeiro: produtos e serviços. 19. ed. Rio de Janeiro:


Qualitymark, 2013.

HENRIQUE, G. B. de S. As criptomoedas: aceitação das moedas virtuais no


mercado financeiro internacional. 2018. 46 f. Dissertação (Bacharelado em
Relações Internacionais) - Universidade do Sul de Santa Catarina, Tubarão,
2018. Disponível em: [Link]
ANIMA/10904/1/TCC%20-%[Link] . Acesso em: 27 jul. 2022.

ULRICH, F. Bitcoin: a moeda na era digital. São Paulo: Instituto Ludwig von
Mises Brasil, 2014. 100 p.

43
CriPToATiVoS

44
C APÍTULO 2
OS ASPECTOS ECONÔMICOS E
FINANCEIROS DOS CRIPTOATIVOS

A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes


objetivos de aprendizagem:

 Compreender a influência exercida pelos criptoativos na economia.


 Entender a atuação dos criptoativos no mer-
cado como meio de pagamento.
 Perceber os aspectos relacionados às garantias finan-
ceiras que envolvem o mercado de criptoativos.
CriPToATiVoS

46
Capítulo 2 OS ASPECTOS ECONÔMICOS E FINANCEIROS DOS
CRIPTOATIVOS

1 CONTEXTUALIZAÇÃO
A tecnologia caminha a passos largos, a cada movimento evolutivo percebe-
mos que lacunas vão se criando e deixando para trás uma série de fragilidades
que passam a ser atacadas e solucionadas de forma a garantir a inovação de
uma determinada necessidade. Nesse contexto, percebemos que não podemos
pensar e traçar estratégias futuras sem que esteja em pauta a consideração de
ações investidas nos temas relacionados às novas tendências de mercado.

O contexto atual da economia exige do mercado uma constante evolução no


sentido de manter níveis elevados de competitividade. O investimento em novas
tecnologias passa a ser um ponto crucial para a viabilidade dos empreendimen-
tos, revelando-se como um meio propulsor do movimento evolutivo de uma eco-
nomia de mercado.

A relação de consumo contemporânea é pautada nas relações de troca de


recursos financeiros pelo atendimento das necessidades dos indivíduos e das or-
ganizações. Nesse sentido, as tecnologias destinadas a intermediar essas rela-
ções passam a ser alvo de estratégias com o intuito de otimizar os resultados.

O futuro dessas relações, que demandam cada vez mais velocidade e efi-
ciência, está embarcado no que existe de mais moderno no que se refere aos fa-
tores tecnológicos. O contexto contemporâneo das relações econômicas e finan-
ceiras passa por amplas discussões e necessita ultrapassar importantes barreiras
no que diz respeito aos modelos tradicionais.

De certa forma, o direcionamento e as abordagens futuras ainda são incer-


tos, mas, sem dúvidas, é um futuro promissor com um potencial enorme, e as
empresas, sejam elas físicas ou virtuais, precisarão acompanhar esse progresso
para atender às necessidades dos consumidores a partir de uma economia cada
vez mais globalizada e com sistemas financeiros dinâmicos e competitivos em
prol da viabilização dos meios de pagamento.

Independentemente do segmento de mercado, todos os negócios que se en-


volvem diretamente com consumidores nos resultados financeiros devem se con-
centrar no futuro dos pagamentos e se adaptar e buscar alternativas flexíveis e
complementares para atender às expectativas.

Nesse contexto, mesmo com o crescimento do volume de negociação e


aceitação constituídas pelos criptoativos, bem como as valorizações repentinas e
drásticas com grandes mudanças nas cotações diárias em comparação a outras
moedas, passa-se a desenvolver um perfil semelhante a um ativo usado para fins
especulativos.
47
CriPToATiVoS

Em sua visão original, o bitcoin seria capaz de atuar como uma unidade de
conta, meio de troca e reserva de valor em relação às moedas emitidas pelos
Estados. No entanto, uma análise mais detalhada das características dos instru-
mentos monetários nas economias capitalistas contemporâneas mostra que é im-
provável que as moedas nacionais sejam substituídas por criptomoedas como o
Bitcoin, apesar do enorme potencial de uso dessas tecnologias em sistemas de
pagamentos regulados pelo Banco Central.

Como vimos no primeiro capítulo desta disciplina, a moeda é sem dúvidas


uma das mais importantes invenções na história da humanidade. A moeda facili-
ta a convivência social e elimina a dupla coincidência de trocas, criando, assim,
trocas indiretas. As primeiras moedas surgiram com base em propriedades, como
portabilidade, homogeneidade, durabilidade, divisibilidade, facilidade de identifi-
cação e estabilidade de valor. Por essas razões, os metais preciosos tornaram-se
a norma, primeiro como moeda e depois como suporte adequado para o papel-
-moeda. Padrões metálicos oferecem grande estabilidade econômica, mas têm a
desvantagem de fazer moedas. Em outras palavras, os recursos reais são usados
para criar um meio de troca (a função principal e original do dinheiro), cuja utilida-
de é a troca e não o uso.

Assim, abordaremos neste capítulo temas pertinentes às influências dos crip-


toativos na economia, o seu papel e potencial como meio de pagamento e, por
fim, fatores sobre os níveis de confiança, garantias e demais aspectos que emba-
sam o lastro financeiro dos criptoativos no mercado. Bons estudos!

2 A INFLUÊNCIA DOS CRIPTOATIVOS


NA ECONOMIA
Como vimos no capítulo anterior, as criptomoedas ainda não são controladas
por uma entidade monetária central, seu preço de mercado é determinado pela
oferta e demanda. A oferta de criptomoedas varia de moeda para moeda. Alguns
oferecerão uma oferta baseada em um valor máximo predeterminado, por exem-
plo, com o Bitcoin, independentemente de serem cobradas taxas pela emissão
de novas moedas, os mineradores receberão por seu trabalho. Existem também
algumas criptomoedas que são oferecidas sem um valor máximo específico e po-
dem ser mineradas indefinidamente.

48
Capítulo 2 OS ASPECTOS ECONÔMICOS E FINANCEIROS DOS
CRIPTOATIVOS

Estimado aluno, no vídeo indicado no link a seguir, podemos


perceber alguns fatores importantes sobre as criptomoedas que
exercem influência em nossa economia:
[Link]

A demanda por moedas digitais pode decorrer das vantagens que elas tra-
zem, como baixo custo de transação e uso para transferências internacionais. O
potencial de escalabilidade das criptomoedas é evidente, pois quanto mais usuá-
rios houver, maior será a aceitação e a liquidez dessas moedas, inclusive incenti-
vando novos usuários a adotarem essa nova tecnologia de pagamento.

No centro da economia produtora de dinheiro está o sistema de crédito e dé-


bito, que orienta as relações sociais e econômicas do sistema capitalista. Quando
uma moeda é criada, ela é simultaneamente ativa para o titular e passiva para o
emissor. O dinheiro é crédito e dívida, duas manifestações da mesma obrigação
legal, nasce quando um credor e um devedor assinam uma promessa formal de
pagamento de um contrato no futuro.

Para que o bitcoin ou qualquer outra criptomoeda seja consi-


derado meio de pagamento, ele precisa ser amplamente aceito no
processo de compra de bens e serviços. O site [Link] reúne
empresas que aceitam Bitcoin e documenta a expansão dessa for-
ma de pagamento. Em 2015, o site tinha apenas 6.000 instituições
cadastradas em todo o mundo, enquanto em junho de 2018 aponta-
va para mais de 12.000 diretórios, mostrando que o número dobrou
em apenas três anos. Saiba mais em: [Link]
ld/44.21370991/-43.94531250/2.

49
CriPToATiVoS

Figura 1 – Mapa de concentração da aceitação de criptomoedas como meio de


pagamento

Fonte: [Link]
Acesso em: 11 maio 2022.

Embora o movimento atual indique um forte processo de expansão para as


criptomoedas, esse número ainda é pouco notável no que se refere à aceitação
global. É preciso ressaltar que os principais mercados que já aceitam pagamentos
em criptomoedas são aqueles relacionados à tecnologia da informação. Ao mes-
mo tempo, muitos outros setores da economia ainda não aceitam criptomoedas
como pagamento pelos riscos e baixa liquidez envolvidos.

Além disso, quando se trata de reservas de valor, a volatilidade presente no


mercado de criptoativos sugere que ainda existem desafios quanto ao desenvol-
vimento de um padrão de estabilidade. Porque, diferentemente das políticas mo-
netárias implementadas pelos bancos centrais, o valor de mercado das criptomo-
edas flutua sob as leis de oferta e demanda.

Até janeiro de 2017, o bitcoin não valia mais de US$ 1.000. Em 16 de dezem-
bro do mesmo ano, a criptomoeda já havia sido vendida por mais de US$ 19.000.
No entanto, essa mudança não acontece apenas nas novas luas. Menos de 15
dias após a cotação, o bitcoin já valia menos de US$ 13.000, uma depreciação
de 35%. Em março de 2018, o valor do bitcoin mudou novamente. Em menos de
5 dias, o valor caiu quase 30%, de US$ 11.600 para menos de US$ 8.400. Com
uma volatilidade tão alta, é difícil acreditar que esses ativos possam ser respon-
sáveis por entregar riqueza abstrata ao longo do tempo, em vez de fornecer segu-
rança aos seus detentores.

50
Capítulo 2 OS ASPECTOS ECONÔMICOS E FINANCEIROS DOS
CRIPTOATIVOS

Estimado acadêmico, podemos entender mais a fundo a defini-


ção e a aplicação da volatilidade dos ativos no mercado financeiro
com o vídeo disponível no link a seguir: [Link]
tch?v=2LQyiMw_API.

Embora essa volatilidade atue como uma barreira ao que as criptomoedas


representam como reserva de valor, é por meio desses altos e baixos que muitos
investidores fazem uma pequena fortuna. É por esse motivo que muitos econo-
mistas e instituições financeiras entendem que as criptomoedas são mais como
ativos e ações do que o próprio dinheiro. Por isso, acabam atraindo interessados
em seu caráter especulativo.

Para uma economia com uma moeda central instável, como no


caso do Brasil, é necessário que existam leis reguladoras que
disciplinem eficientemente o curso da moeda. A estabilização
monetária evita processos inflacionários e eventuais quadros
hiperinflacionários, que levam a moeda a perder sua reserva
de valor (VAN DER LAAN, 2014, p. 10).

Embora as criptomoedas não tenham valor na geração de confiança do con-


sumidor, raramente são usadas para pagar bens de consumo diários. Mesmo que
as criptomoedas sejam estáveis, isso não as torna moedas, pois possuem outras
características que inviabilizam sua classificação nesta categoria. As criptomoe-
das não podem desempenhar as funções básicas do dinheiro. Além de sua alta
volatilidade de preços limitar sua reserva de valor, sua aceitação como meio de
pagamento ainda é baixa e seu uso como unidade de conta é muito limitado.

As criptomoedas não podem ser depositadas como moedas nacionais, suas


participações são registradas em carteiras digitais, o que não representa nenhu-
ma garantia de segurança dos depósitos.

Segundo Ulrich (2014), enquanto a volatilidade do bitcoin persistir, é imprová-


vel que seja usado como unidade de conta. Portanto, é difícil estabelecer contra-
tos com base nessa moeda, impossibilitando o uso de criptomoedas como princi-
pal moeda central da economia. Para o autor, a falta de suporte do bitcoin não é
motivo para degradá-lo como dinheiro, pois o suporte não é necessário para que
algo seja considerado dinheiro.

51
CriPToATiVoS

Na realidade, o bitcoin demonstra claramente algo que até agora foi mal com-
preendido, em que o lastro financeiro não é somente uma necessidade de garantia
de dinheiro, é apenas uma técnica empírica, cujo principal serviço é limitar as práti-
cas imprudentes dos tradicionais sistemas financeiros, bem como a capacidade do
estado de gerenciar o progresso da inflação em uma determinada economia.

Assim, num contexto de início da quebra de determinados paradigmas dos


modelos econômicos tradicionais, os criptoativos atraem as pessoas pelo fato de
apresentarem custos de transação mais baixos e a falta de intermediários. Além
disso, representa um estímulo à inovação financeira. Se aceito em maior esca-
la, também pode refletir maior acesso a serviços financeiros. Os pagamentos em
criptomoeda podem reduzir significativamente os custos de transação, portanto,
pode ser uma solução interessante, especialmente para empresas de pagamen-
tos internacionais (ULRICH, 2014).

No entanto, embora simbolizem vantagens inovadoras em relação ao siste-


ma financeiro tradicional, as criptomoedas também apresentam características
negativas. Além da alta volatilidade, como já comentamos anteriormente, e da fal-
ta de instituições por trás delas que representem segurança, as criptomoedas são
caracterizadas por risco e abuso.

Conforme destaca Ulrich (2014, p. 30):

Os usuários do bitcoin e de outras criptomoedas devem tomar


cuidado com suas carteiras digitais para que não sejam alvo de
algum malware, resultando em um roubo desses ativos. Além
disso, casas de câmbio de criptomoedas também são outro
alvo, como aconteceu em 2014, quando uma casa de câmbio
foi furtada por hackers em mais de 24 mil bitcoins. Problemas
como esses chamam a atenção para o quesito de violação de
segurança das criptomoedas.

Aluno, abordaremos mais a fundo, no próximo capítulo, a violação de segu-


rança, os riscos e os crimes praticados no ambiente de negociação e o armazena-
mento dos criptoativos.

A evasão fiscal é outro tópico importante, pois a tributação das criptomoedas


tem causado muita divergência entre os especialistas. As transações nestes
ativos ainda representam uma pequena parcela em relação às moedas nacionais.
No entanto, os países estão procurando antecipar um possível aumento nas
criptomoedas. O problema é que ainda não há consenso sobre a definição de
criptomoedas, então diferentes interpretações do conceito resultaram em várias
formas de tributar esses ativos.

52
Capítulo 2 OS ASPECTOS ECONÔMICOS E FINANCEIROS DOS
CRIPTOATIVOS

Como já destacado anteriormente, no Brasil, a postura do Banco Central é


reconhecer o bitcoin e seus pares como ativos criptográficos em vez de cripto-
moedas. A Receita Federal entende que o bitcoin é um ativo como qualquer outro
e, como tal, os ganhos decorrentes de alterações em sua cotação serão tributa-
dos. Moedas virtuais também serão declaradas no imposto de renda, como ouro
e dinheiro.

Embora as posições tenham sido tomadas, ainda não há regulamentação


oficial sobre o assunto. O impasse continua à medida que várias instituições de-
fendem diferentes aspectos do bitcoin e sua definição, definindo-o como:

(i) ativo financeiro;


(ii) commodity;
(iii) criptoativo;
(iv) título de crédito virtual;
(v) valor mobiliário;
(vi) contrato;
(vii) tecnologia superior.

Apesar dos riscos, o uso crescente de criptomoedas também é reflexo da re-


volução digital. A era da internet trouxe várias outras novidades para os mercados
financeiros, mostrando que o mundo digital é uma realidade à qual todo o merca-
do, incluindo bancos e governos tradicionais, deve se adaptar. Com isso em men-
te, alguns governos elaboraram propostas para moedas nacionais digitais. Embo-
ra diferentes das moedas físicas, essas alternativas ainda têm o governo como
intermediário por trás da política monetária, trazendo confiança a essas moedas.

Além disso, os marketplaces tendem a ter um método de pagamento comum


para medir todos os bens e serviços. Devido a essa tendência e à preferência do
mercado e dos agentes por moedas de estado estável, a cobertura de bitcoin e
outras criptomoedas não deve assustar a negociação em moedas tradicionais.
Dessa forma, o bitcoin não deve se tornar um método de pagamento que real-
mente substitua o mundo monetário atual.

Conforme destacam Carvalho et al. (2017, p. 21), “as criptomoedas em geral,


e o bitcoin, em particular, embora representem uma inovação financeira importan-
te, estão muito longe de modificar a ordem monetária vigente, baseada na moeda
estatal e na moeda bancária, em um futuro minimamente previsível”.

Curiosamente, o objetivo de criar e desenvolver moedas alternativas à mo-


eda nacional é muitas vezes atender a algumas necessidades que a moeda na-
cional não consegue suprir. Partindo do pressuposto de uma moeda não neutra,
comporta-se como uma ferramenta de busca do desenvolvimento econômico e de

53
CriPToATiVoS

combate ao desemprego. Às vezes, moedas alternativas são apropriadas como


alternativa às restrições financeiras quando a moeda nacional se torna um obstá-
culo ao progresso.

Nos países em desenvolvimento, a criação de moedas alternativas está dire-


tamente ligada a problemas, como depressão, estagnação econômica ou falta de
crédito, para populações de baixa renda e pequenos empresários (PRIMAVERA,
2002; MENEZES, 2007).

Em um relatório de 2008, a Comissão Europeia definiu a exclusão financeira


da seguinte forma: “[...] processo pelo qual as pessoas encontram dificuldades
para acessar e/ou usar serviços e produtos financeiros no mercado convencional
que sejam apropriados as suas necessidades e capacitá-los a levar uma vida so-
cial normal na sociedade em que eles pertencem” (EUROPEAN COMMISSION,
2008, p. 9).

No vídeo indicado no link a seguir, podemos conhecer um pouco


mais sobre as moedas sociais emitidas pelos bancos comunitários:
[Link]

Quando falamos nas questões relacionadas à economia, não podemos dei-


xar de considerar o comportamento e as necessidades dos indivíduos quanto as
suas demandas contemporâneas. Assim, de acordo com Kumar (2004, p. 7), “a
exclusão financeira pode resultar em perda de vários fatores que geram bem-es-
tar e qualidade de vida. As moedas privadas ou paralelas são uma opção para
monetizar economias marginalizadas do sistema financeiro tradicional, oferecen-
do liquidez para essas pessoas”.

Boa parte das moedas constituídas com perfil alternativo foi desenvolvida a
partir da necessidade de os indivíduos viabilizarem as relações de trocas. Na his-
tória recente de nosso país, podemos citar a emissão de moedas de perfil alter-
nativo a partir dos bancos comunitários, pautados em atender às necessidades
regionais de geração de mecanismos de troca.

O Banco Palmas, por exemplo, foi o primeiro banco comunitário, criado em


1998 em Fortaleza-CE. A comunidade local reunia cerca de 20.000 pessoas e
convivia com alto desemprego e até desnutrição. A ideia de criar uma moeda

54
Capítulo 2 OS ASPECTOS ECONÔMICOS E FINANCEIROS DOS
CRIPTOATIVOS

local e social surgiu na assembleia dos moradores e, como resultado, nasceu


o Banco Palmas.

Na matéria indicada no link a seguir, você terá acesso ao artigo


que apresenta a história e o papel do Banco Palmas na economia
com seu inovador modelo de economia solidária e a criação do con-
ceito de moeda alternativa: [Link]
lidaria-moeda-social-caso-de-palmas/.

Independentemente disso, o valor de mercado de um ativo depende de quanto


o mercado está disposto a pagar por ele, e não é incomum que o preço de algo se
dissocie de seu valor nominal. Uma objeção comum ao bitcoin é que, diferentemente
dos ativos comuns, ele não tem fundamento no mundo físico. No entanto, é impor-
tante dizer que há valor em ter uma criptografia sofisticada na tecnologia blockchain.

Ignorar o valor embutido na criptografia significa ignorar todos os documen-


tos assinados eletronicamente no mundo que usam várias técnicas de criptogra-
fia. Isso não é fácil de aceitar, mas o fato de que nosso mundo está se tornando
cada vez mais desmaterializado é o primeiro passo para impulsionar uma nova
onda de inovação tecnológica.

As moedas privadas ou paralelas podem trazer alguns benefícios. No en-


tanto, é importante destacar algumas ressalvas sobre sua transferência, que ocor-
re concomitantemente com a moeda nacional, e o potencial impacto na economia:

• A validade dos contratos com moedas centrais está relacionada à esta-


bilidade que o Estado pode proporcionar. Para firmar contratos em outra
moeda, é preciso ter confiança em outros fatores que possam validar
esses contratos.
• É preciso estar atento ao uso do dinheiro privado, pois existem dois
tipos de dinheiro em circulação: o dinheiro do Estado central e o dinheiro
privado. Pode haver alguns itens na economia que são negociados
apenas em uma moeda. Além disso, a troca dessas moedas deve ser,
em última análise, uma troca.
• O uso de moedas privadas pode ser desejável para aqueles que evitam
relatar informações ou procuram operar sem interferência do Estado. Os
governos usam moedas centrais para monitorar transações e obter infor-

55
CriPToATiVoS

mações para evitar fraudes e corrupção. As moedas privadas represen-


tam uma opção vantajosa em vários aspectos, mas podem ser utilizadas
por agentes com interesses escusos e duvidosos.

Esses ativos alternativos podem até funcionar como meio de troca, desde
que sejam aceitos pela sociedade. Por exemplo, dentro da comunidade local, é
muito comum que as instituições existentes aceitem essa moeda devido a acor-
dos feitos por esse pequeno grupo de sociedades. No entanto, para uma grande
economia nacional, a presença de uma instituição firme, que demonstre confian-
ça, é necessária para ter o mesmo efeito em toda a população.

Os preços de mercado que não correspondem ao valor nominal de um de-


terminado ativo são comuns no mercado, mas há razões para esperar retornos
futuros. Uma anormalidade chamada de bolha ocorre quando o preço de um ativo
difere do valor de mercado de seus fundamentos econômicos.

Prezado aluno, a bolha financeira pode exercer um reflexo im-


portante na economia. No vídeo indicado no link a seguir, podemos
compreender melhor esse conceito e identificar indícios dessa forma-
ção: [Link]

À medida que o bitcoin cresceu, outros usuários começaram a usá-lo para


atingir seus mais diversos objetivos, como geeks que querem mostrar as maravi-
lhas da criptografia, pessoas que compram bitcoin para protestar contra o status
quo ou se envolvem com entusiastas do bitcoin. O importante não é identificar os
objetivos de cada indivíduo, mas destacar o histórico de uso do bitcoin como meio
para atingir seus objetivos.

Dessa forma, os meios devem ser sempre escassos, ou seja, insuficientes


para atingir todos os fins que se deseja. Chamamos de mercadoria econômica
tudo o que é usado como meio na esfera da ação humana. Portanto, os bens eco-
nômicos estão sujeitos à realidade da escassez, o que significa que um mesmo
bem não pode ser utilizado como meio por mais de uma pessoa ao mesmo tempo.

56
Capítulo 2 OS ASPECTOS ECONÔMICOS E FINANCEIROS DOS
CRIPTOATIVOS

1 Como observado, os criptoativos ainda não possuem uma regu-


lamentação oficial que lhes permita operar em sua plena legali-
dade. No caso da criptomoeda bitcoin, observamos uma gama
imensa de definições defendidas por diferentes aspectos classifi-
catórios. Nesse sentido, classifique V para as afirmativas verda-
deiras e F para as falsas:

( ) Ativo financeiro.
( ) Commodity.
( ) Criptoativo.
( ) Valor imobiliário.
( ) Confissão de dívida.

Assinale a alternativa CORRETA:


a) F – V – V – V – V.
b) V – F – V – F – F.
c) V – V – V – F – F.
d) V – V – F – V – V.

3 OS CRIPTOATIVOS COMO MEIO DE


PAGAMENTO
Podemos compreender que os sistemas de pagamento atuais seguem um
processo semelhante desde o século XVI. Com um terceiro responsável por re-
duzir o saldo da conta de um cliente, ao aumentá-lo na conta do destinatário do
valor equivalente à diferença, substitui-se o papel eletronicamente e aumenta-se a
velocidade com que as transações são concluídas. A redução do risco operacional
e o surgimento dos custos baixos permitem que novos esquemas de pagamento
surjam como esquemas de dinheiro móvel. No entanto, a estrutura básica de um
sistema de pagamentos centralizado permanece inalterado.

O dinheiro e os sistemas de pagamento são essencialmente vinculados,


pois o dinheiro só pode ser usado como meio de troca se existe um sistema
que permite a transferência de valor. Qualquer sistema que não seja a troca de
papel-moeda ou moedas físicas é um método de registro de valor armazenado
chamado racional.

57
CriPToATiVoS

Apesar das críticas, as criptomoedas são líquidas, amplamente aceitas e utili-


zadas como câmbio e afetam os níveis gerais de preços, como moeda física, isso
exclui qualquer classificação como não moeda. Embora seja uma moeda emiti-
da por uma entidade privada, é amplamente utilizada como meio de pagamento,
mesmo como unidade de referência e valor armazenado em alguns contextos.

De fato, o modelo de criptomoeda atualmente parece ser mais um meio de


transferência de recursos, mas ainda baseado nos cálculos atuais da moeda na-
cional. Seus pequenos spreads não permitem que o bitcoin forme um preço na
economia real. A tendência dos meios de pagamento intermediados com o incre-
mento massivo de tecnologias está em pauta em nosso cotidiano. Sem dúvida,
as criptomoedas estão embarcadas no mais sofisticado aparato tecnológico com-
preendido pelo ser humano, mas outros agregados tecnológicos também estão no
dia a dia das intermediações de trocas econômicas e financeiras da nossa socie-
dade. Podemos observar no quadro a seguir as mais relevantes.

Quadro 1 – Agregados tecnológicos relacionados aos meios de pagamento

TECNOLOGIA SOLUÇÃO
NCF A solução tecnológica NFC (Near Field Communication), que pode ser
entendida como uma comunicação por proximidade, funciona ao permitir
que dois dispositivos troquem dados em uma distância de centímetros –
desde que um chip específico esteja instalado em ambos os equipamentos.
Ela é uma tendência dos meios de pagamentos, pois com ela será possível
realizar transações e pagamentos por meio dos dispositivos em lojas que
disponibilizam os terminais de cartão de crédito e conexão com o serviço.
mPOS O mPOS faz a comunicação entre dois dispositivos móveis a partir de uma
comunicação via Bluetooth ou NFC, com a leitura do cartão de pagamento
de crédito ou débito – onde quer que esteja o consumidor.
Ele faz parte do futuro dos meios de pagamento, pois oferece a vantagem
de o lojista contar com serviços adicionais que contribuem para uma melhor
gestão financeira, como: atualização do cadastro do cliente; geração de
relatórios financeiros, envio de faturas por e-mail etc.

58
Capítulo 2 OS ASPECTOS ECONÔMICOS E FINANCEIROS DOS
CRIPTOATIVOS

Carteira móvel O consumidor da atualidade já não utiliza mais uma quantidade enorme de
documentos na carteira. Os documentos pessoais foram reduzidos. Hoje,
por exemplo, com a carteira de habilitação, você já possui dados, como
CPF e RG. O mesmo aconteceu com os meios de pagamentos – cheques,
cédulas e moedas foram substituídos por um cartão com funções de débito
e crédito.
No futuro dos meios de pagamentos, em sua evolução progressiva, a cartei-
ra móvel, em que os dados financeiros são armazenados, efetuará qualquer
tipo de compra e pagamento utilizando uma empresa de meio de pagamen-
to especializada como base de dados. Com a violência crescente, poder
sair de casa sem grandes quantias de dinheiro é um ganho enorme para o
consumidor e para os lojistas, que precisam se proteger diariamente.
Biometria As cenas de filmes, em que vemos portas se abrirem e computadores serem
desbloqueados com um simples reconhecimento de íris já estão deixando
o campo imaginário das ficções para fazerem morada nos processos de
pagamento, garantido maior confiabilidade e segurança.
A dificuldade do usuário em decorar senhas de vários cartões poderá ser
substituída por um processo simples de identificação biométrica e minimizar
o tempo destinado às compras e à burocracia do pagamento.
Cashless O sistema Cashless (sem dinheiro) é uma das tendências dos meios de pa-
gamento que incentiva um comportamento de utilização mínima de dinheiro
e adesão a um serviço de crédito contratado previamente para ser consumi-
do nos mais diversos estabelecimentos comerciais.
Valendo-se da tecnologia disponível nos smartphones, o consumidor pode
efetuar suas compras por meio do dispositivo ou ainda realizar transferência
entre bancos, desde que as contas sejam cadastradas para esse tipo de
serviço.

Fonte: [Link]
pagamentos. Acesso em: 20 maio 2022.

Prezado aluno, no link a seguir, sugerimos uma matéria que dis-


cute as tecnologias no setor financeiro e como elas contribuem para
a inovação do mercado:
[Link]
gia-no-setor-financeiro/.

59
CriPToATiVoS

3.1 SISTEMA DE PAGAMENTO


BRASILEIRO – SPB
O Sistema de Pagamento Brasileiro (SPB) é composto por entidades, sis-
temas e subsistemas de processamentos de operações, que compreendem as
transações de recursos financeiros e valores mobiliários em nossa economia.

O Sistema de Pagamento Brasileiro (SPB) inclui entidades, subsistemas e


procedimentos relacionados ao processamento e à liquidação de operações de
transferência de fundos, operações em moeda estrangeira ou operações de ati-
vos financeiros e valores mobiliários. Serviços, como compensação de cheques,
compensação e liquidação de instruções de empréstimo eletrônico, transferência
de fundos e outros ativos financeiros, compensação e liquidação de negociação
de títulos e compensação e liquidação de negócios por bolsas de mercadorias e
futuros, são coletivamente referidos como entidades comerciais.

Toda a dinâmica do novo SPB é baseada no conceito de processamento do


serviço de mensageiro, em que todos os pagamentos devem ser creditados na
conta reserva do banco. Dessa forma, a transferência de recursos da conta reser-
va bancária será sempre direcionada pela instituição financeira do devedor, debi-
tada de sua conta reserva bancária e transferida para a conta reserva bancária da
instituição financeira credora do lançamento. Os sistemas de mensagens exigem
e tratam de todo o relacionamento entre as instituições financeiras e seus clien-
tes, incluindo sistemas de transferência de reservas, sistemas de lançamento em
tempo real BC e câmaras de compensação

De acordo com Cernev, Diniz e Jayo (2009, p. 58):

O mobile banking pode ser entendido como o conjunto de ser-


viços bancários móveis, envolvendo o uso de tecnologias e
dispositivos portáteis conectados a redes de telecomunicações
móveis, permitindo aos usuários a realização de pagamentos
móveis (mobile payments), transações bancárias e outros ser-
viços financeiros, compreendendo um alto grau de inovação
tanto em relação ao canal eletrônico utilizado quanto em re-
lação aos serviços bancários ofertados aos clientes ou poten-
ciais clientes.

60
Capítulo 2 OS ASPECTOS ECONÔMICOS E FINANCEIROS DOS
CRIPTOATIVOS

No vídeo indicado no link a seguir, podemos compreender com


mais detalhes as definições e as funções do SBP: [Link]
[Link]/watch?v=J56aETkHpwA.

O mobile banking é, antes de tudo, um fenômeno de mobilidade, portabilidade


e convergência digital: a convergência de tecnologias, plataformas, dispositivos,
modelos de negócios e indústrias. O fenômeno do mobile payment pode ser anali-
sado de duas formas distintas, que fornecerão serviços de mobile banking, além de
outras soluções. Dessa forma, nos serviços financeiros, esses serviços podem be-
neficiar a inclusão bancária e econômica de públicos excluídos ou marginalizados.

3.2 MERCADO DE PAGAMENTO


A evolução dos meios de pagamento atravessou mudanças significativas ao
longo dos séculos até chegarmos na atualidade, em que estamos cercados de
tecnologias que nos possibilitam otimizar o tempo e os recursos aplicados no mer-
cado. É importante entender como essa trajetória ocorreu ao longo dos anos para
que possamos visualizar as gradativas mudanças no comportamento de consumo
que possibilitaram a transformação do mercado e da economia global.

A relação de troca sempre esteve presente na história de vida dos seres hu-
manos. As operações de pagamento já possuíam registros há mais de 10.000
anos a.C. Tal prática era chamada de escambo e possuía diversas finalidades,
desde a troca de alimentos, ferramentas, animais, entre outros fatores necessá-
rios para a subsistência das pessoas.

As primeiras moedas feitas de bronze só vieram a ser registradas cerca de


1.000 anos a.C., o que possibilitou uma revolução nas operações de troca e ra-
pidamente tornou-se um meio universal de remunerar os fatores e o resultado
da produção. Depois de alguns séculos, há registros da evolução da moeda pro-
duzida a partir de pedras preciosas, cobre, ouro, prata, entre outros materiais que
representassem a solidez, a permanência e o valor.

Após isso, por volta de 618 d.C., surgiram as primeiras cédulas de dinheiro
produzidas a partir do papel. Tal evolução passou a ser fundida com o objetivo de
reduzir o consumo e resolver o problema da escassez de materiais preciosos que
até então eram utilizados em grande escala para a produção das moedas, além

61
CriPToATiVoS

disso, o processo de transformação dos metais exigia a utilização de cobre, que


gerou elevados índices de toxicidade dos envolvidos em tais atividades.

Já no século XVII, surgiu o cheque, meio de pagamento utilizado em ampla es-


cala no mundo todo por centenas de anos. Nos dias atuais, o cheque passou a per-
der espaço para as novas alternativas de emissão de moeda e crédito no mercado.

Conforme Freitas (2005, p. 28):

O Brasil passaria e emitir papel-moeda a partir do Império, em


meados do século XIX, através de bancos de diversas cidades
brasileiras. A população começou a adquirir o hábito de usar
papel-moeda em substituição ao dinheiro de metal. O Brasil
ingressou no sistema do padrão dólar-ouro com sua adesão ao
Fundo Monetário Internacional - FMI, em 14 de julho de 1948,
remetendo 33 toneladas de ouro ao Fundo.

Mais recentemente, a partir dos anos de 1950, surgiram as empresas de car-


tões de crédito, que possibilitaram a revolução no mercado de pagamentos, tra-
zendo consigo a aplicação de sistemas e processamentos tecnológicos a fim de
ampliar os canais de distribuição de crédito e pagamento do mercado global.

Sobre a trajetória de empenho na regulamentação do mercado de pagamento,


podemos identificar, na figura a seguir, os detalhes sobre a atuação do Banco Central.

Figura 2 – Atuação do Banco Central nos meios de pagamento

Fonte: [Link]
Ap_RCN_CMEP_23.[Link]. Acesso em: 19 maio 2022.

62
Capítulo 2 OS ASPECTOS ECONÔMICOS E FINANCEIROS DOS
CRIPTOATIVOS

Seguindo em nossos estudos, podemos considerar que a moeda conceitu-


almente é definida como sendo o meio aceito de um pagamento pelas relações
comerciais de troca de serviços na economia. Assim, a moeda desempenha três
principais funções:

• Meio de troca.
• Reserva de valor.
• Unidade de conta.

Por sua vez, o mercado de pagamentos, no que diz respeito às relações


comerciais contemporâneas, possui uma estrutura dinâmica de participação de
variados atores, possibilitando que sejam viabilizadas as transações financeiras
entre os envolvidos. Na figura a seguir, podemos perceber essa dinâmica.

Figura 3 – Estrutura do mercado de meios de pagamento

Fonte: [Link]
[Link]. Acesso em: 19 maio 2022.

Cada um dos atores envolvidos nas operações de troca possui papel de-
terminante para o sucesso do sistema. Na figura a seguir, podemos identificar o
papel de cada um dos envolvidos.

63
CriPToATiVoS

Figura 4 – Papel dos atores no mercado de meios de pagamento

Fonte: [Link]
[Link]. Acesso em: 19 maio 2022.

As moedas atuam como um meio de troca quando usadas para comprar


bens e serviços. Nesse contexto, o uso do dinheiro como unidade de conta está
intimamente relacionado ao seu uso como mecanismo de troca.

Para a maioria das pessoas, o dinheiro não é uma maneira particularmente


boa de acumular riqueza e, além de sua utilidade como meio direto de troca, é ex-
tremamente líquido. Por exemplo, ao contrário de outros ativos financeiros, como
ações ou imóveis, a moeda sempre pode ser perdida ou roubada.

As cédulas de papel estão presentes em nossa economia e em todos os paí-


ses do mundo, sendo ainda um dos meios mais usados no mercado para remu-
nerar as relações financeiras entre pessoas, empresas e governo. Entretanto, no
mercado de pagamento, nas últimas décadas, vem ganhando grande destaque
em nosso sistema financeiro o surgimento de operadoras financeiras, como as
que operam cartões de crédito, que atualmente detêm uma grande fatia do mer-
cado de consumo.

Chakravorti e Kobor (2003, p. 3) consideram que a inovação de pagamento é


dividida em duas categorias: inovação tecnológica e inovação de serviço:

Inovações tecnológicas usam a tecnologia para modificar um


processo ou produto existente ou criar um novo. Inovações em
serviços são mudanças nos produtos ou processos que não
necessariamente envolvem mudanças na tecnologia subja-

64
Capítulo 2 OS ASPECTOS ECONÔMICOS E FINANCEIROS DOS
CRIPTOATIVOS

cente. Frequentemente, inovações podem ser tecnológicas e


relacionadas a serviços ao mesmo tempo. Os autores identifi-
cam quatro incentivos estratégicos para investir ou inovar em
sistemas de pagamentos: (i) reduzir custos; (ii) incrementar
receitas pela introdução de novos produtos ou serviços ou di-
ferenciando consumidores; (iii) conquistar novos clientes; (iv)
reter clientes.

As inovações de pagamento podem ajudar a reduzir os custos de transação


ao diminuir taxas, aumentar a conveniência, melhorar o atendimento ou reduzir
o risco, além de possibilitar serviços de pagamento para pessoas que não têm
ou não são elegíveis para abrir uma conta corrente ou sacar dinheiro com cartão
de crédito.

Berger, Hancock e Marquardt (1996) reconheceram a importância de estudar


as formas de pagamento por meio dos riscos e custos envolvidos nesse mercado.
Os riscos incluem a reputação das partes envolvidas, bem como a segurança e
a confiabilidade do sistema ou solução de pagamento. Os custos incluem não
apenas taxas, mas também elementos implícitos de instrumentos de pagamento
(como aqueles associados à conveniência do usuário), custos de recursos e cus-
tos financeiros.

A inovação, muitas vezes, traz mudanças que reduzem custos e geram bene-
fícios. Os benefícios proporcionados pelas inovações de pagamento podem estar
relacionados a custos mais baixos em relação a outras partes envolvidas (ou à
sociedade como um todo), que podem incorrer na ausência de inovações. Em
muitos casos, o benefício líquido do bem-estar social se manifesta na realocação
de recursos para usos mais produtivos ou melhores oportunidades de negócios
para os usuários.

As formas de pagamento escolhidas pelos consumidores no momento de ad-


quirir um produto ou serviço no mercado ainda se concentram, em sua grande
parte, na utilização de dinheiro em espécie, seguido de cartões de crédito e dé-
bito, transferências interbancárias, faturas e boletos e, de forma mais recente, as
transações por meio do Pix.

Sobre a utilização de cartões de crédito e débito como meio de pagamento,


podemos perceber, a partir da figura a seguir, uma escalada quanto à utilização
desse meio em nossa economia.

65
CriPToATiVoS

Figura 5 – Evolução do mercado de cartões

Fonte: [Link]
Ap_RCN_CMEP_23.[Link]. Acesso em: 19 maio 2022.

Tradicionalmente, como ilustramos anteriormente, o mercado de pagamentos


com cartões de crédito contempla três principais agentes, em que cada um des-
ses possui responsabilidades distintas em tal processo, são eles: as bandeiras, os
emissores e as credenciadoras.

Os emissores são os responsáveis por fornecer os cartões de crédito aos


consumidores e possuem a tarefa de habilitar, autorizar, identificar os pagamen-
tos, definir e liberar o crédito aos clientes. Em nosso mercado, os maiores agentes
emissores de cartões de crédito são as instituições bancárias, como Banco do
Brasil, Caixa Econômica Federal, Santander, Itaú e Bradesco.

Por sua vez, os agentes credenciados ou os conhecidos adquirentes são


os responsáveis por cadastrar os estabelecimentos aptos a aceitarem o recebi-
mento de pagamentos por meio de cartão de crédito. As principais funções das
credenciadoras estão concentradas em credenciar os estabelecimentos, estabe-
lecer a comunicação das autorizações, proceder as liquidações de pagamentos e,
por fim, capturar as operações.

Já as bandeiras são as entidades consideradas como as principais no


mercado de pagamento por meio dos cartões de crédito, elas são as responsáveis
pela conexão do adquirente com os emissores dos cartões e passam a autorizar
as transações nos estabelecimentos credenciados. Possuem também a respon-

66
Capítulo 2 OS ASPECTOS ECONÔMICOS E FINANCEIROS DOS
CRIPTOATIVOS

sabilidade de estabelecer as normas e as diretrizes de segurança, bem como a


definição das tarifas e taxas a serem aplicadas aos usuários e aos estabelecimen-
tos credenciados.

Prezado aluno, a evolução tecnológica voltada para as relações de troca está


em um movimento frenético, e com seu papel de executar as políticas monetárias
em nossa economia, o Banco Central passa a direcionar grandes esforços pela
busca constante da inovação do sistema financeiro, como podemos perceber na
figura a seguir.

Figura 6 – Inovações no sistema financeiro

Fonte: [Link]
Ap_RCN_NEASF_25.[Link]. Acesso em: 19 maio 2022.

Em novembro de 2020, foi lançado o Pagamento Instantâneo (Pix) no Brasil.


Meio de pagamento criado pelo Banco Central (BC) no qual os recursos podem
ser transferidos entre contas em segundos, a qualquer hora ou dia. O Pix pode
ser feito a partir de uma conta corrente, conta poupança ou conta pré-paga. O
objetivo do ecossistema é reduzir as transações em dinheiro e oferecer uma al-
ternativa aos métodos de pagamento já oferecidos, como boleto e transações de
máquina de cartão, que são mais rápidos e baratos que o sistema TED e DOC.

Além de aumentar a velocidade de pagamentos ou transferências, o Pix tem


potencial para:

• Aproveitar a rentabilidade e a eficiência do mercado.

67
CriPToATiVoS

• Reduzir custos, aumentar a segurança e melhorar a experiência do clien-


te.
• Incentivar a digitalização do mercado de pagamentos de retalho.
• Promover uma inclusão financeira.
• Preencher uma série de lacunas no pacote de pagamento atualmente
disponível ao público.

Estimado aluno, no vídeo indicado no link a seguir, podemos co-


nhecer um pouco mais sobre o Pix, essa tecnologia inovadora que
veio para dar mais dinâmica e eficiência ao mercado de pagamento:
[Link]

Principais características que vão de encontro ao atendimento das necessi-


dades do mercado nos quesitos disponibilidade e velocidade:

• Rápido: transações concluídas em segundos, com recursos em tempo


real disponíveis para os destinatários.
• Disponível: 24 horas por dia, sete dias por semana, inclusive feriados.
• Fácil: experiência facilitada para o usuário.
• Barato: gratuito para pessoa física pagadora e custo baixo para os de-
mais casos.
• Seguro: robustez de mecanismos e medidas para garantir a segurança
das transações.
• Aberto: estrutura ampla de participação, possibilitando pagamentos entre
instituições distintas.
• Versátil: ferramenta de multipropostas para pessoas físicas, empresas e
governos, independentemente do tipo e valor da transação.
• Integrado: informações para conciliação podem ser incluídas nas enco-
mendas de pagamento e conciliação de pagamentos importantes à auto-
matização de processos.

Evoluindo em nossas discussões e percebendo o quanto as relações finan-


ceiras de troca evoluíram nos últimos anos apoiadas pelas tecnologias, podemos
perceber inúmeras vantagens que tornam as moedas digitais uma excelente adi-
ção ao ambiente financeiro. Em seu estágio atual, o bitcoin já representa uma
redução significativa nos custos de transação.

68
Capítulo 2 OS ASPECTOS ECONÔMICOS E FINANCEIROS DOS
CRIPTOATIVOS

Então, independentemente de sua liquidez futura, as criptomoedas já atuam


como meio de troca, já são uma moeda, embora menos líquida que a moeda na-
cional. Dessa forma, podemos até considerá-las um precursor de uma nova clas-
se de ativos: as moedas digitais. Apesar de ser uma tecnologia inovadora com
potencial para trazer inúmeros benefícios à sociedade, existem alguns obstáculos
importantes a serem superados.

Especialmente no espaço jurídico e regulatório, ainda há grande incerteza


sobre as ações governamentais diante do crescimento do bitcoin. Muitos defen-
sores da moeda digital reivindicam sua legitimidade, alegando que seu desenvol-
vimento é necessário. De fato, as autoridades em breve terão que se manifestar,
pois a expansão do uso do bitcoin forçará o governo a esclarecer como tributar as
transações feitas com a moeda.

No entanto, não devemos esperar agilidade de nenhum regulador nem apoio


do setor público para moedas digitais ou qualquer entusiasmo. Afinal, como guar-
diões da estabilidade monetária e financeira, os bancos centrais e os reguladores
têm a tarefa de gritar ao menor sinal de perigo. Além disso, quando o bitcoin é vis-
to como um verdadeiro concorrente das moedas e sistemas bancários nacionais,
o tratamento legal dado a ele pode ser bastante negativo.

Assim, a percepção geral do dinheiro por parte de indivíduos, empresas e ne-


gócios será um fator determinante no progresso e na expansão de seu uso. Por
esse motivo, vale a pena notar que as grandes corporações agora estão aceitando
o bitcoin por razões de marketing e não apenas como uma jogada de marketing.

69
CriPToATiVoS

1 Como vimos, existem importantes fatores que podem incentivar os


investimentos, a inovação e o desenvolvimento de estratégias
que reflitam no ganho de eficiência dos sistemas de pagamentos.
Nesse contexto, classifique V para as afirmativas verdadeiras e F
para as falsas:

( ) Reduzir custos.
( ) Incrementar receitas pela introdução de novos produtos ou servi-
ços ou diferenciando consumidores.
( ) Aumentar a improdutividade.
( ) Conquistar novos clientes.
( ) Reter clientes.

Assinale a alternativa CORRETA:


a) V – V – V – V – V.
b) V – F – V – F – F.
c) F – F – V – V – V.
d) V – V – F – V – V.

4 O LASTRO FINANCEIRO DOS


CRIPTOATIVOS
Podemos considerar que o lastro financeiro se trata de uma determinada ga-
rantia ligada a um outro ativo, por exemplo, uma determinada garantia de uma
moeda qualquer lastreada em dólares. Essa referência possibilita a consideração
de valor a uma operação financeira.

O vídeo indicado no link a seguir nos possibilita compreender


com mais detalhes o conceito de lastro das moedas: [Link]
[Link]/watch?v=fiY_vD_BoMA.

70
Capítulo 2 OS ASPECTOS ECONÔMICOS E FINANCEIROS DOS
CRIPTOATIVOS

Historicamente, por um período longo de tempo, o dólar obtinha um lastro


financeiro atrelado ao ouro. Assim, cada unidade de dólar considerava em sua
proporcionalidade uma quantidade de ouro que lhe possibilitava garantir uma de-
terminada valorização.

Podemos verificar na figura a seguir a participação das moedas no que diz


respeito aos volumes atrelados a reservas de capital destinadas a lastrear os mer-
cados financeiros.

Figura 7 – Composição monetária de reservas oficiais de moedas estrangeiras no mundo

Fonte: [Link]
com-o-dolar/. Acesso em: 18 maio 2022.

Da retenção de uma grande parte do metal trazido ao governo


para cunhagem de moedas, bastou apenas um pequeno passo
para que se adotasse a prática, cada vez mais comum durante
a Idade Média, de recolher as moedas em circulação a fim de
cunhá-las de novo sob várias denominações, com um menor
teor de ouro ou prata. [...] mas, uma vez que a função do gover-
no na emissão de moeda deixa de ser apenas a de garantir o
peso e a pureza de um determinado pedaço de metal e passa a
envolver a determinação deliberada da quantidade de dinheiro
a ser emitida, os governos tornaram-se totalmente inadequa-
dos para exercer essa função e, pode-se dizer abertamente,

71
CriPToATiVoS

têm, incessantemente e em toda parte, abusado, para espoliar


o povo, da confiança neles depositada (HAYEK, 2011, p. 35).

No entanto, mesmo se tratando de um conceito relativamente simples, quan-


do ampliamos essa discussão e abordamos os criptoativos, isso passa a ser uma
consideração ampla nos aspectos da atual economia globalizada.

O lastro financeiro pode estar atrelado a uma gama de garantias. Por muito
tempo, na maior parte do mundo, o lastro esteve vinculado aos metais, sendo o
ouro o mais importante deles. Podemos perceber, na figura a seguir, o ranking dos
países mais representativos em volume de reservas em ouro.

Figura 8 – Ranking de reserva de ouro no mundo

Fonte: [Link]
em-ativos-dolarizados-ou-em-ouro/. Acesso em: 18 maio 2022.

A evolução natural do papel-moeda é o curso legal e seu valor deriva da


crença generalizada de que o papel é um meio de troca. Com o papel-moeda
veio o monopólio do governo sobre sua emissão. Com pouco ou nenhum custo e
gerando receitas substanciais para o governo, o sistema de confiança parece ser
uma evolução 100% bem-vinda. No entanto, a moeda fiduciária traz consigo a

72
Capítulo 2 OS ASPECTOS ECONÔMICOS E FINANCEIROS DOS
CRIPTOATIVOS

necessidade de o emissor assumir extrema responsabilidade ou a instabilidade


do preço expresso na moeda emitida. Na análise de custos e benefícios, percebe-
-se que a economia de recursos gerada pelo sistema confiado, como contrapar-
tida potencial, apresenta inflação incomparável à existente no sistema de apoio.

“O século XX, o século da moeda fiduciária, é sem dúvida um século onde


ocorreram os maiores episódios de inflação, bem como períodos de inflação crôni-
ca em diversos países” (HADBA, 1994, p. 7).

Nesse sentido, fatores podem exercer influências na trajetória e na evolução


das garantias que fundamentam os lastros financeiros, podendo estar ligados a
uma única referência, como é o caso do lastro atrelado a um metal precioso ou a
uma cesta de bens, que poderá fundamentar as garantias vinculadas.

• As mudanças tecnológicas têm o mesmo efeito sobre os bens dentro e


fora da cesta, a estabilidade de preços é garantida porque o custo relati-
vo dos bens na cesta é proporcional ao custo fora da cesta.
• A oferta monetária de commodities na cesta deve ser altamente elástica
por meio de uma grande oferta não monetária e transições rápidas entre
usos monetários e não monetários.
• Se mudanças na proporção dos ativos totais na forma de dinheiro pude-
rem afetar os gastos, a unidade de reserva será mais estável porque res-
ponde rapidamente às mudanças nos preços de outras commodities, ou
seja, se outros bens se tornarem mais caros, a unidade de reserva passa
do uso monetário para o não monetário. Se a quantidade de moeda dis-
ponível mudar, os preços tenderão a se equilibrar novamente.
• Estoque móvel grande e de baixo valor é uma característica importante
das unidades de reserva se a mudança total no volume de ativos afetar
as despesas.
• Se o impacto das variações do ativo nas despesas não for significativo,
a unidade de reserva deve ter uma parcela significativa do produto para
estabilizá-la.

73
CriPToATiVoS

Estimado aluno, no fragmento de texto exposto a seguir, pode-


mos observar as principais pertinências da relação do lastro quando
falamos de investimentos no mercado financeiro.

Entenda o que é lastro financeiro e qual sua funcionalidade

Ações

Quando se fala em investimentos, é comum pensar nas ações.


Elas são parcelas do capital social de uma empresa negociadas na
bolsa de valores. Logo, o investidor que adquire os papéis passa a
ser sócio do negócio. Nesse caso, a parcela da empresa vinculada à
ação é o lastro do ativo.

CRI e CRA

Tanto os certificados de recebíveis imobiliários (CRI) como os


certificados de recebíveis do agronegócio (CRA) são títulos privados.
Nesse caso, eles são lastreados em créditos do setor imobiliário ou
do agronegócio, respectivamente. Por exemplo, um CRI pode ter
lastro em uma operação imobiliária como um bem em garantia para
caso de inadimplência do emissor. No caso do CRA, o lastro pode
envolver produtos relacionados ao setor do agronegócio, como equi-
pamentos, maquinários etc.

LCI e LCA

As letras de crédito imobiliário (LCI) e do agronegócio (LCA) são


emitidas por instituições financeiras. Assim, os recursos captados
com os títulos são destinados aos financiamentos no setor imobiliário
e do agronegócio. Portanto, eles têm lastro em operações financeiras
vinculadas a cada nicho.

Fundos de investimento

Antes de saber como o lastro financeiro se aplica aos fundos de


investimento, é interessante conhecer esse veículo de investimen-
to. Ele funciona como um condomínio, em que diversos investidores
participam dos resultados obtidos.

74
Capítulo 2 OS ASPECTOS ECONÔMICOS E FINANCEIROS DOS
CRIPTOATIVOS

Dessa maneira, há um gestor profissional que administra os ati-


vos que compõem a carteira do fundo. Tendo isso em vista, saiba que
o veículo apresentará um lastro, que pode ser ações, títulos, câmbio
e outros – a depender da composição da sua carteira. Ademais, a
cota adquirida pelo investidor tem valor no mercado – justamente por
estar vinculada à participação na carteira do fundo.

Moedas digitais

Ao contrário dos investimentos anteriores, as moedas digitais


(como o bitcoin), em regra, não apresentam lastro financeiro. Como
funcionam de maneira descentralizada, sem vínculo com entidades
ou países, elas não costumam possuir garantias atreladas a bens,
dinheiro ou outros ativos.

Fonte: [Link]
-financeiro-e-qual-sua-funcionalidade/. Acesso em: 19 maio 2022.

Por fim, vamos comparar as várias propriedades monetárias do ouro, papel-


-moeda e bitcoin. O bitcoin supera o ouro e o papel-moeda em termos de durabili-
dade, exceto no caso improvável de que a internet deixe de existir em escala glo-
bal. Bens digitais como o bitcoin não mudam no espaço ou no tempo. No entanto,
as barras de ouro estão sujeitas ao desgaste natural e perdem massa ao longo
do tempo. Por outro lado, o papel-moeda é frágil e pode ser facilmente destruído.
“Embora seja verdade que, enquanto na forma de substitutos de dinheiro em con-
tas correntes eletrônicas, o papel-moeda é tão durável quanto o bitcoin” (ULRICH,
2014, p. 66).

Em termos de divisibilidade, há um limite físico de como o ouro pode ser fra-


cionado, que não é o caso do papel-moeda – qualquer denominação pode ser im-
pressa nele. No entanto, o bitcoin é totalmente divisível, com oito casas decimais
e possibilidade de adicionar quantas mais forem necessárias. Ambas as moedas
tangíveis, ouro e papel-moeda, são altamente maleáveis, o que é irrelevante para
o bitcoin, pois é essencialmente uma mercadoria intangível. Portanto, o bitcoin é
durável e totalmente divisível, apesar de sua intangibilidade (ULRICH, 2014).

Além disso, o bitcoin é incomparável em unidade porque sua homogeneida-


de é matemática (por definição) e não física (não depende de medições empíricas

75
CriPToATiVoS

relativas a padrões) e é tecnicamente impossível falsificá-lo. O ouro, por outro


lado, depende da verificação e comprovação de sua pureza e qualidade. Por fim,
as notas, embora homogêneas, podem ser mais facilmente falsificadas, dificultan-
do a distinção entre unidades monetárias reais e falsas (ULRICH, 2014).

Estimado aluno, confira a seguir algumas criptomoedas que pos-


suem um lastro financeiro atrelado as suas operações de mercado.

Tether (USDT)
Quando se fala em moeda digital com lastro o Tether é sem dú-
vidas a mais importante. O USDT possui o seu lastro em 1:1 com
o dólar, ou seja, para cada token que um usuário possui, ele tem a
garantia de que há 1 dólar nas reservas da Tether. Esse é um tipo de
lastro com colateral, também conhecido como título de IOU (I Owe
You, Eu Devo a Você, em tradução livre).
O Tether é uma stablecoin (moeda estável) e nasceu com o ob-
jetivo de facilitar transações com o dólar em diferentes níveis, do se-
tor varejista até o institucional. Ela não é a única e possui alguns
concorrentes, como:

True USD.
Paxos Standard.
USD Coin.

Recentemente, a Tether lançou o Tether Gold (XAUt), e como o


nome já indica, é uma altcoin com lastro em ouro. O projeto ainda é
bem novo e não tem a força do USDT, tendo que ganhar mais con-
fiança por parte dos investidores.
As criptomoedas com lastro em ouro possuem uma história inte-
ressante, muitas já tentaram ser criadas, mas nenhuma acabou sen-
do um sucesso. Uma das poucas que continua sendo referência no
mercado é a Pax Gold.
Para tornar tudo ainda mais interessante, temos o Wrapped
Bitcoin (WBTC), que tem como lastro o BTC. Criado na blockchain
Ethereum, a altcoin garante que cada WBTC tem exatamente o mes-
mo valor do Bitcoin.

Fonte: [Link] Acesso em: 20


maio 2022.

76
Capítulo 2 OS ASPECTOS ECONÔMICOS E FINANCEIROS DOS
CRIPTOATIVOS

No entanto, em comparação com metais preciosos e papel-moeda, a vanta-


gem do bitcoin está em sua relativa escassez – intrínseca, real e intangível. Prote-
gido pela criptografia e pela ausência de um terceiro confiável capaz de aumentar
a oferta monetária emitindo substitutos monetários, a oferta inelástica do bitcoin é
parte integrante de seu protocolo.

Ainda que o ouro também seja naturalmente escasso, seu


emprego monetário depende em larga medida de um sistema
bancário e de liquidação, tornando provável o aparecimento de
substitutos de dinheiro não lastreados no metal, enfraquecen-
do a sua natural escassez. Não obstante, a oferta inelástica
do ouro – ora contornada pela emissão de substitutos mone-
tários – é muito superior à ilimitada capacidade de impressão
de papel-moeda pelos bancos centrais, capacidade essa po-
tencializada pela introdução dos meios eletrônicos na criação
de moeda escritural, seja pelos bancos, seja pela autoridade
monetária, e operacionalizada de forma discricionária e, fre-
quentemente, por decisão política (ULRICH, 2014, p. 67).

Finalmente, o bitcoin reúne em um mesmo sistema os serviços fornecidos


por um grande número de intermediários, como bancos, agências de liquidação,
bancos centrais, entidades interbancárias internacionais etc.

Podemos perceber na figura a seguir a comparação dos atributos comparati-


vos entre o ouro, o papel-moeda e o bitcoin.

Figura 9 – Atributos de sistemas monetários

Fonte: Ulrich (2014, p. 67)

77
CriPToATiVoS

O Bitcoin é, simplesmente, uma forma de moeda superior a to-


das as demais. Incorpora a escassez relativa do ouro, aliada
à instantânea transportabilidade e divisibilidade dos substitutos
de dinheiro (especialmente aqueles na forma digital moderna),
prescindindo de inúmeros terceiros fiduciários – como bancos,
casas de liquidação e entidades interbancárias internacionais –,
eliminando, assim, o risco da contraparte (ULRICH, 2014, p. 67).

Pela relevância tópica, vale a pena considerar brevemente os dois interesses


reservados ao bom funcionamento de qualquer sistema monetário: confiança e
valor, que devem ser enfatizados antes de se estabelecer qualquer plano desen-
volvido para criar uma forma de dinheiro.

Uma questão-chave para o bom funcionamento de qualquer sistema mone-


tário é a confiança, e a história está repleta de exemplos do que os economistas
chamam de oferta monetária comum, em vez de oferta legítima sancionada pelo
Estado, ou seja, um método de pagamento universalmente aceito que não é apli-
cado pela lei estadual, de modo que o poder estatal não é, de forma alguma, a
única fonte de confiança no dinheiro. No final, moeda é qualquer coisa que as
pessoas acreditam que pode ser aceita por outras pessoas por qualquer motivo.

O histórico da moeda também mostra que há resistência à rápida adoção de


qualquer nova moeda, por mais atraente que pareça. Aliás, o viés conservador do
ambiente de mercado tem sido um sério obstáculo à introdução do dinheiro ele-
trônico. No entanto, a inércia não se trata de criar algum tipo de obstáculo intrans-
ponível. Pelo contrário, à medida que o volume de comércio continua a crescer,
parece quase inevitável que vários novos métodos de pagamento no ciberespaço
também surjam como reconhecimento e confiança.

A confiança em novas moedas virtuais pode ser significativamente aumen-


tada, inclusive por meio de programas de marketing e tecnologias de publicidade
inteligente. Mais importante ainda, o sucesso da inovação monetária dependerá
da criatividade das organizações emissoras em emitir moedas bem estruturadas,
de forma a incentivar a sua aceitação e, portanto, a confiança do mercado.

78
Capítulo 2 OS ASPECTOS ECONÔMICOS E FINANCEIROS DOS
CRIPTOATIVOS

1 A respeito das classificações dos atributos dos sistemas monetá-


rios que relacionam características comparativas entre ouro, pa-
pel-moeda e bitcoin, assinale a alternativa CORRETA:

a) Durabilidade; Divisibilidade; Maleabilidade; Homogeneidade; Ofer-


ta; Dependência de terceiros fiduciários.
b) Durabilidade; Indivisibilidade; Maleabilidade; Homogeneidade;
Oferta; Dependência de terceiros fiduciários.
c) Durabilidade; Divisibilidade; Maleabilidade; Sustentabilidade; Ofer-
ta; Dependência de terceiros fiduciários.
d) Durabilidade; Divisibilidade; Impermeabilidade; Homogeneidade;
Oferta; Dependência de terceiros fiduciários.

Caro aluno, para encerrarmos os estudos deste capítulo, segue


a indicação do artigo: Criptomoedas: impactos na economia global.
Perspectivas, de Ricardo Luiz Sichel e Sidney Rodrigues Calixto.
Aproveite essa excelente indicação de leitura! Disponível em:
[Link]
ad/33096/26015.

79
CriPToATiVoS

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES
Prezado aluno, chegamos ao final do segundo capítulo de nosso livro de es-
tudos. Ao longo deste capítulo, abordamos temas de grande relevância relacio-
nados aos impactos econômicos dos criptoativos, seu potencial como meio de
pagamento e, finalmente, os fatores que afetam os níveis de confiança, garantias
e muito mais.

Embora o impacto atual das criptomoedas no sistema monetário mundial


seja mínimo, as possibilidades futuras apontam para uma situação em que o uso
de criptomoedas pelas pessoas pode levar a um declínio no poder do Banco Cen-
tral de influenciar a demanda pela moeda do país, questionando a necessidade
de um Banco Central.

O potencial para reduções significativas nos custos de transação, especial-


mente com os benefícios de oportunidade de absorver taxas de pagamento de
terceiros e agilizar as operações, pode aumentar a demanda por moedas virtuais.
Em um futuro próximo, isso fará das criptomoedas um concorrente direto das mo-
edas nacionais. À medida que seu uso em um determinado país aumenta, a moe-
da nacional desse país deixa de ser a referência para a determinação dos preços,
e o papel do Banco Central na política monetária será afetado.

Instituições financeiras, empresas no geral, investidores e governos já de-


monstraram grande interesse em tais investimentos. Seja sua intenção ficar rico
ou alertar sobre uma possível bolha financeira, a maioria das pessoas já aceita
o bitcoin, e isso terá um grande impacto na economia. Além de ser um meio de
pagamento, as empresas usam criptomoedas para agregar valor ao seu portfólio
de produtos.

A compreensão dos aspectos técnicos das criptomoedas e suas perspectivas


futuras para seu uso revelam a relativização do paradigma da confiança monetá-
ria limitado aos agentes de segurança centralizados e reforçam a busca contínua
pela existência, reduzindo os custos de transação, que tornam as transações vo-
luntárias difíceis ou impossíveis até certo ponto. Assim, o desenvolvimento das
atuais tecnologias e redes digitais descentralizadas permite criar as moedas virtu-
ais sem um intermediário centralizado para supervisionar.

A aplicação dos criptoativos ajuda a desenvolver ainda mais o valor de mer-


cado livre, pois os preços das moedas são determinados por operações de mer-
cado aberto, assim como o preço de qualquer outra mercadoria, sem intervenção
direta de governos e interesses nacionais.

80
Capítulo 2 OS ASPECTOS ECONÔMICOS E FINANCEIROS DOS
CRIPTOATIVOS

Em geral, os criptoativos conquistaram o mercado e os investidores, só pre-


cisamos entender a prontidão para usar tais ativos. Levará algum tempo para a
aceitação e a confiança do público serem construídas, mas, com certeza, as em-
presas precisam continuar mudando para acomodar essa forma de troca no mun-
do digital.

O uso dos criptoativos em grande escala ainda é muito limitado devido aos
problemas institucionais e de infraestrutura em muitos países, mas também é am-
plamente afetado pela desinformação daqueles que associam criptomoedas a ati-
vidades criminosas e não entendem a tecnologia que está envolvida nessas ope-
rações. Assim, no nosso próximo capítulo, discutiremos os fatores de risco que
permeiam as oportunidades de investimentos e os potenciais crimes relacionados
ao mercado dos criptoativos.

81
CriPToATiVoS

REFERÊNCIAS
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82
Capítulo 2 OS ASPECTOS ECONÔMICOS E FINANCEIROS DOS
CRIPTOATIVOS

HAYEK, F. A. Desestatização do dinheiro. São Paulo: Instituto Ludwig Von


Mises Brasil, 2011.

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MENEZES, M. Moedas locais: uma investigação exploratória sobre seus


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ULRICH, F. Bitcoin: a moeda na era digital. São Paulo: Instituto Ludwig Von
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83
CriPToATiVoS

84
C APÍTULO 3
O MERCADO DE CRIPTOATIVOS

A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes


objetivos de aprendizagem:

 Identificar os tipos e as classificações dos criptoativos.


 Compreender as modalidades de operações no mercado de criptoativos.
 Entender os riscos envolvidos nas operações de criptoativos.
 Perceber as práticas criminosas relacionadas aos criptoativos.
CriPToATiVoS

86
Capítulo 3 O MERCADO DE CRIPTOATIVOS

1 CONTEXTUALIZAÇÃO
Quando se trata de dinheiro, há sempre um elemento de risco envolvido.
Qualquer investimento pode resultar em perda. Mesmo situações simples de ar-
mazenamento de dinheiro estão sujeitas à inflação de valor. Embora o risco não
possa ser completamente eliminado, ele pode ser ajustado de acordo com os ob-
jetivos de investimento específicos de cada um.

A crescente popularidade da tecnologia blockchain, a crescente demanda


por soluções envolvendo criptoativos e a era da digitalização do dinheiro estão
criando desafios para o mercado contemporâneo. A vulnerabilidade das empresas
face às novas formas de crimes financeiros ligados à criptoeconomia reflete a
necessidade de garantir mecanismos de compliance e identificação de riscos.

Os criptoativos estão crescendo em popularidade. É quase diário ver rela-


tos de alguém investindo em bitcoin e eventualmente se tornando um milioná-
rio. Cada vez mais as empresas passam a se inserir nesse mercado, comprando
grandes quantidades de criptoativos, considerando uma possível valorização.

A identificação dos fatores de risco nos permite entender suas origens diante
das incertezas em circunstâncias imprevistas, como crises econômicas e mudan-
ças nas regras de funcionamento, não apenas em nosso país, mas também nos
movimentos econômicos globais. Entende-se que a incerteza geralmente aceita
no mercado financeiro tem impacto direto no investimento, reconhecer que o ris-
co é inerente ao ecossistema de gestão de uma empresa requer monitoramento
contínuo semelhante a outros processos, pois seu monitoramento pode converter
a negatividade do risco em oportunidades que agregam valor aos produtos e ser-
viços prestados.

Assim, a gestão de risco é uma estratégia fundamental na comunidade de


investimentos. Basicamente, risco é a possibilidade de um investimento não ter
o retorno esperado, ser afetado por variáveis de mercado ou até mesmo incorrer
em perdas. Considerando que nenhum ativo é isento de riscos, os investidores
precisam estar preparados para enfrentar as incertezas e as ameaças do merca-
do antes de investir seu dinheiro. Por isso, detalharemos como funciona a gestão
de riscos e a importância de conhecer certos conceitos.

Como vimos no capítulo anterior desta disciplina, os criptoativos exercem um


impacto significativo em nosso ambiente socioeconômico e passam a desafiar os
modelos tradicionais de relações de troca econômica e financeira de várias ma-
neiras. Dessa forma, estudaremos neste capítulo temas pertinentes aos tipos e
às classificações dos criptoativos, as principais modalidades de negociações, os

87
CriPToATiVoS

riscos que envolvem as negociações e, por fim, os crimes mais corriqueiros rela-
cionados ao mercado de criptoativos.

Bons estudos!

2 OS TIPOS E AS CLASSIFICAÇÕES
DOS CRIPTOATIVOS
A capacidade de obter informações consistentes sobre ativos digitais é fun-
damental para empresas, clientes e reguladores, que podem contar com uma
maior transparência das transações e uma abordagem unificada à eficiência e à
confiabilidade do mercado. Os esforços para classificar ativos de forma padroni-
zada é um tema familiar nos mercados financeiros, e existem variados mecanis-
mos envolvidos, como a Classificação de Instrumentos Financeiros, comumente
conhecida como código CFI, que é um padrão internacional aprovado pela Inter-
national Organization for Standardization (ISO).

Um esquema de classificação de token ajuda a entender os tipos de ativos


criptográficos que uma pessoa está comprando e os tipos de riscos associados a
esses ativos. Dessa forma, uma classificação possível é considerar pelo menos
três tipos de criptoativos, dependendo da finalidade para a qual são utilizados. A
Receita Federal do Brasil considera a classificação dos tipos de criptoativos con-
forme detalhado na figura a seguir.

Figura 1 – Classificação dos criptoativos

Fonte: [Link]
no-exterior/. Acesso em: 24 jun. 2022.

As criptomoedas ou coins são a espécie mais semelhante às moedas no


sentido tradicional. As criptomoedas, por sua vez, são geradas e negociadas por
meio de criptografia, e todo o seu registro ocorre em uma arquitetura blockchain,
sem a intervenção de entidades estatais, assim como as moedas soberanas. No

88
Capítulo 3 O MERCADO DE CRIPTOATIVOS

entanto, é nesse ponto que surge uma das discussões mais acaloradas sobre a
natureza dos criptoativos. Quanto a sua natureza econômica, a discussão gira em
torno de três propriedades associadas às moedas tradicionais, a saber: meio de
troca, unidade de conta e reserva de valor.

Um dos pontos de discussão quanto à natureza dos criptoati-


vos (notadamente da espécie coin), e quanto a sua viabilidade
para fazer as vezes de uma moeda no sentido tradicional, é
a sua vinculação a algum outro determinado ativo, ou seja, a
existência de lastro. Não há, no caso dos criptoativos, do tipo
coin [...], sequer a vinculação à crença no resgate por parte de
um poder estatal (TRINDADE; VIEIRA, 2020, p. 889).

Uma criptomoeda é um ativo criptografado usado para transações financeiras


virtuais que podem ser negociadas em qualquer lugar do mundo. É por isso que
também são chamadas de moedas digitais ou virtuais. Apesar de toda cripto-
moeda ser uma moeda digital, nem toda moeda digital é uma criptomoeda.

Existem mais de 5.000 criptomoedas em circulação ao redor do mundo, com


60% das transações concentradas em bitcoin. Além disso, as mais populares são:

• Bitcoin cash.
• Ethereum.
• Ripple.
• Litecoin.
• Peercoin.

Podemos perceber, por meio da figura a seguir, o volume capitalizado no mer-


cado das principais criptomoedas. O destaque é para o bitcoin, que possui um vo-
lume de capitalização cerca de 177% maior do que a segunda moeda do ranking.

89
CriPToATiVoS

Figura 2 – Criptomoedas por capitalização de mercado

Fonte: [Link] Acesso em: 24 jun. 2022.

Existem cerca de 6 mil tipos de criptoativos no mercado. Podemos observar


os principais relacionados a seguir:

• Finanças Descentralizadas (DeFi): corresponde a criptoativos que re-


presentam os serviços financeiros sem a necessidade de intermediários.
• NFTs: criptoativos colecionáveis que representam ativos tangíveis e in-
tangíveis, como arte, itens de videogame, música, vídeos, carros e imó-
veis. Atualmente, o blockchain mais usado para criar NFTs é o Ethereum.
• Web3: criptoativos que devolvem a propriedade dos dados aos usuários,
tentando, assim, facilitar uma internet descentralizada sem grandes inter-
mediários tecnológicos.
• Stablecoins: criptomoedas lastreadas em ativos estáveis, controlando
a volatilidade. Eles podem ser atrelados a moedas fiduciárias, a metais
preciosos ou a commodities.
• Web3: criptoativos que devolvem a propriedade dos dados aos usuários,
tentando facilitar uma internet descentralizada sem grandes intermediá-
rios tecnológicos.

Sobre os NFTs, os conhecidos token não fungíveis, apresentaremos a seguir


um maior detalhamento sobre as suas principais modalidades:

90
Capítulo 3 O MERCADO DE CRIPTOATIVOS

Security Token

Os chamados security tokens são aqueles tokens que representam


um investimento, uma parte de um negócio (semelhante a uma ação), uma
participação em um projeto e, portanto, são teoricamente regulamentados pelas
autoridades responsáveis para os mercados de capitais.

Eles são o tipo de token que mais se aproxima até mesmo de incorporar
um título e, como tal, as maiores discussões sobre a incidência de necessidades
regulatórias e até mesmo os marcos regulatórios existentes recaem sobre esse
tipo. No entanto, os tokens de utilidade também podem ser objeto de eventuais
transações no mercado secundário.

Potenciais compradores do token podem fazê-lo para negociar os direitos de


posse, aparentemente contando com a possibilidade de um resultado financeiro
positivo de tal operação no futuro. Portanto, em tese, esse tipo de token pode
atender à definição de um título, o que constituiria um pressuposto da incidência
de regras regulatórias, no caso do Brasil, as regras da Comissão de Valores Mo-
biliários (CVM).

Utility Token

O utility token é considerado uma unidade de serviço ou de utilidade. Tam-


bém conhecido como moeda de aplicativo, é por definição projetado não como um
investimento, mas como uma forma de acessar um serviço e utilitários ou ainda
como uma licença de uso.

Projetos com alta necessidade de infraestrutura podem utilizar esse tipo de


token para aproveitar o custo compartilhado de seus servidores ou simplesmente
organizar o acesso a uma determinada blockchain. Além disso, é importante res-
saltar que os tokens de utilidade podem ser considerados, a grosso modo, uma
categoria residual para situações que não se enquadram nas categorias citadas
pelo security tokens.

Initial Coin Offering (Ico)

Após considerar as propriedades da arquitetura blockchain, bem como o con-


ceito, a classificação e as principais características dos criptoativos que aborda-
mos ao longo dos capítulos, é importante avaliarmos os mecanismos de criação e
emissão dos criptoativos. O mecanismo utilizado para esse fim é a chamada ofer-
ta inicial de moedas ou ICO, semelhante ao tradicional processo de oferta pública
inicial ou IPO, pelo qual as empresas passam a emitir ações na bolsa de valores,
ou seja, quando abrem seu capital social.

91
CriPToATiVoS

Podemos considerar uma ICO como uma angariação de fundos pública em


troca da emissão de ativos virtuais, também conhecidos como tokens ou moedas,
em benefício do público investidor, que contém informações semelhantes sobre
o projeto. Como os prospectos são obrigatórios em um IPO, eles não são ne-
cessariamente técnicos. Normalmente, utiliza-se um white paper, que se destina
apenas a esclarecer a finalidade do financiamento e o projeto a ser financiado,
enquanto um prospecto de IPO tem a obrigação de esclarecer os fatores de risco
e as perspectivas de rentabilidade do investimento para cumprir as regras rígidas
da Comissão de Valores Mobiliários.

No vídeo indicado no link a seguir, podemos complementar nos-


so entendimento sobre as diferenças entre criptomoedas e tokens:
[Link]

1 De acordo com a Receita Federal do Brasil, os criptoativos são


classificados em três tipos. Nesse sentido, classifique V para as
afirmativas verdadeiras e F para as falsas:

( ) Bitcoin – BTC.
( ) Outros criptoativos.
( ) Ações no geral.
( ) Outros criptoativos não considerados como criptomoedas.

Assinale a alternativa CORRETA:


a) F – V – V – V.
b) V – F – V – F.
c) V – V – F – V.
d) V – V – F – F.

92
Capítulo 3 O MERCADO DE CRIPTOATIVOS

3 FUNCIONAMENTO DAS
OPERAÇÕES COM CRIPTOATIVOS
O conceito de negociação é frequentemente usado para se referir à nego-
ciação de curto prazo, em que os traders entram e saem ativamente de posições
em um período de tempo relativamente curto. Nesse caso, a negociação pode se
referir a muitas estratégias diferentes, como day trade, swing trade, trade de
tendências etc.

A análise fundamental é um método de precificação de ativos financeiros. Os


analistas fundamentais estudam fatores econômicos e financeiros para determi-
nar se o valor de um ativo é justo, isso pode incluir condições macroeconômicas,
como condições gerais de condições econômicas, industriais ou comerciais, es-
pecíficas ou associadas ao ativo. Esses fatores são normalmente rastreados e
avaliados usando indicadores macroeconômicos avançados e atrasados.

Depois que a análise fundamental é feita, os analistas tentam determinar se


um ativo está subvalorizado ou supervalorizado. Os investidores podem usar os
resultados dessa análise para tomar decisões de investimento. Mesmo que a aná-
lise fundamentalista seja amplamente utilizada no mercado cotidiano de ações, é
menos adequada para o perfil das criptomoedas. Não existe uma estrutura padro-
nizada e claramente definida para determinar e avaliar uma previsibilidade dessa
modalidade de ativo. Além disso, o mercado de criptomoedas é diretamente in-
fluenciado pela especulação e narrativa.

Portanto, os fatores fundamentais geralmente têm um impacto insignificante


no caso dos preços das criptomoedas, mas, à medida que o mercado amadurece,
métodos de avaliação de criptoativos mais precisos podem ser desenvolvidos.

A análise técnica de um determinado ativo pode incluir o comportamento de


preço e volume, padrões de gráficos, uso de indicadores técnicos e muitas outras
ferramentas de gráficos. O objetivo desta análise é avaliar a força ou a fraqueza
de um mercado.

A análise técnica não se trata somente de um instrumento para simular com-


portamentos futuros dos preços de um determinado ativo. Dessa forma, a análise
técnica possibilita uma estrutura para analisar os potenciais movimentos do mer-
cado, ela pode definir e medir melhor o gerenciamento de comércio. Assim, medir
o risco é o primeiro passo no gerenciamento de risco e a análise técnica passa a
ser a principal estratégia e é aplicada por grande parte dos traders de criptoativos.

93
CriPToATiVoS

Caro aluno, o link a seguir apresenta as principais diferenças


entre a análise fundamentalista e a análise técnica: [Link]
[Link]/watch?v=owWVs7Zdr5s.

Assim, pode haver fatores fundamentais, como as condições econômicas.


Além disso, pode haver fatores técnicos, como a capitalização de mercado das
criptomoedas. Alternativamente, outros fatores, como o sentimento do mercado
ou notícias recentes, podem ser considerados.

A determinação do preço de um ativo em um dado momento é apenas o


equilíbrio entre oferta e demanda. Dessa forma, uma tendência de mercado re-
flete no direcionamento dos preços de um ativo. Assim, a análise técnica por
meio da ação do preço, as médias móveis e as linhas de tendência são usadas
frequentemente para perceber as tendências do mercado.

No artigo Médias móveis: saiba como funcionam e como utilizar


este indicador, presente no link a seguir, podemos compreender mais
a fundo o conceito e a aplicabilidade desse indicador de análise: ht-
tps://[Link]/onde-investir/medias-moveis-saiba-co-
mo-funcionam-e-como-utilizar-este-indicador/.

De um modo geral, existem dois tipos principais de tendências de mercado:


de alta e de baixa. Um mercado em alta tem uma tendência de alta persistente,
em que os preços continuam subindo. Um mercado em baixa é uma tendência
de queda sustentada, em que os preços continuam caindo. Além disso, também
podemos identificar mercados consolidados ou “de lado”, que não possuem uma
tendência direcional clara.

Vale a pena notar que uma tendência de mercado não significa que os preços
estão sempre se movendo na direção da tendência. Um mercado com tendência
de alta de longo prazo conterá uma tendência de baixa menor e vice-versa. Essa
é a natureza das tendências do mercado, é uma questão de perspectiva, pois

94
Capítulo 3 O MERCADO DE CRIPTOATIVOS

tudo depende do período de tempo considerado. As tendências de mercado em


prazos mais longos são sempre mais importantes do que as tendências de merca-
do em prazos mais curtos.

O mercado se movimenta em ciclos, porém, jamais saberemos em que está-


gio certamente esse ciclo se encontra. Essa percepção só será possível a partir
da finalização desse determinado período de tempo. Aliás, o início e o fim dos
períodos cíclicos jamais estão expressados claramente.

No contexto dos mercados financeiros, os ativos negociados em uma tran-


sação são chamados de instrumentos financeiros. Por sua vez, podem ser ações,
títulos, pares de moedas no mercado de forex, opções, futuros, produtos de mar-
gem, criptomoedas etc.

A dinâmica do mercado de forex poderá ser compreendida de


forma mais detalhada no vídeo indicado no link a seguir: [Link]
[Link]/watch?v=A388V251kMM.

O mercado de forex é onde os comerciantes podem trocar moedas de di-


ferentes países. Basicamente, é o mercado de câmbio que determina a taxa de
câmbio das moedas ao redor do mundo. Podemos pensar em moedas como ati-
vos para complementar a diversificação de carteiras de investimento e buscar um
certo “porto seguro”. Mesmo o termo stablecoin deveria, em teoria, implicar que
o ativo é um pouco imune à volatilidade. No entanto, embora isso seja verdade
até certo ponto, as moedas também podem experimentar uma volatilidade signi-
ficativa do mercado. O valor de uma moeda também é determinado pela oferta e
demanda. Além disso, esses valores também podem ser afetados pela inflação ou
outras forças de mercado ou fatores geopolíticos relacionados ao comércio e ao
investimento global.

3.1 DAY TRADE


O day trade é uma negociação que possui os mesmos documentos, inicia e
termina no mesmo dia. Pode durar horas ou até minutos. Por serem operações de
curtíssimo prazo, exigem total atenção e dedicação dos investidores. Day trade
com ações é comum no mercado, mas alguns investidores aplicam esse mesmo
tipo de negociação a opções, contratos futuros ou criptomoedas.

95
CriPToATiVoS

Quem faz day trade não tem interesse em acompanhar o desenvolvimento da


empresa ao longo do tempo, pois compra ações para se tornar sócio da empresa.
Na verdade, o objetivo é lucrar com as mudanças do dia a dia em cada jornal.
Nesse caso, a volatilidade é uma característica de mercado que os investidores
buscam capitalizar para obter ganhos. É diferente de outro tipo de estratégia mais
comum no mercado, como o swing trade. Nesse caso, o objetivo do investidor é
negociar na bolsa de valores no curto ou médio prazo.

As operações especulativas de curto prazo, como a negociação intradiária,


envolvem certos riscos. O principal motivo são eventos inesperados no meio do
pregão, notícias da empresa, mudanças de governo e até desastres naturais, que
acabam fazendo com que o mercado se mova na direção oposta do esperado.

Esse estilo é claramente uma estratégia de negociação muito ativa. Pode ser
muito lucrativo, mas também traz muitos riscos. Portanto, o day trade geralmente
é melhor para traders experientes.

3.2 SWING TRADE


Na negociação de swing trade, o investidor ainda está tentando lucrar com
uma tendência de mercado, mas em um período de tempo mais longo, as posi-
ções geralmente são mantidas por dias e até por meses. Em geral, o objetivo é
identificar ativos que parecem estar subavaliados e com expectativa de valoriza-
ção. Você então compraria o ativo e o venderia quando o preço subir, obtendo lu-
cro. Por outro lado, você pode tentar encontrar ativos supervalorizados que prova-
velmente diminuirão de valor. Então, você os venderia a um preço alto, esperando
comprá-los de volta a um preço mais baixo. Assim como no day trade, muitos
swing trades usam análise técnica. No entanto, a análise fundamental também
pode ser uma ferramenta valiosa, pois suas estratégias se desenvolvem em pe-
ríodos de tempo mais longos.

Swing trade geralmente é uma estratégia melhor para iniciantes. Principal-


mente porque não tem a pressão inerente ao ritmo acelerado do day trade. O day
trade é caracterizado pela rápida tomada de decisões e observação constante
do mercado, enquanto o swing trade permite que você pense com mais calma e
reserve um tempo para tomar decisões.

3.3 POSITION TRADE


A negociação de position (tendência) é uma estratégia de longo prazo, em
que os investidores compram ativos para manter por longos períodos de tempo.

96
Capítulo 3 O MERCADO DE CRIPTOATIVOS

O objetivo é obter lucro vendendo esses ativos a preços mais altos no futuro. A
diferença entre um trader de position e um trader de swing de longo prazo é a
lógica por trás da criação de uma posição de negociação. Os traders de position
estão cientes das tendências que podem ser observadas por um longo período de
tempo, eles tentarão lucrar considerando a direção geral do mercado. Os traders
de swing, por outro lado, geralmente procuram prever oscilações de mercado que
não estão necessariamente relacionadas a tendências gerais mais amplas.

É relativamente comum que os traders de position optem pela análise fun-


damental, porque sua preferência de tempo permite que eles observem eventos
fundamentais que estão ocorrendo, isso não quer dizer que a análise técnica não
seja usada. Enquanto os traders de position trabalham assumindo que a tendên-
cia continuará, o uso de indicadores técnicos pode alertá-los para a possibilidade
de uma reversão de tendência. Como a negociação de swing, a negociação de
posição é uma estratégia amigável para iniciantes. O horizonte de longo prazo
oferece ampla oportunidade para refletir sobre suas decisões.

3.4 SCALPING
Das estratégias que abordamos até aqui, o scalping leva em consideração
os prazos mais curtos. Os investidores tentam lucrar com pequenas oscilações
de preços, muitas vezes entrando e saindo de posições em minutos ou até em
segundos. Na maioria dos casos, eles usam a análise técnica para tentar prever
os movimentos de preços e aproveitar os spreads de compra e venda e outras
ineficiências para lucrar.

Devido ao curto prazo, as negociações de scalping geralmente geram uma


pequena porcentagem de lucro, via de regra, menos de 1%, mas o scalping é
como um jogo de números, então, pequenos lucros recorrentes podem se acumu-
lar ao longo do tempo, proporcionando lucros substanciais.

O scalping não é de forma alguma uma estratégia para iniciantes. Para


negociar com sucesso o scalping, um trader deve ter uma sólida compreensão
dos mercados, plataformas de negociação e análise técnica. Dito isso, identificar
os padrões certos e aproveitar a volatilidade de curto prazo pode ser uma estraté-
gia muito lucrativa para os traders que sabem o que estão fazendo.

97
CriPToATiVoS

No link a seguir, podemos ampliar nosso entendimento sobre as


modalidades de operações no mercado, bem como suas finalidades:
[Link]

3.5 VOLATILIDADE DOS


CRIPTOATIVOS
Na prática, a volatilidade é um medidor das variações de um ativo. Por exem-
plo, quando se diz que um ativo tem alta volatilidade, significa que seu preço muda
muito e pode cair ou subir muito rapidamente. Mais detalhadamente, trata-se de
um conceito específico dos mercados financeiros: é uma variável que analisa a
velocidade, a força e a frequência das mudanças nos preços dos ativos em um
determinado período.

De acordo com a literatura financeira, a volatilidade pode ser definida pela


magnitude da variação do preço de um determinado ativo financeiro, refletindo o
nível de variação do preço ao longo de um período de tempo. Portanto, um ativo
com alta volatilidade significa que o preço do ativo apresenta alta volatilidade no
mercado, representando alto risco para os investidores. (VICENTE et al., 2012).

As bolsas de valores são um dos melhores exemplos de volatilidade. Os pre-


ços das ações sobem e descem todos os dias, e essa mudança é influenciada
por fatores, como oferta e demanda, desempenho financeiro corporativo, crises
políticas, econômicas e militares, notícias e até rumores. Entender esse conceito
é importante para criar cenários com diferentes ativos, prever tendências, altas ou
baixas, e poder se prevenir. Para os investidores em particular, é importante en-
tender como equilibrar os altos e baixos e, principalmente, os riscos ao escolher
onde investir seu dinheiro.

Não é à toa que os especialistas dizem para considerar sua tolerância ao


risco antes de entrar no mundo das moedas digitais. O mercado de criptomoe-
das é altamente volátil, dito isso, para investir nele, sua disposição para assumir
riscos financeiros deve ser maior. As criptomoedas mudam constantemente suas
cotações, algumas moedas digitais podem subir 10% em uma hora e cair 20% em
outra. Por exemplo, outras moedas consideradas mais estáveis podem ganhar
apenas 2% em uma hora.

98
Capítulo 3 O MERCADO DE CRIPTOATIVOS

A volatilidade do preço do bitcoin decorre, em partes, da falta de regulado-


res, ou seja, os bancos centrais de preços regulares em mercados amplos, assim
como as moedas nacionais. Nesse sentido, usar o bitcoin como unidade de conta
apresenta grandes dificuldades, pois a volatilidade diária exige que os preços das
commodities sejam apresentados continuamente (YERMACK, 2013; CARVALHO
et al., 2017).

O vídeo indicado no link a seguir apresenta os fatores que mais


influenciam a volatilidade dos criptoativos: [Link]
watch?v=G9VU-KbH9ss.

Um dos maiores exemplos de volatilidade, como vimos, é o bi-


tcoin, a primeira e mais importante criptomoeda do mundo. As moe-
das digitais experimentaram uma volatilidade de preços muito alta, o
que ainda acontece regularmente. Quando foi lançado em 2008, um
bitcoin valia alguns centavos. De 2009 a 2011, a valorização foi de
impressionantes 30.000%. Em dezembro de 2017, um bitcoin valia
R$ 64.000 reais. Um ano depois, em dezembro de 2018, caiu para
cerca de R$ 12 mil reais. Houve muitos altos e baixos desde então e,
atualmente, no momento em que este texto é escrito (maio de 2022),
um bitcoin vale cerca de R$ 192.000.

Enquanto evoluímos em nossos estudos, provavelmente, o va-


lor desse ativo já deva ter sofrido inúmeras variações. Para aqueles
que não têm apetite para um choque repentino, esta montanha-russa
pode ter um preço. Isso pode acontecer, por exemplo, se a pessoa
vender sua criptomoeda desvalorizada, ou seja, com prejuízo. Os lu-
cros, por outro lado, podem ser benéficos à medida que o ativo se
valoriza. A dica é começar com um pequeno investimento e estudar
bastante antes de qualquer decisão.

99
CriPToATiVoS

O preço das criptomoedas é basicamente determinado pela


oferta e demanda durante o período de negociação. Se as pessoas
sentirem que as criptomoedas são inseguras ou muito desvaloriza-
das, muitas venderão suas moedas e os preços cairão ainda mais.
Por outro lado, se uma criptomoeda parecer atraente, muitas pes-
soas desejarão comprá-la à medida que o valor aumentar, e esse
movimento aumentará ainda mais o preço. Até mesmo notícias da
mídia ou tweets de pessoas envolvidas podem influenciar esse com-
portamento. Ainda assim, bitcoin e outras criptomoedas se tornaram
uma forma de investimento.

Em outras palavras, as pessoas compram criptomoedas a um


determinado preço com a expectativa de vendê-las mais caras no
longo prazo. Se uma criptomoeda for negociada em grandes volu-
mes, sua volatilidade tenderá a ser maior. Tudo pode mudar de re-
pente, então, o bitcoin é um ativo altamente volátil, assim como ou-
tras criptomoedas, como Ethereum (ETH), Tether (USDT), Binance
Coin (BNB) etc.

Muitos fatores contribuem para a alta volatilidade das criptomo-


edas. Alguns deles são:

• Mercado novo: por ser um mercado bastante emergente,


ainda gera muita especulação, estranheza e desconfiança. Pri-
meiramente, é preciso fazer as pessoas compreenderem que
o uso das criptomoedas é totalmente digital e não físico. Em
outras palavras, as criptomoedas só existem na internet. Com
essa compreensão, que ainda vai levar um tempo, certamente
elas se sentirão mais seguras para realizar negociações.
• Impacto midiático: comparada a outros mercados, a mídia
exerce forte influência sobre os movimentos cambiais justa-
mente por ser ainda um campo emergente. Dito isso, muitos
investidores iniciantes obtêm suas informações por meio de
portais ou até influenciadores digitais, em vez de aprender a
tomar suas próprias decisões. Um exemplo da ocorrência des-
se fator é quando o mercado apresenta um comportamento
adverso com notícias nem sempre confiáveis ou ainda apenas
esperadas. Todo esse movimento causado pela desinforma-
ção tende a levar a flutuações indesejadas.

100
Capítulo 3 O MERCADO DE CRIPTOATIVOS

• Concentração de ativos: o mercado de criptomoedas ain-


da está concentrado nas mãos de poucos. Dito isso, a maio-
ria das negociações é conduzida por um pequeno grupo de
compradores. Dessa forma, os preços são afetados pelos mo-
vimentos dessas carteiras. Para controlar a volatilidade, você
precisa fazer com que mais pessoas negociem criptomoedas
para que o mercado fique mais equilibrado.

Quando empolgadas com as altas de curto prazo de um deter-


minado criptoativo, muitas pessoas entram no mercado apenas para
obter lucros de curto prazo. Quando percebem que não é assim que
funciona, elas saem o mais rápido possível, afetando bastante a vo-
latilidade dos preços. Portanto, o ideal é estudar a região e conside-
rar esse ativo financeiro para objetivos de longo prazo.
Ao contrário do mercado de ações, que está ativo apenas du-
rante o horário de negociação, o mercado de criptomoedas não fica
inativo. Funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana. Esse fator
afeta diretamente o preço das moedas digitais, pois as pessoas es-
tão movimentando ativos o tempo todo sem descanso. Existem mais
de 19.000 criptomoedas em circulação no mundo hoje, mas como
distinguir entre criptomoedas boas e ruins? Fique atento aos sinais
antes de comprar e decida se vale a pena investir seu dinheiro em
um projeto de criptomoeda específico.
A seguir, veremos alguns fatores importantes para investir.
O volume de negociação está relacionado à compra e à venda
de criptomoedas. Por meio dele, além de ficar atento aos sinais de
movimentação do preço da moeda, também é possível aferir o entu-
siasmo de compradores e vendedores. Nada mais é do que a quan-
tidade de moeda negociada em um determinado período. O volume
pode ser medido diária, semanal ou mensalmente.
A falta de liquidez das criptomoedas é um grande problema. A
liquidez é a capacidade de um investimento lucrar, portanto, está re-
lacionada ao valor e ao nível de interesse de compradores e vende-
dores e às transações entre eles. Imagine ser incapaz de vender ou
comprar criptomoedas devido à falta de vendedores ou comprado-
res? Isso é ruim para os investidores e o mercado de criptomoedas
como um todo.

Fonte: [Link]
Acesso em: 4 ago. 2022.

101
CriPToATiVoS

3.6 O PREÇO DO BITCOIN, OFERTA E


DEMANDA
Estimado aluno, como já falamos ao longo dos nossos estudos, não con-
seguimos falar de criptoativos sem abordar o bitcoin. Em 5 de outubro de 2009,
nove meses após o início da operação da rede, foi divulgado o primeiro registro
público do preço de venda dos bitcoins oferecidos. Um total de 13% de bitcoins,
ou 1.309,03 bitcoins por dólar, calculado pela ofertante com base em seus custos
variáveis de mineração.

Alguns meses depois, em maio de 2010, uma pizza foi vendida por 10.000
bitcoins, o equivalente a US$ 25 na época, mas, na realidade, não foi o negócio
real, pois o comprador transferiu os 10.000 BTC para um terceiro, que fez a com-
pra com cartão de crédito na pizzaria. Ainda assim, a compra estabeleceu um
recorde para o preço de 1 bitcoin na época, ou 4 BTC%. Foi somente em 17 de
julho de 2010 que a primeira transação foi registrada na bolsa [Link], na qual o
bitcoin estava sendo negociado a US$ 0,05. A partir desse momento, novas tran-
sações começaram e o processo de descoberta do preço do bitcoin ganhou cada
vez mais atenção e volume de negociação.

Em 2013, um bitcoin foi cotado acima de US$ 1.000 e, atualmente, está sen-
do negociado logo abaixo desse nível. O bitcoin é caro ou barato? Não sabemos
dizer. A verdade é que ninguém sabe. A questão não é se 1 BTC vale US$ 1.000
ou US$ 30, mas que uma unidade de bitcoin tem preço acima de zero, o que é
surpreendente por si só.

O simples fato de as moedas digitais terem um preço e ser usado por indi-
víduos em exchanges é uma conquista por si só. O preço do bitcoin em relação
a outras moedas, ou melhor, seu preço, é algo que o mercado está descobrindo
e não podemos prever sua evolução. Mesmo do lado da demanda, não sabemos
como será, pelo menos do lado da oferta, não ficaríamos surpresos com um au-
mento repentino no número de bitcoins em circulação.

É claro que a alta volatilidade que ocorreu em determinados momentos nos


últimos dois anos complicou a vida dos usuários de bitcoin e talvez facilitou para
os especuladores. Quanto mais indivíduos aderirem e usarem uma determinada
moeda, mais líquida ela se tornará. Quanto mais liquidez houver, menor será sua
volatilidade e aceitação de mercado. No entanto, maior liquidez não significa ne-
cessariamente preço mais alto.

102
Capítulo 3 O MERCADO DE CRIPTOATIVOS

Alguns dizem que o comportamento do bitcoin é apenas o de uma nova bo-


lha que vai estourar em breve, levando os investidores às ruínas, mas a bolha
especulativa em si não foi um fator importante no desenvolvimento e no futuro do
bitcoin. Um clássico exemplo foi o ‘estouro da bolha PontoCom’ no início dos anos
2000, e que não significou o fim da internet.

No artigo indicado no link a seguir, podemos entender o ‘estouro


da bolha PontoCom’: [Link]

Por fim, até certo ponto, o preço de uma unidade de bitcoin é irrelevante,
pois a questão central é que as moedas digitais possuem vantagens comparativas
reais, proporcionando excelentes serviços de pagamento e reduzindo bastante os
custos e os processos de transação.

No vídeo indicado no link a seguir, podemos acompanhar a evo-


lução dos preços do bitcoin:
[Link]

1 Como vimos, existem basicamente dois fatores centrais que exer-


cem influência nos preços das criptomoedas. Nesse sentido, as-
sinale a alternativa CORRETA:

a) Demanda e preço final.


b) Demanda e oferta durante o período de negociação.
c) Oferta e custos de corretagem.
d) Demanda e impostos sobre o lucro.

103
CriPToATiVoS

4 OS RISCOS DAS OPERAÇÕES COM


CRIPTOATIVOS
Embora investir esteja se tornando um hábito cada vez mais frequente entre
os brasileiros, muitos ainda se sentem intimidados pelos riscos. A partir desta se-
ção, abordaremos os principais riscos presentes no mercado dos criptoativos.

O risco é entendido como todas as variáveis que podem afetar um resultado


esperado. Essa é a incerteza por trás de cada decisão que tomamos na vida. O
mundo dos investimentos não é exceção. Os riscos que existem nos mercados
financeiros incluem a possibilidade de que os retornos esperados não se concreti-
zem, seja por fatores econômicos, políticos, organizacionais ou mesmo climáticos.

Em geral, quanto maior o grau de incerteza associado ao retorno de um in-


vestimento, maior o risco. Por isso, abordagens que são vistas como mais ousa-
das tendem a gerar retornos mais atrativos. No entanto, vale lembrar que o risco
também existe em formas mais conservadoras, como poupança e outros investi-
mentos em renda fixa.

O risco de liquidez de ativos virtuais, bem como em qualquer outro produto


de finanças altamente voláteis, pode ser entendido como a facilidade de converter
determinado ativo em dinheiro a um preço justo. Portanto, no caso de criptoati-
vos, o risco de liquidez refere-se ao risco de não poder comprar uma determinada
quantidade de criptoativos a preços cotados de mercado.

Esse risco pode limitar a possibilidade de conversão de ativos em moeda


fiduciária ou perdas potenciais caso se decida vender o ativo por qualquer valor.
Além disso, os preços de negociação desses criptoativos apresentam alta volatili-
dade, o que pode resultar em perda parcial ou total do valor investido neles.

Em um mercado não regulamentado, existem riscos operacionais associados


aos ambientes de negociação, aos ativos virtuais e aos sistemas que não são
monitorados pelas autoridades reguladoras. Para isso, damos o nome de riscos
específicos de natureza não regulamentada.

Nesses casos, as informações divulgadas e os materiais promocionais da


oferta não necessariamente atendem à regulamentação da CVM, sendo que a
conduta do prestador de serviço não atende às leis aplicáveis ao mercado de ca-
pitais. Na custódia desses ativos virtuais, os investidores podem estar expostos,
por exemplo, a riscos associados ao armazenamento de senhas criptografadas.

104
Capítulo 3 O MERCADO DE CRIPTOATIVOS

Dessa forma, constantemente, corremos riscos ao longo de nossas vidas,


seja uma tarefa simples, como dirigir um carro ou uma renovação de seguro. Es-
sencialmente, a gestão de riscos envolve avaliação e resposta. Muitos de nós nos
engajamos nessa gestão sem saber os reais riscos a que estamos expostos em
nossas atividades diárias. No entanto, nos mercados financeiros e gestão de ne-
gócios, avaliar o risco é uma prática fundamental e totalmente consciente.

Caro aluno, podemos perceber, no vídeo indicado no link a se-


guir, os riscos que permeiam o mercado de criptomoedas: https://
[Link]/watch?v=hNuebTJloh8.

Na figura a seguir, podemos observar os principais riscos existentes no mer-


cado de criptoativos que podem exercer significativas influências nos resultados
obtidos, bem como determinar as estratégias de gerenciamento de risco para
cada situação.

105
CriPToATiVoS

Figura 3 – Riscos existentes no ambiente de negociação de criptoativos

Fonte: [Link]
criptoativos-por-fundos-de-investimentos/. Acesso em: 15 jun. 2022.

106
Capítulo 3 O MERCADO DE CRIPTOATIVOS

De um modo geral, torna-se necessário o desenvolvimento de um plano de


gerenciamento de riscos que, por sua vez, consiste em cinco etapas: definir ob-
jetivos, identificar riscos, avaliar riscos, definir respostas e monitorar. No entanto,
essas etapas podem variar significativamente dependendo da situação. Vejamos:

• O primeiro passo é definir qual é o objetivo principal. Muitas vezes


tem a ver com a tolerância ao risco da empresa ou indivíduo. Em outras
palavras, quanto risco eles estão dispostos a assumir para alcançar seus
objetivos.
• A segunda etapa envolve detectar e definir quais são os riscos po-
tenciais. O objetivo é identificar todos os tipos de eventos que possam
levar a impactos negativos. No mundo dos negócios, essa etapa também
pode fornecer detalhes que não estão diretamente relacionados ao risco
financeiro.
• Após a identificação de um risco, o terceiro passo é avaliar sua fre-
quência e gravidade. Os riscos são priorizados em ordem de importân-
cia para facilitar a criação ou a aplicação de contramedidas apropriadas.
• A quarta etapa envolve a definição de respostas para cada risco
com base em seu nível de importância. A ideia é determinar qual ação
deve ser tomada se ocorrer um evento adverso.
• A etapa final em uma estratégia de gerenciamento de risco é moni-
torar sua eficácia na resposta a um evento. Isso geralmente requer
coleta e análise contínua de dados.

4.1 GERENCIAMENTO DE RISCOS


FINANCEIROS
Há uma série de razões pelas quais uma estratégia ou configuração de ne-
gócios pode não ser bem-sucedida. Por exemplo, um trader pode perder dinheiro
porque o mercado vai contra sua posição de contrato futuro ou porque ele está
dominado pela emoção e acaba vendendo em um momento de pânico. As rea-
ções emocionais geralmente levam os traders a ignorar ou abandonar sua es-
tratégia inicial. Isso é especialmente comum durante os mercados de baixa e os
tempos de capitulação.

Nos mercados financeiros, é necessário desenvolver uma estratégia de ges-


tão de risco adequada para contribuir para o seu sucesso. Na prática, isso pode
ser tão simples quanto colocar uma ordem Stop Loss ou Take Profit.

107
CriPToATiVoS

No vídeo indicado no link a seguir, podemos entender em de-


talhes cada um dos tipos de ordens no mercado, bem como suas
aplicações práticas: [Link]

A gestão de risco é o processo de identificação de exposições potenciais de


risco que uma organização ou investidor pode enfrentar e selecionar as técnicas
mais apropriadas para lidar com a exposição a cenários de incerteza. Exemplos
de exposição a perdas podem ser entendidos como: alta volatilidade nos merca-
dos financeiros, destruição de ativos tangíveis por fenômenos naturais, litígios por
defeitos de produtos etc. Alguns desses riscos podem ser minimizados por meio
do processo de diversificação de ativos. No entanto, outra parte do risco ineren-
te ao sistema econômico é chamada de risco sistêmico (BERGER; STRAHAN;
DEMSETZ, 1999).

Uma estratégia de negociação deve possuir um conjunto claro de ações pos-


síveis, o que significa que os traders estão mais bem preparados para lidar com
várias situações. Como mencionado anteriormente, existem muitas maneiras de
gerenciar riscos. Idealmente, as estratégias devem ser continuamente revisadas
e ajustadas.

A gestão de risco é fundamental para o sucesso das atividades de negocia-


ção. O primeiro passo é aprender a identificar os tipos de riscos que você pode
encontrar. A seguir, indicaremos alguns fatores de riscos financeiros e uma breve
descrição de como mitigá-los:

• Risco de mercado: pode ser minimizado colocando ordens de stop loss


em cada negociação, para que as posições sejam fechadas automatica-
mente antes que ocorram grandes perdas.
• Risco de liquidez: pode ser mitigado negociando em mercados de blo-
cos. De um modo geral, ativos com alta capitalização de mercado ten-
dem a ser mais líquidos.
• Risco de crédito: pode ser reduzido por meio de transações em ex-
changes confiáveis, para que tomadores e credores (ou compradores e
vendedores) não precisem depender uns dos outros para realizar transa-
ções.
• Risco operacional: os investidores podem reduzir o risco operacional
diversificando sua carteira de investimentos e evitando a exposição a um
único projeto ou empresa. Torna-se necessário fazer pesquisas e procu-

108
Capítulo 3 O MERCADO DE CRIPTOATIVOS

rar empresas que são menos propensas a enfrentar problemas operacio-


nais.
• Risco sistêmico: pode ser reduzido por meio da diversificação do por-
tfólio. Nesse caso, porém, a diversificação deve envolver projetos com
propostas diferentes ou empresas de diversos setores, de preferência,
aqueles com correlação muito baixa.

Na matéria indicada no link a seguir, podemos compreender me-


lhor os fatores de mercado que embasam a tomada de decisão frente
às escolhas de investimento em criptomoedas:
[Link]

4.2 A ALOCAÇÃO E A
DIVERSIFICAÇÃO DE ATIVOS
Os termos alocação de capital e diversificação são frequentemente usa-
dos. No entanto, podem se referir a aspectos ligeiramente diferentes da gestão
de risco. A alocação pode determinar o nível de gestão do dinheiro em relação
a como o capital é alocado entre as diferentes classes de ativos da carteira. Por
outro lado, a diversificação pode descrever a alocação de capital dentro dessas
classes de ativos.

No centro dessa estratégia está a maximização dos retornos financeiros, mi-


nimizando os riscos potenciais. Para fazer isso, os investidores geralmente pre-
cisam determinar o momento do investimento, a tolerância ao risco e, em alguns
casos, outras condições econômicas.

A diversificação de ativos se resume a não colocar todas as suas fichas em


uma aposta. Uma combinação de ativos por meio da diversificação pode resultar
na forma mais eficaz de construir um portfólio equilibrado. Alguns especialistas
até argumentam que determinar uma estratégia de alocação de ativos pode ser
mais importante do que escolher um investimento específico.

Dentro de uma estrutura típica de alocação de ativos, as classes de ativos


podem ser divididas nas seguintes categorias:

109
CriPToATiVoS

• Ativos tradicionais: ações, títulos e dinheiro em espécie.


• Ativos alternativos: imóveis, commodities, derivativos, seguros, private
equity (ativo privado) e, claro, criptoativos.

Existem dois tipos principais de alocação de ativos: alocação estratégica de


ativos e alocação tática de ativos:

• A alocação estratégica de ativos: é considerada o método tradicional


mais adequado ao estilo de investimento passivo. Um portfólio baseado
nessa estratégia só tende a se reequilibrar se a alocação desejada mu-
dar com base em mudanças no horizonte de tempo ou perfil de risco do
investidor.
• A alocação tática de ativos: é mais adequada para um estilo de inves-
timento mais agressivo. Permite que os investidores concentrem suas
carteiras nos ativos com melhor desempenho em relação ao mercado.
Supondo que, se um determinado setor supera o mercado, é provável
que continue a se sair bem por um longo período de tempo.

No vídeo indicado no link a seguir, é possível conhecer de forma


mais detalhada a aplicabilidade da alocação e diversificação de ati-
vos: [Link]

Portanto, uma estratégia de alocação de ativos deverá ditar a composição


do portfólio, assim, deve ser alocado da seguinte forma:

• 40% investido em ações;


• 30% em títulos;
• 20% em criptoativos;
• 10% em dinheiro.

Já uma estratégia de diversificação pode estabelecer que entre os 20% in-


vestidos em criptoativos:

• 70% devem estar alocados em bitcoin;


• 15% em large-caps (empresas de grande porte);
• 10% em mid-caps;
• 5% em small-caps.

110
Capítulo 3 O MERCADO DE CRIPTOATIVOS

Uma vez determinadas as alocações, o desempenho da carteira pode ser


monitorado e revisado regularmente. Se a alocação mudar, pode ser hora de um
reequilíbrio – compra ou venda de ativos para ajustar o portfólio de volta às pro-
porções desejadas. Isso geralmente envolve a venda de ativos com melhor de-
sempenho e a compra de ativos com desempenho inferior. É claro que a seleção
de ativos depende inteiramente da estratégia e dos objetivos de investimento de
um indivíduo.

Os criptoativos estão entre os ativos mais arriscados no atual contexto eco-


nômico e financeiro. Um portfólio concentrado nesses ativos pode ser considera-
do muito arriscado, pois possui uma parcela significativa alocada a ativos cripto-
gráficos. Investidores mais cautelosos podem querer alocar o valor do portfólio,
por exemplo, para títulos públicos, uma classe de ativos muito menos arriscada.

Os princípios teóricos aplicados aos portfólios de criptomoedas devem ser


considerados em sua plenitude. O comportamento do mercado de criptomoedas
está altamente correlacionado aos movimentos de preços do bitcoin. Certas alt-
coins podem ser menos correlacionadas com o bitcoin, das quais traders mais
cuidadosos podem ter. No entanto, esses eventos geralmente não duram ou são
suficientes para implementar soluções com estratégias semelhantes em merca-
dos tradicionais.

Entretanto, podemos supor que, uma vez que o mercado amadureça, uma
abordagem mais sistemática à diversificação se torne viável para portfólios de
criptoativos. O mercado, sem dúvida, ainda tem um longo caminho a percorrer
para chegar a esse ponto.

Assim, certas estratégias de alocação de ativos podem não ser adequadas


para determinados investidores e carteiras. Desenvolver um plano de ação pode
ser relativamente simples, mas a chave para uma boa estratégia de alocação de
ativos é a sua implementação. Se os investidores não conseguirem abandonar
seus vieses, a eficácia da carteira pode ser prejudicada. Outro problema potencial
é a dificuldade em estimar a tolerância suportável ao risco dos investidores.

5 PRÁTICAS CRIMINOSAS NO
MERCADO DE CRIPTOATIVOS
O mercado de criptoativos tem sido alvo frequente de fraudes por parte de
criminosos, atraídos pelas operações transfronteiriças do mercado, anonimato e
outras peculiaridades. Os crimes mais comuns incluem peculato, pirâmides finan-
ceiras e “esquemas Ponzi”, que geralmente se caracterizam por divulgar infor-

111
CriPToATiVoS

mações falsas sobre um projeto ou serviço, oferecer retornos inflacionados ou


garantidos ou até mesmo entrar em um sistema de recompensas que alimente
os participantes. O mercado também tem sido alvo de manipulação criminosa,
realizada por meio de esquemas organizados de disseminação de notícias falsas
e táticas de marketing, cujo único objetivo é inflar preços para vender ativos (co-
nhecidos como esquemas de “pump and dump”).

A investigação criminal contemporânea deve se manter atualizada e à mar-


gem das novas tecnologias. A presença das criptomoedas no atual contexto vem
surpreendendo os investigadores mais tradicionais e representa um verdadeiro
obstáculo para a resolução de problemas criminais. Ressaltamos aqui que há
uma grande necessidade de mais treinamento para os órgãos investigadores.

O anonimato associado ao uso de criptomoedas é relativo, e a realização


de investigações por meios básicos baseados em cibernética pode levar a gran-
des avanços nas investigações relacionadas ao assunto e solucionar crimes com
taxas de sucesso exponenciais. Dessa forma, os principais objetivos estão em
demonstrar a importância e a necessidade de adequação das técnicas investigati-
vas e da legislação nacional para acomodar os avanços tecnológicos em diversas
áreas, neste caso, em criptomoedas.

A privacidade proporcionada pela criptografia e todas as outras nuances que


o blockchain fornece para transações de criptomoedas estão atraindo cada vez
mais a atenção de criminosos, que visam aos ativos das vítimas, ao mesmo tem-
po em que visam à anonimização de seus pagamentos. Além das características
“obscuras” que ainda envolvem o uso de moedas virtuais para fins ilícitos, os par-
ticipantes envolvidos em processos criminais apresentam um relativo desconheci-
mento sobre o assunto.

Existem maneiras de mascarar anúncios de bloqueio relacionados à privaci-


dade inerente das transações. Podemos pensar na lavagem de dinheiro usando
criptomoedas, como os chamados Tumblers ou Mixers, que vendem serviços ile-
gais para interromper a conexão entre o emissor e o destinatário da criptomoeda.

O que eles basicamente fazem é pegar suas criptomoedas e, por uma taxa,
reembolsar a criptomoeda equivalente que pertence a outra pessoa, ou seja, ar-
mazenar sua criptomoeda em uma grande “lavanderia” com a criptomoeda de ou-
tra pessoa e, em seguida, reembolsar o mesmo valor. O serviço é legal desde que
o proprietário da moeda virtual busque o anonimato para fins de privacidade.

Obviamente, em nosso país, se o valor investido no ‘tambor desta máquina’


for proveniente de infração penal e, na utilização de tais serviços, for constatada
suposta ocultação ou dissimulação de natureza, origem, localização, disposição,

112
Capítulo 3 O MERCADO DE CRIPTOATIVOS

movimentação ou propriedade, o(s) envolvido(s) passará(ão) a responder por tais


fatos. O relatório Cipher Trace, publicado em 2018, observou um aumento nos
crimes envolvendo moedas virtuais, com cerca de US$ 1,3 bilhão lavados em fer-
ramentas, como os já mencionados Crypto Tumblers.

A privacidade oferecida pelas transações de criptomoedas, sem a necessida-


de de um terceiro confiável, como uma instituição financeira, ou mesmo uma con-
ta bancária associada a dados pessoais ou corporativos, tem sido amplamente
utilizada por criminosos em benefício dos crimes que cometem.

A tecnologia jurídica confirma a importância da especialização aqui sugerida,


não apenas para pesquisadores, mas para o processo legislativo penal e federal
como um todo. Por último, mas não menos importante, os investigadores devem
ter as habilidades necessárias para reproduzir as etapas da investigação em tribu-
nal, esclarecer quaisquer dúvidas que os magistrados e membros do setor público
possam ter e responder às perguntas que os promotores às vezes fazem.

5.1 PIRÂMIDES FINANCEIRAS


Embora o tema das pirâmides financeiras esteja sempre nos noticiários, é
fácil identificar aqueles que ainda não sabem o que esse golpe significa. Agora,
você pode entender quando é considerado um esquema de pirâmide pela Securi-
ties and Exchange Commission (SEC), o equivalente da CVM nos EUA:

• Pagar investidores com fundos recebidos de novos investidores.


• Eles prometem altos retornos com pouco ou nenhum risco.
• Não há prova real de que o dinheiro foi usado para alguma coisa.
• Não há ganho na negociação, então eles precisam de um fluxo constan-
te de dinheiro novo.

Uma pirâmide financeira é um golpe em que indivíduos ou empresas ofere-


cem investimentos com determinadas características específicas:

• Alta rentabilidade: retorno financeiro muito acima dos investimentos tra-


dicionais.
• Retorno garantido: esses planos costumam garantir o retorno do capital
investido mesmo em operações de risco.
• Sem produtos: a empresa não informa claramente em quais produtos in-
vestiu, nem registra pedidos em nome dos clientes.

Empresa irregular: não possui registro em órgãos, como a Comissão de Valo-


res Mobiliários (CVM) e a Bolsa de Valores Brasileira (B3).

113
CriPToATiVoS

Pode-se dizer que as criptomoedas estão revolucionando o mundo. Em me-


nos de uma década, deixaram de ser curiosidade e experimentaram suspeitas de
envolvimento em práticas criminosas ou bolhas econômicas até estabelecerem
seus negócios e investimentos de interesse.

Em grandes centros no Brasil ou no exterior, você pode usar criptomoedas


para tudo, desde pagar um táxi, comprar um café ou até mesmo comprar um
apartamento de luxo. No entanto, apesar dos seus méritos, a sua dimensão crimi-
nal ainda suscita muitas questões. No início, o bitcoin e outras formas de mais de
2.000 chamadas altcoins foram associados a algum crime. Embora os momentos
iniciais tenham passado, parece ser possível dizer que sucessivas gerações de
ideias relacionadas ao crime podem existir.

Criptomoedas e criptoativos podem ser certamente um problema e potenciais


disparadores de um crime econômico. Por algumas razões fundamentais, além do
fato de serem a verdadeira engrenagem de uma alternativa ao sistema bancário
internacional, eles estão cada vez mais consolidados como a parte propulsora do
trilema do crime econômico, que inclui diversas figuras, como evasão fiscal, so-
negação e lavagem de dinheiro. É nesse contexto que podemos imaginar várias
preocupações no futuro ambiente judicial.

5.2 EVASÃO DE DIVISAS


Originalmente, quando se fala da questão da evasão de divisas, menciona-se
o Art. 22, parágrafo único, da Lei nº 7.492/1986, que trata como crime qualquer
promoção de saída, entrada ou geração de divisas que não seja devidamente de-
clarado aos órgãos federais competentes.

Desde o início, vale lembrar que criptomoedas não são o mesmo que dinhei-
ro. A partir daí, temos nossa primeira pergunta. É claro que as circulares do Banco
Central, desde os anos 2000, podem ter incluído o conceito de criptoativos, mas
deve-se notar que esse ainda não é o caso atualmente.

Por outro lado, será questionável se as acusações finais não podem usar
esse precedente para sustentar acusações contra alguém, como foi visto no pas-
sado nos chamados casos de remessa de dólares para o exterior, em que se rea-
lizou a retirada de fundos do país usando criptomoedas. Assim, cabe a ocorrência
de constantes inovações a fim de contemplar as novas possibilidades e lacunas.
Nesse caso, uma simples aquisição de criptomoedas não autoriza esse entendi-
mento, pois não há deslocamento espacial da moeda, mas, sim, uma dimensão
de trabalho paralela, a dimensão real versus uma dimensão virtual.

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Capítulo 3 O MERCADO DE CRIPTOATIVOS

Outro ponto, no entanto, é a potencial arbitragem de criptomoedas, que pode


levantar mais dúvidas. Com uma arbitragem dessa natureza, surge a ideia de po-
der comprar criptomoedas de uma exchange com preço menor e vendê-la para
outra exchange que pague um preço maior, o que pode acontecer até em países
diferentes. Acontece que, como não há controle do banco central, isso acontece
globalmente, podendo haver fluxos internacionais e automáticos de valor que, se
implementados, podem implicar suspeita de evasão.

5.3 SONEGAÇÃO FISCAL


A palavra sonegação significa esconder ou omitir. Sonegação fiscal envolve
deixar de declarar ou fazer declarações falsas às autoridades fiscais para deixar
de pagar ou pagar menos um determinado imposto (BRASIL, 1990).

Assim, em tese, a omissão dessas declarações poderia significar evasão fis-


cal, conforme Lei nº 8.137/1990. A dificuldade, no entanto, é que sua proprieda-
de permanece anônima, tornando extremamente difícil prová-la às autoridades
competentes, mas esse é um perigo potencial a ser considerado, principalmente
porque enfrentamos obrigações agressivas de comunicação.

As moedas virtuais, mesmo que não sejam consideradas moedas no atual


marco regulatório, devem ser declaradas ao preço de compra na Ficha Bens e
Direitos como “outros bens”, pois podem ser equiparadas a ativos financeiros. En-
tretanto, pode-se imaginar possíveis problemas fora do direito penal em sentido
fechado, como considerar uma pessoa que adquire bitcoins sem o conhecimento
de seu cônjuge, potencialmente adquirindo um patrimônio em caso de uma futura
separação.

Nesse caso, pode-se considerar a existência de evasão fiscal ou peculato


que, a sua maneira, cria uma figura criminosa que pode comprovar a lavagem de
dinheiro. Ao mesmo tempo, o crime de sonegação fiscal tem sua particularidade,
ou seja, é possível eliminar a penalidade do imposto pago.

Nesse sentido, apesar de todas as possíveis alterações nas áreas proble-


máticas relacionadas à sonegação fiscal, é sempre necessário levar em conside-
ração todos os efeitos verificados desde o advento da Lei nº 9.249, de 26 de de-
zembro de 1995. Diante dessa premissa, mesmo considerando o trilema do crime
econômico, as mudanças na sonegação de impostos não parecem ser centrais
para o debate sobre os criptoativos.

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CriPToATiVoS

5.4 LAVAGEM DE CAPITAIS


Em suma, a lavagem de capitais consiste essencialmente em disfarçar a ori-
gem ilícita de bens de origem criminosa com o objetivo final de lhes dar a apa-
rência de serem legítimos. Em síntese, o objetivo desse processo seria criar uma
atmosfera de legitimidade em torno do objeto inicial do crime. De fato, a questão
fundamental a considerar é como verificar essa transformação.

Por causa da inegável influência estrangeira, há, de fato, uma confusão entre
o que é objetivamente visto como um truque de camuflagem e o contexto subjeti-
vo a ser considerado. Portanto, é importante ter em mente que, em casos especí-
ficos, há uma clara possibilidade de imputação com base em uma leitura ampliada
do crime de lavagem de dinheiro. Do ponto de vista racional, esse entendimento
certamente não faz sentido.

Em geral, a doutrina define múltiplas possibilidades para a etapa de lava-


gem de dinheiro, na maioria dos casos, seguindo a definição do International
Financial Action Task Force (GAFI), segundo o qual, ocultação, conversão e/
ou dissimulação podem ser vistas como etapas de capital e integração, isto é, a
introdução de valor na economia formal. Então, especificamente, a lavagem de
dinheiro costuma ter as três etapas mencionadas, que podem ocorrer simultânea
ou separadamente.

Para esconder a origem da distribuição de fundos no sistema econômico,


os criminosos tentam transferir fundos para países com regras mais brandas e
sistemas financeiros liberais. Esse arranjo é feito por meio de depósitos, compras
de instrumentos negociáveis ou para dificultar a determinação da origem dos re-
cursos. Os criminosos utilizam técnicas sofisticadas e cada vez mais dinâmicas,
como o fracionamento do valor transmitido pelo sistema financeiro e o uso de es-
tabelecimentos comerciais que normalmente trabalham com dinheiro em espécie
(LEGISCOMPLIANCE, 2014).

Ocultação – a segunda etapa do processo consiste em dificul-


tar o rastreamento contábil dos recursos ilícitos. O objetivo é
quebrar a cadeia de evidências ante a possibilidade da realiza-
ção de investigações sobre a origem do dinheiro. Os crimino-
sos buscam movimentá-lo de forma eletrônica, transferindo os
ativos para contas anônimas – preferencialmente, em países
amparados por lei de sigilo bancário – ou realizando depósitos
em contas abertas em nome de “laranjas” ou utilizando empre-
sas fictícias ou de fachada (LEGISCOMPLIANCE, 2014, s.p.).

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Capítulo 3 O MERCADO DE CRIPTOATIVOS

1 A lavagem de dinheiro envolve essencialmente disfarçar a origem


ilícita de bens de origem criminosa com o objetivo final de fazê-
-los parecerem legítimos. Nesse contexto, assinale a alternativa
CORRETA:

a) Para esconder sua origem, os criminosos tentam transferir fundos


para países com regras mais duras e sistemas financeiros libe-
rais.
b) Para esconder sua origem, os criminosos tentam transferir fundos
para países com regras mais brandas e sistemas financeiros libe-
rais.
c) Para esconder sua origem, os criminosos tentam transferir fundos
para países com regras mais brandas e sistemas financeiros res-
tritivos.
d) Para divulgar sua origem, os criminosos tentam transferir fundos
para países com regras mais brandas e sistemas financeiros libe-
rais.

Para encerrarmos os estudos deste capítulo, indicamos o artigo


Os reguladores financeiros da UE alertam os consumidores para os
riscos dos criptoativos. Aproveite a leitura! Disponível em:
[Link]
esa_2022_15_joint_esas_warning_on_crypto-assets_pt.pdf?downlo-
ad=1.

117
CriPToATiVoS

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES
Prezado aluno, chegamos ao final da nossa disciplina de Criptoativos. Ao
longo deste último capítulo, tratamos de assuntos importantes que permeiam o
contexto dos criptoativos, como os aspectos de suas classificações, os riscos de
mercados, os crimes relacionados a esses ativos e a proteção das carteiras de
investimentos que contemplam os criptoativos em seus portfólios.

Vimos que é importante obter um bom entendimento do mercado e os riscos


que um determinado ativo exerce sobre o sistema. A alocação e a diversificação
de ativos são conceitos fundamentais de gerenciamento de risco, e existem há
bastante tempo, também são alguns dos conceitos-chave por trás das estratégias
modernas de gerenciamento de portfólio.

O objetivo principal de projetar uma estratégia de alocação de ativos é maxi-


mizar os retornos e minimizar os riscos. A diversificação do risco entre as classes
de ativos pode melhorar a eficiência do portfólio. Como o mercado é altamente
correlacionado com o bitcoin, as estratégias de alocação de ativos devem sempre
ser aplicadas com cautela.

A volatilidade existente no mercado de criptoativos é maior que o dobro de


ativos mais arriscados, como o Ibovespa. Esse alto risco torna os criptoativos me-
nos atraentes nas carteiras dos investidores, pois pode causar perdas significati-
vas se forem operados por pessoas e organizações que não possuem o conheci-
mento sobre o funcionamento desse mercado.

Muitas empresas estão se adaptando à nova realidade das criptomoedas, e


grandes empresas, como Tesla e Microsoft, já possuem criptomoedas em dinheiro
como forma de pagamento para vender seus produtos. No entanto, muitas das
ameaças pessoais inerentes ao dinheiro também podem se manifestar e afetar
os negócios, adicionando incerteza adicional. Uma das possíveis implicações é
o alto custo envolvido em garantir a conformidade regulatória para transações de
compra e venda usando essas moedas, pois existem inúmeros saldos e cheques
que devem ser seguidos em nível empresarial individual, bem como em nível glo-
bal de antimoney, leis de lavagem e privacidade. Além disso, as agências podem
ser contestadas por uma variedade de agências jurisdicionais de aplicação da lei,
cada uma com seus próprios incentivos para não cumprir muitas leis estaduais e
locais diferentes.

Outro impacto iminente é que as empresas enfrentarão pressão para se adap-


tar e disponibilizar esse método de pagamento aos clientes, já que empresas maio-
res já o estão adotando. A decisão de adotar essa estratégia envolverá uma revisão

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Capítulo 3 O MERCADO DE CRIPTOATIVOS

substantiva de todo o processo order-to-cash da empresa, exigindo uma redefinição


completa de todos os processos e sistemas envolvidos na cadeia. Em geral, os crip-
toativos conquistaram o mercado e os investidores, só precisamos entender a pron-
tidão para usar tais ativos. Ainda levará algum tempo para a aceitação e a confiança
do público serem construídas, mas, com certeza, as empresas precisam continuar
mudando para acomodar essa forma de troca no mundo digital.

Antes de abrir uma posição de negociação ou alocar fundos para um portfó-


lio, traders e investidores devem considerar o desenvolvimento de uma estratégia
de gerenciamento de risco. No entanto, é importante lembrar que o risco finan-
ceiro não pode ser completamente evitado. De um modo geral, a gestão de risco
define como lidar com o risco, mas, certamente, é mais do que apenas uma re-
dução de risco, também envolve pensamento estratégico para lidar com os riscos
inevitáveis da maneira mais eficaz possível.

Em outras palavras, envolve também identificar, avaliar e monitorar os riscos


com base no contexto e na estratégia. O processo de gestão de risco tem como
objetivo avaliar a relação risco versus recompensa de forma a priorizar as posi-
ções mais favoráveis. Alocação de ativos e diversificação são termos usados de
forma intercambiável. Você provavelmente conhece o ditado “não coloque todos
os ovos na mesma cesta”. Colocar todos os ovos na mesma cesta pode levar a
um único resultado, sendo ele positivo ou negativo, é o mesmo que acontece com
sua riqueza. Investir suas economias em um único ativo o expõe aos mesmos
riscos. Se o ativo em questão for ações de uma determinada empresa e essa em-
presa implodir, de repente, você pode perder todo o seu dinheiro.

Isso se aplica não apenas a ativos individuais, mas também a classes de


ativos. Por exemplo, no contexto de uma crise financeira, todas as suas partici-
pações perderão valor. Isso porque eles são fortemente correlacionados, ou seja,
todos tendem a seguir a mesma tendência. Uma boa diversificação é mais do
que apenas preencher seu portfólio com centenas de moedas digitais diferentes.
Imagine governos de todo o mundo proibindo criptomoedas ou computadores
quânticos de quebrar os esquemas de criptografia de chave pública usados por
criptomoedas. Qualquer um desses eventos pode ter implicações profundas para
todos os ativos digitais. Assim como as ações, as criptomoedas formam uma úni-
ca classe de ativos.

A aplicação em larga escala dos criptoativos ainda é muito limitada devido


a questões institucionais e de infraestrutura em muitos países, como já vimos no
decorrer dos nossos estudos e, podemos considerar, sem sombra de dúvidas,
que os criptoativos e as tecnologias inovadoras que as rodeiam serão promisso-
res e passarão a desafiar cada vez mais o contexto financeiro e comercial, dando
manutenção à constante evolução socioeconômica.

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CriPToATiVoS

REFERÊNCIAS
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