ATIVIDADE DE FUNDAMENTOS TEÓRICO-PRÁTICOS EM LÍNGUA
PORTUGUESA PARA EDU. INFANTIL E ANOS INICIAIS DO ENS.
FUNDAMENTAL
QUESTÃO 01
O primeiro requisito, portanto, para que o contato aluno/texto seja o menos doloroso
possível é que o mestre não seja um mau leitor. Que goste de ler e pratique a leitura.
Nem sempre, porém, os textos com que o professor precisa lidar são os de sua
preferência ou mesmo de sua escolha. Os textos presentes nos livros didáticos — sem falar nos
de qualidade discutível — constituem resultado de uma escolha pessoal do autor. Mas, mesmo
nos casos de profunda incompatibilidade, é ainda possível e recomendável a sinceridade que
justifique o abandono do texto com o qual não se tem afinidade nenhuma.
De qualquer forma, o mestre não precisa se sentir responsável perante os textos
agenciados pelos livros didáticos. São, portanto, desnecessárias (e contraproducentes) as
cambalhotas que pretendem esconder da classe o desencontro professor/texto.
Por outro lado, o aluno tem, tanto quanto o professor, o direito de não gostar de um texto
e, consequentemente, de se recusar a trabalhar com ele. Esse mínimo de liberdade, garantido
em situações comuns de leitura, a qualquer leitor (que começa a ler um livro e para, porque
percebe que não faz seu gênero) parece às vezes exilado do dia a dia escolar, quando uma
concepção do texto que o vê como sacralizado sobrepõe o argumento do arbítrio ou do gosto
autoritário, à sensibilidade que precisa nortear sua adoção.
Tudo o que chega à escola via livro didático — da data do descobrimento do Brasil à
dimensão paródica das obras de Oswald de Andrade — parece tomar-se inquestionável.
Transforma-se numa verdade absoluta, e duvidar dela ou discuti-la costuma, em muitos casos,
refletir-se negativamente na avaliação do aluno. Ao endossar as tais verdades absolutas, ao
assumir-se como guardião delas, o professor corre o risco de contribuir para a alienação do
processo educativo. E ao fazer do texto pretexto de qualquer forma de dogmatismo, está
desfigurando o texto.
É exatamente como espaço de resistência, como libertação de dogmatismos, que a
presença dos textos pode ser fecunda numa prática escolar que não se queira autoritária. E para
isso torna-se fundamental que o professor não dilua a ambiguidade e abertura do texto na
obrigatoriedade de certas atitudes a serem manifestadas a propósito dele, texto.
Muitos dos objetivos que se pretende assegurar através do recurso ao texto, ao longo de
livros e aulas, resumem-se à função de modelo e exemplo. Nos piores casos, o texto ilustra a
recompensa a comportamentos desejáveis e o castigo aos indesejáveis. Nos casos menos ruins,
o texto serve de exemplo de desempenho de linguagem vernacular, de estilos literários, de
procedimentos estilísticos.
LAJOLO, Marisa. O texto não é pretexto. In: ZILBERMAN, Regina (org.). Leitura em crise na escola.
9. ed. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1985, p. 51-62.
• Lajolo (1985) ressalta a importância de garantir a liberdade de escolha e interpretação
tanto para professores quanto para alunos no contato com textos literários. A partir dessa
perspectiva, reflita sobre como a sacralização do texto pode desestimular a
autonomia crítica dos leitores e proponha estratégias para que o texto seja
trabalhado como espaço de diálogo e ressignificação na prática pedagógica.
QUESTÃO 02
Qualquer avaliação de uma diretriz impressa ao ensino de gramática passa
necessariamente pela avaliação de dois parâmetros: primeiro, o que se entenda que seja a
'gramática' que deva ser trabalhada nesse nível, e, segundo, o que se considere que seja, dentro
do exercício da linguagem que os alunos ativam nas suas interlocuções, o foco do tratamento
gramatical a empreender-se, isto é, o papel que tenha, na atividade escolar da análise linguística,
a consideração do real funcionamento da linguagem.
NEVES, Maria Helena de Moura. Uma gramática escolar fincada no uso linguístico. In: _______. Que
gramática estudar na escola? São Paulo: Contexto, 2003. p. 110-127.
• Neves (2003) discute o papel do professor ao ensinar gramática e a necessidade de
propiciar uma reflexão sobre o funcionamento real da linguagem, partindo do uso
linguístico para chegar aos resultados de sentido. Com base nesse argumento, analise
como a escola pode superar as limitações da abordagem tradicional de ensino da
gramática e promover uma prática mais reflexiva e conectada ao uso efetivo da
língua.
QUESTÃO 03
A escrita é usada em contextos sociais básicos da vida cotidiana em paralelo direto com
a oralidade. Estes contextos, entre outros, são: a escola, a família, o dia-a-dia, o trabalho, a vida
burocrática, a atividade intelectual. Em cada um desses contextos, as ênfases e os objetivos do
uso da escrita são variados e diversos. Inevitáveis relações entre escrita & contexto devem
existir, fazendo surgir tipos e formas textuais, bem como terminologias e expressões típicas.
MARCUSCHI, Luiz Antônio. Oralidade e escrita. Signótica, v. 9, n. 1, p. 119-145, jan./dez. 1997.
• Marcuschi (1997) discute como a escrita, apesar de sua criação tardia em relação à
oralidade, permeia práticas sociais em diversos contextos, como a escola, o trabalho e o
dia a dia. Nesse sentido, analise como a presença da escrita nesses contextos
influencia a forma como a escola trabalha a leitura e a escrita, considerando os
diferentes tipos e funções textuais mencionados no texto.
Docente: Michelli Moreira
Discentes: Luciele Camilo Lima, Jaciara Brandão Santana
Disciplina: Fundamentos teórico-práticos em língua portuguesa para educação
infantil e anos iniciais do ens. Fundamental
Questão 1
Marisa Lajolo (1985) critica a sacralização do texto na escola, que impede
a liberdade de interpretação tanto para professores quanto para alunos,
favorecendo o ensino dogmático e autoritário. Quando os textos são tratados
como verdades absolutas, elimina-se a autonomia crítica e a capacidade de
reflexão, reduzindo o texto a um pretexto para impor ideias. Para transformar o
texto em espaço de diálogo e repensar, a escola precisa valorizar a variedade
de interpretações e respeitar as experiências pessoais e culturais de cada leitor.
Os professores podem atuar como mediadores, incentivando debates que
permitam aos alunos questionar e reconstruir entendimentos a partir de
diferentes perspectivas. Essa prática faz do texto um objeto vivo que dialoga com
a realidade dos alunos, permitindo-lhes desenvolver o pensamento crítico e
criativo em vez de simplesmente reproduzir pontos de vista impostos.
Questão 2
Maria Helena de Moura Neves (2003) destaca as limitações da
abordagem tradicional de ensino de gramática, que se concentra apenas em
normas e classificações rígidas, desconectadas do uso linguístico efetivo dos
alunos. As escolas devem tentar ir além desta abordagem, implementando
práticas de ensino que promovam o uso real da língua e o seu papel na
comunicação quotidiana. A análise linguística deve partir de situações concretas
e dialogar com as práticas discursivas dos alunos, que nos permitam
compreender como as escolhas gramaticais afetam os significados em
diferentes contextos. Trabalhar com textos autênticos e explorar a variação
linguística permite-nos refletir sobre como a linguagem funciona, ajudando os
alunos a desenvolver competências de comunicação que vão além da
memorização mecânica. Essa perspectiva transforma a gramática em uma
ferramenta prática e significativa no processo de ensino e aprendizagem,
promovendo a ligação entre teoria e prática.
Questão 3
Luiz Antônio Marcuschi (1997) destaca que a escrita permeia diferentes
contextos sociais, como a escola, o trabalho e o cotidiano, ao lado da oralidade.
Essa interação entre escrita e oralidade cria diferentes tipos e formas de texto,
que cumprem funções específicas dependendo do contexto. As escolas, ao
trabalharem a leitura e a escrita, devem levar em conta essa diversidade e tentar
integrar essas práticas sociais no ensino. É importante que os alunos
reconheçam as funções e características de diferentes textos, como uma
mensagem informal móvel ou um documento formal, compreendendo como a
linguagem se adapta aos objetivos comunicativos de cada situação. Essa
abordagem favorece o desenvolvimento de habilidades de leitura e escrita mais
conectadas à realidade, o que permite aos alunos compreender e produzir textos
adaptados aos diferentes contextos de suas vidas, valorizando a funcionalidade
da linguagem e sua importância social.