0% acharam este documento útil (0 voto)
3 visualizações32 páginas

Integração Lavoura-Pecuária no Cerrado

Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
3 visualizações32 páginas

Integração Lavoura-Pecuária no Cerrado

Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

See discussions, stats, and author profiles for this publication at: [Link]

net/publication/274082000

Integração Lavoura-Pecuária

Chapter · January 2008


DOI: 10.13140/RG.2.1.2763.4320

CITATIONS READS
27 3,040

6 authors, including:

Lourival Vilela Geraldo B Martha Jr


Brazilian Agricultural Research Corporation (EMBRAPA) Brazilian Agricultural Research Corporation (EMBRAPA)
138 PUBLICATIONS 2,418 CITATIONS 58 PUBLICATIONS 1,124 CITATIONS

SEE PROFILE SEE PROFILE

Robélio Leandro Marchão Roberto Guimarães Jr


Brazilian Agricultural Research Corporation (EMBRAPA) Brazilian Agricultural Research Corporation (EMBRAPA)
149 PUBLICATIONS 2,365 CITATIONS 88 PUBLICATIONS 949 CITATIONS

SEE PROFILE SEE PROFILE

All content following this page was uploaded by Robélio Leandro Marchão on 27 March 2015.

The user has requested enhancement of the downloaded file.


Capítulo 30

Quando a criação do
novo está em jogo
resignar-se ao provável
e ao exeqüível
é condenar-se ao passado
e à repetição.
Eduardo Giannetti
933

Integração Lavoura-pecuária
Lourival Vilela
Geraldo Bueno Martha Júnior
Robélio Leandro Marchão
Roberto Guimarães Júnior
Luís Gustavo Barioni
Alexandre de Oliveira Barcellos

Abstract
Many changes have occurred in the Brazilian Cerrado agriculture. Until the 1980’s, the low-
yielding agriculture in the region was diverse, focused in local markets (subsistence
farming); crop and pasture/livestock production was integrated to varying degree, especially
tightly in the pasture establishment phase. In the last three decades, farms have become
more specialized, with most of the few commodities produced per farm being sold in
urbanized and densely-populated regions or exported to other countries. Specialized
agriculture, however, has increased biotic stresses (diseases, pests, weeds) and in many
cases has jeopardized long-term sustainability. Whilst research with crop-pasture (or
livestock) systems in the Cerrado dates back to late 1970’s, in this century we saw a
renewed interest on the subject. And, at least in part, highly-productive integrated crop-
livestock systems are demanded as a means to improve weed control and to disrupt insect
and diseases cycles. Additionally, strong reasons prompting integrated crop-livestock
systems interest and eventual adoption are the improvements in soil quality (better soil
fertility and structure), the availability of high-quality forage for grazing animals and the
potential increase in grain yield for crops following pastures. In economic terms, the
potential to reduce costs and to increase revenues in a lower-risk environment (crop
diversification) has been emphasized. In spite of these benefits, widespread adoption of
integrated crop-livestock systems has been slow and we think that it might be explained by
system’s complexity combined with the lack of well-trained farmers and insufficient credit for
agriculture in an increasing-cost of production environment. These caveats must be solved if
incentives to increase agricultural production in already opened land (such as degraded
pastures), while avoiding further increase in deforestation rates, are to be effective.
934 Savanas: desafios e estratégias para o equilíbrio entre sociedade , agronegócio e recursos naturais

Introdução
O aquecimento global, a escassez de água, de alimentos, de energia e a
degradação dos solos estão entre as grandes questões sobre a sustentabilidade da
humanidade. As soluções para essas questões, em grande parte, dependem do manejo
sustentável dos solos (LAL, 2007). O Brasil é considerado um dos países com maior
potencial de expansão de área para atender a demanda crescente de alimentos e
biocombustíveis (BROWN, 2004), mas a abertura de novas áreas para aumentar a
produção de alimentos e biocombustíveis é uma opção muito questionada pela sociedade
em geral.

Nesse contexto, a intensificação do uso da terra em áreas já abertas


(desmatadas) parece ser uma das alternativas mais aceitas pelos diferentes agentes
envolvidos com a questão do desenvolvimento sustentável da agropecuária. Contudo,
sistema de produção intensificado não deve ser sinônimo de uso excessivo ou
indiscriminado de corretivos e fertilizantes, mas sim de uso eficiente e racional desses
insumos e de tecnologia compatível para maximizar lucros, utilizando de forma racional os
recursos naturais. Isso significa perseguir o novo paradigma da sustentabilidade da
agricultura.

Dentro desse enfoque, surgiram várias definições para “agricultura sustentável” e


quase todas expressam insatisfação com o padrão dito moderno da agricultura e
defendem a necessidade de um novo paradigma que garanta a segurança alimentar sem
agredir o ambiente (SANTANA, 2005). Com relativa freqüência, o termo sustentabilidade
tem sido adotado com forte conotação valorativa, refletindo mais uma expressão dos
desejos e valores de quem as exprime do que algo concreto, de aceitação geral (CUNHA
et al., 1994). Para esses autores, os componentes da sustentabilidade de um modelo de
produção agrícola são: eficiência técnica (aumentar ou manter a produtividade em
condições competitivas e garantir a utilização dos recursos naturais a taxas
biologicamente sustentáveis); sustentabilidade econômica (compatibilização da opção
tecnológica com a dotação de recursos como premissa da viabilidade econômica da
tecnologia); estabilidade social (perspectiva de longo prazo para população envolvida); e
coerência ecológica (intensidade da exploração compatível com a capacidade de suporte
do meio ambiente). A ecoeficiência, de acordo com Wilkins (2008), seria elemento-chave
para a sustentabilidade dos sistemas de produção. Embora não haja um padrão absoluto
Integração Lavoura-pecuária 935

para que um sistema seja classificado como ecoeficiente, segundo Wilkins (2008), a
ecoeficiência aumentaria quando, para um dado nível de produção, menos recursos (terra,
água, insumos) seriam utilizados, com menor impacto nocivo sobre o ambiente e sem
sacrificar o potencial produtivo bioeconômico da atividade agropecuária. Nesse contexto,
o uso eficiente de nutrientes, de agroquímicos e de energia e a redução da emissão de
gases de efeito estufa seriam questões-chave afetando a ecoeficiência.

O desenvolvimento de alternativas para o restabelecimento da capacidade


produtiva das pastagens cultivadas e de sistemas de manejo mais eficientes para as
culturas de grãos é fundamental para alcançar a sustentabilidade e aumentar a eficiência
da agropecuária no Cerrado. Assim, a integração dos sistemas de produção de grãos e
pecuária desponta como sendo uma das opções viáveis. O interesse nesse modelo de
exploração da propriedade agrícola apóia-se nos benefícios que podem ser auferidos pelo
sinergismo potencial entre pastagens e culturas anuais. Entre esses, destacam-se: (a)
melhoria das propriedades físicas, químicas e biológicas do solo; (b) quebra de ciclo de
doenças, pragas e plantas daninhas; (c) redução de riscos econômicos pela diversificação
de atividades; (d) redução de custo na recuperação/renovação de pastagens em processo
de degradação. Além disso, de acordo Wilkins (2008), os sistemas mistos de produção
agrícola, como a integração lavoura-pecuária (ILP), são mais sustentáveis do que os
sistemas especializados em produção de grãos e fibra.

Este capítulo tem por objetivo analisar alguns dos benefícios potenciais de
sistemas de integração lavoura-pecuária no processo de intensificação de uso das áreas
em exploração com lavoura de grãos e pastagens no Cerrado.

Sistemas de Integração Lavoura-pecuária


A integração lavoura-pecuária - ILP consiste na implantação de diferentes
sistemas produtivos de grãos, fibras, carne, leite, agroenergia e outros, na mesma área,
em plantio consorciado, seqüencial ou rotacionado. Dentro da fazenda, o uso da terra é
alternado, no tempo e no espaço, entre lavoura e pecuária. E é no potencial sinergismo
entre os componentes pastagem e lavoura que residem muitos dos benefícios da ILP.

No Cerrado, existem vários sistemas de integração lavoura-pecuária, que são


modulados de acordo com o perfil e os objetivos da fazenda. Além disso, essas diferenças
936 Savanas: desafios e estratégias para o equilíbrio entre sociedade , agronegócio e recursos naturais

nos sistemas se devem às peculiaridades regionais e da fazenda, como: condições de


clima e de solo, infra-estrutura, experiência do produtor e tecnologia disponível. No
Cerrado, três modalidades de integração lavoura-pecuária se destacam:
a) Fazendas de pecuária em que a introdução de culturas de grãos (arroz, milho, sorgo) em
áreas de pastagens tem por objetivo recuperar a produtividade dos pastos com custos
menores (amortização dos custos de recuperação por meio da venda dos grãos).

b) Fazendas especializadas em lavouras de grãos que adotam as gramíneas forrageiras


para melhorar a cobertura de solo para o sistema de plantio direto e, na entressafra,
podem, quando desejado, utilizar a forragem produzida na alimentação de bovinos.

c) Fazendas que, sistematicamente, adotam a rotação de pasto e lavoura para intensificar


o uso da terra e se beneficiar do sinergismo entre as duas atividades.

A parceria entre produtores de grãos e pecuaristas, nas suas diferentes


modalidades, também poderia se adequar a uma dessas modalidades de integração
lavoura-pecuária. Exemplificando, os produtores de grãos que têm praticado o consórcio
de milho ou sorgo com Brachiaria spp., com a finalidade de melhorar a cobertura de solo
para o plantio direto, estão paulatinamente optando por utilizar essa forragem produzida na
entressafra. A fim de reduzir a mobilização de capital na compra de animais, esses
produtores estão estabelecendo parcerias com os pecuaristas, negociadas caso a caso.

Nesses sistemas, além de aproveitar a forragem produzida no consórcio, os


resíduos da colheita de grãos (“bandinha e casquinha de soja”, “piolho de algodão”,
palhada de milho, entre outros) são utilizados como suplementos para a alimentação
animal durante o período de seca, quer seja em pastejo ou em confinamento. De acordo
com Moraes et al. (2007), no Sul do Brasil, introduzir a forrageira apenas como cobertura
de solo para o plantio direto não é o melhor negócio porque a produção animal aumenta a
rentabilidade do empreendedor no sistema soja verão-pastagem hibernal.

Também, é importante ressaltar que, no plantio consorciado de capim com cultura


de grãos, ocorre competição entre os componentes forrageira e lavouras e que nem
sempre é uma alternativa “ganha-ganha”. Às vezes, se não for adotada a tecnologia
correta ou mais adequada para as condições da área, podem ocorrer perdas expressivas
de produtividade da lavoura de grãos ou falha no estabelecimento do pasto. As culturas de
milho e de sorgo, em razão da maior capacidade de competição com as gramíneas
Integração Lavoura-pecuária 937

forrageiras (Brachiaria spp. e Panicum maximum), na fase inicial de estabelecimento, têm


sido as mais adotadas nos consórcios cultura anual-pasto. Entre as alternativas para
minimizar essa competição, citam-se: plantio defasado (sobressemeadura), subdoses de
herbicidas para reduzir a competição da forrageira com a cultura de grãos e arranjo de
plantas (KLUTHCOUSKI et al., 2000; PORTES et al., 2000; KLUTHCOUSKI; AIDAR, 2003,
JAKELAITIS et al., 2004; FREITAS et al., 2005). O consórcio soja-pasto vem sendo
avaliado, e os resultados obtidos ainda não permitem recomendar esse sistema
(KLUTHCOUSKI et al., 2000; SILVA et al., 2004, 2006). Contudo, a adoção de soja
transgênica resistente ao herbicida glifosate aumenta as possibilidades de sucesso de
plantio consorciado dessa cultura com gramíneas forrageiras tropicais.

As fazendas que adotam a rotação lavoura/pasto como estratégia de produção


agrícola, além das melhorias nas propriedades de solo e redução da incidência de pragas,
doenças e plantas daninhas, podem se beneficiar da melhor estabilidade de produção de
forragem para alimentar o rebanho durante o ano todo. No período das chuvas, em razão
da melhoria da fertilidade de solo na fase de lavoura, as pastagens são mais produtivas. E,
no período da seca, além da palhada e dos subprodutos de colheita, os pastos recém-
estabelecidos permanecem verdes e com qualidade e quantidade para conferir ganhos de
peso positivos em vez de perda de peso, comum nesse período do ano na maioria das
fazendas da região do Cerrado. Durante a época seca, Alvarenga et al. (2007) observaram,
em pastagem de Panicum maximum cv. Tanzânia estabelecida em consórcio com milho,
ganhos de peso em novilhos de recria entre 700 g/animal/dia e 900 g/animal/dia. Essa
variação de 28 % no ganho de peso foi em razão dos grupos genéticos avaliados nesse
estudo. Os maiores ganhos foram para os animais de cruzamento industrial (Nelore x Red
Angus) e os menores, com animais mestiços (mestiço de Nelore x Girolando).

Animais com potencial genético limitado contribuem para uma menor


produtividade do sistema, havendo forte interação entre o componente animal e a
condição da pastagem (oferta nutricional e manejo do pasto). O trabalho de Barcellos et
al. (1999) demonstrou a importância de associar genética animal ao manejo do pasto e à
renovação de pastagens degradadas. Durante 15 meses, o ganho de peso de animais
cruzados (Nelore x Blond D’Aquitaine), de maior potencial de produção, superou o ganho
de peso de animais nelore em 8,8 % (161 kg x 148 kg) quando o pasto estava degradado.
Em pastagens renovadas por meio de adubação ou de cultivo de milho e arroz e
manejadas adequadamente, os valores de ganho de peso registrados para os cruzados
superaram aqueles dos nelores em 24,9 % (266 kg x 213 kg). As produtividades no pasto
938 Savanas: desafios e estratégias para o equilíbrio entre sociedade , agronegócio e recursos naturais

degradado e no pasto renovado e com manejo do pastejo adequado foram de 3,4@/ha/ano


e 20,7@/ha/ano, respectivamente. Portanto, o maior potencial produtivo obtido pelo
cruzamento de raças ou pelo melhoramento genético/seleção do rebanho deverá estar
sempre associado à melhoria da qualidade alimentar ofertada aos animais (MARTHA
JÚNIOR; VILELA, 2007).

Outra modalidade de integração lavoura-pecuária é aquela em que a lavoura e a


pecuária são desenvolvidas em áreas diferentes de uma mesma propriedade e a produção
animal se beneficia apenas dos resíduos das culturas. Nessa modalidade, o sinergismo
entre as atividades é minimizado.

A integração lavoura-pecuária é um sistema que, em príncipio, adapta-se a


qualquer tamanho de propriedade, desde que as condições edafoclimáticas não sejam
restritividas. Basta lembrar que o plantio consorciado de milho com capim (‘Jaraguá’ e
‘Colonião’), nas décadas de 1950 e 1960, foi uma prática comum na implantação manual
de pasto nas “roças de toco”; portanto, factível de ser adotada na pequena propriedade.
Contudo, em propriedades pautadas no uso intensivo de máquinas agrícolas e insumos
(corretivos, fertilizantes, herbicidas, pesticidas), a escala de produção pode ser
determinante da viabilidade econômica do sistema. Assim, é necessário planejamento
eficiente, gestão competente e equipe multidisciplinar (multicompetências).

Benefícios da Integração Lavoura-pecuária


A substituição de sistemas especializados de produção de grãos, fibras, carne e
leite por sistemas de integração lavoura-pecuária, mais complexos, gera impactos no
solo, no ambiente e no desempenho econômico. Esses impactos podem variar entre
positivos e negativos e precisam ser mais bem compreendidos.

Entre os impactos negativos, o mais freqüentemente citado na literatura e


relatado por alguns produtores, por vezes sem nenhuma comprovação empírica, é o
proporcionado pelo pisoteio animal. A compactação do solo pelo pisoteio animal,
agravada pela remoção da vegetação pela desfolha, pode diminuir a taxa de infiltração,
aumentar a erosão e reduzir o crescimento das plantas (GREENWOOD; McKENZIE, 2001). É
importante ressaltar que essa compactação depende, principalmente, do tipo de solo, do
seu teor de umidade, da taxa de lotação animal, da massa de forragem (MORAES et al.,
2007) e da espécie forrageira utilizada no sistema (MARCHÃO et al., 2007). De modo geral,
Integração Lavoura-pecuária 939

os impactos negativos do pisoteio animal no solo limitam-se às suas camadas


superficiais e podem ser temporários e reversíveis (MORAES; LUSTOSA, 1997; CASSOL,
2003; LANZANOVA et al., 2007). Nas condições do Sul do Brasil, com chuvas durante o
ano todo, o impacto do pisoteio animal nas propriedades físicas do solo e no rendimento
dos cultivos subseqüentes ao pastejo é variável, de negativo a nulo (LANZANOVA et al.,
2007; FLORES et al., 2007; CASSOL, 2003; NICOLOSO, 2005). Nicoloso (2005), por exemplo,
observou redução significativa no rendimento de grãos de soja (800 kg/ha) e de milho
(2.500 kg/ha) em função do aumento da intensidade de pastejo na pastagem hibernal
(aveia preta+azevém), que antecedeu esses cultivos.

Na região do Cerrado, o impacto do pisoteio animal sobre as propriedades físicas,


químicas e biológicas do solo tem recebido pouca atenção da pesquisa. A compactação
superficial e a redução na taxa de infiltração foram observadas em pastagens em
degradação (MACEDO; EUCLIDES, 1997). Contudo, não se tem observado efeito negativo
no rendimento das lavouras. Em experimento de longa duração no Cerrado, Marchão et al.
(2007) demonstraram que a compactação de solo em sistemas de integração lavoura-
pecuária, após 13 anos, não atingiu valores limitantes. Os autores observaram que a
compactação de solo foi maior nas áreas com gramíneas de hábito de crescimento
cespitoso, principalmente do gênero Panicum sp. Estudos em andamento na Embrapa
Cerrados, com diferentes tratamentos aplicados em pastagem de B. decumbens, têm
demonstrado que, apesar da compactação superficial e da redução na taxa de infiltração,
o rendimento de soja não tem sido afetado. Os maiores problemas observados estão
relacionados com as condições de plantabilidade para o sistema de plantio direto em
pastagens. Entre essas condições, a falta de cobertura de solo, em particular no
tratamento que conta com o pasto em degradação, e o relvado com predominância de
touceiras (quando, nos tratamentos com adubação, o manejo do pastejo não foi adequado)
são as que têm mais afetado o rendimento das culturas. É importante ressaltar que os
sistemas de integração lavoura-pecuária não prescindem das práticas de manejo mais
adequadas para cada componente do sistema (solo-planta-animal).

Benefícios agronômicos e ambientais


A melhoria das propriedades físicas, químicas e biológicas dos solos é uma
questão-chave no desenvolvimento de sistemas de produção agrícola mais sustentáveis.
De acordo com Franzluebbers (2007), os sistemas mais diversificados, como a ILP, são
940 Savanas: desafios e estratégias para o equilíbrio entre sociedade , agronegócio e recursos naturais

importantes para repor e manter a matéria orgânica do solo (MOS) e proporcionar solos
bem estruturados, favorecendo: a maior taxa de infiltração de água das chuvas,
aumentando a sua disponibilidade para os cultivos; a redução do escorrimento superficial,
evitando erosões e poluição dos corpos d’água; a penetração das raízes no perfil do solo,
aumentando o volume de solo explorado pelo sistema radicular dos cultivos e,
conseqüentemente, a eficiência de uso de água e nutrientes.

Ademais, essa diversificação das espécies vegetais em sistemas de ILP promove


maior diversidade dos grupos da macrofauna invertebrada do solo (SILVA et al., 2006). A
macrofauna invertebrada do solo desempenha papel-chave no funcionamento do
ecossistema, participando em diferentes níveis tróficos da cadeia alimentar no solo.
Esses invertebrados do solo alteram as populações e atividade de microrganismos
responsáveis pelos processos de mineralização e humificação da matéria orgânica do
solo, alterando a disponibilidade de nutrientes assimiláveis pelas plantas (DECAËNS et
al., 2003).

Além disso, no contexto de mitigação das mudanças climáticas, o desafio é


conservar os estoques de carbono dos ecossistemas e remover carbono da atmosfera,
incorporando-o aos estoques existentes (GUO; GIFFORD, 2002), fato que pode ser
observado em sistemas de integração lavoura-pecuária com manejo eficiente. As
pastagens bem manejadas, de modo geral, têm potencial para aumentar o teor de carbono
do solo. Guo e Gifford (2002), usando o procedimento estatístico de meta análise para
avaliar o impacto da mudança do uso da terra nos estoques de carbono no solo (537
observações de 74 publicações do Brasil e de outros 15 países), verificaram que a
substituição de florestas nativas ou de lavoura por pastagem aumentou o teor de carbono
do solo de 8 % a 19 %. A substituição das pastagens por floresta plantada ou por lavouras
de grãos resultou em decréscimos de 10 % e 59 %, respectivamente.

Para conservar o solo produtivo por um longo período, é necessário desenvolver


sistemas de cultivos que permitam manter ou melhorar a estrutura do solo. Segundo
Lynch e Bragg (1985), o método mais prático de manipular a estrutura do solo é a inclusão
de espécies forrageiras nos sistemas de produção. Essa conclusão ratifica a proposta de
Lal (1991), de que a rotação de culturas anuais e pastagens é uma das melhores
alternativas para obter um manejo sustentável do solo e da água nos trópicos.
Integração Lavoura-pecuária 941

Para regenerar a estrutura do solo, é necessário promover o aumento da sua


agregação, o que pode ser obtido pelo aumento da matéria orgânica do solo (CASTRO
FILHO et al., 1991). Além disso, em solos intemperizados, como os do Cerrado, a
capacidade de troca catiônica (CTC) depende em essência da matéria orgânica do solo.
De acordo com Sousa e Lobato (2004), entre 75 % e 93 % da CTC dos solos de Cerrado se
originam da MOS. As pastagens bem manejadas, em contraste com os cultivos anuais
em plantio convencional e até aqueles em plantio direto, têm a capacidade de
freqüentemente aumentar o teor de matéria orgânica do solo (MOS). Os resultados da
Fig. 1 ilustram o efeito do monocultivo de soja e da rotação soja/pasto nos teores de MOS.
Durante 13 anos de cultivo de soja, o teor de matéria orgânica do solo reduziu 24,4 % em
relação ao valor original (3,6 %). Por sua vez, a inclusão de Brachiaria humidicola
manejada sob cortes aumentou continuamente o teor MOS durante os 9 anos de avaliação
(ensaio sob corte manual). Com o retorno da lavoura de grãos (rotação soja-milho) no
sistema, o teor de MOS passou a decrescer, mantendo, contudo, uma diferença em torno
de 30 % a mais em relação ao sistema de rotação contínua com cultivos anuais até o
último ano (SOUSA et al., 1997). Resultados semelhantes foram obtidos por Studdert et
al. (1997) em experimento de longa duração na Argentina. Depois de um ciclo longo de
pastagem, observaram o declínio no teor da MOS com plantio de culturas anuais em
sistema de preparo convencional de solo (aração+gradagens) e que foi recuperada (MOS)
pela pastagem implantada depois do ciclo de lavoura.

A integração lavoura-pecuária em sistema de plantio direto pode reduzir a


variação no teor de matéria orgânica que ocorre na mudança de componentes,
aumentando com a pastagem e reduzindo com lavoura de grãos. No Uruguai, em
experimento de longa duração de rotação lavoura/pastagem, o mais antigo da América
Latina, García-Préchac et al. (2004) relataram que a adoção de plantio direto na rotação de
lavoura/pasto, depois de 27 anos em plantio convencional, minimizou a flutuação no teor
de matéria orgânica do solo, mantendo ou aumentando a concentração de MOS. É
interessante mencionar que, na fase de plantio convencional − 1964 a 1990 − o declínio na
MOS na camada de 0 cm a 20 cm foi de 540 kg/ha/ano no sistema de lavoura contínua. No
entanto, na rotação lavoura/pastagem, a perda de matéria orgânica do solo foi de apenas
80 kg/ha/ano, a maior parte da MOS perdida durante o período de lavoura em plantio
convencional era recuperada durante o ciclo de pastagem.
942 Savanas: desafios e estratégias para o equilíbrio entre sociedade , agronegócio e recursos naturais

5,0

Matéria orgância (%)


4,0

3,0

Rotação contínua de soja/milho


Pasto depois de lavoura
2,0 Lavoura depois de pasto

0,0

1991
1987
1975
1976

1986

1989
1978

1982

1988

1992
1990
Anos
Fig. 1. Dinâmica da matéria orgânica na camada de 0 cm a 20 cm
de profundidade em dois sistemas de rotação de culturas em um
Latossolo Vermelho-Amarelo, textura argilosa.
Fonte: Sousa et al. (1997).

Outro exemplo do efeito de pastagem no aumento da MOS foi relatado no trabalho


desenvolvido por Salton (2005), também em um experimento de longa duração (Fig. 2). A
recuperação do estoque de carbono do solo pela introdução de pastagem depois de um
ciclo de lavoura em plantio convencional foi evidente. Na área destinada à pastagem
permanente (PP) de Brachiaria decumbens, a taxa de acúmulo de carbono no solo em foi
de 0,9 Mg/ha/ano; e, no sistema rotação lavoura/pasto de Brachiaria decumbens, essa
taxa foi de 0,44 Mg/ha/ano (S2P2, Fig. 2). No entanto, nas áreas em que se manteve
lavoura, tanto em plantio convencional como em plantio direto, não se observou aumento
no teor de matéria orgânica do solo.

Na pastagem avaliada por Sousa et al. (1997), a taxa de aumento no teor de


matéria orgânica do solo foi estimada em 1,67 Mg/ha/ano durante período em que a área
estava com pastagem de Brachiaria humidicola (Fig. 2). É importante ressaltar que a
Integração Lavoura-pecuária 943

pastagem de B. humidicola manejada por meio de cortes manuais recebia adubações


anuais de nitrogênio e potássio, enquanto a de B. decumbens, do experimento de Salton
(2005), era pastejada e não recebeu nenhuma adubação. Em condições de pastejo e com
bom manejo do pasto, o incremento nos teores de matéria orgânica do solo, pela mesma
pastagem de B. decumbens, poderia ser ainda maior. Todavia, a extração de biomassa e
nutrientes em situação de cortes é sensivelmente mais elevada do que em pastagens
manejadas sob pastejo.

Início do
cultivo de Início do
50 lavouras experimento
em PC
C (Mg ha-1)

40
Taxas de
retenção de C
(mg ha-1 ano-1)

VN
PP Y=0,9089x + 41,9 r2=0,98
S2P2 Y=0,4400x + 41,9 r2=0,50
30 L-PC Y=-0,0019x + 41,9 r2=0,01
L-PD Y=-0,1687x + 41,9 r2=0,01
0
1975 1985 1995 2005
Ano
Fig. 2. Evolução do estoque de carbono orgânico na camada de
0 cm a 20 cm de um Latossolo Vermelho distrófico de Dourados,
MS, submetido a usos e formas de manejo ao longo do tempo.
L-PC = lavouras em sistema convencional, L-PD = lavouras em
plantio direto, S2P2 = rotação de dois anos soja em plantio direto/
dois anos pastagem (B. decumbens), PP = pastagem permanente
de B. decumbens, VN = vegetação natural.
Fonte: Salton, 2005.

No estudo de Sousa et al. (1997), também foi avaliada a eficiência de uso de


fósforo depois da B. humidicola (Fig. 1). A produtividade do primeiro cultivo com soja,
depois de um ciclo de 9 anos de pastagem, foi superior ao sistema exclusivo de culturas
anuais (13º cultivo de soja) para um mesmo teor de P no solo (Fig. 3), evidenciando a
maior eficiência do uso desse nutriente quando a pastagem foi inserida na rotação. Como
944 Savanas: desafios e estratégias para o equilíbrio entre sociedade , agronegócio e recursos naturais

exemplo, observa-se que, para produzir 3 t/ha de grãos de soja, no sistema de culturas
anuais, foram necessários 6 mg/dm3 de P no solo (Mehlich 1), ao passo que, no sistema
pastagem/culturas anuais, a necessidade de fósforo foi reduzida para 3 mg/dm3.
Provavelmente, o menor nível crítico de fósforo na rotação pastagem-soja seja em razão
de: (a) reciclagem mais eficiente de P no sistema; (b) acréscimos na taxa de
mineralização da matéria orgânica do solo, acumulada durante o período da pastagem;
e/ou (c) bloqueio dos sítios de adsorção de fósforo pelo maior acúmulo de matéria
orgânica, reduzindo a fixação desse elemento (FOX; SEARLE, 1978). Esses resultados
demonstram a melhor eficiência de uso de fósforo pelas plantas em sistemas de rotação
cultura anual-pastagem do que naquele constituído apenas por culturas anuais.

3500

3000
Rendimento de grãos (kg/ha)

2500

2000

1500
^ 2
Y anual =3.10-9,48e -0,765P R =0,94
1000 ^ 2
Y pasto/soja =3.29-8,97e -1,123P R =0,94

500

0
0 2 4 6 8 10
3
P extraível (mg/dm )

Fig. 3. Efeito de dois sistemas de rotação de culturas sobre a relação entre


fósforo extraível (Mehlich 1) na camada de 0 cm a 20 cm de profundidade e
rendimento de grãos de soja cv. Cristalina em Latossolo Vermelho-Amarelo,
textura argilosa.
Sistema anual = 13 cultivos sucessivos de soja e pasto/soja = soja depois
de três cultivos de soja seguidos de 9 anos de pastagem de braquiária.
Fonte: Sousa et al. (1997).
Integração Lavoura-pecuária 945

O benefício da pastagem no rendimento de grãos de soja pode ser visualizado na


Tabela 1. Esses resultados foram obtidos em um experimento de longa duração, em
condução na Embrapa Cerrados, Planaltina, DF. O rendimento de soja depois de um ciclo
de 3 anos de pasto de Brachiaria brizantha cv. Marandu foi 17 % (510 kg/ha de grãos)
superior ao obtido no sistema de lavoura contínua. Ressalte-se, ainda, que esse maior
rendimento de grãos foi obtido em área que recebeu menores quantidades de fertilizantes,
em média 45 % a menos, durante os 17 anos de cultivo (Tabela 1). Desse modo, a maior
eficiência no uso dos nutrientes do solo pelas culturas de grãos na integração lavoura-
pecuária, em relação ao cultivo solteiro (Tabela 1 e Fig. 3), implica economia no uso de
fertilizantes e, conseqüentemente, redução nos custos de produção. Todavia, esses
benefícios nem sempre são facilmente visualizados no curto prazo.

Tabela 1. Rendimento de soja (kg/ha) em dois sistemas de cultivos (lavoura contínua-LC e rotação
lavoura/pasto/lavoura-LPL) submetidos a dois sistemas de plantio em Latossolo Vermelho, textura
argilosa. Planaltina, DF.

Sistema/cultivo Sistema de plantio


(1) (2) (3)
2004/2005 a 2006/2007 2007/2008 Convencional Direto Média

Soja-Sorgo-Soja (LC) Soja 3.078 3.044 3.061 a


B. brizantha cv. Marandu (LPL) Soja 3.540 3.603 3.571 b

Média 3.309 a 3.323 a


1
Total de corretivos e nutrientes aplicados por nível de fertilidade em 17 anos de cultivo: LC (8,6 t/ha de
calcário dolomítico, PRNT 100 %, 2,8 t/ha de gesso, 308 kg/ha de N, 1487 kg/ha de P2O5, 1391 kg/ha de
K2O e micronutrientes); LPL (8,6 t/ha de calcário dolomítico, PRNT 100 %, 2,8 t/ha de gesso, 85 kg/ha de
N, 853 kg/ha de P2O5, 813 kg/ha de K2O e micronutrientes).
2
Na safra de 2007/2008, a adubação de plantio da soja foi 485 kg/ha da fórmula 0-20-
20+S+micronutrientes.
3
Médias seguidas por letras iguais não diferem entre si ao nível de significância de 5 % pelo teste de
Tukey.

Além disso, o potencial produtivo do pasto de Marandu antes do plantio de soja,


no trabalho relatado na Tabela 1, ainda era alto. Na Fig. 4, observa-se que em 134 dias de
pastejo, no período das chuvas, o ganho de peso foi de 683 kg/ha de peso vivo (23@/ha).
A amplitude de ganho de peso vivo em pasto de primeiro ano, em sistemas de
integração lavoura-pecuária, tem variado de 20@/ha/ano a 40@/ha/ano e de 9@/ha/ano
a 15 @/ha/ano, em função da amplitude nas condições edafoclimáticas e de manejo nos
diferentes locais, respectivamente (MARTHA JÚNIOR et al., 2007).
946 Savanas: desafios e estratégias para o equilíbrio entre sociedade , agronegócio e recursos naturais

800
683

Ganho de peso vivo (kg/ha)


700
600
500

400
300 269

200
100
0
Pasto em degradação Pasto depois de lavoura

Fig. 4. Ganho de peso vivo de bovinos em recria em duas pastagens de


Brachiaria brizantha cv. Marandu, antes do plantio da soja em 2007.
Antes do plantio do pasto, a área foi cultivada com soja e milheto nas
safras de 1999 a 2003. Período de pastejo de 134 dias na estação das
chuvas de 2006/2007. Planaltina, DF.

O aumento de produtividade dos componentes lavoura e animal em sistemas de


integração lavoura-pecuária é resultante da interação de vários fatores e, muitas vezes,
de difícil separação. Além da melhoria das propriedades físicas, químicas e biológicas do
solo, a quebra de ciclos bióticos (pragas, doenças) contribui para aumentar a
produtividade do sistema (VILELA et al., 1999; COSTA, 2003).
No caso das pragas de solo, o aumento de população de Pratylenchus brachyurus
em lavouras de soja e algodão, sobretudo no Estado de Mato Grosso, tem gerado
inquietação entre os produtores. E, como forma de reduzir a população desse nematóide,
tem sido adotada a rotação de culturas anuais com pastos. Contudo, os resultados
obtidos por Inomoto et al. (2007) indicaram que os principais capins (Brachiaria brizantha
cv. Marandu, Panicum maximum cvs. Tanzânia e Mombaça, Brachiaria ruziziensis)
adotados em sistemas de integração lavoura-pecuária, embora tolerantes, favorecem a
multiplicação o P. brachyurus.
A redução da população de plantas daninhas é outro benefício relatado na
literatura nacional e estrangeira (KLUTHCOUSKI et al., 2003; SEVERINO et al., 2006; IKEDA
et al., 2007). Em estudo realizado em um experimento de longa duração da Embrapa
Cerrados, Planaltina, DF, Ikeda et al. (2007) constataram reduções significativas nos
bancos de sementes de plantas daninhas em sistema de rotação lavoura/pasto em
relação ao sistema de lavoura continua, sobretudo quando se adotou o plantio direto
(Fig. 5).
Integração Lavoura-pecuária 947

25000 a
a
20000
Semente / m 2
15000

b
10000

5000
c

0
LC-PC LC-PD LPL-PC LPL-PD
Sistemas
Fig. 5. Banco de sementes de plantas daninhas, na camada de
0 cm a 20 cm, em dois sistemas de cultivos em Latossolo Vermelho,
textura argilosa: LC=lavoura contínua em plantio convencional (PC)
e plantio direto (PD); LPL= rotação lavoura/pasto/lavoura em plantio
convencional e plantio direto. Médias seguidas por letras iguais
não diferem entre si pelo teste de Wilcoxon, a 5 % de probabilidade.

Fonte: Adaptado de Ikeda et al. (2007).

Ainda em relação aos benefícios dos sistemas de integração lavoura-pastagem, o


exemplo da Fazenda Santa Terezinha, em Uberlândia, MG, é uma evidência do potencial
desses sistemas em fazendas comerciais (Fig. 6). Essa propriedade desenvolvia atividade
de cria e tinha uma área, em 1983, de 1.014 hectares de pastagem e rebanho de 1.094
cabeças (taxa de lotação de 1,1 cabeça/ha). A partir de 1985, a propriedade passou a
destinar áreas de pastagens para a produção de grãos até atingir, em 1996, a totalidade da
área com um ou mais ciclos de lavoura. Em 1996, a área destinada a pastagens
representava 36 % da área total da fazenda; o rebanho era de 1.200 cabeças,
representando uma taxa lotação três vezes superior à inicial. A maior taxa de lotação foi
reflexo da recuperação da fertilidade do solo e da utilização de gramíneas com maior
potencial de produção de forragem. É importante ressaltar que a redução na taxa de
lotação, em 2003, não foi em razão da perda da capacidade de suporte das pastagens,
mas da reorientação de metas e objetivos do sistema de produção1.
2
Comunicação pessoal de Fernando Rauscher, Fazenda Santa Terezinha, a Lourival Vilela em 4 de julho de
2003.
948 Savanas: desafios e estratégias para o equilíbrio entre sociedade , agronegócio e recursos naturais

1983 1988

100 % 29 %
42 %

29 %

Pastagem depois de cerrado Lavoura


1014 ha Pastagem depois de Cerrado
Pastagem depois de lavoura

1992 1996

41 % 36 %

64 %
59 %

Lavoura Lavoura
Pastagem depois de lavoura Pastagem depois de lavoura

2003
Tx. Lotação
Anos Rebanho
30 % (an./ha)
1983 1094 1,1
1988 821 1,4
1992 1150 2,8
70 % 1996 1200 3,2
2003* 1800 2,6
*Fernando Rauscher - comunicação
Lavoura pessoal
Pastagem depois de lavoura

Fig. 6. Evolução da rotação de lavoura-pastagem e da capacidade de suporte das


pastagens na Fazenda Santa Terezinha, Uberlândia, MG. Na fazenda, predomina o
solo Neossolo Quartzarênico (Areia Quartzosa).
Integração Lavoura-pecuária 949

Nessa fazenda, como exemplo dos benefícios nas propriedades físicas do solo,
observou-se que a porcentagem de agregados estáveis em água com diâmetros maiores
do que 2,0 mm, nas áreas de pastagem depois de cultura, foi de 89 %. Nas áreas
cultivadas com soja por 1 e 4 anos, esses valores foram, respectivamente, de 66 % e
46 %. Os teores de matéria orgânica do solo nas áreas de pastagens depois de um ciclo de
culturas foram, em média, de 1,23 %; nas áreas sob cultivo com soja por períodos de 1 e 4
anos, os respectivos teores de matéria orgânica foram de 0,84 % e 0,94 % (AYARZA et al.,
1993). O efeito das pastagens também foi evidente no rendimento das culturas anuais. O
rendimento de grãos de soja correlacionou-se significativamente com idade da pastagem
que antecedia as culturas anuais na rotação. Para cada ano de pastagem, o rendimento de
grãos aumentou em 127 kg/ha. Esse valor, embora expressivo, foi inferior aos 170 kg/ha
para cada ano de pastagem estimado com base nos resultados da Tabela 1. Entre outros
fatores, essas respostas diferenciadas se devem às diferenças no potencial de
produtividade agrícola desses solos (Neossolo Quartzarênico vs. Latossolo Vermelho,
textura argilosa) e das cultivares de soja utilizadas.

Pelo lado ambiental, a agropecuária está entre as atividades antrópicas que


contribui para as emissões de gases de efeito estufa (LIMA, 2002). Ao mesmo tempo em
que está contribuindo para intensificar o efeito estufa, a agropecuária, potencialmente,
pode sofrer os impactos negativos das mudanças climáticas resultantes desse processo.
A emissão de gases responsáveis pelo aquecimento global - metano (CH4), dióxido de
carbono (CO2), monóxido de carbono (CO), óxido nitroso (N2O) e óxidos de nitrogênio (NOx)
- tem sido gerada por diferentes práticas agrícolas.

Os ruminantes, por meio da fermentação entérica, produzem metano e são


responsáveis por cerca de 22 % das emissões totais geradas por fontes antrópicas
(UNITED STATES ENVIRONMENTAL PROTECTION AGENCY, 2000). No Brasil, a pecuária tem
sido responsabilizada pela emissão de 96 % de metano proveniente de todas as atividades
agrícolas do País (LIMA, 2002). Nos Estados Unidos, essa porcentagem é de 21 %
(UNITED STATES ENVIRONMENTAL PROTECTION AGENCY, 1993). Segundo Lima (2002), no
Brasil, a maior parte dessas emissões de metano tem origem em áreas de pastagens
extensivas. Provavelmente, a maioria dessas pastagens está em processo de
degradação, e o menor desempenho animal, nessas situações, implica maior emissão de
metano por unidade de produto. Com efeito, entre as alternativas de mitigação de metano,
uma importante estratégia seria o aumento de produtividade animal. DeRamus et al.
950 Savanas: desafios e estratégias para o equilíbrio entre sociedade , agronegócio e recursos naturais

(2003) verificaram que menos metano foi produzido por unidade de ganho de peso com a
adoção de melhores práticas de manejo associadas ao pastejo intensivo em pastagens
adubadas com nitrogênio, fósforo e potássio. A redução na emissão anual de metano foi
de 22 %.

Em estudo de simulação fundamentado no crescimento linear dos coeficientes


técnicos da pecuária de corte brasileira (taxa de nascimento de 55 % para 68 %, redução
na idade de abate de 36 meses para 28 meses e redução na taxa de mortalidade de 0 a 1
ano de 7 % para 4,5 %), Barioni et al. (2007) estimaram que a produção, em equivalente
carcaça, aumentaria em 25 % entre 2007 e 2025. E que, apesar desse aumento, o
incremento na emissão de metano seria de apenas 2,9 % (Fig. 7). Os impactos previstos
nos coeficientes técnicos considerados nesse estudo dependem, fundamentalmente, da
quantidade e da qualidade da forragem consumida e da sanidade do rebanho. Ademais,
para mitigar a emissão dos gases do efeito estufa, segundo Feigl et al. (2001), seria
imprescindível melhorar o manejo das pastagens já implantadas. Convergente com essa
afirmação, tem-se que se a recuperação das pastagens, por meio da adubação direta ou
da integração lavoura-pecuária, for feita consoante boas práticas de manejo, tal ação
poderia desempenhar papel fundamental na melhoria da eficiência dos processos
relacionados com a mitigação da emissão desses gases.

A cobertura de solo proporcionada pelas pastagens é normalmente muito eficiente


no controle do escorrimento superficial de água e, conseqüentemente, da erosão. Em
comparação aos principais cultivos do Cerrado, as pastagens são as mais eficientes no
controle de perda de água e solo (DEDECEK et al., 1986). Em razão da estreita relação que
existe entre escorrimento superficial e erosão do solo, qualquer prática que aumenta a
taxa de infiltração e a cobertura de solo reduz a perda de sedimentos (THUROW, 1991).
Portanto, a degradação de pastagem é um processo com alto potencial para causar
erosão e assoreamento de nascentes, rios, represas e lagos.

Das oito grandes bacias hidrográficas brasileiras, seis têm suas nascentes em
áreas de Cerrado (LIMA; SILVA, 2002). O Bioma Cerrado é responsável por 71 % da vazão
(Q) gerada na Bacia Araguaia/Tocantins, 94 % na Bacia do São Francisco e 71 % na Bacia
Paraná/Paraguai (Tabela 2). Tendo em vista a importância deste bioma para a expansão
do setor agrícola e para a manutenção da oferta hídrica nacional, fica uma pergunta: quais
são os impactos da degradação de mais de 50 % dos 54 milhões de hectares de
pastagens do Cerrado no ciclo hidrológico dessas bacias? Ainda não há respostas para
essa questão.
Integração Lavoura-pecuária 951

Produção de carne (x1000 t eq Carcaça)


11500
Produção
11079
Emissão de metano (x 1000 t)
11000 Emissão de metano

10500

10000
9837

9500 9563

9000
8831
8500

8000
2005 2010 2015 2020 2025 2030
Ano

Fig. 7. Simulação dos impactos do crescimento linear de coeficientes técnicos


da pecuária de corte brasileira – taxa de nascimento de 55 % para 68 %, redução
na idade de abate de 36 meses para 28 meses e redução na taxa de mortalidade
de 7 % para 4,5 % – na emissão de metano e na produção de carne.
Fonte: Adaptado de Barioni et al. (2007).

Tabela 2. Produção hídrica das principais bacias hidrográficas do Brasil e sua relação com o Cerrado.

Bacias Área total Vazão total Cerrado Vazão Cerrado


(km²) (%) (m³/s) (%) (km²) (%) (m³/s) (%)

Amazônica (1) 3.900.000 46 133.380 73 210.000 5 5.146 4


Araguaia/Tocantins 757.000 9 11.800 6 590.000 78 8.391 71
Atlântico Norte/Nordeste 1.029.000 12 9.050 5 280.000 27 1.033 11
São Francisco 634.000 7 2.850 2 300.000 47 2.674 94
Atlântico Leste 545.000 6 4.350 3 60.000 11 314 7
(1)
Paraná/Paraguai 1.245.000 15 12.290 7 600.000 48 8.696 71
(1)
Uruguai 178.000 2 4.150 2 - - - -
Atlântico Sul/Sudeste 224.000 3 4.300 2 - - - -

Brasil 8.512.000 100182.170100 2.040.000 24 26.254 14


1
Produção hídrica em território brasileiro.
Fonte: Adaptado de Lima e Silva, 2002.
952 Savanas: desafios e estratégias para o equilíbrio entre sociedade , agronegócio e recursos naturais

A redução do uso de agroquímicos em razão da quebra dos ciclos de pragas,


doenças e plantas daninhas é outro benefício potencial ao meio ambiente dos sistemas
mistos, como a integração lavoura-pecuária.

Perspectivas de benefícios socioeconômicos


O agronegócio brasileiro vem crescendo e se transformando de maneira
expressiva ao longo das últimas três décadas. Esses eventos têm se mostrado
particularmente intensos nos últimos anos. Gasques et al. (2008) mostraram que a taxa
anual de crescimento da produtividade total dos fatores da agropecuária brasileira
aumentou 3,27 % no período de 1975-2007; e, entre 2000-2007, foi registrada uma
expressiva taxa de crescimento de 4,75 % ao ano. Pelo lado da indústria e das
exportações de produtos de maior valor agregado, as matérias-primas baratas são um
fator-chave que vem contribuindo para ampliar a competitividade, as vantagens
comparativas e o “market-share” dos produtos semi-processados e industrializados do
agronegócio brasileiro em relação aos concorrentes internacionais.

O progresso tecnológico do agronegócio brasileiro, bastante evidente a partir do


último quartel do século passado, ao reduzir os preços dos alimentos ao consumidor,
trouxe um ganho enorme para a sociedade, tanto por aumentar o poder de compra do
mais pobre, reduzindo pressões inflacionárias, como em virtude da redução no risco de
variabilidade no abastecimento e da melhoria na qualidade dos produtos (BARROS et al.,
2001). E os excedentes na produção de alimentos (em particular dos complexos soja e
carnes), que têm sustentado os expressivos resultados da balança comercial brasileira
nos últimos 15 anos, refletem importante contribuição do Brasil para reduzir a fome e uma
série de tensões macroeconômicas no mundo.

Nos últimos 3 anos, o vertiginoso aumento no preço do petróleo tem repercutido


em maior demanda pelos seus substitutos – os biocombustíveis. Essa nova demanda
pelo uso da terra, em escala global, intensificou o debate sobre segurança alimentar vis-à-
vis segurança energética. Se a ampliação da área destinada à produção de
biocombustíveis ocorrer em detrimento da área para a produção de alimentos e se essa
não se expandir e/ou se não forem verificados ganhos compensatórios na produtividade
agropecuária, haverá diminuição ou crescimento insuficiente na oferta dos produtos
agrícolas e, conseqüentemente, aumento nos preços (MARTHA JÚNIOR, 2008).
Integração Lavoura-pecuária 953

Os fatores, naturais ou humanos, que direta ou indiretamente induzem mudanças


no ecossistema (ou agroecossistema) são normalmente referenciados como “drivers”.
Um fator indutor indireto seria aquele que opera de maneira mais difusa, alterando pelo
menos um fator direto, que, por sua vez, influencia diretamente os processos do
ecossistema (NELSON et al., 2005). Os fatores indiretos mais importantes são aqueles de
cunho demográfico, econômico, sociopolítico, científico e tecnológico, cultural e religioso;
os fatores diretos de maior relevância seriam as mudanças climáticas, mudanças no uso
da terra (como o desmatamento), eficiência de uso de nutrientes pelas plantas e a
incidência de pragas e de doenças (NELSON et al., 2005).

Os fatores que induzem mudanças no uso da terra apresentam-se em escalas


local, nacional e global (Fig. 8). Determinar a importância relativa de cada fator indutor –
ou das interações entre eles – sobre os impactos observados em uma dada localidade é,
no entanto, difícil (HAZELL; WOOD, 2008). Não obstante, as estratégias para responder a
eventuais mudanças indesejáveis serão bastante influenciadas pela habilidade de os
agentes locais influenciarem esses fatores de mudança. Desse modo, à parte as
dificuldades, é importante manter o foco, ainda que em linhas gerais, nos fatores que mais
parecem estar influenciando oportunidades e desafios em âmbito local (HAZELL; WOOD,
2008).

A Fig. 8 ilustra importantes fatores econômicos e alguns sociopolíticos que


influenciam a dinâmica de uso da terra com vistas ao uso agrícola. Deve-se ter em mente,
porém, que outros importantes fatores influenciam de maneira decisiva as mudanças no
uso da terra. Em particular, aqueles de cunho ecológico (ex.: clima, aptidão do solo e
biodiversidade), político (ex.: aspectos agrários e reservas indígenas) e humano (ex.:
fatores culturais, preferências e aversão ao risco), que devem ser considerados para um
melhor entendimento das mudanças no uso da terra numa dada localidade.

As mudanças no uso da terra são efetivadas por meio de duas estratégias:


extensificação ou intensificação. A extensificação implica expansão da área cultivada. Já
a intensificação envolve o aumento da produtividade em áreas já desmatadas, como
resultado do uso de maiores quantidades de insumos, podendo ou não haver reordenação
do portfólio de tecnologias e de atividades agrícolas.
954 Savanas: desafios e estratégias para o equilíbrio entre sociedade , agronegócio e recursos naturais

Drivers - escala global


ÄComércio internacional e globalização dos mercados.
ÄBaixos preços mundiais.
ÄElevados preços de energia.
ÄPolíticas agrícolas dos países da OECD...

Drivers - escala nacional


O Renda per capita e urbanização.
O Mudanças nas cadeias de mercado.
O Mudanças em políticas públicas...

Drivers - escala local


ü Saúde.
ü Pobreza.
ü Tecnologia.
ü Direito de propriedade.
ü Infra-estrutura e acesso a mercado.
ü Oportunidade fora da agricultura...

Fig. 8. Alguns fatores (drivers) diretos e indiretos que atuam


em escalas local, nacional e global influenciando a dinâmica
de uso da terra.
Fonte: A partir de Hazell e Wood (2008), adaptado de Martha
Júnior (2008).

As críticas contra a extensificação centram na inevitável perda da vegetação


natural que acompanha essa estratégia. Nesse sentido, além do comprometimento da
biodiversidade, é possível – e, na verdade, até provável – que sejam gerados impactos
negativos sobre os recursos e qualidade do solo, da água e do ar. A intensidade desses
impactos depende das tecnologias agrícolas adotadas, que passam a ser relevantes por
uma ótica social (MARTHA JÚNIOR, 2008). Com a adoção de sistemas agrícolas
sustentáveis, pode-se, com o tempo, reverter, em larga medida – ou no caso de alguns
Integração Lavoura-pecuária 955

atributos pode-se até melhorar –, a perda de qualidade de alguns dos recursos naturais
observada com a alteração da vegetação nativa.

Entretanto, a intensificação dos sistemas de produção agropecuários também tem


sido encarada, em diversas situações, com duras críticas. As justificativas baseiam-se
em argumentos variados, como a redução de postos de trabalho no campo, aumento na
demanda energética e no consumo de fontes não-renováveis de energia na extração,
manufatura e aplicação dos insumos modernos, possibilidade de esses insumos, quando
mal utilizados, impactarem negativamente o ambiente e a saúde (MARTHA JÚNIOR,
2008).

E, com base nesses elementos, qual pode vir a ser o potencial papel da integração
lavoura-pecuária? Na verdade, vários, interligados entre si, e que atuam positivamente
tanto sobre a ótica privada como por aquela social. Obviamente, a realização desses
benefícios requer condições adequadas de manejo na propriedade agrícola, no sentido
amplo, e um ambiente macro e microeconômico minimamente viável.

Exemplificando, a recente alta no preço dos alimentos reflete fatores de demanda


e de oferta, com características cíclicas, de curta duração, e outras estruturais, de
impactos de médio e longo prazo. Pelo lado do aumento na demanda, ressalte-se uma
crescente população, mais urbana e de maior renda. E, com a urbanização e,
principalmente, com o aumento da renda, vem a mudança nos hábitos alimentares em
direção ao maior consumo de carnes, aumentando a demanda de grãos para a
alimentação animal. Ainda pelo lado da demanda, tem-se a recente expansão dos
biocombustíveis, em escala global, a partir de uma gama de matérias-primas, menos
eficientes do que o etanol de cana-de-açúcar brasileiro, viabilizada pelos elevados preços
do petróleo.

Pelo lado da retração na oferta, o fator decisivo tem sido a forte valorização no
preço do petróleo, repassado em diferentes intensidades para o óleo diesel, fretes
marítimos e rodoviários e para os insumos dependentes do petróleo, como fertilizantes e
agroquímicos, que repercutiu em aumentos expressivos nos custos de produção. Outros
fatores ligados à oferta foram os problemas climáticos em importantes países
exportadores de produtos agropecuários e os baixos estoques mundiais nos últimos anos
e, em caráter mais recente, os movimentos especulativos e as políticas de restrição à
exportação adotadas por alguns países. Soma-se a esse cenário a paulatina redução nos
956 Savanas: desafios e estratégias para o equilíbrio entre sociedade , agronegócio e recursos naturais

investimentos em agricultura e em pesquisa agropecuária nas últimas décadas, em


grande parte um reflexo da ampla oferta de alimentos impulsionada pelos subsídios
agrícolas dos países mais desenvolvidos.

Considerações Finais
Para atender a demanda crescente por alimentos e por bioenergia, sem
comprometer a sustentabilidade dos ecossistemas e dos agroecossistemas, é
necessário desenvolver sistemas de produção mais eficientes no uso dos recursos
naturais do Cerrado. Os sistemas mistos, como a integração lavoura-pecuária, são,
normalmente, mais sustentáveis do que os sistemas especializados (monocultivos).

Pela ótica privada, os benefícios econômicos da integração lavoura-pecuária


centrariam na possibilidade de aumentar a oferta, para um dado preço de mercado, com
custos de produção menores, dada à maior eficiência no uso de fertilizantes e a menor
demanda por agroquímicos, em razão da quebra no ciclo de pragas, doenças e de plantas
daninhas. Tal fato reflete a possibilidade de recuperar, de modo econômico e
ambientalmente plausível, áreas degradadas, em grande parte com cobertura de
pastagens plantadas. Esses efeitos positivos sobre a renda do produtor rural somam-se a
benefícios mais amplos à sociedade, quer seja pelo aumento da oferta de alimentos e do
favorecimento para a consolidação de um ambiente macroeconômico mais estável, ou
pela menor pressão exercida sobre os recursos físicos do sistema. Nessa proposta, ter-
se-ia, portanto, uma situação “ganha-ganha”, em que a oferta de produtos agrícolas e de
bioenergia seria potencialmente aumentada, sem promover novos desmatamentos, ao
mesmo tempo em que áreas de pecuária de baixa produtividade ou degradadas seriam
recuperadas por atividades agrícolas “mais eficientes”, como lavouras de grãos, cana-de-
açúcar ou uma pecuária produtiva (MARTHA JÚNIOR, 2008).

Na dimensão ambiental, as áreas de pastagens cultivadas representam a melhor


alternativa para a expansão de áreas para produção de grãos e biocombustíveis.
Exemplificando, à parte o benefício dos ecossistemas de pastagens na transformação de
alimentos sem utilidade para consumo humano (forragens, resíduos) em alimentos de
elevado valor biológico (carne, leite). A partir de áreas muitas vezes de baixa aptidão
agrícola, a planta forrageira e seu agroecossistema provêm outros serviços ambientais
importantes ao homem. Entre os principais, está o aumento na matéria orgânica do solo,
determinando maior taxa de infiltração e armazenamento de água no solo e,
Integração Lavoura-pecuária 957

conseqüentemente, menor perda por escorrimento superficial. Verificam-se outros


serviços ambientais em pastagens bem manejadas e produtivas, como a possibilidade de
esse agroecossistema ser utilizado para a assimilação de resíduos como esterco ou lodo
de esgoto, ou de desempenhar papel positivo sobre a qualidade do ambiente por meio da
captura do CO2 da atmosfera e estocagem desse carbono no solo (MARTHA JÚNIOR et al.,
2006). Portanto, a expansão das lavouras – para produção de grãos e fibra – sobre as
áreas de pastagens por meio de sistemas de integração lavoura-pecuária, além de
recuperar a produtividades dos pastos, pode contribuir para aumentar a produção de grãos
sem a necessidade de abrir novas áreas para produção agrícola.

Referências
ALVARENGA, C. R.; GONTIJO NETO, M. M.; RAMALHO, J. H.; GARCIA, J. C.; VIANA, M. C. M.;
CASTRO, A. A. D. N. Sistema de integração lavoura-pecuária: o modelo implantado na Embrapa
Milho e Sorgo. Sete Lagoas: Embrapa Milho e Sorgo, 2007. 9 p. (Embrapa Milho e Sorgo. Circular
Técnica, 93).

AYARZA, M.; VILELA, L.; RAUSCHER, F. Rotação de culturas e pastagens em solo de cerrado: estudo
de caso. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIA DO SOLO, 24., 1993, Goiânia. Cerrados: fronteira
agrícola no século XXI: resumos. Goiânia: Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, 1993. p. 121-122.

BARCELLOS, A. O.; VIANNA FILHO, A.; BALBINO, L. C.; OLIVEIRA, I. P.; YOKOYAMA, L. P.
Restabelecimento da capacidade produtiva e desempenho animal em pastagens renovadas na
região do Cerrado. Planaltina, DF: Embrapa Cerrados, 1999. 4 p. (Embrapa Cerrados. Comunicado
Técnico, 22).

BARIONI, L. G.; LIMA, M. A. de; ZEN, S. de; GUIMARÃES JÚNIOR, R.; FERREIRA, A. C. A baseline
projection of methane emissions by the Brazilian beef sector: preliminary results. In: GREENHOUSE
GASES AND ANIMAL AGRICULTURE CONFERENCE, 2007, Christchurch. Proceedings... Christchurch:
[s.n.], 2007.

BARROS, J. R. M.; RIZZIERI, J. A. B.; PICHETTI, P. Os efeitos da pesquisa agrícola para o


consumidor: relatório final. São Paulo: FIPE, 2001. 66 p.

BROWN, L. R. Outgrowing the earth: the food security challenge in an age of falling water tables and
rising temperatures. New York: W. W Norton & Company, 2004. 239 p.

CASSOL, L. C. Relações solo-planta-animal num sistema de integração lavoura-pecuária em


semeadura direta com calcário na superfície. 2003. 144 p. Tese (Doutorado em Ciência do Solo)
- Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre.
958 Savanas: desafios e estratégias para o equilíbrio entre sociedade , agronegócio e recursos naturais

CASTRO FILHO, C.; HENKLAIN, J. C.; VIEIRA, M. J.; CASÃO JR., R. Tillage methods and soil and water
conservation in southern in Brazil. Soil & Tillage Research, Amsterdam, v. 20, p. 271-283, 1991.

COSTA, J. L. S. Influência da braquiária no manejo de doenças do feijoeiro com origem no solo. In:
KLUTHCOUSKI, J.; STONE, J. L.; AIDAR, H. (Ed.) Integração lavoura-pecuária. Santo Antônio de
Goiás: Embrapa Arroz e Feijão, 2003. p. 523-538.

CUNHA, A. S.; MULLER, C. C.; ALVES, E. R. A.; SILVA, J. E. Uma avaliação da sustentabilidade da
agricultura nos cerrados. Brasília: IPEA, 1994. 256 p.

DECAËNS, T.; BUREAU, F.; MARGERIE, P. Earthworm communities in a wet agricultural landscape of
the Seine Valley (Upper Normandy, France). Pedologia, v. 47, p. 479-489, 2003.

DEDECEK, R. A.; RESCK, D. V. S.; FREITAS JÚNIOR, E. de. Perdas de solo, água e nutrientes por erosão
em latossolo vermelho-escuro dos Cerrados em diferentes cultivos sob chuva natural. Revista Brasileira
de Ciência do Solo, Campinas, v. 10, p. 265-272, 1986.

DeRAMUS, H. A.; CLEMENT, T. C.; GIAMPOLA, D. D.; DICKISON, P. C. Methane emissions of beef cattle
on forages: efficiency of grazing management systems. Journal of Environmental Quality, Madison,
v. 32, p. 269-277, 2003.

FEIGL, B. O.; BERNOUX, M.; CERRI, C. C.; PICCOLO, M. C. O efeito da sucessão floresta/pastagem
sobre o estoque de carbono e o fluxo de gases em solos da Amazônia. In: LIMA, M. A.; RODRIGUES,
O. M.; MIGUEZ, J. D. G. (Ed.). Mudanças climáticas globais e a agropecuária brasileira. Jaguariúna:
Embrapa Meio Ambiente, 2001. p. 257-271.

FLORES, J. P. C.; ANGHINONI, I.; CASSOL, L. C.; CARVALHO, P. C. F.; LEITE, J. G. D. B.; FRAGA, T. I.
Atributos físicos do solo e rendimento de soja em sistema plantio direto em integração lavoura-
pecuária com diferentes pressões de pastejo. Revista Brasileira de Ciência do Solo, Campinas,
v. 31, p. 771-780, 2007.

FOX, R. H.; SEARLE, P. G. E. Phosphate adsorption by soils of the tropics. In: DROSDOFF, M. Diversity
of soils in the tropics. Madison: American Society of Agronomy, 1978. p. 97-119. (Special Publication,
34).

FRANZLUEBBERS, A. J. Soil physical aspects of integrated crop-livestock systems. In: SIMPÓSIO


INTERNACIONAL EM INTEGRAÇÃO LAVOURA-PECUÁRIA, 2007, Curitiba. [Anais...]. Curitiba: UFPR;
[S. l.]: Ohio State University, 2007. 1 CD-ROM.

FREITAS, F. C. L.; FERREIRA, L. R.; FERREIRA. F. A.; SANTOS, M. V.; AGNES, E. L.; CARDOSO, A. A.;
JAKELAITIS, A. Formação de pastagem via consórcio de Brachiaria brizantha com o milho para
silagem no sistema de plantio direto. Planta Daninha, Viçosa, MG, v. 23, n. 1, p. 49-58, 2005.

GARCIA-PRÉCHAC, F.; ERNST, O.; SIRI-PRIETRO, G.; TERRA, J. A. Integrating no-till into crop-pasture
rotations in Uruguay. Soil & Tillage Research, Amsterdam, v. 77, p. 1-13, 2004.
Integração Lavoura-pecuária 959

GASQUES, J. G.; BASTOS, E. T.; BACCHI, M. Produtividade e crescimento da agricultura brasileira.


Brasília: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, 2008.

GREENWOOD, K. L.; McKENZIE, B. M. Grazing effects on soil physical properties and the consequences
for pastures: a review. Australian Journal of Experimental Agriculture, East Melbourne, v. 41,
p. 1231-1250, 2001.

GUO, L. B.; GIFFORD, R. M. Soil carbon stocks and land use change: a meta analysis. Global Change
Biology, Oxford, v. 8, p. 345-360, 2002.

HAZELL, P.; WOOD, S. Drivers of change in global agriculture. Philosophical Transactions of the
Royal Society. Biological Sciences. Series B, London, v. 363, p. 495-515, 2008.

IKEDA, F. S.; MITJIA, D.; VILELA, L.; CARMONA, R. Banco de sementes no solo em sistemas de cultivo
lavoura-pastagem. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, v. 42, p. 1545-1551, 2007.

INOMOTO, M. M.; MACHADO, A. C. Z.; ANTEDOMÊNICO, S. R. Reação de Brachiaria spp. e Panicum


maximum a Pratylenchus brachyurus. Fitopatologia Brasileira, Brasília, v. 32, p. 341-344, 2007.

JAKELAITIS, A.; SILVA, A. A.; FERREIRA, L. R.; SILVA, A. F.; FREITAS, F. C. L. Manejo de plantas
daninhas no consórcio de milho com capim-braquiária (Brachiaria decumbens). Planta Daninha,
Viçosa, MG, v. 22, n. 4, p. 553-560, 2004.

KLUTHCOUSKI, J.; AIDAR, H. Implantação, condução e resultados obtidos com o sistema Santa Fé. In:
KLUTHCOUSKI, J.; STONE, L. F.; AIDAR, H. (Ed.). Integração lavoura-pecuária. Santo Antônio de
Goiás: Embrapa Arroz e Feijão, 2003. p. 406-441.

KLUTHCOUSKY, J.; COBBUCI, T.; AIDAR, H.; COSTA, J. L. S.; PORTELA, C. Cultivo do feijoeiro em
palhada de braquiária. Santo Antônio de Goiás: Embrapa Arroz e Feijão, 2003. 28 p. (Embrapa Arroz
e Feijão. Documentos, 157).

KLUTHCOUSKI, J.; COBUCCI, T.; AIDAR, H.; YOKOYAMA, L.; OLIVEIRA, I. P. de; COSTA, J. L. da; SILVA,
J. G. da; VILELA, L.; BARCELLOS, A. de O.; MAGNABOSCO, C. de U. Sistema Santa Fé - Tecnologia
Embrapa: integração lavoura-pecuária pelo consórcio de culturas anuais com forrageiras, em áreas de
lavoura, nos sistemas direto e convencional. Santo Antonio de Goiás: Embrapa Arroz e Feijão, 2000.
28 p. (Embrapa Arroz e Feijão. Circular Técnica, 38).

LAL, R. Tillage and agricultural sustainability. Soil & Tillage Research, Amsterdam,
v. 20, p. 133-146, 1991.

LAL, R. World soils and global issues. Soil & Tillage Research, Amsterdam, v. 97,
p. 1-4, 2007.

LANZANOVA, M. E.; NICOLOSO, R. S.; LOVATO, T.; ELTZ, F. L. F.; AMADO, T. J. C.; REINERT, D. J.
Atributos físicos do solo em sistema de integração lavoura-pecuária sob plantio direto. Revista
Brasileira de Ciência do Solo, Campinas, v. 31, p. 1031-1040, 2007.
960 Savanas: desafios e estratégias para o equilíbrio entre sociedade , agronegócio e recursos naturais

LIMA, M. A. Agropecuária brasileira e as mudanças climáticas globais: caracterização do problema,


oportunidades e desafios. Cadernos de Ciência e Tecnologia, Brasília, v. 19, p. 451-472, 2002.

LIMA, J. E. F. W.; SILVA, E. M. Contribuição hídrica do Cerrado para as grandes bacias hidrográficas
brasileiras. In: SIMPÓSIO DE RECURSOS HÍDRICOS DO CENTRO-OESTE, 2., 2002, Campo Grande.
Anais... Campo Grande: Associação Brasileira de Recursos Hídricos, 2002. 1 CD-ROM.

LYNCH, J. M.; BRAGG, E. Microrganisms and soil aggregate stability. Advances in Soil Science,
New York, v. 2, p. 133-171, 1985.

MACEDO, M. C. M.; EUCLIDES, V. P. B. Changes in soil fertility and plant nutrient contents in degraded
tropical pasture after renovation. In: INTERNATIONAL GRASSLAND CONGRESS, 19., 1997, Winnipeg.
Proceedings… [S.l.:s.n.], 1997. p. 115-116.

MARCHÃO, R. L.; BALBINO, L. C.; SILVA, E. M.; SANTOS JÚNIOR, J. D. G.; SÁ, M. A. C.; VILELA, L.;
BECQUER, T. Qualidade física de um Latossolo Vermelho sob sistemas de integração lavoura-pecuária
no Cerrado. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, v. 42, p. 873-882, 2007.

MARTHA JÚNIOR, G. B. Dinâmica de uso da terra em resposta à expansão da cana-de-açúcar no


Cerrado. Revista de Política Agrícola, Brasília, ano 17, n. 3, 2008. p. 15-27.

MARTHA JÚNIOR, G. B.; VILELA, L. Resultado econômico e estratégias de intensificação da adubação


de pastagens. In: MARTHA JÚNIOR, G. B.; VILELA, L.; SOUSA, D. M. G. (Ed.). Cerrado: uso eficiente
de corretivos e fertilizantes em pastagens. Planaltina, DF: Embrapa Cerrados, 2007. p. 69-92.

MARTHA JÚNIOR, G. B.; VILELA, L.; BARCELLOS, A. O. A planta forrageira em pastagens. In: SIMPÓSIO
SOBRE MANEJO DA PASTAGEM, 23., 2006, Piracicaba. Produção animal em pastagens: situação
atual e perspectivas: anais. Piracicaba: ESALQ, 2006. p. 87-137.

MARTHA JÚNIOR, G. B.; VILELA, L.; BARIONI, L. G.; BARCELLOS, A. O.; SOUSA, D. M. G. Viabilidade
econômica da adubação nitrogenada e sulfatada de pastagens no Cerrado. In: SIMPÓSIO SOBRE
NITROGÊNIO E ENXOFRE NA AGRICULTURA BRASILEIRA, 2006, Piracicaba. Anais... Piracicaba:
International Plant Nutrition Institute, 2007. p. 516-566.

MORAES, A.; CARVALHO, P. C. F.; PELISSARI, A.; ALVES, S. J.; LANG, C. R. Sistemas de integração
lavoura-pecuária no Subtrópico da América do Sul: exemplos do Sul do Brasil. In: SIMPÓSIO
INTERNACIONAL EM INTEGRAÇÃO LAVOURA-PECUÁRIA, 2007, Curitiba. [Anais...]. Curitiba: UFPR;
[S.l.]: Ohio State University, 2007. 1 CD-ROM.

MORAES, A.; LUSTOSA, S. B. C. Efeito do animal sobre as características do solo e a produção da


pastagem. In: SIMPÓSIO SOBRE AVALIAÇÃO DE PASTAGENS COM ANIMAIS, 1997, Maringá. Anais...
Maringá: Universidade Estadual de Maringá, 1997. p.129-149.

NELSON, G. C.; BENNETT, E.; BERHE, A. A.; CASSMAN, K.; DEFRIES, R.; DIETZ, T.; DOBSON, A.;
DOBERMANN, A.; JANETOS, A.; LEVY, M.; MARCO, D.; NAKICENOVIC, N.; O’NEILL, B.; NORGAARD,
R.; PETSCHEL-HELD, G.; OJIMA, D.; PINGALI, P.; WATSON, R.; ZUREK, M. Drivers of change in
Integração Lavoura-pecuária 961

ecosystem condition and services. In: MILLENNIUM ECOSYSTEM ASSESSMENT. Ecosystems and
human well-being: scenarios. Washington: Island Press, 2005. p. 173-222.

NICOLOSO, R. S. Dinâmica da matéria orgânica do solo em áreas de integração lavoura-pecuária


sob sistema plantio direto. 2005. 149 p. Dissertação (Mestrado em Ciência do Solo) - Universidade
Federal de Santa Maria, Santa Maria.

PORTES, T. A.; CARVALHO, S. I. C.; OLIVEIRA, I. P.; KLUTHCOUSKI, J. Análise do crescimento de uma
cultivar de braquiária em cultivo solteiro e consorciado com cereais. Pesquisa Agropecuária Brasileira,
Brasília, v. 35, p. 1349-1358, 2000.

SALTON, J. C. Matéria orgânica e agregação do solo na rotação lavoura-pastagem em ambiente


tropical. 2005. 158 p. Tese (Doutorado) - Faculdade de Agronomia, Universidade Federal do Rio
Grande do Sul, Porto Alegre.

SANTANA, D. P. A agricultura e o desafio do desenvolvimento sustentável. Sete Lagoas: Embrapa


Milho e Sorgo, 2005. 18 p. (Embrapa Milho e Sorgo. Comunicado Técnico, 132).

SEVERINO, F. J.; CARVALHO, S. J. P.; CHRISTOFFOLETI, P. J. Interferências mútuas entre a cultura do


milho, espécies forrageiras e plantas daninhas em um sistema de consórcio. III - Implicações sobre as
plantas daninhas. Planta Daninha, Viçosa, MG, v. 24, p. 53-60, 2006.

SILVA, C. A.; FERREIRA, L. R.; SILVA, A. A.; PAIVA, T. W. B.; SEDIYAMA, C. S. Efeito de doses
reduzidas de fluazifop-p-butil no consórcio entre soja e Brachiaria brizantha. Planta Daninha, Viçosa,
MG, v. 22, p. 429-435, 2004.

SILVA, C. A.; FREITAS, F. C.; FERREIRA, L. R.; FREITAS, R. S. Dessecação pré-colheita de soja e
Brachiaria brizantha consorciadas com doses reduzidas de graminicida. Pesquisa Agropecuária
Brasileira, Brasília, v. 41, p. 37-42, 2006.

SILVA, R. F.; AQUINO, A. M.; MERCANTE, F. M.; GUIMARÃES, M. F. Macrofauna invertebrada do solo
sob diferentes sistemas de produção em Latossolo da região do Cerrado. Pesquisa Agropecuária
Brasileira, Brasília, v. 41, p. 697-704, 2006.

SOUSA, D. G. M.; LOBATO, E. Correção da acidez do solo. In: SOUSA, D. G. M.; LOBATO, E. (Ed.).
Cerrado: correção do solo e adubação. Planaltina, DF: Embrapa Cerrados, 2004. p. 81-96.

SOUSA, D. M. G.; VILELA, L.; REIN, T. A.; LOBATO, E. Eficiência da adubação fosfatada em dois
sistemas de cultivo em um latossolo de Cerrado. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIA DO SOLO,
26., 1997, Rio de Janeiro. Anais... Rio de Janeiro: SBCS, 1997. 1 CD-ROM.

STUDDERT, G. A.; ECHEVERRÍA, H. E.; CASANOVAS, E. M. Crop-pasture rotation for sustaining the
quality and productivity of a Typic Argiudoll. Soil Science Society of America Journal, Madison,
v. 61, p. 1466-1472, 1997.

THUROW, T. L. Hydrology and erosion. In: HEITSCHMIDT, R. K.; STUTH, J. W. (Ed.). Grazing
management: an ecological perspective. Portland: Timber Press, 1991. p. 141-159.
962 Savanas: desafios e estratégias para o equilíbrio entre sociedade , agronegócio e recursos naturais

UNITED STATES ENVIRONMENTAL PROTECTION AGENCY. Anthropogenic methane emissions in


the United States: estimates for 1990: report to congress. Washington, 1993.

UNITED STATES ENVIRONMENTAL PROTECTION AGENCY. Evaluation ruminant livestock efficiency


projects and programs: peer review draft. Washington, 2000.

VILELA, L.; MIRANDA, J. C. C.; SHARMA, R. D.; AYARZA, M. A. Integração lavoura-pecuária:


atividades desenvolvidas pela Embrapa Cerrados. Planaltina, DF: Embrapa Cerrados, 1999. 31 p.
(Embrapa Cerrados. Documentos, 9).

WILKINS, R. J. Eco-efficient approaches to land management: a case for increased integration of crop
and animal production systems. Philosophical Transactions of the Royal Society. Biological
Sciences. Series B, London, v. 363, p. 517-525, 2008.

View publication stats

Você também pode gostar