DEGENERAÇÕES
PROF. VILSON JUNIOR
DEGENERAÇÃO
Lesão caracterizada pelo acúmulo de substâncias no interior das células, em
razão de mudanças bioquímicas.
A substância acumulada pode ser água, eletrólitos, proteínas, lipídeos ou
carboidratos.
Geralmente as alterações são reversíveis.
DEGENERAÇÃO HIDRÓPICA
Na degeneração hidrópica ocorre o acúmulo de água e eletrólitos nas células.
Lesão reversível facilmente observada em áreas de agressão.
Origem: depleção de ATP, intoxicação, dano a membrana mitocondrial ou
celular que contribuem para a retenção de sódio e o acúmulo de água.
DEGENERAÇÃO HIDRÓPICA - MACROSCOPIA
UFG, 2020
DEGENERAÇÃO HIDRÓPICA
UNICAMP, 2021
DEGENERAÇÃO HIALINA
Na degeneração hialina ocorre o acúmulo de material de natureza proteica.
Origem: proteínas endocitadas, material viral ou condensação de filamentos.
Esse acúmulo pode ser observado dentro da célula ou no espaço extracelular.
Aspecto microscópico: homogêneo e agregados eosinófilos (acidófilo).
DEGENERAÇÃO HIALINA
Corpúsculo de Russell – Plasmócitos – Imunoglobulinas
DEGENERAÇÃO HIALINA - FÍGADO
Corpúsculo de Mallory-Denk – Hepatócitos – Citoesqueleto agredido por radicais livres
DEGENERAÇÃO HIALINA - FÍGADO
CORPÚSCULOS DE MALLORY – UFMG, 2019
DEGENERAÇÃO HIALINA - FÍGADO
CORPÚSCULOS DE COUNCILMA-ROCHA LIMA - FEBRE
AMARELA - APOPTOSE
DEGENERAÇÃO HIALINA - CORAÇÃO
Desintegração de filamentos por toxinas bacterianas
DEGENERAÇÃO HIALINA – INCLUSÃO VIRAL
Corpúsculo de Negri – inclusão viral com aspecto redondo ou
ovalado em neurônios. Patognomônico de infecção rábica.
DEGENERAÇÃO HIALINA – INCLUSÃO VIRAL
Corpúsculo de Henderson-Patterson – Poxvírus. Patognomônica da
infecção por molusco contagioso.
ACÚMULO DE GORDURA - ESTEATOSE
Acúmulo de gorduras neutras no citoplasma de células que metabolizam, mas
não as armazenam.
Decorrente do aumento da captação ou na produção de ácidos graxos, bem
como, em razão de dano que dificulta o seu uso ou transporte.
Origem: hipóxia, agentes tóxicos, alteração na dieta e distúrbio no
metabolismo.
ACÚMULO DE GORDURA - ESTEATOSE
O etanol é a principal da esteatose hepática.
Principais vias de metabolismo do álcool: via da álcool-desidrogenase (ADH,
NAD, NADH) ou via catalase (peroxissomos).
Nessas vias, o produto final é o acetaldeído, que por ação da aldeído-
desidrogenase nas mitocôndrias, é convertido em ác. acético e acetil-CoA.
NAD é essencial para oxidar lipídeos.
Acetil-CoA induz a síntese de gordura.
ESTEATOSE – EFEITOS DO ETILISMO
1 – Menor disponibilidade de NAD (responsável pela oxidação de lipídeos);
2 – Aumento da oferta de acetil-CoA (induz a produção de ácido graxo);
3 – Redução de transporte de lipoproteínas.
ESTEATOSE - HIPÓXIA
1 – A redução na oferta de oxigênio, resulta em menor utilização de acetil-CoA;
2 – A depleção de ATP diminui a utilização de ácidos graxos.
DEGENERAÇÕES
PROF. VILSON JUNIOR
ACÚMULO DE GORDURA - LIPIDOSES
Acúmulos intracelulares de lipídeos, exceto de triglicerídeos.
As células normalmente não acumulam e nem armazenam gordura.
Podem ser localizadas ou sistêmicas.
LIPIDOSES - ATEROSCLEROSE
Deposição de lipídeos na íntima de artérias (médio e grande calibres).
Doença de origem multifatorial e com envolvimento inflamatório.
Depende da quantidade e qualidade de gordura circulante, bem como da
agressão as células endoteliais por agentes químicos, físicos ou biológicos.
PATOGÊNESE - ATEROSCLEROSE
1 – LESÃO ENDOTELIAL INICIADA POR LDL INDUZ A PRODUÇÃO DE IL-1 E TNF
2 – ADESÃO DE PLAQUETAS E CÉLULAS ENDOTELIAIS EXPRESSAM MOLÉCULAS DE ADESÃO;
3 – NA ÍNTIMA, OS MACRÓFAGOS CAPTURAM LDL – CÉLULAS ESPUMOSAS.
PATOGÊNESE - ATEROSCLEROSE
1 – LESÃO ENDOTELIAL INICIADA POR LDL INDUZ A PRODUÇÃO DE IL-1 E TNF
2 – CÉLULAS ENDOTELIAIS EXPRESSAM MOLÉCULAS DE ADESÃO;
3 – NA ÍNTIMA, OS MACRÓFAGOS CAPTURAM LDL – CÉLULAS ESPUMOSAS;
4 – OS MACRÓFAGOS ATIVIDOS LIBERAM MAIS MEDIADORES QUÍMICOS;
5 – AUMENTA POPULAÇÃO DE MACRÓFAGOS;
6 – MACRÓFAGOS MORREM NO LOCAL E SÃO MISTURADOS AOS LIPÍDEOS;
UNICAMP, 2020
PATOGÊNESE - ATEROSCLEROSE
7 – MACRÓFAGOS E PLAQUETAS LIBERAM FC E INDUZEM A ANGIOGÊNESE;
8 – OCORRE A MIGRAÇÃO DE CÉLULA MUSCULAR LISA QUE TAMBÉM ENDOCITAM LDL;
9 – CÉLULAS MUSCULAR LISA SÃO TRANSFORMADAS EM MIOFIBROBLASTOS;
10 – MIOFIBROBLASTOS SINTETIZAM A MEC E FORMA A CAPA FIBROSA;
11 – METALOPROTEINASES PODEM ROMPER A PLACA.
UNICAMP, 2020
LIPIDOSE – ATEROSCLEROSE
LIPIDOSES - XANTOMAS
Lesões na pele que se apresentam como nódulos ou placas amareladas.
Microscopicamente, observa-se aglomerados de macrófagos espumosos.
ACÚMULOS DE CARBOIDRATOS - GLICOGENOSES
Acúmulo de glicogênio provocado por deficiência de enzimas ou alterações no
metabolismo.
Locais mais afetados: fígado, rins, músculos (esqueléticos e cardíaco).
Exemplos: Doença de pompe e Doença de Cori
ACÚMULOS DE CARBOIDRATOS -
MUCOPOLISSACARIDOSES
Acúmulo intralisossômico de poliglicanos e/ou proteoglicanos.
Origem: deficiência enzimática.
Normalmente resulta em alterações em retardo mental, alterações no esqueleto,
opacificação da córnea e problemas cardíacos.
PIGMENTAÇÕES
PROF. VILSON JUNIOR
PIGMENTAÇÕES
Processo de formação e/ou acúmulo, normal ou patológico, de pigmentos no
organismo.
Os pigmentos podem ser originados de substâncias do próprio organismo
(endógenas) ou externas (exógenas).
A pigmentação patológica, por vezes, possui relação com alterações
bioquímicas nas células.
PIGMENTOS DE HEMOGLOBINA - BILIARES
Em recém-nascidos, pode causar a morte ou sequelas neurológicas.
O aumento da excreção de bilirrubina na bile favorece a formação de cálculos.
Aumento da produção; ou,
Dificuldade na remoção da
Bilirrubina.
QUERNÍCTERO - COMPLICAÇÃO
PIGMENTO BILIAR –
CAPTAÇÃO E TRANSPORTE
NOS HEPATÓCITOS
• OS HEPATÓCITOS CAPTAM A BB POR
PROTEÍNAS DE MEMBRANA.
• NO CITOSOL, BB SERÁ LIGADA AS
PROTEÍNAS Y E Z.
• NO REL, A BB É CONJUGADA COM O
ÁCIDO GLICURÔNICO.
PIGMENTOS DE
HEMOGLOBINA -
BILIARES
• O principal pigmento biliar é a
bilirrubina, que possui aspecto
amarelado.
• Resultado do produto final do
catabolismo da fração heme da
hemoglobina ou de hemoproteínas.
PIGMENTO BILIAR –
FORMAÇÃO E ALBUMINA
TRANSPORTE TRANSPORTE
• A principal fonte da bilirrubina é a
hemocaterese (destruição de hemácias),
que ocorre por ação de macrófagos do
baço, fígado ou medula óssea.
• A ação da enzima heme oxigenase sobre
o anel porfirínico, resulta na formação da
biliverdina e liberação do ferro.
• A biliverdina é rapidamente reduzida
para Bb por ação da biliverdina redutase.
PIGMENTOS DE HEMOGLOBINA - BILIARES
A excreção da bilirrubina conjugada para os canalículos biliares depende de
transporte ativo na membrana canalicular do hepatócito pela proteína MRP2.
Daí em diante, flui pelos ductos até o duodeno.
No intestino, pode sofrer ação da microbiota e se transformar em urobilinogênio
para ser excretado ou pode formar compostos intermediários eliminados nas
fezes (pigmentos).
PIGMENTOS DE
HEMOGLOBINA
- HEMATOIDINA
• Constituída pela mistura de
lipídeos e um pigmento
semelhante a bilirrubina, sem
ferro, que se forma em focos
hemorrágicos após a degradação
das hemácias por macrófagos.
• Surge após 2 ou 3 semanas do
sangramento.
UNICAMP, 2020
PIGMENTOS DE HEMOGLOBINA - HEMOSSIDERINA
Junto com a ferritina são as principais formas de armazenamento intracelular
de ferro.
Aproximadamente 20% do ferro no corpo humano.
Ferro: importante em diversos processos metabólicos, como transporte de
oxigênio e a síntese de DNA.
Em excesso por ser tóxico ao corpo humano.
PIGMENTOS DE HEMOGLOBINA - HEMOSSIDERINA
Ferritina é constituída por apoferritina e ferro.
A ferritina distribui-se no citoplasma formando agregados.
Quando há excesso de ferro, micelas de ferritina formam a hemossiderina.
FASES DE FORMAÇÃO - HEMOSSIDERINA
1 – Acúmulos de ferritina formam vacúolos autofágicos;
2 – Esses vacúolos sofrem fusão com lisossomos;
3 – Degradação da proteína apoferritina;
4 – Persistência de agregados maciços e insolúveis de ferro, constituindo a
hemossiderina.
ASPECTO CLÍNICO - HEMOSSIDERINA
TRAUMA – ÁREA VERMELHO
AZULADA DEVIDO A
HEMOGLOBINA DESOXIGENADA
DEGRADAÇÃO DA HEMOGLOBINA
E FORMAÇÃO DA
BILIVERDINA/BILIRRUBINA
FORMAÇÃO DE HEMOSSIDERINA –
COR CASTANHO ESCURO
PIGMENTOS DE HEMOGLOBINA - HEMOCROMATOSE
Hemossiderose sistêmica por aumento da absorção intestinal do ferro por
defeito genético.
O excesso de ferro lesionada as células por formar radicais livres ou favorecer
a liberação de enzimas hidrolíticas.
Resulta em lesão de vários órgãos, sobretudo em cirrose hepática, hipotrofia do
pâncreas, insuficiência cardíaca e artropatia.
PIGMENTAÇÕES
PROF. VILSON JUNIOR
PIGMENTOS DE HEMOGLOBINA - MALÁRICO
Também denominado de hemozoína, resulta da degradação da hemoglobina
ingerida pelo plasmódio durante o ciclo de vida nas hemácias.
A hemoglobina sofre proteólise em vacúolos digestivos.
O heme liberado é potencialmente tóxico, pois pode inibir proteases, gerar
radicais livres, peroxidar lipídeos ou até matar o parasito.
O heme é sequestrado por um processo denominado de biomineralização,
formando a hemozoína.
PIGMENTO DE
HEMOGLOBINA
- MALÁRICO
• HEMOZOÍNA NÃO É TÓXICA,
MAS A GRANDE RETENÇÃO EM
MONÓCITOS/MACRÓFAGOS PODE
AFETAR OS FAGÓCITOS,
REDUZINDO A RESPOSTA IMUNE.
• ALÉM DISSO, O ACÚMULO
EXCESSIVO NA MEDULA PODE
INTERFERIR NA ERITROPOESE.
PIGMENTO DE
HEMOGLOBINA -
ESQUISTOSSOMÓTICO
• ORIGINADO NO TRATO DIGESTIVO DO
SCHISTOSSOMA A PARTIR DO SANGUE DO HOSPEDEIRO.
• PROTEASES DO INSTESTINO DO PARASITO DEGRADAM
A HEMOGLOBINA.
• PARASITO FORMA UM CRISTAL DE HEME SEMELHANTE A
HEMOZOÍNA EM SEU INTESTINO.
• O PIGMENTO É REGURGITADO NA CIRCULAÇÃO DO
HOSPEDEIRO.
• SEM REPERCUSSÃO CLÍNICA!
PIGMENTAÇÃO ENDÓGENA - MELANINA
A melanina é sintetizada pelos melanócitos e corresponde a um pigmento cuja
cor varia de castanho ao negro.
FUNÇÃO: cosmética, proteção contra radiação UVB, ação antioxidante e
absorve calor.
Fatores que influenciam a formação da melanina: exposição ao sol (UVB),
hormônios (estrógeno e progesterona) e produtos de vários genes que controlam
a migração de melanócitos, a diferenciação dessa célula, bem como, que
regulam as suas proteínas estruturais.
SÍNTESE DA MELANINA
A síntese de melanina inicia-se a partir da tirosina. A enzima tirosinase hidroxila
a di-hidroxifenilalanina e o oxida em dopaquinona. A enzima fica empacotada.
PIGMENTAÇÃO ENDÓGENA - MELANINA
Nevo
PIGMENTAÇÃO
ENDÓGENA -
MELANINA
• DURANTE O ENVELHECIMENTO
OCORRE A PERDA PROGRESSIVA
DA PIGMENTAÇÃO MELÂNICA
DOS PELOS, RESULTADO DA
APOPTOSE DE MELANÓCITOS,
POSSIVELMENTE POR LESÃO DO
DNA MITOCONDRIAL PELO
ESTRESSE OXIDATIVO.
PIGMENTAÇÃO – LIPOFUSCINA OU LIPOCROMO
Pigmento marrom citado como marcador de envelhecimento celular.
A degradação de componentes celulares ocorre por meio de proteassomos,
calpaínas (proteases dependentes de cálcio) ou autofagia.
Autofagia: o ferro favorece a formação de radicais livres, causando a
peroxidação do conteúdo no lisossomo, degradação insuficiente e formação de
corpos residuais.
Associado a doenças degenerativas: Alzheimer e ao Parkinson.
PIGMENTAÇÃO – POSSÍVEL EFEITO CITOTÓXICO EM RAZÃO DA
LIPOFUSCINA OU FORMAÇÃO DE ESPÉCIES REATIVAS DERIVADAS DO
OXIGÊNIO E INIBIÇÃO DA DEGRADAÇÃO PROTEICA
LIPOCROMO
• A LIPOFUSCINA APARECE COMO
GRÂNULOS INTRACITOPLASMÁTICOS,
PARDO-AMARELADOS E PAS-
POSITIVO. CLINICAMENTE, OS
ÓRGÃOS SOFREM REDUÇÃO DE
TAMANHO E APRESENTAM ASPECTO
PÁLIDO.
• FORMADO POR PROTEÍNAS E
LIPÍDEOS QUE FORMAM DÍMEROS
NÃO DEGRADÁVEIS, DECORRENTES
DA QUEBRA OXIDATIVA DE VÁRIAS
MOLÉCULAS.
PIGMENTAÇÃO EXÓGENA
Tatuagem: O pigmento é fagocitado pelo macrófago da derme, mas pode ser
visto na MEC. Apenas uma pequena quantidade alcança os linfonodos.
PIGMENTAÇÃO EXÓGENA
Antracose: O pigmento de carvão é fagocitado pelos macrófagos e
transportado por vasos linfáticos aos linfonodos. Caracterizado ainda
por manchas irregulares no parênquima do pulmão. Pode causar
fibrose.
PIGMENTAÇÃO EXÓGENA
Argiria: deposição de sais de prata.
Tais partículas são encontradas na membrana basal de glândulas sudoríparas, em torno das unidades pilossebáceas, na parede
de vasos sanguíneos, em fibras elásticas, ao redor de fibras nervosas mielínicas e amielínicas e em macrófagos da derme.
CALCIFICAÇÕES
PROF. VILSON JUNIOR
CALCIFICAÇÕES
A calcificação patológica é caracterizada pela deposição de sais de cálcio em
locais normalmente não calcificados.
O desequilíbrio no nível plasmático de cálcio pode resultar em precipitação de
sais – Ca10(PO4)6OH2
Semelhança com a calcificação fisiológica a nível químico, tendo sido observada
a presença de proteínas específicas (osteopontina, osteocalcina e osteonectina).
CALCIFICAÇÕES - TIPOS
- Distrófica
- Metastática
- Idiopática
CÁLCIO SÉRICO
Os níveis de cálcio no corpo sofrem influência do processo de deposição,
reabsorção e remodelação óssea.
Níveis séricos de cálcio (10 mg/dl) e fostato (3,5 mg/dl).
CÁLCIO SÉRICO
Algumas condições podem favorecer a precipitação de sais de cálcio,
funcionando como um núcleo primário.
CALCIFICAÇÃO DISTRÓFICA
A calcificação distrófica resulta de modificações locais nos tecidos.
Tecidos necróticos são mais suscetíveis a deposição de cálcio. Geralmente ocorre
da periferia para o centro da lesão.
CALCIFICAÇÃO DISTRÓFICA
Calcificação patológica em artérias.
Patogênese: exposição de núcleos primários, aumento na concentração de cálcio
e/ou fosfato e alterações em proteínas envolvidas na diferenciação celular.
A célula muscular arterial expressa a proteína morfogenética do osso (BMP) e
proteína GLA.
CALCIFICAÇÃO DISTRÓFICA
As calcificações nos vasos podem alterar a pressão, aumentar o risco de ruptura
e de tromboembolia.
UFG, 2021
CALCIFICAÇÃO DISTRÓFICA
Calcificação na mama.
CALCIFICAÇÃO METASTÁTICA
A calcificação metastática ocorre em situações de hipercalcemia. Em alguns
casos pode surgir em consequência da hiperfosfatemia.
Quando o produto das concentrações séricas de cálcio e fosfato fica acima
de 40 em adultos, ocorre a calcificação metastática.
Os depósitos de cálcio podem afetar qualquer local, mas apresentam
predileção pelos pulmões, rins, córnea, artérias e veias pulmonares.
CALCIFICAÇÃO METASTÁTICA
Em calcificações metastáticas, a precipitação de cálcio inicia-se nas
mitocôndrias.
A deposição de cálcio também ocorre no compartimento extracelular,
principalmente dos pulmões e rins.
O tecido afetado fica mais endurecido e rangem ao corte.
CALCIFICAÇÃO METASTÁTICA
DOENÇA DE PAGET
CALCINOSE IDIOPÁTICA
Depósitos de calcificação que normalmente ocorre em áreas cutâneas, sem
lesão prévia e com níveis séricos normais de cálcio e fosfato.
Pode ulcerar, permitindo a drenagem de material calcário.
CÁLCULOS
O termo cálculo é usado para massas sólidas mineralizadas, de consistência
argilosa, que apresentam o formato esférico, oval ou facetado.
Locais mais comuns: vesícula biliar ou nos rins.
CÁLCULO BILIAR
Lesão de aspecto radiolúcido, resultante de modificações na composição da
bile, que possibilita a precipitação de frações insolúveis, em torno de células
descamadas, bactérias ou do muco.
Podem causar obstrução e cólica biliar. Se ocorrer abaixo da união com o
ducto pancreático, pode causar pancreatite.
CÁLCULO RENAL
A maioria é formada por cálcio, estando o oxalato e cálcio e o fosfato de
cálcio envolvido em 80% dos casos.
Lesão radiopaca que podem envolver os cálices renais (coraliformes).
A formação do cálculo renal depende do aumento da concentração do seu
constituinte (cálcio, fosfato de amônia e magnésio).
CÁLCULO EM GLÂNDULA SALIVAR - SIALOLITO
Cálculo em glândulas salivares, resultante, muitas vezes, da estagnação de
secreções ricas em cálcio. Isso causa precipitação luminal em torno de partículas
de muco ou de células degeneradas.
ALTERAÇÕES NO INTERSTÍCIO
Prof. Vilson Junior
MATRIZ EXTRACELULAR (MEC):
intrincada rede de macromoléculas
que preenche os espaços
intercelulares e que contribui para
as propriedades biomecânicas dos
tecidos.
(ALBERTS et al., 2017)
SUPORTE MECÂNICO
REGULAR O
COMPORTAMENTO DAS
CÉLULAS
ARCABOUÇO PARA
RENOVAÇÃO TECIDUAL
RESERVATÓRIO DE
FATORES DE CRESCIMENTO
CADEIAS DE POLISSACARÍDEOS DE GLICOSAMINOGLICANOS E
PROTEOGLICANOS
Formam um gel altamente hidratado, denominado de substância
fundamental, onde as proteínas fibrosas estão imersas.
(ALBERTS et al., 2017)
PROTEÍNAS FIBROSAS ESTRUTURAIS
COLÁGENO ELASTINA
PROTEÍNAS ADESIVAS OU NÃO FIBROSAS
PROTEÍNAS
LAMININA FIBRONECTINA MATRICOCELULARES
PROTEÍNAS FIBROSAS ESTRUTURAIS
COLÁGENO ELASTINA
PROTEÍNAS ADESIVAS OU NÃO FIBROSAS
PROTEÍNAS
LAMININA FIBRONECTINA MATRICOCELULARES
Proteína mais abundante do interstício.
Apresenta uma estrutura longa e rígida
que resiste a forças tensoras.
Formada por três cadeias polipeptídicas do
tipo alfa.
Os tipos mais conhecidos são: I, II, III e IV.
(ALBERTS et al., 2017)
PROTEÍNAS FIBROSAS ESTRUTURAIS
COLÁGENO ELASTINA
PROTEÍNAS ADESIVAS
PROTEÍNAS
LAMININA FIBRONECTINA MATRICOCELULARES
A elastina confere elasticidade
aos tecidos.
Proteína hidrofóbica: rica em
prolina e glicina. Possui fibrilina
na superfície.
Segmentos hidrofóbicos e de
hélices α (lisinas).
(ALBERTS et al., 2017)
PROTEÍNAS FIBROSAS ESTRUTURAIS
COLÁGENO ELASTINA
PROTEÍNAS ADESIVAS
PROTEÍNAS
LAMININA FIBRONECTINA MATRICOCELULARES
Proteína grande composta de 3 cadeias (α, β e γ)
organizadas na forma de cruz assimétrica
unidas por pontes dissulfídricas.
Componente das lâminas
basais, produzida por células
epiteliais.
Alberts et al., 2017
PROTEÍNAS FIBROSAS ESTRUTURAIS
COLÁGENO ELASTINA
PROTEÍNAS ADESIVAS
PROTEÍNAS
LAMININA FIBRONECTINA MATRICOCELULARES
Alberts et al., 2017
• Proteína adesiva que
contribui para organização
da matriz e ajuda as células
a aderirem à matriz;
•Possui vários domínios de ligação para outras moléculas da matriz e
para receptores da superfície celular;
•Interfere no deslocamento de células.
Alberts et al., 2017
Metaloproteinases – principal grupo de enzimas
MMP (metaloproteinases de matriz extraceclular);
Grupos: colagenases, gelatinases, estromilisinas,
matrilisinas e metaloproteinases ligadas a membranas.
Podem clivar outras proteases e seus inibidores;
Atividade controlada por citocinas;
Produzidos por: fibroblastos, macrófagos, neutrófilos,
células sinoviais e algumas células epiteliais.
Inibido por esteroides e TGF-beta.
Pode ser resultante de defeitos genéticos ou
alterações adquiridas.
Alteração perceptível na pele, devido a modificação
na elasticidade e resistência do tecido;
Vasos: maior risco de aneurismas;
Ossos (deformidades).
Carência de vitamina C: hidroxilação deficiente do
colágeno e falha em formar ligações cruzadas.
Carência de cobre e ingestão da semente de ervilha-
de-cheiro inibem a lisil oxidase.
Deposição anormal de colágeno (fibroses) ou a
degradação excessiva por colagenases liberadas por
células inflamatórias.
Podem ser adquiridas ou congênitas.
Patogênese: resultante de alterações da síntese de lisil
oxidase, fragmentação das fibras pela luz ou aumento da
atividade de elastases.
A integridade da membrana basal é importante para manter a
atividade fisiológica epitelial.
A membrana basal filtra macromoléculas e agregados
moleculares.
Espessada em pacientes diabéticos em razão de alteração na
síntese e a glicosilação deficiente do colágeno no endotélio.
Depósitos na MB: imunoglobulinas, amiloidose e metais
pesados.
Hialinose: depósitos acidófilos de proteínas do plasma
que se depositam na MEC.
Depósito na arteríola renal em paciente diabético (BRASILEIRO
FILHO, 2023)
Hialinização do interstício: alteração em que as fibras
colágenas e a substância amorfa tornam-se acidófilas, em
razão de tumefação e maior espessamento.
Queloide (TEO, 2022)
Transformação mucoide: aumento da substância amorfa.
Assim, as fibras colágenas ficam dispersas em fibrilas
finas, com aspecto de tecido mucoso.
Valva cardíaca de paciente com doença reumática (BRASILEIRO
FILHO, 2023)
Transformação fibrinoide: ocorre deposição de material
acidófilo semelhante a fibrina.
Digestão de fibras e componentes da MEC misturados a fibrina
exsudada em vaso lesado (BRASILEIRO FILHO, 2023)
Doença caracterizada pela deposição de material proteico
fibrilar no interstício.
Substância amiloide: material amorfo e acidófilo que
comprime as células.
Composição: proteína amiloide (90%) e glicoproteína do
componente P.
Cora com vermelho-congo; tioflavinas T e S; ou, cristal
violeta.
Amiloide AL – derivadas das cadeias leves da Igs.
Amiloide AA – derivado do precursor sérico de amiloide
ou proteína sérica associada a amiloide.
Proteína derivada da transportadora de tiroxina e retinol,
comum em amiloidoses senis.
Proteínas formada por β2-microglobulina.
Proteína β-amiloide derivada da clivagem de proteínas da
membrana citoplasmática de neurônios.
Amiloidose sistêmica secundária a proliferação de plasmócitos –
tipo AL;
Amiloidose localizada idiopática – tipo AL;
Amiloidose reacional ou pós inflamação crônica - tipo AA;
Amiloidose secundária a hemodiálise;
Amiloidose na doença de Alzheimer.
Os órgãos afetados podem apresentar aumento de volume
e consistência mais firme. Por vezes, a evolução é lenta e
assintomática. Alvos comuns: rins, fígado, baço e coração.
Acredita-se que a lesão é resultante de modificação na
conformação normal de proteínas precursoras da
amiloide, facilitando a agregação ou decorrente de
produção excessiva ou da incapacidade de degradar
proteínas alteradas.
MORTE CELULAR
Prof. Vilson Junior
CÉLULA NORMAL LESÃO REVERSÍVEL
ADAPTAÇÃO LESÃO
APOPTOSE LESÃO IRREVERSÍVEL
MORTE CELULAR NECROSE
➢ CARACTERÍSTICAS DA LESÃO REVERSÍVEL
Alterações da membrana plasmática (bolha);
Dilatação do retículo endoplasmático;
Formação de vacúolos;
Leves alterações nucleares (desagregação).
➢ PONTO SEM RETORNO
Ponto que determina a irreversibilidade da lesão.
Momento não completamente esclarecido.
Fatos marcantes: incapacidade de reverter a função
mitocondrial e grandes danos a função das membranas.
➢ CATEGORIAS
Morte celular programada
➢ CATEGORIAS
Morte celular regulada
➢ CATEGORIAS
Morte celular acidental ou não programada
➢ TIPOS CLÁSSICOS
Necrose: degradação dos componentes celulares por
enzimas dos lisossomos.
Apoptose: caracteriaza-se pela dissolução nuclear,
fragmentação celular sem perda da integridade da
membrana e rápida remoção dos restos celulares.
➢ NECROSE
Morte celular que envolve a autólise.
Origem das enzimas digestivas: lisossomos das próprias
células que estão morrendo ou dos lisossomos dos leucócitos.
Sempre associado a um processo patológico.
Induz a reação inflamatória.
➢ NECROSE - CAUSAS
- Depleção de ATP,
- Radicais livres;
- Enzimas líticas;
- Ação direta sobre enzimas, inibindo processos vitais;
- Danos as membranas.
➢ COMO OCORRE A NECROSE?
AGRESSÃO
➢ COMO OCORRE A NECROSE?
ATP
Falência do transporte
ativo
➢ COMO OCORRE A NECROSE?
ATP CÁLCIO
DANOS AS MEMBRANAS DOS LISOSSOMOS
➢ COMO OCORRE A NECROSE?
Ativa a resposta
inflamatória
➢ NECROSE – VISÃO MACROSCÓPICA
Aspecto variado, dependente do causa.
Isquemia: colocaração esbranquiçada e órgão tumefeito.
➢ NECROSE – VISÃO MACROSCÓPICA
Aspecto variado, dependente do causa.
Tuberculose: aspecto de massa de queijo, esbranquiçada e
quebradiça.
➢ NECROSE – VISÃO MACROSCÓPICA
Aspecto variado, dependente do causa.
Liquefação:
➢ NECROSE – VISÃO MICROSCÓPICA
As células apresentam eosinofilia aumentada;
Aspecto mais vítreo (perda do glicogênio);
Figuras de mielina – massas fosfolipídicas
Picnose nuclear, cariorrexe e cariólise.
➢ PADRÕES DE NECROSE TECIDUAL
Necrose por coagulação: citoplasma com as aspecto
de substância coagulada (acidófilo) e alteração
nuclear marcante (cariólise). Ex: infarto.
➢ PADRÕES DE NECROSE TECIDUAL
Necrose gomosa: variedade da necrose por
coagulação, onde o tecido necrosado possui aspecto
compacto e elástico como borracha ou fluido-viscoso
como uma goma-arábica. Ex: sífilis.
➢ PADRÕES DE NECROSE TECIDUAL
Necrose por liquefação: caracterizada pela
transformação do tecido em uma massa viscosa
líquida. Ex: infecções purulentas ou danos ao
encéfalo.
➢ PADRÕES DE NECROSE TECIDUAL
Esteatonecrose: necrose enzimática do tecido adiposo.
Os ácidos graxos liberados sofrem saponificação e
originam depósitos esbranquiçados (pingo de vela).
➢ PADRÕES DE NECROSE TECIDUAL
Gangrena: forma de evolução da necrose secundária
à ação de agentes externos.
Gangrena seca Gangrena úmida
➢ DESFECHO DA NECROSE
As células mortas são reconhecidas como um corpo
estranho e desencadeiam uma resposta de reabsorção
e posterior reparo.
ENCISTAMENTO
➢ CALCIFICAÇÃO
➢ MORTE CELULAR POR APOPTOSE
A célula aciona mecanismos que resultam com a sua morte.
Enzimas degradam o DNA e proteínas das células;
As células se quebram em fragmentos e estes são fagocitados;
Normalmente, não ativa a inflamação.
➢ MORTE CELULAR POR APOPTOSE
A ativação de caspases é um evento essencial a apoptose.
Caspases são enzimas que possuem cisteína no sítio ativo e
clivam proteínas em sítios com resíduo do ác. aspártico.
12 caspases: ativadoras (8, 9 e 10) e efetuadoras (3, 6 e 7).
➢ NECROSE X APOPTOSE
➢ MORFOLOGIA
Célula com redução de tamanho e citoplasma denso;
Cromatina condensada;
Fragmentação de núcleo;
Presença de pequenos corpúsculos basófilos ou acidófilos.
➢ O QUE CAUSA A APOPTOSE?
Causas fisiológicas: involução de tecidos hormônios-
dependentes, embriogênese, etc.
Causas patológicas: lesão no DNA, acúmulo de
proteínas dobradas, falta de fator de crescimento,
ação do linfócito T citotóxico, etc.
➢ COMO OCORRE A APOPTOSE?
Todas as células apresentam mecanismos que
sinalizam sua morte ou sobrevivência.
Um desequilíbrio nessa sinalização pode gerar a
apoptose.
Existem vias distintas que resultam na apoptose.
➢ VIAS DE INDUÇÃO DA APOPTOSE
Via intrínseca (mitocondrial);
Via extrínseca (morte iniciada por receptor);
Ação direta sobre a membrana citoplasmática, sem
envolver receptores com domínio de morte.
➢ VIAS INTRÍNSECA – DANO A MEMBRANA MITOCONDRIAL
Dano a membrana
por radical livre ou
aumento da Ca++.
CITOCROMO
C / SMAC /
AIF / OMI
➢ VIAS INTRÍNSECA (PRINCIPAL MECANISMO)
Ativação
do Bax e
Bak CITOCROMO Ativação
C / SMAC / das
AIF / OMI Caspases
Bcl-2
Proteínas
apenas
BH3
➢ VIAS INTRÍNSECA
ASSOCIAÇÃO COM
APAF 1 E
CITOCROMO C ATIVAÇÃO DE
CASPASE 9
INIBE IAP,
PERMITINDO
SMAC ATIVAÇÃO DE
CASPASE 9
ATIVA CASPASE 9
AIF E
ENDONUCLEASES
➢ VIA EXTRÍNSECA – RECEPTOR DE MORTE
Os receptores com domínio de morte pertencem a família
do TNF.
Exemplos: TNFR1 e a proteína Fas.
Quando ativados, expões domínios de morte que recrutam
proteínas para ativar caspases (8 e 10).
➢ VIA EXTRÍNSECA – FALTA DE ESTÍMULO
A perda de ancoragem (integrinas) com a MEC ou a
outras células (caderinas) inibem as cinases que mantém
as vias de sobrevivência.
Algumas proteínas associadas a integrinas apresentam
um domínio de morte.
Quando a integrina solta da MEC, a proteína ativa as
caspases.
➢ VIA INTRÍNSECA E EXTRÍNSECA
➢ APOPTOSE POR OUTROS ESTÍMULOS NA MEMBRANA
Os radicais livres ou a radiação podem ativar esfingomielinase,
liberando ceramida.
A ceramida induz o apoptose por inativar os inibidores das
caspases 8 e 9 ou por ativar p38.
P38 ativam fatores de transcrição pró-apoptóticos.
➢ FASE DE EXECUÇÃO DA APOPTOSE
As vias convergem para uma cascata de ativação das
caspases (proteases);
As caspases degradam os componentes nucleares;
Ocorre clivagem do DNA.
➢ COMO É FEITA A REMOÇÃO DAS CÉLULAS?
As células são fragmentadas em corpos minúsculos;
Apoptose depende de ATP;
Uma ativação na membrana dos corpos e da célula
promove a ativação da fagocitose.
Exemplo: Fosfatidilserina – inversão dos folhetos.
➢ CARACTERÍSTICAS DA NECROSE E APOPTOSE
CARACTERÍSTICAS NECROSE APOPTOSE
Tamanho celular Aumentado Reduzido
Membrana Reduzido Intacta
plasmática
Conteúdos celulares Extravasados Intactos
Inflamação Frequente Não é comum
adjacente
Papel fisiológico ou Patológico Fisiológico ou
patológico patológico
➢ APOPTOSE E AUTOIMUNIDADE
Anormalidades na apoptose podem ter relação com doenças
autoimunes, pela possibilidade de expor autoantígenos ou por
defeito na eliminação de linfócitos autorreatores.
➢ NECROSE REGULADA - NECROPTOSE
Ocorre em processos fisiológicos e patológicos.
Ocorre ativação de receptores com domínio de morte, mas que
não resultam em ativação de caspases.
Aspecto morfológico de necrose.
➢ CORNEIFICAÇÃO DE CERATINÓCITOS
Morte programada diferente da apoptose.
Ocorre lise da cromatina e de organelas.
A ceratinização resulta da organização de proteínas e lipídeos
na membrana.
➢ AUTOFAGIA
Ocorre sem ativação de caspase e sem autólise.
Não resulta em condensação da cromatina.
Observada em neurônios.